12/10/2015

Sempre Foi Você - Capítulo 4

5 de outubro de 2000


– Então, Demi Lovato, qual é seu AVU? – Josh Chambers, editor da revista estudantil, inclinou-se na sua cadeira giratória surrada, tirando o lápis que havia posto atrás da orelha segundos atrás, batendo-o contra os dentes e observando-a.

Demi franziu a testa.
Que diabos era AVU? Ela se perguntou se era algum termo jornalístico que deveria saber. Não queria parecer burra e admitir que não conhecia praticamente nada sobre o trabalho em um jornal.
Ela se candidatara para a posição não remunerada na redação da revista da universidade, assim que tinha chegado em Nottingham, na semana anterior. Agora, estava sendo entrevistada pelo editor super inteligente e já estava se sentindo ridícula.

– O que quero saber, Demi, é qual é o seu Argumento de Venda Único. O que a torna especial? O que você tem que os outros candidatos não têm?

Ele obviamente tinha ficado com pena dela. Pelo jeito, o olhar de confusão ajudava em alguma coisa, no fim das contas. Pena que não funcionava tão bem com a família dela.

– Bem, Josh Chambers – permitiu-se um pequeno sorriso ao usar o nome completo dele, do mesmo modo que ele tinha feito. – Tenho muitos pontos de venda. Trabalho duro. Sou determinada e nunca aceito não como resposta.
– Você e todo mundo com quem falei hoje. Isso não a torna única. Só a torna desesperada – Josh balançou a cabeça, dando um sorrisinho com a resposta dela.
Ele era atraente, com seu cabelo loiro escuro, maxilar forte e barba por fazer. Tinha o visual geek-chic perfeito, com seus óculos de aro de tartaruga pretos escorregando pelo nariz. Embora estivesse no último ano de Jornalismo, para Demi ele parecia ser muito mais velho que ela. Com o canto do olho, ela avistou um pôster grande na parede, que anunciava um show na semana seguinte. Ela virou a cabeça, sorrindo ao reconhecer o homem posando na frente do pôster. Ele estava usando uma camisa preta apertada, seu cabelo desgrenhado voando para todos os lados enquanto tocava sua guitarra.

– Eu conheço Tom McLean do Fatal Limits – ela indicou a foto na parede anunciando a banda como o show principal. – Posso conseguir uma entrevista com eles.

Josh inclinou-se, a curiosidade atiçada pela primeira vez naquela manhã.

– Está brincando comigo?
– Não! – Demi riu da expressão dele. – Sério, conheci ele nesse verão. Eles acabaram de conseguir um contrato com uma gravadora independente. Posso ligar pra ele agora, se você quiser.

Josh ainda a olhava com interesse, o lápis firmemente preso entre os dentes.

– Ok. Vamos fazer um acordo: se você conseguir uma entrevista com o Fatal Limits e se escrever um artigo decente, te dou um mês de teste – o sorriso dele era genuíno.
– Obrigada! – Demi estava incrédula, mal acreditando que, dentre quase cem candidatos, ela tinha ganhado um teste. Ela queria fazer uma dancinha de comemoração.
– Mas aviso desde já que sou um chefe exigente. Já fiz homens feitos chorarem com minhas edições. Não aceito desaforo, e se você está atrás de trabalho fácil, esse não é o lugar certo.
– Não estou atrás de nada fácil, obrigada – Demi respondeu incisiva, devolvendo o olhar dele com um igualmente intenso. – E homens bem maiores que você tentaram, e não conseguiram, me fazer chorar.
– Vou encarar isso como um desafio, então.
– Por favor.

Josh estendeu a mão e apertou a de Demi. Ele a sacudiu algumas vezes, como que para fechar o negócio.

– Aguardo ansiosamente para trabalhar com você, Demi Lovato.
– Por favor, me chame de Demi. Lovato é meu sobrenome. É estranho quando você me chama assim.
– Ok, então estou ansioso para trabalhar com você, Demi – ele esperou um momento. – Sem Lovato.
– Não podia resistir, podia? – ela balançou a cabeça.
– Você acha que é irresistível? – a sobrancelha dele ergueu-se.
– Não tanto quanto você me acha.

Josh tirou os óculos, colocando-os à sua direita, na escrivaninha.
Passando uma mão pelo cabelo, ele se inclinou para a frente, até que seu rosto estivesse a alguns centímetros do de Demi.

– Está tentando seduzir, Demi Lovato? – ele estava tão perto que ela podia sentir a respiração dele na sua pele.
– Se tem que perguntar, a resposta é não. Se eu estivesse te seduzindo, você saberia.
– Então aguardo ansiosamente para saber.
– Espere sentado – ela ergueu-se da cadeira, apanhando o currículo e o portfólio. – Obrigada pela oferta. Vou ficar feliz quando publicar meu primeiro artigo.

Soando mais confiante do que se sentia, ela fez um aceno rápido para Josh e saiu para a sala principal do jornal. Fechando a porta atrás de si, suspirou aliviada. Ela não tinha certeza se sentia-se atraída por Josh Chambers… ou se queria matá-lo.

***

Quando voltou ao dormitório, havia um pequeno pacote marrom enfiado na caixa do correio ao lado da sua porta. Ao puxá-lo, viu que era de Nova York. O formulário da alfândega fixado na parte de trás tinha sido manchado na chuva, deixando a escrita ilegível.

Ela se perguntou o que afinal seu pai estava fazendo ao lhe enviar livros.

Parte dela mal podia esperar para ver que presente inapropriado ele havia mandado dessa vez. Ela supôs que, pelo menos, deveria dar algum crédito a ele por ter se lembrado dela.

Já dentro do quarto, começou a abrir o pacote. Assim que rasgou o papel marrom, sua boca se abriu de surpresa. O livro não estava limpo e novo.
Tinha aquele odor único de poeira que apenas livros antigos possuem. Capa dura com uma sobrecapa verde-musgo. Estava extremamente bem preservado para a idade. As grandes letras brancas na capa não deixaram dúvidas de que o presente não era de Philip Lovato.

Era 1984, de George Orwell.

Quando Demi abriu a capa, leu as palavras “primeira edição” escritas a lápis na página de rosto.
Um envelope caiu dentre as páginas, aterrissando suavemente em sua colcha branca bordada. Ela sentiu o coração bater mais rápido quando o apanhou, colocando o dedo na fenda da beirada e movendo-o ao longo do envelope para abri-lo. Tirando de dentro um papel de carta elegante, ela o abriu e começou a ler.

27 de setembro de 2000

Querida Demi,
O começo da sua carreira universitária é algo que vale a pena comemorar, mas, como Thomas Carlyle disse, “A maior universidade de todas é sua coleção de livros”. Assim que li isso, não pude deixar de pensar em você.
Obrigado, não só por sua gentileza com Ruby durante o verão, mas também por entreter o solitário – e eventualmente irritante – Grande Irmão dela.
Se a nova Demi Lovato é tão interessante quanto a antiga, aguardo ansiosamente para ver você de novo em breve.
Seu,
Joseph

Ela encarou a carta por um tempo. Era curta, só um bilhete, na verdade, mas ela não pôde evitar se sentir um pouco emocionada pelo gesto. Ele comprara um livro para ela – uma primeira edição, ainda por cima. Não era o tipo de coisa que se encontrava em um sebo qualquer.
Além disso, ele a chamara de interessante. Por algum motivo, ela gostou daquilo. Gostou muito daquilo. O jeito que os Jonas tinham de atribuir aquela palavra a ela estava fazendo Demi mudar de ideia sobre sua conotação negativa. Pela primeira vez, ela estava gostando de ser interessante, de ser diferente.
Depois de passar dez minutos se perguntando como agradecê-lo, decidiu ir à sala de computadores no porão do alojamento e enviar um e-mail.

De: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Para: RSJonas@Columbia.edu
Assunto: Grande Irmão

Querido Joseph,
Uau, muito obrigada pelo presente impressionante. Nunca tive uma primeira edição de nada antes, então estou animada para começar essa nova coleção. Provavelmente tenho um longo caminho a percorrer antes de ter algo próximo da “universidade de livros” de Thomas Carlyle, mas a gente precisa começar de algum lugar, certo?
No entanto, estou levemente apreensiva com o fato de você ter me mandado um livro que basicamente me diz que o Grande Irmão está me observando. Devo ficar preocupada?

Demi
PS: Meu quarto é o 101.

Ela clicou no ícone “enviar” e se encostou na cadeira, decidindo procurar na internet quanto exatamente valia uma primeira edição de 1984.


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Oiiii ... hoje a Raysla me mediu pra postar ... então aqui estou eu ^^ 
Espero que gostem >.<




Mais tarde tem mais ... <3



3 comentários:

  1. Pode postar todo dia :D
    Ou postar tudo num dia só, kkk
    Tl ansiosa pelo resto

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  2. Aeeeeeeeeeeee Raysla pede mais te amo Raysla,A fic ta otima

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  3. Aiin.. Tô amando. E peço msm. Todos os dias eu lembro ela que tem um compromisso importante pra muita gente Mirely. Amei. Posta logo.

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Sem comentários ........... sem capítulos!