12/10/2015

Sempre Foi Você - Capítulo 5


Dentro de poucos instantes, desejou não ter feito isso. De jeito nenhum ela poderia manter aquele livro consigo. Valia mais que todas as suas coisas juntas. E mais um pouco ainda.
Bem no momento em que ela estava considerando devolver o presente, o alerta de novo e-mail tocou.


De: RSJonas@Columbia.edu
Para: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Assunto: Observando você?

Demi,
O prazer é meu. E, sobre a sua questão, depende muito do que você anda fazendo.
Joseph
PS: O quarto 101 contém seu maior medo?


Ela sorriu ao ler a mensagem, extremamente feliz por ele ter respondido tão rápido. Olhou o relógio. Eram quatro da tarde no Reino Unido, o que significava que eram onze da manhã em Nova York. Imaginou que ele estava ou na biblioteca ou em casa, em sua escrivaninha, trabalhando no laptop. Depois de morder as unhas por um tempo, decidiu responder.

De: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Para: RSJonas@Columbia.edu
Assunto: Meu pior pesadelo
Joseph,
Como você leu Harry Potter, suspeito que já sabe qual é meu maior pesadelo. Mas como não posso dizer o nome dele, digo em vez disso que estou dividindo o quarto com uma amazona francesa de 1,90 m que fuma como uma chaminé. Não tenho dúvida que um certo alguém com o nome começando com V morreria de medo dela. Sei que eu morro.
Demi

---------------------------------------------------------

De: RSJonas@Columbia.edu
Para: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Assunto: Constrangedor…

Demi,
Estou tentando manter minha reputação e não deixar ninguém saber que passei as férias de verão lendo livros infantis. Podemos manter isso entre nós?
Quando o próximo livro sai, aliás? Posso pegar o seu emprestado?
Joseph

---------------------------------------------------------


De: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Para: RSJonas@Columbia.edu
Assunto: Envergonhado… você?

Joseph,
É sempre triste quando um garoto rico de Manhattan como você não pode se dar ao luxo de comprar um livro. Vou ponderar a questão enquanto como a última novidade do refeitório. Acho que teremos algo especial hoje – caçarola de atum com uma porção de espinafre cozido. Pensarei em você enquanto estiver mastigando.
Demi
PS: Existe uma coisa chamada biblioteca…


---------------------------------------------------------

De: RSJonas@Columbia.edu
Para: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Assunto: Prefiro ler o seu
Sério.
Joseph
bjs


Demi sorriu com o beijo no último e-mail enquanto terminava a sessão. No fim das contas, aquele estava sendo um dia bom… um dia muito, muito bom.

***

Na sexta-feira seguinte, Demi estava nos bastidores da sala de concertos da universidade, abrindo caminho entre os corredores lotados de bandas de rock, comediantes e outros artistas, todos brigando por um espaço nos camarins.
Por ser a banda principal, a Fatal Limits tinha um camarim próprio, separado do resto dos artistas. Demi conseguiu se enfiar lá dentro e pôde ver que pelo menos um membro da banda estava se aproveitando do fato de ter um séquito de groupies.

Um sussurro ao lado da sua orelha fez um arrepio percorrer sua espinha.

– Desde que assinamos contrato, o resto da banda parece ter se transformado em animais.

Ela se virou e viu Tom McLean bem atrás dela. Ele lhe deu um sorriso torto e a puxou para seus braços, suas mãos apertando a cintura dela enquanto ele a abraçava.
Nos dois meses desde que haviam se visto pela última vez, a vida de Tom tinha dado um giro de 180 graus para o melhor. A Fatal Limits tinha fechado contrato com uma pequena gravadora independente, que estava trabalhando duro para aumentar a reputação da banda. O primeiro passo do plano era enviá-los em uma turnê pelas universidades britânicas, para estabelecer uma base forte de fãs entre os estudantes e, então lançar o álbum já com um público preexistente.

– Olhe só pra você, Tom – Demi puxou o cabelo dele, notando o corte moderno; seus cachos cor de areia ainda caíam um pouco sobre a testa, mas de algum modo pareciam mais arrumados. – Não acredito que está virando o Chris Martin.

Tom a abraçou mais forte. O rosto dele tocava o dela, e ele murmurou na sua orelha:

– Se comparar a gente com o Coldplay no seu artigo, faço você comer a revista.
– Se você insistir em tocar “Yellow”, não terei escolha.
– Se eu insistir em tocar “Yellow”, você vai se derreter aos meus pés, como da última vez.

Demi afastou-se de Tom, olhando para ele com as sobrancelhas levantadas.

– Sério? Você acha que eu fiquei impressionada com um cover do Coldplay?
– Não acho que tenha ficado impressionada com minha voz. Suspeito que tenha sido meu corpo.

Demi começou a rir e bateu no braço dele.

– Cuidado com o braço da guitarra!
– Ainda não fez um seguro? – ela estendeu a mão e esfregou o bíceps dele, surpresa ao encontrá-lo bem definido. Tom obviamente estava freqüentando academia.
– Estou tomando as providências. Aparentemente, Keith Richards fez um seguro de três milhões para o braço dele.
– Bem, Keith Richards é um idiota. E provavelmente tem um pau pequeno também.
– Você vai ficar feliz em saber que eu não sofro desse problema. Talvez eu possa te mostrar mais tarde…
– Talvez você possa manter o zíper fechado, ou achar uma groupie interessada – Demi o empurrou, pegando seu bloco de notas. – A entrevista começa agora, então se quiser continuar sendo um cretino, fique à vontade. – Ela piscou para ele saber que só estava brincando.

O flerte era automático; ele não podia evitar agir assim com toda garota com quem falava. Era parte do seu charme natural.

– Ok, Lester Bangs, podemos fazer toda essa coisa de sexo mais tarde. Qual é sua primeira pergunta? – Tom abriu um sorriso lento e casual.

Parecia que estava se divertindo.

Demi revirou os olhos, puxando uma caneta do bolso enquanto virava a página do bloco.


– Minha primeira pergunta, Tom McLean, vocalista da banda em ascensão Fatal Limits, é: quando você se tornou um babaca?


------------------------------------------

Gostaram ?? Depois tem mais <3 





Sempre Foi Você - Capítulo 4

5 de outubro de 2000


– Então, Demi Lovato, qual é seu AVU? – Josh Chambers, editor da revista estudantil, inclinou-se na sua cadeira giratória surrada, tirando o lápis que havia posto atrás da orelha segundos atrás, batendo-o contra os dentes e observando-a.

Demi franziu a testa.
Que diabos era AVU? Ela se perguntou se era algum termo jornalístico que deveria saber. Não queria parecer burra e admitir que não conhecia praticamente nada sobre o trabalho em um jornal.
Ela se candidatara para a posição não remunerada na redação da revista da universidade, assim que tinha chegado em Nottingham, na semana anterior. Agora, estava sendo entrevistada pelo editor super inteligente e já estava se sentindo ridícula.

– O que quero saber, Demi, é qual é o seu Argumento de Venda Único. O que a torna especial? O que você tem que os outros candidatos não têm?

Ele obviamente tinha ficado com pena dela. Pelo jeito, o olhar de confusão ajudava em alguma coisa, no fim das contas. Pena que não funcionava tão bem com a família dela.

– Bem, Josh Chambers – permitiu-se um pequeno sorriso ao usar o nome completo dele, do mesmo modo que ele tinha feito. – Tenho muitos pontos de venda. Trabalho duro. Sou determinada e nunca aceito não como resposta.
– Você e todo mundo com quem falei hoje. Isso não a torna única. Só a torna desesperada – Josh balançou a cabeça, dando um sorrisinho com a resposta dela.
Ele era atraente, com seu cabelo loiro escuro, maxilar forte e barba por fazer. Tinha o visual geek-chic perfeito, com seus óculos de aro de tartaruga pretos escorregando pelo nariz. Embora estivesse no último ano de Jornalismo, para Demi ele parecia ser muito mais velho que ela. Com o canto do olho, ela avistou um pôster grande na parede, que anunciava um show na semana seguinte. Ela virou a cabeça, sorrindo ao reconhecer o homem posando na frente do pôster. Ele estava usando uma camisa preta apertada, seu cabelo desgrenhado voando para todos os lados enquanto tocava sua guitarra.

– Eu conheço Tom McLean do Fatal Limits – ela indicou a foto na parede anunciando a banda como o show principal. – Posso conseguir uma entrevista com eles.

Josh inclinou-se, a curiosidade atiçada pela primeira vez naquela manhã.

– Está brincando comigo?
– Não! – Demi riu da expressão dele. – Sério, conheci ele nesse verão. Eles acabaram de conseguir um contrato com uma gravadora independente. Posso ligar pra ele agora, se você quiser.

Josh ainda a olhava com interesse, o lápis firmemente preso entre os dentes.

– Ok. Vamos fazer um acordo: se você conseguir uma entrevista com o Fatal Limits e se escrever um artigo decente, te dou um mês de teste – o sorriso dele era genuíno.
– Obrigada! – Demi estava incrédula, mal acreditando que, dentre quase cem candidatos, ela tinha ganhado um teste. Ela queria fazer uma dancinha de comemoração.
– Mas aviso desde já que sou um chefe exigente. Já fiz homens feitos chorarem com minhas edições. Não aceito desaforo, e se você está atrás de trabalho fácil, esse não é o lugar certo.
– Não estou atrás de nada fácil, obrigada – Demi respondeu incisiva, devolvendo o olhar dele com um igualmente intenso. – E homens bem maiores que você tentaram, e não conseguiram, me fazer chorar.
– Vou encarar isso como um desafio, então.
– Por favor.

Josh estendeu a mão e apertou a de Demi. Ele a sacudiu algumas vezes, como que para fechar o negócio.

– Aguardo ansiosamente para trabalhar com você, Demi Lovato.
– Por favor, me chame de Demi. Lovato é meu sobrenome. É estranho quando você me chama assim.
– Ok, então estou ansioso para trabalhar com você, Demi – ele esperou um momento. – Sem Lovato.
– Não podia resistir, podia? – ela balançou a cabeça.
– Você acha que é irresistível? – a sobrancelha dele ergueu-se.
– Não tanto quanto você me acha.

Josh tirou os óculos, colocando-os à sua direita, na escrivaninha.
Passando uma mão pelo cabelo, ele se inclinou para a frente, até que seu rosto estivesse a alguns centímetros do de Demi.

– Está tentando seduzir, Demi Lovato? – ele estava tão perto que ela podia sentir a respiração dele na sua pele.
– Se tem que perguntar, a resposta é não. Se eu estivesse te seduzindo, você saberia.
– Então aguardo ansiosamente para saber.
– Espere sentado – ela ergueu-se da cadeira, apanhando o currículo e o portfólio. – Obrigada pela oferta. Vou ficar feliz quando publicar meu primeiro artigo.

Soando mais confiante do que se sentia, ela fez um aceno rápido para Josh e saiu para a sala principal do jornal. Fechando a porta atrás de si, suspirou aliviada. Ela não tinha certeza se sentia-se atraída por Josh Chambers… ou se queria matá-lo.

***

Quando voltou ao dormitório, havia um pequeno pacote marrom enfiado na caixa do correio ao lado da sua porta. Ao puxá-lo, viu que era de Nova York. O formulário da alfândega fixado na parte de trás tinha sido manchado na chuva, deixando a escrita ilegível.

Ela se perguntou o que afinal seu pai estava fazendo ao lhe enviar livros.

Parte dela mal podia esperar para ver que presente inapropriado ele havia mandado dessa vez. Ela supôs que, pelo menos, deveria dar algum crédito a ele por ter se lembrado dela.

Já dentro do quarto, começou a abrir o pacote. Assim que rasgou o papel marrom, sua boca se abriu de surpresa. O livro não estava limpo e novo.
Tinha aquele odor único de poeira que apenas livros antigos possuem. Capa dura com uma sobrecapa verde-musgo. Estava extremamente bem preservado para a idade. As grandes letras brancas na capa não deixaram dúvidas de que o presente não era de Philip Lovato.

Era 1984, de George Orwell.

Quando Demi abriu a capa, leu as palavras “primeira edição” escritas a lápis na página de rosto.
Um envelope caiu dentre as páginas, aterrissando suavemente em sua colcha branca bordada. Ela sentiu o coração bater mais rápido quando o apanhou, colocando o dedo na fenda da beirada e movendo-o ao longo do envelope para abri-lo. Tirando de dentro um papel de carta elegante, ela o abriu e começou a ler.

27 de setembro de 2000

Querida Demi,
O começo da sua carreira universitária é algo que vale a pena comemorar, mas, como Thomas Carlyle disse, “A maior universidade de todas é sua coleção de livros”. Assim que li isso, não pude deixar de pensar em você.
Obrigado, não só por sua gentileza com Ruby durante o verão, mas também por entreter o solitário – e eventualmente irritante – Grande Irmão dela.
Se a nova Demi Lovato é tão interessante quanto a antiga, aguardo ansiosamente para ver você de novo em breve.
Seu,
Joseph

Ela encarou a carta por um tempo. Era curta, só um bilhete, na verdade, mas ela não pôde evitar se sentir um pouco emocionada pelo gesto. Ele comprara um livro para ela – uma primeira edição, ainda por cima. Não era o tipo de coisa que se encontrava em um sebo qualquer.
Além disso, ele a chamara de interessante. Por algum motivo, ela gostou daquilo. Gostou muito daquilo. O jeito que os Jonas tinham de atribuir aquela palavra a ela estava fazendo Demi mudar de ideia sobre sua conotação negativa. Pela primeira vez, ela estava gostando de ser interessante, de ser diferente.
Depois de passar dez minutos se perguntando como agradecê-lo, decidiu ir à sala de computadores no porão do alojamento e enviar um e-mail.

De: HMLovato@Nottingham.ac.uk
Para: RSJonas@Columbia.edu
Assunto: Grande Irmão

Querido Joseph,
Uau, muito obrigada pelo presente impressionante. Nunca tive uma primeira edição de nada antes, então estou animada para começar essa nova coleção. Provavelmente tenho um longo caminho a percorrer antes de ter algo próximo da “universidade de livros” de Thomas Carlyle, mas a gente precisa começar de algum lugar, certo?
No entanto, estou levemente apreensiva com o fato de você ter me mandado um livro que basicamente me diz que o Grande Irmão está me observando. Devo ficar preocupada?

Demi
PS: Meu quarto é o 101.

Ela clicou no ícone “enviar” e se encostou na cadeira, decidindo procurar na internet quanto exatamente valia uma primeira edição de 1984.


--------------------------------------------------------

Oiiii ... hoje a Raysla me mediu pra postar ... então aqui estou eu ^^ 
Espero que gostem >.<




Mais tarde tem mais ... <3