08/04/2015

Sempre Foi Você - Capítulo 2





Joseph


Joseph Jonas aceitou outra taça de champanhe do garçom enquanto abria caminho pela festa lotada. A taça estava fria, e gotas geladas de água escorreram por seus dedos onde ele a segurava. Tomando um gole, ele deu uma olhada rápida no salão em busca de alguém – qualquer pessoa – interessante para conversar.

Ele estava usando seu terno de sempre, com uma camisa branca feita sob medida e uma gravata preta. O terno caía como uma luva, e o paletó se assentava suavemente sobre seus ombros largos. As calças tinham o tamanho perfeito para sua cintura estreita. Ele tinha o físico de alguém que praticava diversos esportes.

Desde que chegara a Londres, tinha conseguido agir como um jovem de vinte anos pela primeira vez em muito tempo. Usava jeans, camisetas e moletons sem que uma única sobrancelha se erguesse. Frequentava pubs, bebia cerveja e flertava com garotas bonitas, a maioria das quais sua mãe consideraria muito abaixo da sua condição social.

Infelizmente, esse tipo de festa o lembrava um pouco demais sua casa, sua mãe e os amigos dela da alta sociedade.

Vendo o pai e Claire num canto do salão, ele se acotovelou entre a
multidão de convidados para alcançá-los. Enquanto andava, ouvia trechos de conversas.

– Claro, John está de plantão para quando o bug do milênio atacar…

– Mal posso esperar o rio de fogo! Bob Geldof é tipo um Gandalf
contemporâneo…

Ele não entendia nada daquelas conversas. Já achava difícil decifrar o sotaque, imagine compreender o que exatamente os ingleses diziam.


– Joseph – Claire o viu quando ele estava a um metro deles. Joseph aproximou-se e beijou a madrasta no rosto. Ela cheirava a lavanda e rosas, e pousou uma mão sobre a lapela dele. – Sempre fica tão bonito de terno. E parece tão mais velho.

– E você está espetacular como sempre, Claire – ele respondeu. Ela alisou o vestido e abriu um sorriso enorme.

– Seu sedutor. Está cada dia mais parecido com seu pai.

Com sua visão periférica, ele avistou alguém se aproximando deles.
Quem quer que fosse, estava usando preto e branco. Imaginou que fosse alguém da equipe do buffet.

– Posso oferecer uma chipolata Cumberland em massa choux, com mel e mostarda? – Joseph reconheceu a garota. Ele a vira no salão mais cedo, e era difícil não reparar no seu cabelo escuro e pele pálida.

– Parece um enroladinho de salsicha pra mim – Claire sorriu para a
garota. Elas pareciam íntimas demais para uma garçonete e sua
empregadora. – Demi Lovato, este é meu marido, Steven Jonas, e meu enteado, Joseph.

– Ouvi muito sobre você, Demi – o pai dele falou primeiro. – Claire acha que eu devia fazer reverência ao conhecer você.


As sobrancelhas de Joseph se uniram em confusão. Como raios eles conheciam essa garota? Ela não parecia o tipo de pessoa que frequentava festas como aquela. Ela era pura energia concentrada, aparentemente sem filtro verbal.

– Talvez eu faça reverência pra você – Demi sorriu.
– Gostaria disso. Acho que nunca ganhei reverência de uma moça bonita como você – Steven era todo sorrisos e charme natural. Seu flerte inocente fez Demi corar. Joseph olhou-a fascinado enquanto o sangue subia ao rosto dela, fazendo sua pele brilhar.

Demi voltou-se para Claire.

– Quanto champanhe ele já bebeu?

Ela também sofria o mal da modéstia excessiva dos ingleses. E Joseph queria vê-la envergonhada outra vez.

– Demi Lovato, é um prazer conhecê-la – ele tomou sua mão e a ergueu aos lábios, esperando um tremor, um suspiro. Qualquer coisa. Nada. 

Ela só o encarou, com seus olhos brilhando, divertidos, enquanto
ele soltava sua mão.

– Idem, garoto-Columbia. Quase não te reconheci de black tie. Te faz parecer mais velho.

Garoto-Columbia? O terno o fazia parecer mais velho? Por que o pai ganhava olhares tímidos e rosto corado e ele recebia respostas ácidas?

– Bem, garota gótica, peço desculpas por atordoá-la com meu vestuário – ele arrastou as palavras de propósito, sabendo que sarcasmo era a forma mais baixa de humor.

Demi voltou-se para lançar-lhe um sorriso.

– Foi um prazer conhecer todos vocês. Tenho que encher o resto dos seus convidados de entranhas de porco enfiadas em salgadinhos – disse isso e saiu, dirigindo-se a um grupo no outro canto do salão. Joseph observou-a se afastar, admirando o modo como sua saia preta apertada se aderia à bunda redonda.

Steven tinha erguido uma sobrancelha. 

Havia uma expressão especulativa em seu rosto bonito enquanto encarava o filho. Joseph não disse nada, só balançou a cabeça e sorriu. Depois que bateu a meia-noite e eles cantaram “Auld Lang Syne”, Joseph saiu para o saguão, pensando em ir para a cama. 

Então viu Demi sentada no topo das escadas, ao lado de uma figura pequena que se parecia muito com sua irmã.

Ele e Ruby eram próximos, apesar de morarem em países diferentes. Joseph se preocupava constantemente com ela. Ela não era uma garota de dez anos típica, que adorava coisas cor-de-rosa e fazer compras. Era peculiar e engraçada, lia livros como se não houvesse amanhã, e amava desenhar tudo o que visse pela frente. Era diferente, e isso a tornava um alvo. Ele sabia que ela odiava a escola e o desprezo das outras meninas.

Mesmo aqui, em Londres, ela era tratada como uma espécie de pária. Subindo as escadas em silêncio, ele decidiu espiar a conversa, antes de chamar a atenção delas para sua presença. Pelo que podia ouvir, era Ruby quem mais falava. Isso era incomum.

– … não, eu meio que gostava das Spice Girls. Mas odeio a Britney Spears, e a Christina Aguilera é terrível. Quer dizer, elas foram Mouseketeers, pelo amor de Deus.

– O que é Mouseketeers? – o tom de Demi era gentil e alegre. Mais alguns passos e ele poderia ver o rosto dela.

– Do Show do Mickey Mouse. Eles fazem umas danças estúpidas, e
esquetes e coisas assim. É tão idiota – a voz de Ruby era baixa, como se ela soubesse que não deveria estar fora da cama conversando com uma desconhecida no topo da escadaria de mármore.

– Parece o Inferno na Terra. Graças a Deus você saiu dos Estados Unidos enquanto podia.

Ruby riu.

– Prefiro Nine Inch Nails. Trent Reznor é o cara.

Dessa vez, Demi riu também.

– Não acredito que uma menina de dez anos gosta de Nine Inch Nails. É culpa do seu pai. Claire me disse que ele é um grande fã de Marilyn Manson.

– Ah, meu Deus. Não, não, não. Ele fica se confundindo entre Marilyn Manson e Marilyn Monroe. Ele é fã da loira, não do cantor. É tão constrangedor.

Joseph gargalhou com as palavras de Ruby. Steven sempre tentava se manter atualizado com as últimas tendências, e normalmente fazia um papelão. Não que se importasse; a habilidade de rir de si mesmo era uma das melhores qualidades do pai.

– É você, Joseph? Está espiando de novo? – a voz de Ruby soou com clareza.

Ele subiu os últimos degraus, vendo a irmã sentada ao lado de Demi, encostada nela enquanto conversavam. As pernas de Demi estavam dobradas, os joelhos contra o peito. Era difícil não encarar as panturrilhas dela.

Demi ergueu os olhos para ele.

– Você pegou a gente. Agora você vai ser um bom garoto-Columbia e manter segredo ou vamos ter que amordaçá-lo?

Joseph ficou tentado a responder com um comentário obsceno, mas mordeu a língua, lembrando que a irmã estava ali.

– O que está fazendo aqui em cima, tampinha? Achei que você não queria vir à festa – ele abriu um sorriso indulgente para Ruby. – Se soubesse que ela queria participar, teria ficado feliz em ser seu acompanhante.

– Queria ver a celebração à meia-noite. Seria péssimo se alguém me perguntasse o que eu estava fazendo quando o novo milênio chegou e eu dissesse que estava escondida na minha cama, toda antissocial.

Joseph fez uma careta. Às vezes ela era adulta demais, e percebia coisas demais. Ele odiava que ela se sentisse uma aberração.

– Mas estou com sono agora – Ruby continuou. – Demi, me leva pra cama? – ela levantou os braços, parecendo uma criança de novo.

– Deixa eu te ajudar, Demi – ele disse, gostando subitamente de como o nome dela soava na sua língua. Ele se virou para Ruby e pegou-a nos braços. – Sua carruagem a aguarda, princesa.

Ruby riu enquanto ele a carregava ao longo do corredor, erguendo uma mão à boca para abafar o som, de modo que os convidados lá embaixo não percebessem sua presença. Demi seguiu logo atrás deles, deixando Joseph consciente da sua presença.

Sentindo-se dócil, Ruby encostou a cabeça no ombro do irmão mais
velho.

– Obrigada, Joseph. Você é um ótimo irmão mais velho.
– Melhor que Nathan?

Joseph carregou Ruby até o quarto dela, contorcendo-se suavemente para fazer as pernas dela passarem pela porta.

– Nathan não é um irmão, é um animal. Toda vez que me vê, ele me joga no ar. Sempre fico com medo que não vá me pegar – a voz de Ruby estava arrastada de sono.

Ele colocou-a na cama e a cobriu.

Demi estava de pé, na porta, observando-os. Sorrindo para ela, ele podia sentir surgirem pequenas rugas ao redor dos olhos. Quando ela devolveu o sorriso, com os cantos de seus lábios carnudos curvando-se para cima, ele sentiu algo desabar em seu estômago.

– Bem, tampinha, prometo que sempre estarei aqui pra te pegar –
Joseph sussurrou, beijando a testa da irmã. Ruby já estava dormindo, sua respiração suave saindo num ritmo tranquilo.

– Sua irmã é um doce – Demi disse, quando ele a encontrou na porta. – É o oposto das minhas irmãs más. Você tem sorte.

– Você tem irmãs?

– Meias-irmãs – ela respondeu. – Gosto de me lembrar que só somos meio parentes. Elas são o demônio encarnado em gêmeas de onze anos. Já acham que sou inferior a elas socialmente.

– Parecem adoráveis – ele arrastou a fala outra vez. Algo brilhou nos olhos de Demi.

– São ótimas. Podemos trocar, se você quiser – isso o fez sorrir. As irmãs dela pareciam exatamente o tipo de criança que tratariam Ruby como lixo.

– O que você está fazendo aqui em cima, aliás? Não deveria estar
enfiando canapés na garganta de convidados indefesos?

Era engraçado como ele se sentia leve, lá em cima com Demi, longe da festa e da multidão.

– Estou numa pausa. Tenho… – Demi olhou o relógio. – Quinze minutos ainda.

– Nossa, tantas coisas que você poderia fazer com esses quinze minutos… possibilidades infinitas – ele sorriu, deixando o corpo roçar contra o dela enquanto saíam no corredor. – Gostaria de ir pro meu quarto?

– Deus do céu! Você não perde tempo, né? – Demi exclamou, fazendo Joseph reexaminar o que tinha dito exatamente.

– Ah, merda, não quis dizer isso – ele torceu as mãos, nervoso. – Sério, não era uma cantada. Não que você não seja bonita ou algo assim. O que quis dizer foi… tenho um PlayStation, um Tony Hawk, e dois controles com nossos nomes neles. Quer se juntar a mim? – ele estava corado agora, chocado com a própria obtusidade e com a resposta dela.

– Nesse caso, como posso recusar? Mas já te aviso que sou
completamente inútil em jogos.

Enquanto Joseph montava o PlayStation no quarto, Demi foi examinar sua estante, observando os CDs como se estivesse tentando descobrir de que tipo de música ele gostava. Ele sorriu quando viu a testa dela franzida de perplexidade. Seu gosto era eclético; era difícil categorizá-lo quando os CDs iam de Puccini a Prodigy.

– Você tem umas coisas legais. Nem quero saber quanto vale essa coleção – ela passou os dedos sobre as lombadas plásticas dos CDs. Joseph suprimiu um sorriso, decidindo que seria tolo contar a ela que essa era só uma pequena parte da sua coleção e que ele tinha milhares de outros CDs em Manhattan.

– Quer ir primeiro? – os olhos deles se encontraram. 

Ele sentou no tapete, encostando as costas contra a cama e dobrando as pernas. Demi foi até ele e sentou-se ao seu lado, abanando a cabeça para recusar o controle oferecido.

– Vai você primeiro, eu assisto e aprendo.

Três manobras aéreas, dois saltos mortais e uma derrapagem depois, e seu “medidor especial” estava completo. Ele fez mais algumas manobras especiais, exibindo-se um pouco para Demi.

– Você faz parecer tão fácil – ela reclamou.

– Tudo é fácil quando você sabe como fazer. Eu não durmo bem, então pratico bastante. Sua vez.

Demi pegou o controle e olhou para a tela da tevê com uma
determinação sombria. O skatista se moveu lentamente sobre o corrimão antes de cair da beirada. Tentando de novo, ela franziu a testa em frustração quando a mesma coisa aconteceu.

– Sou péssima nisso – ela se queixou, encarando a tela.
– Vem cá, vou te ajudar – Joseph fez um gesto para o chão, indicando onde Demi deveria se sentar. 

Ele ficou quase chocado quando ela engatinhou até ele, acomodando-se entre suas pernas e encostando as costas contra seu peito. Envolvendo-a com os braços, ele colocou os dedos sobre os dela enquanto ela segurava o controle, e lhe mostrou quais botões apertar para fazer um salto aéreo.

A sensação das costas dela esfregando-se contra seu peito e da bunda dela contorcendo-se contra sua virilha o deixou instantaneamente duro.

Sua ereção pressionava a coluna dela. Com apenas duas finas camadas de tecido entre a pele deles, ele tinha certeza de que ela conseguia sentir.

Demi virou-se com uma expressão divertida. Ela levantou uma
sobrancelha trocista.

– Você gosta mesmo desse jogo, hein.
– Não leve pro lado pessoal. Fico duro só de assistir National Geographic.

Ela gargalhou, balançando a cabeça. As mãos dele ainda estavam sobre as dela, e ele mostrou como ela podia combinar um salto aéreo com uma derrapagem.

– Nossa! Ganhei pontos especiais. Sou o cara. O. Cara. – Demi se
contorceu de felicidade por ter conseguido algo além de uma queda.

Quando ela se moveu, seu corpo esfregou-se contra a ereção dele, fazendo ele estremecer com o prazer doloroso que o movimento causava.

Olhando para o relógio, Joseph ficou quase aliviado ao ver que a pausa dela tinha terminado.


10 comentários:

  1. MEU DEUS POSTA MAIS EU AMEI ESSA FIC

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  2. Nossa menina amei posta logo

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  3. ♥♥♥♥♥ ai que lindo, quer mais capitulos

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  4. Amando essa história!!!! Continua logo!!!! Posso pedir maratona?

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  5. Poste logo! Estou adorando a fic. Bjs

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  6. Eitaaa...demi estava meio que seduzindo o Joe kkk ... Adorei ❤️ Não acho que o Joe estava pior kkkk❤️
    Esta perfeito
    Posta logo bebe
    Beijos.

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  7. Bom... Eu demorei pra comentar
    Porem eu to aqui pedindo desesperadamente pra você postar logoooo
    Pleasee não me mate de curiosidade
    Posta logoooo
    Beijos

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  8. Ameeeeei. Posta mais, tá muito bom
    Perfeita a fic, louca pelo próximo
    Beeijos, Jamila :)

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  9. Eu to amando muito! Posta logo, por favor, babe.

    Obs: selinho pra você, amor ->
    Primeiro selinho ♥

    Beijos ♥

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  10. Continua pelo amor do guarda! *-* leitora nova :)

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Sem comentários ........... sem capítulos!