24/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 24






— Importa-se se eu entrar?

Com um pequeno sorriso, Joseph enfiou as mãos nos bolsos da calça enquanto Demetria se debatia com a possibilidade de bater a porta do apartamento na cara dele. Duas semanas haviam se passado desde seu voo de resgate para o Colorado; desde que ele afirmara que ela não seria capaz de ajudar Maggie e o bebê sozinha.

Depois disso, ela trouxera Maggie e Bel para Nova York de qualquer maneira e tinha elaborado um plano.

Foi com imenso prazer, portanto, que respondeu:

— Na verdade, eu me importo, sim. Estou muito ocupada.

Maravilhoso com uma calça preta e uma camisa branca com as mangas dobradas revelando os antebraços fortes, Joseph olhou ao redor, preocupado.

— Está de mudança, pelo que estou vendo. Vai embora de Nova York?
— Estou me mudando para o Colorado.
— Com Maggie e Bel?
— Ela tem amigos em Denver. E também há boas faculdades por lá.
— E Maggie já sabe o que vai estudar?
— Direito.
— Aposto que ela vai se dar bem. Ela está aqui? Imagino que esteja morando com você.
— Maggie levou o bebê para dar um passeio.

Joseph puxou uma orelha, distraído.

— Importa-se se eu entrar?
— Já perguntou isso, e eu já disse que me importo.
— Posso ajudá-la na mudança.
— Não preciso de sua ajuda.
— Mas essas caixas parecem pesadas. Ele abriu um daqueles sorrisos de lado, contudo Demetria o fulminou com o olhar. Aquela fachada de humildade não iria dobrá-la.

Naquela manhã, em Denver, Joseph deixara claro que possuía sua própria vida e que ninguém iria interferir nela.

Pois bem. Ela também tinha a sua.

Mesmo assim, imaginara aquele reencontro muitas vezes, com Joseph tentando se redimir e ela lhe passando um bom sermão. Talvez valesse a pena perder alguns minutos e tornar seu sonho realidade.
Com um ar distante, fez um sinal para que ele entrasse e fechou a porta.

— Como está Maggie? — Joseph indagou enquanto ela voltava a tirar as coisas da estante.
— Melhor. Tivemos um bom tempo para conhecer uma a outra. Ela é apenas uma menina inteligente que cometeu um erro. A verdade é que, quando olho para Bel e a vejo rir, não consigo deixar de ficar feliz pelo que Maggie fez.

Joseph se aproximou, apanhou uma chave de fenda do chão e começou a desmontar uma prateleira.

— Nenhuma notícia do namorado dela?
— Ele não quer nada com nenhuma das duas. — Demetria o fitou incisivamente. — Também tem sua própria vida.

Joseph não pareceu se abalar com a nota sarcástica.

Ela recolheu uma pilha de livros, então a colocou em uma caixa vazia, e se ergueu. Queria mostrar a Joseph que não precisava do apoio de ninguém, muito menos do dele.
Mas aquilo era muito estranho. Muito doloroso.

— Ainda tenho muito que fazer.
— Por isso estou ajudando.
— Na verdade, está me atrasando.

Joseph pousou a chave de fenda e também se pôs de pé.

Demetria havia se esquecido de como ele era alto. Agora ele parecia se avultar sobre ela.
Mas não se deixaria intimidar. Muito menos, seduzir.

Joseph esfregou a parte de trás do pescoço.

— Agi muito mal naquele dia. Não estava raciocinando direito.
— E, no entanto, Maggie não disse uma só palavra contra você. Talvez porque já esteja acostumada a se decepcionar com os homens.
— Ou talvez, mesmo sendo muito moça, Maggie tenha compreendido que eu precisava de algum tempo.

Quando ele se aproximou, Demetria ergueu as mãos e deu um passo para trás.

— Talvez eu devesse ser tão compreensiva quanto Maggie, mas, no momento, estou magoada demais.

Joseph teve o desplante de parecer arrependido e sexy ao mesmo tempo.

— Foi bom eu ter esfriado a cabeça.
— Às vezes, uma pessoa precisa agir.
— Por isso estou aqui.

Demetria deu as costas para ele e começou a remover um quadro da parede.

— Se pretende dar alguma ajuda a Maggie, vai ter que conversar com ela.
— Não estou falando sobre apoio financeiro. Ao menos não apenas sobre isso. — Um instante depois, Demetria sentiu um calor às costas. — Estou aqui para lhe pedir uma coisa.

Ela tentou se recompor, livrar-se de uma súbita vertigem, e se voltou para ele com determinação, segurando o quadro como um escudo.

— O quê?
— Se Bel ainda precisa de um pai... estou aqui.

As palavras atingiram seu coração com a precisão de uma flecha. Joseph não podia estar falando sério. Estava apenas brincando com suas emoções, e aquilo era cruel.

— Não me provoque, Joseph.
— Nunca falei tão a sério em toda a minha vida.

Demetria balançou a cabeça.

— Jurou que jamais iria abrir mão de quem você é. — De repente, um pensamento lhe veio à cabeça. — A menos que esteja pensando em fazer algum arranjo.
— Um arranjo chamado casamento.
— Casamento?
— Apenas no papel.

Demetria sentiu o coração afundar. Por um momento, havia prendido a respiração, não se atrevendo a acreditar. Por um instante, tinha pensado que...

— Você quer ajudar Bel, e eu também — ele prosseguiu. — Dessa forma, poderemos lhe dar uma vida normal, com um pai e uma mãe, e todo o apoio financeiro de que ela necessita.
— E você ainda conseguiria manter sua carreira e sua vida.
— Seria um toma-lá-dá-cá.

O peito de Demetria doeu ainda mais.

— Esse casamento incluiria direitos conjugais?
— Eu já estava esperando que me perguntasse isso. — Braços fortes a puxaram para perto. — Compreendo sua necessidade de ter uma família e, você, a minha posição na empresa. O que me diz?

Demetria manteve a expressão neutra. Joseph jamais saberia o quanto a havia ferido. Queria se casar com ela por conveniência.

Ela respirou fundo.

— Receio não poder aceitar a sua proposta.

Ele a fitou por um momento, desconcertado.

Demetria deu-lhe as costas, sentindo um nó na garganta.
Ele a obrigou a dar meia-volta de novo.

— Está preocupada com as despesas? Com os arranjos que temos de fazer? Vou continuar trabalhando em Nova York, portanto não vai precisar me aturar o tempo todo.
— E quanto a Bel? Que tipo de pai quer que ela tenha?

Os olhos de Joseph pareceram mais escuros.

— Um pai que se importa com ela.
— Está enganando a si mesmo se acha que isso vai dar certo. Quanto tempo levaria para se envolver de novo com outra estrela ou modelo e ter a cara estampada nos tabloides? Estava certo, Joseph. Você é o que é. Bel merece coisa melhor... — Ela ergueu o queixo. — E eu também.

Ele a fitou, aturdido. Pensara ter encontrado uma solução, porém tinha apenas insultado Demetria. Ela e Bel eram dignas de respeito, de amor e de um compromisso de verdade, contudo ele não enxergara isso.

Com lágrimas nos olhos, Demetria rumou para a porta e a abriu.

— Vá embora, Joseph. E faça-nos um favor... não volte nunca mais.


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E esse foi mais uma vez o Joe enfiando o pé na jaca :( 
Mas que coisa hein! kkkkk bom, será que ele vai arrumar uma maneira de se desculpar e ter a Demi de volta??? >.< 

Bom, amores... Um feliz natal para todos ! Amo muito vocês <3

Amanhã não vou postar porque é natal e eu vou pra casa de uma tia... E eu acho que vocês também vão curtir ai o natal com suas familias. Por isso o próximo capítulo é só no dia 26 >.< 

bjsss

Comentem!!!


5 comentários:

  1. Tomara que sim, que ele peça desculpas mais rápido possível para demi...
    Posta logooo linda
    Beijos

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  2. A historia taa lindaa :D e Joe ee uma cabeça dura :( postaaa logoo
    E como vai ser a nova hostória?

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  3. Lindah a historia quero ler o outro capitulo

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Sem comentários ........... sem capítulos!