23/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 22





Do outro lado da linha, a interlocutora de Joseph respirou fundo e, em seguida, continuou a explicar sua infeliz situação. Quando terminou, ele quis saber:

— Não há nenhum motel por perto?

Ela deu o nome de um estabelecimento, cujo letreiro em neon podia avistar do local de onde estava fazendo a chamada. Joseph falou, então, que iria reservar um quarto, que ela não se preocupasse com nenhuma forma de pagamento, e que ele estaria lá assim que pudesse.
De pé e rumando para o closet a fim de vestir um jeans e uma camisa, ele encerrou a chamada. Estava enfiando o braço na primeira camisa que vira pela frente, quando a voz trêmula de Trinity se fez ouvir no quarto.

—Joseph, está me assustando... Quem era? O que aconteceu?
— Aquela menina, a mãe de Bonnie. O nome dela é Maggie Lambert. — Ele se calou enquanto escolhia um par de tênis.
— Está com o bebê em uma parada de caminhões, na periferia de Denver.

Joseph ouviu algo cair no chão quando Demetria pulou da cama.

— Por quê? O que aconteceu?
— Explico no caminho. Tome... — Ele lhe atirou uma camisa. — Ponha isto. Depressa.

Após pararem no apartamento de Demetria para que ela pudesse se trocar para a viagem, Joseph fez seus contatos e conseguiu um voo de emergência para o Colorado, onde chegaram nas primeiras horas da manhã de domingo. A madrugada parecia estranhamente escura e, apesar do casaco que usava, Demetria estremeceu ao descer da Mercedes alugada antes mesmo que o ronco suave do motor cessasse.

Ela apertou o sobretudo em volta do corpo e examinou o motel: uma construção decaída, com um letreiro em neon azul piscando de forma irregular.

— Tem certeza de que é este o lugar?
— Está longe de ser um cinco estrelas, mas é melhor do que nada. Ela não podia ficar com a criança em uma parada de caminhões, em plena madrugada.

Joseph acordou o sonolento vigia. O homem fez tocar o interfone no quarto de Maggie mais de uma vez, porém ninguém respondia. Belinda e a mãe tinham ido embora!
O longo voo de Nova York a Denver já fora enervante, e Demetria sentiu o estômago embrulhado.

— O que vamos fazer?
— Chamar a polícia.

Ela ficou mais animada. Por um instante, chegara a pensar que Joseph diria que não havia nada que eles pudessem fazer. Se ele não tivesse resolvido telefonar para as autoridades, ela mesma o faria. Não iria conseguir descansar sem saber que aquelas duas estavam seguras.
E, pela expressão tensa de Joseph, ele pensava da mesma forma.
Saindo do saguão do motel para a manhã enevoada, Joseph parou, encontrou seu olhar e segurou sua mão.

— Nós vamos encontrá-las — declarou, com determinação. — Não iremos embora enquanto não conseguirmos.

Incapaz de falar com as lágrimas presas na garganta, Demetria assentiu com um gesto de cabeça e, em seguida, varreu com o olhar ambos os lados da estrada tingida de azul pelo neon do letreiro. Do outro lado, ficava a parada de caminhões. Se Maggie decidira pegar uma carona, poderia estar em qualquer lugar a uma hora daquelas.

Joseph apanhava o celular, com certeza na intenção de entrar em contato com a polícia, quando recebeu uma chamada.

Ele franziu a testa para a tela, em seguida pressionou o fone no ouvido.

— Alô! Onde, diabos, você está? — Poucos segundos depois, encerrou a chamada. — Era Maggie. Belinda acordou cedo e não sossegava, então ela decidiu sair com o bebê para dar um passeio e voltou para lá. — Ele apontou a parada de caminhões, ao mesmo tempo em que Demetria deixava escapar um suspiro de alívio.

Elas estavam ali, afinal. Graças a Deus!

De mãos dadas, eles atravessaram a estrada e entraram no Big Bill’s Burger Stop and Gas.
Lá dentro, os assentos eram forrados por um vinil vermelho desbotado. As mesas de fórmica brilhavam, o aroma de café impregnava o ar, e, a um canto, uma menina com um ar desolado aguardava, tendo ao seu lado, no chão, um bebê-conforto.

Demetria e Joseph correram até ela. Demetria quis abraçar a moça, contar que quase morrera de preocupação... Mas as palavras soariam como uma acusação, e Joseph já se mostrara mais do que irritado ao telefone.

Assim, ela se obrigou a esboçar um sorriso trêmulo e olhou para a criança, sentindo o coração afundar e disparar ao mesmo tempo.

Bonnie parecia tão calma e alheia ao tumulto em torno de sua jovem e preciosa vida!
Demetria teve ímpetos de arrancá-la da cadeirinha, segurá-la junto ao peito e nunca mais soltá-la. Mas aquilo não seria certo. Bel não era dela.
Seu instinto maternal era tão forte, contudo, que foi como se seu coração estivesse partindo ao meio.

Joseph esperou que ela deslizasse para o assento estofado da mesa e, em seguida, fez o mesmo.

— Viemos o mais rápido que podíamos.

Maggie tinha o rosto pálido e os olhos cintilando com lágrimas não derramadas.

— Sinto muito. Eu não pretendia obrigá-los a voltar para cá, mas — ela encolheu os ombros demasiado magros sob a jaqueta jeans — eu não sabia mais o que fazer.
— Conte-nos o que aconteceu — incitou Joseph.
— O pessoal do abrigo foi muito bom para nós. Até conversamos sobre eu ir para a faculdade e conseguir um diploma... Mas falei com o pai de Bel pelo telefone na semana passada. Ele disse que havia grandes oportunidades de trabalho onde estava, que eu deveria ir para lá também e levar o bebê. Pensei que ele estivesse falando sério. Pensei que ele queria me ajudar a cuidar dela...

As lágrimas começaram a escorrer pelas faces de Maggie. Demetria sentiu a própria garganta se apertar e estendeu a mão sobre a mesa, segurando a da menina.

— Peguei todo o dinheiro que possuía — prosseguiu a moça —, deixei o abrigo e telefonei para a minha mãe, avisando que não voltaríamos mais. Então liguei para Ryan, o pai de Bel, querendo acertar alguns detalhes. Mas ele me tratou... diferente. — Ela ficou com os olhos parados por um momento, antes de voltá-los para a filha, que dormia. — Eu devia ter imaginado. Tive um péssimo pressentimento, mas fui em frente e comprei a passagem Logo depois, telefonei de novo para avisar a que horas estaríamos chegando lá. Eu queria tanto que desse certo! — Maggie mordeu o lábio, e mais lágrimas brotaram de seus olhos. — Ryan desligou na minha cara, mas, antes disso, ouvi a voz de uma garota ao fundo. — As lágrimas corriam, soltas, agora, encharcando o rosto delicado. — Foi quando me lembrei de que havia se oferecido para me ajudar, Sr. Jonas.
— Pode me chamar de Joseph — ele falou baixinho.

Maggie assentiu.

— A sra. Cassidy... Ela me confirmou que vocês eram um casal maravilhoso.

Joseph piscou, aturdido.

— Verdade?
— Aham. Mas eu já sabia disso. Ela ainda estava com seu número, o mesmo que você tinha me dado naquele dia, quando fui buscar Bel. — Um misto de medo e incerteza transformou a expressão da menina. — Espero estar fazendo a coisa certa.

Demetria apertou a mão magra e delicada.

— Claro que está. Vamos cuidar para que vocês duas fiquem em segurança.
— Eu sei, mas há mais uma coisa — prosseguiu a moça. — Tive muito tempo para pensar... Vocês dois me pareceram tão abalados quando fui embora com Bel naquele dia, depois vieram para cá correndo, após um telefonema de 30 segundos. É óbvio que gostam muito dela... Mas Bel é mesmo muito fácil de amar. — Maggie mudou de posição no assento, colocou os cotovelos sobre a mesa e segurou a cabeça com ambas as mãos. — Esta é a coisa mais difícil que eu já tive de dizer ou fazer na vida, mas meu coração diz que é a mais certa.

— O que é o mais certo, Maggie? — instigou Joseph.



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O que será que a Maggie vai falar, hein? >.< adivinhem!!!!!! 


Comentem!!!


6 comentários:

  1. Obrigada juh ! Mais vc ne deixou mais curiosa. Esperando. Poste logo ta ! Bjs

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  2. VAI DAR O BEBE! KKKKKKKKK
    Ia ser legal kkk'
    Masdae eles surtam hsuahsuahsauhsau''

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  3. ELA VAI DAR O BEBÊ!!!!

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  4. Espero que ela dê a Bel/Bonnie!!!! Que maravilha, estou ansiosa!!!
    Sam, xx

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  5. finalmenê vote vocltou a postar a historiaaaa, eu estou amando elaaa
    posta mais por favor....
    Finalmente a Bel vai ficar com a Demi e o Joe.

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Sem comentários ........... sem capítulos!