17/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 19






Do lado de fora do extenso pórtico, Joseph esfregou as mãos na tentativa de espantar o frio enquanto o taxista abria a porta do banco de trás e Demetria Lovato descia, usando a cor que ele mais gostara de ver nela: um vermelho escuro e vibrante. Demetria estava estonteante naquele vestido de seda com brocados de strass cruzando o corpete para dar a volta no pescoço delgado. Uma echarpe do mesmo tecido lhe envolvia os braços, as pontas caindo a cada lado da cintura.

Quando ela o viu, piscou, nervosa, depois se recompôs e ajeitou a echarpe sobre os ombros nus antes de apertar a carteira prateada junto ao peito. Joseph já tinha ouvido falar de mulheres que pareciam verdadeiras visões. Agora poderia se vangloriar de ter tido tal experiência.

Conforme avançou um passo, Demetria pareceu tomar fôlego e também se adiantou. Pararam, frente a frente, e ele cobriu as mãos geladas com as suas, ainda que quisesse envolvê-la nos braços e gerar algum calor da forma que melhor sabiam fazer... Em vez disso, sorriu para os olhos cor de violeta iluminados pelo luar e a levou para conhecer a casa da família.

Demetria havia se preparado para deparar com muito luxo. Aquela magnífica propriedade à beira-mar, contudo, estava além da imaginação. A entrada de automóveis parecia não terminar nunca, e a casa, uma mansão, transpirava um charme antigo, com um projeto arquitetônico que lembrava aqueles velhos filmes em preto e branco.


— Esta casa faz meu apartamento parecer uma caixa de sapatos! — comentou enquanto Joseph a conduzia, com a mão em seu cotovelo, pelos degraus em forma de arco. — Quando foi construída?
— Em 1936. Foi ótimo crescer aqui tendo dez hectares em que brincar, mas sete quartos, um número igual de banheiros, além de uma biblioteca, salão de festas, escritório etc. acabaram se tornando demais para meus pais.
— Eles estão pensando em vender?
— Ainda estão decidindo o que fazer.

No interior, um lustre de cristal de três camadas pendia do teto alto do majestoso vestíbulo, as obras de arte nas paredes pareciam pertencer a um museu, e as molduras deviam ser de ouro 24 quilates, no mínimo, concluiu Demetria.

Com aquele sorriso que sempre a tirava do prumo, Joseph a incitou a seguir adiante.

— Vamos, quero que conheça a minha família.

Família... A palavra fez o estômago dela se apertar de tal forma que Demetria precisou pressioná-lo com a palma da mão na tentativa de diminuir os nós. Não tinha nada a temer, claro. Pelo que ouvira, os Jonas eram ótimas pessoas.
O que a perturbava era o fato de ela ter ido até lá como convidada especial de Joseph, o que despertaria muita curiosidade e daria margem a uma série de especulações.

— As crianças também estão aqui? — perguntou, conforme eles passavam sob um arco de madeira esculpida, e a música ao vivo ficava mais alta.
— Não haveria festa sem os munchkin, ainda que eles costumem ser levados para a cama numa hora razoável.
— Em um dos sete quartos.

Joseph negou com um gesto de cabeça enquanto tomava sua echarpe e a entregava a uma empregada uniformizada.

— Além deles, temos alguns chalés para hóspedes dentro da propriedade, caso qualquer um de nós decida ficar mais e queira um pouco de privacidade.
— Então vai passar a noite aqui?
— Provavelmente. — Ele abriu um sorriso de lado. — E você também.

Demetria quase engasgou.

Antes que pudesse objetar, viu-se em meio a outros convididados. Joseph entregou-lhe uma taça de champanhe enquanto a apresentava a um rapaz que a fitou com indisfarçada curiosidade e que se parecia muito com ele. Tinha o mesmo cabelo negro, o mesmo sorriso deslumbrante.

— Thomas, esta é Demetria.

Thomas pegou a mão dela e baixou a cabeça em uma saudação.

— Que bom que veio! Afinal, não é todo dia que nossa irmãzinha aceita uma proposta de casamento. Agora só sobrou um... — Ele lançou um olhar enviesado a Joseph e, em seguida, chamou uma ruiva curvilínea, cujo sorriso era tão grande quanto seus seios.
— Willa, querida, venha conhecer Demetria, amiga de Joseph.

Willa se apresentou, sorridente.

— Já soubemos tudo sobre vocês! Que ficaram presos na cabana de Joseph, isolados de tudo... Demetria se preparou para ouvir falar do bebê, contudo Willa passou a comentar sobre o clima bizarro das últimas semanas.
Após cinco minutos de conversa, Joseph chamou outra moça, que usava um vestido de noite cor de pêssego maravilhoso e tinha os cabelos castanhos presos num coque meio solto e muito elegante.

— Esta é Sienna, minha irmã caçula, e a estrela da festa.
— Parabéns pelonoivado — cumprimentou Demetria. — Deve estar muito feliz.
— Estou mais do que feliz! Estou até meio chocada... Aceitei a proposta de David no fim de semana, e mamãe já insistiu em fazer esta comemoração. Você sabe como são as mães...

Demetria manteve a expressão neutra, e Joseph tratou de contar a respeito do noivado.

— Eles se conhecem há apenas quatro semanas.
— Três! — corrigiu Sienna. — Nós nos conhecemos durante um curso de chocolate em Bruxelas, embora tenhamos mais comido os bombons do que aprendido a fazê-los. Em seguida, fomos para Amsterdã juntos; depois para Berlim, e então voltamos para casa. David também é de Nova York. Mas foi preciso que nos encontrássemos do outro lado do mundo para que ficássemos apaixonados!

Denetria ergueu as sobrancelhas.

— Ainda devem estar tontos, então.
— É estranho, mas acho que eu sabia que isso ia acontecer um dia. Eu também ia acabar me amarrando. Parece que isso está no DNA dos Jonas. Porém, só agora entendi o que as pessoas querem dizer quando falam sobre amor à primeira vista.

Demetria a fitou, intrigada.

— Souberam que iriam se casar no momento em que puseram os olhos um no outro?
— Não imaginei um par de alianças no instante em que nos conhecemos... Mas, bem no fundo, eu sabia que acabaríamos juntos. — A expressão séria da moça se desfez, e ela riu. — Parece bobagem, não é? Meu irmãozinho certinho, aqui, jamais acreditaria numa coisa dessas, embora eu aposte que saíram até faíscas quando vocês dois se conheceram!

Sienna estava prestes a estender o assunto, quando outra moça — obviamente uma grande amiga — a segurou pela mão e, sem a menor cerimônia, arrastou-a para outro círculo. Mal ela se afastou, outro irmão de Joseph se apresentou com a esposa e o filho.

Enquanto eles conversavam sobre os brinquedos artesanais que Joseph mantinha na cabana, Demetria viu-se relaxando de uma maneira que nunca havia acontecido antes. Devia ser sua imaginação, contudo sentia-se ligada àquelas pessoas que, ao contrário dela, sempre tinham levado uma vida encantada.

Foi apresentada à mãe de Joseph e a seu pai, em separado, assim como a uma infinidade de outras pessoas, cujos nomes ela jamais poderia se lembrar. Joseph era o anfitrião perfeito, e as horas pareceram voar. Quando o volume da música diminuiu, e os convidados começaram a ir embora, ela mal pôde acreditar no que marcava seu relógio de pulso.

— Já passou da meia-noite! As mãos dele deslizaram por seu braço nu. — Se seu nome não é Cinderela, não vejo nenhum problema nisso.
— Mas a noite passou tão depressa!
— Essas festas de família costumam passar rápido, mesmo. A gente mal consegue conversar com todo mundo, e o pessoal da limpeza já está arrumando a casa. — Joseph olhou por cima de seu ombro. — Ainda precisa conhecer algumas pessoas...

Ele acenou para um homem que passava e, mais uma vez, a semelhança entre eles se mostrou espantosa. Devia ser o irmão mais velho, Demetri concluiu.

— Dylan... Demetria Lovato.

Demetria estendeu a mão, e ficou meio sem graça quando o rapaz estendeu a mão esquerda. Conforme os irmãos se falavam, incluindo-a na conversa sempre que possível, ela não pôde evitar notar que a manga direita do paletó de Dylan se encontrava vazia, e o punho, enfiado no bolso.

Como ele tivera o braço amputado? Teria acontecido havia muito tempo? Ou era de nascença? Uma mulher se juntou a eles, acenando com a mão cheia de diamantes na direção de Demetria.

— Olá! Sou Rhian, e vim para salvá-la destes dois. Quando eles começam a conversar, costumam ir até de manhã!
— E ela vive me controlando — Dylan resmungou, por trás da mão boa.
— O que você adora! — provocou Rhian.
— Ela tem razão.
— E então, Demetria, vai ficar esta noite? Podemos tomar o café da manhã juntos... As crianças adoram as panquecas da Nana, nossa empregada. Rhian cutucou as costelas do marido.
 — Não mais do que você. Mas precisamos dizer “boa-noite” agora, se pretendemos levantar ao amanhecer.
— Vocês dois correm juntos? — Demetria não conseguia imaginar outra razão para que eles fossem se levantar tão cedo depois de uma festa como aquela.
— Não... — Dylan riu. — É que o meu caçula acorda com o nascer do sol. Rhian se arrasta para fora da cama de segunda à sexta, faça chuva ou faça sol, e eu assumo o posto nos fins de semana.

Cada um deles disse “boa-noite” e, antes que alguém mais pudesse se aproximar, Joseph a segurou pela mão e se dirigiu para uma saída menos portentosa, que levava a um corredor mal iluminado.

— Aonde estamos indo? — Demetria indagou.
— Para casa.
— Como assim, “para casa”?...

Joseph parou de repente, e ela estacou. Em meio às sombras, Demetria sentiu o calor de seu olhar envolvendo-a por inteiro.

— Eu disse que iria passar a noite comigo — ele murmurou, próximo a seus lábios.

Ela emudeceu.

Quando abriu a boca para protestar, Joseph aproveitou a oportunidade, assim como ela devia ter imaginado que ele faria. Passou o braço em torno de sua cintura, puxou-a para si e a beijou até que todos os seus pensamentos se perdessem no espaço, tal como fogos de artifício.




7 comentários:

  1. Mlr, cadê o resto? Cadê a parte boa?
    Migs pode postar já

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  2. Ae por isso eu amo vc... Nunca me decepciona... Ta muito perfeita!!!

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  3. AAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHHH EU TO APAIXONADA POR ESSA FIC

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  4. Simplismente lindo ❤️❤️❤️❤️ Estou amando tudo :)
    Posta logooo amora
    Beijos ❤️

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  5. aaaaaaaaaaaaaaaai meu deusssssssssss
    nao vejo a hora deles se casare, e ter babes <3

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  6. Posta logo!! To amando muito essa fic!!

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  7. Menina, cadê vc??? Eu to ficando louca já

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Sem comentários ........... sem capítulos!