17/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 18








Demetria estava prestes a sair do trabalho, quando chegou uma entrega especial: uma pequena caixa embrulhada em papel gloss branco, com uma etiqueta onde se lia “Demetria Lovato. Cuidado. Frágil”. E o entregador dizia que fora instruído a aguardar por uma resposta.

Enquanto o homem lhe dava um pouco de privacidade e esperava do lado de fora da porta da recepção, Narelle Johns esticou o pescoço por trás do balcão, exibindo os impecáveis cabelos loiro-avermelhados.

— Se está de saída, posso guardar o pacote para você, Demi.

Demetria recebia presentes de muitas pessoas que entrevistava; mimos que iam desde produtos de beleza, passando por obras de arte pitorescas, até sabonetes perfumados. Mas, conforme pesou o pacote, ficou curiosa. Virou a caixa e leu a etiqueta do remetente.

— Senhor Implacável... — murmurou em voz alta, sentindo o estômago se apertar. Ao ver sua reação, Narelle empurrou para trás a cadeira com rodinhas e se pôs de pé.
— Você está bem? Quer um copo de água? Preciso chamar o segurança?
— Não, não... Não é nada de mais.

Mesmo com a recepcionista olhando, ela arrancou a fita vermelha e rasgou o iridescente papel branco. E sentiu os olhos se encherem de lágrimas ao tirar da caixa uma esfera de vidro sobre uma base dourada.

— Um globo de neve — murmurou, virando a esfera de cabeça para baixo, para depois endireitá-la.

Seu sorriso se alargou quando uma pequena nevasca aconteceu sobre a pequena cabana de madeira: não tão extravagante como a de Joseph, mas tão acolhedora quanto. Um cachorro, sobre as patas traseiras, parecia estar brincando na neve. Havia também um casal parado à porta, e a mulher trazia nos braços um bebê enrolado em uma manta.

Demetria fechou os olhos e engoliu o nó na garganta.

Olhar para aquele globo trazia à tona todo o misto de emoções que ela havia lutado por controlar nos últimos dias. Ela queria que aquelas lembranças permanecessem vivas em sua mente até o dia em que morresse.

— Ei, é melhor ler o bilhete que veio junto.

Demetria tomou o papel de carta dobrado das mãos da moça e leu as linhas. E cada palavra fez seu coração bater mais depressa.

— Você vai? — Narelle quis saber, ansiosa. — É uma festa de noivado black-tie, em um endereço particular de Oyster Bay Cove!

Ela lançou um olhar enviesado para a recepcionista, que lera a mensagem por trás dela.

— Eu só li algumas frases... — defendeu-se Narelle.
— Quando fiquei presa na nevasca que caiu no Colorado, acabei numa cabana parecida com esta — admitiu Demetria, com um suspiro.
— Numa cabana de madeira? Com um cachorro e tudo?

Ela assentiu.

Narelle chegou mais perto, estreitando os olhos para examinar a cena.

— Não é um bebê no colo da mulher?
— Sim
— Nossa... — A recepcionista tornou a se sentar em sua cadeira. — Por um instante, pensei que esse cara tivesse mandado fazer esse globo só para você!
— Pois mandou.
— Mas... e esse bebê?
— Acredite, é uma longa história.

Quando Joseph recebeu a resposta de Demetria, apanhou o celular a fim de telefonar para ela. Tinha o número do escritório da Story Magazine, mas, se ela já houvesse saído, poderia dar um jeito de encontrar seu número de casa.

Vinte e quatro horas depois, já na casa dos pais, ficou satisfeito por ter se controlado. Se ela preferia ir sozinha até ali, não via nenhum problema. Contanto que Demetria aceitasse que ele a levasse para casa... e não antes da manhã seguinte.

Ao sentir um tapinha no ombro do smoking, ele deu meia-volta. Sua mãe, vestida com um elegante terninho creme, tinha parado de entreter os convidados a fim de cuidar de seu filho do meio.

— Está de pé, olhando por esta janela, há mais de uma hora, filho. Tem certeza de que essa garota vai vir?
— Ela já deve estar chegando.
— Há muitas mulheres interessantes aqui, perguntando por você... Sua irmã tem amigas lindas!
— E, já que a festa é de Sienna e do noivo dela, nada mais natural do que eles mesmos entreterem suas convidadas. Certo?

Os olhos verdes de sua mãe brilhavam tanto como as esmeraldas que pendiam de suas orelhas.

— Nem está parecendo você mesmo, Joseph . Normalmente é tão sociável!

Joseph se inclinou e deu um beijo na face macia.

— Eu estou bem. Pode se divertir à vontade.

Com um misto de decepção e preocupação marcando seu belo rosto, a mãe dele se afastou. Através da porta da biblioteca, Joseph avistou o pai barrando-lhe a passagem e se oferecendo para encher sua taça de champanhe. Sem dúvida, ele queria falar com ela, ficar perto dela...

Mas Joseph pôde até adivinhar os pensamentos da mãe. Onde seu pai havia estado em todas as noites em que ela quisera conversar? Ela fora obrigada a criar os filhos sozinha enquanto o homem da casa se deleitava com a glória alcançada com os Hotéis Jonas. Eles se reuniam duas vezes por ano para tirar férias, e o pai dele passava todas as datas importantes com os filhos, mas, conforme Joseph amadurecera, tinha percebido o quanto a mãe se sentia sozinha enquanto o marido ficava até tarde no escritório, e também nos muitos fins de semana em que ele trabalhara fora da cidade.

Eles nunca discutiam diante dos filhos, porém ele chegara a escutar uma ou duas brigas no meio da madrugada.
Trocas de acusações com palavras pesadas, tais como “adultério” e “divórcio”. Ainda menino, cobrira a cabeça com a manta, rezando para que os pais permanecessem juntos.

Mas não acreditava que o pai tivesse enganado a mãe.

Conforme o casal caminhava pelo salão principal da mansão, onde um pequeno conjunto tocava, animando a festa, Joseph voltou a se concentrar na paisagem de uma das janelas em arco da biblioteca. Torcia para que os pais se acertassem, contudo conseguiria entender se isso não acontecesse. O pai já dera o melhor de si, e a mãe, também.

Os fachos de um farol em movimento incidiram sobre a calçada, e Joseph endireitou os ombros.
Ao constatar que o veículo era um táxi, bateu em retirada a fim de receber sua provável ocupante.

Um momento depois, próximo à porta da frente, limpou a garganta e disse a Keats, o porteiro que costumava atender aos eventos especiais da família, que ele mesmo iria receber aquela convidada.



4 comentários:

  1. Eu quero saber logo o que vai acontecer nessa festa! Posta mais, por favor, eu to amando <3

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  2. Gata, agora vc posta mais um, pra n matar a gente do core

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  3. Como assim vc parou ai? Ta querendo me matar é????? Posta logo amor por favor!!!

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Sem comentários ........... sem capítulos!