15/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 16






— Para onde vai agora?
— A sra. Cassidy nos arrumou um lugar em um abrigo em que há muito suporte.
— Se precisar de alguma coisa... — Joseph deu-lhe seu nome completo e também como e onde ela poderia encontrá-lo. — Não se esqueça, está bem?

Os olhos da moça tornaram a se encher de lágrimas enquanto ela os fitava quase interrogativamente.

— Fico feliz por terem encontrado Bel. Parecem um casal muito bom.

Demetria continuou de pé, aturdida, enquanto a mãe de Bonnie se afastava. Pouco depois, o carro da polícia, com a pequena Bonnie-Bel, se foi. Ela não tirou os olhos do veículo até que ele se transformou em um pequeno ponto em meio à floresta.

Joseph também não se moveu.
Era como se toda a energia que os movia tivesse sido sugada de repente. Demetria engoliu em seco. Nunca tinha parado para pensar na crueldade dos próprios avós — sua própria carne e sangue. Não concebia a ideia de que um instinto básico não conseguisse sobrepujar sentimentos como vergonha ou decepção.
Seria possível que aquela gente não soubesse o que era compaixão e amor? Mas, quando bebê, ela não obtivera nada da avó materna; assim como Bonnie.

A dor que apertou e rasgou seu coração foi tanta que Demetria sentiu-se como se fosse ela no banco de trás do carro da polícia, partindo, mais uma vez, para um futuro incerto. E se alguma coisa acontecesse com a mãe de Bel? Aquela criança não teria mais ninguém, e ela, Demetria, jamais ficaria sabendo. Quando outro carro surgiu ao longe, cruzando a solidão da estrada, ela não prestou muita atenção.

O SUV virou na trilha que levava à cabana de Joseph, então, e uma senhora com cabelo loiro-platinado, num terninho de lã elegante, desceu do lado do motorista, afobada. O braço de Joseph deixou sua cintura, e o frio da manhã penetrou seus ossos, fazendo-a se arrepiar.

 À medida que a visitante se aproximava, bateu com as mãos nas coxas, rindo, e Cruiser trotou até ela, abanando a cauda.

— Então era aqui que você estava, seu fujão! — A mulher acariciou a cabeça do cachorro, comovida, em seguida dirigiu-se a Joseph. — Ele deu muito trabalho?

Embora ainda abalado por ver o carro da polícia se afastar com Bonnie, Joseph se esforçou para receber bem a vizinha. Na noite anterior, antes do jantar, ele havia pensado em deixar uma mensagem no telefone dos Dale, informando onde eles poderiam encontrar seu cachorro quando retornassem, mas a sra. Dale já estava ali e levaria Cruiser para casa.
Agora seriam apenas ele e Demetria.
Joseph respirou fundo.

Imaginara que fosse ficar aliviado quando a situação da criança perdida estivesse resolvida e quando aquele cão tamanho família fosse embora de sua casa. Mas não se sentia aliviado. Na verdade, nunca sentira um vazio tão grande na vida.

— Sra. Dale... — saudou, educado. — Esta é Demetria Lovato.

O sorriso da mulher se ampliou.

— Muito prazer em conhecê-la.
— Cruiser veio nos visitar ontem, pela manhã... — ele explicou.
— Quando Jim e eu saímos naquele dia, à tarde, nós o deixamos preso a uma guia comprida, do lado de fora, pois esperávamos voltar no início da noite. Mas então a tempestade nos deixou presos. Quando voltamos, encontramos a guia mastigada e Cruiser havia sumido! Estávamos procurando por ele desde que o clima amainou. Fomos a todas as casas da vizinhança que tinham crianças. Acho que já lhe contei o quanto Cruiser gosta de crianças... Por isso mesmo nem pensei em procurá-lo aqui!

Denetria olhou para Joseph, porém ele não se preocupou em explicar à sra. Dale sobre o bebê. Apenas se agachou e, quando Cruiser se aproximou, gingando, segurou o rosto enorme e peludo, e sorriu.

— Parece que sua carona chegou, meu chapa.

Cruiser lamentou com um rosnado, a parte traseira balançando com força com a cauda. A sra. Dale cruzou os braços e reposicionou uma perna.

— Joseph, querido, pelo visto ganhou um amigo!
— Cruiser também. Pode apostar. — Ele se pôs de pé.

A mulher se voltou para Demetria, curiosa.

— Vai ficar por mais alguns dias? Parece que o clima firmou.
— Na verdade, estou a caminho de Nova York.
— Não me diga! Aquela cidade é agitada demais para o meu gosto, mas lar é lar!

A sra. Dale tornou a agradecer Joseph e, após Demetria abraçar Cruise com força pelo pescoço, ele seguiu sua dona até o carro, obediente. A mulher abriu a porta traseira e, um instante depois, outro membro do quarteto era levado embora. Demetria começou a tremer de novo e, dessa vez, não conseguiu mais parar. Joseph passou o braço em torno de seus ombros.

— Venha. Vamos sair deste frio.
— Não estou com frio.
— Então vamos tomar um café. Também estou precisando de um.

Lá dentro, Joseph colocou água para ferver numa panela enquanto, entorpecida, ela se acomodava em um dos banquinhos do balcão.

— A mãe me pareceu uma boa menina — comentou ele enquanto apanhava o leite na geladeira.
— “Menina” é mesmo a palavra. — Uma onda de preocupação a atravessou feito uma adaga, e Demetria teve que fechar os olhos pa ra, de alguma forma, tentar dominá-la. — Com uma mãe tão criança, como será o futuro de Bonnie?
— Tenho certeza de que ela vai sobreviver à situação.

Demetria suspirou.

Ela própria tinha sobrevivido. Por outro lado, só ela sabia o quanto aquela estrada fora longa e acidentada. Uma pessoa como Joseph não fazia ideia do que era tentar sobreviver sozinha.

— E se ela não conseguir?

Ele pousou a caixa de leite e lançou- lhe um olhar reconfortante.

— Eu dei à mãe meus telefones de contato. Não podia fazer mais nada, além disso.
— Será que não? — Com certeza eles poderiam fazer mais alguma coisa, ela refletiu, aflita.

Joseph cruzou a cozinha de testa franzida.

— O que está sugerindo?
— Não deve ser muito difícil descobrir seu nome e endereço.
— Não devia estar tão preocupada. Mãe e filha se reencontraram. Sei que não parece a situação ideal, mas imaginei que fosse ficar satisfeita.
— E estou. — Demetria sentiu o coração ainda mais apertado, e deixou cair os ombros. — Eu só queria ficar de olho nelas.

Bancar a babá eventualmente, talvez.

— Morando em Nova York?

Ela estalou a língua e se afastou. Não queria ouvir argumentos racionais. Queria estar ao lado de Bonnie.

Joseph voltou a fazer o café, e Demetria caminhou até as janelas. O cenário que antes lhe parecera tão aconchegante agora parecia apenas... solitário.
Abraçou a si mesma, entretanto seu corpo parecia ter perdido todo o calor. Era como se nunca mais fosse se sentir aquecida outra vez.

— Acho que nunca vai conseguir entender — murmurou, mais para si mesma do que para Joseph.

Ouviu uma xícara bater no balcão e passos se aproximando.
No momento seguinte, ele se pôs atrás dela e, com as mãos em seus ombros, fez com que se voltasse para ele. Tinha os lábios apertados, como se aquilo pudesse ajudá-lo a reduzir a emoção que ela via faiscar em seus olhos.

— Está aborrecida, Demi. Precisamos nos sentar e esperar essa poeira baixar. Afinal, tudo terminou do modo como devia: a criança e a mãe estão juntas.

Ela sentiu uma onda de emoção comprimir a garganta.

— Não consigo evitar pensar que deveríamos fazer mais.
— Demetria , isso não é atribuição nossa.

Ela recuou, e Joseph passou a mão pelo rosto com um suspiro.

— Em alguns dias, vai começar a compreender. Precisa deixá-las ir.

Demetria engoliu em seco.

Uma parte dela sabia que ele estava com a razão. Eles haviam cumprido com a missão que o destino colocara em seu caminho, e agora precisavam seguir adiante. Mas como uma pessoa podia seguir em frente quando se sentia presa?

Tudo o que ela conseguia enxergar era o rostinho sorridente de Bonnie. Tudo o que podia ouvir eram suas risadinhas. Pensou na montanha de problemas que aquela menina teria pela frente para criá-la e sentiu enjoo.

Quando Joseph a puxou para si, esfregou suas costas e apoiou o rosto em sua cabeça, ela fechou os olhos e disse para si mesma: ele está certo.

Claro que sim.

Aquele bebê, o bebê deles, sempre pertencera a outra pessoa.



3 comentários:

  1. O meu Deus...to ansiosa para a Demi ficar grávida, ai uma parte dela vai ser preenchida...ou então a bonnie volta, ou ser adotada pelo joe e a Demi...tem vários motivos para o bebê voltar para eles :)
    Enfim...Ta perfeito
    Ansiosa aqui para saber mais
    Posta logo
    Beijos

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  2. heeey..
    posta maiiis..
    estou aguardando por capitulos todos os diias

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Sem comentários ........... sem capítulos!