15/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 15






Joseph sonhava que um tigre com enormes caninos pulava em cima de Bonnie, querendo arrastá-la para longe, quando o ritmo distante dos tambores, na selva, mudou para uma batida mais real, e ele se viu despertando num pulo. Todos os seus sentidos, então, voltaram-se para a fonte do barulho: as janelas.
Um momento depois, em pânico, percebeu o que estava ouvindo e por quê. E também que se encontrava completamente nu. Não conseguiu se lembrar da última vez em que se sentira tão envergonhado; mas, com toda a certeza, jamais se esqueceria daquele momento.
Agarrando a manta sobre a poltrona mais próxima, ele a enrolou da melhor maneira que pôde em torno dos quadris enquanto Demetria soltava um gemido e, coçando a cabeça, punha-se sentada, com os cabelos desgrenhados, um enorme bocejo... E sem nenhuma roupa, também Piscando os olhos sonolentos, ela o fitou e franziu a testa.

— O que está acontecendo?
— Acho que temos companhia.
— Alguém precisando de abrigo?
— Não. Tenho quase certeza de que é a mulher da Assistência Social.

O olhar interrogatório de Demetria se transformou em uma máscara de horror conforme ela voltou o foco para a janela e avistou a mulher calçando botas de borracha com uma expressão mal-humorada no rosto do outro lado do vidro Joseph pôde até ler sua mente: por que, diabos, aquela criatura tinha vindo pelos fundos?
Enquanto Demetria enfiava os braços no robe e atava o cinto, apressada, Joseph respirou fundo e cruzou a sala para abrir a porta.

— Sr. Jonas? Sou Cressida Cassidy. Parece que cheguei num mau momento.
— De maneira alguma... — Ele lançou um olhar inocente na direção de Demetria.

O sorriso da sra. Cassidy não foi exatamente de satisfação.

— Não mencionou que era casado.
— Não sou.

A mulher piscou, depois soltou uma risadinha seca.

— Compreendo.
— Esta é Demetria Lovato — ele apresentou, passando a mão pelo cabelo desgrenhado.

A sra. Cassidy soltou a mão de Demetria como se ela estivesse contaminada por alguma DST.

— Peço desculpas por tê-los pegado de surpresa. Talvez não saibam, mas um tronco gigantesco caiu bem na frente da sua porta de entrada.

Um choro forte interrompeu o relato da mulher.
Ela empalideceu, Joseph congelou e Demetria voou para o quarto. Era como se Bonnie tivesse sido espetada por um alfinete! Embora com a pulsação acelerada, Joseph se obrigou a permanecer calmo enquanto, preocupada, a mulher aguardava pelo retorno de Demetria.
Conforme a preocupação se transformou em suspeita, seu rosto assumiu uma expressão rígida que formou um desagradável queixo duplo.

— Sr. Jonas... onde deixaram o bebê?

Joseph ergueu ambas as mãos num gesto de paz.

— Ela está em perfeita segurança. Cruiser está tomando conta dela.
— E quem é Cruiser?

Nesse exato momento, o cachorro se aproximou num galope e se chocou com a parte de trás das pernas dele. Joseph fez uma careta e apresentou o membro canino da família.

— Cruiser... esta é a sra. Cassidy.
— Deixaram um cão de babá?
— Apenas por esta noite. Mas ficamos aqui o tempo todo.

A atenção da mulher recaiu sobre a garrafa de vinho vazia, e ela apertou os lábios.

— Eu gostaria de ver a criança.
— Já estamos indo! — Demetria cantarolou lá de dentro.

Enquanto a sra. Cassidy batia a ponta da bota no chão, lançando respingos de lama sobre o piso de madeira. Joseph se fechou na lavanderia e vestiu um jeans e uma camiseta. Saiu pouco depois, correndo a mão pelo cabelo e desejando que Cruiser não houvesse levado seu trabalho de babá tão a sério a ponto de ter deixado de avisá-los com antecedência sobre a visitante.
Ele e Demetria podiam não ter ouvido o motor do carro, mas a audição hipersensível do cão certamente o captara!

— Demi deve estar trocando o bebê. Ela sempre acorda molhada.

Os lábios da assistente social se apertaram ainda mais. Passado um minuto, ela fez menção de rumar para o quarto, mas, graças a Deus, Demetria já vinha saindo. Tinha vestido o terninho que usava no dia em que eles haviam se conhecido, ainda que a saia estivesse torta, e alguns dos botões da blusa continuassem desabotoados. A criança em seus braços, no entanto, parecia feliz, saudável e bem desperta.

— Descobriram alguma coisa a respeito do bebê? — ela perguntou à visitante, conforme se punha ao lado de Joseph.
— Localizamos a mãe. Ela está lá fora, no carro da polícia.

Joseph sentiu a pressão cair.
Polícia?

— Há alguma coisa errada?
— Não estou autorizada a dizer. — A mulher estendeu os braços. — Vou levá-la agora.

Demetria virou-se para o lado numa reação instantânea, Joseph notou, sentindo-se ele próprio na defensiva. Se uma pessoa cuidara de um bebê do modo como ela fizera, era óbvio que continuaria a proteger a criança.
Sem dúvida, aquela duas haviam se tornado muito próximas.

— Ela precisa tomar uma mamadeira — Demetria justificou, em voz baixa.
— A mãe diz que ela também mama no peito.

Demetria entreabriu os lábios, sem palavras, e Joseph avançou um passo.
Eles tinham o direito de saber.

— Creio que possa imaginar o quanto estamos preocupados com esta criança. Como ela foi parar naquele táxi?
— Precisa entender, sr. Jonas, que existem questões legais envolvendo privacidade neste caso. — A mulher esboçou um sorriso compreensivo. — Mas eu lhe garanto que a mãe está extasiada por ter seu bebê de volta. Foi tudo um infeliz equívoco.
— Equívoco? Desculpe, mas é difícil de acreditar nisso.
— Vou dar seus telefones à moça, e ela poderá entrar em contato com o senhor se quiser.

Joseph cerrou o maxilar.

Ansiava por protestar, não apenas por ele, mas principalmente por Demetria, pois, embora eles não pudessem fazer nada, era óbvio que Demetria não queria entregar a criança daquela maneira. E ele se sentia do mesmo modo. Claro que Bonnie não era deles. Ele compreendia a questão da privacidade, até porque havia muita gente tentando bisbilhotar seus negócios e sua vida... Mas ele e Demetria não mereciam ao menos uma explicação? A mãe teria sido negligente? Contava com algum apoio? Quem poderia lhes garantir que Bonnie não iria terminar em uma situação pior, muito em breve?

Os braços da mulher continuavam estendidos.
Demetria respirou fundo duas vezes, depois, com os olhos marejados, acabou entregando o bebê. Srta. Cassidy afastou a manta de Bonnie, examinou suas bochechas rosadas e, pela primeira vez, abriu um sorriso genuíno. Ergueu a cabeça.

— Obrigada, sr. Jonas e srta. Lovati, por terem tomado conta dela.

Joseph apanhou o bebê-conforto e, passando o outro braço pela cintura de Demetria, decidiu:

— Vamos acompanhá-las.

Juntos, ele e Demetria seguiram a sra. Cassidy e o bebê através da porta de vidro, e os quatro, cinco, contando com Cruiser, saíram para o longo passeio coberto de neve. O sol estava alto e brilhante, e, o redor, a neve começava a se transformar em lama, e o ar tinha aquele cheiro de terra molhada de que ele tanto gostava. Conforme contornaram a trilha, avistaram dois carros parados à frente da casa. No banco de trás do carro da polícia, uma moça aguardava, segurando a testa. Através da janela, parecia um tanto pálida.

Conforme Joseph entregava a cadeirinha à senhora Cassidy, mesmo a contragosto, sentiu os músculos do estômago se apertarem. Não entregaria Bonnie se a mãe dela estivesse doente.

Inferno, talvez ela estivesse drogada e nem sequer se lembrasse de ter deixado a criança naquele táxi! A sra. Cassidy rumou para o carro da polícia e, enquanto um guarda ajeitava a cadeirinha no lado do passageiro, o bebê foi entregue à moça, no banco de trás.
Ele a viu suspirar e aconchegar Bonnie junto ao peito, portanto devia ter ficado aliviado. No entanto, sentia o sangue gelado nas veias.

Qual era a história daquela menina? Havia alguma maneira de descobrir onde ela morava? Deus, ele não iria conseguir dormir naquela noite! Talvez nunca mais. Demetria tremia ao seu lado; mais por conta da emoção do que do clima.

— Ela não parece ter nem dezesseis anos! — murmurou, inconformada. — Deve ter dezessete, no máximo.

Joseph a abraçou com mais firmeza, concordando.

— Também é uma criança.
— Talvez ela tenha pais com quem contar.
— Se é assim, onde eles estavam quando Bonnie foi abandonada no táxi?

A verdade era que eles nunca iriam saber.
Demetria se abraçou mais a Joseph ao ver que a menina colocava Bonnie no bebêconforto e o afivelava. Quando fungou, ele percebeu que ela segurava as lágrimas com
dificuldade.

Droga, sua garganta também estava tão apertada que ele mesmo poderia começar a chorar a qualquer momento! A sra. Cassidy deslizou para dentro do sedan azul-escuro, e o policial também entrou no veículo.

Joseph ficou parado no lugar, sentindo-se mais impotente do que nunca, embora estivesse com uma vontade absurda de ir até lá e pegar o bebê de volta.

Ela não é nossa... precisou lembrar a si mesmo.

O carro da polícia se afastou e Demetria se agarrou à camiseta dele. Joseph sentiu o coração afundar no peito. Quando o carro chegou ao final da trilha, contudo, as rodas pararam de girar, a porta traseira se abriu, e a mãe-menina da criança saiu andando em sua direção. Usava um jeans surrado e um suéter rosa. Ao se aproximar, puxou para trás o capuz, e uma cascata loira caiu sobre seus ombros delicados. Ela era um pouco mais alta do que Demetria, porém duas vezes mais magra.

— São o casal que cuidou de Belinda, não são?
— Belinda... — murmurou Demetria, comovida. — É um nome muito bonito.
— Nós a chamamos de Bonnie — contou Joseph. — Significa “bonita”.

Os olhos azuis da menina cintilaram enquanto ela enfiava as mãos nos bolsos do casaco.

— Bel sorriu para mim pela primeira vez em seis semanas. E não parou mais desde então. — Sua expressão se firmou conforme ela endireitava os ombros. — Eu queria que soubessem que nunca tive a intenção de perdê-la. Foi um acidente. Eu não queria engravidar se lhes interessa saber — confessou ela, baixando o queixo e o tom de voz —, mas não me arrependo nem por um momento de ter trazido Bel a este mundo.
— E quanto ao pai? — perguntou Demetria.
— Era para a casa dele que eu estava indo naquela tarde. Ryan nunca soube sobre minha gravidez até Bel nascer. Ele não tem mãe, e o pai... — A moça baixou o olhar. — Bem, o pai dele está muito longe daqui.
— E quanto a seus pais?
— Meu pai foi embora há muito tempo, e minha mãe não quer ficar comigo, o que não é novidade nenhuma. — Ela encolheu os ombros. — Desde o primeiro dia, ela falou que eu deveria dar Bel. Disse que seria mais fácil dessa maneira.

Demetria deixou escapar um gemido angustiado, quase inaudível.

— Naquele dia, minha mãe tinha me atormentado com essa história de novo — prosseguiu a menina. — Falou que não podíamos mais ficar lá, que estávamos lhe dando muitas despesas, que eu não estava colaborando com meu sustento... Então decidi juntar umas coisas, pegar Bel e tomar um ônibus para a cidade. Pretendia pegar uma carona até a casa do meu namorado; ele se mudou para o Wyoming. Mas, quando chegamos ao ponto de ônibus, começou a nevar. Eu precisava tirar Bel daquele tempo, por isso pus minha mala no chão para perguntar ao taxista quanto iria custar para que ele me levasse até a estação de ônibus. Mas ele estava perambulando dentro de uma loja, na certa para comprar algo quente para beber ou comer. Estava muito frio, e a neve começou a cair com mais força. Coloquei Bel dentro do táxi, então, e corri para apanhar minha mala. Eu já estava atravessando a rua de volta, quando o carro se afastou. — Os olhos da moça brilharam, e Joseph soube que ela revivia o momento. — Eu corri atrás do táxi até quase omeio da estrada, mas ele não parou. Corri até não aguentar mais...
— E não procurou nenhuma ajuda depois? — indagou Demetria.
— Liguei para o pai de Bel, mas ele não estava em casa, e seu celular só dava caixa postal. Eu não tive escolha. Precisei voltar para a casa da minha mãe. Eu estava chorando e tremendo, então ela me colocou na cama e prometeu que ia telefonar para a polícia. No dia seguinte, quando vi que nada tinha acontecido, percebi que ela não havia pedido nenhuma ajuda, então eu pedi.
Uma lágrima escorreu pelo rosto menina, e ela engoliu com dificuldade. Demetria baixou a cabeça, e Joseph a apertou mais na cintura. Uma avó materna capaz de renegar a própria neta! A situação devia ter soado muito semelhante à dela.

— Eu queria que soubessem que eu amo Bel. Eu só queria o melhor para ela. — A mãe da menina tornou a cobrir a cabeça com o capuz. — Mas é que, às vezes, é difícil ajeitar as coisas.

Joseph se comoveu. Contudo, sentir pena da moça não ajudaria o bebê em nada.


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Qualquer erro me desculpem! Tive que editar pelo celular, ai já viu né :D


6 comentários:

  1. Estou tão viciada nessa fic! Poxa eu queria que eles ficassem com Bonnie/Belinda, e que eles não se afastem depois dessa separação com o bebê..
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    Sam, xx

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  2. Eu nem sei o que dizer essa história é perfeita... Tiver que reler tudo de novo pq fiquei um tempo sem pc, mas eu amei de novo kkkkkk eu quero muito que eles continuem nessa aproximação fofa e que eles fiquem com a Bonnie ou que tenham seu próprio bebe não sei... Nos surpreenda linda haha kkkkk Não demora pro próximo capitulo por favor

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  3. Aaah, cade o proximo??
    To ansiosaaa

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  4. ai meu Deus, quero saber o que ira acontecer

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  5. Poxa, tadinha da bonnie, seria tão bom se o joe e a Demi ficassem com a menina, mas as coisas não funcionam assim, a bebê tem uma mãe que a amava, não tem como o joe fazer nada, e ele até poderia sendo o homem que é, mas seria tão injusto e egoísta :/
    Ansiosa para mais, beijo!

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  6. Juh, você me mata assim, mulher! Eu estou apaixonada pela Bonnie, e os três são tão fofos juntos, não quero que se separem! Espero que o Joe e a Demi não se distanciem! :( posta logo, beijos

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Sem comentários ........... sem capítulos!