12/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 12






Após o episódio sobre o edredom, no chão, o clima se mantivera tenso entre eles. Quando o sol se infiltrara em meio ao manto de nuvens, e a neve parecera coberta com um bilhão de pequenos diamantes, Joseph tinha sugerido que saíssem para tomar um pouco de ar fresco. Decidido, emprestara a Demetria um par de botas gigantescas e um sobretudo que lhe passava das canelas.

Após enrolar o bebê em cobertores, vestira uma jaqueta de náilon e conduzira todos para fora.
Não havia tido a intenção de que a brincadeira com Demetria e Bonnie mudasse de rumo, e que seus instintos assumissem a liderança, guiando seu corpo aonde ele queria ir... Mas a determinação de Demetria em rejeitá-lo só fizera aumentar seu desejo. Observá-la desfilar com aquele suéter de cashmere a manhã toda quase o levara à loucura. A certa altura, quando a criança adormecera, ele quase a encurralara em um canto e lançara mão de uma linguagem que Demetria devia entender muito bem...

Talvez aquilo tivesse a ver com o fato de estarem sozinhos no meio do nada. Mas, sempre que ela estava por perto, cada célula de seu sistema nervoso se acendia e gravitava em sua direção.
E ele podia ver em seus olhos, ouvir em sua voz... Demetria sentia a mesma coisa.
Na manhã seguinte, o pessoal da Assistência Social iria até ali, e eles não continuariam a “brincar de casinha”. Mas, antes que eles dissessem “adeus”, estava determinado a ter Demetria enroscada nele, murmurando seu nome enquanto faziam amor.
Joseph respirou fundo. Precisava pôr um fim àquela ansiedade... Aplacar de uma vez por todas aquele fogo.
Mas teria de esperar até o cair da noite.

Fez uma bola de neve com as mãos e a arremessou contra o traseiro de Cruiser. O cachorro saltou, em seguida se agachou nas patas dianteiras e disparou a correr atrás deles, derrapando no último instante, o que os cobriu de neve. Demetria riu, olhando o rostinho de Bonnie também iluminado por um sorriso. Joseph arremessou outra bola e atingiu a perna de Cruiser, o que fez o cão derrapar de novo e repetir seu feito. Dessa vez, porém, em vez de correr para cima deles, o cachorro abocanhou a parte de trás do casaco de Joseph e puxou, tentando derrubá-lo.

— Ei, pare com isso! — Ele puxou do outro lado enquanto Demetria e o bebê riam.

Quando conseguiu soltar a jaqueta, lançou-se sobre Cruiser, que o evitou no último instante, fazendo-o mergulhar de cara na neve.
Josephergueu a cabeça e soprou a neve da boca, bem a tempo de ouvir Trinity conspirando com seus comparsas:

— Rápido, vamos pegá-lo!...

Cruiser latiu, o rabo abanando furiosamente, enquanto Bonnie soltava gritinhos e agitava os braços. Demetria aproveitou e chutou a neve sobre as costas e pernas de Joseph, ao mesmo tempo em que o cão pulava em cima dele tal qual um corcel não muito gracioso em uma corrida de obstáculos.
Escorregando na neve, Joseph se levantou. Estava em desvantagem, gelado, e quase sem ar de tanto rir. Mas longe de ser derrotado.
Determinado, começou a marchar na direção de Demetria e Bonnie.
Com os olhos cintilando ao sol da tarde, Demetria começou a recuar em direção à casa.

— Acabou a brincadeira.
— Nã-nã... Discordo.
— Eu estou segurando o bebê!
— Azar dela. — Cruiser latiu, e Joseph estreitou os olhos para ele. — Não se preocupe... Você é o próximo.

Sem aviso, ele saltou para a frente e tomou Bonnie dos braços de Demetria. Após colocar a bebê com cuidado na cadeirinha que aguardava na varanda, saiu correndo atrás dela. Não demorou a alcançá-la, e ambos tombaram na neve, com Cruiser latindo e suas risadas ecoando por entre as árvores.
Pouco depois, o cachorro se afastou a fim de olhar o bebê.

De repente, tudo pareceu desaparecer para Joseph, exceto um lindo par de olhos cor de violeta. Ele sentiu o sangue correr mais rápido pelas veias, os sentidos latejar. Demetria estava em seus braços, com aqueles lábios rosados tão próximos e tentadores... Ele iria beijá-la e, quando terminasse, tomaria fôlego e a beijaria novamente.

Com a palma da mão enluvada segurando-a com firmeza pela nuca, Joseph se inclinou sobre ela. Por Demetria ainda estar ofegante após o acesso de riso, ele não teve trabalho para lhe apartar os lábios e colar a boca na dela.

Sem ter tempo para pensar, Demetria aceitou o beijo.

Conforme suas línguas se encontraram e a surpresa se transformou em fogo, Joseph a envolveu nos braços e não lhe deu espaço para dúvidas. Havia encontrado o segredo para desbloquear suas emoções e, agora que Demetria parecia aberta a todas as possibilidades, ele não deixaria que nada os afastasse.

Exceto, claro, o fato de eles terem um bebê de pouco mais de três meses se perguntando por que a diversão tinha parado.

Relutante, Joseph se obrigou a recuperar o bom senso e interrompeu o beijo, porém seus lábios não se afastaram dos de Demetria. Ele queria que ela visse o desejo em seus olhos.

— Foi uma tarde maravilhosa — murmurou, sentindo o sangue pulsar nas veias. Rendeu-se mais uma vez, então, e tornou a baixar a cabeça.
Demetria virou o rosto, contudo.
— Temos que entrar... Bonnie precisa de um banho quente.
— Ela já tomou banho.
— Está ficando escuro.
— Eu sei... — Ele sorriu e roçou os lábios nos dela.
— Joseph, o bebê...
— Ela vai dormir no outro quarto à noite e, antes que tente me lembrar das nossas responsabilidades, é fato que adultos fazem amor com bebês em casa.

Demetria prendeu a respiração.

— Não é uma boa ideia.
— É a melhor ideia que eu já tive.
— Eu nem gosto de você!
— Porque não me conhece.
— Mais uma razão...
— ...para você dizer “sim”.

Uma hora mais tarde, Demetria emergiu do quarto.

— Ela dormiu.

Joseph espiou da cozinha.

— Foi fácil desta vez. Cruiser já assumiu seu posto?
— Nem mesmo se a gente quisesse iria conseguir arrastá-lo de lá!
— Pronta para comer? Temos omelete à la Joseph Jonas. Os ingredientes secretos são cogumelos e queijo.
— Parece delicioso.

Demetria segurou os pratos enquanto ele os servia. Como de costume, ela sentiu os nervos se agitarem. Como sobreviveria àquela noite sem ter Bonnie como desculpa para impedir que Joseph terminasse o que tinham começado naquela tarde, no meio da neve?

Sentado à mesa, ele também serviu a ambos uma boa dose de vinho branco e, em seguida, colocou um pouco de salada em seu próprio prato. Enquanto Demetria garfava distraidamente algumas folhas de alface, Joseph se entregou com entusiasmo à sua omelete.
Ela brincou com um cogumelo, e ele franziu a testa enquanto engolia sua segunda porção.

— Não está bom?
— Tenho certeza de que está delicioso. Eu só queria esclarecer umas coisas antes...
— Esclareça.
— Sobre aquele beijo, esta tarde.
— Nossas intenções não podiam ter ficado mais claras, Dem. — Joseph bateu o garfo de leve no prato dela. — Sua omelete está esfriando.
— Mas eu não terminei de...
— Precisa estar bem alimentada para quando Bonnie acordar, então trate de comer. Prometo que vou ouvir tudo o que tem a dizer depois.

Demetria mordeu o lábio.

Não estava gostando daquele brilho nos olhos castanhos. Duvidava de que ele fosse lhe dar a chance de falar quando terminassem de jantar. Na verdade, podia até ver Joseph abafando suas palavras com outro daqueles beijos devastadores.

Suspirou.

Tinha lá seus escrúpulos, mas como poderia resistir àquele tipo de coisa?
De certa forma, ele estava certo. Com sorte, Bonnie dormiria pelo restante da noite; porém, sono e bebês não eram uma ciência exata.
O cheiro e a aparência da omelete eram divinos, e ela sentiu o estômago roncar.
Poucos minutos depois, a meio caminho de terminar de comer, decidiu se manifestar:

— Está muito bom.
— Eu não cozinho muito. Em Nova York, sempre volto do escritório tarde da noite. Se não peço comida ou não tenho nenhum jantar programado, costumo comer em uma lanchonete que fica a uns dois quarteirões de casa.
— Fico surpresa por não ter um bando de mulheres fazendo fila, a fim de cozinhar para você.

Ele lançou-lhe um olhar enviesado antes de apanhar a taça de vinho.

— Meus irmãos é que são comprometidos, lembra-se?

Demetria fingiu constrangimento.

— Ah, como pude me esquecer?

Mas ambos sabiam que as mulheres faziam fila por muito mais do que apenas preparar um bife para ele.

— Diante da maneira como estava lidando com Bonnie, esta tarde, qualquer um poderia imaginar que é um homem de família.

E que ele poderia gostar de ter sua própria esposa e filhos ao redor, Demetria completou para si mesma.
O que era uma loucura. Joseph era um empresário solteirão, e ponto final.

Mas ela mesma não sofrera uma mudança depois de começar a cuidar de Bonnie? No dia anterior, fora como se uma semente houvesse sido replantada, e agora ela não podia mais negar que vinha fantasiando em ter seus próprios filhos, um marido, uma casa...

Céus, estava ficando toda confusa quando, naquela noite, precisava manter o foco mais do que nunca!
Joseph franziu as sobrancelhas antes de beber todo o vinho da taça e deixar escapar um som de pura satisfação.

— Esta safra é excepcional.

Após provar a bebida, Demetria foi obrigada a concordar.

Mas não importava o quanto aquele vinho fosse bom. Não tinha a intenção de passar de uma taça, naquela noite. Afinal, após aquele beijo incrível na neve, Joseph lhe dissera quais eram seus planos: ele queria fazer amor com ela.


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Voltei !!!

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