26/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 27 (Epílogo)







Nove meses depois


Rodeada por um mar de rostos sorridentes, Demetria sentiu-se como uma princesa ao lado do homem que roubara seu coração para sempre. Conforme eles cortavam, juntos, a camada inferior do enorme bolo de casamento, aplausos entusiasmados se fizeram ouvir no salão de festas do Hotel Dirkins-Jonas, em Denver.

Demetria riu e ergueu o rosto para aceitar um beijo de seu lindo noivo.
Embora eles tivessem planejado aquele dia especial por meses, ela ainda não conseguia acreditar que seu sonho se tornara realidade.

Quando os aplausos e flashes cessaram, Joseph, maravilhoso em seu smoking, com o cabelo escuro penteado para trás e os olhos cor de ônix cintilando, interrompeu o beijo, porém permaneceu junto dela a fim de murmurar em seu ouvido:

— Não está cansada de sorrir para as câmeras?

Ela plantou um beijo no queixo forte, aspirou o perfume másculo do marido e confessou:

— Acho que não vou parar de sorrir nunca mais.

Naquele dia, ela não apenas havia dito “sim” para o homem mais maravilhoso do planeta, como também fora formalmente recebida em sua família. Quase tinha chorado com o discurso de Dylan, em que ele revelara como os Jonas se encontravam satisfeitos por vê-la se juntar a seu clã.

Os pais de Joseph, seus irmãos e respectivos esposos, assim como seus filhos, também receberam outra pessoa de sorte: uma menina linda por quem ela e Joseph se viam cada vez mais apaixonados. Tão logo o advogado finalizara a adoção, Belinda — ou Bonnie Bell, como ela era agora conhecida — passara a ficar em tempo integral com eles, em sua cabana no Colorado. Maggie, entretanto, era bem-vinda o tempo todo, com a frequência que quisesse. Eles jamais iriam querer que sua menina esquecesse a mãe biológica, uma moça que parecia mais forte a cada dia e, patrocinada pelos Jonas, estava indo bem demais numa faculdade de Direito.

Maggie fora convidada para o casamento; porém, lançando um olhar rápido pelos convidados, Demetria não conseguiu localizá-la, nem Bel.

Joseph pareceu ler seu olhar.

— Maggie está ali. — Ele fez um gesto na direção da mesa de presentes. Maggie conversava com Sienna, que, por sua vez, mostrava-se toda comovida por ser a dama de honra. — Só não estou vendo o bebê.

— Procure daquele lado, e eu procuro deste...

Antes que ela pudesse se afastar, contudo, Joseph a segurou pelos ombros nus e a fitou nos olhos.

— Querida, estamos entre amigos e familiares... Sem contar o pessoal da segurança que fica nas saídas. Na certa, alguém conhecido levou Bonnie para exibi-la e dizer o quanto ela está linda engatinhando com aqueles sapatinhos novos de que ela tanto gosta.

Demetria assentiu e abriu um sorriso.

— Acho que estou me sentindo meio ansiosa. Culpada, na verdade... por ter que deixá-la por uma semana inteira por conta da nossa lua de mel na Itália.
— Bel vai ficar com Maggie e com minha mãe. — Joseph ergueu a mão delicada e plantou-lhe um beijo no pulso. — Vai ser tão mimada que seremos obrigados a colocá-la em uma “casa de recuperação de bebês” quando voltarmos.

Demetria riu, mas não podia fingir que já não sentia aquele vazio que a assolara na primeira vez em que se vira separada de Bonnie. Sua inquietação encontrava-se estampada no rosto.

— Demi, você não sabe o que é negligência. É uma mãe maravilhosa! O rostinho de Bonnie se ilumina a cada vez que ela a vê por perto.

Demetria sentiu-se derreter.

— Ela é apaixonada por você, também
— Não paro de agradecer pela sorte que tive no dia em que entrou por engano no meu táxi. — Demetria prendeu a respiração diante da emoção que cintilou nos olhos escuros e inteligentes.
— Não consigo imaginar como seria se eu não tivesse conhecido você... se tivesse perdido a chance de amá-la desta forma.

Sem aviso, Joseph a agarrou pela cintura e, no instante seguinte, Demetria se viu com os pés no ar e a saia de conto de fadas do vestido girando nas alturas. A plateia aplaudiu, e mais flashes espocaram antes que ele a colocasse no chão outra vez.

— Lá está ela...

Demetria olhou por cima do ombro. O bebê se encontrava sentado no colo de seu novo avô, olhando-o com atenção enquanto lhe puxava o bigode. A mãe de Joseph juntou-se ao par nesse instante. Os três riram e se abraçaram em grupo.

Demetria sentiu o coração dobrar de tamanho. Bel não podia ter desejado melhores avós.

— Estou muito feliz por seus pais terem se acertado — comentou ela enquanto começaram a dançar e outros casais se juntaram a eles.
— Meu pai sempre disse que, para obter sucesso em qualquer empreitada, é preciso estar preparado para enfrentar as tempestades. Depois de todos esses anos de trabalho árduo, minha mãe queria um pouco de tempo para eles, porém foi difícil para meu pai se desligar de tudo aquilo pelo que ele trabalhou a vida inteira.
— Mas ele não se desligou de nada. Apenas passou o negócio adiante.
— Em partes iguais entre todos os filhos, de modo que cada um deles tenha total participação nas decisões da empresa.
— Não se sentiu frustrado? Afinal, sempre quis ser o presidente dos Hotéis Jonas.
— Eu me sinto abençoado. — Joseph espalmou a mão nas costas do vestido conforme a puxava para mais perto. — O pior momento da minha vida foi quando pensei que tinha perdido você. Contratempos com a empresa não são nada em comparação. Tenho a intenção de passar o resto da vida me esforçando para que continuemos tão felizes como estamos esta noite. Quero acordar ao lado desse seu rosto lindo e sorridente todas as manhãs, pelos próximos cinquenta ou sessenta anos, até que estejamos ambos em cadeiras de rodas, assistindo a nossos bisnetos crescerem.

Ela piscou para conter as lágrimas de felicidade.

— Está dizendo que...?
— Vamos discutir isso mais tarde, quando estivermos sozinhos e pudermos investir algum tempo na expansão da família.

Demetria parou, atônita. Estava compreendendo bem? Eles haviam conversado pouco sobre o assunto e não tinham tomado nenhuma decisão até onde ela se lembrava.
Com os olhos fixos em seus lábios, Joseph correu a ponta do dedo por seu rosto e queixo.

— Quer ter um bebê, não é?

Ela sentiu a garganta apertada, e seus olhos se encheram de lágrimas. Não podia ficar mais feliz!
— Joseph, eu nunca quis outra coisa na vida! — falou, com voz rouca e trêmula.
— Quero muito que Bel tenha irmãos e irmãs.
— Então vamos começar a tentar hoje mesmo. — Ele acenou com o queixo na direção de um dos irmãos.
— Mason tem três e mais um a caminho. Acha que podemos superá-lo nisso?
— Sempre se pode tentar.

Enquanto eles riam e giravam na pista, Demetria se concentrou em gravar cada detalhe daquele momento perfeito no coração, sabendo, no fundo da alma, que ainda teria muitos deles pela frente.

— É a noiva mais linda que eu já vi — murmurou Joseph. — Mal posso acreditar na minha sorte.
— Fico me perguntando se vai continuar pensando do mesmo modo quando começarem aquelas mamadas das 3h...
— Estou ansioso por isso, assim como por passar cada minuto da minha vida ao seu lado.

Extasiada, Demetria absorveu cada traço do rosto moreno à sua frente.

— Como é possível que, a cada dia, eu encontre algo mais para amar em você?

Joseph a fitou com adoração, depois baixou a cabeça e seu sorriso maravilhoso encontrou o dela.
Demetria se deixou consumir pelas faíscas que lhe cortaram o corpo e os sonhos que lhe povoaram a cabeça, lembrando-se, apenas por um instante, de como sua existência já fora obscura.

No entanto, ela resistira a cada dia, e cada passo seu fora decisivo para que chegasse àquele presente fenomenal. Tinha um marido maravilhoso, uma filha linda, e um futuro luminoso que ela mal podia esperar para conhecer.


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E OFICIALMENTE acabou a fic ~Todos Choram~ 
Bom, espero que tenham gostado! e me desculpem por demorar tanto a postar em algumas ocasiões, sério mesmo! 

E, bem, por causa do natal e ano novo eu não deva começar uma nova fic agora, apenas quando terminar as festas ... A NÃO SER, que eu fique entediada ou muito animada pra postar, por amo vocês, mas ainda vou ver isso, por enquanto é isso!

Obrigada amores >.< Bjsss   


Papai por um Tempo - Capítulo 26 (Último)






Demetria voltava para dentro de casa após ter certeza de que Maggie pegara sua carona para a cidade de forma segura, quando algo estranho lhe capturou a atenção. Algo pequeno, redondo e claro, brilhando sob o sol, no jardim.

Ela, Maggie e o bebê tinham se mudado para Denver havia duas semanas, e ainda restava muito que fazer para tornar aquela casa alugada térrea, de três quartos, um lar de verdade.

Com o pé no primeiro degrau da varanda, Demetria se perguntou se não deveria começar a arrumação naquele mesmo momento. Bel dormia no quarto da frente, e a manhã estava tão linda!... Tão diferente do dia em que elas se encontraram pela primeira vez.

No dia em que o dínamo Joseph Jonas entrara em sua vida.
Para depois sair do mesmo modo, Demetria completou em pensamento, enquanto se dirigia para o estranho objeto no jardim.

Ajoelhou-se, afastou a cama de folhas secas que se formara em torno do vidro que brilhava e, em num piscar de olhos, a realidade se impôs. Ela examinou a peça de todos os ângulos, sentindo o estômago se apertar e os pensamentos em um turbilhão. Não era um objeto de vidro qualquer. Era uma réplica do globo de neve que Joseph lhe dera, porém a cena dentro desse era diferente: um homem e uma mulher vestidos de noivos, do lado de fora de uma capela. A mensagem fora gravada numa plaquinha dourada: “Case-se comigo.”

Surpresa, Demetria sentou-se de lado e quase deixou cair o globo. Joseph havia estado ali para deixar aquilo. Mas, quando? Como? O que ela deveria pensar, fazer, dizer?

— Encontrou minha surpresa.

Ao som da voz profunda e familiar, Demetria se virou. Joseph estava a menos de um metro dela, vestindo uma calça jeans e uma sexy camiseta branca. Ela tentou falar, contudo sua mente rodava numa mistura de surpresa, afronta... e esperança.

Estendeu o globo, trêmula.

— Se está propondo um casamento de conveniência, eu já disse que a resposta é “não”.
— Não perdeu a marra, não é mesmo?
— Não tente virar o jogo, Joseph. Eu já pedi que nos deixasse em paz. — Para que ela pudesse se curar dele. Para que pudesse esquecer. E ele não só ignorava isso, como tentava se aproximar mais.
— A sra. Dale me contou que ela e o marido vão se aposentar e se mudar para um apartamento. — Joseph prosseguiu sem parar: — Ela me perguntou se eu sabia de alguém que quisesse ficar com Cruiser, e eu disse que sim

A imagem do lindo e gigantesco cachorro lhe veio à cabeça, e Demetria esboçou um sorriso.

— Vai trazer Cruiser para Nova York?
— Não exatamente. Também conversei com James Dirkins e fiz a ele a proposta que você me sugeriu: perguntei se ele aceitaria uma sociedade no hotel. Dirkins levou menos de dois segundos para concordar. Disse que seria a solução perfeita e que está ansioso por trabalhar comigo.
— Fico feliz por ele — falou ela, sincera. — Mas onde entra Cruiser nessa história? Por acaso Dirkins está querendo um cachorro?
— Cruiser vai ficar comigo. Também estou me mudando para cá. — Enquanto ela o fitava, incrédula, Joseph tornou a colocar o globo em sua mão. — O que nos leva a isto.

Quando ele sacudiu o objeto, e a “neve” começou a cair sobre a cena feliz, Demetria balançou a cabeça.

— Não, Joseph.
— Ainda não escutou o que eu tenho a dizer.
— Nem é preciso. Não vou ser de ninguém por conveniência. Maggie, Bel e eu estamos nos virando muito bem. Kate me contratou como freelance para fazer a edição da Story, o que eu posso fazer daqui. Também tenho outras duas editoras interessadas no mesmo tipo de serviço.

Joseph, entretanto, não parecia estar prestando atenção. Ao contrário, parecia mais concentrado em desenroscar a base do globo. De um compartimento secreto, tirou um anel cuja pedra era da cor dos olhos dela e rodeada por diamantes.

Demetria emudeceu.

— Só pode estar louco.

Ele segurou a mão dela.

— Estou falando de um casamento com base em respeito mútuo. Uma união baseada em amor, Demetria. No meu amor por você, e no seu por mim. — Os olhos escuros capturaram os dela. — Quero que seja minha mulher. E quero isso independentemente de haver uma linda menininha precisando de nós.

Por um doce momento, as palavras dançaram na mente de Demetria. Joseph queria um casamento de verdade? Aquilo não fazia sentido! Não depois de tudo o que ele havia dito. Não depois de ter deixado claro que nenhum tipo de relacionamento se interporia entre ele e sua carreira. Afinal, o casamento falido de seus próprios pais era um exemplo para ele.

— Joseph... Se quer o melhor para Bel, se realmente me ama...
— Amo.
— Então tem que ir embora agora. Nós duas precisamos de estabilidade, e não apenas financeira.

Ele assentiu com um gesto de cabeça.

— Eu já disse ao meu pai, e a todo mundo, que não quero mais ser o presidente da empresa, Demi. Na verdade, acabei de renunciar ao cargo.

Demetria piscou conforme absorvia as palavras. Aquilo não podia ser verdade.

— Mas você é a alma dos Hotéis Jonas!
— Era. Agora sou o futuro pai de Bel e seu futuro marido. Quero dizer... se disser “sim”.
— Joseph, isso é uma loucura. Precisa pensar no que está fazendo!
— Não fiz nada nos últimos dias além de pensar. Agora é hora de agir. — Ele a envolveu pela cintura. — Eu amo você, e isso é mil vezes mais importante do que liderar uma empresa. Como pode ver, descobri que sou exatamente como os meus irmãos. Quero sossegar, ter uma família. — Joseph a beijou no canto da boca. — E quero isso com você. Só com você.
— E quanto a Bel? — balbuciou Demetria, atordoada.
— Ela vai ser a joia da nossa coroa. O final feliz para a nossa história.

Os olhos de Demetria se encheram de lágrimas.

— Eu sempre quis isso! — confessou ela, com um suspiro.
— E eu sempre quis você.
— Tem certeza?

Joseph sorriu.

— Tenho tanta certeza que chega a ser assustador.

O coração de Demetria batia forte, e era como se isso não fosse suficiente. Ela mal conseguia respirar. Mal podia acreditar.

— Você me ama, mesmo?
— Até a morte.

O soluço que Demeria tinha preso na garganta escapou, por fim, em meio a um sorriso. De repente, ela se sentia tão completa que parecia prestes a explodir.

— Eu nunca disse, mas eu também amo você!

Perdidamente. Do fundo da alma. Ela quase havia morrido ao pedir que ele fosse embora naquele dia. Nunca imaginara que fosse vê-lo outra vez.
Joseph deslizou o anel em seu dedo e levou sua mão aos lábios.
Demetria percebeu que tinha o rosto banhado pelas lágrimas. Pela primeira vez na vida, sentia-se completa.

Quando ele a abraçou, ela conseguiu falar:

— Espero que nunca sinta falta da sua antiga vida.
— Não vou sentir — afirmou ele sorrindo e, depois de provar isso com palavras doces, cobriu-lhe a boca com a dele.


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Ownnnn ... acabou!!! Que indo ele veio atrás dela <3 so cute né? kkkkk fofos
Bom, agora falta só o Epílogo!
GOSTARAM da fic??? espero que sim >.<


Papai por um Tempo - Capítulo 25






— Fiquei surpreso ao saber que não estava no escritório hoje. Aconteceu alguma coisa?

Joseph havia aberto a porta e se deparara com o pai a sua espera. Sem seu sorriso despreocupado de costume, ele se pôs de lado.

— Eu não estava me sentindo muito bem.
— Claro. Não teve um só dia de folga desde que começou a trabalhar na empresa. Talvez eu deva chamar um médico.
— Eu só precisava de algum tempo para pensar.

Joseph atravessou a sala de estar e foi para a varanda com o pai logo atrás.

— Por acaso isso tem a ver com aquela garota por quem estava todo encantado na festa de noivado da sua irmã?

Ele sentou-se no ambiente ao ar livre.

— Eu parecia encantado?
— A ponto de eu me perguntar se teria de anunciar um segundo noivado dos Jonas naquela noite.

Desde que vira Demetria outra vez, Joseph pensara ter feito um bom trabalho disfarçando sua frustração, mágoa, culpa e desejo. Havia tido tantos casos sem importância que, sinceramente, perdera a conta. Rompimentos nunca tinham sido seu ponto forte, contudo ele não se lembrava de ter se envolvido por tempo suficiente ou o bastante para sofrer daquele modo quando a cortina caía.
Demetria estava certa. Ele era teimoso e egoísta. Apenas relacionamentos íntimos, sem exigências e responsabilidades, lhe interessavam até então.

No entanto, ela era muito diferente das outras. Muito. Ele havia perdido a única mulher de quem realmente gostara, e essa verdade o estava consumindo.

— Não vou poder vê-la de novo — murmurou, ao ver o pai puxar uma cadeira.
— Embora seja óbvio que era isso o que queria.

Joseph se recusou a responder. Preferiu desviar o olhar para a paisagem, imaginando as famílias que desfrutavam o Central Park naquele dia perfeito de primavera.
Perguntou-se onde estariam Demetria e o bebê naquele momento, e se elas sentiam sua falta, assim como ele sentia a delas.

O que mais poderia fazer?
Sentiu o peito se apertar, fechou os olhos e soltou um gemido baixo. Que diabo Demetria queria dele?

— O coração é uma coisa engraçada — comentou o pai dele, após algum tempo. — Há algumas forças poderosas neste nosso mundo, mas o amor supera todas elas.

Joseph franziu o cenho.

— Está tentando me dizer que ainda ama a mamãe?
— Mesmo que ela decida que é hora de nos separarmos, nunca vou me arrepender de ter me casado, de ter formado nossa família. Não sou mais tão moço, você sabe... Acho que, quando se chega aos sessenta, a gente começa a ver a vida sob uma perspectiva diferente. Suas ideias a respeito de sucesso mudam. Você percebe que as pessoas que têm as melhores contas bancárias são as mais solitárias. — Ele olhou para baixo e balançou a cabeça para si mesmo. — Muitas vezes me pergunto onde eu estaria agora se não tivesse ficado perdidamente apaixonado por sua mãe. Talvez eu tenha, mesmo, passado muito tempo longe; mas ficava sempre tão agradecido por poder voltar para casa e para todos vocês! Todos os aniversários, Natais, nossas férias no Colorado...

Joseph esboçou um sorriso.

— Eu nunca vou me esquecer.
— Quando se está na contagem regressiva, esses são os momentos que mais contam, e não se você conseguiu fazer uma aquisição em cima de um pobre coitado...

Joseph sentou-se mais para a frente.

— Nunca teve medo de se tornar pai? Das responsabilidades, quero dizer.
— Não conheço nenhum homem que não tenha tido medo. Porém, isso só prova que a pessoa jamais vai negligenciar suas responsabilidades. Toda criança merece essa consideração, mas, se um sujeito tem a sorte de encontrar sua alma gêmea, em minha opinião, ele seria um tolo se não aceitasse todo o pacote de braços abertos.
— E se estragou tudo?
— Basta se esforçar para não fazer isso de novo.

Joseph engoliu a seco, sentindo o vazio no estômago crescer.

— Não importa o quanto eu tente me esforçar. Demetria não vai querer me ver de novo. Eu a vi com raiva, frustrada... mas testemunhar a decepção em seus olhos, outro dia, quase me matou.
— Não é algo que possa ser consertado?
— Não vejo como.
— Pois ainda acho que a família terá de organizar outra festa de noivado muito em breve.

Joseph tentou não parecer irritado.

— Pai, eu já disse que Demetria não está mais interessada.
— Na certa porque você não fez o que o seu coração mandava. — O pai dele se pôs de pé. — Você sempre foi tão seguro, Joseph... E isso, em grande parte, tem a ver com instinto. — Ele segurou o filho pelos ombros. — Renda-se aos seus instintos agora e vai acabar fazendo o melhor negócio da sua vida.


24/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 24






— Importa-se se eu entrar?

Com um pequeno sorriso, Joseph enfiou as mãos nos bolsos da calça enquanto Demetria se debatia com a possibilidade de bater a porta do apartamento na cara dele. Duas semanas haviam se passado desde seu voo de resgate para o Colorado; desde que ele afirmara que ela não seria capaz de ajudar Maggie e o bebê sozinha.

Depois disso, ela trouxera Maggie e Bel para Nova York de qualquer maneira e tinha elaborado um plano.

Foi com imenso prazer, portanto, que respondeu:

— Na verdade, eu me importo, sim. Estou muito ocupada.

Maravilhoso com uma calça preta e uma camisa branca com as mangas dobradas revelando os antebraços fortes, Joseph olhou ao redor, preocupado.

— Está de mudança, pelo que estou vendo. Vai embora de Nova York?
— Estou me mudando para o Colorado.
— Com Maggie e Bel?
— Ela tem amigos em Denver. E também há boas faculdades por lá.
— E Maggie já sabe o que vai estudar?
— Direito.
— Aposto que ela vai se dar bem. Ela está aqui? Imagino que esteja morando com você.
— Maggie levou o bebê para dar um passeio.

Joseph puxou uma orelha, distraído.

— Importa-se se eu entrar?
— Já perguntou isso, e eu já disse que me importo.
— Posso ajudá-la na mudança.
— Não preciso de sua ajuda.
— Mas essas caixas parecem pesadas. Ele abriu um daqueles sorrisos de lado, contudo Demetria o fulminou com o olhar. Aquela fachada de humildade não iria dobrá-la.

Naquela manhã, em Denver, Joseph deixara claro que possuía sua própria vida e que ninguém iria interferir nela.

Pois bem. Ela também tinha a sua.

Mesmo assim, imaginara aquele reencontro muitas vezes, com Joseph tentando se redimir e ela lhe passando um bom sermão. Talvez valesse a pena perder alguns minutos e tornar seu sonho realidade.
Com um ar distante, fez um sinal para que ele entrasse e fechou a porta.

— Como está Maggie? — Joseph indagou enquanto ela voltava a tirar as coisas da estante.
— Melhor. Tivemos um bom tempo para conhecer uma a outra. Ela é apenas uma menina inteligente que cometeu um erro. A verdade é que, quando olho para Bel e a vejo rir, não consigo deixar de ficar feliz pelo que Maggie fez.

Joseph se aproximou, apanhou uma chave de fenda do chão e começou a desmontar uma prateleira.

— Nenhuma notícia do namorado dela?
— Ele não quer nada com nenhuma das duas. — Demetria o fitou incisivamente. — Também tem sua própria vida.

Joseph não pareceu se abalar com a nota sarcástica.

Ela recolheu uma pilha de livros, então a colocou em uma caixa vazia, e se ergueu. Queria mostrar a Joseph que não precisava do apoio de ninguém, muito menos do dele.
Mas aquilo era muito estranho. Muito doloroso.

— Ainda tenho muito que fazer.
— Por isso estou ajudando.
— Na verdade, está me atrasando.

Joseph pousou a chave de fenda e também se pôs de pé.

Demetria havia se esquecido de como ele era alto. Agora ele parecia se avultar sobre ela.
Mas não se deixaria intimidar. Muito menos, seduzir.

Joseph esfregou a parte de trás do pescoço.

— Agi muito mal naquele dia. Não estava raciocinando direito.
— E, no entanto, Maggie não disse uma só palavra contra você. Talvez porque já esteja acostumada a se decepcionar com os homens.
— Ou talvez, mesmo sendo muito moça, Maggie tenha compreendido que eu precisava de algum tempo.

Quando ele se aproximou, Demetria ergueu as mãos e deu um passo para trás.

— Talvez eu devesse ser tão compreensiva quanto Maggie, mas, no momento, estou magoada demais.

Joseph teve o desplante de parecer arrependido e sexy ao mesmo tempo.

— Foi bom eu ter esfriado a cabeça.
— Às vezes, uma pessoa precisa agir.
— Por isso estou aqui.

Demetria deu as costas para ele e começou a remover um quadro da parede.

— Se pretende dar alguma ajuda a Maggie, vai ter que conversar com ela.
— Não estou falando sobre apoio financeiro. Ao menos não apenas sobre isso. — Um instante depois, Demetria sentiu um calor às costas. — Estou aqui para lhe pedir uma coisa.

Ela tentou se recompor, livrar-se de uma súbita vertigem, e se voltou para ele com determinação, segurando o quadro como um escudo.

— O quê?
— Se Bel ainda precisa de um pai... estou aqui.

As palavras atingiram seu coração com a precisão de uma flecha. Joseph não podia estar falando sério. Estava apenas brincando com suas emoções, e aquilo era cruel.

— Não me provoque, Joseph.
— Nunca falei tão a sério em toda a minha vida.

Demetria balançou a cabeça.

— Jurou que jamais iria abrir mão de quem você é. — De repente, um pensamento lhe veio à cabeça. — A menos que esteja pensando em fazer algum arranjo.
— Um arranjo chamado casamento.
— Casamento?
— Apenas no papel.

Demetria sentiu o coração afundar. Por um momento, havia prendido a respiração, não se atrevendo a acreditar. Por um instante, tinha pensado que...

— Você quer ajudar Bel, e eu também — ele prosseguiu. — Dessa forma, poderemos lhe dar uma vida normal, com um pai e uma mãe, e todo o apoio financeiro de que ela necessita.
— E você ainda conseguiria manter sua carreira e sua vida.
— Seria um toma-lá-dá-cá.

O peito de Demetria doeu ainda mais.

— Esse casamento incluiria direitos conjugais?
— Eu já estava esperando que me perguntasse isso. — Braços fortes a puxaram para perto. — Compreendo sua necessidade de ter uma família e, você, a minha posição na empresa. O que me diz?

Demetria manteve a expressão neutra. Joseph jamais saberia o quanto a havia ferido. Queria se casar com ela por conveniência.

Ela respirou fundo.

— Receio não poder aceitar a sua proposta.

Ele a fitou por um momento, desconcertado.

Demetria deu-lhe as costas, sentindo um nó na garganta.
Ele a obrigou a dar meia-volta de novo.

— Está preocupada com as despesas? Com os arranjos que temos de fazer? Vou continuar trabalhando em Nova York, portanto não vai precisar me aturar o tempo todo.
— E quanto a Bel? Que tipo de pai quer que ela tenha?

Os olhos de Joseph pareceram mais escuros.

— Um pai que se importa com ela.
— Está enganando a si mesmo se acha que isso vai dar certo. Quanto tempo levaria para se envolver de novo com outra estrela ou modelo e ter a cara estampada nos tabloides? Estava certo, Joseph. Você é o que é. Bel merece coisa melhor... — Ela ergueu o queixo. — E eu também.

Ele a fitou, aturdido. Pensara ter encontrado uma solução, porém tinha apenas insultado Demetria. Ela e Bel eram dignas de respeito, de amor e de um compromisso de verdade, contudo ele não enxergara isso.

Com lágrimas nos olhos, Demetria rumou para a porta e a abriu.

— Vá embora, Joseph. E faça-nos um favor... não volte nunca mais.


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E esse foi mais uma vez o Joe enfiando o pé na jaca :( 
Mas que coisa hein! kkkkk bom, será que ele vai arrumar uma maneira de se desculpar e ter a Demi de volta??? >.< 

Bom, amores... Um feliz natal para todos ! Amo muito vocês <3

Amanhã não vou postar porque é natal e eu vou pra casa de uma tia... E eu acho que vocês também vão curtir ai o natal com suas familias. Por isso o próximo capítulo é só no dia 26 >.< 

bjsss

Comentem!!!


Papai por um Tempo - Capítulo 23






Uma espécie de calma transformou o rosto banhado pelas lágrimas.

— Quero que adotem meu bebê. Fariam isso?

A sensação foi semelhante a levar um soco de um peso-pesado no plexo solar. Joseph perdeu o fôlego e, no mesmo momento, ficou enjoado.
Nesse momento, uma garçonete com uma fileira de piercings prateados revestindo a lateral da orelha esquerda surgiu ao lado da mesa.

— E aí, pessoal...? Se estiverem com fome, o café da manhã vai ser servido em breve.

Demetria falou qualquer coisa, porém Joseph nem sequer a ouviu. Seus ouvidos zuniam, e ele percebeu que olhava para a criança. Tão pequena e já precisando de alguém para ajudá-la!
Ele já fizera isso uma vez, apenas uma semana antes, e não fora fácil. Se soubesse como as coisas iriam acabar, teria deixado Demetria assumir o controle da situação enquanto seguia seu instinto mais básico — ainda que menos lisonjeiro — e tomado aquele táxi de volta para casa?...

— Joseph? Você está bem? Ouviu o que Maggie disse?

Ele se recostou ao assento, e o salão começou a se inclinar.

— É claro que ouvi. — Sua voz soou rouca até mesmo aos seus próprios ouvidos. Maggie se retesou, e ele esboçou um sorriso trêmulo. — Maggie, você sabe que Demetria e eu... Bem, não estamos casados.

A menina assentiu.

— A sra. Cassidy me contou. Mas estão, obviamente, comprometidos um com o outro. — Ela abriu um sorriso esperançoso. — Afinal, vocês dois estão aqui, não estão?

Deus sabia, refletiu Joseph. Ele não fora até lá para aquilo!

— Com licença um minuto... Acho que deixei meu celular no carro. — Ele se levantou e rumou para a saída, contornando as mesas e sentindo como se estivesse caminhando pela plataforma oscilante de um navio. Na entrada ou saída principal, estendeu a mão, atravessou a porta de vidro e saiu para o abençoado ar fresco.

Seu estômago, porém, continuava embrulhado, e era como se suas pernas fossem ceder a qualquer momento.

Tonto, ele pôs as mãos sobre os joelhos, apoiou-se contra a parede de tijolos e se curvou um pouco mais quando sentiu a cabeça entrar em parafuso. Ele não podia adotar um bebê, nem mesmo Bonnie. Era um árduo defensor da vida de solteiro. A dura realidade era que não tinha tempo para se preocupar com uma criança em tempo integral.

E Maggie havia dito que queria os dois como pais adotivos da filha, certa de que ele e Demetria estavam comprometidos um com o outro.

Aquilo significava que ele deveria se casar com uma mulher que mal conhecia?

Não importava que a mulher fosse Demetria. Não podia fazer aquilo. Essa podia parecer uma solução fácil para jovens como Maggie, contudo ele era maduro o suficiente para ler nas entrelinhas. Não era o tipo de homem que se casava e estabelecia família. Nunca professara ser! Era um homem de negócios. Não queria ninguém ao lado para magoar ou decepcionar. Aquele pedido, aquela situação absurda, não iria alterar seus planos. E, se isso soasse cruel demais, paciência.

A porta se abriu. Joseph endireitou o corpo e absorveu mais um punhado de ar fresco. Demetria enfiou as mãos nos bolsos do casaco e se aproximou.

— Está chocado, não é?
— Um pouco.
— Creio que Maggie tenha, mesmo, pensado no assunto. Ela quer nos conhecer melhor; ter cem por cento de certeza de que isso é para o bem do bebê.

Joseph recuou a cabeça num gesto surpreso.

— Fala como se estivesse considerando a hipótese... Como se já estivesse feito!
— Se eu puder ajudá-las, farei isso.

Ele soltou uma risada seca.

— Acho melhor não contar comigo, então.

Demetria piscou várias vezes. Em seguida, um sorriso que era uma mescla de ironia e tristeza curvou-lhe um lado da boca.
A boca que ele beijara tão profundamente na noite anterior.

— Creio que essa notícia tenha nos tirado do prumo, ainda mais em vista do que eu disse antes.
— Que queremos coisas diferentes da vida.

Ela concordou devagar.

— Não sei quanto tempo vai levar para que Bel tenha tudo o que ela merece. Só sei que não posso abandoná-la. Pensei que fosse ficar a meu lado nisso... Ou ao menos que fosse considerar a questão. — Os belos olhos cor de violeta se encheram de lágrimas. — Sinceramente, pensei que amasse aquele bebê, Joseph.

Ele apertou o maxilar.

— Se eu a amasse, não seria mais uma razão para eu ficar fora disso? Eu seria um pai ausente.
— Engano seu. Daria um excelente pai. O problema é que é teimoso demais para abrir mão daquilo que imaginava que era.
— Que eu sou! — Joseph explodiu.

Demetria cruzou os braços.

— Muito bem. Então vou ajudar Maggie e Bel sozinha.
— Sem trabalho?
— Tenho minhas economias. Além do mais, dinheiro não é tudo.
— Mas ajuda muito. Aliás... — A solução veio de repente para Joseph. Se ele não tivesse ficado tão surpreso com a proposta de Maggie, talvez tivesse pensado naquilo antes. Ele não poderia adotar Bonnie, mas, com certeza, poderia ajudá-la financeiramente. — Vou transferir dinheiro para a conta de Maggie. Tanto quanto for preciso.
— Para que a mãe dela ou o canalha de seu “ex” se beneficiem dele?

Joseph soltou um pesado suspiro. Às vezes, Demetria era difícil demais.

— Não. Para que ela possa conseguir um emprego, ir para a faculdade.
— E quem vai cuidar do bebê?
— Uma babá, ora. Até meus irmãos têm babás.
— Imagino que Maggie queira que a filha tenha uma educação consistente, com pessoas que a apoiem em longo prazo, em vez de uma série de meninas em busca de alguns dólares por hora. —
Demetria lançou-lhe um olhar de reprovação que o fez sentir-se com menos de 5 anos. — Vou voltar lá para dentro e dizer a ela que eu mesma irei ajudá-las. E, se Maggie quiser que eu adote Bonnie sozinha, se houver uma forma, pode apostar que vou fazer isso.
— Demetria, você não tem como!

A expressão de decepção no rosto dela se transformou em pena.

— Diante dessa atitude, creio que tenha razão — afirmou ela, com os lábios apertados. — Essa criança vai ficar melhor sem você.

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Vish maria.... dessa vez o Joe se deu mal ... e agora, será que vão cuidar da pequena Bonnie-Bel juntos?? XOXO como sou mal só nos próximos capítulos >.<
e já está quase no final da fic, hein!!! 

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23/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 22





Do outro lado da linha, a interlocutora de Joseph respirou fundo e, em seguida, continuou a explicar sua infeliz situação. Quando terminou, ele quis saber:

— Não há nenhum motel por perto?

Ela deu o nome de um estabelecimento, cujo letreiro em neon podia avistar do local de onde estava fazendo a chamada. Joseph falou, então, que iria reservar um quarto, que ela não se preocupasse com nenhuma forma de pagamento, e que ele estaria lá assim que pudesse.
De pé e rumando para o closet a fim de vestir um jeans e uma camisa, ele encerrou a chamada. Estava enfiando o braço na primeira camisa que vira pela frente, quando a voz trêmula de Trinity se fez ouvir no quarto.

—Joseph, está me assustando... Quem era? O que aconteceu?
— Aquela menina, a mãe de Bonnie. O nome dela é Maggie Lambert. — Ele se calou enquanto escolhia um par de tênis.
— Está com o bebê em uma parada de caminhões, na periferia de Denver.

Joseph ouviu algo cair no chão quando Demetria pulou da cama.

— Por quê? O que aconteceu?
— Explico no caminho. Tome... — Ele lhe atirou uma camisa. — Ponha isto. Depressa.

Após pararem no apartamento de Demetria para que ela pudesse se trocar para a viagem, Joseph fez seus contatos e conseguiu um voo de emergência para o Colorado, onde chegaram nas primeiras horas da manhã de domingo. A madrugada parecia estranhamente escura e, apesar do casaco que usava, Demetria estremeceu ao descer da Mercedes alugada antes mesmo que o ronco suave do motor cessasse.

Ela apertou o sobretudo em volta do corpo e examinou o motel: uma construção decaída, com um letreiro em neon azul piscando de forma irregular.

— Tem certeza de que é este o lugar?
— Está longe de ser um cinco estrelas, mas é melhor do que nada. Ela não podia ficar com a criança em uma parada de caminhões, em plena madrugada.

Joseph acordou o sonolento vigia. O homem fez tocar o interfone no quarto de Maggie mais de uma vez, porém ninguém respondia. Belinda e a mãe tinham ido embora!
O longo voo de Nova York a Denver já fora enervante, e Demetria sentiu o estômago embrulhado.

— O que vamos fazer?
— Chamar a polícia.

Ela ficou mais animada. Por um instante, chegara a pensar que Joseph diria que não havia nada que eles pudessem fazer. Se ele não tivesse resolvido telefonar para as autoridades, ela mesma o faria. Não iria conseguir descansar sem saber que aquelas duas estavam seguras.
E, pela expressão tensa de Joseph, ele pensava da mesma forma.
Saindo do saguão do motel para a manhã enevoada, Joseph parou, encontrou seu olhar e segurou sua mão.

— Nós vamos encontrá-las — declarou, com determinação. — Não iremos embora enquanto não conseguirmos.

Incapaz de falar com as lágrimas presas na garganta, Demetria assentiu com um gesto de cabeça e, em seguida, varreu com o olhar ambos os lados da estrada tingida de azul pelo neon do letreiro. Do outro lado, ficava a parada de caminhões. Se Maggie decidira pegar uma carona, poderia estar em qualquer lugar a uma hora daquelas.

Joseph apanhava o celular, com certeza na intenção de entrar em contato com a polícia, quando recebeu uma chamada.

Ele franziu a testa para a tela, em seguida pressionou o fone no ouvido.

— Alô! Onde, diabos, você está? — Poucos segundos depois, encerrou a chamada. — Era Maggie. Belinda acordou cedo e não sossegava, então ela decidiu sair com o bebê para dar um passeio e voltou para lá. — Ele apontou a parada de caminhões, ao mesmo tempo em que Demetria deixava escapar um suspiro de alívio.

Elas estavam ali, afinal. Graças a Deus!

De mãos dadas, eles atravessaram a estrada e entraram no Big Bill’s Burger Stop and Gas.
Lá dentro, os assentos eram forrados por um vinil vermelho desbotado. As mesas de fórmica brilhavam, o aroma de café impregnava o ar, e, a um canto, uma menina com um ar desolado aguardava, tendo ao seu lado, no chão, um bebê-conforto.

Demetria e Joseph correram até ela. Demetria quis abraçar a moça, contar que quase morrera de preocupação... Mas as palavras soariam como uma acusação, e Joseph já se mostrara mais do que irritado ao telefone.

Assim, ela se obrigou a esboçar um sorriso trêmulo e olhou para a criança, sentindo o coração afundar e disparar ao mesmo tempo.

Bonnie parecia tão calma e alheia ao tumulto em torno de sua jovem e preciosa vida!
Demetria teve ímpetos de arrancá-la da cadeirinha, segurá-la junto ao peito e nunca mais soltá-la. Mas aquilo não seria certo. Bel não era dela.
Seu instinto maternal era tão forte, contudo, que foi como se seu coração estivesse partindo ao meio.

Joseph esperou que ela deslizasse para o assento estofado da mesa e, em seguida, fez o mesmo.

— Viemos o mais rápido que podíamos.

Maggie tinha o rosto pálido e os olhos cintilando com lágrimas não derramadas.

— Sinto muito. Eu não pretendia obrigá-los a voltar para cá, mas — ela encolheu os ombros demasiado magros sob a jaqueta jeans — eu não sabia mais o que fazer.
— Conte-nos o que aconteceu — incitou Joseph.
— O pessoal do abrigo foi muito bom para nós. Até conversamos sobre eu ir para a faculdade e conseguir um diploma... Mas falei com o pai de Bel pelo telefone na semana passada. Ele disse que havia grandes oportunidades de trabalho onde estava, que eu deveria ir para lá também e levar o bebê. Pensei que ele estivesse falando sério. Pensei que ele queria me ajudar a cuidar dela...

As lágrimas começaram a escorrer pelas faces de Maggie. Demetria sentiu a própria garganta se apertar e estendeu a mão sobre a mesa, segurando a da menina.

— Peguei todo o dinheiro que possuía — prosseguiu a moça —, deixei o abrigo e telefonei para a minha mãe, avisando que não voltaríamos mais. Então liguei para Ryan, o pai de Bel, querendo acertar alguns detalhes. Mas ele me tratou... diferente. — Ela ficou com os olhos parados por um momento, antes de voltá-los para a filha, que dormia. — Eu devia ter imaginado. Tive um péssimo pressentimento, mas fui em frente e comprei a passagem Logo depois, telefonei de novo para avisar a que horas estaríamos chegando lá. Eu queria tanto que desse certo! — Maggie mordeu o lábio, e mais lágrimas brotaram de seus olhos. — Ryan desligou na minha cara, mas, antes disso, ouvi a voz de uma garota ao fundo. — As lágrimas corriam, soltas, agora, encharcando o rosto delicado. — Foi quando me lembrei de que havia se oferecido para me ajudar, Sr. Jonas.
— Pode me chamar de Joseph — ele falou baixinho.

Maggie assentiu.

— A sra. Cassidy... Ela me confirmou que vocês eram um casal maravilhoso.

Joseph piscou, aturdido.

— Verdade?
— Aham. Mas eu já sabia disso. Ela ainda estava com seu número, o mesmo que você tinha me dado naquele dia, quando fui buscar Bel. — Um misto de medo e incerteza transformou a expressão da menina. — Espero estar fazendo a coisa certa.

Demetria apertou a mão magra e delicada.

— Claro que está. Vamos cuidar para que vocês duas fiquem em segurança.
— Eu sei, mas há mais uma coisa — prosseguiu a moça. — Tive muito tempo para pensar... Vocês dois me pareceram tão abalados quando fui embora com Bel naquele dia, depois vieram para cá correndo, após um telefonema de 30 segundos. É óbvio que gostam muito dela... Mas Bel é mesmo muito fácil de amar. — Maggie mudou de posição no assento, colocou os cotovelos sobre a mesa e segurou a cabeça com ambas as mãos. — Esta é a coisa mais difícil que eu já tive de dizer ou fazer na vida, mas meu coração diz que é a mais certa.

— O que é o mais certo, Maggie? — instigou Joseph.



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O que será que a Maggie vai falar, hein? >.< adivinhem!!!!!! 


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Papai por um Tempo - Capítulo 21






— Amei sua família.

Eles estavam deitados em silêncio, apreciando o crepúsculo do amor que haviam feito, enquanto Demetria desenhava, sem rumo, nos pelos do peito de Joseph. O apito ocasional e distante de um navio e a carícia de galhos antigos no telhado eram ainda mais tranquilizadores.
Mas ela gostara tanto daquela noite que não podia deixar de falar.

— Não se sentiu deslocada? — perguntou Joseph.
— Talvez um pouco, mas de uma forma agradável. Joseph.. se não se importa de eu perguntar... Como Dylan perdeu o braço?
— Um carro o atropelou na bicicleta quando ele tinha 12 anos. Seu braço direito ficou preso sob o pneu, e os principais nervos foram atingidos. Dylan perdeu todos os movimentos do membro. Ainda tem o braço, mas não consegue usá-lo.
— Então Rhian o conheceu após o acidente.

Joseph se esticou e a fitou com um misto de estranheza e preocupação.

— Dylan não deixou de ser humano por ter perdido o movimento do braço. Na verdade, isso só o tornou ainda mais homem. Ele ainda joga bola com os filhos, faz o jantar deles, corre atrás das crianças no quintal... E é um gênio na contabilidade da empresa. Nenhum de nós nem sequer pensa mais em seu braço. — Ele tornou a relaxar sobre os travesseiros. — Dylan e Rhian vão ficar juntos para sempre.

Demetria sorriu. Acreditava nele.

— Sua mãe foi tão receptiva comigo... E seu pai é muito engraçado.
— Eles combinam muito bem, aqueles dois. Pelo menos é assim que eu penso.
— E quem não pensa da mesma forma?
— Eles andam discutindo a respeito.
— Como assim?
— Estão pensando em se separar.
— O quê? Não acredito.
— Isso já vinha se configurando há alguns anos. Meu pai sempre passou muito tempo no escritório ou viajando a negócios. A última gota foi quando minha mãe reservou um cruzeiro no Mediterrâneo apenas para os dois e, no último minuto, meu pai disse que não poderia fazê-lo. Ela acabou indo sozinha e, quando voltou, falou em separação. Meu pai não pensou que ela estivesse falando sério, até que mamãe se mudou para nosso apartamento na cidade. Desde então, ela tem aparecido nas colunas sociais sempre sozinha.
— Acha que é tarde demais para uma reconciliação?
— Só sei que essa era uma tragédia anunciada.
— Vida pessoal e negócios não se misturam?
— Não quando há crianças envolvidas e o ônus de criá-las sobra apenas para um dos pais. Não quando se está falando da administração de bilhões de dólares. —  Joseph a abraçou, depois a colocou sobre ele. — Mas isso não se aplica a você nem a mim. Ambos temos nossas carreiras e nenhum de nós tem filhos.

Fez-se um momento embaraçoso, em que os dois se lembraram de Bonnie, porém ele prosseguiu:

— Quero vê-la outra vez.

Demetria sentiu um misto de emoções vibrar dentro dela. Tinha gostado daquela noite. E mais ainda de ter compartilhando a cama de Joseph outra vez.
Mas, infelizmente, aquilo não mudava as coisas.

Ela umedeceu os lábios e respirou fundo.

— Joseph, não posso mais vê-lo depois desta noite.

O peito largo parou de se mover por um instante.

— Quer que eu prove o quanto significa para mim? — Ele esfregou a ponta do nariz no dela. — Já me disseram que sou ótimo para escolher presentes...
— Sabe que não é isso.
— Então gostou do globo?
— É claro que gostei. Eu quis lhe dizer isso diversas vezes, esta noite, mas nunca ficávamos sozinhos. Joseph, não estou aqui por conta de um presente. Vim porque precisava vê-lo outra vez.

Ele afundou o rosto no pescoço macio.

— E eu precisava ver você.

Demetria sentiu lágrimas assomando aos olhos ao pensar que talvez não estivesse pronta para aquela conversa.

Mas, pronta ou não, precisava seguir adiante.

— Nunca vou me esquecer dos dias que passamos na cabana. Eles me mudaram, Joseph. Mudaram a forma como eu via o mundo, meu futuro.

Ele a fez rolar com ele.

— Isso está ficando sério demais.

Quando ele se inclinou sobre ela, contudo, por mais difícil que fosse, Demetria se afastou e se pôs sentada.

Joseph coçou o rosto e pensou por um momento.

— Está bem. Quer conversar, então vamos conversar.

Ela puxou a coberta até o pescoço e admitiu:

— Não quero me esconder de quem eu sou. Passei momentos difíceis quando criança, mas não vou permitir que isso me abata. Já me decidi. Um dia vou querer ter uma família minha.

— Uma família? — indagou ele, em voz baixa. — Por acaso isso é algum ultimato?
— Não! Nunca. Você faz o que quiser da vida. Embora eu me sinta obrigada a dizer: depois de vê-lo esta noite com a sua, creio que também esteja escondendo ao menos uma parte daquilo que realmente deseja.

Joseph bufou, descrente.

— Por que é tão difícil acreditar que um homem queira se comprometer apenas com a carreira?

Demetria arqueou uma sobrancelha.

— Dizem que as pessoas superestimam suas carreiras. Na verdade, eu mesma saí do meu emprego quando voltei do Colorado.

Joseph enrugou o abdômen bem-definido ao se sentar em um pulo.

— Mas você amava aquele trabalho!
— Verdade. Acontece que temos apenas uma vida, e decidi que quero trabalhar com crianças. Talvez como orientadora em abrigos ou...
— Está fazendo isso para entrar em contato com Bonnie de novo.

Demetria sentiu o sangue ferver.

— O nome dela é Belinda. E está errado. Estou fazendo isso porque é o certo para mim, embora espere que Bel e sua mãe descubram o que é bom para elas também

O olhar de Joseph capturou o dela.

— Não acredito que nunca queira sentir isto de novo.
— Queremos coisas diferentes da vida, Joseph. Quero mais. Eventualmente, até um casamento, uma família... Não é nenhum crime. Pergunte a seus irmãos e irmãs. — Demetria suspirou, porém não confiou em si mesma o suficiente para tocar e acalmar o vinco que ele trazia entre as sobrancelhas. — As coisas são assim e pronto.

À luz das velas, ela viu o brilho de determinação nos olhos escuros. Joseph não aceitava aquilo. De qualquer maneira, a decisão não era dele.

O que ela não tinha dito, e o que mais doía, era que naqueles últimos dias ela se dera conta do que agora lhe parecia inevitável após olhar para trás e analisar o tempo que eles passaram juntos. Ela havia se apaixonado. Enquanto ficara acordada durante a noite, pensando em tudo o que compartilharam naquele curto espaço de tempo, sua certeza só fizera aumentar: ela fora mais uma vítima de Joseph Jonas. Nunca sentira por outra pessoa o que sentia por ele. Se quisesse enganar a si mesma, poderia aceitar sua oferta para que continuassem aquele caso e torcer para ser aquela com quem Joseph acabaria no final; com quem ele teria uma família.

Mas não importava o quanto aquela noite houvesse sido convincente. A verdade era que Joseph também devia ter sido persuasivo com dezenas de outras mulheres antes dela.

— Vai passar a noite aqui — ele falou, por fim.
— Até o amanhecer. Não pretendo comer as panquecas de Nana com sua família e passar uma impressão errada.
— De que dormimos juntos?
— De que estamos levando isto a sério. Além do mais, não creio que um vestido de gala vermelho seja um traje adequado para um café da manhã.
— Tenho várias blusas no armário.
Ela balançou a cabeça. Estava prestes a dizer “não”, quando o celular sobre a mesa de cabeceira tocou.
— É melhor atender.

Ele soltou um suspiro.

No fim, não era ninguém da família de Joseph, nem relacionado a seu trabalho.

Na verdade, era a última pessoa na face da Terra que eles esperavam ouvir; muito menos àquela hora.


20/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 20






Eles saíram pela porta dos fundos, onde o carro de Joseph estava estacionado. Após uma curta viagem por uma estrada particular sinuosa, ele tornou a abrir a porta do lado do passageiro, e ambos correram como adolescentes para o pequeno chalé com vista para o mar.

No momento em que a porta se fechou, e eles se viram do lado de dentro, Joseph a tomou nos braços e, correndo as mãos por seus ombros nus, por suas costas, beijou-a outra vez. Quando suas bocas se separaram, por fim, a respiração de ambos era difícil.

— Não foi fácil bancar o anfitrião educado a noite inteira e não carregá-la para cá mais cedo!
— Como tinha tanta certeza de que eu viria?

Ele soltou a alça de tecido de sua nuca.

— Eu sabia que poderia convencê-la...

O vestido caiu aos pés de Demetria, e seus olhos cintilaram para os dele antes que ela saísse do monte de seda a seus pés e o chutasse para o lado. Nua exceto por uma discreta calcinha de seda, Demetria sorriu.

— Pode começar a me convencer.

Joseph sentiu cada gota de sangue em suas veias se aquecer até o ponto de ebulição.
Num impulso, ele a ergueu nos braços e a carregou para o quarto principal. Havia deixado instruções para que arrumassem a cama e deixassem velas acesas a partir da meia-noite. Demetria o fitou com adoração e passou a mão pelo rosto moreno enquanto ele a colocava sobre o colchão. Ao contrário da última vez, não se deitou, submissa.

Em vez disso, pôs-se de joelhos à sua frente, e passou a desabotoar a camisa clara lentamente, enquanto Joseph, tentando se controlar, se livrava do smoking e dos sapatos. Ansiosa, ela lutou para desabotoar a faixa de cetim que ele usava na cintura, depois o cós da calça. E, o tempo todo Joseph não tirou os olhos dela, observando o modo como seu belo corpo se movia enquanto ela se esforçava por despi-lo; reparando como suas mãos hábeis e suaves correram por seu peito nu tão logo a camisa foi posta de lado.

Durante toda a noite, o perfume leve, floral e, ao mesmo tempo, sensual de Demetria o deixara louco... Ela era muito sexy.
Enquanto conversava com os convidados, ele a imaginara se aprontando para aquela noite, perfumando pontos estratégicos: atrás das orelhas, os pulsos, entre os seios, a linha do biquíni... Ofegante, ele ficou de pé diante dela completamente nu.

Demetria não perdeu tempo: agachou-se a sua frente e, sem aviso, guiou a já pesada ereção para a boca. Joseph fechou os olhos com um gemido. Estava acostumado com sexo. Já havia desfrutado muitas mulheres e de todas as formas possíveis... Mas nunca fora levado àquele estágio de excitação antes.

Conforme a mão de Demetria o segurou por baixo, e ela afundou mais a cabeça, ele não teve certeza de que conseguiria se conter. Apertou mais os olhos e correu os dedos pelos cabelos longos e sedosos enquanto, pouco a pouco, os movimentos de ambos aumentavam de ritmo até que ele chegou perto demais do ponto crucial.

— Estou gostando do que está fazendo comigo! — gemeu, com dificuldade. — Na verdade, estou gostando até demais!

Demetria o fitou com olhos embaçados pelo prazer e um sorriso que era puro pecado. Conforme ela se deitou, Joseph a agarrou pelas laterais da calcinha e agradeceu em silêncio quando ela ergueu as pernas de modo a ajudá-lo a se livrar da peça.

Demetria estendeu os braços para ele, então, e Joseph se posicionou entre os joelhos dobrados e abertos. Segurando-a pelas coxas, ele se deliciou com a visão dela, sentindo a maré dentro dele subir cada vez mais. Afobado, apanhou o preservativo na mesa de cabeceira. Uma vez pronto, seguroua pela parte de trás do pescoço e a beijou com volúpia ao mesmo tempo em que mergulhava fundo no corpo quente.

Esforçou-se para ir devagar e ditar o ritmo; porém, a forma como ela o beijou de volta, tão faminta e profundamente, fez pouco para impedi-lo de chegar ao limiar do prazer.

— Deus, senti tanto sua falta! — ele murmurou, contra a boca úmida.
— Pensei que você não fosse ligar nunca!
— Fui um idiota por esperar tanto tempo!

Demetria sorriu de encontro aos seus lábios.

— O convite chegou dois dias depois de eu ter voltado.


— Foi como eu disse. — Joseph mordeu seu lábio inferior. — Tempo demais!

Quando ela agarrou seus quadris e enroscou as pernas na parte de trás de suas coxas, todos os pensamentos de Joseph, cada fibra de seu corpo, foram reduzidos a zero, transformando-se em uma única sensação escaldante. Ele se sentiu em chamas, por dentro e por fora, e, conforme aumentou o ritmo, Demetria o fez saber, com seus suspiros e movimentos, que também já estava quase lá. Aquele calor era bom demais.

Aquela boca mordiscando a sua era de enlouquecer!

Demetria começou a tremer e se agarrar mais a ele, e a mente de Joseph se esvaziou por completo. Foi como se o mundo entrasse em colapso ao redor. E, naquele fragmento estelar e preciso de tempo, Joseph soube: se ele se apaixonasse, iria querer se sentir exatamente daquela maneira.



17/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 19






Do lado de fora do extenso pórtico, Joseph esfregou as mãos na tentativa de espantar o frio enquanto o taxista abria a porta do banco de trás e Demetria Lovato descia, usando a cor que ele mais gostara de ver nela: um vermelho escuro e vibrante. Demetria estava estonteante naquele vestido de seda com brocados de strass cruzando o corpete para dar a volta no pescoço delgado. Uma echarpe do mesmo tecido lhe envolvia os braços, as pontas caindo a cada lado da cintura.

Quando ela o viu, piscou, nervosa, depois se recompôs e ajeitou a echarpe sobre os ombros nus antes de apertar a carteira prateada junto ao peito. Joseph já tinha ouvido falar de mulheres que pareciam verdadeiras visões. Agora poderia se vangloriar de ter tido tal experiência.

Conforme avançou um passo, Demetria pareceu tomar fôlego e também se adiantou. Pararam, frente a frente, e ele cobriu as mãos geladas com as suas, ainda que quisesse envolvê-la nos braços e gerar algum calor da forma que melhor sabiam fazer... Em vez disso, sorriu para os olhos cor de violeta iluminados pelo luar e a levou para conhecer a casa da família.

Demetria havia se preparado para deparar com muito luxo. Aquela magnífica propriedade à beira-mar, contudo, estava além da imaginação. A entrada de automóveis parecia não terminar nunca, e a casa, uma mansão, transpirava um charme antigo, com um projeto arquitetônico que lembrava aqueles velhos filmes em preto e branco.


— Esta casa faz meu apartamento parecer uma caixa de sapatos! — comentou enquanto Joseph a conduzia, com a mão em seu cotovelo, pelos degraus em forma de arco. — Quando foi construída?
— Em 1936. Foi ótimo crescer aqui tendo dez hectares em que brincar, mas sete quartos, um número igual de banheiros, além de uma biblioteca, salão de festas, escritório etc. acabaram se tornando demais para meus pais.
— Eles estão pensando em vender?
— Ainda estão decidindo o que fazer.

No interior, um lustre de cristal de três camadas pendia do teto alto do majestoso vestíbulo, as obras de arte nas paredes pareciam pertencer a um museu, e as molduras deviam ser de ouro 24 quilates, no mínimo, concluiu Demetria.

Com aquele sorriso que sempre a tirava do prumo, Joseph a incitou a seguir adiante.

— Vamos, quero que conheça a minha família.

Família... A palavra fez o estômago dela se apertar de tal forma que Demetria precisou pressioná-lo com a palma da mão na tentativa de diminuir os nós. Não tinha nada a temer, claro. Pelo que ouvira, os Jonas eram ótimas pessoas.
O que a perturbava era o fato de ela ter ido até lá como convidada especial de Joseph, o que despertaria muita curiosidade e daria margem a uma série de especulações.

— As crianças também estão aqui? — perguntou, conforme eles passavam sob um arco de madeira esculpida, e a música ao vivo ficava mais alta.
— Não haveria festa sem os munchkin, ainda que eles costumem ser levados para a cama numa hora razoável.
— Em um dos sete quartos.

Joseph negou com um gesto de cabeça enquanto tomava sua echarpe e a entregava a uma empregada uniformizada.

— Além deles, temos alguns chalés para hóspedes dentro da propriedade, caso qualquer um de nós decida ficar mais e queira um pouco de privacidade.
— Então vai passar a noite aqui?
— Provavelmente. — Ele abriu um sorriso de lado. — E você também.

Demetria quase engasgou.

Antes que pudesse objetar, viu-se em meio a outros convididados. Joseph entregou-lhe uma taça de champanhe enquanto a apresentava a um rapaz que a fitou com indisfarçada curiosidade e que se parecia muito com ele. Tinha o mesmo cabelo negro, o mesmo sorriso deslumbrante.

— Thomas, esta é Demetria.

Thomas pegou a mão dela e baixou a cabeça em uma saudação.

— Que bom que veio! Afinal, não é todo dia que nossa irmãzinha aceita uma proposta de casamento. Agora só sobrou um... — Ele lançou um olhar enviesado a Joseph e, em seguida, chamou uma ruiva curvilínea, cujo sorriso era tão grande quanto seus seios.
— Willa, querida, venha conhecer Demetria, amiga de Joseph.

Willa se apresentou, sorridente.

— Já soubemos tudo sobre vocês! Que ficaram presos na cabana de Joseph, isolados de tudo... Demetria se preparou para ouvir falar do bebê, contudo Willa passou a comentar sobre o clima bizarro das últimas semanas.
Após cinco minutos de conversa, Joseph chamou outra moça, que usava um vestido de noite cor de pêssego maravilhoso e tinha os cabelos castanhos presos num coque meio solto e muito elegante.

— Esta é Sienna, minha irmã caçula, e a estrela da festa.
— Parabéns pelonoivado — cumprimentou Demetria. — Deve estar muito feliz.
— Estou mais do que feliz! Estou até meio chocada... Aceitei a proposta de David no fim de semana, e mamãe já insistiu em fazer esta comemoração. Você sabe como são as mães...

Demetria manteve a expressão neutra, e Joseph tratou de contar a respeito do noivado.

— Eles se conhecem há apenas quatro semanas.
— Três! — corrigiu Sienna. — Nós nos conhecemos durante um curso de chocolate em Bruxelas, embora tenhamos mais comido os bombons do que aprendido a fazê-los. Em seguida, fomos para Amsterdã juntos; depois para Berlim, e então voltamos para casa. David também é de Nova York. Mas foi preciso que nos encontrássemos do outro lado do mundo para que ficássemos apaixonados!

Denetria ergueu as sobrancelhas.

— Ainda devem estar tontos, então.
— É estranho, mas acho que eu sabia que isso ia acontecer um dia. Eu também ia acabar me amarrando. Parece que isso está no DNA dos Jonas. Porém, só agora entendi o que as pessoas querem dizer quando falam sobre amor à primeira vista.

Demetria a fitou, intrigada.

— Souberam que iriam se casar no momento em que puseram os olhos um no outro?
— Não imaginei um par de alianças no instante em que nos conhecemos... Mas, bem no fundo, eu sabia que acabaríamos juntos. — A expressão séria da moça se desfez, e ela riu. — Parece bobagem, não é? Meu irmãozinho certinho, aqui, jamais acreditaria numa coisa dessas, embora eu aposte que saíram até faíscas quando vocês dois se conheceram!

Sienna estava prestes a estender o assunto, quando outra moça — obviamente uma grande amiga — a segurou pela mão e, sem a menor cerimônia, arrastou-a para outro círculo. Mal ela se afastou, outro irmão de Joseph se apresentou com a esposa e o filho.

Enquanto eles conversavam sobre os brinquedos artesanais que Joseph mantinha na cabana, Demetria viu-se relaxando de uma maneira que nunca havia acontecido antes. Devia ser sua imaginação, contudo sentia-se ligada àquelas pessoas que, ao contrário dela, sempre tinham levado uma vida encantada.

Foi apresentada à mãe de Joseph e a seu pai, em separado, assim como a uma infinidade de outras pessoas, cujos nomes ela jamais poderia se lembrar. Joseph era o anfitrião perfeito, e as horas pareceram voar. Quando o volume da música diminuiu, e os convidados começaram a ir embora, ela mal pôde acreditar no que marcava seu relógio de pulso.

— Já passou da meia-noite! As mãos dele deslizaram por seu braço nu. — Se seu nome não é Cinderela, não vejo nenhum problema nisso.
— Mas a noite passou tão depressa!
— Essas festas de família costumam passar rápido, mesmo. A gente mal consegue conversar com todo mundo, e o pessoal da limpeza já está arrumando a casa. — Joseph olhou por cima de seu ombro. — Ainda precisa conhecer algumas pessoas...

Ele acenou para um homem que passava e, mais uma vez, a semelhança entre eles se mostrou espantosa. Devia ser o irmão mais velho, Demetri concluiu.

— Dylan... Demetria Lovato.

Demetria estendeu a mão, e ficou meio sem graça quando o rapaz estendeu a mão esquerda. Conforme os irmãos se falavam, incluindo-a na conversa sempre que possível, ela não pôde evitar notar que a manga direita do paletó de Dylan se encontrava vazia, e o punho, enfiado no bolso.

Como ele tivera o braço amputado? Teria acontecido havia muito tempo? Ou era de nascença? Uma mulher se juntou a eles, acenando com a mão cheia de diamantes na direção de Demetria.

— Olá! Sou Rhian, e vim para salvá-la destes dois. Quando eles começam a conversar, costumam ir até de manhã!
— E ela vive me controlando — Dylan resmungou, por trás da mão boa.
— O que você adora! — provocou Rhian.
— Ela tem razão.
— E então, Demetria, vai ficar esta noite? Podemos tomar o café da manhã juntos... As crianças adoram as panquecas da Nana, nossa empregada. Rhian cutucou as costelas do marido.
 — Não mais do que você. Mas precisamos dizer “boa-noite” agora, se pretendemos levantar ao amanhecer.
— Vocês dois correm juntos? — Demetria não conseguia imaginar outra razão para que eles fossem se levantar tão cedo depois de uma festa como aquela.
— Não... — Dylan riu. — É que o meu caçula acorda com o nascer do sol. Rhian se arrasta para fora da cama de segunda à sexta, faça chuva ou faça sol, e eu assumo o posto nos fins de semana.

Cada um deles disse “boa-noite” e, antes que alguém mais pudesse se aproximar, Joseph a segurou pela mão e se dirigiu para uma saída menos portentosa, que levava a um corredor mal iluminado.

— Aonde estamos indo? — Demetria indagou.
— Para casa.
— Como assim, “para casa”?...

Joseph parou de repente, e ela estacou. Em meio às sombras, Demetria sentiu o calor de seu olhar envolvendo-a por inteiro.

— Eu disse que iria passar a noite comigo — ele murmurou, próximo a seus lábios.

Ela emudeceu.

Quando abriu a boca para protestar, Joseph aproveitou a oportunidade, assim como ela devia ter imaginado que ele faria. Passou o braço em torno de sua cintura, puxou-a para si e a beijou até que todos os seus pensamentos se perdessem no espaço, tal como fogos de artifício.




Papai por um Tempo - Capítulo 18








Demetria estava prestes a sair do trabalho, quando chegou uma entrega especial: uma pequena caixa embrulhada em papel gloss branco, com uma etiqueta onde se lia “Demetria Lovato. Cuidado. Frágil”. E o entregador dizia que fora instruído a aguardar por uma resposta.

Enquanto o homem lhe dava um pouco de privacidade e esperava do lado de fora da porta da recepção, Narelle Johns esticou o pescoço por trás do balcão, exibindo os impecáveis cabelos loiro-avermelhados.

— Se está de saída, posso guardar o pacote para você, Demi.

Demetria recebia presentes de muitas pessoas que entrevistava; mimos que iam desde produtos de beleza, passando por obras de arte pitorescas, até sabonetes perfumados. Mas, conforme pesou o pacote, ficou curiosa. Virou a caixa e leu a etiqueta do remetente.

— Senhor Implacável... — murmurou em voz alta, sentindo o estômago se apertar. Ao ver sua reação, Narelle empurrou para trás a cadeira com rodinhas e se pôs de pé.
— Você está bem? Quer um copo de água? Preciso chamar o segurança?
— Não, não... Não é nada de mais.

Mesmo com a recepcionista olhando, ela arrancou a fita vermelha e rasgou o iridescente papel branco. E sentiu os olhos se encherem de lágrimas ao tirar da caixa uma esfera de vidro sobre uma base dourada.

— Um globo de neve — murmurou, virando a esfera de cabeça para baixo, para depois endireitá-la.

Seu sorriso se alargou quando uma pequena nevasca aconteceu sobre a pequena cabana de madeira: não tão extravagante como a de Joseph, mas tão acolhedora quanto. Um cachorro, sobre as patas traseiras, parecia estar brincando na neve. Havia também um casal parado à porta, e a mulher trazia nos braços um bebê enrolado em uma manta.

Demetria fechou os olhos e engoliu o nó na garganta.

Olhar para aquele globo trazia à tona todo o misto de emoções que ela havia lutado por controlar nos últimos dias. Ela queria que aquelas lembranças permanecessem vivas em sua mente até o dia em que morresse.

— Ei, é melhor ler o bilhete que veio junto.

Demetria tomou o papel de carta dobrado das mãos da moça e leu as linhas. E cada palavra fez seu coração bater mais depressa.

— Você vai? — Narelle quis saber, ansiosa. — É uma festa de noivado black-tie, em um endereço particular de Oyster Bay Cove!

Ela lançou um olhar enviesado para a recepcionista, que lera a mensagem por trás dela.

— Eu só li algumas frases... — defendeu-se Narelle.
— Quando fiquei presa na nevasca que caiu no Colorado, acabei numa cabana parecida com esta — admitiu Demetria, com um suspiro.
— Numa cabana de madeira? Com um cachorro e tudo?

Ela assentiu.

Narelle chegou mais perto, estreitando os olhos para examinar a cena.

— Não é um bebê no colo da mulher?
— Sim
— Nossa... — A recepcionista tornou a se sentar em sua cadeira. — Por um instante, pensei que esse cara tivesse mandado fazer esse globo só para você!
— Pois mandou.
— Mas... e esse bebê?
— Acredite, é uma longa história.

Quando Joseph recebeu a resposta de Demetria, apanhou o celular a fim de telefonar para ela. Tinha o número do escritório da Story Magazine, mas, se ela já houvesse saído, poderia dar um jeito de encontrar seu número de casa.

Vinte e quatro horas depois, já na casa dos pais, ficou satisfeito por ter se controlado. Se ela preferia ir sozinha até ali, não via nenhum problema. Contanto que Demetria aceitasse que ele a levasse para casa... e não antes da manhã seguinte.

Ao sentir um tapinha no ombro do smoking, ele deu meia-volta. Sua mãe, vestida com um elegante terninho creme, tinha parado de entreter os convidados a fim de cuidar de seu filho do meio.

— Está de pé, olhando por esta janela, há mais de uma hora, filho. Tem certeza de que essa garota vai vir?
— Ela já deve estar chegando.
— Há muitas mulheres interessantes aqui, perguntando por você... Sua irmã tem amigas lindas!
— E, já que a festa é de Sienna e do noivo dela, nada mais natural do que eles mesmos entreterem suas convidadas. Certo?

Os olhos verdes de sua mãe brilhavam tanto como as esmeraldas que pendiam de suas orelhas.

— Nem está parecendo você mesmo, Joseph . Normalmente é tão sociável!

Joseph se inclinou e deu um beijo na face macia.

— Eu estou bem. Pode se divertir à vontade.

Com um misto de decepção e preocupação marcando seu belo rosto, a mãe dele se afastou. Através da porta da biblioteca, Joseph avistou o pai barrando-lhe a passagem e se oferecendo para encher sua taça de champanhe. Sem dúvida, ele queria falar com ela, ficar perto dela...

Mas Joseph pôde até adivinhar os pensamentos da mãe. Onde seu pai havia estado em todas as noites em que ela quisera conversar? Ela fora obrigada a criar os filhos sozinha enquanto o homem da casa se deleitava com a glória alcançada com os Hotéis Jonas. Eles se reuniam duas vezes por ano para tirar férias, e o pai dele passava todas as datas importantes com os filhos, mas, conforme Joseph amadurecera, tinha percebido o quanto a mãe se sentia sozinha enquanto o marido ficava até tarde no escritório, e também nos muitos fins de semana em que ele trabalhara fora da cidade.

Eles nunca discutiam diante dos filhos, porém ele chegara a escutar uma ou duas brigas no meio da madrugada.
Trocas de acusações com palavras pesadas, tais como “adultério” e “divórcio”. Ainda menino, cobrira a cabeça com a manta, rezando para que os pais permanecessem juntos.

Mas não acreditava que o pai tivesse enganado a mãe.

Conforme o casal caminhava pelo salão principal da mansão, onde um pequeno conjunto tocava, animando a festa, Joseph voltou a se concentrar na paisagem de uma das janelas em arco da biblioteca. Torcia para que os pais se acertassem, contudo conseguiria entender se isso não acontecesse. O pai já dera o melhor de si, e a mãe, também.

Os fachos de um farol em movimento incidiram sobre a calçada, e Joseph endireitou os ombros.
Ao constatar que o veículo era um táxi, bateu em retirada a fim de receber sua provável ocupante.

Um momento depois, próximo à porta da frente, limpou a garganta e disse a Keats, o porteiro que costumava atender aos eventos especiais da família, que ele mesmo iria receber aquela convidada.



16/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 17





Demetria não quis ficar para o café da manhã. Assim que eles haviam tomado banho e se vestido adequadamente, Joseph cedeu e chamou um táxi; porém, insistiu em acompanhá-la até o aeroporto. Quis esperar até que ela tivesse a reserva no voo confirmada, contudo Demetria insistiu para que ele prosseguisse com seu dia. Prosseguisse com sua vida.

Ele a beijou nos lábios do lado de fora do terminal, contudo a carícia foi muito diferente daquela da noite anterior, como o céu azul daquele dia em comparação ao outrora cinzento. Seus lábios não permaneceram unidos por muito tempo, o sorriso de Demetria não convenceu, e, quando ela se afastou, Joseph se esforçou para não arrastá-la de volta e exigir que ela ficasse até que eles encontrassem um modo de fazer as pazes; de superar aquilo tudo de alguma forma.

Em vez disso, ele a viu desaparecer no aeroporto lotado de gente que precisava compensar o tempo perdido devido aos atrasos que aquela nevasca incomum havia provocado.

Não saberia dizer por quanto tempo permaneceu parado ali, observando, pensando, antes que o taxista abrisse a janela a fim de apressá-lo:

— Para onde, agora, senhor?

Para onde?, Joseph refletiu, aturdido.

 Demetria chegou a Nova York mais tarde, naquele dia, sentindo-se esgotada, porém disposta a não adiar a decisão que tomara durante as horas de espera no aeroporto edurante o voo de volta para casa. Saiu do táxi e entrou no antigo prédio do Brooklyn. Havia trabalhado muito com o intuito de cursar uma faculdade e encontrar meios para se mudar de Ohio, onde passara a infância e a adolescência. Nunca mais se esqueceria da alegria que sentira ao ser contemplada com um cargo na Story. Seu apartamento era minúsculo, porém ela o enchera de coisas que a faziam feliz: pinturas de artistas novos e talentosos, seus livros favoritos...

O problema era que aquele apartamento não era dela. Não era exatamente um lar. Jamais diria a Joseph, mas aquela sua cabana no bosque fora o porto mais seguro que ela já conhecera na vida.

— Eu sei que prometi que faria Dirkins assinar o contrato — falou Joseph — e ainda não desisti disso.

Thomas continuou sentado do lado direito da gigantesca mesa de conferência, com os cotovelos sobre os braços da cadeira e os dedos das mãos unidos pelas pontas, enquanto observava o irmão mais velho andar de um lado para o outro do luxuoso escritório central dos Hotéis Jonas.

Joseph sabia que devia estar parecendo um leão enjaulado, porque era exatamente assim que se sentia. Desde que chegara do Colorado, havia dois dias, não fora capaz de se concentrar em coisa alguma, muito menos no fechamento do contrato de Denver. Pensara muito na sugestão de Demetria de fazer uma oferta a Dirkins de parceria e copropriedade, mas, embora parte dele quisesse ajudar o homem, não era assim que as coisas funcionavam nos negócios. Uma sociedade igualitária também exigia negociação.

— Talvez devêssemos deixar o negócio correr — opinou Thomas. — Desde que mamãe e papai se separaram, ele não tem se mostrado muito disposto a lidar com os negócios. Não que a ruptura deles seja permanente...
— Nossa família não é invencível, Thomas, embora a gente finja que seja.

O rapaz apoiou as mãos nos braços da cadeira.

— De onde tirou isso? Está um pé no saco desde que voltou do Colorado, sabia? Não fez nada a não ser cara feia e ficar resmungando. O que aconteceu, afinal?
— Nada importante.
— Toda vez que pergunto sobre aquelas duas com quem estava na cabana, você desconversa. Por que não fala de uma vez? Alguém está chantageando você?
— Não seja melodramático. — Joseph parou de frente para a parede envidraçada.

Thomas caminhou até parede de vidro e observou a vista panorâmica e inspiradora do centro de Nova York. A do Colorado podia ser relaxante, mas era ali que ele prosperava. Era ali onde brotavam as verdadeiras oportunidades. Ele pôs a mão no ombro de Joseph.

— Ei, somos mais do que irmãos. Somos amigos. Por que não se abre comigo? Deixe-me ajudá-lo.
Joseph tentou ignorar a sensação de vazio que o invadiu.

— Não vai acreditar.
— Tente.

Após um momento de indecisão, ele se acomodou em uma das cadeiras e passou os 15 minutos seguintes relatando os principais momentos de sua mais recente estadia no Colorado. Thomas pareceu surpreso ao ouvir como ele havia encontrado o bebê. E chocado quando soube que ele se oferecera para levá-la para casa até que as autoridades pudessem assumi-la.
Joseph também contou sobre Cruiser e como o cachorro era responsável, inteligente e enorme. Mas, principalmente, falou sobre Demetria e admitiu o quanto eles tinham ficado próximos. Lembrou-se de como ela descrevera a sensação de ter perdido Bonnie-Bel após ter cuidado dela. Agora era como se uma parte dele estivesse faltando também.

— Nunca fiquei tão desnorteado na vida — admitiu, pondo-se de pé. — Devo estar doente.
— Joseph, meu irmão, está apaixonado, isso sim.

Ele voltou os olhos para o rapaz mais moço, então deixou escapar uma risada estridente. Seus irmãos nunca desistiam de tentar lhe arrumar a mulher perfeita!

— Demi e eu ficamos juntos por dois dias!
— Às vezes, isso é mais do que suficiente. Eu soube que queria me casar com Willa em nosso primeiro encontro, e Dylan teve a mesma sensação com Rhian depois de uma semana.
— Eu sou diferente. Sempre fui diferente.
— Do que tem tanto medo, afinal?

Joseph apoiou as mãos nos quadris.

— Em primeiro lugar, ficar apaixonado não está nos meus planos.
— E quais seriam seus planos?
— Assumir de uma vez a presidência dos Hotéis Jonas. Papai está praticamente aposentado.
— E o restante de nós perdeu a cabeça no momento em que disse “sim” e teve filhos?
— Vamos ser honestos. Todos vocês têm outras prioridades.
— Nossas famílias, claro. Mas isso não significa que não possamos gerir um negócio.
— Se o papai tivesse ficado mais tempo com a mamãe, eles não estariam passando por essa separação agora. Ele devia ter diminuído o ritmo cinco, dez anos atrás, quando as rachaduras começaram a aparecer.
— Joseph, não é bem essa a questão...

O comentário o exasperou, pois o fez se lembrar de que havia dito as mesmas palavras a Demetria quando ela quisera se envolver mais com o bebê, mesmo após ele ter ido embora. Ele tentara chamá-la à razão, mas a verdade era que Demetria conhecia bem melhor aquele tipo de situação do que ele; assim como ele se sentia mais a par dos problemas dos pais do que seus irmãos.

Thomas continuava falando:

— E eu insisto: um homem pode ter uma família e ainda se dar muito bem na vidaprofissional.
— Não sem sacrifícios.
— A vida é toda feita de sacrifícios, Joseph. Ou deveria ser. Acredite em mim, irmão: apenas quando temos uma família é que realmente começamos a viver.
— Mesmo tendo de lidar com mamadas às três da matina?
— Pelo visto, pôde lidar com elas muito bem.
— E quanto a ser obrigado a passar o tempo todo se desculpando por chegar em casa tarde das reuniões?
— Se for inteligente e dedicado, poderá organizar seu tempo. O que está tentando provar? Não precisa vender a alma e juntar um bilhão, nem três, para ser feliz.
— Pode ser, mas é como eu me vejo no futuro. Calmo, focado.
— Pode-se conjecturar que essas também sejam excelentes qualidades para um pai e marido.

Joseph não sabia. Mas, depois daquela conversa, uma coisa havia ficado bem clara: ele não conseguiria descansar nem pensar com clareza enquanto não visse Demetria outra vez.


15/12/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 16






— Para onde vai agora?
— A sra. Cassidy nos arrumou um lugar em um abrigo em que há muito suporte.
— Se precisar de alguma coisa... — Joseph deu-lhe seu nome completo e também como e onde ela poderia encontrá-lo. — Não se esqueça, está bem?

Os olhos da moça tornaram a se encher de lágrimas enquanto ela os fitava quase interrogativamente.

— Fico feliz por terem encontrado Bel. Parecem um casal muito bom.

Demetria continuou de pé, aturdida, enquanto a mãe de Bonnie se afastava. Pouco depois, o carro da polícia, com a pequena Bonnie-Bel, se foi. Ela não tirou os olhos do veículo até que ele se transformou em um pequeno ponto em meio à floresta.

Joseph também não se moveu.
Era como se toda a energia que os movia tivesse sido sugada de repente. Demetria engoliu em seco. Nunca tinha parado para pensar na crueldade dos próprios avós — sua própria carne e sangue. Não concebia a ideia de que um instinto básico não conseguisse sobrepujar sentimentos como vergonha ou decepção.
Seria possível que aquela gente não soubesse o que era compaixão e amor? Mas, quando bebê, ela não obtivera nada da avó materna; assim como Bonnie.

A dor que apertou e rasgou seu coração foi tanta que Demetria sentiu-se como se fosse ela no banco de trás do carro da polícia, partindo, mais uma vez, para um futuro incerto. E se alguma coisa acontecesse com a mãe de Bel? Aquela criança não teria mais ninguém, e ela, Demetria, jamais ficaria sabendo. Quando outro carro surgiu ao longe, cruzando a solidão da estrada, ela não prestou muita atenção.

O SUV virou na trilha que levava à cabana de Joseph, então, e uma senhora com cabelo loiro-platinado, num terninho de lã elegante, desceu do lado do motorista, afobada. O braço de Joseph deixou sua cintura, e o frio da manhã penetrou seus ossos, fazendo-a se arrepiar.

 À medida que a visitante se aproximava, bateu com as mãos nas coxas, rindo, e Cruiser trotou até ela, abanando a cauda.

— Então era aqui que você estava, seu fujão! — A mulher acariciou a cabeça do cachorro, comovida, em seguida dirigiu-se a Joseph. — Ele deu muito trabalho?

Embora ainda abalado por ver o carro da polícia se afastar com Bonnie, Joseph se esforçou para receber bem a vizinha. Na noite anterior, antes do jantar, ele havia pensado em deixar uma mensagem no telefone dos Dale, informando onde eles poderiam encontrar seu cachorro quando retornassem, mas a sra. Dale já estava ali e levaria Cruiser para casa.
Agora seriam apenas ele e Demetria.
Joseph respirou fundo.

Imaginara que fosse ficar aliviado quando a situação da criança perdida estivesse resolvida e quando aquele cão tamanho família fosse embora de sua casa. Mas não se sentia aliviado. Na verdade, nunca sentira um vazio tão grande na vida.

— Sra. Dale... — saudou, educado. — Esta é Demetria Lovato.

O sorriso da mulher se ampliou.

— Muito prazer em conhecê-la.
— Cruiser veio nos visitar ontem, pela manhã... — ele explicou.
— Quando Jim e eu saímos naquele dia, à tarde, nós o deixamos preso a uma guia comprida, do lado de fora, pois esperávamos voltar no início da noite. Mas então a tempestade nos deixou presos. Quando voltamos, encontramos a guia mastigada e Cruiser havia sumido! Estávamos procurando por ele desde que o clima amainou. Fomos a todas as casas da vizinhança que tinham crianças. Acho que já lhe contei o quanto Cruiser gosta de crianças... Por isso mesmo nem pensei em procurá-lo aqui!

Denetria olhou para Joseph, porém ele não se preocupou em explicar à sra. Dale sobre o bebê. Apenas se agachou e, quando Cruiser se aproximou, gingando, segurou o rosto enorme e peludo, e sorriu.

— Parece que sua carona chegou, meu chapa.

Cruiser lamentou com um rosnado, a parte traseira balançando com força com a cauda. A sra. Dale cruzou os braços e reposicionou uma perna.

— Joseph, querido, pelo visto ganhou um amigo!
— Cruiser também. Pode apostar. — Ele se pôs de pé.

A mulher se voltou para Demetria, curiosa.

— Vai ficar por mais alguns dias? Parece que o clima firmou.
— Na verdade, estou a caminho de Nova York.
— Não me diga! Aquela cidade é agitada demais para o meu gosto, mas lar é lar!

A sra. Dale tornou a agradecer Joseph e, após Demetria abraçar Cruise com força pelo pescoço, ele seguiu sua dona até o carro, obediente. A mulher abriu a porta traseira e, um instante depois, outro membro do quarteto era levado embora. Demetria começou a tremer de novo e, dessa vez, não conseguiu mais parar. Joseph passou o braço em torno de seus ombros.

— Venha. Vamos sair deste frio.
— Não estou com frio.
— Então vamos tomar um café. Também estou precisando de um.

Lá dentro, Joseph colocou água para ferver numa panela enquanto, entorpecida, ela se acomodava em um dos banquinhos do balcão.

— A mãe me pareceu uma boa menina — comentou ele enquanto apanhava o leite na geladeira.
— “Menina” é mesmo a palavra. — Uma onda de preocupação a atravessou feito uma adaga, e Demetria teve que fechar os olhos pa ra, de alguma forma, tentar dominá-la. — Com uma mãe tão criança, como será o futuro de Bonnie?
— Tenho certeza de que ela vai sobreviver à situação.

Demetria suspirou.

Ela própria tinha sobrevivido. Por outro lado, só ela sabia o quanto aquela estrada fora longa e acidentada. Uma pessoa como Joseph não fazia ideia do que era tentar sobreviver sozinha.

— E se ela não conseguir?

Ele pousou a caixa de leite e lançou- lhe um olhar reconfortante.

— Eu dei à mãe meus telefones de contato. Não podia fazer mais nada, além disso.
— Será que não? — Com certeza eles poderiam fazer mais alguma coisa, ela refletiu, aflita.

Joseph cruzou a cozinha de testa franzida.

— O que está sugerindo?
— Não deve ser muito difícil descobrir seu nome e endereço.
— Não devia estar tão preocupada. Mãe e filha se reencontraram. Sei que não parece a situação ideal, mas imaginei que fosse ficar satisfeita.
— E estou. — Demetria sentiu o coração ainda mais apertado, e deixou cair os ombros. — Eu só queria ficar de olho nelas.

Bancar a babá eventualmente, talvez.

— Morando em Nova York?

Ela estalou a língua e se afastou. Não queria ouvir argumentos racionais. Queria estar ao lado de Bonnie.

Joseph voltou a fazer o café, e Demetria caminhou até as janelas. O cenário que antes lhe parecera tão aconchegante agora parecia apenas... solitário.
Abraçou a si mesma, entretanto seu corpo parecia ter perdido todo o calor. Era como se nunca mais fosse se sentir aquecida outra vez.

— Acho que nunca vai conseguir entender — murmurou, mais para si mesma do que para Joseph.

Ouviu uma xícara bater no balcão e passos se aproximando.
No momento seguinte, ele se pôs atrás dela e, com as mãos em seus ombros, fez com que se voltasse para ele. Tinha os lábios apertados, como se aquilo pudesse ajudá-lo a reduzir a emoção que ela via faiscar em seus olhos.

— Está aborrecida, Demi. Precisamos nos sentar e esperar essa poeira baixar. Afinal, tudo terminou do modo como devia: a criança e a mãe estão juntas.

Ela sentiu uma onda de emoção comprimir a garganta.

— Não consigo evitar pensar que deveríamos fazer mais.
— Demetria , isso não é atribuição nossa.

Ela recuou, e Joseph passou a mão pelo rosto com um suspiro.

— Em alguns dias, vai começar a compreender. Precisa deixá-las ir.

Demetria engoliu em seco.

Uma parte dela sabia que ele estava com a razão. Eles haviam cumprido com a missão que o destino colocara em seu caminho, e agora precisavam seguir adiante. Mas como uma pessoa podia seguir em frente quando se sentia presa?

Tudo o que ela conseguia enxergar era o rostinho sorridente de Bonnie. Tudo o que podia ouvir eram suas risadinhas. Pensou na montanha de problemas que aquela menina teria pela frente para criá-la e sentiu enjoo.

Quando Joseph a puxou para si, esfregou suas costas e apoiou o rosto em sua cabeça, ela fechou os olhos e disse para si mesma: ele está certo.

Claro que sim.

Aquele bebê, o bebê deles, sempre pertencera a outra pessoa.