10/11/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 9






Joseph Jonas era conhecido por suas negociatas implacáveis. O fato de ter demonstrado alguma compaixão e ter trazido aquela criança para casa não mudava sua história.

Kate disse que precisava desligar para cuidar da entrevista agendada para aquele dia e que sua outra linha estava tocando. Após prometer telefonar de novo, Demetria encerrou a chamada, mas não retornou à sala de imediato.

Precisava de tempo para reorganizar os pensamentos. Tanta coisa acontecera desde a tarde anterior, quando entrara naquele táxi... !

Um demônio disfarçado...

No mesmo momento em que colocara os olhos em Joseph, havia compreendido por que as mulheres caíam aos seus pés. Ele exalava sex appeal, aquela autoconfiança pela qual todas elas se derretiam e que os outros homens tanto admiravam. O mais provável era que tivesse perdido a conta de por quantas camas de seus hotéis ele passara, espalhadas por todo o país. Nos Estados Unidos, nas Bahamas... quiçá pelo mundo.

Com os olhos faiscando, ela arremessou o celular sobre o colchão. Devia estar sonhando ao se sentir tão segura nos braços de Joseph Jonas, na noite anterior.

Enquanto Demetria dava o telefonema, e o bebê relaxava em sua cadeirinha, Joseph se cansou, largou o orçamento para a redecoração do restaurante de um dos Hotéis Jonas sobre a mesa e perscrutou a sala com o olhar. Só então se deu conta de um ruído que parecia mais alto a cada instante.

Pôs-se de pé. De onde, diabos, aquilo estava vindo?

Conforme concentrou todos os sentidos no barulho, uma sensação inquietante o invadiu e, mais do que nunca, ele se perguntou sobre o passado daquela criança. Ela era bem cuidada, fora deixada com todos os acessórios... Bonnie tinha sido abandonada ou fora sequestrada da família?

Flexionando os dedos ao lado do corpo, caminhou até as janelas amplas e, com todos os sentidos em alerta, inclinou-se para examinar a aparente calmaria lá fora. Flocos de neve ainda caíam do céu cinzento. O mundo parecia coberto por um manto branco, e não havia sinal de vida em lugar nenhum.
Entretanto, aquele arranhar infernal não parava!

Estava prestes a pegar um casaco, e seu fiel bastão de beisebol, quando algo surgiu do meio da cortina de neve e pulou na janela, em sua direção. Ele sentiu o coração pular na garganta ao mesmo tempo em que seu cérebro registrava uma fileira de dentes, olhos amarelados e um focinho comprido e peludo.

Seria um lobo?!

Um instante depois, reaparecendo em meio a um monte branco, a criatura pulou novamente, e ele pôde ter dela uma melhor visão. Não era um lobo, e sim um cachorro enorme. Um misto de todos os caninos gigantescos que deviam existir na Terra.

Por trás da silhueta peluda, um rabo abanava com força, cortando a neve.

Era o cachorro que os Dale tinham herdado de um parente idoso! Com seus donos longe dali, ele devia ter deixado sua gigantesca casinha e se perdido no meio da tempestade, na noite anterior.
E era evidente que estava querendo companhia para brincar.

Diabos, nenhuma criatura poderia sobreviver àquele tempo... mas aquele corpanzil e aquela cauda fariam um verdadeiro estrago ali dentro. O peso daquele cachorro poderia derrubar Demetria, com a criança e tudo!

Talvez ele pudesse prendê-lo na garagem e...

— Que cachorro é esse?!

Joseph olhou por cima do ombro. Ainda vestida com o sexy e folgado pijama vermelho, Demetria estava de volta. Ele levou um momento para se reacostumar com os olhos brilhantes, os lábios tentadores, o ligeiro franzir de testa, antes de se concentrar outra vez no animal.

— É o cachorro dos Dale.
— Ele parece amigável.
— E grande.
— Deve estar com frio, pobrezinho!

Joseph observou o casaco de pele natural do bicho.

— Ele está bem protegido.
— Mas não podemos deixá-lo lá fora! Aposto que está com fome.

O cão continuava pulando, formando uma crescente cratera na neve, enquanto Joseph considerava seus suprimentos cada vez mais escassos.

— Não tenho certeza se temos alimentos suficientes para deixá-lo ficar aqui.
— Não vai abandoná-lo lá fora, vai?...
— Eu não queria fazer isso, mas, caramba, ele é gigante!
— Um gigante gelado!

O cão lambeu a janela, deixando uma marca considerável, e abanou ainda mais o rabo.
Demetria apanhou o bebê na cadeirinha e deixou escapar um suspiro.

— Vai deixá-lo entrar ou vou ter que fazer isso eu mesma?

Joseph olhou para Demetria e a menina, e esfregou a parte de trás do pescoço. Aquele lugar estava ficando lotado.

— Talvez devêssemos perguntar aos pombos se eles não querem entrar para tomar chá com biscoitos.

Ela revirou os olhos.

— Estou dizendo... — Ele ainda insistiu. — Esse cachorro é gigante!
— Assim como esta casa. Mas, se consegue deixá-lo lá fora, tremendo e com neve até os joelhos enquanto ficamos sentados diante desse fogo delicioso...

Joseph cruzou os braços e balançou a cabeça. Aquela não era uma boa ideia, mesmo que Bonnie estivesse vidrada na janela, murmurando coisas ininteligíveis com o punho preso na boca, como se louca para dar as boas-vindas àquele impetuoso visitante; como se não quisesse outra coisa no mundo além da companhia de um cachorro.

Aquele cachorro.

Joseph abriu os braços e se afastou, resmungando:

— Vou deixá-lo na lavanderia.

Um momento depois, abriu a porta. O cão permaneceu onde estava, o rabo parado, uma pata levantada, como se querendo trocar um cumprimento.

Joseph sorriu.

Quando era mais moço, sua família também tinha um cão: um Labrador que lembrava um pouco o cachorro dos Dale.

— Ei, estamos deixando o frio entrar...

O cachorro pareceu abrir um sorriso antes de sacudir a pelagem, obrigando-o a se proteger enquanto flocos de neve voavam para todos os lados. Tal qual um esfregão tamanho família, o convidado trotou pesadamente, passando por seu relutante anfitrião.

Joseph gemeu ao observar a capa peluda e a cauda desgrenhada desaparecer sala adentro. Tinham mais uma boca para o almoço agora.

Deu outra olhadela do lado de fora, caso alguém mais estivesse à espreita, depois fechou a porta e seguiu as pegadas molhadas de volta para a sala de estar.

O cachorro estava sentado, muito quieto e ereto, aos pés de Demetria, com as orelhas para trás na cabeça dourada. Ficou tão imóvel que parecia uma estátua.

Demetria, ao contrário, estava toda derretida. Ainda segurando a menina, tinha um sorriso extasiado nos lábios e parecia uma garotinha de 6 anos que acabara de conhecer o Papai Noel.

Conforme Joseph se aproximou, viu que os olhos do cão eram de um lindo tom de marrom, e também que ele exalava afabilidade. Lembrou-se da Sra. Dale contando que o bicho era protetor e leal, e que ela sempre confiara no cachorro em relação aos netos ou a qualquer outra criança.
Ótimo. Tomara ele também mantivesse aquele rabo pontudo sob controle.
Demetria estendeu a mão para acariciar a cabeça úmida do cão, e a cauda comprida açoitou o chão de madeira, fazendo o barulho ecoar até as vigas.

— Ele é lindo!
— E está todo molhado.
— Vamos acomodá-lo perto do fogo. Se ficar com Bonnie, poderei secá-lo com uma toalha.
— Pode deixar. — Joseph marchou para a lavanderia. Preferia fazer aquele serviço.
— É bom ajudar quando alguém precisa... — Demetria provocou atrás dele.

Joseph parou na porta, tentando digerir seu tom.

— Ele é um cão — protestou, inclinando-se para pegar toalhas em um armário.
— Que seja. Cães, pessoas, parceiros de negócios...

Ele parou após escolher duas toalhas.
De que diabo ela estava falando?

Com o cão seguindo-o de perto, Joseph retornou para a sala de estar, estendeu uma toalha de banho diante do fogo e abriu a outra, pronto a secar a volumosa pelagem de seu visitante. Olhou para Demetria, que balançava para a frente e para trás com Bonnie nos braços, como se nada fora do comum estivesse acontecendo.

À primeira vista, ela parecia feliz, porém tinha o maxilar tenso, os lábios meio apertados, e ele teve a nítida impressão de que ela evitava fitá-lo nos olhos. Pelo visto, o telefonema que dera à chefe não fora muito bem recebido.
Ele deixou cair a toalha sobre a cabeça do cachorro e esfregou.

— Conseguiu falar com Nova York? — perguntou, com casualidade.
— Aham.
— Sua chefe ficou muito zangada?
— Na verdade, ela foi extremamente compreensiva.
— Então qual é o problema?
— Nenhum.

Joseph observou sua expressão fria por um momento. Sabia que as mulheres gostavam de falar, o que não significava que elas costumavam dizer o que estavam pensando.
Pois ele tinha a nítida impressão de que Demetria queria lhe dizer alguma coisa que, talvez, ele não quisesse ouvir.

Sem pedir licença, o cachorro deitou-se de costas, com as pernas para o ar, e Joseph disfarçou um sorriso.

— Não sei se deveria ficar tão à vontade por aqui.

Afinal, aquilo era apenas temporário. Tudo aquilo era apenas temporário.
Demetria sentou-se no braço da poltrona mais próxima.

— Ele parece, mesmo, um desses cachorros de família.
— Nunca teve um cachorro?
— Não. Mas sempre quis ter um.
— Nós tivemos um — Joseph esfregou a barriga do cão, e ele começou a mexer uma perna.
— E costumava treiná-lo ou levá-lo para passear?
— Não. Vivia muito ocupado, arremessando bolas na cesta de basquete, jogando futebol ou estudando.
— Então sempre foi competitivo.
— Sempre fui determinado.
— Nunca pensou em se acomodar um pouco, em vez de viver sob pressão o tempo todo?

Joseph ergueu a cabeça. Lá estava aquele tom novamente, e aqueles lindos olhos faiscando, como se ela estivesse com raiva.

— Está sugerindo que eu assuma um cargo de menor responsabilidade nos negócios do meu pai, é isso? Ainda tenho muito que aprender... Em determinadas situações, alguém tem que assumir as rédeas.
— E esse alguém é você. O “Senhor Implacável”.

Joseph apertou o maxilar, aborrecido.

— Não dou a mínima para rótulos.
— Imagino. E o que seus irmãos e irmãs acham de ter tomado posse da coroa dos Hotéis Jonas?
— Sienna tem sua própria vida. Vive mochilando pela Europa.
— Mochilando? Com todo esse dinheiro e estrutura cinco estrelas à disposição?
— Ela sempre foi rebelde. Gosta de fazer as coisas a sua maneira.

Demetria inclinou a cabeça e sorriu.

— Acho que eu iria gostar dela.
— Todo mundo gosta. E os rapazes... esses têm suas famílias.
— E seus cachorros, aposto — completou ela, com cinismo.

Joseph sentiu os músculos do estômago se apertarem. Já bastava daquilo.
Segurou a toalha e se pôs em pé.

— Aconteceu alguma coisa? Está irritada, e não porque eu pensei duas vezes antes de deixar este King Kong entrar aqui em casa.
— Ele não tem culpa de nada.
— Não fuja da pergunta.
— Não há nada de errado.

A expressão exasperada de Demetria não o impressionou.
Joseph jogou de lado a toalha e se aproximou.

— O que aconteceu nesse telefonema para Nova York, afinal?
— Eu já disse.
— Não disse tudo.
— Contei o que aconteceu a Kate. Ela ficou surpresa, mas foi muito compreensiva. Conversamos sobre esse tempo, sobre você...
— Sobre mim...?
— Sim. Sobre sua reputação, melhor dizendo.
— Isso não é nenhuma novidade. O que mais?

Demetria respirou fundo.

— Kate quer notícias ao final do dia.
— Ou seu emprego vai dançar. É isso?
— Mais ou menos.

Joseph estudou os olhos enormes e brilhantes e avançou mais um passo. Um instante depois, o cachorro deu um empurrão na parte de trás de sua perna, na tentativa de se colocar entre eles.
Quando o bicho ergueu a cabeça, ele arqueou uma sobrancelha e endireitou os ombros. Os enormes olhos castanhos do cachorro já não pareciam tão amigáveis. Na verdade, pareciam ordenar que ele agisse com inteligência e calasse a boca.

Bem que a Sra. Dale havia dito que o cachorro era muito protetor!

Conforme Joseph levou o cão de volta para perto do fogo, a fim de terminar de lhe secar os pelos, lembrou-se de que, normalmente, quando uma representante do sexo oposto começava a lhe dar nos nervos, ele costumava dizer “adeus”.

Simples assim.

Mas não seria assim daquela vez. Mesmo que eles não estivessem sitiados, ele não dispensaria Demetria porque, quisesse ou não, ela parecia impregnada em sua pele de uma forma que ninguém jamais conseguira ficar.


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Hey ... sem desculpa pelo tempo que sumi, a unica coisa que eu digo é que minha vida está uma bagunça ... e teve o Enem e eu tava uma pilha.! 

Espero que gostem e me perdoem por sumir >.<

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Um comentário:

Sem comentários ........... sem capítulos!