10/11/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 8






Uma hora mais tarde, enquanto voltava para a sala de estar, após trocar a fralda de Bonnie, Demetria estacou. Pelo visto, Joseph tinha se cansado de ficar sozinho e saíra do escritório, onde ficara escondido desde sua conversa sobre James Dirkins.

Quando ela ficou onde estava, tentando imaginar por que ele desaparecera daquela maneira e por que parecia tão frio com ela agora, ele encontrou seu olhar. Seus olhos pareceram ainda mais escuros, e uma mecha de cabelo negro lhe caiu sobre a testa. Ela nunca o achara mais sexy do que naquele momento, encostado indolentemente na cadeira de espaldar alto, o queixo ainda sombreado pela barba da manhã. Sua aparência era tão sensual e indolente que, num piscar de olhos, ela reviveu o calor escaldante do desejo que ele lhe despertara na noite anterior.

Ela havia ansiado por fazer aquele abraço evoluir para o nível seguinte. Mas adormecer sobre o peito largo já fora compensação suficiente. Sentira-se vulnerável e ao mesmo tempo segura, o que já era um feito. Confiança nunca fora seu forte. E pensar que ela a sentira justamente na companhia de um conquistador nato...!

— Precisa de alguma coisa? — perguntou Joseph.
— Acho melhor eu ligar para o escritório e avisar para minha chefe que não voltarei tão cedo.

Kate Ellis era uma chefe justa, porém exigente. Nem era preciso dizer que não ficaria nada satisfeita com aquela reviravolta no cronograma.

Mas, mesmo naquele momento, olhando para Bonnie, Demetria não pôde lamentar sua decisão de ficar. A vida era cheia de escolhas. Às vezes, as pessoas se viam em situações que fugiam ao seu controle. Bonnie precisava de alguém. E, se seus pais estivessem fora do jogo, por qualquer motivo, ela precisaria ainda mais.

— É melhor avisá-la que, decerto, não vai estar lá amanhã, também — completou Joseph.
Demetria franziu a testa.
— Acha mesmo que ninguém vai conseguir chegar aqui?
— Nem sair.

Girando na cadeira, ele examinou a paisagem através da janela. A neve continuava a cair e parecia mais espessa a cada instante.

Ela suspirou.

Nem por um momento havia imaginado que ficaria na companhia de Joseph por mais de duas horas; e, provavelmente, eles teriam que tolerar um ao outro por pelo menos mais um dia! Joseph insistira para que eles permanecessem ali e, apesar do que ela pensava dele, do que tinha lido, precisava admitir: ele vinha sendo muito paciente e, a sua maneira, bastante útil.
No entanto, dado seu comportamento nas últimas horas, sua paciência parecia estar se esgotando. A situação devia estar perdendo a graça. Sem dúvida, Joseph queria seu próprio espaço de volta, o que, de certa forma, ela conseguia compreender.
Com o bebê balbuciando nos braços, ela cruzou a sala e se aproximou.

— Sinto muito que esteja sendo obrigado a me aturar por tanto tempo.

Ele franziu as sobrancelhas, depois deixou escapar uma exclamação seca, quase sorrindo.

— Demetria, estou dando graças a Deus por estar aqui.

O rosto delicado se iluminou.

— Está falando a sério?
— Eu jamais conseguiria dar conta dessas trocas de fralda, de ficar fazendo o bebê dormir, arrotar...

Ela deixou cair os ombros. Joseph podia ter se insinuado para ela na noite anterior, por conta de seus velhos hábitos de Don Juan. Mas seu verdadeiro interesse ficara muito claro agora.

— Se é assim, acho que está me devendo.

Os olhos escuros brilharam, e um esboço de seu familiar sorriso travesso tocou os lábios bem-feitos.

— Como sugere que eu pague?

Ela deixou a imaginação voar.

— Que tal umas férias longas e decadentes em algum lugar arenoso, quente, sem um pingo de neve?
— Com coquetéis coloridos 24 horas, sete dias por semana? — Ele se pôs em pé e a circundou devagar. — Uma massagem de vez em quando... ?
— Adoro massagens — ela confessou, sentindo mais o peso da criança.
— Com roupa ou sem? — As palavras roucas roçaram sua orelha.

Demetria sentiu uma onda de calor inundar o baixo-ventre e precisou se concentrar nas pernas, de modo a impedir que os joelhos cedessem O que a estava deixando naquele estado? O tom de voz sensual, o teor provocante da pergunta, ou a imagem daquelas mãos grandes deslizando por seu corpo?

— Temos um resort nas Bahamas. — A respiração quente de Joseph lhe acariciava o topo da cabeça agora. — Que tal um longo fim de semana por lá?

Ela tentou rir.

— Eu não estava falando sério.

O queixo áspero roçou sua têmpora.

— Avise quando estiver falando sério, então.

Demetria sentiu as pernas virarem água. Seus olhos se fecharam, e ela cambaleou. Pelo visto, o humor de Joseph estava melhorando.
E ela precisou de muito esforço para não dar meia-volta, envolvê-lo pelo pescoço e colar a boca faminta na dele.

Obviamente, havia a criança a considerar.

Mas e quanto àquela noite? Quando tudo estivesse tranquilo, e Bonnie já houvesse sido colocada na cama, Joseph tentaria beijá-la outra vez. E se a carícia fosse um terço do que eles já tinham compartilhado...

De súbito, a realidade se impôs mais uma vez. Joseph estava entediado, irritado. Queria apenas preencher o tempo, do mesmo modo como faria com qualquer mulher que considerasse atraente. Não importava o que ele pudesse dizer, fazer ou oferecer; ela precisava se lembrar de que se encontrava ali por pura conveniência.

— Acho melhor eu dar aquele telefonema — falou, já recomposta.

E sentiu o momento em que ele parou, pensativo, um instante antes de o calor de seu corpo evaporar às suas costas. Em seu andar fluido, Joseph contornou a mesa e, com os ombros largos muito eretos, acomodou-se na mesma cadeira em que estivera sentado antes.

— Se seu celular estiver sem sinal, fique à vontade para tentar usar o meu.

Ela agradeceu a oferta, depois rumou para a sala a fim de acomodar Bonnie no bebê-conforto. Com os olhinhos brilhantes e uma expressão satisfeita, a menina não deu um só pio.
Demetria acariciou-lhe a cabeça por um momento.

— Importa-se em cuidar dela um pouquinho? Só vou demorar um minuto.

Joseph desviou o olhar do papel, alarmado.

— E se ela chorar?
— Isso tudo é pânico?

Enquanto o rosto moreno perdia um pouco da cor, Demetria rumou para o quarto onde tinha guardado seus pertences, sorrindo. Não estava preocupada que a criança fosse chorar. Se isso acontecesse, apesar de suas reclamações, Joseph saberia lidar com ela. E, se não lidasse, ora, a ajuda estaria a dois segundos de distância. Ela precisava dar aquele telefonema, e precisava de total concentração enquanto estivesse conversando com Kate.
Na privacidade do quarto, ligou o celular, observando as barras de sinal. Respirou fundo, então discou.
Sempre eficiente, Kate atendeu no segundo toque.

— Algum problema, Demi?
— Mais ou menos. Não vou conseguir ir para aí hoje e, talvez, nem amanhã.
— Está doente?
— Não. Estou presa no Colorado.
— Ah, a neve... Vi alguma coisa sobre o clima maluco por aí. Seu voo foi cancelado?

Demetria sentiu o estômago se apertar. Não podia mentir. A honestidade andava de mãos dadas com o respeito, e Kate merecia a verdade.

— Perdi meu voo, mas por uma boa razão. — Após um suspiro, ela contou sobre a espera por um táxi, depois a surpresa de encontrar o criança, a necessidade de permanecer até que ela se encontrasse em boas mãos. — O problema é que a neve continua caindo, estamos sem eletricidade, e acho que as autoridades não vão conseguir vir buscar Bonnie antes de amanhã.
— Alto, lá. Quem é Bonnie?
— A criança.
— Eu não sabia que você a conhecia.
— Não conheço. É que ela tem olhos azuis incríveis, e nós concordamos em batizá-la com um nome que combinasse com ela.

— “Concordamos”? Quer dizer, alguém do hotel? Estou confusa.
— Na verdade, estou hospedada em uma cabana particular, um pouco distante da cidade.
— Mas não conhece ninguém no Colorado.
— Joseph também estava no táxi quando encontramos o bebê.
— Vai ficar no meio do mato com um homem que não conhecia até ontem? Espero que ele seja uma pessoa decente!

Demetria mordeu o lábio.

— A maior parte do tempo.
— Agora estou mais preocupada.
— Não se preocupe. Estou aqui por livre e espontânea vontade.
— Sei. O sujeito é bonito, pelo menos?
— Isso não tem nada a ver com..
— Ele é sexy ou não?

Demetria suspirou.

— É.
— Quem é esse cara, afinal?

Aquilo ela poderia responder muito bem.

— Joseph Jonas, dos Hotéis Jonas. Fez-se um silêncio, seguido por um longo assobio.
— O solteirão mais cobiçado de New York? Aquele homem lindo, rico, carismático e...
— ...que tem fama de mulherengo, amoral e que venderia até a avó para fechar um negócio. Esse mesmo.
— Enfim, o verdadeiro demônio disfarçado! Aquele por cujo tridente as mulheres fazem fila para ser cutucadas... Não que fosse ser tão estúpida a esse ponto.

Demetria sentiu o peito se apertar. Kate não precisava saber a respeito de seus deslizes. Aquele beijo... Aqueles impulsos terríveis.

— A reputação dele não tem nada a ver com o que está acontecendo aqui.
— Meu Deus, claro que não! Deve sei difícil ficar no mesmo ambiente que um homem cuja única preocupação é o próprio umbigo. Quando me lembro de que ele fechou aquele centro comunitário a fim de construir no terreno outro de seus arranha-céus de luxo! Ele não mencionou nada sobre o negócio do Colorado?

Ela estaria falando sobre o hotel que Joseph pretendia comprar? O do proprietário cujo único filho havia falecido?

Demetria abraçou a si mesma, trêmula.
Sabia onde a chefe estava querendo chegar.

— Kate, eu não poderia colocar na imprensa algo que ouvi em off aqui.
— Sabe que admiro sua ética, Demi, mas adoraria saber como uma pessoa pode passar pela vida sem ter um pingo de consciência. Bater o martelo para fechar um negócio é uma coisa... Culpar um pobre homem publicamente pela morte do próprio filho, a fim de enfraquecê-lo até que ele baixe seu preço, é uma vergonha!

Demetria deixou cair o queixo.

Não tinha ouvido falar naquela história até o momento e achou difícil acreditar nela, mesmo sendo a respeito de Joseph.

Mas será que não estava sendo ingênua?


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Tem mais 1 capítulo !!!

bjss


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