10/11/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 10






Uma mensagem de texto no celular de Joseph piscou cinco minutos após a energia voltar, próximo do meio-dia. Enquanto ele a lia, Demetria observou sua expressão pensativa, ao mesmo tempo em que balançava a cadeirinha do bebê, pois Bonnie estava prestes a tirar uma soneca pós-almoço.

— Cressida Cassidy, da Assistência Social — anunciou ele. — As estradas ainda estão bloqueadas.
Eles só poderão vir amanhã. Também não têm pistas sobre a situação do bebê... E a mídia ainda não soube da história.

Demetria deu um beijo suave na testa da menina.
De onde vinha aquele anjinho?

Era como se Bonnie nem existisse antes de ela e Joseph terem cruzado seu caminho. Era difícil de acreditar que ninguém estivesse à procura do bebê; que ela não estivesse perdida. Ela, Demetria, sempre encontrara algum conforto em pensar nisso, pois, até onde sabia, sua própria mãe havia tentado encontrá-la.

Mas, fosse qual fosse a situação daquele bebê, ao menos por enquanto Bonnie estava ali, acolhida e segura. E se o preço daquilo tudo era permanecer na companhia de um homem que descia a qualquer nível para ganhar e dominar, ela o pagaria.

Suspirou.

Não contara a Joseph o que Kate dissera a respeito de suas negociações inescrupulosas com James Dirkins. Sua raiva só teria aumentado, e ela não queria levantar a voz e perturbar a criança. Até gostaria de dar a Joseph o benefício da dúvida, mas os últimos comentários de Kate não se encaixavam nas circunstâncias? Fazer Dirkins sentir-se responsável pela morte do filho a fim de obter mais lucro... Aquilo a deixava enjoada só de pensar!

Joseph continuava a olhar para a tela do celular.

— Eu gostaria de saber o que os paparazzi vão inventar e soltar na mídia quando puserem as mãos nesta história.

Demetria se retesou. Ela fazia parte dos paparazzi. Ou, ao menos, era dessa forma que ele a via.

— Diga à sra. Cassidy que a criança está ótima — conseguiu murmurar.
— Pode deixar.

Joseph franziu a testa, depois balançou a cabeça. Com as sobrancelhas unidas, enviou uma mensagem de volta. Nunca reclamara do fato de o bebê e ela estarem ali. E, a despeito de sua queixa inicial, também não dissera mais nenhuma palavra sobre Cruiser ter se juntado a eles.
Ele tinha encontrado o nome do cachorro em uma plaquinha escondida sob a vasta pelagem.

Entretanto, pensou Demetria, ele não parava de olhar as horas no relógio de pulso e ficava o tempo todo mirando a paisagem através das janelas.

Joseph estava nervoso; sentindo-se sobrecarregado. Aquelas condições de isolamento eram um desafio para ele, para não dizer um atraso de vida.
Quanto a ela própria...

Demetria colocou a manta sob o queixinho de Bonnie. Estava se sentindo muito à vontade, pelo menos em relação à menina.

Quando Joseph estava por perto, contudo, era o contrário. Seus níveis de endorfina pareciam subir a tal patamar que ela ficava até tonta. Naquela manhã, brincara com a ideia de que ele também podia estar sentindo algo semelhante quando se aproximava dela. Em sã consciência, porém, podia ver que aquele beijo em frente à lareira, na noite anterior, e aquela sugestão de férias nas Bahamas não significavam nada para Joseph além de uma oportunidade de amenizar parte da tensão sexual entre eles e tentar a sorte. Seu cérebro masculino e competitivo era programado para tais coisas.
E agora eles ficariam juntos, ali, por mais uma noite!...

O que ela iria fazer se ele viesse com aquele vinho tinto ou conhaque, tentando jogar seu charme outra vez?

Não que ela quisesse tal coisa, mas, à meia-luz, e diante de toda a sedução que Joseph emanava, não seria fácil controlar os impulsos. Ela até poderia dizer que não estava interessada, mas, e se Joseph lhe embotasse a mente com mais um daqueles beijos?

Ela podia não aprovar seu caráter, porém suas técnicas de sedução eram irrepreensíveis.
Joseph era do tipo que preferia um sexo rápido e selvagem, ou criava cada movimento, absorvia cada toque, saboreava cada beijo? Como seria ter aqueles quadris se movendo sob o dela, sentir aquela boca, língua e dentes no pescoço, enquanto estivesse gozando em seus braços?
Ele parou a seu lado e passou a ponta do dedo pela bochecha do bebê.

— Parece que a moça vai entregar os pontos de novo...

Demetria prendeu a respiração, depois voltou à realidade e censurou a si mesma.

Concentre-se! Ele está falando da criança!

— Eu... não acho que ela vá dormir agora.
— Por que não se senta um pouco, então?
— Bonnie gosta de ser embalada.
— Mesmo que seus braços caiam depois?

Demetria resolveu testá-lo.

— Não quer assumir o posto?

Joseph até olhou o bebê, mas deixou cair a mão.

— Você é a especialista aqui.
— Não em se tratando de usar as pessoas.

Ele inclinou a cabeça para fitá-la.

— Quer explicar esse comentário?

— Não. — Demetria respirou fundo. — Eu só gostaria de dizer que, se vamos passar outra noite juntos, prefiro dormir em um quarto enquanto dorme em outro.

Os olhos sorridentes de Joseph pousaram em sua boca.

— Pensei que tivesse gostado do nosso acampamento.
— O que aconteceu ontem à noite em frente à lareira não vai acontecer de novo.
— Não?
— Não — Demetria confirmou, de costas para ele.
— E se eu convencê-la do contrário?

A voz profunda soou em sua orelha, rouca o suficiente para lhe enviar uma onda de calor pelas veias.
Em tempo recorde, ela abafou a chama e se virou para encará-lo.
Mas não imaginara o quanto ele se encontrava próximo com aquele peito largo, os traços bem-feitos do rosto moreno se avultando sobre os dela. Àquela distância, a presença de Joseph era fenomenal... irresistível.

Quase mergulhada nos olhos escuros, Demetria lutou para concatenar as ideias.

— Eu sou o inimigo, lembra-se? Não tem medo de que eu me torne muito próxima e exponha todos os seus segredos?

Joseph a fitou com olhos estreitos.

— Fique à vontade.

Quando ele se afastou, Demetria sentiu a adrenalina se esvair do corpo. Quanto antes aquilo tivesse fim, melhor. Tomara as autoridades encontrassem logo a mãe de Bonnie!
Joseph cruzou a sala, pôs-se a atiçar o fogo, e ela continuou a embalar a bebê.

Vários minutos mais tarde, quando Bonnie parecia adormecida, por fim, e as costas dela já pediam arrego, Demetria a deitou com cuidado. Mal seus dedos deixaram o corpinho quente, contudo, a menina fez uma careta e tornou a se mexer. Suas pálpebras pesadas se abriram, seu lábio inferior começou a tremer, e ela sentiu o coração se partir ao meio. O que estaria fazendo de errado?

Preocupada, verificou a testinha da criança. Nenhuma febre.

Pegou Bonnie outra vez e olhou ao redor. Uma neve fraca caía do lado de fora, e a luz do dia ainda iluminava a sala.

— Será que pode puxar um pouco as cortinas? — Ela também pedira uma roupa para Joseph, não querendo passar o dia todo de pijama ou vestir um terninho de trabalho; e ele lhe arrumara um suéter de cashmere azul-pálido, que lhe servira como um confortável vestido.

Joseph, por sua vez, colocara um suéter verde-escuro, que combinava perfeitamente com seus olhos castanhos. Em conjunto com a velha calça jeans que caía como uma luva sobre os quadris estreitos e as pernas atléticas, ele bem podia ser capa da revista GQ. Era o sonho de qualquer mulher.

— Essas janelas não têm cortinas. Estamos no meio do nada... Ninguém vai nos espiar, a menos que seja um urso.
— Talvez Bonnie sossegue se ficar no escuro. Vou tentar fazê-la dormir neste quarto de baixo, então. Vai estar mais tranquilo lá, também. Pode me arrumar alguns travesseiros?
— É para já. — Joseph caminhou à sua frente.

Quando ela adentrou a penumbra do quarto, ele estava tirando travesseiros extras de um closet. Sem que ela pedisse, Joseph os posicionou em um retângulo sobre a cama, depois os cercou com uma colcha pelo lado de fora, a fim de reforçar a estrutura.
Demetria baixou a menina e suspirou. Ficava tão feliz e aliviada quando Bonnie dormia que não sabia se ria ou desmaiava de cansaço!

Mas bastou Joseph se aproximar dela para que seus sentidos tornassem a entrar em alerta.

— Sucesso — ele sussurrou, com a voz grave.
— Melhor cruzar os dedos.
— Quanto tempo dura o cochilo de um bebê após o almoço?
— Acho que estamos prestes a descobrir... Tomara que seja por pelo menos umas duas horas.

Demetria lançou um último olhar carinhoso na direção de Bonnie antes de seguir Joseph para fora do quarto. Quando ele fez menção de fechar a porta, ela colocou a mão em seu braço. Sob a lã fina, o membro parecia aço quente; e tão convidativo ao toque que ela teve dificuldade para se afastar.
Controlando a si própria, recuou.

— Deixe a porta entreaberta. Quero ouvir se ela chorar.

Um canto da boca perfeita ergueu-se de um lado.

— Meu palpite é que vai voltar aqui a cada dois minutos.

Ela soltou novo suspiro.
Ele tinha razão.

— Talvez a gente possa usar algum aparelho como babá eletrônica, assim não corro o risco de gastar seu assoalho.
— Acho que já temos a babá... E uma que já vem com suas próprias baterias.

Cruiser se pusera diante da porta, a cabeça descansando sobre as patas dianteiras. Apenas seus olhos e as linhas suaves em sua testa se moviam enquanto ele trocava olhares com ambos.
Demetria teve vontade de se abaixar e abraçar o cachorro.

— Pelo visto, ele assumiu o primeiro turno.
— Ele já tem experiência. Mas, antes que Cruiser se anime muito com seu cargo, talvez devêssemos dizer a ele que esta função é apenas temporária.

Demetria ocultou seu estremecimento.



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Proximooo >.<



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