12/10/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 4








Com o terceiro arroto, uma boa parte do leite voltou.

E a única coisa a fazer "banhar a criança, agora aos berros " foi feita às pressas, na pia da lavanderia.
Demetria achou a tarefa um tanto escorregadia, mas quando, por fim, o bebê se recuperou de seu mal-estar, pequenos chutes, água por todos os lados e gritinhos de felicidade acabaram tornando a tarefa agradável.

Após enxugar, passar talco e trocar a menina, vestindo-a com um dos macacõezinhos comprados na cidade, Demetria decidiu trocar a própria blusa por uma limpa.

Horas e horas de embalo, cantoria e sussurros, intercaladas com mais mamadeiras, se seguiram, então. Aquilo não era, claro, como assentar tijolos ou escavar buracos, mas a energia necessária para dar conta do recado era absurda. Demetria pensou em colocar a criança de volta na cadeirinha e torcer para que ela não reclamasse, porém aqueles olhos azuis a fitavam com tanta confiança que ela não teve coragem

Joseph ocupou-se em preparar o jantar — bife e salada —, no qual nenhum deles acabou tocando: Demetria, por estar ocupada demais com o bebê; ele, por se sentir culpado por comer quando ela não podia. Também improvisou uma espécie de berço em uma das poltronas reclináveis, o que proporcionou à pequena espaço mais do que suficiente.

Quando ela soltou um longo suspiro e adormeceu, com sorte, pelo restante da noite , Demetria a colocou na cama e observou a cena tranquila por um longo e grato momento. Então se arrastou, com os braços moídos pela exaustão, até o banheiro, disposta a tomar uma ducha quente.
Depois do banho, ficou em dúvida entre vestir o terninho de trabalho ou o pijama vermelho de seda cuja blusa e calças largas eram debruadas por um macio algodão penteado, com chinelos combinando.
Fácil decisão.

Na privacidade do quarto, optou pelo pijama, exausta demais para se preocupar se seu traje era apropriado para uma noite na companhia de um homem que ela conhecia apenas por reputação.
Má reputação, aliás.

Mas duvidava de que Joseph fosse ter energia para tentar seduzi-la.
Com os cabelos úmidos presos em um coque bagunçado, sentindo-se limpa e

pronta a se jogar num colchão, Demetria se arrastou de volta para a sala.
Parou ao pé da escada. Exceto pelas rajadas de vento soprando do lado de fora, a casa se encontrava estranhamente silenciosa, e a sala, às escuras, a não ser por um brilho que incidia na parede mais distante.

Demetria se aproximou, cautelosa. Por cima das poltronas, uma visão gloriosa se revelou: seu belo anfitrião agachado ao lado da lareira, remexendo as chamas crepitantes...
Uma cena hipnótica que a fez abrir os lábios em busca de um pouco mais de ar. Com as sombras se deslocando sobre o corpo e traços bem-feitos, Joseph pareceu sentir sua presença e ergueu a cabeça. Seu olhar se intensificou, depois percorreu cada centímetro dela: desde o coque meio solto até os chinelos de pompons vermelhos. Seu escrutínio foi tão deliberado, tão impudente, que teve o efeito de um toque.

E, mesmo naquele curto espaço de tempo, Demetria se sentiu mais mulher do que nunca. Mais desejável. Em um movimento fluido, Joseph se pôs em pé, pousou o atiçador na parede da lareira, depois se aproximou.

— Está pronta para ir para a cama...

As palavras baixas e roucas a envolveram conforme ele parou, a poucos centímetros de distância. Um instante mais tarde, quando o perfume de Joseph invadiu seus pulmões, Demetria estremeceu involuntariamente. A natureza sedutora das sombras, o poder flagrante de sua presença... Estava se sentindo tão deslocada no tempo e no espaço, tão fora de si que, se Joseph a tocasse naquele momento, que Deus a ajudasse, ela poderia se esquecer de tudo o que reprovava e derreter em seus braços.

— Você foi incrível. — O olhar dele desceu sobre seus lábios. — Deve estar exausta.

Sentindo a boca seca, Demetria tentou concatenar as ideias. Sim, ela estava exausta. Muito mais do que havia imaginado.

— Eu sabia que ela ia entregar os pontos.
— Pois tive minhas dúvidas. — Joseph olhou o bebê que dormia em seu berço improvisado. — Agora imagino que ela não vá acordar tão cedo.

— Tomara, pois acho que eu não vou conseguir cantar mais nenhum verso de “Nana, neném”!...

Ele fez um gesto de cabeça em direção à lareira.
Com os olhos mais ajustados à falta de luz, Demetria vislumbrou a colcha espessa jogada sobre as poltronas reclináveis e acompanhada de convidativos travesseiros brancos.

— Eu estava com vontade de tomar um bom conhaque diante do fogo desde as quatro horas da tarde... Não quer me fazer companhia?

A pulsação de Demetria se acelerou. Após ter passado as últimas horas sem descanso, com Joseph ajudando como podia, sentia-se um pouco menos hostil em relação a ele.
Mas não o suficiente para concordar em ficar deitada diante de uma lareira acesa, bebericando um copo de conhaque.
Antes que ela pudesse recusar, contudo, Joseph ergueu as mãos.

— Sei que pensa que eu não presto.
— Assim como qualquer outra pessoa que lê revistas ou navega na web.

Ele soltou um longo suspiro. Mesmo assim, manteve o sorriso sexy nos lábios.

— De qualquer forma, dou minha palavra de que não vou lançar mão da minha renomada técnica de sedução para tirar proveito da situação.
— E por que eu deveria acreditar em você?
— Porque não é meu tipo, lembra-se?...

Demetria fez uma pausa. Ela havia dito aquilo no hotel, e qualquer um que entendesse o significado do ditado “Os iguais se reconhecem” saberia que era verdade. Ela não podia negar o fato de Joseph Jonas ser sexy, irresistível... um conquistador nato.
Era melhor não se arriscar.

— Acho que vou preparar uma caneca de chocolate quente.

Quando ela fez menção de rumar para a cozinha, Joseph a impediu.

— Vamos agir civilizadamente e encontrar um meio-termo, então. Nada de conhaque nem de chocolate quente. Que tal um vinho tinto?
— Não gosta mesmo de ser contrariado, não é?

Esfregando a mão sobre o peito agora coberto com uma camiseta branca, Joseph soltou um gemido.

— Vamos, Dem, dê-me uma chance... Já é tarde. Nós dois estamos acabados. Podemos muito bem tomar uma bebida e relaxar um pouco antes de dormir.

Demetria suspirou.

Aquele era o papel de cachorrinho abandonado, um dos muitos do repertório de conquista de Joseph, ou ela estava superestimando seu próprio sex appeal? Ele já havia namorado modelos, estrelas de cinema e grandes herdeiras, não meninas de orçamento limitado, que moravam em estúdios no Brooklyn.

Droga. Talvez, bem no fundo, ela quisesse ver Joseph flertando com ela. Talvez até mesmo que ele a beijasse.
Perguntou-se o que seus amigos e sua chefe diriam. Afinal, todos eles sabiam como ela se sentia em relação a homens do tipo dele.
Por outro lado, Joseph tinha razão. Já era tarde. Eles estavam cansados. Ela bem que poderia baixar a guarda um pouco.

— Um conhaque iria me derrubar, com certeza. Mas um copo de vinho tinto seria ótimo.

À luz do fogo, os olhos escuros brilharam com um sorriso antes de ele caminhar até um armário que abrigava um pequeno bar.

Demetria o observou da cabeça aos pés. Com a camiseta branca e a calça de moletom preto que ele havia vestido ao chegar, Joseph parecia um atleta de elite. O tecido da camiseta aderia aos contornos dos ombros largos e tentadores com tanta perfeição que ela se perguntou que mulher se cansaria de olhá-lo. Suas pernas eram longas e, pelo modo como ele movia o corpo enquanto apanhava uma garrafa e as taças, indubitavelmente fortes.
Ela se acomodou sobre a manta. Cada fibra de seu ser pareceu relaxar e, ao mesmo tempo, se pôr em alerta. Decerto aquela não era uma atitude muito inteligente, mas, no momento, a sensação era celestial.

Joseph lhe trouxe uma taça, outra para si mesmo, e sentou-se a uma distância respeitável, a sua esquerda. Após inalar o bouquet do vinho, ela tomou um gole e sorriu, sentindo um delicioso calor deslizar pela garganta.

— Muito bom

Satisfeito, Joseph se inclinou contra os travesseiros e provou a bebida, apreciando o efeito do vinho.

— Precisamos comer alguma coisa.
— Por favor, vamos ficar sentados aqui, sem fazer nada, por pelo menos uns cinco minutos!
— Então deveria aproveitar e mandar uma mensagem de texto para sua chefe. Sabe que não vai conseguir voltar a Nova York para o café da manhã.

Demetria sentiu o estômago se apertar ao pensar em como iria explicar que precisava de um dia de folga, quando devia haver uma porção de gente louca para tomar seu trabalho.
Mesmo assim, fechou os olhos e suspirou, cansada demais para pensar naquilo.

Algum tempo depois, Demetria sentiu algo se movendo sobre sua cintura. Despertando do cochilo, deu um pulo. Além do crepitar suave do fogo e das sombras que bailavam, percebeu Joseph colocando uma manta sobre ela.

— Relaxe. Se ela acordar durante a noite, eu a trago para você — ele falou, recolhendo sua taça.

Lá em cima, algo se chocou com o telhado. Seria o vento chicoteando as telhas com um galho?
Ela afundou mais na poltrona e puxou a manta até o pescoço. Aquela nevasca estava ficando assustadora.

Enquanto o vento uivava como um animal selvagem do lado de fora, eles assistiram às chamas dançando e estalando na lareira. A atmosfera era mágica... hipnótica.

— Está dormindo? — falou Joseph, após algum tempo.
— Só estava viajando com as imagens do fogo.
— O que vê de tão interessante?
— Às vezes vejo animais. Em outras, rostos de pessoas.
— E esta noite?

Ela inclinou a cabeça e se perdeu mais uma vez no serpentear hipnótico das chamas.

— Estou vendo um bebê, mamadeiras... Decerto vou sonhar com tudo isso, também
— Não pensei que estivesse tão preocupada.

Demetria baixou o olhar. Não era óbvio?

— Ela é uma gracinha. Não vai ser fácil dizer “adeus”.

Com o canto dos olhos, ela o viu rodar o vinho nas mãos e pôde sentir o cheiro do bouquet.

— Imagine como os pais dela ficarão felizes.
— Verdade. — Demetria tentou afastar as dúvidas, sua própria experiência era de uma criança perdida que nunca fora resgatada, e esboçou um sorriso. — Vou tentar.
Joseph manteve uma expressão neutra.

Mesmo assim, não podia ter se sentido mais abalado pelo comentário. Desde o início, Demetria Lovato tinha feito coisas curiosas com seu natural equilíbrio; até mesmo ao pôr as garras de fora contra ele.

E ficar sentado ali, conversando e brincando com ela diante da lareira, só o tornara ainda mais consciente disso. Apesar de Demetria reprovar seu estilo de vida com base nas notícias daqueles tabloides, ele podia dizer que se sentia muito atraído por ela. Queria chegar mais perto, puxá-la para si. Maldição, ele queria beijá-la!... E do modo mais lento e ardente. A expressão alerta nos olhos claros de Demetria, o modo como ela baixava a guarda... Demetria iria objetar se ele a pegasse e arrastasse para a cama?

A tentação era real, porém ridícula. Ele já ficara intrigado com mulheres antes, mas não daquela forma.

Para ser franco, a consciência do que estava experimentando naquele exato momento era inquietante.
Sem dúvida devia ser resultado daquelas circunstâncias incomuns.
Afinal, eles estavam ali sozinhos, isolados, compartilhando um imprevisto que envolvia uma alta dose de comprometimento emocional.

Sim. Devia ser essa a razão. Aquele instinto meio absurdo de proteção.
Por vários momentos, Joseph rodou a bebida nas mãos, os olhos fixos no fogo. Quando se recompôs física e mentalmente, pôs-se de pé e passou a mão pelo cabelo.

— Acho que vou tomar um banho.

Descansando contra os travesseiros e parecendo deliciosa no pijama enorme, Demetria esboçou um sorriso sonolento.

— Eu assumo o posto.

Antes que ele se rendesse ao monstro que havia dentro dele e que implorava para ser libertado , Joseph apanhou o celular no balcão da cozinha e subiu para o quarto do mezanino. A verdade era que, se não fosse pelo bebê, ele iria pagar para ver.

Todo mundo sabia que ele não era do tipo “família”. No entanto, naquele momento, a criança era uma prioridade. Tão logo ela estivesse estabelecida em outro lugar, mesmo que de volta à casa da mãe ou nas mãos do Estado...

Dois minutos depois, Joseph ensaboava-se sem pressa com a água quente lhe escorrendo pelas costas. O celular tocou, e seu primeiro pensamento foi: “Dane-se.” Mas, então, seu cérebro tornou a funcionar como devia e, todo ensaboado e molhado, ele estendeu a mão para pegar o telefone. Era a mulher da Assistência Social, com quem ele conversara antes, a tal Cressida Cassidy.

— Desculpe por eu não ter retornado mais cedo — falou Cassidy. — Eu queria apenas lhe assegurar que as autoridades foram informadas e um representante de ambos os departamentos ligará amanhã.

O clima está péssimo, e as estradas, intransitáveis. Espero que não se importe de cuidar da criança durante a noite.

— Não se preocupe.
— Ela sossegou?
— Sim... sem problemas.

A sra. Cassidy não precisava saber como o rostinho do bebê ficara vermelho quando ela havia vomitado, nem como ele tinha considerado agasalhá-la e correr para a clínica mais próxima, em meio à nevasca, antes de ela se acalmar ao ser mergulhada na pia da lavanderia cheia de água morna. Diziam que ser pai era o trabalho mais difícil do mundo. Depois daquela noite, ele acreditava piamente nisso.


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Heeeeeeeeeeeeeeey ... Chegueeeeeeeeei pra alegria de vocês ;)
E com noticias >.< a Leka quer postar uma mini fic pra vocês , então provavelmente eu vou dar uma pausa nessa para ela postar ... só que ainda estamos resolvendo, então vou postar até ela se arrumar, okay? Okay! kkkk 


P.S. Já deixei um capítulo programado para amanhã (hoje né) hein ... Bjss




COMENTEM!!!



Um comentário:

  1. NAONAOANOA NAO PARA ESSA PELO AMOR DE DEUS EU JA MORRO QUANDO VC PASSA 5 DIAS SEM POSTAR IMAGINE SE DER PAUSA AH NAOO VOU CHORAR

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Sem comentários ........... sem capítulos!