04/10/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 3






Prestes a apanhar a cafeteira, Joseph congelou no lugar. Seu olhar desviou-se para o bebê-conforto, em seguida voltou-se para ela.
E a penetrou tão profundamente que Demetria quase se arrependeu de ter aberto a boca.
Inferno, ela não era nenhuma aberração. Era apenas uma entre milhares de crianças que tinham sido adotadas.

— Então é por isso — ele comentou, e Demetria concordou com um gesto de cabeça.
— É uma das razões pelas quais eu jamais teria ido embora.

Joseph exalou um longo suspiro, depois serviu o café fumegante, cujo odor era amargo e reconfortante ao mesmo tempo.
Quando ambas as canecas estavam cheias, encontrou o olhar dela outra vez. A surpresa desaparecera de seus olhos, no entanto, e Demetria não ficou muito feliz com a comiseração estampada nos cantos dos lábios benfeitos.

— Passou por muitas privações?

Ela sorriu sem vontade.

— Nem todo mundo tem a sorte de encontrar uma Sra. Dale.
— Mas parece que se deu bem. Todos esses anos depois, trabalhando para a... — Ele franziu as sobrancelhas, tentando se lembrar.
— Eu trabalho para a Story Magazine.
— Ah, sim A Story. — Joseph tomou um longo gole da caneca.

Demetria fez o mesmo e quase suspirou ao sentir o calor e o delicioso sabor da bebida. Enquanto se concentrava em aquecer as mãos, contudo, percebeu o olhar dele rastreando seus traços.

— Já teve a chance de entrevistar algum hoteleiro de sucesso que, de quebra, ainda resgata bebês? — perguntou, cínico.

Ela sustentou o olhar penetrante e fingiu-se intrigada.

— Não me lembro.
— Caso se comporte direitinho, talvez eu me disponha a responder algumas perguntas.
— Tenho uma agora.
— Sou todo ouvidos.

A vontade de Demetria era indagar: “Quando chegou tão perto, no saguão do hotel, foi porque teve vontade de me beijar ou porque queria me colocar no meu lugar?”

— Pode me arrumar um pouco de açúcar? — disparou, em vez disso.

Ele sorriu devagar.

— Posso arrumar o que quiser.

Joseph trouxe o açucareiro. Demetria apanhou uma boa colherada e mexeu a bebida sem pressa. Inclinando-se a seu lado, ele colocou o açúcar em cima do balcão. O braço forte roçou o dela, mas, embora ela sentisse o estômago se contrair, não deu sinais do quanto sua pulsação havia se acelerado. Em vez disso, voltou a atenção para o bebê, reparando em seu aspecto saudável, nas bochechas redondas e rosadas.

— Quanto tempo imagina que ela tenha? — perguntou Joseph, acompanhando seu olhar.
— Uns três ou quatro meses. Ela me parece bem-cuidada.
— Não faz sentido ela ter sido abandonada dessa forma. Deve haver uma explicação.

Uma hipótese a atingiu de repente e provocou-lhe um calafrio na espinha.

— Talvez ela tenha sido sequestrada! Talvez tenham planejado pedir um resgate e mudaram de ideia no último minuto.
— Foi isso o que aconteceu com você?...

Demetria negou com um gesto de cabeça, contudo não sentiu necessidade de dar mais explicações. Um homem na situação de Joseph, tão envolvido com sua própria família e posição, jamais poderia compreender.

A criança soltou um gritinho. Em seguida, contorceu-se e piscou, abrindo os olhinhos sonolentos. Joseph e Demetria se debruçaram sobre o bebê-conforto ao mesmo tempo enquanto a menininha bocejava e tentava focar o olhar.
Demetria sentiu o corpo todo inundado por um calor que ela não conhecia. Um calor intenso, e ao mesmo tempo suave e tranquilo.

— Os olhos dela são azuis!
— Acha que ela está com fome?

Como se em resposta, o bebê soltou um pequeno gemido, que logo se transformou em pequenos soluços.
Com o coração apertado, ela segurou a criança junto ao peito. O bebê era mais pesado do que ela esperava, porém nada difícil de embalar.

— Pobrezinha! — murmurou, contra a bochechinha aveludada. — Ela deve estar molhada, mas vou cuidar disso. Faz a mamadeira?
— Claro. Sem problemas. — Joseph lançou um olhar hesitante para a lata de leite em pó. — Ahn... há alguma receita?
— Aí ao lado. Prefere se aventurar na troca de fraldas?
— A mamadeira vai estar pronta quando tiver terminado de trocá-la... — ele garantiu depressa, conduzindo-as até uma suíte no andar de baixo.

Tão logo ela colocou o bebê na cama e Joseph trouxe uma das sacolas da farmácia,
Demetria saiu à cata de uma toalha. Uma troca de fraldas poderia fazer uma bagunça, e ela não queria arruinar aquela linda colcha.
Ao voltar para o quarto, notou uma silhueta à espreita na porta. Joseph.

— Fiquei com medo de o bebê cair da cama — ele explicou, sem graça.
— Ela é muito novinha para rolar. No máximo iria se pôr de bruços.

Ela aprendera isso quando Nora Earnshaw cuidara de uma criança de colo por um algum tempo. Aos 7 anos, ela, Demetria, passara todo o seu tempo livre ao lado do bebê. Quando, um dia, a criança fora levada de repente, tinha ficado inconsolável e sentira-se tão solitária que mal havia comido durante semanas.

Seu único consolo era que o novo lar adotivo do bebê podia ser bem melhor do que a casa de Nora. Talvez ele houvesse sido adotado por um casal que nunca o deixara chorar...
Joseph passou a mão pelos cabelos negros como carvão.

— Acho melhor eu cuidar logo dessa mamadeira.

Demetria o viu desaparecer, então se inclinou para tocar a testa do bebê com a sua própria. Sorriu para si mesma. Um marmanjo mandão como Joseph Jonas todo preocupado com o bem-estar de uma menininha! Qualquer um que o visse parado ali perceberia que ele estava morrendo de medo de lidar com aquele anjinho, ao passo que qualquer pessoa acharia impossível se manter longe dela.

Dez minutos depois, Demetria deixou o quarto mais do que satisfeita. O neném vestia uma fralda limpa e a fitava intensa e curiosamente com os lindos olhos azuis; como se quisesse lhe agradecer, mas não soubesse como.

Na cozinha, com as mangas da camisa dobradas, Joseph estava ocupado, chacoalhando uma mamadeira cheia sobre o pulso. A imagem era ao mesmo tempo tão engraçada, terna e sexy que a fez aconchegar mais o bebê junto ao corpo. Será que os outros homens ficavam tão sensuais realizando aquele tipo de tarefa?... Joseph parecia tão concentrado em seu trabalho que nem percebeu o líquido espirrando em seu imaculado piso de madeira.

— Cuidado...— alertou ela, atravessando a cozinha.

Seus olhos escuros brilharam quando ele ergueu a cabeça. Em seguida, Joseph olhou o chão e os sapatos cheios de respingos. Resmungando, ele apanhou uma toalha de papel e a jogou no solo, limpando a área úmida com um pé.

— Eu estava checando a temperatura.
— Se continuasse chacoalhando a mamadeira daquele jeito, não iria sobrar um pingo de leite...

Com um sorriso de lado que fez coisas absurdas com a pulsação de Demetria, Joseph ergueu o frasco transparente.

— Fico feliz em informar que o leite foi bem misturado e, até onde sei, está na temperatura certa.
— Nesse caso... — Ela fez menção de lhe entregar o bebê. — Não quer fazer as honras da casa?

O sorriso presunçoso de Joseph desapareceu.

— Prefiro deixar para a próxima.
— Ei, ela não morde!
— Como pode afirmar?

Demetria se perguntou o que ele faria se ela colocasse o bebê em seus braços. Se houvesse deixado Joseph decidir tudo, àquela hora ela estaria voltando para Nova York, e ele estaria ali sozinho com uma criança para cuidar. Não daria uma tremenda história?, pensou. “Magnata, dono de uma rede de hotéis, admite suas fraquezas.”
Dirigiu-se para o ambiente amplo da sala.

— Preciso de um lugar para me sentar.

Ele apontou uma das suntuosas poltronas de couro branco.
Sentindo-se como se estivesse se sentando em uma nuvem, Demetria se acomodou. Ele puxou uma alavanca ao lado do assento e um apoio para os pés começou a se erguer com um zunido, até que suas pernas ficaram em uma posição quase horizontal.Joseph não poderia ter parecido mais orgulhoso se tivesse acabado com outra comunidade a fim de construir outro arranha-céu... o que tinha feito no mês anterior.

Ela suspirou.

Encontrar aquele bebê, acompanhar Joseph Jonas até o meio do nada... Tudo naquela noite fora surreal. E reclinar-se naquela poltrona, com ele debruçado sobre ela, estava deixando-a mais do que nervosa.

E curiosa.

A mídia se encontrava inundada com reportagens acerca do recente rompimento de Joseph com a atriz Ally Monroe. Então, com quem ele estaria se relacionando no momento? Não sentia nenhuma culpa quanto aos negócios que fechava, e que tanto prejudicavam os americanos menos abastados?
E seria Joseph tão bom na cama como diziam?...

Após conhecê-lo, ela podia apostar que ele era ainda melhor. Qualquer mulher com metade da sua cota de hormônios iria ferver na presença dele.
Ele continuou em pé à sua frente, as pernas afastadas, as mãos apoiadas nos quadris.

— Do que mais você precisa?

Demetria voltou a atenção para a criança, que agora olhava para cima com uma pequena ruga na testa.

— Pode me arrumar alguma coisa que enxugue o leite, caso ele escorra?

Joseph lhe entregou a mamadeira, e ela o observou se afastar a passos largos, deleitando-se com as pernas longas e sólidas que operavam marcha tão suave. Um momento depois, ele lhe trazia uma toalha e, em pé novamente, endireitava os ombros largos.

— Boa sorte — falou, em um tom solene.
Num instante, o bebê capturou o bico e passou a sugá-lo como se não estivesse sendo alimentado havia dias.

Demetria sentiu o peito se apertar. Quanto tempo aquela criatura ficara sem mamar? Onde estaria a mãe dela? A Assistência Social já fora informada da situação, mas por quanto tempo aquela criança ficara sozinha?
Decerto a mãe devia estar à procura do bebê naquele exato momento. E, se fosse esse o caso, pensou, não gostava nem de imaginar a agonia pela qual a mulher devia estar passando.

— Ninguém ligou ainda — comentou Joseph.

Os pensamentos de Demetria tornaram a se focar no presente. Joseph ergueu uma das cadeiras da mesa de jantar e a posicionou ao seu lado. Com os cotovelos sobre os joelhos, inclinou-se para a frente e entrelaçou os dedos.

— Eu também gostaria de saber quando a polícia vai chegar — ela confessou, nervosa.
— Na certa esse clima os está atrasando. Vou ligar no canal de notícias para ver se eles dizem alguma coisa... Talvez eu deva telefonar e me certificar de que as informações foram passadas corretamente. — O olhar dele pousou sobre a criança, e a sombra de um sorriso lhe tocou os lábios. — Parece que fez isso a vida inteira.
— É ela quem está fazendo todo o trabalho...

Lá fora, o vento uivava e, através das portas e janelas francesas que iam do teto ao chão, ela observou a neve cair enquanto o bebê se acalmava.
Após algum tempo, Joseph se moveu, inquieto.

— Ela não precisa arrotar?
— Aposto que pode fazer isso, já que é veterano no assunto.

Ele se recostou à cadeira devagar.

— Pensando bem, está fazendo um ótimo trabalho.
— Nunca imaginei que um empresário de sucesso pudesse ser tão banana!
— Pode judiar...

Demetria tirou a mamadeira já quase vazia da boquinha rosada, preparando- se para os resmungos. Deus do Céu, aquela criaturinha era tão pequena, tão preciosa!...
Vários minutos se passaram e, ainda embalando o bebê, ela se pilhou, um pouco preocupada. Nada estava acontecendo. Talvez devesse dar o restante da mamadeira à criança, ou então Joseph devesse fazer outra...

Ou era ela quem não estava embalando o neném como devia?

Joseph  devia ter lido a incerteza em seus olhos, pois lançou-lhe um olhar encorajador.

— Dê algum tempo a ela. Seu sistema digestivo é muito novo.
— Como sabe disso?
— Excesso de sobrinhas e sobrinhos. Devia dar tapinhas mais fortes.

Demetria endireitou os ombros, exasperada. Não precisava de mais nenhuma pressão!

— Que tal planejar sua próxima grande aquisição?
— Tirei alguns dias de folga.
— Então, podia fazer alguma coisa para a gente comer... — Em vez de ficar sentado aí, observando cada movimento meu!
— Como sabe que eu sei cozinhar?
— Da mesma forma que sabia que eu conseguiria trocar a fralda do bebê.

Joseph riu e pôs-se de pé.

— Nesse caso, prepare-se para se deslumbrar.
— Deixe-me adivinhar... Macarrão com queijo.
— Não sei se percebeu, mas está no meio do nada, e eu sou tudo o que a separa da inanição.

A criança respondeu por ela, deixando escapar um arroto nada adequado a uma pequena dama.
Joseph ergueu as sobrancelhas.

— O sistema digestivo dela está perfeito.

A menininha arrotou de novo.
Dessa vez, porém, não foi apenas ar o que ela expeliu...


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Ta ai mais um >.<

Mais tarde tem outro ^.^





COMENTEM!!!

16 comentários:

  1. Ja li esse livro e é perfeito, agr vou acompanhar a fic e lembra do tempo q livo livro, +/- 6 h (haha), gostaria de pedir pra vc colocar os nomes das adaptações de fic q vc tinha posto pra gente escolher e agr apagou e eu fiquei bem curiosa pra ler algumas das hist so q ñ lembro o nome

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  2. Comecei a ler a nova fic hoje, é tão fofa. Demi preocupada com o bebê e o Joe com duplos sentidos, eu estou curiosa para saber como vai funcionar essse romance, tipo, eles são tão diferentes, começando pelas profissões, Demi é reporter e o Joe empresário famoso, vai da um pau daqueles kkkkkk
    Beijos !

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  3. Muitoo perfeito...
    Posta maaiis *-*

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  4. perfeito... ela gofou na demi? kkkkkkkkkkkkkk continua ta pfto

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  5. Que fofooooo esse capítulo
    A bebê vomitou ??? Kkk
    Curiosa para saber mais...
    Posta logo bebê 😘
    Beijossss

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  6. Leitora nova, morrendo de amores pela fic!

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  7. Cadê o outro???? Quero mais, preciso saber o que vai acontece com eles, mlr poste logo por favor

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  8. Heey
    Postaa maaaaiiisd !!!
    T muitoo boom

    Bjbj
    -lili

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  9. Ta perfeito, Ju!
    To amando essa fic *-*
    Posta mais <3

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  10. Posta posta posta! Amei a historia! To super curiosa!!
    Bia

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  11. Estou apaixonada por essa fic *---*
    to curiosa para saber a historia da bebê :)
    Posta logo!!

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  12. Aii gente essa fic ta muito vida
    Posta logooo gatona
    Beijos!!!

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  13. Essa fanfic é muito bonitinha! Sério, estou apaixonada!
    Ela é inspirada em algum livro? Vi os outros comentários daí kk
    Mas enfim, eu nem comento muito em fanfics, pois estou meio chata pra escolher algumas pra ler e tem um tempão que não me envolvo com uma história deste jeito que precisei comentar. Não vejo a hora do próximo capítulo.
    Não demore, ok?
    Beijos!

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  14. Juh, amor, cadê vc?!
    Ansiosa por mais! Posta logo, xoxo

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Sem comentários ........... sem capítulos!