02/10/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 2






Joseph se aproximou mais dos aturdidos olhos cor de caramelo de Demetria e quase se esqueceu de que estava brincando, fazendo-a pagar por sua ousadia. Ela não sabia nada a seu respeito. Que piada Demetria ter feito suposições com base no que diziam aqueles malditos fofoqueiros das revistas, e que coisa mais típica!... Afinal, ela era uma deles, uma reporterzinha de quinta, de quem ele nunca ouvira falar até aquele dia.

A maior parte daquelas publicações possuía um denominador comum: transformava uma informação isolada ou foto sugestiva em uma notícia sensacionalista que nada tinha a ver com a verdade e tudo a ver com a reunião de certo número de artigos com o único objetivo de manter os empregos daqueles parasitas.

Ainda assim, ele costumava levar tudo na esportiva.

E não iria jogar aquilo na cara da Srta. Lovato, muito menos quando ela ficava tão bonita daquele modo, toda corada e inflamada, enquanto lutava com a própria consciência. Será que ela faria uma cena se ele partisse para o inimaginável e a beijasse, ou iria se derreter em seus braços e transformar a si própria numa manchete de primeira página?

Tentado, ele baixou mais a cabeça, porém, no último momento desviou sua trajetória, concentrando a atenção no bebê. Com um suspiro, apanhou a cadeirinha e rumou para a saída do hotel.
Poucos instantes depois, os saltos de Demetria Lovato clicaram, apressados, atrás dele.

Lá fora, com o céu cinzento do Colorado sustentado pelas montanhas, a neve parecia estar caindo com maior intensidade. Quando todos se encontravam em segurança dentro do táxi, Joseph telefonou para a Assistência Social. Conseguiu falar com uma mulher, por fim, que pediu seu telefone e endereço, depois afirmou que um representante iria procurá-los o mais rapidamente possível. Também disse que era sua obrigação informar a polícia de todos os detalhes, fornecendo, inclusive, seus próprios dados.

Que maravilha. Estava bem arrumado. Tão logo terminou a chamada, Demetria perguntou em voz baixa:

— O que eles falaram?
— Vão nos procurar.
— Quando?
— Assim que puderem. Enquanto isso, vamos comprar mais algumas fraldas e ir direto para a casa da Sra. Dale.

Quando as autoridades levassem a criança, ele pagaria para que o táxi levasse Demetria até o aeroporto. Feita sua boa ação, poderia, enfim, aproveitar aquele conhaque diante do crepitar da lareira.

Joseph torceu os lábios, pensando em perguntar se Demetria gostaria de acompanhá-lo; só para ver se ela aproveitaria a chance de lhe passar uma descompostura ou se trairia sua própria moralidade em nome da curiosidade...

Pararam em uma farmácia. O bebê ainda dormia, quando ele colocou dois pacotes de fraldas no porta-malas, assim como lenços umedecidos, leite em pó, mamadeiras, três bodies e macacões. Sabia muito bem que, em qualquer empreitada, a prevenção era a chave.

A criança ainda ressonava quando, meia hora depois, o táxi desviou para a longa trilha que rodeava a vizinhança. O anoitecer já havia caído sobre a região tranquila — em grande parte despovoada — e cercada por pinheiros gigantes, cujos galhos agora pesavam com a neve. Um único poste derramava uma luz fantasmagórica sobre o solo invernoso, contudo não via nenhuma lâmpada acesa na casa dos Dale. Na verdade, pela primeira vez em muito tempo, a casa parecia quieta demais.
Demetria também olhou pela janela embaçada.

— Não há ninguém em casa — constatou. E, após olhar a floresta que os cercava, recostou-se no assento, tensa. — Devíamos ter ficado no hotel. Consegue sinal no celular a essa distância?
— Se vão voltar, precisam decidir depressa... — O motorista aumentou a velocidade do limpador. — Isso já está se transformando em uma nevasca.

Com os dedos cerrados sobre o colo, Joseph pensou por um momento.

— Continue por mais uns cem metros e desça à direita.
— Espere um minuto... — Demetria agarrou-se ao cinto de segurança. — Ouviu o que ele disse? Esta nevasca não está cedendo. Se temos que voltar para a cidade, é melhor irmos agora.
— As autoridades já estão com os meus dados e sabem onde estamos. Vamos ficar aqui até que elas nos procurem

Na sombra crescente, os olhos cor de violeta de Demetria brilharam, e ela apertou os lábios tentadores, balançando a cabeça.

— Vamos voltar.
— Essa não é uma opção.
— Por que não?
— Quer dizer, além de ser uma atitude inteligente e de ficarmos protegidos desse tempo?

Joseph fez uma pausa longa o bastante para que ela prestasse atenção às rajadas e ao vento que assobiavam lá fora.

Além do mais, ele não voltaria a colocar os pés naquele hotel até que Dirkins houvesse tido tempo suficiente para pensar em sua oferta. Se ele fizesse um check-in naquela noite, o proprietário iria imaginar que ele havia fraquejado e que se encontrava preparado para melhorar a oferta que tinha feito. Não era esse o caso, por mais que ele, Joseph, simpatizasse com a situação de Dirkins. Uma morte na família nunca era fácil, muito menos quando se tratava de um filho único.

O bebê se mexeu, a mãozinha enroscando no cobertor. Joseph prendeu a respiração ao vê-la bocejar, espreguiçar-se e soltar um gritinho ao mesmo tempo em que franzia a testa lisa.
Era só o que faltava!

— Minha cabana fica a um minuto de carro daqui — ele falou, outra vez. — Não sei quanto a você, mas prefiro dançar nu no meio dessa neve a estar preso dentro do táxi quando ela acordar chorando!
A criança deu um gritinho agudo de novo, dessa vez mais alto. Em seguida, enrugou o nariz, movendo-se espasmodicamente. Demetria apertou os lábios por um momento, depois largou o cinto de segurança.
— Está bem. Vamos para a sua casa.

Sem perder tempo, Demetria cutucou o ombro do motorista, e o táxi saiu com cuidado da estrada dos Dale, agora entupida pela neve. Depois que o bebê sossegasse, antes que as autoridades chegassem, ele e a Srta. Lovato teriam tempo para refletir sobre as decisões que haviam tomado; talvez sentados em frente a um fogo crepitante, com aquele brandy do qual ele até já podia sentir o gosto.

Apesar da postura de Demetria, seu instinto lhe dizia que ela se sentia tão atraída por ele como ele por ela. Seria interessante conhecê-la um pouco melhor.
Joseph olhou pela janela e sorriu devagar. A quem estava enganando? A verdade era que gostaria de conhecer a Srta. Lovato muito mais...

No momento em que o táxi deixou o endereço de Joseph Jonas, a lua cheia espiou por sob o pesado manto de nuvens. Conforme uma luz prateada iluminava o cenário, Demetria esfregava os olhos. Aquilo era uma “cabana”?...

Mas Joseph, carregando o bebê-conforto e as sacolas com as compras da farmácia, já ia caminhando pela trilha que levava até a entrada coberta da espetacular casa em forma de “A”.
Demetria colocou o capuz do casaco sobre a cabeça, agarrou a frasqueira e correu atrás dele, vendo-o empurrar a imensa porta de madeira. Ele acendeu uma luz, e ela entrou num verdadeiro paraíso aquecido.

Maravilhada com o ambiente, pousou a pequena bagagem no piso de madeira. O andar inferior era enorme e aberto, com vários detalhes que sugeriam uma riqueza excepcional a despeito da acolhedora atmosfera rústica. À direita, a área da cozinha era um degrau mais elevada e revestida com carvalho polido, emoldurado com brilhantes guarnições de granito. No outro extremo da sala, aparelhos de última geração ficavam de frente para suntuosas poltronas de couro reclináveis. No centro de uma parede de ardósia maciça, uma gigantesca lareira de pedra implorava para ser acesa. Um corredor que saía do saguão devia levar para quartos, imaginou Demetria, e, conforme punha para trás o capuz, seu olhar subiu pela escada que conduzia a um mezanino protegido por um alambrado de madeira.
As palavras roucas de Joseph acariciaram seu ouvido quando ele passou por ela e explicou:

— É o quarto principal.

Demetria estremeceu.

O quarto principal. O quarto dele.

Uma série de imagens surgiu em sua mente, porém a mais vívida delas foi a de Joseph Jonas recostado a uma cabeceira de madeira maciça, lençóis amarrotados, caídos sobre seus quadris estreitos, o peito largo à mostra, a expressão confiante ainda mais maliciosa...

Obrigando-se a se recompor, ela prendeu a respiração. Não estava ali para fantasiar sobre um homem cujo passatempo favorito era seduzir. Sem dúvida, ela não era a única mulher que Joseph afetava daquela maneira... A mídia fotografava uma nova beldade pendurada em seu braço a cada dois meses.
Mas não tinha por que ficar se debatendo a respeito do carisma dele — ou de seu flagrante sex appeal. Muito menos quando já fizera papel de boba pouco antes, no hotel.

Quase desfalecera ao imaginar que ele poderia beijá-la. Sentia a pele se aquecer só de pensar em como ele devia ter se divertido quando ela deixara pesar as pálpebras, tremendo dos pés à cabeça.
Mas Joseph Jonas não iria pegá-la de novo.

Enquanto ele pousava o bebê-conforto e se livrava do sobretudo, Demetria tratou de domar as borboletas que ainda voejavam em seu estômago, tirou o casaco e lançou-lhe um olhar neutro e honesto.

— Sua casa é muito bonita.
— Eu não fico muito tempo aqui — contou ele, tirando o leve cobertor que servira de escudo para o bebê contra a neve que caía. — Também moro em Nova York, mas isso você já sabe.

Demetria ignorou o comentário travesso e continuou a estudar a sala.

— Então este é o seu refúgio.
— Meu pai costumava passar todo o tempo no escritório, mas, em compensação, costumávamos arrumar as malas e passar um tempo no Colorado durante a temporada de neve. — Joseph colocou o sobretudo em um mancebo próximo, fez o mesmo com o casaco dela, depois tirou o paletó e também o dependurou. — Quando fiquei mais velho, continuei viajando sozinho e acabei encontrado este terreno. A paisagem aqui é incrível. E as pessoas também são ótimas, do tipo que nunca estão ocupadas demais para acenar e dizer “Olá” quando você passa na rua. Também achei conveniente ter um lugar sempre à mão.
— Mas não tem nenhum carro na garagem, tem? — Ou não haveria necessidade de um táxi, ela concluiu.
— Motores precisam ser postos para funcionar. É mais fácil alugar alguma coisa. Mas, quando vim para cá, dessa vez, houve uma confusão na locadora. Como eu não costumo caber nesses carros pequenos... — Ele encolheu os ombros largos, o que ressaltou seu ponto de vista. Lançou um olhar em direção à cozinha, então, e apanhou o bebê-conforto mais uma vez. — Vou fazer um pouco de café. Podemos preparar uma mamadeira, também

Demetria sabia que estava pisando em terreno perigoso, mas não conseguiu desviar o olhar dos ombros impressionantes sob a camisa social branca enquanto o seguia até uma imensa cozinha. A forma como aquelas omoplatas se moviam em conjunto com as passadas determinadas foi suficiente para que ela ficasse louca de vontade de tocá-las. Naquele ambiente íntimo e acolhedor, a presença de Joseph era avassaladora.

Não que ele precisasse que alguém lhe dissesse isso.

E ela, com certeza, também não precisava ficar pensando naquilo nem mais um instante!
No entanto, conforme ele tornou a pousar a cadeirinha, afrouxou a gravata e observou o bebê com uma expressão de preocupação, Demetria se viu mais consciente do que nunca da própria reação física àquele ar de autoridade, àquela aura de suprema masculinidade.
E essa consciência a fez se aquecer dos pés à cabeça.

As reportagens que tinha lido eram todas verdadeiras.
Joseph Jonas devia ser o homem mais sexy do mundo.

— Precisamos esterilizar alguma coisa?
Demetria desviou a atenção dos lábios cheios, em seguida registrou e respondeu à pergunta.

— Sim, claro... A mamadeira. — Ela avançou um passo e se agachou ao lado do bebê-conforto, observando a criança que, após ter reclamado um pouco, parecia ter se acalmado. — Vou ler as instruções para o preparo do leite.

Com cuidado, tirou a mamadeira e a lata de leite que descansavam ao pé da cadeirinha.
Joseph apanhou uma panela enquanto ela decifrava as medidas, ainda que sua atenção não estivesse na tarefa. Assobiando uma música vagamente familiar enquanto procurava pela cafeteira, ele parecia à vontade naquele ambiente.

E, no entanto, passava a maior parte do tempo em Nova York.

Será que morava em um condomínio em Chelsea ou em uma cobertura a oeste do Central Park?, ela se perguntou. Ou Joseph vivia na suíte presidencial de um dos hotéis da família?... Droga, na certa cada um dos Jonas tinha a sua própria cobertura multimilionária.

— Como é? — perguntou, pousando a lata.

De costas para ela, Joseph apanhava canecas na parte de cima de um dos armários.

— Como é o quê?
— Como é ser dono de uma rede de hotéis? — E oferecê-los apenas àqueles que podem pagar os preços mais exorbitantes?, completou em pensamento.
— Não sou o único dono dos Hotéis Jonas. — Ele puxou uma ponta da gravata. Com um zunido, a caríssima tira de seda azul escorregou e caiu em uma espiral abstrata sobre o balcão. — É um negócio de família.
— Então trabalha todos os dias na companhia de seus pais e irmãos?

Ela sempre desejara ter irmãs que permanecessem em sua vida e não fossem obrigadas a se mudar para outros lares adotivos tão logo elas se tornavam próximas. Mas, após alguns anos, desistira de sonhar. Por algum tempo, entre aquelas idas e vindas, sonhara em ter uma família só sua, com um marido carinhoso que sempre estivesse ao seu lado, e pelo menos um bebê. De preferência dois. Havia até escolhido os nomes.
Mas, ao longo dos anos, seus planos tinham se modificado.

— Nós nos damos bem. — Joseph estava respondendo à pergunta. — Temos a mesma opinião em muitos aspectos. — Ele encontrou o açúcar, depois o leite, em um refrigerador com uma TV de alta definição na porta. — Mas também somos diferentes em muitas outras coisas. E quanto a você? Tem família?

Uma pontada castigou o peito de Demetria. Aquela era uma das coisas que, às vezes, ela própria se perguntava; algo que ela sempre esperara mais do que qualquer outra coisa no mundo.
Mas ouvir outra pessoa fazendo a pergunta, e tão abertamente, não foi fácil.
Ela tratou de se concentrar no preparo da mamadeira.

— Nada melhor do que ter uma família como a sua. Do mesmo sangue.

Não era bem uma resposta, porém ela não gostava de pensar naquele assunto. Não queria causar pena em ninguém, muito menos no poderoso Joseph Jonas. Além do mais, já sepultara o passado.
Tirou a tampa da lata, e seu olhar vagou para o bebê mais uma vez. Sentiu a garganta se apertar e, pela primeira vez em muito tempo, repensou sua postura. Sempre fora uma pessoa discreta. Mas aquela não era uma situação atípica? Sem se importar com a imagem que ela fazia dele, Joseph Jonas doara seu tempo e abrira sua casa não apenas para a criança, mas também para ela. Talvez ela pudesse se abrir, ao menos daquela vez.

— Na verdade, vivi sob a guarda do Estado... — confessou, olhando por cima do ombro.


---------------------------------------------------------------------


Hey ... tão gostando ?? >.< Espero que sim :D

Não sei quem perguntou, mas sim, esta também é uma adaptação.
Espero que realmente estejam satisfeitos ^^





COMENTEM!!!




5 comentários:

  1. Mlr poste logo, quero saber o resto da história dela!

    ResponderExcluir
  2. Ai que máximo ❤️
    Adorei tudo...
    Ansiosa aqui para saber mais...
    Posta logo
    Beijos ✌️

    ResponderExcluir
  3. Essa fic ta tão vidinha *-*
    Ja falei o quanto amo fic com babys?!
    POIS EU AMO/SOU
    POSTAA LOGOO
    Beijos!!!

    ResponderExcluir
  4. Nossa que perfeita *---*
    to in love já!!
    espero que a tempestade não passe tão cedo e os dois fiquem trancados lá dentro hjgdjhsahd
    Posta mais <3

    ResponderExcluir

Sem comentários ........... sem capítulos!