21/10/2014

Papai por um Tempo - Capítulo 7






Joseph encontrou Demetria ainda dormindo e a menina deitada, quietinha, como se esperando que alguém percebesse que ela havia acordado. Quando ele se inclinou para olhá-la, o azul vibrante de seus olhos o capturou, e ele esboçou um sorriso.

A criança não sorriu de volta. Tampouco caiu no choro, embora franzisse de leve as sobrancelhas, como se não estivesse lá muito confortável.

Joseph esfregou o queixo. Talvez ele pudesse mudá-la um pouco de posição; quem sabe erguê-la de leve.

Com cuidado, introduziu a mão sob suas costas e a tirou no mesmo instante. Ah, Deus, ela estava molhada, ou melhor, encharcada!
Tenso, ele olhou para Demetria, que ainda dormia.

— E agora? O que eu vou fazer com você?

A menina apenas o fitou, os dedinhos se mexendo acima da manta.

Joseph coçou a têmpora. Ficava aflito só de pensar naquelas roupinhas ensopadas, mas não fazia ideia de como trocar a criança. Cada pessoa tinha seu limite, e aquele era o seu.
Correu os dedos pelo cabelo, então limpou a garganta com força. Não de propósito...
E, enquanto o bebê continuava de cenho franzido para ele, como se ele fosse algum tipo de quebra-cabeça, Demetria respirou fundo e despertou, esticando um braço. Instantes depois, sentou-se, os olhos cor de violeta muito redondos e assustados. Seus olhares se encontraram, e ela jogou para trás a massa espessa de cabelos, expondo o rosto.

— Não foi um sonho!

Joseph trocou a posição dos pés.

— Não... É a pura realidade. E ela está molhada.

Demetria atirou longe as cobertas e se arrastou até o berço improvisado. Como se a menina soubesse quem era a única pessoa que segurava uma mamadeira por ali, franziu o nariz e soltou uma espécie de miado, num protesto.
Demetria levou as mãos ao rosto.

— Ah, pobrezinha!... Ela deve estar morrendo de fome!
— Há uma questão mais urgente.
— Preciso trocá-la?
— Exatamente.
— Não quer tentar?...
— Costumo admitir meus defeitos.
Balançando a cabeça, Demetria apanhou a criança.

Joseph a vira com o mesmo pijama na noite anterior, mas, à luz brilhante da manhã, o impacto era ainda maior. A camisa e a calça dançavam no corpo esguio. Não havia nem mesmo uma sugestão de curvas à vista. As pernas da calça eram tão compridas que se amontoavam ao redor de seus pés, as mangas lhe passavam da ponta dos dedos, a frente era abotoada quase até o pescoço e, mesmo assim, era o pijama de mulher mais sexy que ele já tinha visto.

Recuou a fim de dar espaço a Demetria, a atenção voltada para o rosto delicado, agora marcado de um lado pelo travesseiro. Apesar disso, ela parecia descansada e desperta. Conforme Demetria sorriu para o bebê, seus olhos capturaram a luz da manhã e cintilaram tal qual duas ametistas.

Se não tomasse cuidado, um homem poderia ficar hipnotizado por aqueles olhos, concluiu Joseph.
Demetria esfregou o nariz no da menina.

— Acho que vou dar um banho nela. Pode me ajudar?
— Assim que eu terminar a mamadeira.

Dessa vez, ele não recebeu nenhum olhar de censura. Ela apenas se afastou com seu embrulhinho em direção à lavanderia. Pelo modo como sorria e balbuciava com a criança, já havia se esquecido da exaustão da noite anterior e estava pronta a fazer tudo de novo.

O que era ótimo porque, a menos que ele estivesse muito enganado, iriam repetir aquele ritual inúmeras vezes nas horas seguintes.

Pouco tempo depois, Demetria entrou na cozinha trazendo a bebê já banhada e vestida. Joseph parou de sacudir o bico sobre o pulso. Após beijar a testa da menininha que já choramingava de fome, ela sorriu.

— Apontar... — falou, sentando-se na poltrona e apanhando a mamadeira. — Fogo!

Um pouso perfeito, seguido de um ruído tranquilo de sucção, mais uma vez reinou, soberano.
Conforme a bebê mamava, Joseph puxou sua habitual cadeira da sala de jantar e, a uma distância segura, acomodou-se para assistir à cena.

Quando a mamadeira já estava pela metade, ocorreu-lhe que ele devia estar entediado. Com certeza, aquela novidade já devia ter perdido seu apelo. De maneira alguma ele ficaria sentado, observando qualquer outra criança sendo amamentada.

E, no entanto, ali estava ele, fascinado por cada movimento daquela criança. Como seus olhinhos azuis ficavam sonolentos, a forma como seus dedinhos apertavam a mamadeira, tal qual um gatinho unhando uma coberta macia...

Claro que ele não podia ligar a TV em seu canal de esportes favoritos, nem acompanhar as notícias no laptop, sem bateria. Mas, mesmo que tivesse outras coisas para fazer, decerto teria aberto mão delas.
Estava prestes a sugerir que Demetria colocasse o bebê para arrotar, quando ela tirou a mamadeira e pôs a menina na posição vertical. Em um piscar de olhos, ele foi e voltou com uma toalha de mão.
Por favor, Senhor, faça com que ela não ponha tudo para fora desta vez!...

Após alguns momentos de massagem e tapinhas, a criança os recompensou, expelindo uma quantidade razoável de ar.

Joseph suspirou, aliviado.

— Boa menina!

Trinity se recostou à poltrona.

— Acho que estamos pegando o jeito.

Ele sentiu o peito inchar, mas aquelas duas eram o time principal. Ele, apenas um reserva.
O que era novidade. Normalmente, era ele quem se sentava no banco do condutor. No escritório, ele dava as ordens, e os outros obedeciam Nos relacionamentos, ele ditava o tom e os parâmetros. Gostava de se relacionar; porém, nos próprios termos. Dessa forma, conseguira se manter bem-sucedido, assim como solteiro. Uma combinação que lhe servia muito bem.

— Estive pensando...

Joseph desviou o olhar dos lábios cheios de Demetria e se obrigou a voltar à realidade.

— No quê?
— Seria errado dar um nome a ela enquanto estamos aqui? É esquisito chamá-la de “bebê” o tempo todo.
— O que está imaginando?
— De que nomes de menina você gosta?

Joseph franziu a testa, pensativo.

— Eu gosto de Bonnie. “Bonnie Blue Eyes”. É uma canção.

Trinity tornou a baixar o olhar para a criança e sorriu com mais suavidade e carinho do que nunca.

— Também gosto desse nome.

E ele gostava do modo como Demetria prendia o lábio entre os dentes quando ficava feliz; da maneira como seus olhos se iluminavam

Droga. Gostava até mesmo do modo como ela o desafiava, cutucando-o sobre assuntos do passado e suas decisões em negócios que ela nem conhecia realmente!
Joseph piscou e sentiu que franzia a testa. Eram reflexões demais para seu gosto.
Caminhou até a lareira e tratou de selecionar lenha da pilha ao lado.

— Seu celular está com sinal? — indagou Demetria.
— Recebi um telefonema pouco antes de vocês duas acordarem.
— Da Assistência Social? — A voz dela soou esperançosa, porém um pouco preocupada.
— Tenho certeza de que o bebê estará em boas mãos quando não estiver mais conosco.
— Eu adoraria conhecer sua história... Saber o que aconteceu com a mãe dela.

Ele também. Mas não podiam fazer nada a respeito no momento.
Joseph ajeitou a lenha no fogo e mudou de assunto.

— Meu irmão Thomas telefonou. Ele queria saber como estávamos nos virando neste tempo e também a quantas andava o negócio que estamos tentando fazer com o Hotel Dirkins.

A ficha caiu para Demetria.

— Então era por isso que estava lá, ontem à tarde... Para fechar um contrato.
— Ainda não chegamos a esse ponto. O proprietário está brigando pelo preço.
— É justo.
— Seria se o hotel valesse o que valia antes. O problema é que a construção precisa de uma reforma descomunal: de um novo encanamento e de uma entrada coberta, só para começar.
— Talvez ele não queira vender.
— Ele vai vender. Precisa apenas de algum tempo. Dirkins está pensando com o coração, não com a cabeça.
— Que desastre...
— Se quiser obter sucesso nos negócios, sim, é um desastre. — Mesmo quando era compreensível que fosse assim, ele pensou, remexendo as chamas fracas. — James Dirkins construiu esse hotel na década de 1970 e queria deixá-lo para o filho.
— E o que aconteceu para ele mudar de ideia?

Joseph deixou o atiçador de lado.

— O rapaz morreu recentemente. E de modo trágico, parece.

Demetria suspirou, e Joseph percebeu que ela aconchegava mais a menina junto ao peito.

— Coitado, Joseph. É claro que ele deve estar pensando com o coração. Deixe-o em paz... O que é um hotel a mais ou um a menos para você?

Ele respirou fundo. Demetria vivia pronta a atacá-lo.

— Foi Dirkins quem nos procurou, não o contrário. E eu quero muito comprar esse hotel.

Ela baixou os olhos enquanto refletia.

— Por conta do apego que sente pela região?
— Em parte.
— E isso não é pensar com o coração... ?

Ao ver as chamas devorando a lenha, Joseph se pôs de pé.

— Foi um comentário inteligente, mas não é bem assim. É claro que gosto desta região, mas não costumo investir em um empreendimento sem ter certeza de sua viabilidade.

Se ele acabasse oferecendo um pouco mais do que o hotel valia, seria uma decisão com base em retornos futuros, não em sentimentos. Esse tipo de atitude poderia colocar um empresário em apuros, pois ele corria o risco de errar no julgamento.

Joseph olhou Demetria e a criança mais uma vez, então se dirigiu para o escritório.

Bom senso. Era disso o que precisava e o que tinha de manter.



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Hey... desculpe a demora.

Dessa vez tenho um bom motivo ... eu estava fazendo entrevistas de emprego durante a semana, nem que seja algo só para o fim de ano.. então foi tudo muito corrido, e essa semana talvez será também se eu tiver resposta de algumas delas. Bom, de qualquer forma, me desejem sorte, vou precisar ;)

Prometo que se estiver tudo calmo, posto outro amanhã >.< 

Bjs



15 comentários:

  1. ai quero logo um super beijo entre esses dois

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  2. Boa sorte ..... vai dar tudo certoooo!!!
    Quanto a fic estou amando......., posta logo!!!!

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  3. Aí ainda bem q tu posto ❤️
    Amei o cap
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  4. Ai que fofo
    Esses dois cuidando do bebê ❤️😍😍
    Super ansiosa para saber mais
    Posta logooo
    Beijos

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  5. tuts tuts acho que vai rolar romance e eles ainda vao acabar adotando a babe
    uashuahsuhs
    acertei? hahaha' to amando a fic
    posta mais pleaseeeeee <3

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  6. que fofura os dois kk
    posta logo
    beijos

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  7. jemi se casem pfvr <3
    posta logo gata

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  8. Jubs mulher. Que fic perfeitaaaaaa
    Estou amando demais a fic, estou completamente viciadaaaaaaaaaaa. Posta logo mulher please, estou precisando de capitulo

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  9. viciadissima posta logo pls
    by: @demiibrazil

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  10. amoreeeeeeeeeee kde o cap? *o*

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  11. Postaaaaa pleaseeee! ;)

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Sem comentários ........... sem capítulos!