08/06/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 3 (Parte 1 / Temporada 2)



(I Really Don't Care)


Por meio desta eu confesso:
A paranóia adora ter companhia.

3.

Crânios e sussurros


Serei a primeira a admitir que gosto de pensar demais. A maioria das vezes isso me foi muito útil. (Vide o sucesso acadêmico culminando na admissão e no CR alto em todos os períodos em que estive em Eli.) Ocasionalmente, porém, isso me colocou em apuros. (Vide o hábito de constantemente atribuir ocorrências misteriosas a maquinações obscuras dos patriarcas misóginos da Rosa & Túmulo. Mas algumas vezes a culpa era deles mesmo. Afinal, eles tentaram arruinar minha vida no semestre passado, então um pouco de cautela saudável não faz mal algum.)

Mas se todas as garotas do clube receberam um e-mail misterioso, eu logo me liguei e comecei a pensar. Quando o clube reuniu antes da iniciação dos neófitos que ocorreria dias depois, discutimos os e-mails bizarros e com versos rimados que recebemos e o que eles poderiam significar. Cada Coveira recebeu uma mensagem de duas linhas enviadas pelo endereço de e-mail regular de cada aluna para o seu C-mail (endereço de Coveira); o horário mostrava que havia um intervalo de dois minutos entre cada um. Quando colocados na ordem de acordo com o horário de envio, formaram a seguinte cantiga:

VOCÊ ACHA QUE ACABOU, MAS NÃO 
QUE DE DENTRO PARA FORA COMECE A PODRIDÃO 
ELES NÃO PERMITIRÃO QUE TUDO PELO QUE LUTARAM 
SEJA EM VÃO 
LOGO AS SEGUIRÃO E AS AGARRARÃO 
PARA VER QUE TIPO DE MALDIÇÃO TROUXERAM 
COM A INICIAÇÃO 
TENTEM SE SOLTAR DA TELA QUE LHES SERVE DE PRISÃO 
COMPRADO PODE SER UM LADRÃO 
POIS UM PONTO FRACO OS ENFRAQUECERÃO 
CONHECER O VENENO QUE IMPREGNA O AR VOCÊS DEVERÃO 
OU MORTE DESPREZÍVEL NO FIM ENCONTRARÃO*


— O que você acha? — perguntou Thorndike, depois de colar os versos no seu laptop.

— Acho que quem quer que tenha escrito isso deveria aprender a usar concordância — respondi. — A pessoa quer fazer uma rima, mas não sabe que o certo seria "um ponto fraco os enfraquecerá", pois o sujeito é "um ponto fraco". Isso sem mencionar a falta de pontuação.
— Além disso — acrescentou Little Demon, apontando para o verso cinco —, essa parte soou um pouco safada.
Thorndike afastou a mão de Little Demon da tela.

— Será que dá para parar de pensar em sexo por um minuto?
Little Demon apertou os lábios e olhou zangada para Thorndike.
— Fala sério! Você também pensou nisso. Agarrar? Faça-me o favor...
Lucky corou.
— Continuando. O que achamos que isso significa?
Pelo menos por enquanto ela parou de debochar e usou um discurso útil.
— Não faço a menor idéia — disse Angel. Ela virou para mim — O sujeito é "um ponto fraco" mesmo?
Eu concordei com a cabeça.
— Quem poderia ter enviado isso? Teria de ser outro Coveiro, certo? Alguém que conheça nossos nomes na sociedade e os endereços de e-mail.
— Ótimo — respondeu Clarissa. — Isso nos deixa apenas com 700 patriarcas vivos.
— Bem, provavelmente menos, pois foi alguém que conhece computadores — disse Jenny. — Eu não creditaria isso a ninguém antes de C150. Isto é, se realmente for um Coveiro — acrescentou ela, suspirando.
— Ou poderia ser um patriarca que pagou a algum gênio di departamento de TI para fazer isso — sugeri. — Para ser honesta, acho que poderia ser qualquer um.
Era um pensamento sóbrio, mas Little Demon raramente estava a fim de sobriedade.
— Certo, meninas. Vamos discutir isso com os rapazes depois da iniciação. Coloquem as fantasias e assumam as posições. Vamos logo.

Mas não sabíamos que, após a cerimônia, um poema mal escrito seria a última coisa em que pensaríamos.
A cozinha do mausoléu ficava no andar de baixo e foi transformada em um trailer de maquiagem, o que fez o cuidador do mausoléu, o velho Hale, reclamar:

— Esses tipos de Hollywood invadindo o mausoléu — murmurava ele em seu lugar na entrada da cozinha. — Nunca permitiriam uma coisa dessas nos bons tempos.
— Calma, Hale — disse eu, verificando minha fantasia no espelho antigo e lapidado que cobria toda a parede do corredor no final da escadaria.

O mausoléu da Rosa & Túmulo guardava coisas muito maneiras. A maravilhosa moldura de madeira entalhada do espelho mostrava várias cenas do mito de Perséfone e, no topo, era coroada com uma rosa gigantesca. O reflexo era um pouco ondulado, mas podia-se aceitar isso em uma antiguidade dessas. Era uma pena que o mantivessem aqui no porão.

— Daqui a mais ou menos uma hora eles já terão ido embora — continuei. — Além disso, não é como se estivessem vendo algo importante aqui na cozi... — Ele me olhou de cara feia e franziu a sobrancelha grisalha e eu calei a boca.

Provavelmente, não seria bom caracterizar o principal domínio do cuidador como a parte menos importante do mausoléu. Hale se orgulhava muito em ser o cuidador dos Coveiros, assim como seu pai o fora antes dele. Ninguém na sociedade sabia quem contrataríamos depois que ele sucumbisse ao peso da idade, já que Hale não era nenhuma criancinha e a posição não poderia ser anunciada nos classificados de empregos.
— Ah, Hale — apressei-me a dizer, caminhando em sua direção e colocando uma mão em seu ombro como um gesto de conforto. — Tem uma coisa que quero dizer para você: aparentemente, Lancelot, C176, pescou um monte de halibutes no Alaska. Ele vai mandar uma parte para o nosso congelador.
— Você teve notícias dele? — ouvi uma voz perguntar, e virei e me deparei com a Morte.
Ou Poe, depois da maquiagem. Mas não havia muita diferença, na minha opinião. Merda. De onde ele tinha saído?
Ele era um espreitador.
— Tive, sim — respondi.
Ele franziu o cenho (ou talvez tenha sido impressão) e enfiou a mão nos bolsos.
— Ah. E como ele está?
Poe não tivera notícias dele?
— Bem. Ele... hum ... me pediu para dar um oi.

Na verdade, não fora bem isso que Malcolm havia escrito, mas eu tinha meus limites quando se tratava de Poe. Afinal, havia apenas quatro meses, o cara que estava bem na minha frente agora tinha me prendido em um caixão e ameaçado jogá-lo em uma piscina. (Eu não sei nadar.) Nada de amor perdido aqui.

— Ele me deve um e-mail. — Agora Poe estava com os braços cruzados no peito. — Então, como foi seu verão?
— Tudo bem — respondi. — Eu estava na capital.
— Eu sei. Trabalhando para aquele patriarca.

Ooops, assunto errado. Poe perdera o estágio com um patriarca na Casa Branca depois de (por fim e de forma relutante) ter ficado do meu lado e dos outros Coveiros na batalha da primavera anterior. Eu não sabia ao certo o que ele fizera no verão. (Embora, seja lá o que fosse, julgando pelos seus braços, ele tinha pegado um bronzeado. Na verdade, a aparência dele estava muito boa.)
— Então, como está a faculdade de direito?

De acordo com o que eu sabia, Poe deveria começar na faculdade de direito de Eli nesse outono, o que significava que este campus teria de aturá-lo por mais três anos.
— Tudo bem.
A conversa estava indo bem. Ficamos um tempo em silencio, então Poe tentou desviar o assunto.
— Little Demon pediu que eu representasse o Ceifador esta noite. Acho que ela não encontrou ninguém no clube atual que ela gostasse o suficiente para assumir o papel. É, insultar o meu clube definitivamente vai me cativar.
— Ou talvez ela tenha achado que ninguém mais tinha o ar de depressão e desespero necessário para o papel — disse eu, sorrindo. — Há planos de afogar alguém esta noite?
Ele sorriu de volta e, desta vez, não foi a maquiagem.
— Só se você se aproximar muito, Bugaboo.
Idiota. Abri a boca para responder, mas Angel me interrompeu:
— Sua vez na cadeira, Bugaboo — informou ela.
Lancei um último olhar de raiva para Poe e saí.
— Quem era aquele? — perguntou ela, enquanto o cabeleireiro começava a secar meu cabelo.
— Poe. Lembra?
Ela olhou para ele.
— Mesmo? Meu Deus. O que ele fez durante o verão? Musculação?
— Não sei e não quero saber. Ele deveria ter passado mais tempo à procura de um pouco de personalidade.
— Ele tem personalidade — interrompeu Thorndike, que estava sentada na cadeira ao lado da minha. O maquiador lançou-lhe um olhar de aviso e fez um gesto perigoso com a espátula que segurava. — Só não é uma agradável.

Todas as garotas riram e eu notei que Poe se encolhera sob a túnica no lado oposto da cozinha, de costas. Ele arqueou os ombros ao ouvir o som. Que droga.
Deixa para lá, Demi. Ele é um idiota. Guarde sua compaixão para alguém que mereça.
Lucky parou para falar comigo enquanto eu estava tentava amarrar o cordão da minha túnica.

— Ei, Bugaboo, já falei com Soze, mas eu queria dizer que o meu... amigo... bem, ele não estava falando sério lá no bazar. Ficou meio estranho. — Ela olhou para as mãos. — Algumas vezes ele não percebe como se expressa. Espero que não pense...
Coloquei minha mão sobre a dela, meu aborrecimento anterior por sua falta de comprometimento desaparecendo na hora.
— Claro que não penso. Você e uma de nós. Confio em você. E podemos conversar mais sobre isso se você quiser. — Olhei para a cozinha já quase vazia. — Depois da iniciação.

Ela sempre era muito mais amigável dentro do mausoléu que quando nos encontrávamos no mundo bárbaro. Melhor tirar vantagem disso enquanto eu podia.
Meia hora depois, estávamos em nossos "lugares", esperando o início do show, o que significava que eu estava agachada em um canto sujo, segurando uma bolsa de pó fosforescente e desejando ardentemente ter feito mais agachamentos nas aulas de ginástica.

— Oi, Boo — sussurrou Puck. — Já viu alguma coisa?

Ele recebera o papel de Quetzalcoatl no festival, provando que talvez o verdadeiro talento de Little Demon estivesse na escolha dos papéis, porque ele ficava muito bem de tanga e sem camisa. Mesmo com as penas na cabeça e a maquiagem.
— Não — sussurrei de volta.
— Bom.
Ele deslizou para o meu lado do corredor (e digo isso de forma literal, uma vez que os caras dos efeitos especiais conseguiram colocar uma longa cauda na sua roupa — o que não chegava a ser broxante) e sentou-se do meu lado, cruzando as pernas sob o corpo. Vi um short de ginástica por baixo da tanga. Droga.
— Sobre ontem à noite...
Oh, não, por favor, não pergunte sobre Brandon!
— O que há?
— Eu queria me desculpar.
Hein?
— Por minha mãe. Ela não costuma agir assim.
Ele brincou com as contas do bracelete que usava para a cerimônia.
— Ah, tudo bem.
Virei a cabeça. A música estava começando na Sala do Vaga-Lume.
— Temos algumas novidades. — Ele respirou fundo. — Meu pai está esperando um bebê. Quero dizer, a esposa dele. Ela está grávida. E vamos dizer que ele já sabe disso há mais do que deixou transparecer para minha mãe.
Eu nem consegui esboçar um ar de surpresa. Desdém, contudo, parecia ser uma substituição disponível.
— Romântico, não? — perguntou Puck.
— Depende do que você chama de romance.
— Eu tento não ter uma definição. — Ele se encostou em mim, deixando a voz assumir um tom baixo e rouco. — Acho melhor para todos se eu ficar aberto para... novas interpretações.
— Magnânimo — disse eu. — E um pouco estranho.
O que teria soado bem se as minhas mãos não tivessem começado a suar, fazendo a bolsa de pó fosforescente escorregar.
Ele olhou para o brilho espalhado pelo chão e depois para mim.
— Bem pensado, Demi.
— Ah, melhor continuar me chamando de Boo, pelo menos no mausoléu. Você me deve dois dólares.
— Essas multas são uma merda — sussurrou ele bem próximo ao meu capuz.
Virei um pouco o rosto na direção do dele.
— Vamos fazer o seguinte: eu digo "George" e ficamos quites.


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Heeeeeeeeey... capítulo novo ^^

Obrigado pelos comentários, fico feliz por cada um ^^ então, não deixem de comentar !!
Gostaram do lay ??? >.< eu achei uma graça ... e nem gosto de vermelho/vinho né ? hsuahsuahs 

#AMOOOOOOOOOOO #Demi #Super #Diva #Gravando #o #clipe #De #IReallyDon'tCare



3 comentários:

  1. quero mais...ta ficando interessante poe e bugaboo conversando numa boa

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  2. Aaaaaah olhos cheios de esperanças de jemii logo logo kkkkkkkkk to loca pra ver o video logo u.u posta logo bjs

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  3. perfeito <3 <3
    ansiosa para saber o que vai acontecer...
    posta logoo bebê
    beijos

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Sem comentários ........... sem capítulos!