29/05/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 2 (Parte 1 / Temporada 2) #BIG






Por meio desta, eu confesso:
há algo de podre no reino dos Coveiros.

2.

Falas da festa


É possível ter um sentimento de nostalgia em relação a algo que ainda não acabou? O início do meu ano como sênior em Eli parecia projetado para evocar esse sentimento em todas as oportunidades. Recepções especiais, chás, festas, churrascos, reuniões, palestras, simpósios, almoços — tudo proclamava "Os melhores anos de sua vida estão chegando ao fim!"

Na verdade, minha colega de quarto, Selena, tinha uma explicação diferente:

— Eles estão preparando tudo para o fundo dos ex-alunos. Espere e veja. Continuo afirmando que se eles esperam que eu faça uma doação extra depois da conta mensal do meu empréstimo estudantil, eles não conhecem o estágio editorial de vinte mil dólares por ano (em Manhattan!) que me aguarda após a formatura. (Isto é, se eu for para Manhattan. Falo sobre isso mais tarde.)

A festa da Universidade Prescott seria sem graça, como sempre, mas, como eu disse a George esta tarde, pelo menos haveria cerveja grátis.

Estava de pé em frente à minha escrivaninha, penteando o cabelo com os dedos e passando os olhos pela mensagem de "boas-vindas" enviada pelo reitor do departamento de literatura. Meu cabelo cresceu um pouco no verão e, em agosto, eu havia cedido à insistência de Odile e feito umas luzes vermelhas. Ela disse que combinariam com a minha tatuagem. É claro que não foram muitas as pessoas que viram a minha tatuagem, então, as cores combinadas não tiveram a apreciação que mereciam de ninguém, a não ser das cinco Coveiras.
No quarto adjacente, Selena estava cantando. Se existia uma garota que realmente adorava o período de compras, era a minha melhor amiga. Mas não acho que a tenha visto tão contente quanto hoje um pouco mais cedo, quando ela voltou à nossa suíte. Andei pela sala com painel de madeira nas paredes, mas a porta do quarto dela ainda estava fechada e, no seu quadro branco, ela havia desenhado um rosto sorridente azul com um rabo-de-cavalo laranja.

Cantoria e rabo-de-cavalo? Sim, vou querer saber tudo sobre isso um pouco mais tarde. (A não ser que seja algo relacionado à sociedade secreta dela.) Mas já que ela estava ocupada...

Voltei para o meu quarto, mudei cuidadosamente o ângulo da tela do meu computador para que ninguém o visse da porta e minimizei minha janela de e-mails de Eli.
Um pouco depois, entrei na minha outra conta de e-mail. Uma mensagem nova.


______________

"De: Lancelot-C176@phimalarlico.org
  Para: Bugaboo-C177@phimalarlico.org
  Assunto: boa sorte amanhã!


Como vai a minha irmã caçula favorita? tudo pronto para os neófitos? Faça-me um favor e tente não acabar com as bases da sociedade durante a iniciação. Sei que você é famosa por fazer essas coisas, dê um abraço em poe por mim, tá?"

______________


— Oi — disse Selena, enfiando a cabeça entre a porta e o batente. — Pronta para irmos?
— Sim, só um minuto — respondi. — Estou lendo um e-mail.

Respirei fundo. Não me pergunte de quem. Como eu deveria explicar minha amizade repentina com o superpopular e recém-formado Malcolm Cabot? Mas Selena facilitou tudo para mim.

— Tudo bem. — Ela concordou, saindo.


______________


"Está tudo bem aqui. é tudo tão bonito, bugaboo. Gostaria que você pudesse ver. fiz alguns novos amigos, mas raramente falamos sobre algo que não sejam peixes, (isso me lembra: avise ao hale que haverá um grande carregamento de halibute.) não vou mentir; fiquei um pouco decepcionado depois da proximidade que tive com o resto do pessoal da r&t. vou a juno no final do mês. Acho que vai ser divertido, você sabe o que dizem sobre o alaska: cinco homens para cada mulher. Embora eles nunca tenham mencionado quantos homens para cada homem.
;-)
Lá em casa, o último relatório diz que estou sofrendo de "exaustão"...
______________


— Olha — disse Selena, muito perto. Pulei de susto. Ela estava ao meu lado, mexendo de forma lenta em meus brincos espalhados na penteadeira. — Se chegarmos lá depois que todos os biscoitos recheados tiverem acabado, nunca mais falarei com você.

Será que ela viu? O texto estava em fonte pequena e não havia nenhum desenho incriminador na página. Só para me certificar, alterei para a janela minimizada usando as teclas alt+tab.
Um segundo antes de a tela desaparecer, vi um outro assunto em negrito na minha caixa de entrada. Novo e-mail.

AVISO: DEMI LOVATO

Selena passou a mão na frente do meu rosto.

— Demi. Vamos logo.

Fechei meu laptop.
Selena deu um pulo para trás.

— Eu não estava espionando!

Quem mandou aquela mensagem? Quem estaria usando o meu nome bárbaro para enviar um e-mail para o meu endereço secreto, usado apenas por Coveiros, com terminologia da sociedade e selos e datas próprios da sociedade? Tinha de ser de outro cavaleiro da Rosa & Túmulo. Apenas eles sabiam sobre o nosso domínio secreto ou as configurações dos nossos endereços de e-mail. É melhor que isso fosse algum tipo de piada — algo que valha a multa de dois dólares por usar nomes bárbaros nas missivas da Ordem.

— Não há razão para se assustar — continuou minha colega de quarto.

Mas havia. Porque o webmail Phimalarlico só deveria receber mensagens de outras pessoas de dentro do domínio phimalarico.org. Tratava-se de um "mausoléu virtual" — ninguém mais podia entrar nesse mundo altamente protegido por senhas a não ser os Coveiros. Bárbaros não eram permitidos. Selena ainda estava falando:
— Dez segundos e vou embora sem você.
— Não, espere! — pedi. — Prometo, dez segundos. Só tenho de...
Selena revirou os olhos e saiu, murmurando:

— Dez... Nove... Oito...

Abri meu laptop de novo.


______________

De: amy.haskel@eli.edu
Para: Bugaboo-C177@phimalarlico.org
Assunto: AVISO: DEMI LOVATO


VOCÊ ACHA QUE JÁ ACABOU, MAS NÃO
QUE DE DENTRO PARA FORA COMECE A PODRIDÃO
______________


Fechei a janela e senti os pêlos do meu pescoço se arrepiarem. Tirando a rima pobre e um senso horrível de ritmo no verso (não dá para abandonar o lado editorial de uma garota...), tratava-se de uma mensagem bastante fria.
E, aparentemente, foi enviada por mim. O que significa que alguém lá fora, que conhece a minha identidade na sociedade — que pode ser qualquer Coveiro —, conseguiu entrar na minha conta de e-mail comum para me enviar essa mensagem. O que eu deveria fazer? Se eu contasse aos outros Coveiros, pareceria que o vazamento de questões de segurança tinha sido minha culpa, como se eu não tivesse sido mais do que discreta em relação ao meu endereço de e-mail da sociedade.

— Dois... Um e meio... Um! — avisou Selena da sala.
— Estou indo! — gritei e me apressei para encontrá-la.

Nós nos "escondemos" durante a loteria de quartos na primavera passada, apostando em manter nossa ótima suíte de juniores em vez de nos arriscarmos a participar e acabar com um quarto ruim no nosso ano como seniores. Tipo um cômodo no quarto andar. Seria ótimo para nossas panturrilhas, mas não valeria o esforço.
Selena estava ao lado da porta, com os braços cruzados e batendo o pé no chão.

— Será que você pode me dizer o que era tão importante, ou será que é proibido?
Toquei o broche da Rosa & Túmulo que estava preso na parte de dentro do meu bolso.

— Uma crônica bizarra no Salon.
— Não são todas bizarras?
— E quem diz isso é uma mulher viciada no blog político Daily Kos? — respondi, enquanto descíamos as escadas da entrada e chegávamos ao pátio da Universidade Prescott.

O ar ainda carregava o calor do fim de agosto, e todas as janelas de Prescott estavam abertas, deixando escapar sons de hip-hop, discussões acadêmicas, efeitos sonoros de videogames, discussões entre colegas de quarto e o som de alguém afinando um violoncelo sobre os alunos que se espalhavam pelo gramado. A cacofonia era uma assinatura do início do período, um som que eu, sem dúvida, associaria a Eli pelo resto da minha vida.

Sob a luz amarela de um poste, um grupo de alunos chutava uma bola de areia. Próximo deles, um círculo de pessoas que gostam de ficar ao ar livre estava sentado na grama bebendo em garrafas de plástico e conversando sobre o que tinham feito durante a orientação dos calouros. Em um pequeno nicho de pedra, dois formandos em teatro fumavam e discutiam se a companhia de teatro deveria começar o ano com Ibsen (tendencioso demais), Sartre (leve demais), Miller (pudico demais) ou Williams (vanguarda demais).
Chegamos à casa principal e, a julgar pela multidão que estava ali, havíamos perdido os biscoitos recheados.
Na porta, encontramos George Harrison Prescott, que segurava o braço de uma mulher bonita de cabelos escuros.

— Me solta, George. Sou perfeitamente capaz de andar sozinha — disse ela, perdendo o equilíbrio.
Selena e eu estávamos na posição certa para pegá-la.

— Desculpe, sinto muito — desculpou-se a mulher, empinando o corpo e ajeitando a saia e o cabelo.

Olhei para George, que tinha no rosto uma expressão que eu nunca tinha visto antes. A mandíbula estava apertada. O que fazia muito bem para os ossos da maçã de seu rosto, que já eram maravilhosos.

— Mãe, estas são algumas de minhas amigas da Prescott, Selena Gomez e Demi Lovato. Senhoritas, esta é minha mãe, Kate Anderson Prescott.
A mulher nos lançou um olhar.

— George Harrison não tem amigas — disse ela em tom frio. — Tal pai, tal filho.

Ela virou e seguiu em direção ao casal do teatro — que tinha avançado a uma discussão sobre se Shakespeare era ou não óbvio demais — para filar um cigarro.
Engoli em seco e olhei para George, cujo sorriso permanente estava de volta.

— É uma longa história — declarou ele, dando de ombros.

A porta abriu de novo e de lá saiu um homem muito bonito de quarenta e poucos anos. Ele olhou em volta antes de pousar os olhos em nosso pequeno grupo. Quando seus olhos encontraram os meus, ergueu uma sobrancelha, e eu pude perceber de quem George herdara os olhos cor de cobre.

— Você! — exclamou o homem.
— Está parecendo mais jovem, Sr. Prescott — respondi.
A
 última vez que eu vira este homem ele estava usando uma excelente maquiagem para parecer mais velho, uma peruca grisalha e uma máscara feita de rosas.
Seus olhos passaram por Selena e seu sorriso de deboche morreu nos lábios. Oops!
Alerta à direita. Bárbara à vista. Alerta. Alerta.

— Para onde ela foi? — perguntou o Sr. Prescott ao filho.
George apontou o polegar para o canto com as pedras e depois colocou as mãos no bolso enquanto o Sr. Prescott partiu atrás da ex-esposa, algumas vezes amante e rival de décadas nas brigas.
— Está tudo morto lá dentro — informou-nos George. — Por enquanto pelo menos. Demi, você vai no lance da Clarissa?
— Humm...

Eu ainda não tinha conseguido explicar a Selena porque minha antiga inimiga declarada agora me mandava convites para festas e aparecia na nossa suíte para conversas improvisadas. Ela provavelmente suspeita que, depois de velha, me tornei superficial. Ou talvez ela suspeite que essa seja mais uma mudança inspirada pelo meu status de Coveira. Ela se ajustou muito bem à mudança repentina do meu estágio de verão, que mudou de Manhattan para Washington D.C. (principalmente porque isso significou que passaríamos a maior parte do verão juntas). Entretanto, desde maio estávamos vivendo uma moratória estrita sobre todas as conversas relacionadas a sociedades secretas, e atividades que tenham a ver com esse assunto — como uma festa com uma amiga Coveira — podem ser perigosas. Sempre que eu tentava falar sobre qualquer coisa que pudesse levar a algo sobre uma conversa relacionada a sociedades secretas, ela se recolhia mais rápido que um formando em bioquímica depois das provas do meio do período. E eu acreditava que a Rosa & Túmulo prezasse a discrição! Mas, evidentemente, eu não sabia nada sobre a irmandade de Selena.

Minha colega de quarto, porém, já estava a caminho da casa principal.

— Os biscoitos já acabaram — avisou George, e Selena desistiu.

Então, teríamos de ir à festa de Clarissa Cuthbert. Ela morava em uma cobertura presunçosa de um dos prédios mais chiques da cidade. O pai dela é um dos grandões de Wall Street que não vê problema nenhum em jogar dinheiro fora. Os Cuthbert chegaram a doar um Monet muito valioso para Eli quando a filha deles foi aceita na universidade, embora haja uma discussão no campus sobre o que veio primeiro, a doação ou a admissão. Mas eu não tomo mais parte nessas discussões por dois motivos:

1) Clarissa é uma colega Coveira e uma amiga.

2) Ela me contou a verdade no ano passado. (A doação veio primeiro, e isso não a incomoda nem um pouco.)


Clarissa também é famosa por suas festas de bom gosto e regadas a champanhe, para as quais eu nunca havia sido convidada. Aparentemente, bastou que eu fosse iniciada em uma sociedade de elite, além, é claro, de termos tido de acabar com uma conspiração misógina que quase arruinou nós duas, para que eu obtivesse um passe para essas festas. Clarissa e eu estamos bastante próximas agora.
Mas tente explicar isso para sua melhor amiga bárbara.

— Eu não consigo entender. Por que agora passamos a gostar dessa vaca? — perguntou Selena enquanto entrávamos em um apartamento que cheirava a lírios e estava iluminado por centenas de velas pequenas que boiavam em recipientes com água.

Um homem usando fraque branco nos ofereceu taças de champanhe rosé em uma bandeja de prata.
— O que há para não gostar? — perguntou George, pegando uma taça. — Obrigado, amigo.

Clarissa Cuthbert, uma visão vestida de seda branca e bronzeado artificial, nos encontrou um pouco depois.

— Querida! — exclamou ela, beijando-me no rosto, mas sem me tocar, como se não tivéssemos passado a tarde juntas no mausoléu escuro. — George, querido! — O mesmo se aplica a ele. Depois ela virou para minha colega de quarto. — Selena, não é? Nós nos conhecemos na primavera passada.
— Olá — cumprimentou Selena. — Lindo apartamento.
— Obrigada! Os canapés estão lá trás — informou ela.

Quando Clarissa virou para apontar, seu cabelo longo e com luzes louras perfeitas se afastaram do ombro, revelando por um instante, a ponta da tatuagem da Rosa & Túmulo. George olhou para mim e ergueu uma sobrancelha. Selena agarrou meu braço. Merda.



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Heeeeeeeey amores, não disse que logo viria com um novo cap....
Aqui está ........ 

GEEEEEEEEEEEEENTE, o que é isso de TOUR MUNDIAL da Demi ???
Essa mulher vai me deixar pobre, mas eu necessito ir, TEM que vir pro Brasil porque meu deus ... 
Vamos Juntar money, começando agr !!! GO GO 

Amanhã tem outro cap ... 
Bjssssss







3 comentários:

  1. Eu quero dinheiro, eu quero Demi, eu quero lá lá. E AGORAAAA, a Clarissa foi descoberta? MENINA PAPOCO. Adorei, poste logo dona Jubs. Beijos e vamos assaltar um banco

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  2. Namoral o Poe e um cinicoooo
    tô com a bexiga com ele fui reler os capitulos e percebi
    ele era meio um vilãozinho agora e o mocinho tudo bem
    mais repare que e ele que causa as coisas para a podre Demi oxê
    pessoa irônica kkkkkkkkk
    fiquei doida né
    normal
    adorei Jubs e já me atualizei na leitura
    continuemos com nossa sociedade que nem e tão secreta assim
    #Pacoco
    beijos

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  3. capítulo perfeito <3
    ansiosa aqui
    posta looogo
    beijos

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Sem comentários ........... sem capítulos!