18/04/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 15 (Último/Parte 2)




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Muito bem, vamos falar de coisas mais alegres. Acabou que os seniores conseguiram mobilizar a população de patriarcas muito mais rápido do que qualquer um esperava e, lá pelo meio da Semana de Leitura, nós tínhamos nossa resposta: as garotas estavam dentro. Compreensivelmente, os novos convocados passaram o resto da semana acampados no mausoléu, o que me ajudou a tirar Brandon e o resto da minha vida bárbara da cabeça. 
Aprendi onde ficavam todos os recantos e alcovas, cômodos secretos e escadarias escondidas. Examinei a biblioteca e descobri o código exato que fazia as línguas instaladas nas arandelas de caveira do segundo andar tremerem (Os Coveiros têm um senso de humor muito esquisito). E, é claro, estudei como uma louca para as provas finais e descobri que a coleção de exames na biblioteca da Rosa & Túmulo era tão útil quanto prometido. 
Um mausoléu de sociedade secreta durante a Semana da Leitura é realmente algo digno de se ver. Em todos os lugares, os Coveiros haviam montado pequenos campos para concentrar suas tropas e preparar para a batalha. Você vagava pelas salas em uma pausa de 15 minutos do estudo e via minúsculos microcosmos acadêmicos em cada canto. De todas as superfícies planas, de uma cristaleira vazia a uma vitrine de vidro que guardava espadas enferrujadas da Guerra Civil, pareciam germinar famílias de cadernos de espiral, fotocópias, livros e laptops cujos cabos infinitos serpenteavam pelos corredores a procura de uma ilusória tomada sem uso. 
Os espaços em volta dos quartéis-generais estavam cheios de garrafas de refrigerante vazias e porta-copos de papelão, invólucros de sanduíches e sacos de batatinhas murchas. Por perto estaria o local de dormir de um aluno, identificável apenas porque normalmente incluía uma superfície plana ligeiramente mais confortável e um travesseiro improvisado (normalmente um sofá e um casaco enrolado, ainda que Greg Dorian muito criativamente utilizasse um mangusto empalhado e uma mesa de bilhar). Minha casinha era o anteriormente mencionado banco na janela na Biblioteca Principal (nenhum pedaço de corpo, só livros) que dava para o bem cuidado pátio. O jardim externo da Rosa & Túmulo podia parecer abandonado e pouco convidativo, mas o interno era o paraíso. Engraçado como tantas coisas funcionavam assim. 
Uma semana depois, tomei meu lugar na sala de aula do professor Muravcek, três lápis número 2 na mão e uma boa dose de serenidade no meu cérebro. Ia me sair bem, apesar de não ter lido umas boas 500 páginas do GEP. 
Eu ainda não havia entendido que minha posição era ainda melhor do que pensava. O professor assistente no tablado ergueu várias pilhas de exames e começou a subir os degraus, entregando mais ou menos uma dúzia na ponta de cada fileira. Ergui meu pacote de provas da dita pilha e passei o resto adiante. Quando havia terminado de distribuir o material, ele voltou para a frente da sala, escreveu a hora no quadro-negro e disse: 

— Comecem. 
Abri meu pacote e um cartãozinho branco minúsculo caiu. 


Cara iniciada, Espero sinceramente que você tenha estudado atentamente 
a prova final de 1985. 
Provavelmente vai ser útil neste momento. 
Saudações da 312 
Shandy, C171 


Olhei de novo para o professor assistente, que estava remexendo em papéis no tablado sem olhar para mim com muita determinação. Outro Shandy, igual ao Harun. Fiquei imaginando se algum dia haveria outra Bugaboo. Quarenta e cinco minutos depois, terminei minha prova, juntei minhas coisas e me dirigi à mesa lá na frente. 
— Já acabou? — perguntou o professor. 
— Mil novecentos e oitenta e cinco foi um bom ano — falei. 
Era o ano em que eu havia nascido. É claro que eu ia escolhê-lo na grande coleção dos Coveiros, nem que fosse só para ver que tipo de perguntas eles achavam que eram importantes na época. 
— Sabia que acharia isso — ele sorriu. — Estamos todos muito impressionados com você, sabe. 
Corei. 
— Eu não fiz nada. 
— Ah, fez sim. Se colocou diante dos outros. Depois da pontualidade, é a melhor qualidade para se ter. — Ele limpou a garganta. — Uma pena que não estivesse na minha aula. Eu faço uma festa de pizza para todos os meus alunos lá em casa. Você podia ter visto meu, hum, relógio de pêndulo de alta precisão. 
Não acredito que essa história se espalhou. 
— Está me provocando, certo? 
— Eu lhe diria — falou, piscando para mim —, mas aí teria que matá-la. — Ele apontou para o meu exame. — Tem certeza de que não tem mais nada a me dizer sobre Kitty e Levin? 
Eu estremeci. 
— Sem querer ofender, mas acho que literatura russa não é a minha praia. Além do mais, há algo que preciso fazer. — Havia um dos meus que precisava de mim. — Assuntos bárbaros. 
Ele me saudou de gozação.
— Então, vá, irmã. 

Fui direto para o escritório do Eli Daily News. O EDN, diferente da minha humilde publicação, ocupava uma estrutura que era um verdadeiro castelo gótico no campus. Há muito tempo, o prédio fora o lar de uma sociedade secreta rival, que há muito havia desistido do fantasma e doado a propriedade para a universidade, que acrescentara janelas e o entregara para seu ilustre meio de comunicação. 
Genevieve estava em sua mesa no minúsculo escritório particular e, tenho de reconhecer, conseguiu esconder a maior parte do choque que sentiu quando irrompi em sua sala, Mas não todo. 

— Oi — falei. — Precisamos conversar. Posso me sentar? 
— O quê... o que está fazendo aqui? 
— Vou lhe dar uma chance para adivinhar. 
Seus olhos se moveram rapidamente para a porta atrás de mim, como se eu estivesse escondendo uma tropa de assassinos mercenários. 
Melhor cortar o mal pela raiz. 
— Vim aqui para falar sobre uma das coisas que você propôs para a edição de formatura do EDN. 
— Ah, é? — ela ergueu a sobrancelha. 
— Gostaria de oferecer uma alternativa. — Ela se iluminou, mas ergui minha mão. — Não a que você sugeriu. Nunca fui fã de chantagem. No entanto, tenho que admitir que não sou completamente insensível à sua situação. 
— Você não tem idéia de qual é a minha situação — Genevieve retrucou, áspera. 
— Pelo contrário — repliquei calmamente. — Acho que entendo melhor do que você. E realmente não acho que ele não tem culpa nenhuma nessa questão. 
— Saia... do... meu escritório. 
— Não até você me ouvir — esperei, mas ela não fez nenhuma outra objeção. — Muito bem, vamos conversar. Você quer escrever uma matéria de tablóide cruelmente escandalosa a respeito de um grande amigo meu, sabendo perfeitamente que o artigo causaria danos irreparáveis a seus relacionamentos interpessoais sem revelar nenhuma insuficiência de caráter. Acho que é uma Má Idéia. 
(Quando é necessário, eu sei usar letras maiúsculas tão bem quanto qualquer um.) 
— Como eu disse, você não entende a minha situação. 
— Entendo, sim — inclinei-me para a frente. — Acho que você o está ameaçando com isso porque o que realmente quer fazer é tentar escrever uma matéria cortante que lhe garanta um belo emprego como jornalista investigativa no Post, no Times ou no Tribune. 
Ela ficou em silêncio. 
— E eu estou aqui para lhe dizer que você não vai fazer nada disso. O que posso lhe oferecer, no entanto, é uma fonte — uma fonte anônima, deve permanecer assim — disposta a lhe contar o motivo real por trás daquela pequena confusão do lado de fora do mausoléu da Rosa & Túmulo na High Street há duas semanas. 
Um fogo se acendeu por trás dos olhos de Genevieve. Ela era repórter até a alma. 
— O nome que você está procurando é Garganta Profunda. 
— Algo que eu queira? 
Sacudi a cabeça muito de leve. 
— Essa história. E eu lhe prometo, é boa o bastante para publicar. 
Sua boca virou uma linha fina. 
— Não basta. Não é o bastante. 
— Muito bem — eu me recostei na cadeira. — No entanto, devo adverti-la de que, se continuar a ameaçar meus amigos, vou abandonar os contos que havia planejado para a edição de formatura da revista literária e partir para a não-ficção. Prometo que minha revista de circulação baixa vai dar o furo antes do seu jornal e publicar a história. 
Aí seu queixo caiu. 
— Não pode fazer isso. 
— Estou com a impressora pronta — fiquei de pé. — Avise-me da sua decisão, Genevieve. 
— Você acha que me assusta? — ela gritou para mim enquanto eu andava em direção à porta. — Acha que eu tenho medo da sua fraternidadezinha idiota? 
Parei na porta. 
— Se não tem, deveria ter. Eu sou uma Coveira. Não faço promessas que não posso cumprir. 
E então, eu fui embora. 
Duas horas depois, ela me mandou um e-mail dizendo que aceitava minha proposta. 
Nossa, a sensação era ótima. Uma garota podia se acostumar a esse tipo de poder. 




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Daqui a pouco tem outro ^^ 
pra terminar =)
bjs bjs


COMENTEM!!!


7 comentários:

  1. Urul primeira 0/

    Ual que perfeito o capito....
    muito perfeita a fic estou amando ela desde o começo.....

    POSTA LOGO O PROXIMO BJOS GATA

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  2. esperando mais posssssssssssssstttttttttttt

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  3. E eu amo essa Demi ❤️ ansiosa pela 2a temp.

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  4. que perfeito meu bebê
    adorei ansiosa aqui para mais...
    beijos

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  5. MY GOSH!!!!!!! Mais please!!! POSTA LOGO!!!!

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  6. PERFEITO!!!! Posta mais!!!
    Bia

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Sem comentários ........... sem capítulos!