18/04/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 15 (Último/ Parte Final)




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Considerando-se tudo que havia acontecido, montar a edição de formatura da revista literária foi muito mais fácil do que eu esperava. Brandon e eu arrumamos nossos horários com o propósito expresso de passar o mínimo de tempo possível no mesmo aposento. Ele assumiu a parte gráfica, enquanto eu me concentrava nas matérias apresentadas e em como organizar a revista para que os textos formassem um todo significativo (ou tão significativo quanto um bando de aspirantes a Jack Kerouac supercultos podiam ser no meio da semana de provas). Deixei grande parte do trabalho de layout para os alunos do segundo ano que estavam entrando e, apesar do fato de minhas horas no escritório da revista literária serem muito menos alegres e terem muito menos aviões de papel, nunca passei momentos tão agradáveis ali. Talvez eu apreciasse tanto a oportunidade porque temia que fosse a última. Afinal de contas, eu ainda não arrumara um emprego de verão. Tinha quase certeza absoluta de que os próximos meses me veriam empilhando calças cáqui na GAP mais próxima. 
Na noite antes da formatura, as primeiras cópias de "Ambição" chegaram quentinhas da gráfica, e eu folheei uma, surpresa como cada página recém-impressa parecia estranha aos meus olhos. Diferente de outras edições, eu não havia estudado cuidadosamente o tamanho da fonte de cada manchete, não havia sofrido com a disposição dos anúncios. Até a arte da capa fora escolhida pelo Brandon e, como se estivesse fazendo uma última piada pessoal, ele escolhera uma foto da silhueta de um rapaz contra um fundo urbano, mirando a cidade com um olhar ardente. Parecia, como eu suspeitava que seria, um anúncio de perfume. 
No entanto, achei que era perfeito para o tom melancólico e severo da maioria dos contos. Brandon, como sempre, mostrava ter um gosto excelente. Eu planejara ficar para a formatura, tanto para coordenar a distribuição da revista quanto para comparecer à colação de grau de Glenda Foster. Como os dormitórios estavam fechados, acampei no mausoléu, e descobri que não era a única Coveira que tinha esse plano. Na noite anterior ninguém dormira nada, já que um bando de patriarcas que havia chegado cedo para os eventos da formatura no dia seguinte aproveitou a oportunidade para ensinar aos alunos Coveiros a velha tradição do Kaboodle Bali, cujas regras, sinto dizer, são complicadas demais para relatar sem a ajuda de mapas, gráficos e marionetes pequenas e multiarticuladas. E meio um esconde-esconde misturado com rugby, golfe e Calvinball. 
A manhã da formatura estava clara e surpreendentemente fria para a estação, Eu me ocupei enviando três membros da revista literária para os centros de distribuição, mas me assegurei de pegar uma cópia do Eli Daily News também. Surpreendentemente, trabalhar com Genevieve não fora o fardo que eu previra. Acho que minha avaliação inicial estava correta. Ela não era uma bruxa do mal — só era ambiciosa, estava com o coração muito partido e desesperada por vingança. Eu não esperava que sua história fosse lisonjeira com a sociedade, mas era o menor dos males. 
Estava na terceira coluna da matéria quando alguém na minha frente limpou a garganta. Olhei para cima e vi duas figuras de capa preta e capuz: um alto, magro e pálido, com olhos cinza irados; o outro, bronzeado e louro, com um sorriso enorme que era incapaz de esconder. 
— Você é a fonte secreta? — Poe soltou. 
Olhei atônita para ele. 
— Eu garanto que estou tão chocada em ver essa matéria quanto você. 
Malcolm mordeu o lábio, mas seus olhos transmitiam gratidão.
 — Essa história é um escândalo! — Poe gritou. — Revela tudo sobre nossos trabalhos internos! 
— Qual é — disse Malcolm, encontrando finalmente sua língua. — Na verdade, ela só diz que a Rosa & Túmulo finalmente abriu a filiação para mulheres. 
— E que houve um conflito interno a respeito disso — Poe mandou de volta. 
— Uma bela matéria de jornalismo investigativo — observei. — Acho que a autora mora debaixo do Malcolm. Provavelmente nos ouviu na reunião na outra noite.
— Eu não daria muita importância — Malcolm deu um tapinha no ombro de Poe. — Não é a primeira história que alega ter desvendado os nossos segredos e não será a última. 
— Também não entra em detalhes específicos — acrescentei, — A não ser por essa parte sobre como alguns dos patriarcas mais desgastados pela idade montaram um pequeno protesto do lado de fora do mausoléu. No mínimo, acho que faz um belo trabalho ao desviar do verdadeiro cerne do problema. A fonte, quem quer que seja, manipulou essa repórter direitinho — olhei para Malcolm, cujas sobrancelhas me informaram para não abusar da sorte. 
Nós três nos dirigimos de volta à multidão de formandos e suas famílias. 
— Malcolm! — gritou uma mulher loura, apontando uma câmera digital na nossa direção. Devia ser a Sra. Cabot. Os dois rapazes se inclinaram para perto de mim e todos nós sorrimos para a foto mas, assim que o flash se apagou, a expressão de Poe voltou a ficar sombria. 
Quando Malcolm se afastou para ver como a foto saíra, Poe virou-se para mim. 
— Eu queria lhe agradecer — ninguém jamais soara menos grato. 
— Por quê? 
Ele fechou os olhos por um momento, como se estivesse se fortalecendo. 
— Por se manifestar em Nova York. Não sei o que eu estava pensando. O Sr. Gehry simplesmente me convenceu... — ele deixou a frase morrer e então balançou a cabeça. — Eu me esqueci de algumas coisas. Você me fez lembrar. 
— Ah. De nada. — Ficamos em um silêncio constrangedor por mais alguns momentos, antes de eu levantar um tópico neutro. — Então, o que vai fazer neste verão? 
— Não vou trabalhar na Casa Branca — ele sorriu melancolicamente. 
— Sinto muito — falei. Então, nem tão neutro assim, mas pelo menos explicava por que Poe, de todas as pessoas, traíra seus irmãos. A ambição, pensei, pode ser uma coisa perigosa. 
Talvez eu estivesse feliz por ainda não ter determinado a forma exata da minha. 
Ele encolheu os ombros. 
— Tudo bem. Pelo menos posso me olhar no espelho todas as manhãs. Mas provavelmente vou estar em Washington fazendo... alguma coisa. E você? 
Dei de ombros. 
— Estou tentando decidir entre duas ofertas brilhantes, numa cafeteria e numa lanchonete. 
E, como eu não via motivo para continuar com essa entrevista mais tempo do que o necessário, acrescentei: 
— Bem, parabéns pela formatura. Eu lhe desejo sorte na Faculdade de Direito de Eli no ano que vem. 
E espero não vê-lo mais do que o estritamente necessário. 
— Boa sorte para você também — disse Poe, olhando" além de mim, para o mausoléu na esquina. —Tenho a sensação de que vai precisar. 

Ele saiu trotando e eu revirei os olhos. Já vai tarde. 
O que diabos Malcolm via naquele cara? 
Malcolm voltou logo depois. 
— Vocês dois tiveram a chance de conversar? 
— Trocamos insultos ligeiramente velados, por aí. 
Ele suspirou. 
— Sabe, Demi, realmente devia lhe dar uma chance. Ele náo é tão mau quanto você pensa. 
Inclinei a cabeça e virei-me para ele. 
— Malcolm, ele é...? 
Ele jogou a cabeça para trás e riu. 
— Não, Demi. Ele é meio perturbado, mas é totalmente hétero. — Aí ele deu um tapinha no jornal em sua mão. — Obrigado, eu não posso... nunca vou poder lhe agradecer o suficiente pelo que fez. Não como você fez, como pensou nisso, mas... você é incrível. 
— Para que servem as irmãs mais novas? — Apontei com a cabeça na direção de seus pais. — Vai contar a eles? 
Malcolm respirou fundo e sua expressão ficou sombria. 
— Vou. Em algum momento. Em breve, em algum momento. Nós vamos para um chalé nas montanhas todo verão. Meu pai e eu gostamos de sair para caçar. Acho que vou lhes contar lá. Longe da imprensa e tudo mais. 
— Boa idéia. Mas posso fazer uma sugestão? Tenha certeza de que as armas não estejam carregadas. 
Ele mostrou os dentes brilhantes. 
— É. 

Eu já podia ver o alívio refletido em seu rosto. O que quer que Malcolm dissesse, estava cansado de mentir para seus pais. Eu torcia para que desse tudo certo, mas não esperaria férias felizes para a família Cabot.
 Logo depois de deixar Malcolm, encontrei mais um Coveiro — o homem que havia se sentado ao meu lado no Eli Club, fazendo anotações. Seu cabelo castanho-avermelhado, fartamente salpicado de cinza, brilhava sob a luz do sol da manhã. 
— Demetria Lovato! — falou alegremente, sacudindo minha mão para cima e para baixo. — Estou tão feliz por tê-la encontrado. Gus Kelting — ele se inclinou para perto —, Horace, C142. 
— Mais uma vez nos encontramos — disse eu. E, desta vez, ele estava falando comigo. Ótimo, porque eu ainda tinha algumas perguntas que haviam sobrado daquela tarde. — Queria lhe perguntar, por que não nos defendeu em Nova York... Vi as anotações que escreveu para mim. 
— Eu perdi na votação — Kelting admitiu. — Não tinha permissão para falar. E, acredite, foi uma das coisas mais difíceis que já fiz. Mas acho que você os pegou. Contei para todos os meus amigos Coveiros. Ficamos muito impressionados com você. Eu fiquei muito impressionado. — Ele puxou uma cópia de "Ambição". — Li isto ontem à noite. 
— Muito impressionante... também. 
— Obrigada, senhor. 
— E, como provavelmente pode ver pelo meu vocabulário limitado, não sou um cara de muitas palavras. Meu negócio é economia. 
Está bem. 
— Legal. 
Aonde ele estava querendo chegar com isso? 
— O negócio é o seguinte, Srta. Lovato. Soube que está com um probleminha de trabalho e sei que os Coveiros são... culpados por isso. Quero compensá-la. Trabalho em um núcleo de idéias em Washington e temos um projeto este verão no qual precisamos de alguma ajuda. Estamos tentando estabelecer um programa de reintegração para mulheres exploradas e, como parte de nossa proposta de patrocínio, estamos montando um livro de narrativas. Algumas das histórias são de partir o coração. Mas essas senhoras não são escritoras. Algumas delas nem são alfabetizadas. Acho que uma pessoa com suas habilidades editoriais seria útil. 
Fiquei olhando para ele por um momento, incrédula. 
— Está me oferecendo um emprego? 
— Não paga muito mais do que o mínimo, mas também encontraremos alojamento. Sei que não é Nova York... 
— Um trabalho editorial? 
— É. Com uma boa dose de responsabilidade ligado a ele. 
De alguma maneira, consegui não derrubá-lo no chão. Isso era muito mais legal do que ficar xerocando formulários! E Lydia estaria em Washington neste verão (Poe também, mas quem se importa? É uma cidade grande). 
— Uau, Sr. Kelting. Obrigada! 
— Não, Demi, obrigado a você. Além do mais, você é uma Coveira, nós vamos deixar que passe o verão trabalhando como frentista? — ele sorriu, — Venha cá, quero que conheça alguém. 
Ele pegou a minha mão e me levou pelo gramado até uma moça com longos cachos ruivos e beca de formando. 
— Demetria Lovato, esta é minha filha, Sarah Kelting. Dra. Sarah Kelting. Ela se formou em medicina hoje. 
— Estou vendo — falei. 
Sarah riu e apertou minha mão. 
— Pai, você vai me apresentar assim de agora em diante? 
— Pode apostar! — disse ele, sorrindo. — Ou pelo menos, até eu receber de volta o que paguei. 
— Então, em outras palavras, de agora em diante — a mulher provocou. — Sarah, Demi acabou de concordar em vir trabalhar para a minha empresa neste verão. 
— Sinto ouvir isso — ela piscou para mim. — Tem lugar para morar em Washington? Tenho uma amiga que está tentando sublocar seu apartamento em Adams Morgan, um bairro superdescolado. Você vai amar. — Ela olhou para o Sr. Kelting — Sua firma vai pagar, certo? 
Ele passou os braços em volta da filha. 
— Ela é tão espertinha, Demi. Isso vem de não ter com quem competir enquanto estava crescendo. Éramos só nós dois. 
Ele se inclinou para perto e baixou a voz em um sussurro conspiratório. — Quando entrou em Eli, eu queria que ela... você sabe. Mas eu sabia que não ia acontecer. Por isso fiquei tão feliz em ver vocês, meninas. Já era hora. E, quando se levantou lá... — ele riu. — Você me lembrou a minha Sarah. Eu queria que vocês entrassem, por todas as Sarahs. 
Sarah revirou os olhos e sacudiu os ombros, afastando Kelting. 
— Pa-a-ai — disse. — Quer parar de falar nos você-sabe-quem-veiros? 
Ela olhou para mim e sacudiu a cabeça em consolo. 
— Ele a está aborrecendo com historinhas sobre aquele clubinho idiota de meninos? 
Mas eu troquei olhares com Gus Kelting, cujo broche da Rosa & Túmulo, de um dourado mais profundo e envelhecido, brilhava no colarinho de sua camisa. 
— Não é um clube de meninos — falei. 
Não mais. 
— É uma das sociedades secretas mais poderosas do mundo. 
Eu devo saber. Eu sou um membro.



Fim___ 1 Temporada


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Booooom, por hoje é só 3 post ^^ 
amanhã ou domingo eu já começo a 2 temporada u.u
Boa noite meus amores ^^

COMENTEM!!!

8 comentários:

  1. não posso comentar por que ainda estou rindo da Demi achar que ele e gay...
    A Joe porra ela sambou na da sociedade com a matéria...kkkk
    prevejo eles se pegando firme na proxima temporada
    ainw Juuuuu
    até domingooo
    aqui no blog né
    qualquer coisa te pertubo para postar no wpp
    beijos

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  2. kkkkkkk demi demi u.u
    adorei Sz
    super ansiosa para a segunda temporada.
    posta logooo bebê não demora por favor <3
    beijos

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  3. poe se mostrou humano *-*
    tera encontro deles la ne? aaaaaaaahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh posta a 2 temporada amanha

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  4. Amei, posta mais, a Demi e o Joe vão começar a relacionar na 2° temporada?

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  5. Ficou mto Maravilhoso. Que venha a segunda

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  6. Cadê a segunda temporada?
    Guria posta logo.
    Foi perfeito, maravilhoso.

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    1. Amiga lê, segue e ajuda divulgar?
      http://tudoqueeumaisqueroevoce.blogspot.com.br/

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  7. Kkkkkkkkkkkkkk ele gay?
    Depois ela vai dá uns pegas nele e vai perceber que de gay ele não tem nada :9
    Temporada perfeita.
    Quero capítulos jemiu na segunda temp..
    Beijoss.
    Posta logo!!!!!!!

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Sem comentários ........... sem capítulos!