11/04/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 14 (Parte 2)





Dali em diante, a reunião se transformou num caos. Kurt Gehry ficou histérico. Ele sacudia o punho no ar, jurando por tudo o que era sagrado que nós, "mocinhas", iríamos nos arrepender do dia que o havíamos desafiado. Seu rosto estava da cor de uma berinjela madura, Eu queria que a CNN estivesse lá para registrar. Foi hilário. Finalmente, três patriarcas tiveram que retirá-lo da sala usando força física. 

O Sr. Cuthbert vomitou dentro de um vaso com um grande fícus e George e Odile decidiram que era o momento perfeito para dançar uma tarantela em cima da mesa de conferências. (Na hora, eu não sabia que era uma tarantela. Odile teve que me explicar depois. Não faço idéia de como o George sabia os passos.) Jennifer agarrou uma caixa de lenços de papel do outro lado e começou a reconfortar Clarissa, que parecia estar se recuperando rapidamente (principalmente depois de ver seu pai jogar fora o almoço). Malcolm e Poe se abraçaram por um longo tempo, longo o suficiente para me fazer começar a imaginar o que exatamente Poe tinha contra garotas, e o patriarca Little Demon, torcendo as mãos e parecendo bastante aborrecido, finalmente nos botou para fora.

Nós gritamos e berramos por todo o caminho até o térreo do Eli Club e explodimos em massa em Manhattan. Malcolm e Poe se separaram do grupo quase imediatamente e pegaram o Metro North de volta a Eli a fim de começar a votação dos patriarcas. 
— Vamos traçar argumentos pró e contra — Malcolm me disse e eu não tive dúvidas sobre quem iria fornecer a perspectiva "contra". — Há cerca de 800 ex-alunos, então pode levar algum tempo. Vou ligar para os caras que nunca apareceram e mandá-los trazer seus rabos de volta à escola para ajudar. 

Imaginei em vão se eles conseguiriam reabrir o mausoléu antes da minha prova final de romances russos, em duas semanas. 
Clarissa nos pagou um farto jantar num restaurante com o cartão American Express ouro de seu pai. 

— Vou usá-lo antes de perdê-lo — falou, sinalizando para mais uma garrafa de espumante. Certamente pode-se dizer que ninguém se sentiu minimamente culpado por pedir lagosta e filé. 
— Tenho que dar um telefonema — Jennifer deixou escapar antes que os tomates fatiados chegassem, Ela saiu correndo e, quando voltou, dez minutos depois, parecia que estivem chorando. No entanto, ninguém conseguiu fazer com que se abrisse. 
— Nervos sensíveis por toda parte — Megan falou, dando tapinhas em seu ombro. Jennifer respirou fundo e chegou até a dirigir um sorriso à Megan. 
— Foi um longo dia — ela admitiu. — E eu sinto como... se tudo tivesse mudado. 
— Espero que sim — disse Kevin. 
Clarissa brindou comigo. 
— Muito obrigada, Demi. — Seu sorriso não chegou aos olhos. — Não posso lhe dizer o quanto aquilo significou para mim. Mas que história foi aquela de não gostar de você antes de sermos convocadas? Eu nem a conhecia. 
Mordi meu lábio. 
— Você me conhecia bem o bastante para... deixe para lá. Isso é passado. 
— Não, me diga. 
— Galen Twilo. Primeiro ano. 
Ela estreitou os olhos.
— Aquele fracassado. Acho que não falo com ele há anos. Sabia que ele roubou o meu BlackBerry para comprar maconha? 
— Sabia que transamos e ele nunca mais falou comigo novamente?
Ela deu um sorriso largo. 
— Então você deu sorte, minha amiga. Aquele cara é um idiotinha. 
— Tendo testemunhado, sinto-me inclinada a concordar. Mas, na época, eu ouvi você dizer que ele estava "se misturando" comigo. 
Sua boca se transformou num "O" cor-de-rosa. 
— Eu não. Eu disse? Meu Deus, que jogada nojenta! — Ela botou seu drinque na mesa e me envolveu em um abraço cheirando a Chanel e lágrimas. — Agora estou realmente grata por você ter me defendido. Deus sabe que não fiz nada para merecer isso. 
— Você fez — eu a abracei de volta. — Você é minha irmã agora. Não devíamos ser responsabilizadas por coisas que fizemos na adolescência. Vamos enfiar essa história no baú com todas as... 
— As outras merdas que o meu pai falou? — ela sorriu melancolicamente. — Odeio a garota que eu era, Demi. 
Olhei em seus olhos. 
— Que bom que ela não existe mais. 
— Não tenho certeza. 
— Eu tenho — respondi. — Porque eu a tenho procurado desde a iniciação e não a vi nem uma vez. 

E eu tinha. Estava tão preparada para julgar Clarissa por tudo que sabia sobre ela, em vez de por quem ela realmente era. Talvez, se Clarissa podia mudar, então uma sociedade centenária também pudesse. 
Depois do jantar, Clarissa pagou a conta e todas as garotas, como é típico, foram ao banheiro em grupo. 

— Não acredito que queriam que devolvêssemos os broches — Megan falou, admirando a forma como o seu brilhava no espelho. 
— É, e você não estava nem um pouco inclinada a ficar sem ele — disse eu. — Acho que os teríamos engolido ou espetado direto no corpo antes de entregá-los àqueles babacas. — É uma pena que não sejam permanentes — Odile falou. Quatro pares de olhos se encontraram no espelho. 
Jennifer saiu do reservado. 
— E aí, galera — falou, dirigindo-se para a pia mais próxima, —, qual é o plano agora? 

____________ 

— De jeito nenhum — Jennifer cruzou os braços por cima do peito. 
— Qual é, Jen — disse Megan, empurrando-a para dentro do estúdio de tatuagem. — Eu tenho sete e elas quase não doeram.
Jennifer plantou os pés bloqueando a porta e resistiu aos esforços da garota maior. 
— Não é seguro. Você pode pegar hepatite. 
Odile revirou os olhos. 
— Por favor. É aqui que a Ani Di Franco vem. Não ia acreditar nos pauzinhos que tive que mexer para conseguir hora para nós aqui. E perfeitamente limpo e, mais importante, megadescolado. 
— Sabe — falei —, se ela não quer fazer, não tem que...
— Ah , não, nada disso, Demi — disse Clarissa. — Um por todos e essa parada toda. Somos Coveiras para sempre depois desta noite. 
O tão ilustre tatuador nos olhou cautelosamente. 
— O que vocês são, alguma espécie de gangue de garotas? 
— Algo assim — falou Odile, dando os toques finais em seu desenho e deslizando o papel para ele. 
— Aqui. Em preto, vermelho e verde. Ponha os números embaixo. 
— De que tamanho? 
— O menor que conseguir — disse Clarissa. — Como diz o Malcolm... 
Nós todas erguemos os punhos no ar. 

— Discrição! 

No final das contas, "o menor que conseguir" era mais ou menos 2,5 centímetros quadrados e, apesar de todas as garantias de Megan, o negócio doía à beça. 

— Isso é porque você está fazendo na coluna, amiga — Megan gritou de sua cadeira, onde o segundo melhor tatuador de Manhattan estava desenhando um pequeno hexágono entre os desenhos tribais que já enfeitavam seu braço. 
Aparentemente, os contatos de Odile haviam nos conseguido atendimento em duplas. 
Respirei fundo e olhei para Clarissa que, sem blusa, estava de pé diante do espelho admirando a recém-feita tatuagem em sua omoplata. 
— Exatamente onde estariam minhas asas da Angel — falou. 
Clarissa não movera um músculo enquanto a tinta era injetada em sua carne, como se a dor das agulhas não fosse nada comparada ao que já passara hoje.
— Está bem, faça de novo — falei. O zumbido infernal começou e eu podia senti-lo em meus dentes. Um milhão de picadas de abelha faziam o formato do brasão da Rosa & Túmulo na parte de baixo das minhas costas e eu fechei os olhos bem apertados — não que isso ajudasse, já que eu não podia ver o que estavam fazendo, de qualquer maneira. 
— Quantas dessas você já fez? — perguntei ao cara, esperando não distraí-lo. Como não estava me distraindo nada, presumi que fosse seguro fazê-lo. 
— Nenhuma tão maneira quanto botar um caixão no peito da Odile Dumas — ele respondeu. — Tenho que tirar uma foto disso para o site. 
Apertei os olhos. 
— É, bem, não sei se é uma boa ideia, Isso é meio que um segredo. 
— Como assim? 
Odile se inclinou para a frente, seu cabelo escarlate arrumado para cobrir o peito sem sutiã. 
— Já ouviu falar da Rosa & Túmulo?— perguntou ao cara. 
— A sociedade secreta? — Os olhos dele se esbugalharam. 
Odile sorriu e pôs o dedo em cima dos lábios. 
O zumbido parou e o homem afastou a máquina da minha pele.
— Vocês não vão, tipo, matar a gente quando acabarmos aqui, vão? 
Clarissa inclinou a cabeça para o lado. 
— Humm, provavelmente é uma boa ideia. O que você acha, Little Demon? 
Odile bagunçou o cabelo do homem. 
— Não, mas podemos ditar o que você pode dizer para a coluna de fofocas do jornal. 

Quando Megan terminou, Jennifer pediu para o tatuador levá-la para um quarto nos fundos e voltou meia hora depois, os olhos cheios d'água, recusando-se a deixar qualquer uma de nós ver sua tatuagem.
— É, humm, particular — falou, os olhos para baixo. 
— Essa menina — sussurrou Megan — tem mais segredos do que cinco Coveiros juntos. 
— Aposto como na verdade ela é uma pervertida — Clarissa acrescentou. — Essas garotas religiosas normalmente são.

Eu estava retorcida, para ver melhor minha nova tatoo, a qual o artista estava lambuzando com vitamina E enquanto me explicava o que esperar dos meus primeiros dias depois de ser tatuada. Olhei de relance para Jennifer, que estava comendo M&M's (para recuperar seu nível de açúcar pós-tatuagem) e rindo com Odile. 
Toquei minha pele, inchada e dolorida onde o brasão fora incrustado na minha carne. 

— Vamos descobrir quando começarmos as reuniões, eu acho. 
Aqueles E.N.s supostamente eram hilários. 
Clarissa sorriu. 
— É, e eu finalmente vou ouvir alguns dos seus segredos e ficar em pé de igualdade. Vocês já ouviram todos os meus. 
Odile se juntou ao grupo. 
— Bem, então, vamos zerar o placar. Todas nós vamos contar um segredo. Eu começo — ela respirou fundo. — Não quero voltar à indústria do entretenimento depois da formatura. Pronto, falei. — Está bem, eu vou jogar — Megan baixou a cabeça. — Eu... meio que gosto de John McCain. Sim, eu sei que é um senador, bem... republicano. Conservador. 
Jennifer mordeu seu lábio por alguns segundos e então sussurrou: 
— Eu nem sempre concordo com o meu pastor, Tentei me sentar ereta, fazendo careta quando a área tatuada doía, o que ocorria a cada movimento. 
— Estou escrevendo um romance — admiti. 
Clarissa riu. 
— E nós aqui estávamos achando que você ia contar se o George beija bem! 
Fiquei vermelha como a pele em volta da minha tatuagem. 
— Desde quando isso é segredo? 
— Só estou provocando — disse Clarissa. 
— Às Coveiretes! 
Megan fez uma careta. 
— Ah, não, isso é péssimo. Prefiro toda aquela merda gótica que eles dizem normalmente. Sabe, aquela história de Selo Sagrado e a Ordem Sagrada dos Cavaleiros de Perséfone, blablablá. 
— Não é assim — falou Odile. — É a Chama da Vida... Jennifer suspirou e jogou sua trança para trás. 
— E a Sombra da Morte — falou, revirando os olhos.

Esta noite, no entanto, eu podia usar algumas letras maiúsculas. Afinal de contas, nós as havíamos merecido. Desafiáramos homens poderosos, intimidadores e havíamos vencido. Minhas costas doíam e pensei na tinta penetrando na minha corrente sanguínea, se tornando parte da minha alma. Passei o dedo de leve por cima dos números que estavam escritos debaixo do brasão. 

— Sua em 312 — murmurei. 
Esta noite, havíamos nos tornado algo mais, pois em vez do onipresente 312 inscrito debaixo do símbolo, nós cinco tínhamos 177 queimado em nossa pele. A primeira turma de mulheres da Rosa & Túmulo. As que haviam mudado tudo.

Nós éramos Coveiras, e nada seria igual novamente.


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Oiiiiii meus amores ... postei mais um =)
Bom ... to vendo que vocês preferem que eu poste a 2º temporada, okay ... mas mesmo assim vou esperar até o dia de terminar a enquete .. eu acho.

Tia kkkkkk eu amo a Clarissa e o Malcolm<3 ele é fofo tia
Bom... Beijos para o povo do "zap zap" rsrsrs

Bjs lindos 

COMENTEM!!!



10 comentários:

  1. E tem segunda temporada ... Meus emojis são os únicos capazes de expressar minhas emoções no momento. Você se importa de postar mais um por favor

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  2. MAIS UM PLEASE!!!!!!!! Muito perfeito o capítulo, amei. Joe/Poe finalmente indo para o lado certo!! POSTA LOGO!!!!

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  3. hey bebê *-*
    saudades quanto tempo em....
    que capítulo perfeito
    quero mais <3 <3 <3
    posta loogoo
    beijos

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  4. quero joe e demi logoooooooooo

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  5. Ahhhhhhh vc postou *--* gosto assim. sempre presente kkkkk n suma u.u sua fic e perfeita. E eu quero a 2 temp.. n tem como eu votar na enquete pq to no cel e meu not quebrou.. entao, conte meu voto rum u.u kkkkk poste logo please

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  6. Capítulo perfeito
    Divulga http://jemi-fan-fics.blogspot.com.br/?m=1

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  7. Oi... Vim aqui para pedir Dois favores para você?
    Primeiro, divulgue Meu blog por favor
    http://mini-webnovels.blogspot.com/?m=1

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    1. E o segundo é para acompanhares ele. E como a cima ja disse. Cap maravilhoso

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  8. Incrivel, eu nem acredito que já acabou ;/ maravilhosa! As melhores fan fics que li sem dúvidas foi no seu blog. Essas fanfics são viciantes, você é ótima! Eu queria muito que divulgasse o meu blog, passei bastante tempo sem postar lá e voltei ainda pouco! Queria que algumas leitoras voltassem para lá. Minha fan fic chama-se The Same Fears.

    Uma noite.
    Tudo que deveria ser uma noite agradável e divertida entre melhores amigos de férias, estava se tornando, aos poucos, um pesadelo.
    - Eu sei um jogo divertido..
    - Vocês ouviram isso?
    - Meu Deus! Oque está acontecendo?!
    - EU QUERO SAIR DAQUI! SOCORRO!!!!
    - Estou com tanto medo..
    - Não quero ficar louca, não quero!
    Um grupo de amigos estavam de férias na escola em uma casa de praia um longe do centro da cidade. Longe dos pais e qualquer adulto responsável. Resolveram se divertir. Uma pena ter durado tão pouco. Um jogo, um misto de medo, terror, agonia e dor.
    Garanto que eles iriam desejar jamais voltar lá. Jamais relembrar aquelas horriveis cenas.
    Isto é, se alguém sobreviver..
    " This will make you feel... The Same Fears..

    Esta é a sinopse, garanto que todos irão amar e não vão se arrepender de ler! Super agradeço se me fizer este favorzão! Muito obrigada desde já!! Se gostar da sinopse passa lá e leia meus capitulos, você é minha convidada de honra!
    Beijos!!!

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  9. Jaaaaa??? Meu Deus
    To super anciosa com essa fic cheia de mistérios e paixões
    Quero Jemi logo

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Sem comentários ........... sem capítulos!