05/04/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 13 (Parte 1)






Por meio desta, eu confesso: 
quase desisti

13. 

Casus Belli 

Malcolm atendeu a porta e eu o empurrei para entrar, ainda fungando debaixo do capuz do meu moletom com o escudo de Eli (é preciso usar alguma coisa para esconder o nariz vermelho). Ele me entregou uma caixa de lenços de papel. 
— Você estava quase incompreensível ao telefone — disse, numa voz sem emoção. Pior para ele. Eu não melhorara nos 10 minutos seguintes. Na verdade, nem conseguira contar ao Brandon o que havia acontecido. Era como se houvesse alguma síndrome Coveira que me impedia de falar dos meus problemas com bárbaros. (Sério, a essa altura, talvez pudéssemos todos começar a pensar que essas teorias da conspiração tinham algum fundamento?) Eu o abandonara lá, sem saber absolutamente nada do que havia acontecido comigo na hora que se passara desde que o deixara sozinho na cama e que tivera o poder de me transformar em uma louca chorona e em estado de choque. Eu havia telefonado para o Malcolm e saído correndo dando pouco mais do que um tchau engasgado. 
— Eles— eles... tomaram o meu... emprego! — consegui falar — Os patriarcas cancelaram meu estágio de verão! 
— É. — Malcolm sentou-se na cadeira da escrivaninha. — E não foi só você. O telefone não parou de tocar a manhã inteira. Metade do clube me ligou. 
— Você me disse que eles não podiam fazer isso! Você me disse que era um blefe! 
— Eu estava errado. Como estava sobre o que eles fariam se convocássemos mulheres. Eu sinto muito. 
— Você sente muito? — falei precipitadamente. — Minha vida está acabada e você sente muito? 
Ele me lançou um olhar de nojo. 
— Acabada? Qual é, Demi. Sem histeria, por favor.
— Não há mais estágios decentes abertos a esta altura da primavera. Vou passar o verão servindo mesas em algum lugar e nunca vou conseguir um emprego na revista Glamour. Isto é, partindo do princípio que Condé Nast não é um Coveiro. 
— Até onde eu sei, Condé Nast não é nem uma pessoa. Só uma editora. 
— Ótimo. Pelo menos eu sei que não vou ter que superar esse obstáculo também. 
— Está bem — ele esticou as mãos, as palmas para baixo. — Respire fundo algumas vezes e vamos falar racionalmente sobre isso. 
Rá! A razão havia deixado o edifício mais ou menos no momento em que o Big Brother me demitira. 

— Como vamos saber se eles não vão concretiza! suas outras ameaças? Como vamos saber se de repente não vou descobrir que tenho média D e uma conta bancária zerada? 
— Agora, Demi... 
— É tudo verdade, não é? Todas aquelas coisas das quais vocês riem sempre que eu as menciono. A polícia, o poder... 
— O ouro nazista? — ele acrescentou, num tom de zombaria. — Não. Isso está tudo na
Suíça. 
Eu lhe lancei um olhar fulminante. 
— Pode rir. Sou eu que estou desempregada. 
— Está bem, realmente — ele retificou. — Em retrospecto, talvez algumas coisas sejam verdade. Algumas. Mas só porque os patriarcas são pessoas muito poderosas e pessoas poderosas tendem a ter alguma... influência. 
Cruzei os braços. 
— Quero um pedido de desculpas por todos aqueles risinhos de escárnio.  E, já que estávamos falando nisso, por não me defendeu ontem na reunião? — Mas nem lhe dei tempo de formular uma resposta. Eu estava agitada demais. — E quanto ao seu emprego? Também está sendo punido, igual a nós? 

— Eu ia trabalhar para o meu pai, portanto, não. Mas agora isso também está em perigo, por outros motivos. Foi por isso que liguei para você hoje de manh... 
— Quando me disse que eu tinha sido sua segunda opção — joguei as mãos para o alto. — Minha vida está acabada e eu nem devia estar aqui!
— Ah, poupe-me. Sua vida não está acabada. Na pior das hipóteses, vai passar um mês sem estar sentada atrás de uma escrivaninha, uma vez na vida. 
— Mostra o quão pouco você sabe! — explodi. — Sem os estágios certos, os empregadores vão jogar meu currículo direto no lixo.
— Os Coveiros podem dar e os Coveiros podem tomar — Malcolm entoou. — Quando resolvermos essa confusão com a junta do FAT, tudo vai voltar ao normal. Você vai ficar bem, confie em mim. 
— Eu não confio em você. Não depois do que me disse hoje de manhã. 
Malcolm voou tão rápido da cadeira que ela bateu contra a mesa. 
— Quer calar a boca por um segundo? Estou com sérios problemas aqui, Demi. Não uma confusãozinha da sociedade. Problemas de verdade
Fiquei em silêncio, sacudida para fora do meu mundinho em parte pelo fato de meu irmão mais velho conseguir dispensar tão facilmente qualquer coisa que tivesse a ver com sua sociedade. 
Ele parecia prestes a chorar
— Deus do Céu, Malcolm, o que houve? 
— Passei a manhã inteira tentando lhe dizer. Genevieve Grady quer o meu sangue. Não sei se é porque eu parti seu coração ou se porque não a convoquei para a Rosa & Túmulo. 
— Talvez um pouco de cada? 
— Ela quer que eu seja aniquilado. 
— E como ela planeja executar esse apocalipse? 
Ele deixou a cabeça cair entre as mãos. 
— Cheguei tarde em casa ontem à noite e, quando entrei, ela estava me esperando na escada. Espreitando! Obvia-mente, quando a viu, juntou os fatos. 
Ah, então era por isso que ele havia me contado a história supostamente secreta por trás da minha convocação. Por causa dessa... rixa, ou sei lá o quê. 
— E aí, ela soltou a bomba — a voz do Malcolm ficou trêmula. — Ela vai escrever um artigo no EDN sobre estar "No Armário em Eli" — ele fez as aspas no ar e revirou os olhos — e vai me usar como Exemplo N° 1. 
Fiz uma careta. 
— Isso é baixaria. Será que ela acha que vai entrar na faculdade de jornalismo de Columbia publicando escândalos?
— Se meu pai ler, eu estou morto. 
Estiquei a mão e acariciei seu braço. 
— Sério, qual é a chance de seu pai ou qualquer um que o conheça ler o jornal da universidade?
Mas, mesmo enquanto falava, eu sabia que isso não o confortaria muito. As agências de notícias observavam atentamente nosso jornal, esperando notícias sobre os filhos dos ricos e poderosos. Se o artigo saísse, ia se espalhar por todos os cantos. Ainda assim, eu não estava preparada para o golpe de misericórdia de Genevieve. 
— Bem grandes — Malcolm fungou. — Ela vai publicar na edição de formatura. E Malcolm estava se formando. Ai. 
— E tem certeza de que seu pai vai ter um ataque de fúria? 
— Como um lutador de boxe — ele estremeceu. — Sei o que ele faria para começar. Ia me expulsar, me deserdar, nunca mais falaria comigo. Do que eu mais tenho medo é o que ele faria em seguida. A ira dos patriarcas não seria nada em comparação. 
Agora quem estava ficando histérico?
— Está bem. Mas sabia que isso tinha que acabar acontecendo, certo? Quer dizer, talvez não de uma forma tão espalhafatosa, mas ainda assim. Achei que só estava mantendo em segredo para que ele não o tirasse de Eli antes que você pudesse pegar seu diploma. 
Malcolm, no entanto, não disse nada, então eu pressionei. 
— Quanto tempo você planejava continuar no armário? 
— Para ser sincero — ele respondeu em um tom de voz saturado de sarcasmo —, tenho estado tão ocupado mantendo minha média que não pensei muito a respeito. 
— Bem, comece a pensar. Não pode viver uma mentira para sempre. 
— É, mas também não posso dar adeus à minha família Você não entende como seria, Demi. Não há nada que você queira que fosse fazer seus pais a odiarem. 
Nessa ele me pegou, tenho que admitir. 
— Então, o que vamos fazer? 
Malcolm respirou fundo, como se estivesse se preparando para o que vinha a seguir. 
— Ela me deu uma alternativa. 
— Casar com ela? — Se fosse tão fácil assim. (Sinceramente, eu não sabia se ele estava brincando.) Ela disse que vai esquecer a matéria sobre mim se eu lhe der acesso total aos segredos da Rosa & Túmulo. 
Soltei um riso curto.
— Disse a ela que no momento não conseguimos nem entrar no mausoléu? 
— É claro que não! — ele pareceu ofendido. — Não é para os bárbaros saberem. 
Pensei em citar as dúzias de bárbaros na platéia andando pela High Street ontem. Muita gente já sabia. Na verdade, eu ficaria surpresa se não houvesse uma matéria a respeito daquela comoção no Eli Daily News neste instante. 
— Eu disse a ela que os Coveiros não gostam de chantagens. 
— Ah, não? — zombei. — É exatamente o que os patriarcas estão fazendo conosco! 
— Está bem, tudo bem. Eu não cedo a chantagens. — Malcolm ergueu o queixo por um momento e então afundou-se novamente em seu assento. — Mas isso não significa que tenha conseguido dormir ontem à noite. Ah, Deus, Demi, o que eu vou fazer? 
Por que ele estava me perguntando? Vá perguntar a um dos convocados de verdade. Os inteligentes. Josh, sei lá. Ou a um dos seniores. Tenho certeza de que Poe podia pensar
em alguma forma de fazer Genevieve desaparecer por ter ameaçado um Coveiro. É claro que, já que até a junta de diretores dos Coveiros tinha Malcolm em sua lista de renegados no momento, aquele pessoal provavelmente não seria de grande ajuda para fornecer meios-pelos-quais-ameaçar. Esses recursos estavam todos comprometidos para garantir que eu não tivesse um emprego de verão. 
— A quem mais você contou? 
— Ninguém. Não queria preocupá-los agora, quando temos todas essas outras coisas para resolver. 
— Então, por que me procurou? Por que me disse todas essas coisas... algumas das quais você já me disse que deviam ser segredo. 
Malcolm olhou para as mãos. 
— Bem, eu estava meio que imaginando se... você não namoraria comigo. — O quê?! Malcolm rolou a cadeira para a frente e colocou minhas mãos entre as suas.
— Demi, você não vê? Isso resolveria tudo! Se disséssemos para todo mundo que você é minha namorada, aí o artigo dela pareceria só ressentimento porque terminamos. Eu poderia dizer ao meu pai que foi por isso que ela escreveu, o que é mais ou menos verdade, e também que ela estava muito chateada por eu não tê-la convocado. Meu pai acreditaria nisso. Acreditaria mesmo. O inferno não conhece a fúria de uma mulher desprezada... 
Olhei para ele em estado de choque. 
— Ele não acharia que você estava usando uma namorada de fachada? 
— Não. Íamos garantir que não pensasse. Posso ser muito carinhoso e muito convincente. 
É. Ele vinha fazendo isso há anos. 
— Ele teria o artigo idiota dela — Malcolm continuou —, mas também teria nós dois na sua frente. Ele me veria sendo hétero com seus próprios olhos. Meu pai acredita no que pode ver frente a frente. 
— Eca — falei. — Espero sinceramente que você não esteja querendo dizer o que estou pensando. 
Tipo deixar que ele nos pegue na cama. Nojento. 
— Não, a não ser que seja inevitável — ele percebeu minha expressão de pânico. — Demi, era brincadeira! 
Arranquei minhas mãos das dele. 
— Não! — levantei-me e tentei colocar o máximo possível de espaço entre nós. — De jeito nenhum. 
Sua cara caiu. 
— Demi, por favor. Você não entende. Se isso acontecer, minha vida vai acabar. Ou começar. 
— E se isso for uma bênção disfarçada? Não vai ter mais que fingir que acredita em todas as cascatas republicanas conservadoras do seu pai. 
Malcolm piscou. 
— Mas, Demi, eu acredito. Você sabe disso, não é ? (Eu não sabia mesmo.) Bem, não na parte sobre homossexuais e minorias, mas o resto da plataforma do partido. Eu sou republicano. Pouca intervenção do governo, comércio livre, força ao Exército. Eu sou da Associação Nacional de Rifles, pelo amor de Deus. 
— Ah. — Bem, isso mudava tudo. — Sabe, há um nome para pessoas como você.
— Elefante rosa? É assim que chamam os republicanos gays, né? — Ele me deu um sorriso torto, enviesado. — Vamos lá, Demi, por favor.
— Não posso, Malcolm. 
— Por favor. Sei que você acha que não mereço nenhum favor no momento. Quer dizer, eu a trouxe para a Rosa & Túmulo e você perdeu o seu emprego. Mas as coisas vão melhorar, eu prometo. Vamos resolver esse negócio com os patriarcas e então, bem, você vai ficar surpresa com as oportunidades que vai receber. Não foi por isso que você entrou? 
— Está me dizendo que eu lhe devo isso por ter me transformado numa Coveira? 
— Estou dizendo que me deve isso por causa do seu juramento. — Ele se sentou um pouco mais ereto. — Por meio desta juro solenemente, dentro da Chama da Vida e sob a Sombra da Morte, guardar os segredos e confissões de meus irmãos, apoiá-los em todos os seus esforços e ter para sempre como sagrado etc. ? Já se esqueceu? 
— Não, E, quando a sociedade voltar a me tratar como um membro, eu voltarei a cumprir minhas promessas. — É claro que até eu sabia que não era bem assim que funcionava. 
Pelo menos, não se o argumento dos novos convocados fosse: Nós somos a sociedade. Nós somos os membros ativos. Os alunos atuais. Vocês são só ex-alunos. 
— Eu a estou tratando como um membro — Malcolm disse —, nunca fiz nada além disso. Eu sou seu irmão. 
— Malcolm, mesmo que quisesse, eu não poderia. Eu tenho namorado. 
Ele me lançou um olhar de descrença. 
— O quê? Desde quando? 
— Ontem à noite. — Passei a ponta do meu tênis pelo tapetinho, imaginando exatamente o quanto ele sabia sobre o meu interlúdio com George. 
— Ah, é claramente um relacionamento muito sério — ele zombou. 
Engoli em seco. 
— Não é assim. Nós estamos comprometidos, só demorou para acontecer. É... o Brandon. 
— Ah — ele assentiu em reconhecimento. — Bem, que bom que ele finalmente conseguiu prendê-la. Você é um partidão. 
— Não seja cruel. 
— Não estou sendo — sua expressão ficou mais suave. — Você é. Por que outro motivo eu ia querer namorá-la?
— Porque o fato de eu ser mulher me torna mais apresentável do que a maioria dos seus amantes? — zombei. — Me desculpe, Malcolm. Mas não acredito que você tenha nenhuma grande preferência por mim. Eu sou mulher e estou disponível. O mesmo motivo pelo qual me colocou na Rosa & Túmulo. 
Ele suspirou. 
— O que é preciso para fazê-la acreditar que eu a quero lá, Demi? — Ele apontou em direção ao mausoléu que ficava além do muro de ardósia da Universidade Calvin. — Não como um corpo, mas pelo que você tem a oferecer? 
— O quê? — Ergui minhas mãos em súplica. — Eu preencho um espaço que você precisava desesperadamente preencher. 
— Às vezes, é assim que acontece. 
— Não basta. 
Malcolm ficou calado por vários segundos. Quando finalmente falou, foi com uma voz de desespero.
— Então é isso? Você vai sair fora? 
— É, vou diminuir meus prejuízos. 
Ele me deu as costas. 
— Então, eu realmente cometi um engano.* 

Como não havia muito a dizer depois dessa observaçãozinha, fui embora. 


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Oi ... Não me mateeeeeeem !!! plisss
Tava com uns problemas e também com um pouco de preguiça devo admitir ^^
Tenho novidades para o blog, perguntei a Leka e ela aprovou, mas só vou contar no Penúltimo capítulo dessa temporada... falta pouco só pra vocês saberem ^^

Bom, até amanhã ...
Bjsssssss

COMENTEM !!!


3 comentários:

  1. Demorou mesmo, mas valeu a pena. Sabia que o Malcom iria propor isso, tava na cara que ele estava precisando de algo a fingir e sei que a Demi, vai acabar por aceitar. Não demora desta vez

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  2. QUERO SABER MAAAAAAAAAAAAAISSSSSSSSSSSSSS

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Sem comentários ........... sem capítulos!