25/04/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 1 (Parte 2 / Temporada 2)




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George decidiu nos acompanhar até o seminário de Shakespeare. Levante a mão se estiver surpresa. Então partimos, três Coveiros saindo para o mundo claro e ensolarado da Universidade Eli que fica além de nosso mausoléu obscuro. George verificou se a barra estava limpa e saímos pela porta lateral e conseguimos evitar três estudantes despreocupados que estavam saindo do prédio de Arte & Arquitetura.

Veja bem, este é o problema de estar na Rosa & Túmulo: entrar e sair em plena luz do dia sem gritar para o mundo que você é um dos integrantes. Mas vale a pena. Pagamos o preço de um pouco de segredo e alguns rituais bizarros, recebendo em troca uma conexão com catorze pessoas que talvez nunca conheceríamos — ou gostássemos, se as conhecêssemos. (Declaro-me culpada por um desses preconceitos iniciais, já que eu detestava uma das minhas companheiras Coveiras antes de conhecê-la melhor. Que Perséfone abençoe a Rosa & Túmulo.)

Cortamos caminho pela High Street e passamos pela ponte para chegar ao Old Campus, também conhecido como central dos calouros. A diretoria de Eli acha que promove uma união entre as turmas se não isolar os calouros em suas "universidades" residenciais logo de cara, então, eles os reúnem nos dormitórios do maior e mais pitoresco pátio. Cinco sextos dos calouros moram ali (Duas delas mantêm seus calouros junto a elas por causa das restrições de espaço, e, pode acreditar quando eu digo, dá para reconhecer esses esquisitos só de olhar para eles. Um refrão comum aqui é: "Não conheço aquela pessoa. Ela deve ser do dormitório Strathmore ou Christopher Bright".)

Meu irmão mais velho Coveiro, Malcolm Cabot (também conhecido como Lancelot), disse que, em termos de manter segredo, o início do semestre é a época mais perigosa para os Coveiros. O mausoléu da Rosa & Túmulo fica bem em frente ao Old Campus, onde há cerca de mil calouros que já ouviram tudo a respeito de sociedades secretas e estão morrendo de vontade de descobrir muito mais. Hoje, porém, o Old Campus está perigoso por outro motivo: a guerra para atrair alunos.
— Protejam-se — disse Nick.

Fomos bombardeados por várias brochuras coloridas. Coro Russo, Clube dos Tripulantes, Festa de Direita, Cruzada do Campus por Cristo, Centro das Mulheres e equipe Carro Solar Ad Lucem ("em direção à luz" em latim, porque somos pretensiosos a esse ponto). Todas as organizações do campus estavam usando todas as forças para promover o seu grupo e tentar parecer o mais atraente possível para os calouros que ainda não haviam preenchido seus horários.
— Entre para a Sociedade do Anacronismo Criativo — disse um garoto usando uma armadura grande demais para ele e balançando uma espada de papel machê diante de George.
— Tarde demais — respondeu George. — Eu vivo isso.

Nick revirou os olhos e afastou o amigo antes que ele começasse a discutir como a Rosa & Túmulo poderia ser anacronicamente criativa. (George é nosso Coveiro mais relutante e, vindo de mim, isso significa muito.)
À minha esquerda, um jovem democrata e um Tory estavam brigando por causa de um lugar à mesa. (Sim, temos tories, ou seja, conservadores, em Eli, apesar do fato de a lealdade à Coroa ter acabado há 231 anos.) À minha direita jornalistas estranhos estavam ultrapassando os limites da minha antiga publicação, a Revista Literária de Eli. Saí do caminho para cumprimentar a nova editora-chefe, a aluna júnior Arielle Hallet. (Sim, temos as mesmas iniciais e, sim, ouvi piadas sobre não terem de trocar a borracha dos carimbos.) Passei as rédeas para ela na semana passada, depois de mandarmos para o prelo as matérias sobre os calouros, que sempre iniciavam o ano.
— Está aguentando firme, Ari?

Ela deu de ombros, abanando-se com algumas cópias da primeira edição do ano passado, feita por mim.

— Está quente como o inferno hoje. Você não tem visto Brandon, tem? Ele é o responsável pelas limonadas.

Tentei não demonstrar desagrado pelo modo pelo qual ela amassava as páginas. Ou pela menção ao nome do meu ex-namorado.

— Não, eu não o tenho visto.

Na verdade, eu ainda não o vi este ano. Ou desde a noite que ele terminou tudo comigo.
Mas a expressão no rosto de Arielle deixou claro que nada mais precisava ser dito. Nick agarrou meu braço e me salvou do momento estranho provocado por mim mesma.

— Aula. Vamos logo. Você terá tempo mais tarde para relembrar suas atividades abandonadas. — Abandonada era o termo certo. Nick não fazia idéia. — Você é uma sênior agora. Deixe o passado para trás.
Então, ele viu uma tentativa realmente patética de caligrafia feita pela equipe Julgamento Simulado.
— Ai, que droga, eles realmente destruíram nossa marca!
— Sim, Nick, você é um modelo bem real de como seguir em frente.

George, para quem o termo "atividades estudantis" sempre significou um caso mais particular, nos encorajava a continuar quando demos de cara com uma falange de cantores de capela, que estavam fazendo em Eli o equivalente à coreografia dos Jets & Sharks bem ali nos ladrilhos.
— Olá — cumprimentou uma garota jovem e animada, balançando suas tranças no rosto de George e empinando o peito, onde o nome de um dos diversos grupos de cantores de capela aparecia de forma proeminente. — Você canta?
— Hum... — disse George, olhando para a camiseta. — Eu...

Com certeza, eles pegaram uma integrante bem animadinha, pois seus colegas começaram com força total.

— Você canta? Você canta? Você canta? — gritavam eles, acenando com seus CDs. — Venha ao nosso show! Faça uma audição! Não é necessário ter experiência.
— Sai fora, cara — gritei para um barítono que estava cantando mantra para mim. — Ou vou tranformá-lo em um soprano. Não somos calouros e não estamos interessados.

O sistema grego em Eli é notoriamente frio. Temos algumas fraternidades e irmandades, mas não são muitos os alunos que entram e a pressa pan-helênica costuma ser imperceptível no meio de outros grupos de atividades estudantis. As sociedades secretas são apenas para alunos seniores, então os calouros que querem muito se enturmar acabam atraídos pela loucura do Ataque do Grupo de Cantores.

Você acha que as sociedades secretas são muito parecidas com fraternidades? 
Pois estas são as diferenças:

1) Você entra em uma sociedade secreta no final de seu período como aluno júnior, depois de ter passado quase três anos pegando o gosto pela faculdade, definindo seu lugar nela e decidindo qual o tipo de atividade que você quer fazer parte. Não é como Ataques, nos quais eles pegam os calouros em armadilhas para um compromisso de quatro anos ou mais em uma atividade, antes que eles tenham desfeito as malas.

2) Não existe período de Ataque para as sociedades. Eles não fingem que estão loucos por você se não estiverem interessados.


3) Em geral, você nem sabe por qual sociedade está sendo entrevistado até a noite em que lhe oferecem a oportunidade de se tornar um membro. Eu, pelo menos, não sabia, embora eu fosse um caso especial (conto mais sobre isso depois).



Assim que passamos pelos cantores, um trio divinamente silencioso entregava panfletos fazendo a propaganda de um grupo de oração. Vi uma Coveira no grupo.

— Jenny, por onde andou? — chamei. — Odile ficou enlouquecida.

Jennifer Santos, também conhecida como Lucky na linguagem da Rosa & Túmulo, olhou para os colegas e depois para mim. Seus olhos estavam arregalados. Ela se aproximou de mim e falou em voz baixa:
— O que aconteceu com a discrição, Demi?
— O que aconteceu com o ensaio? — replicou George, mas Jenny, como sempre, o ignorou.
— Olhe, eu tinha um outro compromisso.
Nick cruzou os braços.
— Nós somos mais importantes.

Subtexto: além disso, você é uma sênior e está na hora de parar com atitudes infantis.

— Não — respondeu ela. — Vocês não são. Já estou com esses caras há três anos.
— Você fez um juramento dizendo que viríamos sempre em primeiro lugar — argumentou Nick.
Ela estreitou os olhos.
— Fiz muitas promessas. Algumas mais importantes do que outras.
Entrei no meio dos dois.
— Tudo bem, gente. Vamos nos acalmar. Tenho certeza de que Jenny decorou a sua parte.
Ela me lançou um olhar gelado.
— Pode apostar que sim.
Nesse exato momento, um outro membro do grupo de Jenny se juntou ao nosso pequeno círculo. O recém-chegado era alto e tinha cabelos louros que chegavam à altura dos ombros e sobrancelhas fortes.
— Algum problema, Jennifer?
— Não — respondeu ela. — Esses caras são seniores e não estão interessados no que temos a oferecer.
— Que pena — disse o jovem rapaz.
Nick ergueu a mão.
— Tanto faz, cara. Eu tenho os meus profetas e você tem os seus.
O garoto virou para ele.
— Gostaria de saber exatamente de quem você é devoto, Nichonas Silver.
— Do mesmo Deus que você, cara.
— Sabendo o que sei sobre pessoas do seu tipo, duvido muito.

Nesse momento, Jenny e eu colocamos a mão no ombro de nossos respectivos amigos e os afastamos um do outro. As palavras que saíam da boca de Nick não eram nem um pouco louváveis, e brigar com um colega por causa de diferenças religiosas não ajudaria em nada sua carreira política. George resolveu me ajudar a salvar Nick de si mesmo.
— Jenny, vemos você mais tarde? — perguntei, enquanto arrastávamos Nick.

Ela me olhou de cara feia, como se eu não tivesse o direito de falar com ela na frente de seus outros amigos. Cara, acho que vou tocar nesse assunto na próxima vez que as Coveiras se encontrarem. Juramentos de sigilo eram uma coisa, mas Jenny estava levando isso longe demais.
As fileiras de promotores de atividades estudantis foram diminuindo conforme chegamos ao fim do pátio e nos esprememos no prédio de estudos de inglês. Entramos na sala da palestra no momento em que o carrilhão da Hartford Tower anunciou 3h.

O professor Branch já estava na frente da turma, pontificando o próprio brilhantismo e domínio na área e verificando as garotas bonitas que tinham vindo adorá-lo nesse semestre.
Encontramos três cadeiras no fundo da sala e nos sentamos. Olhei à volta em busca de um programa de estudos sobressalente, e uma garota com cabelo escuro e cacheado sentada próxima ao púlpito na frente da sala começou a discutir com o professor sobre um dos trabalhos.
Ele não gostou muito disso.
George me cutucou.
— Veja, é Mara Taserati.

Um dos membros ausentes, em carne e osso. Observei a garota enfrentar o famoso professor e percebi por que os Coveiros a acharam tão atraente. Como a maioria das mulheres que formava a minha turma — a primeira a incluir mulheres —, Mara era uma jogadora poderosa. Classificada entre as primeiras alunas do corpo estudantil da área política, ela se achava a jovem Ann Coulter. Ela não estivera no campus no semestre passado, então, embora tivéssemos sido informados de que ela aceitara entrar para a Rosa & Túmulo, ela ainda não tinha sido iniciada no Ordem.

— Você sabia que ela estaria aqui? — sussurrei para George.
— Não, eu só estou muito interessado em Shakespeare. O que você acha? — Ele abriu a camisa xadrez que usava sobre a camiseta e vislumbrei um papel lustroso com as bordas pretas. — Veja isto, Boo.

Ficando em pé, ele seguiu para a frente do auditório. George, sendo George, logo atraiu o olhar de todas as mulheres. Chegou até o púlpito, pegou três cópias do programa de estudos, cumprimentou o professor Branch e voltou. Piscou par mim através dos óculos de armadura de cobre e me entregou uma cópia.

— Uau, mas que manobra, George — elogiou Nick, com uma admiração debochada. — Acho que nunca vi alguém interromper uma palestra de forma tão perfeita.
— Continue observando.

Mas nada aconteceu nos 45 minutos que se seguiram, exceto pela palestra realmente inspiradora sobre a teoria de que, graças à ficcionalidade, o universitário mimado Hamlet na verdade era uma pessoa mais real que qualquer um dos universitários sentados naquele auditório assistindo à palestra do professor Branch. Talvez, depois que nossos tios matassem nossos pais e se casassem com nossas mães, conseguíssemos chegar aos pés dele. Estávamos juntando nossas coisas, quando ouvimos alguém arfar.
Mara Taserati estava olhando para a própria bolsa, com a mão contra a boca. Como ela não se mexeu, os outros alunos passaram se espremendo por ela. Nick e eu recostamos juntos nas cadeiras e aguardamos enquanto o auditório esvaziava. George colocou os braços atrás da cabeça e os pés sobre o espaldar da cadeira da frente. Diante de nós, Mara retirou da bolsa um envelope quadrado branco, com bordas pretas brilhantes e selado com uma gota de cera escura.

Eu sabia o que havia naquele envelope. Afinal, um tempo atrás, recebi um idêntico. Ela ergueu os olhos para a nossa fileira. George ficou em pé e, lentamente, seu sorriso infame e esperto ganhou um novo significado.

— Bem-vinda de volta, Mara — disse ele, com uma voz que me fez entender por que Odile lhe deu um papel com falas nos procedimentos. — Como foi a viagem?

Mesmo a 12 fileiras de distância, percebi que ela estremeceu.




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Oiiie lindos ^^ 
Está ai >.<
amanhã não sei se vou poder postar, mas se der eu passo aqui =)
bjss

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13 comentários:

  1. Meu Deus que capítulo perfeito!!!!!
    Nick Barraqueiro kkkkk
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  2. Ai mds mds mds scr posta logo please. quando jemi vao ficar juntos????

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  3. bebê tá tudo tão perfeito u.u
    to amando mesmo
    posta logo
    beijos

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  4. Oi, eu sou a Val e criei um blog de fanfic jemi e se você puder passar lá e divulgar o endereço é: jemimetamorfoselunar.blogspot.com

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  5. lindo como sempre , eu sou a Shirley e acompanho a sua fic desde o principio mas era nova pra criar uma conta .
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    vc e uma escritora muito bo a
    beijemi

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    1. a vc sabe sobre o blog fighter ? `e que eu criei a conta tarde e n deu pra mim seguir ela e agora est`a dando permissao negada , tem como vc me passar o contacto dela pra mim falar com ela ......

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    2. Oi flor .. O blog estava fechado para reforma .. Agr já está aberto aki :) entra lá

      bjs

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  6. OIII Nova seguidora aki o/, eu adoro suas fics, sou completamente apaixonada. Eu acompanho a algum tempo, mas eu sempre tive preguiça de comentar e/ou seguir. Mas hj resolvi deixar a preguiça de lado e fazer isso, e dizer q vc tem um otimo blog, eu sou viciada nas fanfics e sou verdadeiramente FÃ DESSE BLOG, PARABÉNS E POSTA LOGO O PROXIMO CAPITULO. BJSS

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  7. Eu to de volta, eu to de volta...
    Meu Deus..
    Por isso que eu deixei essa história por último..
    É maravilhosa...
    (De acordo com a minha mente brilhante tudo oque é bom fica por último..u.u)
    Eu to chocada..
    Eu quase gritei em todos os capítulos..
    Sério, amei mesmo..
    E quero o resto..
    Cade?..u.u
    hahaa
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    <3

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  8. ahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh posta por favorrr

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  9. Cadeeeee vc mulheeeee??! Posta logo plmdds. ta td perfeito como sempre. bjs

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  10. Sou nova seguidora, estou adorando tudo aqui.
    Eu vi que está com problemas com a internet, mas poste logo okay? okay.
    Adorei aqui, muito bom aqui.
    xoxo, Luna Bezz (http://ficsjemi-irreplaceable.blogspot.com.br/)

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Sem comentários ........... sem capítulos!