09/03/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 11 (Parte 1)

Por meio desta, eu confesso:
fiquei meio louca naquela noite.
Está bem, muito louca.

11.

Conversinha 

Clarissa nos guiou para longe da boate que Odile havia escolhido e nos levou para um bar menor e mais clássico de Eli. Havia uma galera razoavelmente saudável de biriteiros de domingo à noite, mas não tanta gente que nosso grupo não conseguisse encontrar uma boa mesa, fora do burburinho, na qual se comiserar. (Viu? Eu sabia que podia encontrar um uso melhor para essa palavra!) O lugar era dividido em dois andares, com um bar e mesas em cima e uma pista de dança e um palco embaixo. Fomos para o andar de cima, onde nós cinco nos esprememos em um reservado de couro marrom. Eu me vi enfiada entre Megan e Jennifer, que, com os braços cruzados e uma cara de suprema repugnância, parecia nutrir o desejo de estar em qualquer lugar que não um pub com a "Fraternidade da Morte".
Ou Irmandade da Morte, no caso.
Curiosamente, Odile e Clarissa, apesar de mais magras do que nós três, também pareciam encher todo o espaço do outro lado do reservado. Deviam estar guardando lugar para seus egos.

— Vamos começar pelo começo — Megan anunciou. — Vamos colocar um pouco de álcool dentro da Madame Travada aqui.
— Eu não bebo —Jennifer respondeu, obviamente sem duvidar de quem Megan estava falando.
— Por que não?
— Bem, para começar, é ilegal. Eu só tenho 20 anos.
Ponderei se isso tornava seu gênio mais-puro-que-todos mais ou menos tolerável.
— Isso nunca me impediu de roubar o uísque do meu pai — disse Clarissa, fazendo sinal para o barman no andar de baixo.
— Nem a mim — falou Odile. — Mas também, quando tinha 17 anos, eu já tinha passado pela clínica de reabilitação O que a metanfetamina não fez comigo, não é uma cervejinha que vai fazer.
— Cervejinha? — balancei a cabeça — Preciso de algo mais forte do que isso esta noite.
Clarissa sorriu.
 — Pode apostar.
Quando o barman se aproximou, ela botou três notas de 20 na mesa.
— Isso é o que eu quero — falou, olhando-o cuidadosamente nos olhos e brincando com alguma coisa em seu colarinho. — Tem suco de romã?
Ele olhou para o dinheiro, depois para nós.
— Quem são vocês?
— Nós somos quem você pensa que somos — disse ela simplesmente. — 312. Cinco. Sem gelo, por favor, com uma rodela de limão.
Nós todas olhamos para ela, de boca aberta, enquanto o barman se apressava — na verdade, corria — escada abaixo.
— Como você sabia? — perguntei.
Ela sorriu de novo e eu notei que o negócio em seu colarinho era seu broche da Rosa & Túmulo.
— A filiação, meninas, tem seus privilégios. Assim como o legado. Este era o bar preferido do meu pai quando ele era um Cavaleiro da C143. Faz sentido que eles tenham a bebida da sociedade.
Agora Megan parecia presunçosa.
— Fingir até conseguir? É essa a sua estratégia?
— Não — disse Clarissa. — Mas pretendo usufruir dos direitos que ganhei. Como a Demi falou, somos membros da Rosa & Túmulo, quer eles gostem ou não. Eu, pelo menos, vou agir como tal.
— Isso inclui aterrorizar os barmen? — perguntei.
Ela mexeu no cabelo.
— Aquilo foi um simples pedido, querida. Eu só tocaria o terror se nos fosse negado. — Ela se recostou em seu assen-to e então inclinou a cabeça, estudando Megan como se a estivesse vendo pela primeira vez. — Sabe, Megan, nunca notei isso antes por causa das suas camisas largas, mas você tem belos peitos. Já pensou em largar esses panos tribais e partir para algo como uma blusinha com um decotão em V? Estou pensando em algo coral, ou até mesmo pêssego, para o seu tom de pele. Tenho um suéter da Calvin Klein...
Megan piscou atônita para ela e até Jennifer parecia chocada.

— Vamos nos concentrar no assunto em questão. Garantir que a gente continue a ter os privilégios da filiação.
— É, mas será que ainda queremos ser membros da Rosa & Túmulo? — Acariciei o broche na alça da minha bolsa. Fazia mesmo só dois dias que eu o havia recebido? Ele já parecia ser meu há muito tempo. — Eles deixaram bem claro que quase nenhum deles nos quer lá.
— Não me interessa o que eles querem — disse Megan. — Já ouvi demais a esse respeito. Prefiro ouvir sobre nós Quero saber por que cada uma de vocês entrou para a sociedade. Acho que, se ainda acreditarmos que a sociedade pode satisfazer os motivos pelos quais aceitamos a convocação em primeiro lugar, então devemos lutar. Se não...
— Cair fora? — perguntou Odile.
Megan assentiu e, como parecia um plano razoável, nós todas concordamos.
Megan falou primeiro:
— Para mim, era uma questão de mudar a sociedade de dentro para fora. Há certas coisas que vão ouvir de uma sapata negra de Pittsburgh e há muitas outras que vão ouvir se ela estiver acenando com um diploma de Eli na sua cara, e aí, há ainda mais coisas que vão ouvir...
— Se ela tiver uma falange de Coveiros poderosos para apoiá-la — eu cortei.
— Isso mesmo, irmã. — Você realmente acha que os contatos dos velhos vão te ajudar, Coveira ou não?
Foi aqui que Megan começou a parecer encabulada.

— Não mais. Eu esperava que ser convocada significasse que eles estavam dispostos a ouvir alguém como eu. Aparentemente, o que realmente significava é que eles esperavam poder fazer alguém como eu ouvi-los.
À minha esquerda, Jennifer estremeceu.

As bebidas chegaram em taças de martíni altas e geladas e Clarissa as deslizou pela mesa.
— Dê só um golinho, Jenny — ela instruiu.
Odile provou a mistura e então sorriu com aprovação para sua colega de assento.
— Bem, não posso dizer que tive um motivo claro para entrar como você, Meg. Para mim, é mais uma festa fechada. Se eu sou uma Coveira, sou VIP para tantas pessoas mais. — Seu tom era completamente sem desculpas e tão sincero que eu não tinha nem certeza se podia me sentir ofendida.
Clarissa piscou para ela, chocada, tenho certeza, por ter sido superada em seu esnobismo.
Ela se virou para o outro lado da mesa.
— Eu sou um legado — falou: — É claro que eu iria entrar se tivesse a oportunidade. Seria como não estudar em Eli. Eu sou uma Cuthbert. Nós somos Coveiros. Ponto. Jennifer passou o dedo na borda de seu copo e então mergulhou o mindinho na bebida e o chupou antes de responder.
— Para mim era a mesma coisa que para Megan, eu acho. Mudar os Coveiros de dentro para fora. — Ela olhou para mim como se estivesse satisfeita por ter dado uma resposta boa o bastante. — E você, Demi?
Todas elas se inclinaram para a frente.
— É, e você? — alguém mais perguntou.
De onde veio essa curiosidade? Meus motivos — tais como eram — não eram melhores do que os delas e "meu-amigo-colorido-me-mandou-parar-de-pensar-tanto" não parecia ser uma motivação suficientemente forte.
Dei de ombros.
— Pareceu a coisa certa a fazer. É — minha voz baixou para um sussurro — a sociedade mais poderosa do campus... do país. Contatos a rodo. Hummm, nós temos certeza de que este lugar não está cheio de escutas?
— Cheio de escutas? — Clarissa perguntou. — De quem Da polícia especial dos Coveiros da qual você estava falando mais cedo? Não me diga, mais uma teoria da conspiração.
— Alguém pode por favor me fornecer uma lista do que é verdade ou mentira sobre a Rosa & Túmulo?
Clarissa riu.
— Assim que conseguir uma, eu divido com vocês. Mas você tem razão. As paredes têm ouvidos. Malcolm estaria nos dizendo...
— Discrição! — dissemos todas em uníssono, erguendo nossos copos e rindo.
Olhei para o 312. Parecia um cosmopolitan que passara tempo demais ouvindo death metal. A coloração rosa-chiclete havia se tornado vermelho-sangue e quase opaca. Eu mal podia ver a espiral de casca de limão no fundo. Provei. Mais azedo do que eu poderia descrever, com um toque de doçura no fundo que não podia ser simplesmente xarope de romã. Não consegui detectar nenhum álcool. Não tinha exatamente o mesmo gosto do "sangue" que eu bebera na iniciação, mas imaginei que, para o Coveiro que quisera manter a fé, servia como um lembrete razoável.
— Você sabe o que eles botam nisso? — perguntei para Clarissa.
Ela piscou para mim.
— É segredo.
Todo mundo revirou os olhos.
Olhei para Jennifer, que parecia estar consumindo bastante do seu apesar de seus protestos.
— Então, você e Megan parecem ser as únicas com motivos reais para se tornarem
membros — falei. — Ainda quer ser um?
— Minha resolução continua firme como sempre — Jennifer deu outro gole.
— Você não considera meu motivo válido? — perguntou Clarissa.
— Não mais do que o meu — repliquei. — E não vamos nem falar sobre a Odile.
Odíle terminou seu drinque.
— Serve para mim, o que o torna perfeitamente bom. Não precisamos ser tão nobres quanto essas duas garotas. Se quisermos entrar para a — ela abaixou a voz — coisica por motivos egoístas, quem é que vai dizer que não podemos? Não significa que eles também não vão se beneficiar com a filiação. Eles nos ajudam e nós seremos os melhores jovens membros que poderiam querer. Pelo menos, essa é a minha filosofia.
E era difícil fazer com que isso parecesse um problema.
— É. Quem se importa com o motivo por que nos associamos? — Clarissa falou. — A questão é que, se fomos convocadas, então obviamente merecemos, e devemos ter os direitos e benefícios associados a isso, independente do tipo de genitália que temos. Se Odile quer entrar só para jantar lagosta toda quinta-feira à noite, isso é problema dela. Não deles. O que a "coisica" ganha com isso é ter a grande Odile Dumas como membro.
— E isso é muito maneiro — disse Odile, pedindo outro 112 ao barman com um gesto.
Megan revirou os olhos.
Mas eu não podia ser tão pedante. Era bem bacana. Eles tinham sorte de ter Odile Dumas como parte de sua galera selecionada. Definitivamente dava ao grupo de velhinhos algumas credenciais hollywoodianas do século XXI. E Demetria, que, um passo de cada vez, ia mudar o mundo. Eu definitiva-mente não conseguia imaginar um argumento convincente contra Clarissa. Não só ela era um legado como, assim que estivesse de volta ao mundo das socialites de Nova York, praticamente mandaria na cidade. E Jennifer Santos seria o próximo Bill Gates. Só faltava... eu.
Onde Demetria Lovato entrava?

O telefone da Clarissa — bem, ele soou, já que "tocou" provavelmente não é o termo apropriado para os animados efeitos sonoros que saíam do seu celular.
Ela deu uma olhada no visor.
— Ops, meninas, é o George.
Está bem, eu admito: meu coração acelerou.
Ela abriu o flip e falou rapidamente. Cinco minutos depois, os outros convocados do terceiro ano chegaram.
— Procuramos vocês em todos os lugares — disse George, enfiando-se do lado Odile-Clarissa da mesa e piscando para mim. — A reunião meio que acabou no segundo em que saíram.
— Mas vejo que vocês não saíram junto com a gente — soltou Megan, escorregando relutantemente para o lado para deixar Nick e Greg se amontoarem. Kevin pegou o lugar que restava ao lado do George (realmente não havia muito espaço naquele lado) e Benjamin, o jogador de basquete (Big Demon, como Little Demon, era um nome dado a um convocado de tamanho específico), puxou uma mesa e algumas cadeiras para si mesmo, Omar e um Nikolos (vulgo Graverobber) com uma cara muito descontente.
— Bem, no começo ficamos todos em estado de choque. — disse Benjamin, acomodando-se e acenando para o barman. — Apesar de não tanto quanto os seniores. Acho que ninguém nunca saiu de uma...
Coisica! — todas as garotas gritaram.
— ...reunião antes. Ninguém sabia o que fazer.
— Então ficamos todos sentados ali, olhando uns para os outros — Kevin acrescentou.
— Até percebermos que queríamos comprar essa briga com todas vocês — terminou Greg. — Onde estão os malditos drinques?
Malditos estava certo.
Deslizei o resto do meu pela mesa e ele o virou.
— Ele também queria "entrar nessa com a gente" ? — perguntei ceticamente, apontando para Nikolos.
Os homens foram poupados de responder quando o barman chegou, parecendo escandalizado. Ele fez uma rápida contagem de cabeças.
— Onde estão os outros três? — perguntou.
— No exterior — Clarissa entregou-lhe um cartão de crédito. —Abra uma conta.
— Eles nos conhecem aqui? — perguntou Nick.
— Ah, querido — disse Clarissa —, nós temos até um drinque oficial.

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Oiiie amores !!! está ai o capítulos ... Me desculpem por não postar ontem como eu tinha avisado !!! 
Ta ai !!! 
amanhã tem mais =) 
bjss

COMENTEM!!!



8 comentários:

  1. Sem problemas, mas posta logo hein?
    Amei.
    Já disse que amei?
    Juh que perfeição.
    Drink oficial?

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  2. quero briga da bugaboo (é isso ne?) e do Poe

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  3. Adorei u.u
    Bebê como sempre diva
    Posta logoooo
    Beijos

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  4. Perfeito Capitulo *-*
    Da uma passadinha no meu blog, e divulga se puder.... Agradecida. http://jamaisteesquecereijemienelena.blogspot.com.br

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  5. Perfeito !!!
    Posta logo gata !
    Te amo !

    By - Milena...!!!
    Beijos

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  6. Quero jemi logo :(

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  7. Faz maratona!!! Essa fic me deixa muito curiosa! Ta perfeita! Posta logo!
    Bia

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Sem comentários ........... sem capítulos!