23/02/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 8 (Parte 1)




Por meio desta, eu confesso:
destruí as coisas de Selena
procurando seu broche.

8.

Bárbaros

Durante os primeiros 15 minutos, tentei ser displicente e convenci-me de que estava apenas limpando tudo. Então, passei esse tempo iludindo-me alegremente, achando que tal descoberta me ajudaria a encontrar minha colega de quarto. Depois disso, simplesmente admiti a verdade: eu estava curiosa à beça.
Consegue imaginar por que eu não estava totalmente histérica?

COISAS QUE DESCOBRI QUE ME ACALMARAM

1) Selena se dera o trabalho de anotar os recados telefônicos antes de sair. Não devia estar com tanta pressa.
2) O kit de primeiros-socorros que guardávamos na estante não havia sido tocado. Não devia ter se machucado.
3) Em uma das pocinhas de sangue eu encontrara um pedaço de carne moída.

Isso mesmo. Os caras da sociedade da Selena quase haviam me matado de susto com pedaços de hambúrguer cru. E eu não fazia a menor idéia do que isso significava. A minha sociedade gostava de romãs. Talvez a dela gostasse de bolo de carne. Ou talvez seus membros tivessem passado tempo demais assistindo ao filme Os dez mandamentos e decidiram pegar emprestado o simbolismo semita de lambuzar a porta com sangue para indicar quem era a bola da vez. De qualquer maneira, Selena ia ouvir um bocado quando voltasse. Hambúrgueres apodrecendo na nossa sala? Péssimo.

Cerca de 40 minutos depois, ouvi a porta da nossa suíte se abrir. Minha procura pelo broche me deixara afogada até o peito no fundo do armário de Selena, revistando metodicamente os bolsos de seu casaco, onde eu sabia que Selena guardava suas coisas realmente valiosas. Mas tudo o que encontrei foram seus cheques de viagem de emergência, seu passaporte e suas chaves extras da caixa postal.
Droga.
 — Bem-vinda ao meu quarto — disse ela secamente da porta.
— Selena! — eu me joguei em cima dela.— Ah, meu Deus, garota, o que você andou fazendo?
Ela ergueu um saco plástico.
— Lavanderia.
Sem me intimidar, eu forcei mais.
— O que aconteceu aqui? — perguntei. — As penas, a sujeira, a lambança na maçaneta? Nenhuma resposta.
Tem sangue no chão.
Nenhuma resposta.
— Selena! Fale comigo — eu a segui de volta à sala. — Eu fiquei tão preocupada com você quando entrei e, na sala... — apontei discretamente para a bagunça.
Ela limpou uma das poças vermelhas com um chumaço de toalhas de papel.
— Bem, eu fiquei preocupada com você quando entrei e você parecia "desaparecida em combate" — ela manteve o rosto voltado para o chão — Está a fim de me contar onde passou a noite?
— Na Universidade Calvin.
Ela congelou, ali no chão, e então ergueu os olhos para mim.
— Sério?
— Sim. — Não era mentira. Não realmente.
Ela se levantou e olhou para mim, um rubor se espalhando por sua pele.
— Ah, Demi, eu me sinto tão idiota. Eu achei... me desculpe — ela balançou a cabeça. — O que vai fazer a respeito disso? Ele é um cara legal, sabe.
— É — e eu não estava mais usando-o só como objeto sexual. Brandon agora se tornara também meu álibi. — Ele é. Eu sou uma babaca.
Ela me abraçou forte.
— Não é, não. Você gosta dele. Não é sua culpa se você é uma idiota quando se trata de homens.
— Ei! — Bati em seu ombro e ela se afastou. — Olhe, me sinto péssima por ter deixado que toda essa bobagem de sociedade interferisse na nossa amizade.
— Acho que nós duas deixamos — repliquei, agora quase feliz com a mentira, já que parecia ter dissolvido a estranha tensão que tomara conta da nossa suíte desde que aquela carta aparecera. 

Eu só queria deixar tudo isso para trás. A discussão de ontem, a bagunça na nossa sala, o nível a que eu chegara quando quase me afoguei nas coisas da Selena. Ah!
É claro que eu não podia encontrar seu broche. Eu sou tão idiota. Ela está usando a porcaria do negócio. Eu a investiguei disfarçadamente mas, se havia um broche de sociedade pregado em sua pessoa, ela o mantinha tão escondido quanto eu.
Bem, ótimo. Pelo menos não estávamos jogando nossas associações uma na cara da outra e depois nos recusando a dar os detalhes. Andávamos colocando essa história de sociedade acima de nós duas.
— Não vamos mais fazer isso, está bem? — sugeri, tentando não olhar melhor para um traço brilhante que vi acima do bolso de seu jeans. Provavelmente era seu broche, mas eu não ia cair em tentação. Viu? Eu podia fazer isso. — Vamos simplesmente... não falar sobre isso.
Selena avaliou a bagunça e depois me olhou cautelosamente.
— Sabe que isso vai ser difícil, certo?

Assenti. 
Eu sabia. Ia ser a poça de sangue no formato de um elefante na sala. Eu adorava minha relação com a Selena, mas agora tudo ia mudar. Desapareceríamos toda quinta à noite em vez de ficar por ali para comer jujuba e beber vodca. A vida agora seria passar a noite em uma cama com seu irmão mais velho da sociedade que é gay e não ser capaz de fofocar com sua colega de quarto depois. Seria deixar sua melhor amiga de fora do que estava prestes a se tornar a parte mais importante de sua carreira em Eli.
O telefone tocou e eu atendi sem responder a Selena.

— Alô?
— Bom dia! — exclamou minha mãe. — Você devia estar dormindo profundamente para não ter me ouvido antes.

Minha mãe gosta de jogar esse jogo no qual ela me liga cedo nas manhãs de sábado e domingo, tentando me pegar em uma cama que não seja a minha. Você não acredita na quantidade de encontros que tive com ela cedo, no café-da-manhã, nos últimos três anos.

— Ei, mãe — falei. — Quando você ligou? Selena e eu estávamos fazendo compras. — Selena sorriu indulgente.
— Ah. Bem, isso explica tudo. — Minha mãe não pressiona para desmascarar mentiras óbvias. Aposto como ela havia ligado às oito, antes que pudéssemos estar até mesmo na farmácia 24 horas. Ela não quer realmente saber a verdade, simplesmente não consegue resistir a confirmar seus medos obscenos. Afinal de contas, sou sua filhinha. — Então, estudando muito?
— Você sabe que sim. — Essa é a coisa Número Dois que ela sempre pergunta. 
Às vezes, eu posso seguir um roteiro para a conversa. Senti-me tão tentada a responder, Não, mas tudo bem, porque minha sociedade secreta chique me garante que vou tirar dez nas minhas provas com a ajuda de suas colas guardadas durante décadas. Mas eu não podia lhe contar nada a respeito daquilo. Nem mesmo para a minha mãe. O que significava que sua pergunta padrão Número Três também ia ser uma enganação. E lá estava ela, a Número Três:

— Que bom, querida. Tem feito alguma coisa interessante ultimamente?
Beber suco de romã em um crânio humano e jurar fidelidade eterna a uma organização secreta vestida em fantasias bizarras conta?
— Humm, não. Minha vida tem sido basicamente a mesma de sempre.
Selena balançou a cabeça enquanto voltava a esfregar o chão. Puxei a barra da minha blusa por cima do ilhós do cinto, cobrindo o minúsculo broche de ouro que já estava me furando do lado.
Como se alguma coisa fosse um dia voltar a ser igual.

_________

Mas nós tentamos. Afinal de contas, era sábado à noite, primavera e nós éramos duas garotas jovens, inteligentes e solteiras, que sabiam exatamente como se divertir.
Que era nos encontrarmos às oito da noite esparramadas no sofá de camiseta, calças de pijama e meias, com uma garrafa de vodca Finlandia sabor manga, um jogo de copos de uísque oficiais de Eli, em que estava escrito "Harvard é uma merda, Princeton não conta", um saco de jujubas e o DVD de O diário de Bridget Jones de Selena. Estávamos debatendo as regras do jogo durante os créditos de abertura.
— Que tal bebermos toda vez em que ela acende um cigarro? — sugeri.
Selena começou a detonar as jujubas vermelhas.
— Não estou a fim de entrar em coma alcoólico esta noite. — Ela jogou algumas dentro da boca e mastigou pensativamente. — Que tal bebermos cada vez em que eles fizerem uma tomada gratuita mostrando que os-padrões-de-Hollywood-excluem-os-quilos-extras-da-Renée-Zellweger?
Dei de ombros.
— Isso parece mais viável. Mas... com regras novas para a continuação. — Eles realmente começaram a explorar as piadas de gordo nesse.
— É claro!

Era um alívio falar de outra coisa que não sociedades secretas. Conforme caímos na nossa rotina de sempre, minha curiosidade a respeito da sociedade secreta de Selena diminuiu (ajudava o fato de que, se ela estava usando seu broche, ele estava bem escondido). Eu ainda estava surpresa com o ponto a que chegava a iniciação de seu grupo. Eu achava que a Rosa & Túmulo tinha as cerimônias mais elaboradas e bizarras de todas, mas também, uma organização mais recente poderia fazer questão de elevar suas tradições à novas alturas, cada uma tentando superar as que vieram antes em uma espécie de competição entre sociedades secretas para ver quem mija mais longe. 
Talvez eu pudesse perguntar ao Malcolm o que ele sabia sobre os ritos de iniciação das outras sociedades e ver se conseguia descobrir quem incluía hambúrgueres em suas cerimônias. Está bem, então eu ainda estava pensando nisso. Pode me processar.
Três doses depois, Selena e eu estávamos discutindo se Bridget estava ou não fazendo papel de idiota com aquelas roupas de trabalho transparentes, quando bateram na porta de nossa suíte. Selena se inclinou para abri-la e Brandon entrou.

— É sangue seco na sua maçaneta? — ele perguntou sem preâmbulos. Selena e eu trocamos olhares e demos de ombros, enquanto Brandon olhava para as coisas em cima da mesinha de centro. — Não sei se Willy Wonka aprovaria.
— Bobagem — Selena falou arrastado, virando o quarto copo enquanto Daniel percorria com sucesso as calçolas enormes de Bridget. — Bala é legal, mas álcool é mais rápido, Eu não bebi. 

Isso estava prestes a ficar muito perigoso é eu sabia que precisaria de toda a capacidade mental que ainda não cedera aos poderes consideráveis da vodca de manga. Enviei telepaticamente para Brandon meu desejo ardente de que ele não me perguntasse o que eu havia feito naquele fim de semana.

— Então — perguntou ele, sentando-se no sofá entre nós duas. — O que vocês fizeram neste fim de semana?

Supostamente, fiquei com você. Belos poderes mentais eu tinha. Deviam estar entorpecidos pelo álcool.

— Talvez você possa nos ajudar a resolver uma questão — cortei, apesar de Selena estar envolvida com as aventuras de Bridget e nem parecer ter percebido que o homem com quem eu supostamente havia passado a última noite aparentemente não tinha conhecimento desse fato.
— Manda — disse Brandon, pegando um punhado de jujubas verdes. Fiquei olhando para ele, imaginando se também teria uma queda por balas de goma pretas. E, se tivesse, por que eu não era completamente apaixonada por ele?
— Estamos tentando decidir se Renée Zellweger fica melhor como Bridget ou magra como um boneco de palitinhos.
Ele olhou para a tela.
— Como ela é normalmente?
Homens! Até dá para achar que eles nunca leram uma revista de celebridades como a People.
— Metade disso.
Brandon observou Bridget sorrir.
— Acho que ela está bonita aí — e então, ele olhou para mim, seus olhos castanhos muito ternos. — Mas, também, eu tenho uma queda por garotas que trabalham no ramo editorial.

Encolhi meus pés mais para perto de mim e Selena lançou olhares de alerta por trás da cabeça de Brandon.
— Demi, você está ficando para trás. — Ela acenou para mim com o copo. — Brandon, se não se importa, estamos no meio de um jogo aqui.
Mas Brandon claramente não estava a fim de entender o toque. Ele pegou a vodca e um copo extra e serviu-se de uma dose.
— Cuidado — falei, enquanto ele virava o copo —, as verdes não combinam muito com manga.
— Eca. — Ele fez uma careta e olhou para o copo vazio. — Sabe, eu aprendi na aula de sexualidade do homem branco e cultura pop americana que um sinal de masculinidade é beber apenas bebidas alcoólicas que sejam marrons ou transparentes. — Essa é transparente... a não ser pelas jujubas — argumentei.
Ele riu.
— Eu não levo isso a sério. Além disso, já estraguei tudo. Minha bebida preferida é amaretto sour que não é marrom nem transparente. Fora que não sou um homem totalmente branco.
— Meu pai gosta de Bloody Mary — falou Selena. — Que é vermelho. Você está dizendo que ele é gay?
— Só um metrossexual.
— E quanto ao vinho? — disse ela, sufocando um arroto. — É roxo.

E, até ontem, todos os Coveiros eram homens e, até onde eu sabia, seu drinque oficial era ponche de romã rosa-brilhante. A Ordem da Rosa & Túmulo devia ser muito segura de sua masculinidade.
Ou isso ou o professor do Brandon de sexualidade do homem branco era muito inseguro em relação a dele. A probabilidade era a mesma. Fiquei imaginando o que estaria acontecendo no mausoléu naquele momento. Será que os outros novos convocados estavam lá, aprendendo as normas e conhecendo melhor uns aos outros? O que eu estava perdendo?

Olhei de volta para Selena e Brandon, que estavam rolando de rir com a queda de Daniel no lago. Nada mesmo. Só porque eu estava na Rosa & Túmulo não significava que tinha que abandonar meus amigos bárbaros. Nada havia mudado.
— Demi!—Selena jogou uma jujuba em mim.— Pare de roubar. Beba.

Voltei minha atenção para meu copinho esquecido, onde a jujuba laranja estava começando a desintegrar. Não, nada havia mudado. Selena ainda conseguia beber muito mais do que eu (nota para mim mesma: nunca beba com uma garota do oeste de Nova York. Elas bebem desde que nasceram).

— Foi mal. — Inclinei o copo na direção da minha boca e então fisguei a jujuba gosmenta com os dedos. Deselegante, talvez, mas a julgar pelo olhar que Brandon estava me lançando, ele não se incomodava em me ver lambendo bala der-retida no polegar.
— Conferência! — Selena pulou do sofá, agarrou meu braço, soltou um "a gente já volta" na direção de Brandon Weare e me arrastou para seu quarto.

Assim que a porta se fechou, Selena virou-se para mim e disse:
— O que você quer fazer? Quer que eu saia para vocês dois poderem ficar sozinhos? Quer ir a algum lugar com ele? É óbvio que o cara não veio até aqui assistir à filmes de menina com sua colega de quarto.

Não, não tinha vindo para isso mas, se ele estava se divertindo, para que estragar tudo?
Enrolei meu cabelo para cima num rabo-de-cavalo mal-feito e deixei-o cair de volta nos ombros.

— Eu não sei. Não esperava que ele aparecesse...
— Por favor — Selena falou com desdém. — É sábado à noite e vocês dois estão dormindo juntos... regularmente. Você precisa aceitar isso, Demi. Não está acidentalmente tropeçando e caindo na cama dele. Ele não a está forçando...
— Nem diga isso! 
— ...e, depois da primeira vez ou perto disso, não pode mais usar a desculpa de ah-isso-foi-um-erro-terrível. Está tendo um relacionamento, quer o chame assim ou não.
— Eu sei.

Eu sabia. Brandon não havia dito praticamente a mesma coisa há alguns dias no restaurante tailandês? Eu ouvira o que ele tinha a dizer a respeito da Rosa & Túmulo naquela noite e estava funcionando bem, então talvez discutir e estabelecer parâmetros para a nossa relação também fosse uma boa idéia.

E sempre tive a intenção de fazer exatamente isso, assim que tivesse chegado a uma conclusão firme sobre quais deveriam ser os parâmetros da nossa relação. Porque, para ser sincera, quando se tem dormido com seu amigo íntimo em média uma vez a cada dez dias pelos últimos dois meses, é um pouco difícil fingir que se está começando o relacionamento do zero.
Tínhamos um ditado em Eli: casais são casados ou estão ficando

Os alunos mostravam a mesma intensidade em relação aos relacionamentos românticos que a todas as outras facetas de sua existência. Praticamente não havia encontros casuais. Se estava procurando sexo, você queria que fosse fácil e conveniente e que não atrapalhasse seus estudos, sua arte ou seus esforços para salvar o mundo. E, se estava procurando amor, estava disposto a dedicar à causa uma grande porção de suas horas acordado.
Eu não tinha tempo para isso. Tinha uma revista para co-mandar, uma média alta para manter, provas para as quais estudar, estágios para conseguir — e agora, reuniões da sociedade secreta às quais comparecer.
— Ele é um cara muito legal, Demi.

Ela estava começando a parecer um disco arranhado com essa história. Se eu não soubesse a verdade, pensaria que a Selena queria namorar o Brandon. Mas ela gosta de tipos poderosos, o que Brandon Weare, por mais "legal" que fosse, não era. Mas também, o que eu sabia? Eu não era exatamente uma especialista quando se tratava de potencial romântico.

— E, quando não estiver dando certo — falei com um suspiro — vou tomar bomba nas finais. — Selena teve que me lembrar de mim depois do Alan. Teve que me lembrar do Ben Alguma Coisa e de como praticamente tivera que me convencer a descer do parapeito da janela na última primavera. — Não posso arriscar agora. Já tenho coisas demais para fazer. 
— Como sabe que não vai funcionar?
— Nunca funcionou antes — encolhi os ombros. — Além disso, você me conhece, eu sempre faço alguma coisa para... estragar tudo. 
— Só que eu nunca sabia o que era. 
Houve uma batida na porta e Brandon enfiou a cabeça para dentro.
— Cara, vocês acabaram de perder uma cena totalmente fenomenal.
Selena e eu rimos.
— Cuidado com esses filmes de menina, Brandon — disse ela —, ou o seu negócio de Sexualidade do Homem Branco nos Estados Unidos vai ser mais sério do que se preocupar com amarettos sour.
Ele sorriu.
— Está bem. Na verdade, eu esperava que vocês estivessem fazendo uma guerra de travesseiros de calcinha. Hollywood me levou a acreditar que a universidade estava cheia de batalhas quase lésbicas na cama, mas estou de olhos bem abertos há três anos e continuo esperando.
Isso parecia mais algo de homem hétero.
— Está procurando nos lugares errados — falei sem pensar. — Você tem que ser convocado para a Sociedade do Edredon & Enganação.
— Foram eles que a convocaram na outra noite? — ele devolveu.
Hesitei apenas uma fração de segundo além do que devia antes de soltar um "não" pouco convincente.

Ops.

Por que eu tinha que ter aberto essa minha grande boca? Eu tinha sociedades no cérebro ou o quê? Por que simplesmente não rira e dissera "eu lhe contaria, mas aí teria que sufocá-lo"? Brandon estava esperando, Selena estava balançando a cabeça e eu passava o dedo no ilhós do meu cinto para ter apoio moral.
— Humm, filme? — sugeri, empurrando-o para o lado e voltando à nossa menos problemática sala.
Mas meus problemas simplesmente me seguiram até lá e aí eclodiram rapidamente.
— Sério, Lovato — continuou Brandon.— Foi lá onde esteve a noite inteira? Fiquei imaginando por que não estava em seu lugar na revista literária hoje de manhã como sempre faz.
Selena deixou a garrafa de vodca cair. Ela bateu uma vez na quina da mesa e tombou no chão, quebrando seus dezessete-dólares-e-noventa-e-cinco-centavos.

Droga. Droga droga droga de droga.

Agarrei uma pilha de guardanapos da Domino's que estava em cima do frigobar e joguei-os em cima da poça. O aroma acre do álcool evaporando misturou-se imediatamente com o cheiro de pinho da operação de limpeza que Selena fizera de tarde. Ela não estava se mexendo para me ajudar e sua boca estava fechada, apertando os lábios, mas era difícil determinar se estava mais zangada com a minha mentira ou com a perda da sua vodca. E aí ela bufou, balbuciou "eu sabia" baixinho e saiu para seu quarto batendo os pés com força.

É, provavelmente estava mais zangada com a traição (mas talvez tivesse ido pegar mais toalhas de papel).
Isso não ia dar certo. Podíamos inventar regras de não-pergunte-não-fale a respeito de nossas respectivas sociedades na suíte mas, fazendo isso, estaríamos deixando grandes parcelas de nossas vidas de fora. Eu dissera a ela que estava no quarto do Brandon porque era mais fácil do que falar sobre a festa da sociedade. Não queria que pensasse que eu estava botando meu status de membro da Rosa & Túmulo acima dela, já que o prestígio das sociedades sempre significara mais para Selena do que para mim. E então, quando concordamos em não falar a respeito, parecia não fazer sentido dizer "Sabe quando eu disse que estava no quarto do Brandon? 


Bem, não estava, mas não tenho permissão para falar sobre isso".
Mas talvez eu devesse ter dito. Teria sido esquisito, mas pelo menos não era mentira. Quantas mentiras mais teríamos que dizer uma à outra só para manter nossos juramentos às sociedades? O relatório do Êxtase Nupcial parecia ser uma revelação total para nossos colegas cavaleiros. Podia ser ótima idéia para alguns deles, mas eu já tinha meu público de revelações, e ela não era uma Coveira.
Fiquei imaginando que tipo de promessas Selena havia feito em relação à sua própria lealdade. Imaginei que mentiras ela já havia planejado.

Brandon se juntou a mim no chão e começou a catar grandes pedaços de vidro.
— Qual é a parada aqui, gata?
Gata. Como se eu fosse sua namorada e trocássemos apelidos carinhosos o tempo todo. Aqueles olhos castanhos de cachorrinho perdido estavam procurando os meus intensamente agora.
— Nada — puxei a barra da minha blusa para baixo. — Eu... não posso falar sobre isso.
— Nem comigo?
Nem com a minha mãe, nem com a Selena, nem com o garoto com quem eu estava dormindo...
— Com ninguém.
— Isso é bobagem. Meu conselheiro do primeiro ano... — ele estava na Livro & Chave e isso estava em seu currículo, claro como o dia. E Glenda disse a nós dois quando entrou para a Pena & Tinta. — Você pode dizer, se quiser.
— Isso é na Pena & Tinta — como eu iria saber quais eram as regras nos outros lugares? Ainda não estava nem totalmente certa quanto às minhas. Acabara de me lembrar das palavras do meu juramento. Eu havia jurado solenemente nunca revelar, por ação própria ou omissão, a existência do conhecimento considerado sagrado pelos membros da Ordem da Rosa & Túmulo ou seus nomes. Isso basicamente deixava os currículos de fora.
Ele fez uma pausa.
— Mas... você está em uma sociedade secreta.
— Não posso lhe dizer isso.
— Isso significa que você está, senão diria simplesmente "não".
— Isso não é verdade! — Levantei-me de um pulo e transformei os guardanapos encharcados em uma bola.
— É, sim. Olhe: pergunte para mim — ele cruzou as mãos.
Eu suspirei.
— Brandon, você está em uma sociedade secreta?
— Não. — Ele sorriu. — Viu?
Revirei os olhos.
Ele pegou os guardanapos da minha mão e os arremessou dentro da lata de lixo. Cesta de três pontos.
— Agora, veja isso: Demi, você está em uma sociedade secreta?

Só diga não.

Não devia ser tão difícil. Mas eu não disse, porque a verdade, conforme eu agora percebia, era que nossas frasezinhas feitas, nosso eu não posso falar sobre isso e nosso eu lhe contaria, mas aí teria que matá-lo eram a forma que os membros das sociedades tinham de se vangloriar sem quebrar o voto de sigilo. Eu tinha orgulho de ser uma das primeiras mulheres a ser convocada para a Rosa & Túmulo. Estava me com torcendo por dentro de vontade de contar a todos os meus amigos — só que não tinha permissão para
isso.
Resumindo, dizer "não" significava repudiar, mas dizer "não posso falar sobre isso" significava...
Ha, ha, eu sei de uma coisa que você não sabe!
 Só que será que isso contava como omissão?
Brandon esticou as mãos como se fizesse uma apresentação.
— Viu?
Fiquei de pé e falei friamente.
— Não seja ridículo. 

Na tela, Bridget estava fazendo papel de idiota em relação a alguma coisa, mas eu perdera a vontade de assistir às suas trapalhadas. A Noite do Cinema havia acabado. E Brandon e eu havíamos sido deixados sozinhos. Continuamos a limpar a bagunça e então Brandon disse: 
— Sabe, Demi, tudo bem se você está em uma. Sei que todas aquelas coisas que falei no outro dia podem levá-la a acreditar que eu desaprovo as sociedades mas, se você quer fazer parte de uma delas, eu não vou ficar chateado. 
— Fico tão feliz que você aprove! — rebati. — Não preciso da sua permissão para fazer nada, Weare. Nem mesmo se a gente estivesse namorando. 
A negação ao fato o atingiu em cheio.
— Não. — Ele jogou o último chumaço de toalhas de papel no lixo e esfregou as mãos com ares de encerramento. — Apesar de esperar que você fosse pedir minha opinião. — Deu uma última olhada para a tela da TV — Acho que vou embora. 

Não, Brandon, não vá

Mas eu não falei em voz alta. Não me aproximei e o toquei no ombro e virei o rosto para ele e o beijei. Ainda que devesse ter feito isso. Porque ele sempre fora muito bacana comigo e porque Selena estava certa, eu devia uma definição a ele. E talvez um pedido de desculpas. 

— Brandon — comecei, mas não passei disso, pois alguém bateu na porta. 

Brandon, por estar mais perto, a abriu, e lá estava George Harrison Prescott com seu casaco cheio de zíperes. Diferente de mim, ele colocara seu broche em um lugar de honra no meio dos zíperes. O hexágono dourado brilhava como um raio diante dos meus olhos, mas podia se camuflar entre o resto do metal para alguém que não estivesse procurando por ele. 


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Oiiiiii, capítulo bobastico né rsrs' 
Selena boladona e me deu até pena do Brandon :'(
rsrs ... logo se resolve

Vou postar esse hoje porque a Lala pediu *---* espero que goste ^^
Por hoje é só pessoal 

No capítulo 9 as coisas vão realmente começar a acontecer ..... 
logo logo

Bjsss


4 comentários:

  1. aaaaaaaaaaaaahhhhhhhhhhh *--* obrigada
    ai Demi so se complicando
    quero maaiisss

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  2. Coitado do brandon...mais ele ganhou um beijo da demi...
    jujubas <3 <3 <3 <3
    Bebê tá tudo perfeito
    *-*
    Posta logooo
    To amando
    Beijos

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  3. Ai ai ai ... Tem show a caminho

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Sem comentários ........... sem capítulos!