06/02/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 5 (Parte 2)


Diante de mim estava o Ceifador em seu manto negro. Ele carregava uma foice na mão e uma cabeça da morte sorridente, com pedaços de carne podre, me olhava por baixo do capuz. Olhei em volta, mas éramos as únicas pessoas na sala. O Ceifador virou-se em direção a um armário que continha dois esqueletos.
— Wer war der Thor, wer Weiser, wer Bettler oder Kaiser?

Apontou para cada esqueleto de uma vez e então me entregou uma coroa. Era pesada nas minhas mãos e imaginei por um momento se as jóias e o ouro em torno da base de veludo vermelho eram verdadeiros.
— Wer war der Thor, werWeiser, wer Bettler oder Kaiser? — disse ele de novo, um pouco mais insistente.

— Nunca estudei alemão — respondi impotentemente. Ele apontou para a coroa e depois para os dois esqueletos. Ele queria que eu colocasse a coroa na cabeça de um dos dois? Ah! Kaiser. "Kaiser" quer dizer rei em alemão.
 O conhecimento me veio à mente e, com ele, mais uma lição das aulas de história. A Dança da Morte da Idade Média. Ó, po-bre Yorick, e todo aquele negócio do Hamlet. O rei não era nenhum dos dois esqueletos, mas a força que derrotara ambos.

Aproximei-me e coloquei a coroa na cabeça do Ceifador.
— Gut! Ob Arm, ob Reich, im Tode gleich* — Ele prendeu as minhas mãos nas suas. — Bela jogada, Neófita. Você ainda vai aprender. — Ele me puxou para a frente até que meu rosto estivesse a centímetros de sua cara pútrida e, por um momento muito assustador, tive medo que a coisa fosse me beijar, o que era um pouco gótico demais para o meu gosto. Travei meus cotovelos e resisti, e ele me soltou, o triunfo brilhando em seus olhos pálidos.
Tropecei para trás quando a luz se apagou e me senti sentiu arrastada para fora mais uma vez.

Desta vez, quando a venda foi removida, eu estava diante de uma porta de madeira comprida, com dois homens altos me ladeando. Diante de mim havia uma aldrava com o símbolo da Rosa & Túmulo. A figura encapuzada à minha direita ergueu a mão e bateu com a aldrava três vezes, depois uma, depois mais duas.

— A Neófita se aproxima! — alguém lá dentro gritou e um estrondo de arrepiar os ossos começou do outro lado das portas. Eles gritavam e berravam, vaiavam e gemiam. Finalmente, sob todos esses sons, eu pude distinguir um cântico que logo sobrepujou todos os outros elementos do barulho.
— Quem é? Quem é! Quem é? QUEM É?

— Demetria Devonne Lovato— eu sorri. — Neófita Lovato!

As portas se abriram de supetão e eu pisquei. Este era, de longe, o mais elaborado de todos aqueles quadros vivos. Lá dentro parecia um carnaval e era óbvio que eu era a atração principal. O aposento redondo tinha um teto abobadado pintado de azul-escuro e salpicado de minúsculas estrelas douradas. À minha volta estavam os intérpretes, todos mascarados, com as fantasias mais bizarras. 
Estavam todos gritando o meu nome. As duas figuras encapuzadas me jogaram contra uma escrivaninha de teca entalhada e empurraram minha cabeça em direção a um pedaço de pergaminho. Um homem num manto dourado incrustado de jóias coloucou as mãos enrugadas de cada lado da página. Sua meia-máscara possuía buracos hexagonais para os olhos e estava coberta de rosas verdadeiras e, acima dela, seu cabelo era grisalho.

— Leia! Leia! Leia agora ou dê sua última olhada no Templo Interior! 

Esses foram os juramentos que fiz:

Eu, Demetria Devonne Lovato, Bárbara-Assim-Chamada, por meio desta juro solenemente, dentro da Chama da Vida e sob a Sombra da Morte, nunca revelar, por ação própria ou omissão, a existência do conhecimento considerado sagrado por ou os nomes dos membros da Ordem da Rosa & Túmulo. 

Quando li em voz alta, todos deram vivas. Eles me ergueram e me giraram para ficar de frente para uma pequena gravura de uma mulher em uma túnica dórica, segurando um crânio em uma das mãos e uma flor na outra.
— Veja a nossa deusa! — gritou um e os outros iniciaram um cântico.

— Perséfone! Perséfone! Perséfone! Perséfone, Deusa da Primavera. Filha da Deusa da Terra, Deméter, e esposa do Rei do Submundo, Hades, De acordo com o que eu me lembrava das minhas aulas de pesquisa da Mitologia Mundial, ela estava destinada a passar metade de todos os anos como Rainha do Submundo — um mês para cada semente de romã que havia comido no jardim cheio de melancolia de Hades. Nos outros seis meses do ano, ela podia voltar para a casa de sua mãe, que ficava tão feliz em ver a filha que trazia a vida de volta à Terra. De repente, a "rosa" e o "túmulo" da Rosa & Túmulo faziam todo o sentido. 
Fui puxada de volta à mesa onde estava o juramento, com mais um comando de "Leia! Leia!".

Eu, Demetria Devonne Lovato, Bárbara-Assim-Chamada, por meio desta juro solenemente, dentro da Chama da Vida e sob a Sombra da Morte, nunca revelar, por ação própria ou omissão, a existência do conhecimento considerado sagrado por ou os nomes dos membros da Ordem da Rosa & Túmulo. 

Quando li o juramento de sigilo desta vez, falei mais alto, com mais segurança. E então de volta para a gravura, que fora posta sozinha em um altar num pequeno armário de madeira. A placa brilhava com a pátina do tempo e do cuidado.
— Perséfone! Perséfone! Salve Perséfone!

Imaginei as hordas de homens que tinham vindo antes de mim — criados em seus colégios internos chiques e caros, destinados a se tornarem capitães de indústria e líderes de nações. Ainda bem que haviam feito um juramento de sigilo. Bando de pagãos. O que seus constituintes e mesas diretoras pensariam se soubessem que esses caras haviam passado o último ano de faculdade idolatrando uma deusa menor da Grécia antiga? Perséfone? Fala sério!

Li o juramento mais uma vez antes de me levarem para outro lado da sala. Na parede estava pendurado um glorioso quadro a óleo de uma mulher nua com um olhar de "vem cá, meu bem". Uma figura vestida como o Papa e usando máscara branca de pássaro socava o ar com o punho.
— Veja o Êxtase Nupcial!
— É, parece mesmo — falei, notando as amplas curvas da mulher. Deus abençoe os ideais de beleza feminina do século XIX. Se os homens de hoje tivessem encomendado aquele retrato, ela teria tanta carne em seu corpo quanto um daqueles esqueletos. Desta vez, quando me levaram de volta à escrivaninha de madeira, havia um pergaminho diferente à minha espera.
— Leia! Leia! Leia! — a multidão gritou.

Eu, Demetria Devonne Lovato, Bárbara-Assim-Chamada, por meio desta juro solenemente, dentro da Chama da Vida e sob a Sombra da Morte, guardar os segredos e confissões de meus irmãos, apoiá-los em todos os seus esforços e ter para sempre como sagrado o que quer que eu venha a saber sob o símbolo da ordem da Rosa & Túmulo.

Aaaah, que bonitinho.

O grupo deu vivas novamente depois que eu li e me fizeram correr pela sala três vezes. Comecei a me sentir tonta e mais do que um pouco sem fôlego, e eles me depositaram no chão em frente a outro crânio cheio de líquido vermelho. Desta vez, quando bebi o "sangue" doce, reconheci o sabor imediamente. Suco de romã. Que apropriado! Mais duas viagens de volta ao juramento de constância — e, entre elas, um passeio pela sala, depois dois — e eles me depositaram na frente do homem de manto dourado e cabelo grisalho.
— Permita que eu me apresente — disse ele com uma voz retumbante. — Eu sou o Tio Tony Cthony Carnicks Carnage Carthage Parnassus Phinneas Philamagee Phimalarlico McPherson O'Phanel.
— Diga! — Todos gritaram para mim. — Diga! Diga! Diga!

Então não era um estudante? Mas segurei o sarcasmo, pois não parecia ser a hora.
— Tio Tony...humm, Carnage...
— Ela não consegue dizer! Ela não consegue! Ela não consegue! —Uma figura pulou, vestida de vermelho e pintada para parecer Lúcifer. Ela balançou sua cauda longa em formato de lança para mim, chicoteando meu rosto e meus braços de brincadeira enquanto me provocava. Por baixo da tinta gordurosa e do nariz adunco falso, percebi dentes de um branco brilhante.
E
les me empurraram em direção a um cara vestido como no século XIX, segurando um livro encapado em couro todo marcado com o símbolo da Rosa & Túmulo. Ele enfiou o livro nas minhas mãos — grego de cabeça para baixo. Eu acho.
— Leia! Leia! Leia!

Sei, está bem. Mas, desta vez, eles mal me deram tempo antes de começarem a gritar:

— Ela não consegue ler! A neófita não consegue ler! Suas provocações pareciam ter alcançado um nível histérico, porém, e suspeitei que era porque estava chegando ao fim do tempo destinado a cometer tal abuso. O Tio Tony vestido de dourado me empurrou de volta à escrivaninha, em que havia um terceiro e último juramento. O juramento de fidelidade.
— Vejamos se ela consegue ler isso! — gritou.

Eu, Demetria Devonne Lovato, Bárbara-Assim-Chamada, por meio desta juro e devoto solenemente meu amor e afeição, lealdade eterna e fidelidade imorredoura. Pela Chama da Vida e a Sombra da Morte, prometo apegar-me completamente aos princípios desta antiga ordem, favorecer seus amigos e prejudicar seus inimigos, e colocar acima de todas as outras as causas da Ordem da Rosa & Túmulo.

Ah, este era o juramento que os teóricos da conspiração adoravam apontar. Este era o motivo de terem atacado o presidente por ser um membro da Rosa & Túmulo. Admito que até mesmo eu, que não era uma líder dos homens e não tinha nenhuma intenção de algum dia vir a ser, hesitei com as palavras do juramento. Será que eu conhecia essas pessoas o suficiente para me apegar completamente aos seus princípios? E se as causas da Rosa & Túmulo fossem destruir a democracia, tornar a pizza ilegal e dominar a indústria de botas de couro até o joelho? E se os inimigos que eu devia prejudicar fossem o Dalai Lama ou o Brad Pitt? 
Lancei um olhar furtivo às figuras vestidas de forma ridícula que me cercavam. Nah, provavelmente não.

Falei o juramento de fidelidade três vezes e, conforme as últimas palavras saíam dos meus lábios, a sala pareceu estalar com o poder da minha promessa.
(Apesar de, nestas páginas, eu ter quebrado os dois primeiros juramentos, eu mantive o terceiro, e sempre manterei, até o fim dos meus dias. Aqueles de meus irmãos que consideram minhas transgressões imperdoáveis, olhem novamente para o meu juramento, e digam-me se cometi, de fato, perjúrio.)

Eles me ergueram e me colocaram gentilmente aos pés de um homem vestido como Dom Quixote. Ele usava uma armadura que não lhe caía bem e tinha um bigode grisalho e irregular debaixo de um chapéu de panela de cabo longo. Ergueu uma espada enferrujada com aparência antiga e bateu com ela no meu ombro esquerdo.

— Deste momento em diante, você não é mais a Bárbara-Assim-Chamada Demetria Devonne Lovato. Por ordem da nossa Ordem, eu a nomeio Bugaboo, Cavaleira de Perséfone, Ordem de Rosa & Túmulo.
Alguém tocou um alarme três vezes, uma vez e mais duas, e todos gritaram:
— Coveiros!

E foi isso. Eu era uma Coveira.

Chamada Bugaboo.

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Oiiiiiiiiiiiiiii ... meus lindoss OBRIGADO pelos comentários ^^
Algum anônimo perguntou se a fic era Jemi ... bom, é sim, mas não é como nas outras fics que o casal vai ficar juntinhos desde o inicio, eles vão ser bem o contrário de um "casal" no começo.  Éh isso ai =)

boooooooooooooooom, até logo !!! 
COMENTEM ^^ para eu ficar MUITO feliz !

5 comentários:

  1. Postaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaa mais!!!! To amando essa fic! Posta logo, ta perfeito!
    Bia

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  2. Bebê...
    Ficou tudo perfeito...
    To amando a fic <3
    Posta logooo
    Beijos

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  3. tera mta intriga entre eles? adorooo

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  4. Sinistro, mas muito legal. Amei

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Sem comentários ........... sem capítulos!