06/02/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 5 (Parte 1)



Por meio desta, eu confesso:
e assim, eu cometi perjúrio.

5.

Iniciação

Cobertores amorteceram minha queda e, depois da primeira quicada, senti fortes braços masculinos se fecharem em torno do meu torso para me manterem quieta. Mas eu não era a puta de ninguém. Investi com meus punhos.

— Socorro! — Arranhei meu rosto, lutando para tirar o cabelo molhado dos olhos e esperneei para desemaranhar as pernas dos cobertores. — Socorro! Estupro! Fogo!

(Sempre me ensinaram que as pessoas prestam mais atenção quando você grita "Fogo" do que quando você grita " Estupro", porque o fogo também os coloca em perigo. É um mundo divertido esse em que vivemos, não?)

— Me ajudem, por favor! — Meu punho raspou o maxilar de alguém.
— Ai! Demi, meu Deus, fique fria. — Parei de me agitar por um momento e perscrutei por entre as mechas pegajosas do meu cabelo para ver quem estava me segurando. Era Malcolm, de capa, mas com o capuz puxado para longe do rosto.
— Tire as mãos de mim, seu verme político — gritei — ou eu juro por Deus que vou garantir que seu pai nunca mais se eleja de novo!

Esse é o tipo de ameaça que se faz em Eli.
Ele riu e afrouxou o abraço, colocando-me de pé.

— Está ensinando a missa ao vigário, garota. — Ele prendeu meu cabelo atrás da minha orelha. — E ninguém vai tocar em você, muito menos eu. Foi só uma brincadeira.

Olhei em volta para os rapazes que estavam parados ali, segurando as pontas do paraquedas improvisado de cobertores e depois para a escadaria, onde o caixão de compensado de madeira estava aberto. Mais algumas figuras de capa estavam descendo as escadas calmamente para se juntar a nós, empurrando os capuzes para trás conforme desciam.

— Bem, não foi engraçado — falei, ajeitando minhas roupas e encarando Malcolm. — Principalmente a parte da piscina. Eu tenho fobia de água.
O quê? — a voz de Malcolm mostrou uma surpresa genuína.
— Ah, certo. Como se você soubesse quem foi minha professora da terceira série, mas não por que nunca entrei para a equipe de natação...

O olhar de Malcolm correu para o líder do grupo na escadaria, que simplesmente ergueu o queixo desafiadoramente. O cara tinha o corpo esguio, com o cabelo escuro e a pele muito branca. Eu nunca o vira antes, mas soube instantaneamente que aquele era o MC. Sith, O Cara da Sombra n° 2, o mesmo que falara este-é-o-seu-arquivo-do-FBI.

— Bem, agora pode botar isso na merda do seu arquivo. — Espremi a perna esquerda da minha calça e me aprumei. — Onde é a saída?

O rosto de Malcolm ficou perplexo.

— Você não vai embora!?
— Pode apostar sua média acadêmica que vou! — apontei para o Coveiro Darth Vader. — Eu não iria a um chá em que esse babaca estivesse.

Saí, ignorando o barulho da água no meu tênis esquerdo e esperando estar certa na minha avaliação de que estava me dirigindo para algo vagamente parecido com uma saída. Os corredores eram forrados de papel vermelho-escuro e iluminados apenas intermitentemente por velas fracas em arandelas no formato de crânios. Com a minha sorte, eu acabaria na masmorra e, daqui a 70 anos, seria o meu crânio que iluminaria seu caminho.
— Demi, espere!

Virei-me, mas não foi Malcolm quem botou a mão coberta pela capa em cima da minha.

— Eu sinto muito — o imbecil disse. Sua cabeça estava abaixada, mas a posição só fazia parecer que ele estava dando aquela maligna olhada-através-das-sobrancelhas tão popular nos cartazes de filmes de terror. — Podemos começar de novo? — ele esticou a mão. — Eu sou o Poe.
— Isso é coreano?
Ele piscou para mim.

— É meu nome na sociedade. — Ele apontou para o Malcolm. — Como o Lancelot. Não podemos usar nenhum outro nome enquanto estamos dentro do mausoléu — ergueu a sobrancelha e me deu um sorriso torto. — E, agora que lhe contei, você vai ter que entrar. 
— Ou o quê?
— Ou teremos que matá-la.

Totalmente inexpressivo.
Assenti e abri a porta.

— Boa sorte com isso. Eu vou para casa.

Não tive tal sorte. A porta não dava para a High Street mas, em vez disso, abria para um pátio pequeno e quadrado, rodeado por todos os lados por paredes altíssimas de arenito marrom. Droga.
Poe riu baixinho.

— Bela tentativa, Neófita. — Ele se encostou no batente da porta e eu pude ver Malcolm; quer dizer, Lancelot; juntar-se a ele do outro lado.
Bem, o que diabos eu estava pensando? Eu não era uma Coveira. Podia chamá-lo do que quisesse. Malcolm, Malcolm, Bo-Balcolm... Cruzei os braços sobre o peito.

— Qual é, Demi — disse Malcolm. — É um pouco tarde para desistir. Você aceitou a convocação.
— Isso foi antes da aula de natação.

Malcolm lançou um olhar para Poe, que devolveu um sorriso convencido.

— Eu lhe disse que isso ia acontecer.
— Poe — disse Malcolm como advertência.

O cara suspirou, e então resmungou:
— Está bem. Nós não temos piscina.

Meu maxilar esqueceu como funcionar.
— Mas como...
— Velho truque — Poe disse através dos dentes cerrados. — Isopores cheios de água de cada lado, balançando e vazando. Pistolas d'água para o vazamento.

Genial. Maligno, mas genial. E ele estava se torturando por me contar. Adorei.
Malcolm se aproximou e tomou minhas mãos.

— Não vou mentir e dizer que somos todos legais, Demi, mas somos boas pessoas para ter ao seu lado. Confie em mim. Isso é a melhor coisa que vai fazer em Eli — seus olhos estavam suplicantes, praticamente desesperados, mas ele se aprumou e falou com a voz muito mais alta. — A vida que a estamos convidando para partilhar em nossa sociedade é baseada em fatores tão intangíveis que não podemos explicar significativamente nem sua natureza nem sua qualidade a você. Peço que não julgue nosso valor por algumas brincadeiras imprudentes — e então, em um sussurro baixo. — Vamos, o que você diz?

Eu ia me arrepender tanto disso...

— Aye.

Eu disse ao Lancelot que preferia que eles não me carregassem.
Ele disse que não tinha jeito.
Eu queria saber com antecedência para onde me levariam.
Ele disse que tudo ficaria claro no devido tempo.
Fui absolutamente taxativa que não haveria sangue de virgens assassinadas sendo bebido. Ele disse que veria o que podia fazer.

E foi assim que me vi suspensa nos braços de seis figuras encapuzadas, a venda finalmente afrouxada, colocada por cima do que parecia para qualquer pessoa um crânio cheio de sangue. Mas, pelo lado positivo, como eu iria saber as atividades sexuais do proprietário anterior do sangue?

 Beba! Beba! Beba!  As figuras encapuzadas entoaram. 
A taça foi erguida e colocada em minhas mãos e a venda retirada completamente. O osso era liso e quase escorregadio debaixo dos meus dedos, gasto, talvez, por quase dois séculos de uso. Eles haviam tapado os buracos com a mesma argila que forrava o interior, mas aquele pequeno gesto de decência dificilmente me convenceu. Beber? Isso havia sido parte de uma pessoa.

E, muito provavelmente, também havia sido parte de um projeto de ciência, meu lado racional argumentou. Onde mais garotos universitários arrumariam seus exemplares?
Muito bem, Demi, é hora de entrar no espírito da coisa. Que mane crânios. Respirei fundo e virei como uma Taça Tory.

Algum tipo de suco de frutas, talvez misturado com Gatorade. Havia uma nota estranha, adstringente por baixo do sabor, dando uma pista de um ingrediente adicional – talvez tinta para dar aquela cor vermelho-escuro? – mas eu mordera a língua vezes suficientes na vida para saber que aquilo não era sangue. Terminei de beber, esfreguei o crânio um pouco na camisa – não ia lamber a taça de jeito nenhum – e recebi algumas risadas dos meus companheiros que reconheceram o ato.

—  Boa Garota – falou Lancelot, enquanto amarrava a venda de novo. – E lá vai você!

Olhando para trás, é difícil definir uma sequência de acontecimentos para a Noite da Iniciação. Tudo se movia tão rápido, com visuais tão caóticos e uma cacofonia de sons, que eu me lembro dela mais como uma série de quadros—uma apresentação de slides de todos os momentos que levaram ao acontecimento principal. Eles nos mantiveram vendados enquanto íamos de sala em sala, talvez para tornar cada visão ainda mais chocante ao revelá-las para nós todos de uma vez, quando já estávamos no meio das cenas. Sem dúvida, com o frenesi dos participantes, vários flashes passaram para eu chegar a perceber que estava agora na companhia de outros neófitos, dois ou três se cruzando em uma sala qualquer de cada vez.
Isso é o que me lembro:

*Flash*

Um pátio cercado de fogo, no qual um homem vestido de demônio pulava, soltando gritos guturais. Um grupo de homens em farrapos estava diante dele, acorrentado, e
soltava gemidos baixos.

*Flash*

Um quartinho iluminado por velas, com alguém vestido como uma figura mística, em dourado brilhante e plumas coloridas. Ele se inclinou por cima de uma laje de pedra, uma faca de ouro pronta para cortar fora o coração de uma mulher talvez nua que estava deitada com seu cabelo negro esparramado atrás de si. Quando ele abaixou a faca, a vela se apagou. A mulher gritou.

*Flash*

Marco Antônio de pé por cima do corpo de Cleópatra, segurando uma víbora viva. Ou talvez fosse uma cobra boa constrictor. Não conheço esses animais tão bem quanto conheço Shakespeare. E acho que Cleópatra era um manequim com uma peruca preta. 

*Flash

Uma sala cheia de Puritanos, observando uma forca iluminada por um foco de luz. Parecia que estávamos de volta à Sala do Vaga-Lume. Havia três mulheres penduradas com cordas em torno de seus pescoços, sacos pretos amarrados cobriam seus rostos. Achei que eram de mentira, mas seus pés estavam se mexendo...

*Flash*

Havia mãos nos meus ombros, guiando-me pelo corredor, mas quem quer que tivesse posto a venda no meu rosto depois da sala de Salem, com suas bruxas enforcadas, não foi muito cuidadoso. Pelo canto do olho eu podia ver um pequeno clarão. Luz, rebatendo em zíperes de metal.Eles retiraram a venda para mostrar o próximo quadro — algo com uma tigela cheia de frutas e os gemidos de almas fantasmagóricas e atormentadas — mas eu estava interessada demais naqueles zíperes e na pessoa que os usava. 

Era George Harrison Prescott no corredor fora da sala e ele estava sendo despido de seu casaco ofensivo e — sim, enfiado dentro de um pequeno caixão de compensado. Eles obviamente haviam coordenado nossas entradas e estavam nos entretendo um de cada vez com os vários aspectos da iniciação. Fiquei pensando no que ainda estava por vir.

*Flash*

Eles me empurraram para uma cadeira e prenderam minhas mãos atrás das costas. Alguma coisa foi posta por cima do meu rosto antes que a venda fosse puxada para baixo. Quando abri os olhos, vi que estava olhando por dois buraquinhos em uma máscara. Primeiro, achei que tinha sido colocada de frente para um espelho porque, diante de mim, eu vi outra figura mascarada amarrada a uma cadeira. Sua máscara era elaborada e dourada, com um elegante bico de pássaro e jóias brilhantes que sugeriam sobrancelhas arqueadas e uma boca cruel e predatória. Mas ela lutava contra suas amarras, enquanto eu permanecia imóvel. Finalmente, suas mãos se soltaram e ela tirou a máscara do rosto.

Clarissa Cuthbert.

Levei um susto e ela esticou a mão para arrancar a minha máscara. Vi de relance com o canto dos olhos. Uma bruxa. Ela franziu as sobrancelhas.

— Então você está aqui — disse, antes que a levassem embora. Minha venda foi recolocada antes que minhas mãos fossem soltas ou que minha boca se lembrasse como funcionar.

* Flash*

Um vampiro erguendo-se do caixão, sangue escorrendo por seu pescoço.

*Flash*

Um jovem pálido de cueca sentado em uma privada. Ele tinha uma arma apontada para a cabeça e ficava repetindo a mesma frase várias vezes. Em Latim.

*Flash*

George Harrison Prescott virou-se para mim, em uma sala onde Otelo estava estrangulando Desdêmona, e disse num tom totalmente inadequado à situação bizarra:

— Os fósforos não funcionaram, por falar nisso. Eu tinha enxofre suficiente comigo para acabar com meia dúzia de coveiros. Fui levada embora antes que tivesse a chance de lhe perguntar o que ele queria dizer.

*Flash*

 As cenas começaram a se misturar depois de algum tempo, e por cima de tudo havia vozes gritando frases em outros idiomas, berrando obscenidades, entoando coisas sem sentido, urrando "O Presidente Está Morto!", "O Fim Chegou!", "O Diabo Ascendeu!" e outras advertências lúgubres. Senti-me estranhamente inebriada e imaginei se haveria algum álcool no "sangue" ou se eu estava apenas sucumbindo à mágica da noite. O tempo parecia flutuar como se fosse um sonho e parei de contar os passos de uma sala para outra. Não sei quantas vezes fiz o circuito ou quantas trocas de roupa os intérpretes fizeram. Mas finalmente fui empurrada para dentro de uma sala e ouvi uma porta bater atrás de mim enquanto a barulheira era subitamente abafada. A essa altura, eu já estava tão acostumada com os quadros sendo revelados que levei vários segundos antes de esticar a mão para remover minha venda.

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Oiiiiiiii amores, muito feliz por estarem gostando ^-^ 
postando mais um hoje =) espero que gostem ^-^
Comentem e eu posto outro amanhã ou ainda hoje
 ta bom!!! 

bjsss



9 comentários:

  1. Adorei o Capitulo.
    Poste logo!! Bjs

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  2. Sociedade bizarra essa kkkkkkkkkkk mais ta muito interrssante to doida pro proximo capitulo bjs

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  3. Como pode?
    Como pode terminar logo aí.
    Não foi legal

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  4. Posta mais! Pf!!! Perfeito
    Bia

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  5. AMEEEEIIIII POSTA LOGO PLEASEE

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  6. Perfeito...adorei tudoo
    Capítulo grande em <3
    Posta loogooo
    Minha bebê
    Beijos

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  7. Olá! Será que podia divulgar, estreará a amanhã e gostaria também convida-la para ler. Não se vai arrepender.
    http://costa-webnovel.blogspot.com
    Obrigada

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  8. Oi sou uma de seus afiliados e estou passando pra avisar que eu mudei o nome e o url do meu blog ;D Antes era Mandy Fanfictions.

    O nome agora é : Daydreamin Fics
    E o url é: http://daydreaminficsjemienelena.blogspot.com.br/

    Kisses e Tchauzinho!!

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  9. Sociedade estranha essa em?!
    Estou simplesmente apaixonada pela fanfic.

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Sem comentários ........... sem capítulos!