25/02/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 8 (Parte 2)





— Ei, Demi — disse ele alegremente. — Que bom que encontrei você em casa. — Olhou de mim para o Brandon e de volta para mim e ficou óbvio que não ganhara sua vaga em Eli baseado somente na beleza e nos legados familiares. — Estou interrompendo alguma coisa? 
Está, eu pensei. 
— Não — falou Brandon. — Eu estava indo embora. 
— Legal. — George deu um passo para o lado, como se para deixar Brandon passar para o corredor. — Calce seus sapatos, gata. Quero lhe mostrar uma coisa. 
Brandon visivelmente encolheu-se com o casual "gata" do George. Acho que eu também devo ter me intimidado. Meu amigo-colorido (que poderia deixar tudo preto-e-bran-co, se esse tipo de cena começasse a se repetir) virou-se para mim, mas seus olhos castanhos não demonstravam nenhuma ternura. 
— Vai ao escritório amanhã?
Eu assenti. 
— Está bem — falou ele. — A gente se vê lá. 
E então ele saiu, trocando de lugar com George na sala. Ouvi a porta da entrada abrir e fechar atrás dele. Bem, eu tinha estragado tudo direitinho, não tinha?
— Demi — disse George Harrison Prescott. — Isso é sangue seco na sua maçaneta? 

___________ 

De alguma forma, convenci George a não ir para o mausoléu (já que era essa a razão dele ter vindo até aqui: me pegar para um passeio de madrugada até a Rosa & Túmulo) até depois de ter certeza de que Brandon chegara em casa. O caminho para o mausoléu dos Coveiros era idêntico ao caminho mais surto para voltar à Universidade Calvin e eu achava que seguir seus passos não tornaria esta noite menos constrangedora. Mas explicar a situação em linguagem e decibéis que não fossem identificáveis por Selena (que ainda estava puta em seu quarto) provou não ser uma tarefa das mais fáceis. 
— Eu não estou sozinha — sussurrei, depois de uma viagem rápida ao meu quarto para vestir uma roupa mais digna do George. Apontei com o polegar em direção à porta fechada do quarto da Selena. Ele assentiu. 
— Então, vamos dar um pulo lá no mausoléu — ele falou alto — ver o que está rolando. 
Meus olhos se esbugalharam. 
— Eu. Não. Estou. Sozinha — sibilei, gesticulando com mais força. 
Ele riu então, e seus olhos brilharam por trás dos óculos de armação cor de bronze. 
— Ora, Demi Lovato — disse, me reprovando em tom de brincadeira — eu não sabia que você era uma garota tão pegadora. Quantos garotos você tem escondidos na sua suíte nesta noite de sábado? 
Revirei os olhos e puxei um par de sapatos. Conte sempre com George Harrison Prescott para transformar tudo em sexo. 
— Não, seu tarado priápico. Minha colega de quarto. Epelapá nãopão sapabepe dospos Covepeiropos. 
Agora foi a vez dele revirar os olhos.
— É, como se Selena não soubesse a língua do pê — ele jogou o braço em volta dos meus ombros e me empurrou para a porta. — Vamos. 
Na verdade, Selena sabia latim de verdade, também. Estava estudando línguas clássicas há três semestres. E "tarado priápico" era um pouco redundante, apesar de que, com o George, eu não estava exagerando o caso. Na entrada do prédio, eu o parei.
— O negócio é o seguinte, George. Sobre o cara que acabou de sair? Ele está na Universidade Calvin. Então não podemos ir logo atrás dele até a Rosa & Túmulo ou ele vai saber o que estamos fazendo. 
— Por favor — George escarneceu. — Você leva esses negócios de segredo a sério? Além do mais, esse é um campus livre. Você e eu podemos ir aonde quisermos. 
Finquei os pés no chão. 
— Eu levo a sério, sim! Nós fizemos juramentos. Não significa nada para você? 
Ele olhou para mim e piscou. 
— Não — disse finalmente — Tenho que dizer que não significa. Se estivesse vindo um trem e eu tivesse a opção de salvar a minha mãe ou um Coveiro qualquer, eu escolheria a minha mãe, não interessa que juramento idiota de fidelidade ou fraternidade ou o que quer que seja eu tenha feito na frente de um monte de palhaços fantasiados. 
Quando colocado dessa maneira, era difícil discordar. 
— Mas não há nenhum trem aqui — argumentei. — Você só está falando isso para ser do contra. 
Ele riu então, uma expressão que lhe caía ainda melhor do que a expressão séria que havia assumido um momento atrás. 
— Isso é verdade. Está bem, vamos esperar um minuto, já que o seu segredo é tão precioso para você. A forma como ele falou fez com que eu me sentisse infantil por obedecer as regras da sociedade.

 E então lembrei-me de suas palhaçadas na noite anterior. 
O metal e o vidro, o enxofre. 
— Olhe, se você odeia todas as pompas que vêm com a Rosa & Túmulo, por que entrou, para começo de conversar? 
Ele empurrou a porta de entrada e escapou para o ar noturno. 
— Não tive muita escolha — falou. — Meu pai foi meio insistente. 
Lembrei-me do que alguns outros novos convocados haviam dito antes da entrada de George na noite anterior, sobre como ele fora arrastado gritando e esperneando. E então pensei em como eu o observara parado ali, em frente ao mausoléu, acendendo fósforos e lutando consigo mesmo. Parei George debaixo de um arco com seu sobrenome gravado em enormes letras. 
— Seu pai é um Coveiro.
— Você o conheceu. O Tio Tony, lembra? — ele ergueu as sobrancelhas. 
— Ah. 
Eu não sabia a identidade da figura que havia tomado meu juramento. (Apesar de ter descoberto na mansão na noite anterior que "Tio Tony" era o título oficial do líder de cada reunião. Algumas organizações têm presidentes; a Rosa & Túmulo tinha tios — e agora talvez tias também?). 
— Mas isso é legal, que fosse ele na cerimônia. Tal pai, tal filho, sabe? 
Ele bufou. 
— É, exatamente assim. — Ele chutou a parede e enfiou as mãos nos bolsos de seu jeans. 
— Vamos. 
Um bando de palhaços fantasiados. Muito bem, Lovato, raciocínio rápido. 
Aparentemente, George Harrison Prescott não era um grande fã do pai. Eu o segui através do Portão Prescott e pelaYork Street em direção à Universidade Calvin, agora extremamente curiosa para ouvir os podres da família. Viramos a esquina na Universidade Hartford e, de repente, George me puxou para uma alcova de pedra e botou a mão em cima da minha boca. 
— Quieta! — sussurrou soltando o ar de uma forma que fez cócegas na minha nuca. — Seu namorado parou para comer pizza. 
A alcova estava úmida e a pedra parecia áspera sob as minhas mãos mas, apertada contra George Harrison Prescott, eu quase não percebi. Lentamente, ele tirou a mão da minha boca, escorregando a palma pelo meu queixo e por cima do meu pescoço e clavícula. Não preciso lembrá-los de como o garoto manda bem. Minhas pernas de fato chegaram a tremer. 
— Ele não é meu namorado — sussurrei por cima do ombro. Um olhar firme nos óculos de George não revelou nada em seus olhos. 
— É bom saber.
Naquele momento, eu não estava pensando em Brandon lá fora indo para casa. Virei-me completamente para George, tranqüilizada pela escuridão e coloquei uma das mãos em seu ombro — pouco abaixo de seu ombro, porque ele era George Harrison Prescott e eu não pude resistir. 
— Diga-me por que você não queria entrar para a Rosa & Túmulo. 
— Diga-me por que você queria. 
Dei de ombros.
— Pareceu uma boa idéia. Uma rede de contatos imensa, um mausoléu maneiro, champanhe grátis. 
Ele se afastou de mim e sentou-se em um banco baixo de pedra. Por baixo do casaco, George estava usando uma camisa social gasta por cima de uma camiseta vintage desbotada e puída de show. Eu não conseguia saber de qual banda, mas ele trabalhava o visual para parecer um James Dean moderno. 
— Minha mãe e meu pai são divorciados. Ela também estudou em Eli. E foi a última da extinta raça das hippies e das feministas tradicionais. 
— Ela queimou seus sutiãs? 
— Não tinha nenhum. — George cruzou os braços. — Os anos 1970 podiam já ter acabado, mas ela não ia admitir isso. Meu pai estava na fase de se "rebelar contra seu pedigree" quando se conheceram. Ela também estava se rebelando, não me entenda mal. E ela e meu pai meio que... usaram um ao outro. 
— Isso é terrível. 
— Ele a fez pensar que ela poderia modificá-lo, ela deixou os pais de famílias megatradicionais de Boston dele muito zangados. Discordavam de tudo, o que deve significar que o sexo era nuclear. — Humm, informação demais. — O casamento durou uns 30 segundos depois que eu nasci — George encolheu os ombros. — Quando eu era pequeno, achava que haviam se separado por causa do meu nome, Não é idiota? Mas foi a única discordância que ambos tiveram em relação a mim. Papai queria que eu fosse George Prescott Terceiro. Mamãe cedeu quanto à parte do George mas deu o golpe de misericórdia com o Harrison. Como é Beatle. Fofo, não é? Eu sempre achara que sim. 
— Onde você cresceu? 
— Dividindo o tempo — ele respondeu. — Mamãe é assistente social em Connecticut. Papai, é claro, fica em Westchester. Eles pensam um no outro como algo divertido hoje em dia. Papai acha engraçado que mamãe ainda queira salvar o mundo, mamãe acha hilário que papai tenha se tornado exatamente o tipo de homem que ele odiava que seu próprio pai fosse. 
— Sinto muito — por falta de coisa melhor para dizer.
— E eu sou o fio elétrico — ele riu sem alegria. — Eles vinham para me deixar ou me pegar na casa de um ou de outro, olhavam-se e bum. — Bum? George preencheu a lacuna. — Até há uns cinco anos, costumavam trepar regularmente. E o quê, deixavam o pequeno George parado na cozinha? 
— O que aconteceu há cinco anos? 
— Papai se casou — George se levantou, deu uma olhada na rua. — Agora é só semi-regularmente. 
Caí no banco, chocada demais para falar. 
Ele olhou de volta para mim, fez uma careta e passou a mão pelos cabelos. 

— Não faço idéia de por que estou lhe contando tudo isso. Acho que esse negócio de intimidade dos Coveiros já está começando. 
Como com o Malcolm. 
— O negócio de intimidade dos Coveiros em que você conta para todos os seus irmãos seus segredos mais profundos e obscuros? 
— É. Ou para a minha irmã, no caso. Nesse ritmo, não vai sobrar nada para o meu E.N. 
Fiquei de pé. 
— Acho difícil acreditar nisso, George.  
Fiquei bem perto dele dentro do espaço limitado da alcova. Talvez perto demais. Seus olhos se esbugalharam por trás dos óculos, como se estivesse surpreso por ouvir sua reputação sendo jogada na cara. É, definitivamente perto demais. Ele colou sua mão na minha. E palma com palma é o ósculo dos piedosos portadores de palmas. Se ele fosse estudante de inglês, eu suspeitaria que tivesse feito isso de propósito. Talvez tivesse. Diferente do Brandon, eu não conseguia ler George de maneira nenhuma. 

DUAS COISAS QUE ELE PODE ESTAR PENSANDO 

1) Ah, veja só, é a Demi. Ela é bonitinha, inteligente e engraçada. 
2) Ah, veja só, é uma garota em um canto escuro. E ainda não a comi. 

Respirei fundo. 

— A barra está limpa agora, certo? 

Ele assentiu, lentamente, e saímos para a relativa claridade das lâmpadas da rua.
Enquanto andávamos pela calçada com ardósia entre a Universidade Hartford e a Calvin, dissemos muito pouco. George, eu acho, ainda estava traumatizado com sua própria confissão e eu estava ocupada avaliando se deveria retribuir. 
Mas o que eu deveria dizer? Meus pais eram bem casados e raramente brigavam por causa de algo mais sério do que se deveriam contratar o garoto do final da rua para cortar a grama ou fazer isso eles mesmos. Isso ia servir. Ou será que eu devia partilhar algo mais obscuro? A vez no ano passado em que dormira com um garoto de cujo nome não conseguia me lembrar? Será que isso ia me fazer parecer uma vagabunda? Chegamos à High Street e viramos em direção ao mausoléu, ainda em silêncio mútuo. O portão estava fechado e George o segurou aberto para mim — depois de nós dois verificarmos que não havia mais ninguém na rua. 

— Acho que não há ninguém lá dentro — disse ele, referindo-se ao código de posição do portão. 
Estávamos prestes a descobrir por quê. Ele correu até os degraus da entrada principal e congelou. Quando cheguei um instante depois, pensando no quanto seria perigoso ficar sozinha dentro da Rosa & Túmulo com George Harrison Prescott, me senti igualmente aturdida. Haviam passado uma corrente com um cadeado nas portas.

 ------------------------------------------------

O que eles vão fazer hein ??? rsrs' 
só vão saber se comentarem!!! 
Capítulo novo cheios de surpresas =) 

Éh isso ai =) 
Me Voy !!!!!!! 

bjsss


23/02/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 8 (Parte 1)




Por meio desta, eu confesso:
destruí as coisas de Selena
procurando seu broche.

8.

Bárbaros

Durante os primeiros 15 minutos, tentei ser displicente e convenci-me de que estava apenas limpando tudo. Então, passei esse tempo iludindo-me alegremente, achando que tal descoberta me ajudaria a encontrar minha colega de quarto. Depois disso, simplesmente admiti a verdade: eu estava curiosa à beça.
Consegue imaginar por que eu não estava totalmente histérica?

COISAS QUE DESCOBRI QUE ME ACALMARAM

1) Selena se dera o trabalho de anotar os recados telefônicos antes de sair. Não devia estar com tanta pressa.
2) O kit de primeiros-socorros que guardávamos na estante não havia sido tocado. Não devia ter se machucado.
3) Em uma das pocinhas de sangue eu encontrara um pedaço de carne moída.

Isso mesmo. Os caras da sociedade da Selena quase haviam me matado de susto com pedaços de hambúrguer cru. E eu não fazia a menor idéia do que isso significava. A minha sociedade gostava de romãs. Talvez a dela gostasse de bolo de carne. Ou talvez seus membros tivessem passado tempo demais assistindo ao filme Os dez mandamentos e decidiram pegar emprestado o simbolismo semita de lambuzar a porta com sangue para indicar quem era a bola da vez. De qualquer maneira, Selena ia ouvir um bocado quando voltasse. Hambúrgueres apodrecendo na nossa sala? Péssimo.

Cerca de 40 minutos depois, ouvi a porta da nossa suíte se abrir. Minha procura pelo broche me deixara afogada até o peito no fundo do armário de Selena, revistando metodicamente os bolsos de seu casaco, onde eu sabia que Selena guardava suas coisas realmente valiosas. Mas tudo o que encontrei foram seus cheques de viagem de emergência, seu passaporte e suas chaves extras da caixa postal.
Droga.
 — Bem-vinda ao meu quarto — disse ela secamente da porta.
— Selena! — eu me joguei em cima dela.— Ah, meu Deus, garota, o que você andou fazendo?
Ela ergueu um saco plástico.
— Lavanderia.
Sem me intimidar, eu forcei mais.
— O que aconteceu aqui? — perguntei. — As penas, a sujeira, a lambança na maçaneta? Nenhuma resposta.
Tem sangue no chão.
Nenhuma resposta.
— Selena! Fale comigo — eu a segui de volta à sala. — Eu fiquei tão preocupada com você quando entrei e, na sala... — apontei discretamente para a bagunça.
Ela limpou uma das poças vermelhas com um chumaço de toalhas de papel.
— Bem, eu fiquei preocupada com você quando entrei e você parecia "desaparecida em combate" — ela manteve o rosto voltado para o chão — Está a fim de me contar onde passou a noite?
— Na Universidade Calvin.
Ela congelou, ali no chão, e então ergueu os olhos para mim.
— Sério?
— Sim. — Não era mentira. Não realmente.
Ela se levantou e olhou para mim, um rubor se espalhando por sua pele.
— Ah, Demi, eu me sinto tão idiota. Eu achei... me desculpe — ela balançou a cabeça. — O que vai fazer a respeito disso? Ele é um cara legal, sabe.
— É — e eu não estava mais usando-o só como objeto sexual. Brandon agora se tornara também meu álibi. — Ele é. Eu sou uma babaca.
Ela me abraçou forte.
— Não é, não. Você gosta dele. Não é sua culpa se você é uma idiota quando se trata de homens.
— Ei! — Bati em seu ombro e ela se afastou. — Olhe, me sinto péssima por ter deixado que toda essa bobagem de sociedade interferisse na nossa amizade.
— Acho que nós duas deixamos — repliquei, agora quase feliz com a mentira, já que parecia ter dissolvido a estranha tensão que tomara conta da nossa suíte desde que aquela carta aparecera. 

Eu só queria deixar tudo isso para trás. A discussão de ontem, a bagunça na nossa sala, o nível a que eu chegara quando quase me afoguei nas coisas da Selena. Ah!
É claro que eu não podia encontrar seu broche. Eu sou tão idiota. Ela está usando a porcaria do negócio. Eu a investiguei disfarçadamente mas, se havia um broche de sociedade pregado em sua pessoa, ela o mantinha tão escondido quanto eu.
Bem, ótimo. Pelo menos não estávamos jogando nossas associações uma na cara da outra e depois nos recusando a dar os detalhes. Andávamos colocando essa história de sociedade acima de nós duas.
— Não vamos mais fazer isso, está bem? — sugeri, tentando não olhar melhor para um traço brilhante que vi acima do bolso de seu jeans. Provavelmente era seu broche, mas eu não ia cair em tentação. Viu? Eu podia fazer isso. — Vamos simplesmente... não falar sobre isso.
Selena avaliou a bagunça e depois me olhou cautelosamente.
— Sabe que isso vai ser difícil, certo?

Assenti. 
Eu sabia. Ia ser a poça de sangue no formato de um elefante na sala. Eu adorava minha relação com a Selena, mas agora tudo ia mudar. Desapareceríamos toda quinta à noite em vez de ficar por ali para comer jujuba e beber vodca. A vida agora seria passar a noite em uma cama com seu irmão mais velho da sociedade que é gay e não ser capaz de fofocar com sua colega de quarto depois. Seria deixar sua melhor amiga de fora do que estava prestes a se tornar a parte mais importante de sua carreira em Eli.
O telefone tocou e eu atendi sem responder a Selena.

— Alô?
— Bom dia! — exclamou minha mãe. — Você devia estar dormindo profundamente para não ter me ouvido antes.

Minha mãe gosta de jogar esse jogo no qual ela me liga cedo nas manhãs de sábado e domingo, tentando me pegar em uma cama que não seja a minha. Você não acredita na quantidade de encontros que tive com ela cedo, no café-da-manhã, nos últimos três anos.

— Ei, mãe — falei. — Quando você ligou? Selena e eu estávamos fazendo compras. — Selena sorriu indulgente.
— Ah. Bem, isso explica tudo. — Minha mãe não pressiona para desmascarar mentiras óbvias. Aposto como ela havia ligado às oito, antes que pudéssemos estar até mesmo na farmácia 24 horas. Ela não quer realmente saber a verdade, simplesmente não consegue resistir a confirmar seus medos obscenos. Afinal de contas, sou sua filhinha. — Então, estudando muito?
— Você sabe que sim. — Essa é a coisa Número Dois que ela sempre pergunta. 
Às vezes, eu posso seguir um roteiro para a conversa. Senti-me tão tentada a responder, Não, mas tudo bem, porque minha sociedade secreta chique me garante que vou tirar dez nas minhas provas com a ajuda de suas colas guardadas durante décadas. Mas eu não podia lhe contar nada a respeito daquilo. Nem mesmo para a minha mãe. O que significava que sua pergunta padrão Número Três também ia ser uma enganação. E lá estava ela, a Número Três:

— Que bom, querida. Tem feito alguma coisa interessante ultimamente?
Beber suco de romã em um crânio humano e jurar fidelidade eterna a uma organização secreta vestida em fantasias bizarras conta?
— Humm, não. Minha vida tem sido basicamente a mesma de sempre.
Selena balançou a cabeça enquanto voltava a esfregar o chão. Puxei a barra da minha blusa por cima do ilhós do cinto, cobrindo o minúsculo broche de ouro que já estava me furando do lado.
Como se alguma coisa fosse um dia voltar a ser igual.

_________

Mas nós tentamos. Afinal de contas, era sábado à noite, primavera e nós éramos duas garotas jovens, inteligentes e solteiras, que sabiam exatamente como se divertir.
Que era nos encontrarmos às oito da noite esparramadas no sofá de camiseta, calças de pijama e meias, com uma garrafa de vodca Finlandia sabor manga, um jogo de copos de uísque oficiais de Eli, em que estava escrito "Harvard é uma merda, Princeton não conta", um saco de jujubas e o DVD de O diário de Bridget Jones de Selena. Estávamos debatendo as regras do jogo durante os créditos de abertura.
— Que tal bebermos toda vez em que ela acende um cigarro? — sugeri.
Selena começou a detonar as jujubas vermelhas.
— Não estou a fim de entrar em coma alcoólico esta noite. — Ela jogou algumas dentro da boca e mastigou pensativamente. — Que tal bebermos cada vez em que eles fizerem uma tomada gratuita mostrando que os-padrões-de-Hollywood-excluem-os-quilos-extras-da-Renée-Zellweger?
Dei de ombros.
— Isso parece mais viável. Mas... com regras novas para a continuação. — Eles realmente começaram a explorar as piadas de gordo nesse.
— É claro!

Era um alívio falar de outra coisa que não sociedades secretas. Conforme caímos na nossa rotina de sempre, minha curiosidade a respeito da sociedade secreta de Selena diminuiu (ajudava o fato de que, se ela estava usando seu broche, ele estava bem escondido). Eu ainda estava surpresa com o ponto a que chegava a iniciação de seu grupo. Eu achava que a Rosa & Túmulo tinha as cerimônias mais elaboradas e bizarras de todas, mas também, uma organização mais recente poderia fazer questão de elevar suas tradições à novas alturas, cada uma tentando superar as que vieram antes em uma espécie de competição entre sociedades secretas para ver quem mija mais longe. 
Talvez eu pudesse perguntar ao Malcolm o que ele sabia sobre os ritos de iniciação das outras sociedades e ver se conseguia descobrir quem incluía hambúrgueres em suas cerimônias. Está bem, então eu ainda estava pensando nisso. Pode me processar.
Três doses depois, Selena e eu estávamos discutindo se Bridget estava ou não fazendo papel de idiota com aquelas roupas de trabalho transparentes, quando bateram na porta de nossa suíte. Selena se inclinou para abri-la e Brandon entrou.

— É sangue seco na sua maçaneta? — ele perguntou sem preâmbulos. Selena e eu trocamos olhares e demos de ombros, enquanto Brandon olhava para as coisas em cima da mesinha de centro. — Não sei se Willy Wonka aprovaria.
— Bobagem — Selena falou arrastado, virando o quarto copo enquanto Daniel percorria com sucesso as calçolas enormes de Bridget. — Bala é legal, mas álcool é mais rápido, Eu não bebi. 

Isso estava prestes a ficar muito perigoso é eu sabia que precisaria de toda a capacidade mental que ainda não cedera aos poderes consideráveis da vodca de manga. Enviei telepaticamente para Brandon meu desejo ardente de que ele não me perguntasse o que eu havia feito naquele fim de semana.

— Então — perguntou ele, sentando-se no sofá entre nós duas. — O que vocês fizeram neste fim de semana?

Supostamente, fiquei com você. Belos poderes mentais eu tinha. Deviam estar entorpecidos pelo álcool.

— Talvez você possa nos ajudar a resolver uma questão — cortei, apesar de Selena estar envolvida com as aventuras de Bridget e nem parecer ter percebido que o homem com quem eu supostamente havia passado a última noite aparentemente não tinha conhecimento desse fato.
— Manda — disse Brandon, pegando um punhado de jujubas verdes. Fiquei olhando para ele, imaginando se também teria uma queda por balas de goma pretas. E, se tivesse, por que eu não era completamente apaixonada por ele?
— Estamos tentando decidir se Renée Zellweger fica melhor como Bridget ou magra como um boneco de palitinhos.
Ele olhou para a tela.
— Como ela é normalmente?
Homens! Até dá para achar que eles nunca leram uma revista de celebridades como a People.
— Metade disso.
Brandon observou Bridget sorrir.
— Acho que ela está bonita aí — e então, ele olhou para mim, seus olhos castanhos muito ternos. — Mas, também, eu tenho uma queda por garotas que trabalham no ramo editorial.

Encolhi meus pés mais para perto de mim e Selena lançou olhares de alerta por trás da cabeça de Brandon.
— Demi, você está ficando para trás. — Ela acenou para mim com o copo. — Brandon, se não se importa, estamos no meio de um jogo aqui.
Mas Brandon claramente não estava a fim de entender o toque. Ele pegou a vodca e um copo extra e serviu-se de uma dose.
— Cuidado — falei, enquanto ele virava o copo —, as verdes não combinam muito com manga.
— Eca. — Ele fez uma careta e olhou para o copo vazio. — Sabe, eu aprendi na aula de sexualidade do homem branco e cultura pop americana que um sinal de masculinidade é beber apenas bebidas alcoólicas que sejam marrons ou transparentes. — Essa é transparente... a não ser pelas jujubas — argumentei.
Ele riu.
— Eu não levo isso a sério. Além disso, já estraguei tudo. Minha bebida preferida é amaretto sour que não é marrom nem transparente. Fora que não sou um homem totalmente branco.
— Meu pai gosta de Bloody Mary — falou Selena. — Que é vermelho. Você está dizendo que ele é gay?
— Só um metrossexual.
— E quanto ao vinho? — disse ela, sufocando um arroto. — É roxo.

E, até ontem, todos os Coveiros eram homens e, até onde eu sabia, seu drinque oficial era ponche de romã rosa-brilhante. A Ordem da Rosa & Túmulo devia ser muito segura de sua masculinidade.
Ou isso ou o professor do Brandon de sexualidade do homem branco era muito inseguro em relação a dele. A probabilidade era a mesma. Fiquei imaginando o que estaria acontecendo no mausoléu naquele momento. Será que os outros novos convocados estavam lá, aprendendo as normas e conhecendo melhor uns aos outros? O que eu estava perdendo?

Olhei de volta para Selena e Brandon, que estavam rolando de rir com a queda de Daniel no lago. Nada mesmo. Só porque eu estava na Rosa & Túmulo não significava que tinha que abandonar meus amigos bárbaros. Nada havia mudado.
— Demi!—Selena jogou uma jujuba em mim.— Pare de roubar. Beba.

Voltei minha atenção para meu copinho esquecido, onde a jujuba laranja estava começando a desintegrar. Não, nada havia mudado. Selena ainda conseguia beber muito mais do que eu (nota para mim mesma: nunca beba com uma garota do oeste de Nova York. Elas bebem desde que nasceram).

— Foi mal. — Inclinei o copo na direção da minha boca e então fisguei a jujuba gosmenta com os dedos. Deselegante, talvez, mas a julgar pelo olhar que Brandon estava me lançando, ele não se incomodava em me ver lambendo bala der-retida no polegar.
— Conferência! — Selena pulou do sofá, agarrou meu braço, soltou um "a gente já volta" na direção de Brandon Weare e me arrastou para seu quarto.

Assim que a porta se fechou, Selena virou-se para mim e disse:
— O que você quer fazer? Quer que eu saia para vocês dois poderem ficar sozinhos? Quer ir a algum lugar com ele? É óbvio que o cara não veio até aqui assistir à filmes de menina com sua colega de quarto.

Não, não tinha vindo para isso mas, se ele estava se divertindo, para que estragar tudo?
Enrolei meu cabelo para cima num rabo-de-cavalo mal-feito e deixei-o cair de volta nos ombros.

— Eu não sei. Não esperava que ele aparecesse...
— Por favor — Selena falou com desdém. — É sábado à noite e vocês dois estão dormindo juntos... regularmente. Você precisa aceitar isso, Demi. Não está acidentalmente tropeçando e caindo na cama dele. Ele não a está forçando...
— Nem diga isso! 
— ...e, depois da primeira vez ou perto disso, não pode mais usar a desculpa de ah-isso-foi-um-erro-terrível. Está tendo um relacionamento, quer o chame assim ou não.
— Eu sei.

Eu sabia. Brandon não havia dito praticamente a mesma coisa há alguns dias no restaurante tailandês? Eu ouvira o que ele tinha a dizer a respeito da Rosa & Túmulo naquela noite e estava funcionando bem, então talvez discutir e estabelecer parâmetros para a nossa relação também fosse uma boa idéia.

E sempre tive a intenção de fazer exatamente isso, assim que tivesse chegado a uma conclusão firme sobre quais deveriam ser os parâmetros da nossa relação. Porque, para ser sincera, quando se tem dormido com seu amigo íntimo em média uma vez a cada dez dias pelos últimos dois meses, é um pouco difícil fingir que se está começando o relacionamento do zero.
Tínhamos um ditado em Eli: casais são casados ou estão ficando

Os alunos mostravam a mesma intensidade em relação aos relacionamentos românticos que a todas as outras facetas de sua existência. Praticamente não havia encontros casuais. Se estava procurando sexo, você queria que fosse fácil e conveniente e que não atrapalhasse seus estudos, sua arte ou seus esforços para salvar o mundo. E, se estava procurando amor, estava disposto a dedicar à causa uma grande porção de suas horas acordado.
Eu não tinha tempo para isso. Tinha uma revista para co-mandar, uma média alta para manter, provas para as quais estudar, estágios para conseguir — e agora, reuniões da sociedade secreta às quais comparecer.
— Ele é um cara muito legal, Demi.

Ela estava começando a parecer um disco arranhado com essa história. Se eu não soubesse a verdade, pensaria que a Selena queria namorar o Brandon. Mas ela gosta de tipos poderosos, o que Brandon Weare, por mais "legal" que fosse, não era. Mas também, o que eu sabia? Eu não era exatamente uma especialista quando se tratava de potencial romântico.

— E, quando não estiver dando certo — falei com um suspiro — vou tomar bomba nas finais. — Selena teve que me lembrar de mim depois do Alan. Teve que me lembrar do Ben Alguma Coisa e de como praticamente tivera que me convencer a descer do parapeito da janela na última primavera. — Não posso arriscar agora. Já tenho coisas demais para fazer. 
— Como sabe que não vai funcionar?
— Nunca funcionou antes — encolhi os ombros. — Além disso, você me conhece, eu sempre faço alguma coisa para... estragar tudo. 
— Só que eu nunca sabia o que era. 
Houve uma batida na porta e Brandon enfiou a cabeça para dentro.
— Cara, vocês acabaram de perder uma cena totalmente fenomenal.
Selena e eu rimos.
— Cuidado com esses filmes de menina, Brandon — disse ela —, ou o seu negócio de Sexualidade do Homem Branco nos Estados Unidos vai ser mais sério do que se preocupar com amarettos sour.
Ele sorriu.
— Está bem. Na verdade, eu esperava que vocês estivessem fazendo uma guerra de travesseiros de calcinha. Hollywood me levou a acreditar que a universidade estava cheia de batalhas quase lésbicas na cama, mas estou de olhos bem abertos há três anos e continuo esperando.
Isso parecia mais algo de homem hétero.
— Está procurando nos lugares errados — falei sem pensar. — Você tem que ser convocado para a Sociedade do Edredon & Enganação.
— Foram eles que a convocaram na outra noite? — ele devolveu.
Hesitei apenas uma fração de segundo além do que devia antes de soltar um "não" pouco convincente.

Ops.

Por que eu tinha que ter aberto essa minha grande boca? Eu tinha sociedades no cérebro ou o quê? Por que simplesmente não rira e dissera "eu lhe contaria, mas aí teria que sufocá-lo"? Brandon estava esperando, Selena estava balançando a cabeça e eu passava o dedo no ilhós do meu cinto para ter apoio moral.
— Humm, filme? — sugeri, empurrando-o para o lado e voltando à nossa menos problemática sala.
Mas meus problemas simplesmente me seguiram até lá e aí eclodiram rapidamente.
— Sério, Lovato — continuou Brandon.— Foi lá onde esteve a noite inteira? Fiquei imaginando por que não estava em seu lugar na revista literária hoje de manhã como sempre faz.
Selena deixou a garrafa de vodca cair. Ela bateu uma vez na quina da mesa e tombou no chão, quebrando seus dezessete-dólares-e-noventa-e-cinco-centavos.

Droga. Droga droga droga de droga.

Agarrei uma pilha de guardanapos da Domino's que estava em cima do frigobar e joguei-os em cima da poça. O aroma acre do álcool evaporando misturou-se imediatamente com o cheiro de pinho da operação de limpeza que Selena fizera de tarde. Ela não estava se mexendo para me ajudar e sua boca estava fechada, apertando os lábios, mas era difícil determinar se estava mais zangada com a minha mentira ou com a perda da sua vodca. E aí ela bufou, balbuciou "eu sabia" baixinho e saiu para seu quarto batendo os pés com força.

É, provavelmente estava mais zangada com a traição (mas talvez tivesse ido pegar mais toalhas de papel).
Isso não ia dar certo. Podíamos inventar regras de não-pergunte-não-fale a respeito de nossas respectivas sociedades na suíte mas, fazendo isso, estaríamos deixando grandes parcelas de nossas vidas de fora. Eu dissera a ela que estava no quarto do Brandon porque era mais fácil do que falar sobre a festa da sociedade. Não queria que pensasse que eu estava botando meu status de membro da Rosa & Túmulo acima dela, já que o prestígio das sociedades sempre significara mais para Selena do que para mim. E então, quando concordamos em não falar a respeito, parecia não fazer sentido dizer "Sabe quando eu disse que estava no quarto do Brandon? 


Bem, não estava, mas não tenho permissão para falar sobre isso".
Mas talvez eu devesse ter dito. Teria sido esquisito, mas pelo menos não era mentira. Quantas mentiras mais teríamos que dizer uma à outra só para manter nossos juramentos às sociedades? O relatório do Êxtase Nupcial parecia ser uma revelação total para nossos colegas cavaleiros. Podia ser ótima idéia para alguns deles, mas eu já tinha meu público de revelações, e ela não era uma Coveira.
Fiquei imaginando que tipo de promessas Selena havia feito em relação à sua própria lealdade. Imaginei que mentiras ela já havia planejado.

Brandon se juntou a mim no chão e começou a catar grandes pedaços de vidro.
— Qual é a parada aqui, gata?
Gata. Como se eu fosse sua namorada e trocássemos apelidos carinhosos o tempo todo. Aqueles olhos castanhos de cachorrinho perdido estavam procurando os meus intensamente agora.
— Nada — puxei a barra da minha blusa para baixo. — Eu... não posso falar sobre isso.
— Nem comigo?
Nem com a minha mãe, nem com a Selena, nem com o garoto com quem eu estava dormindo...
— Com ninguém.
— Isso é bobagem. Meu conselheiro do primeiro ano... — ele estava na Livro & Chave e isso estava em seu currículo, claro como o dia. E Glenda disse a nós dois quando entrou para a Pena & Tinta. — Você pode dizer, se quiser.
— Isso é na Pena & Tinta — como eu iria saber quais eram as regras nos outros lugares? Ainda não estava nem totalmente certa quanto às minhas. Acabara de me lembrar das palavras do meu juramento. Eu havia jurado solenemente nunca revelar, por ação própria ou omissão, a existência do conhecimento considerado sagrado pelos membros da Ordem da Rosa & Túmulo ou seus nomes. Isso basicamente deixava os currículos de fora.
Ele fez uma pausa.
— Mas... você está em uma sociedade secreta.
— Não posso lhe dizer isso.
— Isso significa que você está, senão diria simplesmente "não".
— Isso não é verdade! — Levantei-me de um pulo e transformei os guardanapos encharcados em uma bola.
— É, sim. Olhe: pergunte para mim — ele cruzou as mãos.
Eu suspirei.
— Brandon, você está em uma sociedade secreta?
— Não. — Ele sorriu. — Viu?
Revirei os olhos.
Ele pegou os guardanapos da minha mão e os arremessou dentro da lata de lixo. Cesta de três pontos.
— Agora, veja isso: Demi, você está em uma sociedade secreta?

Só diga não.

Não devia ser tão difícil. Mas eu não disse, porque a verdade, conforme eu agora percebia, era que nossas frasezinhas feitas, nosso eu não posso falar sobre isso e nosso eu lhe contaria, mas aí teria que matá-lo eram a forma que os membros das sociedades tinham de se vangloriar sem quebrar o voto de sigilo. Eu tinha orgulho de ser uma das primeiras mulheres a ser convocada para a Rosa & Túmulo. Estava me com torcendo por dentro de vontade de contar a todos os meus amigos — só que não tinha permissão para
isso.
Resumindo, dizer "não" significava repudiar, mas dizer "não posso falar sobre isso" significava...
Ha, ha, eu sei de uma coisa que você não sabe!
 Só que será que isso contava como omissão?
Brandon esticou as mãos como se fizesse uma apresentação.
— Viu?
Fiquei de pé e falei friamente.
— Não seja ridículo. 

Na tela, Bridget estava fazendo papel de idiota em relação a alguma coisa, mas eu perdera a vontade de assistir às suas trapalhadas. A Noite do Cinema havia acabado. E Brandon e eu havíamos sido deixados sozinhos. Continuamos a limpar a bagunça e então Brandon disse: 
— Sabe, Demi, tudo bem se você está em uma. Sei que todas aquelas coisas que falei no outro dia podem levá-la a acreditar que eu desaprovo as sociedades mas, se você quer fazer parte de uma delas, eu não vou ficar chateado. 
— Fico tão feliz que você aprove! — rebati. — Não preciso da sua permissão para fazer nada, Weare. Nem mesmo se a gente estivesse namorando. 
A negação ao fato o atingiu em cheio.
— Não. — Ele jogou o último chumaço de toalhas de papel no lixo e esfregou as mãos com ares de encerramento. — Apesar de esperar que você fosse pedir minha opinião. — Deu uma última olhada para a tela da TV — Acho que vou embora. 

Não, Brandon, não vá

Mas eu não falei em voz alta. Não me aproximei e o toquei no ombro e virei o rosto para ele e o beijei. Ainda que devesse ter feito isso. Porque ele sempre fora muito bacana comigo e porque Selena estava certa, eu devia uma definição a ele. E talvez um pedido de desculpas. 

— Brandon — comecei, mas não passei disso, pois alguém bateu na porta. 

Brandon, por estar mais perto, a abriu, e lá estava George Harrison Prescott com seu casaco cheio de zíperes. Diferente de mim, ele colocara seu broche em um lugar de honra no meio dos zíperes. O hexágono dourado brilhava como um raio diante dos meus olhos, mas podia se camuflar entre o resto do metal para alguém que não estivesse procurando por ele. 


-----------------------------------------

Oiiiiii, capítulo bobastico né rsrs' 
Selena boladona e me deu até pena do Brandon :'(
rsrs ... logo se resolve

Vou postar esse hoje porque a Lala pediu *---* espero que goste ^^
Por hoje é só pessoal 

No capítulo 9 as coisas vão realmente começar a acontecer ..... 
logo logo

Bjsss


Sociedade Secreta - Capítulo 7 (Parte 2)





Então, comecei a perguntar, em rápida sequência, como se estivéssemos em um programa de TV e eu tivesse 30 segundos para descobrir tudo que havia para saber sobre a Rosa & Túmulo.

ENTREVISTA EXCLUSIVA COM MALCOLM "LANCELOT" CABOT, COVEIRO
Por Demi "Bugaboo" Lovato

 Vocês realmente nos dão relógios de pêndulo?
Quando você se casa — ao nosso gosto.

Então eu acho que isso o exclui da lista de presenteados.
Na maioria dos países.

E os 20 mil dólares quando você se forma?
Negativo. Para manter o FAT no saldo positivo, isso está mais para a quantia com que você vai acabar contribuindo.

Espere. Eu tenho obrigações?
Chame de "Donativos". Depois de formada, claro.

Merda (provavelmente tenho que tirar isso para entrar no horário nobre). Mas acho que a filiação tem seus benefícios, certo?
Muitos.

Tipo o quê?
Tipo você vai tirar 10 naquela final de romances russos, Demi. Mesmo que não termine o livro. Temos todas as provas no arquivo desde que ele pararam de dá-las em latim.

E isso não é colar?
Por quê? Os professores deixam você ficar com a prova depois. Eles deviam saber que os alunos de Eli são inteligentes o bastante para catalogá-las em benefício das gerações futuras.

O que mais temos guardado naquele mausoleuzinho? Ouvi muitos boatos.
Deixe-me destruí-los.

O crânio de índio Gerônimo?
Verdade.

A prataria de Hitler?
Nojento! Não! (inclinando-se para sussurrar). Mas temos outras parafernálias nazistas esquisitas.

(hesitando) Isso significa que temos conexões com os nazistas? (Isso vai para o topo da minha nova lista, Coisas Para Descobrir A Respeito da Sua Sociedade Secreta Antes de Fazer Um Juramento de Fidelidade. 1: Estamos associados a alguma organização em ódio a algo?) Espero que não! Acho que alguns dos nossos rapazes trouxeram aquele lixo da Segunda Guerra Mundial, como saques de guerra, sei lá.

O que mais?
Algumas primeiras edições ótimas. Um manuscrito de Shakespeare. Muitos objetos roubados de Eli — barcos a remo vencedores, essas coisas. Alguns dos tesouros foram roubados de outras sociedades. Algumas obras de arte decentemente valiosas e horrendas. Mais esqueletos da faculdade de medicina do que você é capaz de sacudir.

Códigos nucleares?
Ultrapassados desde a Guerra Fria, mas sim.

Continuamos por um bom tempo, até eu ter acumulado o tipo de conhecimento a respeito da minha nova sociedade secreta que teóricos da conspiração daqui até Addis Abeba teriam matado para descobrir. Mas, finalmente, nós dois percebemos que, com provas arquivadas ou não, tínhamos coisas para estudar antes do final do semestre. Além do mais, acho que você não tem o direito a passar o dia inteiro na cama com um cara a não ser que haja sexo envolvido.
Antes que eu saísse, Malcolm me deu um broche da Rosa & Túmulo.
— Você tem que usar isso o tempo inteiro — disse ele. — Escolha um lugar discreto.
— Qual é a razão? — perguntei enquanto prendia o pequeno hexágono de ouro no cinto e puxava minha blusa para baixo. — Se ninguém deve saber que ele está aqui, para que me incomodar em usá-lo?
Você vai saber que ele está aí — respondeu ele. Foi até a porta e deu uma espiada para fora. — Só estou procurando Brandon Weare — falou, sorrindo. — Não queremos que ele pense que você está pulando a cerca.
— Talvez você queira — falei. — Iria tornar a farsa mais crível.

Malcolm simplesmente respondeu dando de ombro com uma espécie de cansaço do mundo que me fez imaginar quanto tempo mais ele aguentaria continuar com isso. Dei-lhe um abraço rápido e saí. Como a maioria dos dormitórios de Eli, este tinha apenas uma ou duas suítes em cada andar. Nós não tínhamos "corredores" como a maioria dos dormitórios de universidade mas, em vez disso, vales de entrada de vários andares.

 A camaradagem devido à proximidade física era organizada na vertical — em vez de compartilhar o banheiro com o pessoal da porta ao lado, você o compartilhava com o pessoal do andar de cima. Os aposentos de Malcolm eram no quarto andar — um "sótão" que, quando construído, provavelmente deve ter sido o lar de um estudante mais pobre que não podia pagar uma "sala de estar", mas nos tempos atuais era um cobiçado conjugado com grande privacidade. A escada estava praticamente deserta — só um aluno do terceiro ano fumando na janela do segundo andar e conversando em seu celular e uma garota do segundo ano com um rabo-de-cavalo comprido e castanho que abriu a porta e deu uma olhada para fora quando eu passei. Senti o broche da Rosa & Túmulo queimando como ferro de marcar contra o meu quadril. Malcolm estava certo. Eu sentia a diferença.
Empurrei as pesadas portas de madeira que guardavam a entrada e emergi no pátio ensolarado da Universidade Calvin. A entrada da suíte do Brandon ficava do outro lado do prédio, portanto era improvável que eu esbarrasse com ele enquanto saía do quarto do Malcolm. E, pelo que eu podia ver, ele também não estava no pátio. 
Olhei para a janela da suíte do Brandon, imaginando se devia dar uma passada lá enquanto estava deste lado do campus. Não, eu o veria no escritório durante o fim de semana de qualquer modo e havia uma for-te possibilidade de que qualquer atitude agressiva da minha parte (por exemplo, aparecer sem aviso em seu dormitório) fosse considerado um sinal para começar O Papo. Ou talvez a Número Sete.
Da entrada da Universidade Calvin, eu podia ver as paredes de arenito marrom do mausoléu da Rosa & Túmulo. O meu mausoléu. Acariciei o brochinho de ouro e resisti ao ímpeto de ir até lá e testar a minha lembrança de todas as combinações e truques secretos que precisava para entrar (tipo, se você girar errado a maçaneta, dispara acidentalmente a campainha, alertando qualquer um que esteja lá dentro de que há um não-membro na propriedade). Mas haveria bastante tempo para brincar de Coveiro. Eu tinha quase certeza de que Selena estava me esperando na suíte, louca para ver como era um membro totalmente iniciado da Rosa & Túmulo.
Cara, como eu estava errada.

A maçaneta da nossa suíte havia sido lambuzada com uma substância escura, castanho-avermelhada. Abri a porta cuidadosamente, só para ver que mais daquele líquido havia pingado, fazendo uma trilha pelo nosso tapete de brechó, direto até o quarto da Selena. Seu casaco rasgado estava jogado perto da entrada do seu quarto e um par de sapatos cobertos de lama estava virado no limiar da porta. Havia penas por todo canto e o ar cheirava a cabelo queimado e bílis. Abri imediatamente uma janela e comecei a abanar uma corrente de ar para dentro da suíte com a ajuda do fichário da Selena. Assim que pude respirar novamente, atravessei a sala contornando os obstáculos e dei uma espiada em seu quarto. Seu edredom lavanda formava um montinho acolchoado em sua cama, mas a Selena em si não estava em nenhum lugar à vista. Havia mais impressões digitais cor de ferrugem lambuzadas em sua cadeira e na porta do armário.

Engoli em seco. 
Será que era sangue?

Uma coisa era certa: qualquer que fosse o ritual da sociedade dela, botava o poder de manchar do suco de romã no chinelo. Pelo menos o caixão do Poe não deixara nenhuma marca.
E onde estava Selena? Suas roupas abandonadas deixavam claro que ela não estava passando o dia dormindo no sofá do seu irmão mais velho da sociedade. Ou tinha saído para comprar um vidro de detergente ou...

Mergulhei o dedo na poça no chão e dei uma cheirada. Um aroma acre, azedo agrediu minhas narinas. E, sangue. Aqueles malditos haviam feito minha melhor amiga sangrar. Talvez ela tivesse ido até o centro de saúde para... levar uns pontos? Eu esperava que não tivesse sido forçada a ir mancando até o Departamento Universitário de Saúde (que tem uma filosofia estranha, já que se você entrar com o vírus Ebola ou tiver uma pelezinha solta perto da cutícula, o primeiro teste que eles administram é invariavelmente o de gravidez) enquanto sua colega de quarto há três anos fazia guerra de cócegas na Universidade Calvin com um cara que ela não conhecia antes de ontem. De modo geral, não era um primeiro dia emblemático como Coveiro. Pensei no que o Malcolm havia dito.

Não é por acaso que agora todos os meus amigos mais íntimos são membros da sociedade. 




Bem, isso não aconteceria comigo! Não me importa que tipo de juramento eu tivesse feito, meus amigos de verdade vinham primeiro. Verifiquei o estrago na nossa suíte.

Ah, Deus, Selena, por favor, esteja bem. Eu nem me importo se você vai me dizer em que sociedade está ou não, desde que você esteja bem. 

-------------------------------------------

Oii, e ai .. estão gostando ?? >.<
Espero que sim !!!
Bom ... mais um ta ai !!!
~sem assunto rsrs'~

bom, vou indo ... bjss amores

#COMENTEM!!


21/02/2014

AVISO !!! IMPORTANTE




Genteeeeeee, depois de tanto pedirem (e com razão) tomei vergonha na cara e postei o Epílogo da fic O Pai Perfeito =) Desculpe pela demora, eu e a Leka tivemos uns problemas .. sei que não é o melhor epílogo mas espero que vocês gostem pelo menos um pouquinho rsrs'

o Link do Epílogo >> Capítulo Final + Epílogo  

** Preferi postar na mesma pagina do último capítulo para ele não ficar perdido do resto da fic rsrsrs' 

Bjss

Sociedade Secreta - Capítulo 7 (Parte 1)




Por meio desta, eu confesso:
acordei na cama de um homem estranho.

7.

A Manhã Seguinte

FORMAS DE SABER SEM SE VIRAR PARA O LADO PARA OLHAR PARA ELE

1) Em vez de um edredom grosso e macio, garotos têm colchas de algodão em preto, azul-marinho ou verde-folha.

2) O aparelho de som é enorme.

3) Há um dos seguintes pôsteres na parede: da Angelina Jolie, dos Beastie Boys ou de Guerra nas Estrelas.

4) O travesseiro tem cheiro de gel para o cabelo

5) Há um grande vazio de apreensão no seu estômago.

Se o seu ambiente no momento se encaixa em pelo menos três desses critérios, prepare-se para a sua Trilha da Vergonha.
O meu se encaixava em quatro, mas o quinto estava por vir. Virei para o lado para encarar meu destino, temendo quem eu iria encontrar esfregando o cabelo com cheiro de gel no travesseiro à minha direita. Eu tinha mesmo consumido tanto champanhe na noite anterior que nem conseguia me lembrar? Mas a cama estava vazia. Sentei-me e fiz uma avaliação profunda do quarto. Nada que o identificasse — fotos de família, uma grande placa dizendo "Quarto-Do-Fulano" — é pior, nenhum sinal das minhas roupas.
Ops.

Olhei para o meu corpo. Calcinha, sutiã, camiseta grande e branca masculina com um brochinho dourado preso — Rosa & Túmulo. Como se isso limitasse as opções. Pense, Demi, pense. Muito bem. Iniciação, limusine, mansão, lagosta, piscina... eu me lembro da volta para Eli? Isso era ridículo! Eu bebera meia garrafa de champanhe, no máximo, mais o que quer que seja que possa ou não ter havido naquele ponche dos Coveiros e, considerando-se o tempo eu fiquei lá, não existe possibilidade de estar bêbada o suficiente para ficar com alguém e não me lembrar... certo?

A porta se abriu como em uma revelação de reality show e, por um segundo, só consegui ver um pé dentro de um tênis. Então, Malcolm Cabot entrou vestindo um par de jeans de grife e uma camiseta da Eli, equilibrando um suporte para copos e um saco da Starbucks em uma das mãos e uma pilha de roupas dobradas na outra.

E aí lembrei-me de uma imagem da noite anterior. Malcolm Cabot, encharcado, usando samba-canção e um sorriso.
Duplo ops.

— Bom dia, dorminhoca! — Ele atirou as roupas no pé da cama. — Joguei isso na máquina de lavar para você. Uma coisa que vai aprender bem rápido: suco de romã mancha.

Prendi o edredom em volta dos quadris.
— Valeu.

Ele se sentou ao meu lado e me passou um dos copos descartáveis.
— Espero que goste de mocaccino.

O aroma forte do chocolate escuro com café subiu na direção da minha garganta e eu fechei as mãos em torno do copo, grata por ele ter pensado em me trazer café-da-manhã na cama. Brandon, com toda a sua gentileza, nunca tinha saído para trazer café. Nem mesmo Alan Albertson, o grande "amor da minha vida" (e número três na Lista de Pegação, se você ainda está acompanhando) nunca havia feito isso. Dei um gole na bebida e fiquei imaginando qual seria o protocolo a seguir. Eu o beijo? Ajo naturalmente? Digo a ele que não lembro de nada de nós dois juntos?

Por falar nisso, como eu ia avaliar a ficada com a Selena sem quebrar meus votos? Não havia como explicar esse acontecimento sem deixá-la saber que Malcolm Cabot estava na Rosa & Túmulo.
Malcolm estava ocupado passando cream cheese vegetal em um bagel de canela com passas que já tinha um pedaço de salsicha. Nojento.
— Desculpe-me por tê-la trazido para cá ontem à noite — disse ele. — Você apagou lá na mansão e o meu quarto era muito mais perto do ponto final da limusine do que o seu. Engasguei com o meu moca.
— O quê?
Ele olhou para cima.
— Eu sei. Eu sou fraco. Estes músculos são só para exibir — ele flexionou os bíceps e sorriu, aí deu uma grande mordida em seu café-da-manhã nojento.
— Eu... adormeci?
— É. E eram só seis e meia. Você nunca virou a noite?
Balancei a cabeça.
— Não. Tem sido a ruína da minha existência universitária o fato de eu não conseguir. Mas ajuda eu não poder me dar ao luxo de ficar deixando para depois. Tenho que fazer meus trabalhos com antecedência.
— Bem, vai ter que aprender a ficar acordada agora — disse Malcolm. — Nossas reuniões às vezes duram a noite inteira.
Esse papinho estava muito bom, mas vamos direto ao assunto.
— Malcolm? — perguntei. — Estou correta em supor que... apontei para a cama — não aconteceu nada ontem à noite?

Ele piscou para mim.
— Você costuma acordar na cama de rapazes estranhos sem lembrança alguma do que está fazendo lá?
— Não — eu franzi os lábios. — Por isso estou meio sem chão.

Ele se inclinou para perto, me pegou pelos ombros e olhou nos meus olhos, falando muito devagar e claramente, como alguém fala com um maluco ou algum outro tipo de perturbado instável e amnésico.
— Você estava cansada. Adormeceu. Eu a carreguei para cá.
— Mas as minhas roupas...
— Eu lhe disse, suco de romã mancha. E, quando mencionei isso ontem à noite, você ficou mais do que feliz em me deixar jogar suas roupas na máquina.
— Não me lembro dessa parte.
— Não me surpreende, seus olhos não estavam abertos.

Joguei-me de volta em cima do travesseiro, inundada pelo alívio e... está bem, uma pontinha de decepção também. Como eu disse, Malcolm é hipergostoso.
Malcolm aninhou-se ao meu lado e apoiou a cabeça no braço.
— Você achou que nós tínhamos ficado?
— Não — eu menti. 
Ele riu.
— Sem querer ofender, gata, mas você não faz o meu tipo.
— Humm, estou ofendida! — Levantei o queixo em desafio.
Ele sacudiu a cabeça de novo, os olhos esbugalhados.
— Cara, do que você se lembra sobre ontem à noite? Você se lembra de ter entrado para a Rosa & Túmulo, certo? Todo o negócio da sociedade secreta mais famosa de Eli?
— Todo aquele oxímoro, aquela contradição toda? Sim. — Comecei a contar nos dedos. 
— Você me perseguiu pelo mausoléu e me trancou num caixão e ameaçou me afogar e/ ou me estuprar.
— Aquilo foi uma brincadeira — ele esclareceu.
— Eu fiz três juramentos. Nós todos ganhamos apelidos idiotas. Eu comi lagosta. Aprendi um aperto de mão secreto... olhe! — fiz o aperto para ele e ele pareceu decentemente satisfeito com o meu progresso. — Todo mundo foi nadar. E aí...
Ah.

Ele começou a assentir para meu rosto de boca aberta.
— Acho que está começando a se lembrar.
— Eu lhe contei sobre o píer.
— E?
— E você me disse que... — dei uma longa olhada em Malcolm Cabot, em seus jeans estilosos, seu cabelo bem cortado, seu sorriso sua-besta, como-você-é-idiota-Demi. Aí, olhei para o pôster da Angelina seminua, que estava pendurada em um igualmente seminu Brad Pitt. Então, de volta ao Malcolm. — Você me disse que é gay.
Ele tocou a ponta de seu nariz.
— Bingo.
— Não estou mais ofendida.
— Achei que não estaria — ele voltou ao seu horroroso bagel de canela e creme de vegetais.
— Lembre-me, porém, como é que ninguém sabe disso. Quer dizer, não é que sejamos preconceituosos em Eli — no mínimo, o oposto era verdade. Eli tinha uma das maiores porcentagens de homens gays em todo o sistema da Ivy League. Um em quatro, talvez mais era a frase que eu vinha ouvindo desde a primeira vez em que pisara no campus.
Malcolm suspirou.
— Meu pai, o grande conservador. Se ele ou seus eleitores soubessem a minha orientação, a merda ia bater no ventilador.
Sacudi a cabeça.
— Isso não faz sentido. Se Dick Cheney pode ter uma filha lésbica e ainda ser um bom conservador, por que o governador Cabot não pode?
— Dick Cheney nunca fez campanha defendendo que os homossexuais são filhos de Satã e deveriam todos morrer se contorcendo nas profundezas do inferno — Malcolm disse, uma grande amargura subitamente invadindo sua voz. — Ele nunca falou publicamente que a Aids era uma praga de Deus enviada para punir as bichas por seus pecados.
Olhei para baixo, para dentro do meu copo de moca.
— Ah.
Ele deu de ombros.
— Eu estou acostumado — falou. — Era pior quando eu era mais novo e inseguro e tentava desesperadamente me consertar.

Olhei para Malcolm, autoconfiante, encantador, o Malcolm Cabot com o dom da palavra e tentei imaginar como esse cara podia um dia ter sido inseguro. Talvez ele conseguisse esconder muito bem, depois de treinar tanto para evitar a desaprovação do pai.
— Seu pai suspeita de alguma coisa?
Malcolm balançou a cabeça.
— É difícil dizer. Eu era o rei da supercompensação no segundo grau. Parecia o extremo oposto. Tinha grande reputação de garanhão. Papai ficava tão orgulhoso...
— Você ainda tem uma reputação bastante decente, sabe.
Ele encolheu os ombros.
— Na maior parte, é tudo ilusão. E eu sou muito cauteloso, muito discreto. Ninguém além dos Coveiros da minha turma sabe. E agora você. — Ele sorriu de novo. — Mas agora você também é uma Coveira!
— Isso mesmo. — Mas algo ainda estava me deixando confusa. — Quer dizer que os seus melhores amigos não sabem?
Ele espremeu os olhos.
— Os Coveiros sabem, e eles são basicamente meus amigos mais íntimos. Nem sei se teria contado a eles se não fosse pelos E.N.s.
— O que são E.N.s?
— Relatórios de Êxtase Nupcial — respondeu ele. — Um dos dias mais importantes na experiência de um Cavaleiro na Rosa & Túmulo. Você fíca de pé na frente de todos os seus irmãos e faz um relatório básico de sua experiência sexual até o momento.
— Uma Lista de Pegação.
— Hein?
Mordi o lábio.
— Nada. Isso é algo que todo mundo faz?
— É. Tradição da Rosa & Túmulo. Você vai adorar — ele me olhou fixamente. — Por quê? Você tem segredos sexuais profundos e obscuros sobre os quais eu deveria saber?

Pensei em Ben Alguma Coisa, mas tinha quase certeza de que um grande percentual das garotas universitárias possuía o mesmo tipo de incidentes constrangedores em seus currículos.
— Não.
— Ótimo — ele falou, assumindo uma espécie de ar severo e paternal. — Porque eu não gostaria de ter que entregar uma avaliação ruim para o seu namorado.
— A, você não pode dizer uma palavra: fez um juramento, lembra-se? B, eu não tenho namorado.
— E quanto ao Brandon Weare?
Certo. O negócio do badminton na sexta-feira. Malcolm não deixara escapar nada naquele encontro, não é?
— Ah, bem, ele é...
Malcolm riu.
— Não diga mais nada, Demi. Eu entendo. — Ele enfiou o ultimo pedaço de bagel na boca. — Achei que, se ia pular na cama comigo, você não estava louca por ele.
— Eu não ia pular! — Provavelmente.
— Agora eu estou ofendido. — Ele franziu a testa, encantadoramente, e eu joguei a ponta do edredom por cima de seu rosto e saí da cama. 

Enfiei minhas calças cargo, tirei a camiseta e puxei a minha blusa por cima da cabeça o mais rápido possível. Não que eu me importasse realmente que ele me visse de sutiã; afinal de contas, se ele era gay, não tinha importância, certo?
Voltei para a cama.
— Na verdade, eu queria lhe perguntar uma coisa sobre isso.
Ele abriu os braços amplamente.
— Pergunte o que quiser. Não temos mais segredos. Fiquei imaginando o quanto isso seria verdade.
Jennifer não parecia acreditar.
— Por que você ficou tão colado em mim ontem à noite se não estava me paquerando?
— Eu sou seu irmão mais velho — disse Malcolm, como se fosse óbvio. — Todo novo convocado tem um.
— Há algum motivo para as designações? Tipo, quem é irmão mais velho de Megan Robinson?
— Kevin Binder — respondeu ele. — Não percebe? Negro, gay, extremamente radical?
— Quer dizer, eles foram designados porque são muito parecidos?
— Quero dizer que ela foi convocada porque eles são muito parecidos — a testa de Malcolm se enrugou. — Sabe que é assim que funciona, certo? Nós convocamos pessoas para nos substituir.
— E você me escolheu?
Ja. Oui. Si. Hai. — Ele encolheu os ombros. — Não percebeu como a turma de convocados está cheia de figurões? Ficou bastante ridículo nos últimos anos, na minha opinião. Estão todos tão preocupados em escolher um representante, que não pensam realmente nas coisas intangíveis. É só etnia, religião, inclinação política, interesse acadêmico. Convocamos por gêneros, não pela alma. Todo mundo está se transformando em um estereótipo ambulante.

Na verdade, eu havia percebido isso, mas achei que era apenas uma extensão normal do hábito de Eli de deixar seus sentimentos à mostra. Durante aqueles quatro anos de universidade, o que quer que você fosse, você expunha ao máximo. Para criar um espaço para si, precisava incorporar a imagem que estava tão desesperadamente tentando passar. Eu podia não me lembrar do nome de todos os convocados (ou nomes secretos) ainda, mas reconhecia seu "tipo".
— Então, qual é o nosso estereótipo?
— Editorial, é claro. E branco.
— Mas não gay.
— Há alguma coisa que queira me contar? — Ele piscou. — Não temos que ser igualzinhos. Além disso, tivemos que dar um pouco de folga este ano porque nosso clube decidiu que iríamos convocar mulheres.

Em língua de Coveiro, um "clube" era o grupo de seniores que havia sido convocado junto. Os juniores eram um clube, mas seríamos chamados de "turma dos convocados" até assumirmos o comando no próximo outono.
— Como vocês decidiram quem ia convocar as mulheres?
— Quer mesmo saber? — ele se inclinou para sussurrar. — Tiramos no palitinho.
— Você ganhou ou perdeu?
— Muito engraçado — ele parou por um segundo. — Olhe, não importa como nós a escolhemos. Você está dentro agora.

É, mas eu não combinava tão bem com o Malcolm como tinha certeza de que os outros convocados combinavam com seus irmãos mais velhos. Durante seu segundo ano, Malcolm Cabot fora o editor do jornal diário — um cargo administrativo (não editorial, veja bem) bacaníssimo no mais brilhante e bem sucedido programa extracurricular de Eli.

O Eli Daily News (ou EDN, como todos o chamavam) tinha um castelo gótico como escritório no campus, que rivalizava com o mausoléu de qualquer sociedade secreta. Seu capital de giro podia ter sustentado várias revistas literárias sem o menor esforço. E havia muitas mulheres na equipe de lá.
— Então, eu sou a sua substituta — cruzei as mãos sobre meu colo. — Isso faria sentido... se você fosse Glenda Foster.
Ele caiu em cima do travesseiro novamente e jogou as mãos em cima dos olhos.
— Eu sabia que você ia tocar nesse assunto!
— A Pena & Tinta? — Quando ele assentiu, eu continuei: — Sou uma garota inteligente. E sabia que já havia sido selecionada para aquela sociedade.
— Bem, eu não sabia. Não fazia idéia de que estávamos invadindo o outro campo até aquele dia na sua entrevista quando você achou que nós éramos eles.
— Fiquei intrigada porque não havia nenhuma mulher na sala — admiti, apesar de estar realmente imaginando como Malcolm havia esquecido que a Pena sempre pegava o editor da revista literária. Seria algum tipo de solipsismo da sociedade, um alheamento estranho? Ele não se preocupava com o que outra sociedade queria?
— Assim que decidimos convocá-la, mandamos uma carta de intenção para as outras sociedades — Malcolm explicou.
— Isso não vai contra toda a história de "secreto"?
— Honestamente, você vai descobrir que fazemos muitas coisas que vão contra isso — ele encolheu os ombros. — Somos paradoxos ambulantes. Obrigados a usar o broche, mas instruídos a sair da sala se alguém ousar comentar sobre eles? O quão ridículo é isso?

Foi ele quem disse, não eu. Apesar de que, se pensar bem, quanto prestígio algo pode lhe dar se você não deixa ninguém saber a respeito? Os Coveiros tinham que ter algum antigo método desconhecido de exercer sua influência enquanto mantinham escondidas suas identidades. Bem legal.
Malcolm ainda estava explicando.
— Mas as outras sociedades fazem a mesma coisa conosco, então, se quiserem ser uns babacas e revelar nossa lista de convocados, nós temos munição parecida. E não há nenhuma garantia de que vão desistir, principalmente se foram rivais, como a Livro & Chave ou a Cabeça de Dragão.
— Mas a Pena & Tinta não é uma rival.
— Exatamente — ele sorriu e tirou as mãos do rosto. — Uma carta dos Coveiros faz com que se borrem todos.
Eu ri. Não era surpresa que Glenda não me ligasse há alguns dias. Provavelmente estava com medo de ser repreendida.
— Vai começar a perceber que muitos dos seus amigos bárbaros vão descobrir que você é uma Coveira — Malcolm continuou. — Não é por acaso que agora todos os meus amigos mais íntimos são membros da sociedade.

Clarissa x Selena? Não vai rolar.

— O que acontece se meus amigos... descobrirem? Já que, você sabe, Brandon e Selena já sabiam.
— Nós os matamos — ele sorriu. — Ah, nada. Não pode falar a respeito, mas vai ser praticamente impossível esconder o fato de que você desaparece todas as noites de quinta e domingo de perto das pessoas de quem é mais próxima, da sua colega de quarto, Selena, por exemplo.
 Cruzei os braços.
— Está usando aquela técnica dos Coveiros em que você age como se soubesse tudo sobre mim a fim de me apavorar?
— Estou.
— Bem, pare com isso. Não vou cair nessa. Você já se ferrou ao pensar que eu namoro o Brandon.
— Verdade. Então, mais alguma coisa que queira perguntar? Estou aqui para introduzi-la à vida de uma Coveira.
— Por que me escolheu, de verdade?
Ele se espreguiçou, passando as mãos por baixo da cabeça.
— Desculpe, garota, os anais de nossas sessões de deliberação são destruídos. Nós os queimamos em uma pira ritual.
— Por quê?
— Porque fogo é maneiro.
— Isso é tão coisa de homem.
— Não, sério, para poupar mágoas.

Fazia sentido. Eu, por exemplo, não gostaria de saber que tipo de coisas ruins Poe havia dito sobre mim depois daquela entrevista.
— Por que o meu nome é Bugaboo?
— São dois dólares de multa por usar o nome fora dos limites de uma reunião da sociedade, e eu também não posso lhe dizer isso.
— Por que não?
— Parte da deliberação.
— Se esse é o nome pelo qual vão me chamar pelo resto da minha vida na sociedade, tenho o direito de saber. Alguns dos outros membros sabem.
— Só os com nomes históricos. Pode trocar, se quiser, pode ser a primeira coisa a fazer no ano que vem. Não gostou dele? — Ele parecia magoado, como se eu estivesse rejeitando um presente.
Dei de ombros.
— É legal, eu acho. Só queria saber por que esse... — continuei, astutamente. Mas eu podia adivinhar. — Um "bugaboo" era um problema persistente e, se sua "liçãozinha" durante a minha iniciação fosse indício de alguma coisa, eu havia sido uma lendária mala durante minha entrevista.
— Sua sem-vergonha! — ele me cutucou do lado até eu gritar. — Talvez eu devesse ter lhe dado esse nome!
— Provavelmente teria sido melhor!
Ele começou a fazer cosquinha em mim para valer, então.
— Vamos lá, admita. É um nome bonitinho. Bugaboo, bugaboo, bugaboo!
— Pare! Malcolm, por favor!
— Bugaboo! — Rolei para trás, mas ele não desistiu. — Bugaboo!
— São... dez... dólares... — falei arfante em meio às gargalhadas.
Ele se sentou e puxou uma nota de dez da carteira, sorrindo.
— Verdade. Mas valeu a pena.
Sentei-me, totalmente acabada, afogueada e, sim, meio excitada. Mas, qual é, um cara gostoso me fazendo cócegas — o que mais você podia esperar?
— Tem certeza de que você é gay?
Ele piscou.
— Devo lhe dizer com quantos galãs e playboys de Hollywood eu já fiquei?
Ergui uma sobrancelha com interesse.
— Vai dar nome aos bois?
— Não.
— Qual é! — eu pisquei. — Eu sou uma Coveira. Não temos segredos.
Ele deu nome a um boi.
— Não!
— Sim.
— Como foi?
Malcolm pensou a respeito por um minuto.
— Nada mal. Intenso.

Fazia sentido. E no armário, igual ao Malcolm. Mas, por mais que eu estivesse curiosa a respeito da Lista de Pegação do meu irmão mais velho, havia outras perguntas mais importantes que tinham precedência. 

---------------------------------------------

Bom .. mais um hoje por que mais tarde não vou poder postar .... e talvez nem amanhã. Então vou deixar esse aqui... a história ta começando a melhorar né? rsrs' espero que sim XD

Gente, tbm vou demorar um pouquinho pra postar agora pq meu estoque de capítulos pronto para ser postado acabou rsrs' agora vou começar editando mais alguns, juro que vou tentar não demorar muito XD 

Bjss amores >.<

COMENTEM !!!