13/01/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 3 (Parte 1)

Por meio desta eu confesso:
na primeira chance que tive comecei a pensar demais.

3.

Mudando de Idéias

Assim que pronunciei as palavras, a luz se apagou e, a julgar pelo alvoroço que se seguiu, eles não estavam esperando que voltasse a ser acesa. Alguém se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
— Lembre-se bem, mas fique calada em relação ao que ouviu aqui.
Quando finalmente cheguei cambaleando à parede e senti o azulejo frio debaixo dos meus dedos, todo mundo havia ido embora. Acendi a luz. Eu estava num banheiro, sozinha, com nada além de máquinas de camisinha e cimento mofado como companhia. Então, aquele era o cheiro. E nem era na minha entrada. Humm, ei? Eles não deviam me carregar para seu mausoléu de pedra e me apresentar a uma vida que fosse além dos meus sonhos mais alucinados? Franzi a testa, abri a porta do banheiro e saí.
Cerca de meia dúzia de estudantes perambulava pelo corredor me olhando. Um desses caras — há um em todo dormitório — que nunca se acostumara com a idéia dos banheiros mistos de Eli, pulava para cima e para baixo na ponta dos pés, como se estivesse esperando que a garota saísse antes que ele pudesse entrar no banheiro.
— Já acabou ou vai haver outra festa aí dentro?
Controlei meu rosto para ficar com uma expressão neutra.
— Alguém tem um rolo de papel higiênico?

Viu? Eu ainda ia ser uma especialista nesse negócio de segredo. Ignorando os espectadores, caminhei de volta para a minha suíte, onde presumi que Selena estaria esperando para ouvir toda a truncada experiência nos mínimos detalhes. Mas Selena havia sumido — convocada, talvez, por outra sociedade na minha ausência. Ela não sairia por nenhum outro motivo, certo? Não esta noite.
Esperei na sala por 15 minutos, imaginando que, se sua convocação funcionasse da mesma forma que a minha, ela estaria de volta num instante. Bebi uma Coca e tentei ler uma edição de trê meses da Cosmo que estava largada em cima da mesa de centro. Brandon estava certo, as chamadas eram muito mais intrigante do que mais uma matéria explicando que as mulheres tinham pontos G. Não passei do terceiro anúncio de perfume (nenhum dos quais, fiquei muito feliz em ver, vendia algo chamado "Ambição").
Levantei-me e fui até a janela, mas não havia sinal de Selena ou de um bando de silhuetas de capa. Meia hora depois, decidi acalmar meus nervos dando um bom passeio — até a High Street.

Agora, além de ser o lar do departamento de inglês e do auditório de história da arte, a High Street também é conhecida por hospedar o mausoléu da Rosa & Túmulo (esses "mausoléus" permeavam o campus, suas fachada imensas, com aparência de jazigos, escondendo interiores que supostamente pareciam mansões. Lembre-se, as pirâmides egípcias também eram mausoléus. Mas ninguém sabia se os das sociedades guardavam realmente... cadáveres). De acordo com os boatos, há um código intrincado para os membros, que podem dizer exatamente o que está acontecendo dentro do mausoléu
baseado na posição dos portões baixos de ferro batido que guardam a entrada. Eu não sabia qual era o código, mas presumi que descobriria. Em algum momento.

Passei pela entrada de duas residências universitárias e então, como era comum entre todos os estudantes, atravessei para o outro lado da rua, para não ser vista andando na frente do mausoléu da Rosa & Túmulo. Era uma regra não-verbalizada no campus — o equivalente universitário a se recusar a passar em frente a uma casa mal-assombrada do nosso bairro de infância.
O mausoléu era feito de blocos de arenito e parecia, de algum modo, mais escuro do que os prédios de pedra e ardósia ao redor. Uma cerca circundava um jardim maltratado, salpicado de pedaços com grama e alguns pequenos narcisos nascidos fora de época. Estranho que os Coveiros não cuidassem do paisagismo, ainda que isso pudesse dar um ar mais imponete à propriedade. O poste de luz mais próximo do mausoléu estava eternamente quebrado, significando que este ficava num poço de escuridão e sombras longas e sinistras. Se eu fosse boba, acharia que eles faziam de propósito.

Talvez eu fosse boba. Sentei-me no meio-fio e descansei o queixo nas mãos, olhando cuidadosamente para o prédio. O portão estava semi-aberto. O que isso significava? Alguém estava lá dentro? Alguém não estava? Alguém estava espreitando nas sombras, esperando para me atacar no segundo em que eu me aproximasse? Olhei para os dois lados da rua, mas estavam desertos. O medo irritante no fundo da minha mente surgiu para judiar de mim.

Não foi a Rosa & Túmulo que a carregou para o banheiro. Foi um trote e você caiu de cabeça e capa com capuz. Demi, sua idiota, você vai ser a piada de Eli amanhã.

Por que eles não tinham me levado com eles? Haviam me convocado, certo? Eu era um membro agora, certo? Então, se eu quisesse ir até aquele portão, se quisesse passar direto por ele, bater na porta e exigir saber o que diabos estavam fazendo, era um direito meu. Certo?
E, se você não for um membro, eles a levarão para a masmorra.

Levantei-me, fechei os punhos ao lado do corpo e marchei para o outro lado da rua, totalmente determinada durante o total de dez passos. Assim que cheguei ao portão, minha resolução vacilou e eu parei para verificar de novo. Ainda não tinha ninguém vindo.
Prendi a respiração e botei a mão no portão. Nada. Ninguém veio me prender ou gritar comigo ou ameaçar erradicar minha existência do planeta por ousar me infiltrar nos domínios da sociedade sem permissão. Dei um passo para dentro. Depois, dois. Em algum momento por volta do sexto passo, o portão fechou com uma batida atrás de mim. Eu gritei, pulei meio metro no ar e corri de volta para a cerca. O portão não abria. Remexi nas linguetas mas, se havia um mecanismo de abrir, meus dedos não o estavam encontrando e eu não conseguia ver nada no escuro. Ah, droga. Eu era membro há apenas cinquenta minutos e já havia quebrado a cerca e avacalhado o código secreto.
E invadido a propriedade. Não se esqueça como você invadiu a propriedade. Eles vão pegá-la. Corra! Corra, antes que alguém a pegue.

A voz ganhou e eu pulei o portão, prendendo a barra da minha calça favorita em um dos espigões que saíam de cima. Por vários segundos, agi como uma jogadora de amarelinha doida depois de fumar crack enquanto tentava libertar minha perna da armadilha de ferro fundido. Aí, vi um grupo de três alunos saindo da faculdade Calvin e dirigindo-se para o Old Campus. Parei de pular. Talvez eles não me vissem se eu ficasse completamente imóvel. Ei, funcionou para aquelas pessoas no Parque dos dinossauros. Felizmente, o estudante universitário mediano tem a sagacidade de orientação de um pufe de bolinhas de isopor. Eles nem olham para os dois lados antes de atravessar a rua.

Portanto não olharam para a garota na High Street que estava presa ao portão da Rosa & Túmulo. Rasguei a bainha da calça para soltá-la e então, com o jeans rasgado batendo no cimento atrás de mim, saí correndo para longe do mausoléu num ritmo que teria me garantido tranquilamente um lugar na equipe de atletismo de Eli.

Só diminuí o ritmo para uma corrida normal até estar de volta ao jardim do meu alojamento universitário. A universidade Eli, mais ou menos como a Hogwarts do Harry Potter, é organizada de acordo com o sistema residencial dos colégios internos britânicos. Não usamos um chapéu mágico ou nada parecido mas, quando você se matrícula, é designado para uma das doze "universidades" residenciais, o que determina onde você mora, em que refeitório você come, para quem torce nos campeonatos esportivos internos e que reitor tem o privilégio de cortar sua cabeça quando você faz alguma bobagem. Cada uma dessas doze universidades vem com um suprimento de professores residentes assim como com seu próprio reitor, uma espécie de "diretor" docente que serve como conselheiro acadêmico e disciplinador residente, e um supervisor universitário, que observa nossas atividades sociais e organizações universitárias específicas. Se você não conseguisse entregar um trabalho a tempo, ia até o reitor para pedir ajuda. Se precisasse de fundos para organizar um concurso de culinária na Universidade Prescott, a pessoa certa era o supervisor (ou supervisora).

A pior punição que você pode receber em Eli além da expulsão chama-se "vida rústica " — o que significa que, após um divertido período de suspensão, você é recebido de volta no seio de Eli, mas privado de sua identidade universitária. Daquele ponto em diante, o indivíduo suspenso não pode morar no campus (todas as habitações são baseadas nas designacões da universidade) e não tem um supervisor universitário ou um reitor a quem recorrer em períodos difíceis. Você está só marcando tempo e créditos de aulas até o diploma. Foi batizado em homenagem a um tipo de banimento popular durante o Império Romano, o que diz bastante acerca da auto-imagem inflada dessas escolas. A identidade universitária é fundamental, mesmo para pessoas com afiliações muito mais poderosas — como a Rosa & Túmulo. Se algum dia você encontrar outro aluno de Eli, a primeira pergunta que ele vai fazer é "Em que universidade você estava?"

Eu era membro da Prescott, que fora batizada em homenagem a um dos fundadores da escola. Outras universidades eram batizadas em homenagem a cidades de Connecticut (a Hartford, onde Glenda morava) e figuras históricas, cientistas e líderes religiosos famosos (como a Calvin, em homenagem a Calvino, ao lado do mausoléu da Rosa & Túmulo). Apesar de hoje em dia a designação da sua faculdade ser geralmente aleatória (mas você pode escolher ficar na mesma em que seus irmãos ou seus pais ficaram), antigamente cada uma delas tinha uma personalidade específica baseada em seus membros — mais ou menos como as sociedades secretas.

A Prescott já foi conhecida como a universidade do "legado" — é onde o presidente morou enquanto esteve em Eli, assim como seu pai antes dele. Ainda tem muito dinheiro em um fundo, ganho por meio de doações de ex-alunos, e quartos bem grandes. Então, eu dei sorte nessa, já que não sou nem legado de ninguém nem rica como Donald Trump.
Olhei para a janela da minha suíte; ainda estava às escuras, o que significava que Selena ainda não voltara para casa. Pensei em ir procurar alguns dos meus outros amigos, mas sabia que nenhuma conversa ia durar dez minutos antes que eu soltasse: "Uma sociedade secreta convocaria alguém e depois desapareceria? Hipoteticamente, é claro."
Ah, eu era ridícula. Depois de um exame minucioso do pátio (durante o qual me deparei com uma poça de vômito, uma pilha de livros não-identificados e uma amiga do terceiro ano dando uns amassos com um cara que definitivamente não era seu namorado — mas sem nenhum sinal de figuras encapuzadas), encaminhei-me de volta ao meu quarto, totalmente derrotada e mais do que um pouco chateada por ter rasgado o meu jeans. De acordo com todas as lendas que já ouvi, a Noite de Convocação não era para ser assim. Que decepção. Vesti meu pijama e andei até o banheiro para escovar os dentes. Passar o fio dental, felizmente, me deu a oportunidade de me observar longamente no espelho. Eu não parecia um membro de uma das mais famosas sociedades secretas nos Estados Unidos. Eu não parecia alguém que podia alegar irmandade com o chefe da CIA, o presidente dos Estados Unidos ou o novo diretor-executivo da Fox.
— Arrmita — gargarejei para o meu reflexo com o fio dental entre os dentes. —- Vorrê caiu nuha egadinha.
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Eu tinha toda a intenção de estar fora da suíte antes de ver Selena e ser obrigada a lhe contar tudo sobre o que não havia acontecido comigo na noite anterior.
Até me vestira de acordo, com um jeans escuro missão secreta (não os que eu havia rasgado) e meu moletom de capuz com o brasão da Universidade Eli detonado.

O que eu não previ foi que ela estaria me esperando no refeitório, tendo descolado um lugar bem ao lado do bufê de cereais. Esse é o problema com as melhores amigas. Elas sabem exatamente que tipo de café-da-manhã você vai escolher. Se eu estivesse a fim de um pãozinho em vez de uma tigela de sucrilhos, ela nunca teria me achado.
— Bela roupa — ela murmurou por cima da xícara de café. — Está bem de acordo.
Joguei um pouco de leite desnatado dentro da minha tigela e me esparramei na cadeira à sua frente.
— O que você quer dizer com isso? Ela apontou a colher para a minha roupa
— Cores escuras, capuzes misteriosos... é muito sutil — ela sorriu maliciosamente.
— Eu já usei esse moletom centenas de vezes.
— Nunca quando estava realmente em uma sociedade secreta. — Selena estava vestida com uma blusa rosa-claro e um par de calças cáqui e parecia tão misteriosa quanto um piquenique de igreja.
Tudo bem, talvez eu não parecesse discreta, mas com certeza podia interpretar o papel.
— O que a faz pensar que eu estou numa sociedade secreta? — perguntei, dando uma colherada no meu cereal.
— A dúzia de figuras encapuzadas que a carregaram fisicamente para fora da nossa suíte na noite passada.
Aha! Respirei fundo.
— Como sabe que eles eram de uma sociedade secreta? Ela me lançou um olhar que dizia: eu tenho uma média de 9,7 e você sabe disso.
 Mas, de repente, eu queria muito saber o que ela pensava sobre o assunto.
— Sério, Sely, como você sabe? Como é que qualquer de nós sabe que não era um bando de garotos de capuz passando um trote?
— Acho que o papel timbrado da Rosa & Túmulo é uma boa pista.
— Você olhou o envelope.
— É bem difícil não ver, Demi. Florzínha, caixão enorme? — ela me olhou cuidadosamente. — Você vai se levantar e sair da sala agora? — Para todo efeito, membros de sociedades secretas tinham que deixar o aposento se qualquer um mencionasse o nome de sua organização. Supostamente era para protegê-los de entrar em uma discussão a respeito da sociedade, mas sempre me pareceu uma injustiça. 

Digamos que você estivesse em uma festa maneiríssima e uma garota quisesse que você caísse fora para ela poder dar em cima do seu cara. Só o que ela precisava fazer era começar a listar as sociedades até chegar à sua. Acho que é nesse tipo de coisa que você tem que pensar quando entra em uma.
— Depende — falei, descansando minha colher. — Cabeça de Dragão. Livro & Chave. Serpente. Você vai a algum lugar?
Selena não disse nada. Ficamos sentadas ali, olhando uma para a outra. Ou ela não estava seguindo a regra, ou eu não havia mencionado sua sociedade ou ela estava tão insegura quanto eu sobre o que estava acontecendo.
Tentei virar o jogo.
— Voltei para o quarto menos de cinco minuto depois que saí e você não estava mais lá. E não voltou pelo resto da noite. Foi convocada por alguém depois que eu saí?
— Sabe que eu não posso lhe dizer isso.
— Não, não sei! — percebi que minha voz elevada havia atraído a atenção de algumas pessoas das mesas próximas e inclinei-me para a frente para falar com ela com mais privacidade. Por sorte, os refeitórios ficam mais vazios durante o café-da-manhã —principalmente às sextas-feiras.
— Não sei nada sobre como isso funciona. Não sei nem se aqueles caras com aquelas capas estavam falando sério ontem à norte. Até onde eu sei, não fui convocada por ninguém. Coveiros ou não.

Ao ouvir a palavra "Coveiros", Selena se retraiu. Um pensamento horrível me ocorreu então. Talvez Selena tivesse sido convocada pela Rosa & Túmulo — a verdadeira Rosa & Túmulo — e o motivo de não estar falando era que me contar que a minha experiência fora um trote significaria revelar exatamente como ela sabia disso. Afinal de contas, ela não reagira a nenhum dos nomes de sociedades que eu mencionara antes, mas eu não falara dos Coveiros. Ainda assim, ela falara, o que provavelmente não faria se tivesse sido convocada... minha cabeça começou a doer.

Eu sou paranóica ou o quê? Se eu não tivesse sido convocada, eles com certeza tinham perdido uma candidata da melhor qualidade. Inteligente, sexy e neurótica o suficiente para deixar orgulhosa qualquer organização clandestina. Selena se recostou e tomou outro gole de café.
— É verdade que houve trotes no passado. Você acha que foi o que aconteceu com você? Eu encolhi os ombros.
— Como é que eu vou saber? Se foi um trote, não foi muito alto na escala da humilhação. Acho que eles tentariam pelo menos fazer algum tipo de iniciação de mentira.
Ela assentiu pensativamente.
— Então, o que fizeram?
Abri a boca para lhe contar, mas aí fechei-a novamente. Por que eu deveria contar qualquer coisa para Selena se ela não estava disposta a ser recíproca? Além disso, o que eu podia dizer e o que não podia? Na chance improvável de que todo esse fiasco tivesse sido para valer, em que tipo de encrenca eu me meteria se relatasse a experiência? Havia opções demais para considerar.

POSSIBILIDADES


a) Eu havia sido convocada pela Rosa & Túmulo e portanto não devia contar nada a ninguém.
b) Ou eu fora convocada ou fora enganada, e contar à Selena significava que podia descobrir qual dos dois havia sido.
c) Eu fora vítima de uma pegadinha e Selena era membro da Rosa & Túmulo e estava apenas brincando comigo.
d) Nenhuma das anteriores.

Pena que era Selena quem havia passado o semestre resolvendo problemas de lógica para se preparar para os exames de admissão na Escola de Direito, para onde só se vai depois de ter cursado uma faculdade. Eca. Como se eu já não estivesse sob pressão suficiente. Por que uma garota não podia simplesmente terminar Guerra e paz, arrebentar nas provas finais, editar um numero sensacional de formatura da revista literária, preparar-se para um verão em Manhattan e curtir um relacionamento sem compromisso com um garoto bonitinho, ainda que ligeiramente CDF, que gostava de lhe pagar comida tailandesa? Será que era pedir muito?

Na verdade, olhando para a coisa dessa maneira, era. Era coisa à beça. E agora eu podia ter ou não que acrescentar "entrar para uma famosa irmandade clandestina" à lista.
— Sei lá — disse eu. — Não parece nada com as coisas que acontecem nos filmes, com certeza.
— Nenhum sangue de porco ou sacrifício de virgens?
— Onde eles encontrariam uma virgem por aqui?
Selena cuspiu seu café. Depois de se recompor, colocou a xícara de volta na bandeja e olhou para mim.
— Sabe, se você realmente acha que é um trote, sugiro que faça uma pesquisa.
— Que tipo de pesquisa? — Eu realmente esperava que ela não estivesse prestes a propor outra excursão ao mausoléu da Rosa & Túmulo. Eu ainda estava assustada com a noite passada e não podia me dar o luxo de perder outro jeans.
— Na biblioteca. Eles têm muitas informações sobre sociedades secretas.
— Sério? — levantei as sobrancelhas. — Mas, e a parte "secreta"?
— Uma evolução surpreendentemente recente — ela se inclinou para a frente. — Eles costumavam publicar a lista dos convocados pela Rosa & Túmulo todo ano no New York Times.
— Isso não pode ser verdade.
— Mas é. Os membros colocavam nos seus currículos. Eram muito abertos a respeito. Meio em desacordo com todo o negócio de "sair do local", não é?—ela fez uma pausa e olhou para seu prato. — Mas isso não torna tudo menos válido.

Seu subtexto era claro: ela não ia me contar nada sobre sua sociedade. E me magoou mais do que eu esperava. Selena e eu sempre havíamos dividido tudo. Morávamos juntas há três anos. Eu fora visitá-la em Londres no verão passado. Alugáramos aquele quarto na casa de praia em Myrtle Beach na primavera do segundo ano. Ela sabia que eu andava tentando escrever romances, eu sabia que tinha tido um caso com o professor assistente de ciência política do segundo ano. Tirando todo o fator ele-é-seu-professor-eca, não era tão questionável quanto parece. Ele só tinha 24 anos. Está bem, você tem razão, é questionável, mas não sou eu quem vai julgar — lembra-se do Ben Alguma Coisa?

Quando voltei para nossa casa de praia na manhã seguinte, igualmente mortificada e apavorada — como eu podia ter dormido com alguém que não conhecia? O que havia comigo? — Selena nunca me passou um sermão, só me encorajou a me lembrar o máximo que podia sobre o incidente (como, por exemplo, de ter usado camisinha, graças a Deus!) e, pelo resto da semana, ficou alegremente em casa sem sair para a balada, jogando palavras cruzadas sóbria e livre de garotos comigo na praia. Ela era minha melhor amiga. Mas isso estava mostrando ser maior do que uma transa mal pensada de uma noite só. Podia até mesmo ser maior do que a nossa amizade. Selena olhou para seu relógio e gemeu.
— Tenho que ir para o laboratório (todos os cursos de ciência, até os piores, desenvolvidos para estudantes de história como Selena, que não sabem a diferença entre ligação covalente e um chip de computador, estão localizados do outro lado do campus. Eli sabe quais são suas prioridades ou o quê?). Se você for à biblioteca, pode devolver dois livros para mim? Estão em cima da minha cama.

Assenti e Selena saiu, deixando-me sozinha com meus sucrilhos e um apetite que diminuía rapidamente. Eu queria realmente passar minha manhã peneirando pilhas de documentos, só para descobrir que toda a minha experiência na Noite de Convocação fora um trote?
Evidentemente, eu adoro sofrer. No caminho para a Biblioteca Memorial Dwight, passei pela suíte para pegar os livros da Selena, uns volumes velhos sobre história com títulos que eu mal conseguia ler nas capas que se desintegravam. Havia um pedaço de papel saindo do meio das páginas de um deles, coberto com a caligrafia cuidadosa e retinha de Selena.
Ela esquecera suas anotações.
Mas, quando puxei o papel para fora, pude ver que era uma impressão do catálogo online, coberto de marcações e anotações. Eu estava prestes a largá-lo em cima da mesa quando um dos títulos chamou minha atenção:

Kellogg, H. L. Sociedades secretas universitárias: seus costumes, natureza e os esforços para sua supressão. Chicago: Ezra A. Cook, 1874.

Não surpreende que Selena soubesse onde arrumar o furo.


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Oii ... ta começando a ficar legal ^^ tenham paciência =) tenho certeza que vocês vão amar!
E bem, aqueles que acham que o blog não mais a mesma coisa ... bom, eu também não sou mas a mesma de antes, as coisas mudam e temos de estar sempre prontos para mudanças, sinto muito!

Amanhã não sei se vou poder postar, mas logo logo tem a outra parte do cap 3, PROMETO!

OBRIGADOO PELOS COMENT'S ! VOCÊS SÃO LINDASSSSSSSSSSSSS 
COMENTEM MAIS !!! AMOOO S2


7 comentários:

  1. curiosaaa... a selena tbm é desse sociedade?

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  2. Gattona Posta Logo, Ta perfeita.
    Divulga meu blog:http://jamaisteesquecereijemienelena.blogspot.com.br

    bjus

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  3. Posta mais e logo! Amei essa fic!! Beijinhos Bia

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  4. essa história vai ter jemi? ou é sobre semi? amizade e essas coisas?

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  5. Quando li o prólogo fiquei super empolgada e agora estou super curiosa pelos próximos capítulos. Posta logo. Beijos

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  6. Nova seguidoraaaa , amando, to lendo todas as suas historias anteriores

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  7. Nossa fiquei super curiosa com esse capítulo...
    :)

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Sem comentários ........... sem capítulos!