31/01/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 4 (Parte 1)





Por meio desta, eu confesso:
odeio Clarissa Cuthbert

4.

Semper Paratus

E deixe-me dizer por quê.

Lembra-se de Galen Twilo, o número dois da minha Lista de Pegação? Bem, logo depois do nosso retiro de amor na Semana da Leitura, umas duas semanas depois do segundo semestre ter começado, quando estava começando a cair a ficha no meu cérebro confuso pela luxúria de que eu nunca mais teria uma discussão pós-coito a respeito do existencialismo e da incontrovertível insignificância do ser (eu sei, coisa estranha para se pensar logo depois de um orgasmo) nos braços do Sr. Twilo, tive um encontro um tanto infeliz.

Há uma espécie de restaurante/boate em New Haven chamado Tory's, que atende a facções muito, muito conservadoras do corpo estudantil. Para comer lá, você tem que ser membro, e o código de vestimenta é inacreditavelmente rígido. Servem coisas como torradas com queijo derretido, e organizações do campus que têm membros do Tory's em suas listas gostam de ir lá e ter o que chamamos de "Noites de Tory's'', em que cantamos canções e fazemos brindes bebendo em troféus de prata gigantes nas longas mesas nas salas de banquetes privativas do restaurante, apesar de nunca comermos realmente nada. Clarissa Cuthbert está entre as mais conservadoras dos conservadores, e seu pai, algum poderoso do mercado financeiro, é o tipo de pessoa que paga a salgada taxa de sócio pós-graduado do Tory's só para poder comer torradas sempre que visita a filha em sua antiga alma mater.

Eu não sabia de nada disso na época. Eu sabia da Clarissa — ela era linda daquele tipo "loura da Bergdorf ", a loja mais luxuosa de Nova York, vestia-se como se estivesse em um desfile de modas para cada aula, e tinha um quarto no alojamento do campus (como era exigido de todos os alunos do primeiro ano), assim como uma sofisticada cobertura na esquina das ruas Chapei e College, o endereço para estudantes mais chique da cidade. Ela dava festas de degustação de champanhe. Com 18 anos.
Eu ainda estava me acostumando a barris de chope.

Minha primeira Noite no Tory's com o pessoal da revista literária estava rolando há mais ou menos uma hora e meia quando o troféu quase vazio foi passado para mim.
— Beba o resto — Glenda Foster, então uma aluna do segundo ano, havia sussurrado para mim, e a mesa inteira ergueu as vozes em uma canção. Bem, as regras do Jogo da Taça Tory's são um pouco complicadas (principalmente se levarmos em conta que é um jogo para beber), mas aqui está uma lista rápida.

REGRAS DAS NOITES NO TORY'S

1) A Taça Tory nunca pode tocar na mesa.

2) Os jogadores passam a taça para a esquerda, completando meia-volta todas as vezes, e todo mundo dá um gole.

3) Quando o nível de bebida alcoólica misturada (identificada apenas pela cor — exemplo, uma Taça Tory Vermelha, uma Taça Tory Dourada, uma Taça Tory Verde) chega a um nível baixo o suficiente, a pessoa que a está segurando é obrigada a virar o resto, enxugar a parte de dentro com o cabelo e/ou as roupas e colocá-la, de cabeça para baixo, em cima de um guardanapo. Se houver qualquer traço de umidade impresso no guardanapo, ela tem que pagar a próxima taça (as Taças Tory são proibitivamente caras, por isso não se pede comida nas Noites no Tory's. Não podemos estourar nosso orçamento em sanduíches de pepino).

4) Tudo isso é feito enquanto as outras pessoas à mesa cantam a "Canção do Tory", que é uma mistura incompreensível de letras, palmas e baderna bêbada generalizada, na qual eles inserem o nome do pobre bebedor. Ninguém ensina a Canção do Tory para ninguém, a gente aprende por osmose assim que chega ao campus.

Aquelas taças provavelmente contêm mais de 3 litros, portanto mesmo quando parecem estar quase vazias, ainda há uma quantidade altamente enganadora de álcool, suco e baba dos outros balançando no fundo da taça de prata polida. E eu tinha que beber — sem me afogar. Por um segundo, pensei que teria a mesma sorte se tentasse nadar ali. Mas eu me recompus, virei e fiz o melhor que podia para secar as bordas e o interior com meu cabelo e minhas roupas. O preço de uma Taça Verde é uns 60 dólares, o que era o dinheiro que tinha para gastar durante um mês no primeiro ano, portanto eu tinha que ganhar o jogo. E ganhei, mas paguei o preço. Tonta, melada e já me arrependendo da minha futura conta de lavanderia, pedi licença logo depois para ir ao banheiro. Desci as escadas cambaleando até chegar ao salão principal e praticamente tropecei em uma mesa contendo Clarissa Cuthbert, seu pai, algumas pessoas que não reconheci e Galen Twilo, inexplicavelmente vestindo calças caqui, camisa social e gravata e um blazer azul com botões dourados nas mangas.

Eles ergueram os olhos de suas saladas de agrião, olhando para minha roupa pegajosa e manchada de verde e os olhos de Galen (nunca me esquecerei disso) não mostraram absolutamente nenhum reconhecimento. Por um momento, achei que talvez estivesse vendo coisas e não fosse Galen, afinal de contas. Galen usava calças pretas com correntes penduradas e camisetas do show do Clash que encontrava em brechós no Village. Não blazeres azuis com botões dourados e — olhei para seus pés — mocassins marrons com franjinhas de couro. Naquele exato momento, os 750 mililitros da Taça Tory no meu estômago ganharam de mim e eu corri para o banheiro. Ainda estava no reservado, tentando apagar a imagem do vômito alcoólico violentamente verde da minha cabeça, quando a porta do banheiro feminino se abriu e Clarissa entrou com uma de suas amigas (eu olhei pela fresta da porta do reservado).
— ...ele falou que saíram juntos algumas vezes. — Clarissa estava dizendo enquanto abria um pó compacto Chanel e passava iluminador no nariz. — Mas ele nunca pensou que ela apareceria aqui.
— Seguindo-o como um cãozinho apaixonado, não é? — a outra garota fez um som de desaprovação com a língua. — E o que era aquilo no cabelo dela? 
Clarissa deu de ombros. 
— Você sabe como o Galen gosta de se misturar.

O QUE EU APRENDI NAQUELA NOITE

1) Há um banheiro perto dos salões de banquete privativos que o Tory' s prefere que os alunos da Noite no Tory usem para não incomodar as pessoas no salão principal com suas roupas pegajosas.
2) O Sr. Rebelde-Sem-Causa Twilo na verdade era um milionariozinho de Manhattan que crescera no Upper East Side e freqüentara a mesma escolinha particular que Clarissa.
3) Nunca termine uma Taça Tory Verde.

E nunca mais gostei de Clarissa Cuthbert depois disso. "De se misturar!" Então, aqui estava eu, dois anos e meio depois, vendo Clarissa acariciar minha carta da Rosa & Túmulo com um sorrisinho complacente moldado em seu (provavelmente melhorado pela plástica) rosto. Engoli em seco.
— Ora, obrigada — sua vaca — Clarissa! — falei no que esperava ser um tom de puro encanto, mas que provavelmente saiu como doçura forçada. — Eu estava imaginando — porque você roubaria os meus livros — o que eu havia feito com esse — bilhete da sociedade secreta — convite para uma festa de aniversário.
— Cale-se — disse ela e acenou para mim com a carta. — Venha cá.
Comecei a andar em sua direção, mas lembrei-me que, o que quer que Clarissa tivesse dito no primeiro ano, eu não era um cãozinho obediente, parei e estiquei a mão.
— Por favor, me devolva a minha carta.
— Assim que averiguarmos que ela pertence a você.
Isso me fez entrar totalmente no recanto de leitura.
— Ela me pertence e você sabe disso — chiei.
Ela virou o envelope nas mãos, um olhar de inocência serena no rosto.
— Não tem nome.
Cerrei o maxilar.
— Então, deixe-me descrevê-la para você.
— Ah, por favor, faça isso! — ela sorriu docemente. — Principalmente o que está dentro. Sentei-me na poltrona à sua frente.
— Clarissa, eu não estou brincando. Devolva.

Ela hesitou, franziu as sobrancelhas e me entregou. Arranquei o envelope de suas garras e, depois de me assegurar que o lacre continuava intacto, enfiei-o dentro da capa do GEP. Bem, isso fora mais fácil do que eu pensara que seria. Cara, se fosse eu, teria brigado para ver o que havia naquela carta.

Como todos os assuntos entre nós pareciam ter chegado ao fim, levantei-me para ir.
— Espere, Demi. — Ela tocou no meu braço e fiquei bastante orgulhosa de mim mesma por não me encolher de nojo. — Nós devíamos conversar.
— Sobre o quê? — falei arrogantemente.
— Você sabe sobre o quê. — Seus olhos se suavizaram por um segundo. — Por favor?
Que cascata. Como se ela fosse ser minha amiga agora que eu ganhara a aprovação de um grupo como a Rosa & Túmulo? Soltei meu braço de sua mão.
— Me desculpe, Clarissa. Não sou de me misturar.

A parte de dentro da carta fora queimada em alguns lugares e grandes pedaços chamuscados deixaram marcas pretas nas minhas mãos enquanto eu tentava desdobrá-la e
ler o que estava escrito. Como antes, a escrita estava torta na página, que estava dobrada em um hexágono irregular. Desta vez, tinha cheiro de fumaça. Era isso o que dizia:

Neófita Lovato, Aos cinco minutos depois das oito esta noite, sem usar metal, nem enxofre, nem vidro, saia da base da Torre Whitney e ande para o sul pela High Street. Não olhe para a direita nem para a esquerda. Passe pelos pilares sagrados de Hércules e aproxime-se do Templo. Leve o Livro certo na mão esquerda e bata três vezes nos portais sagrados. Não diga a ninguém o que fizer. — Rex Grave

Humm, tuuuudo bem. Eu sabia o que todas aquelas palavras queriam dizer, mas a soma delas ainda era um mistério. Quem usa enxofre? A restrição quanto ao vidro não tinha problema, já que eu fora abençoada com uma visão 100%, mas a história do metal ia ser difícil. Jeans estavam fora — com todos aqueles rebites de cobre e o zíper e os botões. Na realidade, a maioria das minhas calças tinha zíper e até as de botão tinham botões de metal. Eu devia usar uma saia? Calças de ginástica?
Selena bateu na porta enquanto eu estava rasgando o forro de um dos meus sutiãs.
— O que está fazendo? — ela perguntou, enfiando a cabeça para dentro.
— Tentando encontrar o arame. — Aha! Puxei-o para fora, só para descobrir que "arame" era um termo relativo e que Victoria's Secret aparentemente usava algum tipo de plástico duro e elástico.
— Destruí este para nada — falei, jogando o sutiã rasgado em cima da cama.
— O que você tem contra suporte? — Selena sentou-se na beirada da cama. Olhei para ela alarmada, mas a montanha de roupas descartadas cobria a carta da Rosa & Túmulo. Dando de ombros, puxei outro sutiã da mesma loja — são todos de plástico, certo? — e foi complicado entrar nele.
— Nada. Aquele só estava me espetando — olhei no espelho acima da minha cômoda e tirei meus brincos de prata.
— Então, eu estava pensando em ir ver aquela peça do Pinter que a Carol está montando — disse Selena. — Quer vir?
Tanto quanto queria me vestir com enxofre dos pés à cabeça. — Passo. — Fiz uma careta. — O que te levaria a passar uma linda noite de sexta-feira vendo alguma coisa tão deprimente? — Tem idéia melhor?
Encostei-me no balcão, olhando para minha melhor amiga. Qualquer outra noite, eu teria ido. Podíamos comprar milk shakes e levá-los escondidos para o cinema do campus para evitar as comidas caríssimas que usavam para equilibrar a entrada baratíssima. Podíamos pedir pizza e passar a noite assistindo à obra de Meg Ryan no televisor de 12 polegadas da Selena. Podíamos ir até a farmácia, comprar um estoque de esmalte e fazer uma festa de pedicure. Podíamos pegar a garrafa de vodca Finlândia sabor manga e um saco de jujubas, ficar bêbadas, esquecer a tensão estranha que vinha permeando nossa amizade desde a Noite de Convocação, parar de agir como crianças e dizer uma à outra exatamente o que estava acontecendo com as sociedades secretas para as quais estávamos entrando.
Mas eu queria que Selena começasse.
— Na verdade, não — respondi. E, numa escala de imaturidade até 10, eu daria a mim uma nota 2,3.
Selena ergueu uma de minhas blusas até o peito e verificou seu reflexo.
— Não fico bem de amarelo. — É, mas fica ótima com aquela minha blusa azul de seda que está com você há... o quê, cinco semanas? — Combinava perfeitamente com sua aparência irlandesa morena. Tirei meu relógio, imaginando se os Coveiros iriam fazer algo estranho e magnético comigo. Nada de metal? Ainda bem que eu não usava aparelho nos dentes. Estava quase ligando para Malcolm Cabot e pedindo conselhos de vestuário para ele. Selena se jogou de costas em cima das minhas roupas.
— Olhe só quem está falando! Não vejo minhas botas vermelhas de cano curto desde as férias de primavera.

Abaixei a cabeça com culpa e abri o fecho do meu colar. Aquelas botas estavam no quarto do Brandon.
Com todos os vestígios de metal removidos, voltei para o meu armário para procurar calças que não precisassem de cinto e ainda assim parecessem algo que você usaria fora da academia ou do quarto.
Selena começou a fuçar na minha pilha de descartes.
— Está se vestindo para o quê?
Sei lá.
— Eu vou sair e não sei bem onde vou parar, então quero estar preparada.
Ela se sentou ereta.
— Preparada? Estamos falando da sociedade?
Remexi nas minhas roupas e fingi não ouvi-la.
— Demi?
Remexendo, remexendo, remexendo. Meu conjunto de veludo molhado? Por que ele nunca ficava tão bem em mim quanto ficava na Britney Spears (antes da gravidez)?
— Demi?
A saia de veludo cotelê poderia funcionar, mas era curta demais para fazer qualquer coisa que não fosse sentar ou fi -car de pé. De alguma forma, eu suspeitava que a iniciação exigiria um pouco mais.
Neófita Lovato?
Prestei atenção imediatamente e pulei para fora do closet. Selena encontrara minha carta e a estava lendo em voz alta. Aterrorizada, lancei meu corpo em direção à cama.
— Me dê isso!
Selena rolou para longe e eu aterrissei de cara numa pilha de suéteres de inverno. Ela saiu saltitante pelo quarto, rindo e lendo a carta num tom assustador, como o de Vincent Price, aquele ator de filmes clássicos de terror.
"Passe pelos pilares sagrados de Hércules e aproxime-se do Templo" Ooooooh... Isso parece um jogo de RPG.
— Selena, pare! — lutei para me desembolar das mangas do meu casaco de lã.
Suspirando, ela jogou a carta na minha direção.
— Tome, não tenha um infarto.
Enfiei a carta na minha escrivaninha e olhei para ela.
— São como as instruções que você recebeu na sua carta? — perguntei com um riso de escárnio.
Ela desviou o olhar.
— Não posso falar sobre isso.
— Ah, fala sério! Você só pode estar brincando! —Apontei para a gaveta da escrivaninha. — Existe alguma maneira no mundo da sua sociedade levar as coisas mais a sério do que a minha?
Epa. Seu rosto endureceu.
— E a verdade se revela. Perdoe-me por me intrometer. Eu devia saber que uma proletária como eu não tinha nada que invadir o quarto de uma poderosa Coveira — ela praticamente cuspiu a palavra. A porta, ela fez uma pausa: — Não use o veludo molhado. Faz sua bunda ficar enorme.

Por sorte, eu tinha um par de calças cargo com cordão na cintura e fecho de velcro e então, adequadamente vestida afinal, fui em frente para encontrar meu destino. Dei um tempo na torre Whitney, checando periodicamente a hora no relógio e esperando parecer mais casual do que eu me sentia. Cinco minutos depois que o carrilhão da torre Whitney acabou de bater as oito horas, dei meia-volta e marchei em direção ao mausoléu da Rosa & Túmulo. Estava determinada a não repetir os erros de minha entrevista — eu não chegaria atrasada para a iniciação.

Conforme me aproximei do mausoléu, vi outra figura andando na minha direção, vinda do lado sul da rua. Maldição. Eu não podia entrar no jardim da Rosa & Túmulo com alguém bem ali me olhando, podia? Como os membros guardavam seus segredos sem uma entrada secreta? A figura passou debaixo de um poste de luz e eu pude ver que era um homem. Ele usava um casaco preto brilhante ornado com mais zíperes do que se poderia esperar sensatamente ver em um casaco normal. Eu conhecia aquele casaco. Ele pertencia a George Harrison Prescott.
— Eia, Demi! — disse ele quando nos encontramos na calçada exatamente na frente daquele odiado portão de ferro fundido. George apoiou a mão nele (como se fosse um portão qualquer, e não a entrada para o mausoléu dos Coveiros) e plantou os pés diretamente no meio do meu caminho. — Como vai você?
— Humm... — Meus olhos flutuaram em direção ao mausoléu. — Nada demais. E você?
— A mesma coisa. — Ele piscou para mim, seus lindos olhos de cor de cobre cintilando ainda mais por trás da armação brilhante de bronze de seus óculos.

Juntei as coxas com força e rezei ardorosamente para que ele não percebesse. George Harrison Prescott não só era o homem mais bonito da minha turma na Universidade Prescott (e não, os nomes não eram coincidência), ele também era um Galinha com G maiúsculo. Lembra-se de Marissa Corrs, que trabalhou com Orlando Bloom naquele filme de época no ano passado? Bem, ela recentemente tirou uma licença de Eli para se concentrar em sua carreira de atriz mas, enquanto esteve aqui, adivinhe do quarto de quem foi vista saindo todo domingo de manhã?
É. A garota podia ter pego o Orlando, mas escolheu George Harrison Prescott. É claro que, se você espremer um pouco os olhos, George e Orlando poderiam ser gêmeos, tirando os óculos de George, os quais, no que me diz respeito, o deixam dez vezes mais gostoso. Marissa era só uma das muitas no que eu tenho certeza de que é o Dicionário de Pegação de George Prescott. Pelo que ouvi, George dormiu com metade das mulheres hetero e/ou disponíveis da Universidade Prescott e, pelo que eu sei, a outra metade está impacientemente esperando sua vez.

Eu não, é claro! George e eu somos só amigos. Conhecidos. Do tipo que acena com a cabeça em reconhecimento quando passa um pelo outro na rua ou se senta junto no refeitório de Prescott quando nenhum dos nossos outros amigos está por perto, batendo papo um com o outro em nome da solidariedade de classe-e-filiação-universitária. E se uma garota se permite a ocasional fantasia sexual sobre entrar acidentalmente no banheiro de George Harrison Prescott enquanto ele está no chuveiro — bem, isso não é nada demais, certo?
— Está indo para casa? — ele perguntou e eu tentei não ficar olhando fixamente para sua boca.
Já que eu estava andando precisamente na direção oposta da Universidade Prescott, isso me pareceu uma pergunta bastante estranha.
— Não.
— Está bem — ele sorriu cordialmente e nenhum de nós dois se moveu um milímetro. Finalmente, desistindo, eu o contornei e andei alguns passos pela rua.
George acenou, mas não se moveu. Quando finalmente cheguei na última esquina e me virei, ele havia pego uma caixa de fósforos do bolso e começara a acendê-los, um a um, deixando-os queimar até o dedo antes de jogar os tocos na calçada.
Sacudi a cabeça.

Meninos! É tipo uma coisa de homem das cavernas ter que brincar com fogo sempre que podem? Ele parecia pronto a ficar ali bancando o Prometeu a noite toda. Quantas vezes eu teria que dar a volta no quarteirão antes de ter a entrada livre para o mausoléu?

Finalmente, George pareceu chegar a uma decisão. Virou-se e saiu trotando na direção da Universidade Prescott. Não perdi tempo para correr de volta ao portão. E daí que eu não estava seguindo as instruções exatamente como estava na carta? Eu cumprira todos os passos, apesar da demora, e não podia me arriscar a chegar atrasada de novo. Quem sabe quantos relógios atômicos de altíssima precisão eles tinham ali?
As gigantescas portas duplas na soleira do mausoléu da Rosa & Túmulo tinham uma cor de bronze opaca pelo desgaste do tempo. Uma grande aldrava de bronze no formato de um livro aberto estava pendurada na altura do rosto; suas páginas de bronze envelhecidas estavam gravadas com um " R" e um " T " . respirei fundo.


Vamos lá. 

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Oiiiie, quanto tempo ???? rsrs'
Desculpem a demora, tive problemas com meu computador e também com minha net, mas agora está tudo resolvido ! 
Legal ver que vocês estão gostando !!! #feliz 


Bom, se comentarem eu posto amanhã =) 
okay???? então ... até lá ~.~
bjsss



17/01/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 3 (Parte 2)





Como se para me convencer de que não estava ficando obcecada com toda essa história de sociedade secreta (afinal de contas, pelo menos 90% dos alunos de todas as turmas de Eli entram para uma!), carreguei GEP para ler na biblioteca. Levei duas horas para encontrar os cinco títulos listados no papel de Selena. As estantes da biblioteca Dwight têm cerca de 12 andares de altura, com recantos c buracos suficientes para metade do corpo discente se esconder. É uma velha tradição de Eli fazer sexo na biblioteca pelo menos uma vez antes da formatura (e, não, eu nunca fiz, nem mesmo com o falso beatnik Galen Twilo).
Finalmente encontrei um dos livros enfiado entre o teto e o topo da estante onde deveria estar guardado. Mais um truque de biblioteca: se você não quisesse que alguém retirasse os livros que você precisava, você os escondia. Com frequência eu ficava imaginando quantos volumes tinham se perdido para sempre na confusão das estantes porque algum aluno esquecera quais eram os seus esconderijos—ou nunca se preocupara em desfazer o estrago quando o semestre acabara (está vendo, você acha que estudantes das universidades da Ivy League eram um bando de pessoas honestas e confiáveis, mas não.
Algumas das coisas que eu já vi fazerem neste campus são praticamente criminosas. Mas nunca pensei que Selena fosse do tipo que teria esse tipo de comportamento).

Dirigi-me para a sala de leitura mais próxima e me instalei em uma das mesas de madeira entalhada que iam de uma ponta à outra. Gigantescas poltronas de couro cor de vinho e lâmpadas de leitura elegantes com cúpulas verdes completavam a decoração, e o sol matutino de sexta-feira brilhava nas janelas com vitrais e destacava os arcos góticos de pedra que se elevavam em uma abóbada acima da minha cabeça. As salas de leitura da memorial Dwight simplesmente exalavam um ar de ambiente acadêmico de alta classe. Imediatamente comecei a me sentir sonolenta. O que tinha mais a ver com o teor de cafeína de um cappuccino: 1.472 páginas de literatura histórica russa exaltando os feitos da invasão napoleônica ou ensaios empoeirados sobre fraternidades universitárias do século XIX? Argh. Decidi espantar o tédio trocando de um para o outro regularmente. Natasha Rostov estava aprontando das suas, mas o volume sobre sociedades não me presenteou com nenhurna informação útil. Sério, eu lá me importo se a Phi Beta Kappa começou na William & Mary? Quero saber o que está acontecendo na Rosa & Túmulo no século XXI.
— Oi, Demi.

Olhei para cima e vi Malcolm Cabot de pé ao lado da mesa. Estudante do último ano, baladeiro conhecido e filho de um governador de estado, Malcolm Cabot e eu não andávamos nos mesmo círculos sociais. Meus amigos se enchiam de pipoca e assistiam à maratonas de Sex and the City, enquanto a galera dele gostava de dirigir até "A Cidade" para maratonas de sexo no fim de semana. Ele não estava na minha faculdade, nunca estivéramos na mesma sala e, até onde eu sabia, não havíamos trocado mais do que três palavras em meus anos em Eli.
— Humm, oi.
Tudo bem, quatro palavras.
— E aí? — Malcolm torceu o pescoço em direção ao meu material de leitura, o qual, felizmente, estava no momento aberto na página 834 de GEP. Ele vestia uma camisa pólo verde-clara com as letras "UC" impressas no canto e um jeans que caía perfeitamente. Seu cabelo cor de areia parecia ter sido arrancado direto de um catálogo da marca esportiva Abercrombie & Fitch. Estava com a bolsa de carteiro atravessada no peito e tocava a alça com os dedos.
— Aula de romances russos, não é? De qual você mais gostou?
Crime e Castigo — disse eu. — Só tem 500 páginas.

Ele riu,o que fez com que recebesse olhares feios de pelo menos três outras pessoas na minha mesa. Malcolm se recompôs então, mas continuou tamborilando na alça da bolsa.
Se você me perguntar, o ritmo, mais do que a conversa sussurrada, era o que fazia sua presença ser um fator de distração. E agora havíamos chegado a duas dúzias de palavras.
— A prova final é mole — continuou. — Portanto, não se preocupe.
— Valeu. —Eu acho. Tum, tum, tum.
— Não estude muito. Vai precisar da sua energia.
Hein? Meus olhos zuniram para seu rosto.
— Do que você está falando? Ele sorriu então, mostrando-me um conjunto de lindos dentes brancos.
— Ah, eu quase me esqueci — ele parou de tamborilar por um segundo, remexeu em sua bolsa de carteiro, retirou três livros e colocou-os na minha mesa.
— Isso pode ajudá-la quando estiver boiando na aula —apontou para cada um deles de uma vez. — Said era uma crítico pós-colonialista, Levi-Strauss defendia o estruturalismo e Aristóteles... bem, ele é o crítico mais velho no livro. Nenhum mereceu aquele B- em literatura etíope.

Olhei para aquele sorriso extremamente familiar, depois para suas mãos, que ele começara a tamborilar na alça da bolsa novamente. Bem ao lado do pequeno broche de ouro preso na lona que mostrava uma rosa dentro de um hexágono alongado. Malcolm Cabot era a Sombra-Que-Sorri. E ele estava na Rosa & Túmulo. O que significava...
— Ei — eu disse. Alto.
— Shh! — a repreensão dura veio de uma garota na mesa ao lado. Torci meu pescoço e parei bem além do corpo do Malcolm para ver Clarissa Cuthbert olhando para mim por cima da borda de sua bolsa Louis Vuitton. O olhar de Clarissa fez um pingue-pongue de mim para o Malcolm e de volta para mim, e então seus olhos azul-gelo se estreitaram. Um ligeiro espanto. Provavelmente estava imaginando o que o filho do governador Cabot estava fazendo conversando comigo. Como Malcolm, Clarissa fazia parte da elite suprema da universidade.
E Malcolm estava se aproveitando da minha distração. Ele despenteou meu cabelo.
— A gente se vê em breve, gata.—Então, deu meia-volta e foi embora. Ignorando Clarissa e esquecendo-me completamente tanto dos livros sobre as sociedades quanto dos críticos preferidos do Malcolm, catei o GEP (com as duas mãos, é claro, já que o livro idiota pesava 90 quilos) e corri atrás dele.

Quando finalmente cheguei ao corredor principal da biblioteca, ele já não estava em lugar algum. Estantes? Saída? Argh! Andei o mais rápido possível para a porta da frente, o tempo todo varrendo cada vão com os olhos atrás de um relance de sua camisa verde ou de seu cabelo louro. Sem sorte.
Na porta, passei pelo processo complicado de não-esta-é-a-minha-cópia-de-Guerra-e-
paz-por-isso-não-tem-o-código-de-barras-da-biblioteca de sempre e então desci correndo os degraus da frente até o Cross Campus Green. Nenhum sinal dele ali também.
O quê, os membros da Rosa & Túmulo também tinham uma entrada secreta para a biblioteca?


Tudo bem, eu enfrentaria os leões em seu covil, *UC* queria dizer Universidade Calvin na abreviatura de Eli e verde era a cor da universidade. Eu o seguiria direto até seu alojamento. Tentei parecer digna enquanto andava rápido pelo gramado de volta à High Street, mas o peso do GEP atrapalhava o meu avanço.

PENSAMENTOS QUE PASSARAM PELA MINHA CABEÇA NO CAMINHO

1) Malcolm Cabot sabia que eu estava enchendo linguiça na minha entrevista, mas me convocou assim mesmo.

2) Devia ser conveniente para Malcolm o fato da Universidade Calvin e do mausoléu da Rosa & Túmulo serem bem ao lado um do outro.

3) Será que os Coveiros têm a Prova final de romances russos no arquivo?

Passei o cartão-chave na entrada da Universidade Calvin e abri o portão pesado. Alguns passos depois e eu estava em seu pátio pequeno e ensolarado, vazio a não ser por um cara com uma camisa pólo verde dirigindo-se para uma das entradas mais afastadas.
— Malcolm — gritei e ele parou imediatamente. Corri até ele. — Você é um Coveiro — falei quando cheguei ligeiramente ofegante.
Ele agarrou o meu braço e me levou até um dos bancos de pedra posicionados mais longe das janelas.
— E você — ele sibilou no meu ouvido em um tom muito mais baixo do que eu estava usando — não é exatamente discreta.
Revirei os olhos enquanto nos sentávamos.
— O quão discreto é esse seu broche?
Ele bufou.
— Você levou mais ou menos 90 segundos para vê-lo e eu praticamente tive que furar seu olho com a parte pontuda.
— Obrigada por se conter.
— Não há de quê.
Cruzei os braços em cima do peito.
— Agora eu quero uma explicação.
Ele estreitou os olhos.
— Para o quê?
— Para o quê! — olhei em volta do pátio. Ainda vazio. Mas abaixei a voz, de qualquer modo. — Para ontem à noite, é claro.
— Você pareceu entender o processo, na hora.
— É, mas aí vocês simplesmente me deixaram lá. No banheiro.
— É claro. Tínhamos que pegar mais outras onze pessoas, sabe, Demi. Estávamos ocupados.
Digeri isso enquanto ele olhava em volta.
— Olhe, este não é o momento para conversar. Tudo o que você precisa saber está nos... — ele parou e olhou para as minhas mãos, vazias a não ser pelo GEP. — Onde estão os livros que eu lhe dei?
— Na biblioteca, eu acho.
— O QUÊ! — agora era a vez de Malcolm falar alto. Ele pulou do banco e ergueu as mãos no ar. — Você simplesmente os deixou lá?
Olhei para ele atônita.
— Eram livros de biblioteca. E eu já tenho uma cópia de Poética no meu quarto.
— Tinha... argh! — ele socou o ar com as mãos. — Havia algo em Aristóteles. Para você. De nós.
— Ah.
Ah? — Ele andava de um lado para o outro na minha frente. — Ah?! É tudo o que você tem a dizer?
— O que eu deveria dizer? Acha mesmo que depois daquela sua ceninha eu ficaria mais interessada em ir atrás de você ou em saber um pouco mais da opinião do Cara Branco e Falecido sobre crítica literária?
— Bem, não achei que você simplesmente os deixaria lá! — ele se jogou de volta no banco e colocou as mãos na cabeça. — Eu disse a eles que não devíamos ser criativos. Eu disse "Qual é o problema com os Correios?" Mas alguém me ouviu? Não. E agora veja isso.

Dei um tapinha em seu ombro, porque me pareceu a única resposta adequada, mas por dentro eu já estava planejando meu trajeto de volta à sala de leitura. Malcolm levantou-se de um salto e me agarrou pelos ombros. Ele olhou para mim resoluto.
— Escute, você não pode deixar que ninguém mais veja a carta que eu botei dentro daqueles livros. Isso pode estragar tudo. Você tem que voltar à biblioteca e pegá-los de volta. Agora. Entendeu?
Assenti, meio perplexa, e coloquei as mãos em seu peito para afastá-lo. E, naturalmente, foi quando a porta da entrada mais próxima se abriu e Brandon Weare saiu.
— Ei, Lovato — disse ele com uma voz que era tudo, menos casual. — E aí?
Malcolm abaixou as mãos e deu um passo para trás e eu tentei pensar na maneira menos constrangedora de reagir.

OPÇÃO UM: "Epa, Malcolm, cuidado nesses pisos irregulares, não vai querer tropeçar!" 

OPÇÃO DOIS: "Ei, Brandon. O Malcolm estava refazendo uma cena de The O.C. que eu perdi na semana passada."

OPÇÃO TRÊS: "Oi, Brandon. Malcolm e eu não podemos conversar agora. Temos que voltar à biblioteca antes que alguém encontre a correspondência ultra-secreta que o agente Zero-Zero-Cabot da Rosa & Túmulo aqui deixou dentro de um livro que eu não tinha a menor intenção de olhar."

Mas Malcolm assumiu, passando de comediante-pastelão-apavorado para James-Dean-tranquilo em um instante.
— Ei, cara, e aí? — Ele estendeu a mão e cumprimentou Brandon com um toque de mãos antes que meu amigo-colorido pudesse entender o que estava acontecendo. — Queria lhe dar os parabéns pelo último jogo interno de badminton. Já pensou em ser capitão da equipe no ano que vem? Acho que Calvin vai jogar a sério pela taça Tibbs.
Brandon jogava badminton? Vivendo e aprendendo. É claro que, considerando a obsessão do cara por aviões de papel, a peteca projetada aerodinamicamente usada no badminton se encaixava perfeitamente.
— Valeu — disse Brandon e ficou um pouco mais ereto. —Tenho pensado nisso. Inacreditável. Olhei para Malcolm com outra perspectiva. Ele havia distraído Brandon totalmente.
— Está fazendo alguma coisa agora? — Malcolm estava perguntando. — Podemos ir falar com o coordenador da Calvin Tibbs a respeito.
— Bem, eu queria conversar com a Demi...—Brandon me lançou um olhar rápido mas, antes que ele pudesse dar seu sorriso-Demi, Malcolm se adiantou.
— Ah, ela está indo para a biblioteca — Malcolm agarrou o ombro de Brandon e fez algum tipo de gesto complicado com as sobrancelhas na minha direção.
— Vamos — continuou, levando meu Brandon embora. Fique parada ali, sozinha no pátio da Calvin, e comecei a questionar a veracidade da sequencia de Totalmente-Dedicado-A-Você de Brandon. O cara acabara de me trocar por badminton interno.

O lado positivo era que eu estava definitivamente a caminho de me tornar um membro da Rosa & Túmulo. Então, cara, como eu precisava recuperar aqueles livros! Corri de volta para a biblioteca, cruzando os dedos para que os assistentes bibliotecários ainda não tivessem feito sua ronda pela sala de leitura. Mas minha sorte não vingou. Cheguei à mesa em que estivera sentada e ela tinha sido totalmente desocupada. Nenhum livro sobre sociedades, nenhum volume sobre crítica literária, nenhuma missiva da Rosa & Túmulo. Droga. O próximo aluno do primeiro ano que tivesse que ler Poética com certeza teria uma surpresa. E eu já ferrava meu primeiro objetivo como membro de uma sociedade secreta — chegar a ser iniciada (ainda que, sério, eu não seja totalmente culpada por essa confusão. Como eu iria saber? Não é como se houvesse um folheto com o título "Então você quer entrar para uma sociedade secreta"). Muito bem, Demi, pense. Eles ainda não teriam tido tempo para recolocá-los na prateleira, então provavelmente ainda estariam em um dos carrinhos de livros atrás da mesa de distribuição. Eu podia simplesmente falar com as pessoas da mesa e dizer que precisava deles de volta.

Então, ali estava eu, na fila, praticamente pulando de impaciência e forçando os olhos para ver os carrinhos atrás do balcão, esperando reconhecer pelo menos um dos volumes. A garota miúda trabalhando no computador tinha piercing no nariz e duas mechas verdes no cabelo e, quando eu lhe disse que precisava do meu Aristóteles de volta, ela simplesmente olhou para mim e piscou.
— De acordo com o sistema — falou, puxando a informação na tela — há 215 cópias dos escritos de Aristóteles só nas estantes da Dwight.
— Eu sei, mas preciso daquele que eu estava lendo.
— E mais 167 no resto do sistema bibliotecário de Eli.
— Certo — falei, apontando para trás dela. — Mas eu preciso do que está ali no carrinho. Ela olhou por cima do ombro, depois de volta para mim.
— Você quer que eu vá fuçar no carrinho para encontrar um determinado livro, cuja cópia você pode pegar da prateleira em 382 formas diferentes?
Bela matemática, bruxa. Eu ainda estava fazendo as contas. Mas minha mãe sempre me disse que você pode pegar mais moscas com mel.
— Por favor — inclinei-me para a frente. — Eu deixei algumas informações de saúde delicadas dentro dele, por acidente — gesticulei vagamente para minhas regiões baixas e sussurrei:
Resultados do exame.
Ela pegou o carrinho imediatamente e começou a vasculhar os livros. Infelizmente, Poética não estava entre eles, assim como nenhum dos outros livros que estavam comigo antes.
— Sinto muito — falou, e então procurou dentro do bolso e retirou um cartão. Ela o escorregou pelo balcão e colocou a mão gentilmente em cima da minha. — Sabe, eu sou voluntária no Centro Feminino Eli. Se precisar conversar sobre alguma coisa, temos um
telefone de Ajuda Para Crises que funciona 24 horas.
Fiz o máximo para parecer triste.
— Obrigada — falei, pegando o cartão e enfiando-o no bolso. Muito bem, e agora, o que eu devia fazer?
— Ei! Psiu, Demi. Demi Lovato.

Virei-me na direção da voz e vi Clarissa Cuthbert sentada numa poltrona de couro em um pequeno recanto de leitura. Sua bolsa Louis Vuitton estava no colo, uma pilha de livros da biblioteca estava em cima da mesa ao seu lado e, entre dois dedos com unhas feitas à francesinha, ela balançava um envelope branco com uma borda preta e um lacre de cera preta.

— Procurando isto? 

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Oi amores =) 
ai a segunda parte do 3 capítulo ... espero que gostem !!!! 
to contente de ver que algumas pessoas estão gostando XD
e SIM, essa fic é diferente de muitas que já tenham postado, até mesmo as que postei no blog, mas ela é super legal... eu acho que vcs vão gostar muito ^^
E ai ..........  QUEM ERA ali no final?? só no próximo =) 

QUERIA muito saber, alguém aqui, gosta de animes ? mangá? enfim, do que gostam ??? 
Descobri ontem que sou "Filha" de Atena (fãs de Percy Jackson entenderão)  rsrsrs' sou do "Distrito 11" kkkkk e da casa de "Grifinória" (Potterhead vão entender tbm) rsrs' ... queria saber o que vocês gostam XD 

Bom ... é isso ai, até a próxima amores =)

COMENTEM !!!! ♥



13/01/2014

Sociedade Secreta - Capítulo 3 (Parte 1)

Por meio desta eu confesso:
na primeira chance que tive comecei a pensar demais.

3.

Mudando de Idéias

Assim que pronunciei as palavras, a luz se apagou e, a julgar pelo alvoroço que se seguiu, eles não estavam esperando que voltasse a ser acesa. Alguém se inclinou e sussurrou no meu ouvido:
— Lembre-se bem, mas fique calada em relação ao que ouviu aqui.
Quando finalmente cheguei cambaleando à parede e senti o azulejo frio debaixo dos meus dedos, todo mundo havia ido embora. Acendi a luz. Eu estava num banheiro, sozinha, com nada além de máquinas de camisinha e cimento mofado como companhia. Então, aquele era o cheiro. E nem era na minha entrada. Humm, ei? Eles não deviam me carregar para seu mausoléu de pedra e me apresentar a uma vida que fosse além dos meus sonhos mais alucinados? Franzi a testa, abri a porta do banheiro e saí.
Cerca de meia dúzia de estudantes perambulava pelo corredor me olhando. Um desses caras — há um em todo dormitório — que nunca se acostumara com a idéia dos banheiros mistos de Eli, pulava para cima e para baixo na ponta dos pés, como se estivesse esperando que a garota saísse antes que ele pudesse entrar no banheiro.
— Já acabou ou vai haver outra festa aí dentro?
Controlei meu rosto para ficar com uma expressão neutra.
— Alguém tem um rolo de papel higiênico?

Viu? Eu ainda ia ser uma especialista nesse negócio de segredo. Ignorando os espectadores, caminhei de volta para a minha suíte, onde presumi que Selena estaria esperando para ouvir toda a truncada experiência nos mínimos detalhes. Mas Selena havia sumido — convocada, talvez, por outra sociedade na minha ausência. Ela não sairia por nenhum outro motivo, certo? Não esta noite.
Esperei na sala por 15 minutos, imaginando que, se sua convocação funcionasse da mesma forma que a minha, ela estaria de volta num instante. Bebi uma Coca e tentei ler uma edição de trê meses da Cosmo que estava largada em cima da mesa de centro. Brandon estava certo, as chamadas eram muito mais intrigante do que mais uma matéria explicando que as mulheres tinham pontos G. Não passei do terceiro anúncio de perfume (nenhum dos quais, fiquei muito feliz em ver, vendia algo chamado "Ambição").
Levantei-me e fui até a janela, mas não havia sinal de Selena ou de um bando de silhuetas de capa. Meia hora depois, decidi acalmar meus nervos dando um bom passeio — até a High Street.

Agora, além de ser o lar do departamento de inglês e do auditório de história da arte, a High Street também é conhecida por hospedar o mausoléu da Rosa & Túmulo (esses "mausoléus" permeavam o campus, suas fachada imensas, com aparência de jazigos, escondendo interiores que supostamente pareciam mansões. Lembre-se, as pirâmides egípcias também eram mausoléus. Mas ninguém sabia se os das sociedades guardavam realmente... cadáveres). De acordo com os boatos, há um código intrincado para os membros, que podem dizer exatamente o que está acontecendo dentro do mausoléu
baseado na posição dos portões baixos de ferro batido que guardam a entrada. Eu não sabia qual era o código, mas presumi que descobriria. Em algum momento.

Passei pela entrada de duas residências universitárias e então, como era comum entre todos os estudantes, atravessei para o outro lado da rua, para não ser vista andando na frente do mausoléu da Rosa & Túmulo. Era uma regra não-verbalizada no campus — o equivalente universitário a se recusar a passar em frente a uma casa mal-assombrada do nosso bairro de infância.
O mausoléu era feito de blocos de arenito e parecia, de algum modo, mais escuro do que os prédios de pedra e ardósia ao redor. Uma cerca circundava um jardim maltratado, salpicado de pedaços com grama e alguns pequenos narcisos nascidos fora de época. Estranho que os Coveiros não cuidassem do paisagismo, ainda que isso pudesse dar um ar mais imponete à propriedade. O poste de luz mais próximo do mausoléu estava eternamente quebrado, significando que este ficava num poço de escuridão e sombras longas e sinistras. Se eu fosse boba, acharia que eles faziam de propósito.

Talvez eu fosse boba. Sentei-me no meio-fio e descansei o queixo nas mãos, olhando cuidadosamente para o prédio. O portão estava semi-aberto. O que isso significava? Alguém estava lá dentro? Alguém não estava? Alguém estava espreitando nas sombras, esperando para me atacar no segundo em que eu me aproximasse? Olhei para os dois lados da rua, mas estavam desertos. O medo irritante no fundo da minha mente surgiu para judiar de mim.

Não foi a Rosa & Túmulo que a carregou para o banheiro. Foi um trote e você caiu de cabeça e capa com capuz. Demi, sua idiota, você vai ser a piada de Eli amanhã.

Por que eles não tinham me levado com eles? Haviam me convocado, certo? Eu era um membro agora, certo? Então, se eu quisesse ir até aquele portão, se quisesse passar direto por ele, bater na porta e exigir saber o que diabos estavam fazendo, era um direito meu. Certo?
E, se você não for um membro, eles a levarão para a masmorra.

Levantei-me, fechei os punhos ao lado do corpo e marchei para o outro lado da rua, totalmente determinada durante o total de dez passos. Assim que cheguei ao portão, minha resolução vacilou e eu parei para verificar de novo. Ainda não tinha ninguém vindo.
Prendi a respiração e botei a mão no portão. Nada. Ninguém veio me prender ou gritar comigo ou ameaçar erradicar minha existência do planeta por ousar me infiltrar nos domínios da sociedade sem permissão. Dei um passo para dentro. Depois, dois. Em algum momento por volta do sexto passo, o portão fechou com uma batida atrás de mim. Eu gritei, pulei meio metro no ar e corri de volta para a cerca. O portão não abria. Remexi nas linguetas mas, se havia um mecanismo de abrir, meus dedos não o estavam encontrando e eu não conseguia ver nada no escuro. Ah, droga. Eu era membro há apenas cinquenta minutos e já havia quebrado a cerca e avacalhado o código secreto.
E invadido a propriedade. Não se esqueça como você invadiu a propriedade. Eles vão pegá-la. Corra! Corra, antes que alguém a pegue.

A voz ganhou e eu pulei o portão, prendendo a barra da minha calça favorita em um dos espigões que saíam de cima. Por vários segundos, agi como uma jogadora de amarelinha doida depois de fumar crack enquanto tentava libertar minha perna da armadilha de ferro fundido. Aí, vi um grupo de três alunos saindo da faculdade Calvin e dirigindo-se para o Old Campus. Parei de pular. Talvez eles não me vissem se eu ficasse completamente imóvel. Ei, funcionou para aquelas pessoas no Parque dos dinossauros. Felizmente, o estudante universitário mediano tem a sagacidade de orientação de um pufe de bolinhas de isopor. Eles nem olham para os dois lados antes de atravessar a rua.

Portanto não olharam para a garota na High Street que estava presa ao portão da Rosa & Túmulo. Rasguei a bainha da calça para soltá-la e então, com o jeans rasgado batendo no cimento atrás de mim, saí correndo para longe do mausoléu num ritmo que teria me garantido tranquilamente um lugar na equipe de atletismo de Eli.

Só diminuí o ritmo para uma corrida normal até estar de volta ao jardim do meu alojamento universitário. A universidade Eli, mais ou menos como a Hogwarts do Harry Potter, é organizada de acordo com o sistema residencial dos colégios internos britânicos. Não usamos um chapéu mágico ou nada parecido mas, quando você se matrícula, é designado para uma das doze "universidades" residenciais, o que determina onde você mora, em que refeitório você come, para quem torce nos campeonatos esportivos internos e que reitor tem o privilégio de cortar sua cabeça quando você faz alguma bobagem. Cada uma dessas doze universidades vem com um suprimento de professores residentes assim como com seu próprio reitor, uma espécie de "diretor" docente que serve como conselheiro acadêmico e disciplinador residente, e um supervisor universitário, que observa nossas atividades sociais e organizações universitárias específicas. Se você não conseguisse entregar um trabalho a tempo, ia até o reitor para pedir ajuda. Se precisasse de fundos para organizar um concurso de culinária na Universidade Prescott, a pessoa certa era o supervisor (ou supervisora).

A pior punição que você pode receber em Eli além da expulsão chama-se "vida rústica " — o que significa que, após um divertido período de suspensão, você é recebido de volta no seio de Eli, mas privado de sua identidade universitária. Daquele ponto em diante, o indivíduo suspenso não pode morar no campus (todas as habitações são baseadas nas designacões da universidade) e não tem um supervisor universitário ou um reitor a quem recorrer em períodos difíceis. Você está só marcando tempo e créditos de aulas até o diploma. Foi batizado em homenagem a um tipo de banimento popular durante o Império Romano, o que diz bastante acerca da auto-imagem inflada dessas escolas. A identidade universitária é fundamental, mesmo para pessoas com afiliações muito mais poderosas — como a Rosa & Túmulo. Se algum dia você encontrar outro aluno de Eli, a primeira pergunta que ele vai fazer é "Em que universidade você estava?"

Eu era membro da Prescott, que fora batizada em homenagem a um dos fundadores da escola. Outras universidades eram batizadas em homenagem a cidades de Connecticut (a Hartford, onde Glenda morava) e figuras históricas, cientistas e líderes religiosos famosos (como a Calvin, em homenagem a Calvino, ao lado do mausoléu da Rosa & Túmulo). Apesar de hoje em dia a designação da sua faculdade ser geralmente aleatória (mas você pode escolher ficar na mesma em que seus irmãos ou seus pais ficaram), antigamente cada uma delas tinha uma personalidade específica baseada em seus membros — mais ou menos como as sociedades secretas.

A Prescott já foi conhecida como a universidade do "legado" — é onde o presidente morou enquanto esteve em Eli, assim como seu pai antes dele. Ainda tem muito dinheiro em um fundo, ganho por meio de doações de ex-alunos, e quartos bem grandes. Então, eu dei sorte nessa, já que não sou nem legado de ninguém nem rica como Donald Trump.
Olhei para a janela da minha suíte; ainda estava às escuras, o que significava que Selena ainda não voltara para casa. Pensei em ir procurar alguns dos meus outros amigos, mas sabia que nenhuma conversa ia durar dez minutos antes que eu soltasse: "Uma sociedade secreta convocaria alguém e depois desapareceria? Hipoteticamente, é claro."
Ah, eu era ridícula. Depois de um exame minucioso do pátio (durante o qual me deparei com uma poça de vômito, uma pilha de livros não-identificados e uma amiga do terceiro ano dando uns amassos com um cara que definitivamente não era seu namorado — mas sem nenhum sinal de figuras encapuzadas), encaminhei-me de volta ao meu quarto, totalmente derrotada e mais do que um pouco chateada por ter rasgado o meu jeans. De acordo com todas as lendas que já ouvi, a Noite de Convocação não era para ser assim. Que decepção. Vesti meu pijama e andei até o banheiro para escovar os dentes. Passar o fio dental, felizmente, me deu a oportunidade de me observar longamente no espelho. Eu não parecia um membro de uma das mais famosas sociedades secretas nos Estados Unidos. Eu não parecia alguém que podia alegar irmandade com o chefe da CIA, o presidente dos Estados Unidos ou o novo diretor-executivo da Fox.
— Arrmita — gargarejei para o meu reflexo com o fio dental entre os dentes. —- Vorrê caiu nuha egadinha.
_________________

Eu tinha toda a intenção de estar fora da suíte antes de ver Selena e ser obrigada a lhe contar tudo sobre o que não havia acontecido comigo na noite anterior.
Até me vestira de acordo, com um jeans escuro missão secreta (não os que eu havia rasgado) e meu moletom de capuz com o brasão da Universidade Eli detonado.

O que eu não previ foi que ela estaria me esperando no refeitório, tendo descolado um lugar bem ao lado do bufê de cereais. Esse é o problema com as melhores amigas. Elas sabem exatamente que tipo de café-da-manhã você vai escolher. Se eu estivesse a fim de um pãozinho em vez de uma tigela de sucrilhos, ela nunca teria me achado.
— Bela roupa — ela murmurou por cima da xícara de café. — Está bem de acordo.
Joguei um pouco de leite desnatado dentro da minha tigela e me esparramei na cadeira à sua frente.
— O que você quer dizer com isso? Ela apontou a colher para a minha roupa
— Cores escuras, capuzes misteriosos... é muito sutil — ela sorriu maliciosamente.
— Eu já usei esse moletom centenas de vezes.
— Nunca quando estava realmente em uma sociedade secreta. — Selena estava vestida com uma blusa rosa-claro e um par de calças cáqui e parecia tão misteriosa quanto um piquenique de igreja.
Tudo bem, talvez eu não parecesse discreta, mas com certeza podia interpretar o papel.
— O que a faz pensar que eu estou numa sociedade secreta? — perguntei, dando uma colherada no meu cereal.
— A dúzia de figuras encapuzadas que a carregaram fisicamente para fora da nossa suíte na noite passada.
Aha! Respirei fundo.
— Como sabe que eles eram de uma sociedade secreta? Ela me lançou um olhar que dizia: eu tenho uma média de 9,7 e você sabe disso.
 Mas, de repente, eu queria muito saber o que ela pensava sobre o assunto.
— Sério, Sely, como você sabe? Como é que qualquer de nós sabe que não era um bando de garotos de capuz passando um trote?
— Acho que o papel timbrado da Rosa & Túmulo é uma boa pista.
— Você olhou o envelope.
— É bem difícil não ver, Demi. Florzínha, caixão enorme? — ela me olhou cuidadosamente. — Você vai se levantar e sair da sala agora? — Para todo efeito, membros de sociedades secretas tinham que deixar o aposento se qualquer um mencionasse o nome de sua organização. Supostamente era para protegê-los de entrar em uma discussão a respeito da sociedade, mas sempre me pareceu uma injustiça. 

Digamos que você estivesse em uma festa maneiríssima e uma garota quisesse que você caísse fora para ela poder dar em cima do seu cara. Só o que ela precisava fazer era começar a listar as sociedades até chegar à sua. Acho que é nesse tipo de coisa que você tem que pensar quando entra em uma.
— Depende — falei, descansando minha colher. — Cabeça de Dragão. Livro & Chave. Serpente. Você vai a algum lugar?
Selena não disse nada. Ficamos sentadas ali, olhando uma para a outra. Ou ela não estava seguindo a regra, ou eu não havia mencionado sua sociedade ou ela estava tão insegura quanto eu sobre o que estava acontecendo.
Tentei virar o jogo.
— Voltei para o quarto menos de cinco minuto depois que saí e você não estava mais lá. E não voltou pelo resto da noite. Foi convocada por alguém depois que eu saí?
— Sabe que eu não posso lhe dizer isso.
— Não, não sei! — percebi que minha voz elevada havia atraído a atenção de algumas pessoas das mesas próximas e inclinei-me para a frente para falar com ela com mais privacidade. Por sorte, os refeitórios ficam mais vazios durante o café-da-manhã —principalmente às sextas-feiras.
— Não sei nada sobre como isso funciona. Não sei nem se aqueles caras com aquelas capas estavam falando sério ontem à norte. Até onde eu sei, não fui convocada por ninguém. Coveiros ou não.

Ao ouvir a palavra "Coveiros", Selena se retraiu. Um pensamento horrível me ocorreu então. Talvez Selena tivesse sido convocada pela Rosa & Túmulo — a verdadeira Rosa & Túmulo — e o motivo de não estar falando era que me contar que a minha experiência fora um trote significaria revelar exatamente como ela sabia disso. Afinal de contas, ela não reagira a nenhum dos nomes de sociedades que eu mencionara antes, mas eu não falara dos Coveiros. Ainda assim, ela falara, o que provavelmente não faria se tivesse sido convocada... minha cabeça começou a doer.

Eu sou paranóica ou o quê? Se eu não tivesse sido convocada, eles com certeza tinham perdido uma candidata da melhor qualidade. Inteligente, sexy e neurótica o suficiente para deixar orgulhosa qualquer organização clandestina. Selena se recostou e tomou outro gole de café.
— É verdade que houve trotes no passado. Você acha que foi o que aconteceu com você? Eu encolhi os ombros.
— Como é que eu vou saber? Se foi um trote, não foi muito alto na escala da humilhação. Acho que eles tentariam pelo menos fazer algum tipo de iniciação de mentira.
Ela assentiu pensativamente.
— Então, o que fizeram?
Abri a boca para lhe contar, mas aí fechei-a novamente. Por que eu deveria contar qualquer coisa para Selena se ela não estava disposta a ser recíproca? Além disso, o que eu podia dizer e o que não podia? Na chance improvável de que todo esse fiasco tivesse sido para valer, em que tipo de encrenca eu me meteria se relatasse a experiência? Havia opções demais para considerar.

POSSIBILIDADES


a) Eu havia sido convocada pela Rosa & Túmulo e portanto não devia contar nada a ninguém.
b) Ou eu fora convocada ou fora enganada, e contar à Selena significava que podia descobrir qual dos dois havia sido.
c) Eu fora vítima de uma pegadinha e Selena era membro da Rosa & Túmulo e estava apenas brincando comigo.
d) Nenhuma das anteriores.

Pena que era Selena quem havia passado o semestre resolvendo problemas de lógica para se preparar para os exames de admissão na Escola de Direito, para onde só se vai depois de ter cursado uma faculdade. Eca. Como se eu já não estivesse sob pressão suficiente. Por que uma garota não podia simplesmente terminar Guerra e paz, arrebentar nas provas finais, editar um numero sensacional de formatura da revista literária, preparar-se para um verão em Manhattan e curtir um relacionamento sem compromisso com um garoto bonitinho, ainda que ligeiramente CDF, que gostava de lhe pagar comida tailandesa? Será que era pedir muito?

Na verdade, olhando para a coisa dessa maneira, era. Era coisa à beça. E agora eu podia ter ou não que acrescentar "entrar para uma famosa irmandade clandestina" à lista.
— Sei lá — disse eu. — Não parece nada com as coisas que acontecem nos filmes, com certeza.
— Nenhum sangue de porco ou sacrifício de virgens?
— Onde eles encontrariam uma virgem por aqui?
Selena cuspiu seu café. Depois de se recompor, colocou a xícara de volta na bandeja e olhou para mim.
— Sabe, se você realmente acha que é um trote, sugiro que faça uma pesquisa.
— Que tipo de pesquisa? — Eu realmente esperava que ela não estivesse prestes a propor outra excursão ao mausoléu da Rosa & Túmulo. Eu ainda estava assustada com a noite passada e não podia me dar o luxo de perder outro jeans.
— Na biblioteca. Eles têm muitas informações sobre sociedades secretas.
— Sério? — levantei as sobrancelhas. — Mas, e a parte "secreta"?
— Uma evolução surpreendentemente recente — ela se inclinou para a frente. — Eles costumavam publicar a lista dos convocados pela Rosa & Túmulo todo ano no New York Times.
— Isso não pode ser verdade.
— Mas é. Os membros colocavam nos seus currículos. Eram muito abertos a respeito. Meio em desacordo com todo o negócio de "sair do local", não é?—ela fez uma pausa e olhou para seu prato. — Mas isso não torna tudo menos válido.

Seu subtexto era claro: ela não ia me contar nada sobre sua sociedade. E me magoou mais do que eu esperava. Selena e eu sempre havíamos dividido tudo. Morávamos juntas há três anos. Eu fora visitá-la em Londres no verão passado. Alugáramos aquele quarto na casa de praia em Myrtle Beach na primavera do segundo ano. Ela sabia que eu andava tentando escrever romances, eu sabia que tinha tido um caso com o professor assistente de ciência política do segundo ano. Tirando todo o fator ele-é-seu-professor-eca, não era tão questionável quanto parece. Ele só tinha 24 anos. Está bem, você tem razão, é questionável, mas não sou eu quem vai julgar — lembra-se do Ben Alguma Coisa?

Quando voltei para nossa casa de praia na manhã seguinte, igualmente mortificada e apavorada — como eu podia ter dormido com alguém que não conhecia? O que havia comigo? — Selena nunca me passou um sermão, só me encorajou a me lembrar o máximo que podia sobre o incidente (como, por exemplo, de ter usado camisinha, graças a Deus!) e, pelo resto da semana, ficou alegremente em casa sem sair para a balada, jogando palavras cruzadas sóbria e livre de garotos comigo na praia. Ela era minha melhor amiga. Mas isso estava mostrando ser maior do que uma transa mal pensada de uma noite só. Podia até mesmo ser maior do que a nossa amizade. Selena olhou para seu relógio e gemeu.
— Tenho que ir para o laboratório (todos os cursos de ciência, até os piores, desenvolvidos para estudantes de história como Selena, que não sabem a diferença entre ligação covalente e um chip de computador, estão localizados do outro lado do campus. Eli sabe quais são suas prioridades ou o quê?). Se você for à biblioteca, pode devolver dois livros para mim? Estão em cima da minha cama.

Assenti e Selena saiu, deixando-me sozinha com meus sucrilhos e um apetite que diminuía rapidamente. Eu queria realmente passar minha manhã peneirando pilhas de documentos, só para descobrir que toda a minha experiência na Noite de Convocação fora um trote?
Evidentemente, eu adoro sofrer. No caminho para a Biblioteca Memorial Dwight, passei pela suíte para pegar os livros da Selena, uns volumes velhos sobre história com títulos que eu mal conseguia ler nas capas que se desintegravam. Havia um pedaço de papel saindo do meio das páginas de um deles, coberto com a caligrafia cuidadosa e retinha de Selena.
Ela esquecera suas anotações.
Mas, quando puxei o papel para fora, pude ver que era uma impressão do catálogo online, coberto de marcações e anotações. Eu estava prestes a largá-lo em cima da mesa quando um dos títulos chamou minha atenção:

Kellogg, H. L. Sociedades secretas universitárias: seus costumes, natureza e os esforços para sua supressão. Chicago: Ezra A. Cook, 1874.

Não surpreende que Selena soubesse onde arrumar o furo.


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Oii ... ta começando a ficar legal ^^ tenham paciência =) tenho certeza que vocês vão amar!
E bem, aqueles que acham que o blog não mais a mesma coisa ... bom, eu também não sou mas a mesma de antes, as coisas mudam e temos de estar sempre prontos para mudanças, sinto muito!

Amanhã não sei se vou poder postar, mas logo logo tem a outra parte do cap 3, PROMETO!

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