08/11/2013

O Pai Perfeito ( MiniFic Capitulo 9)




CAPÍTULO 9

Duas semanas mais tarde, Demi ainda pensava no estranho encontro com Joseph. Ele permanecera estranhamente calado depois de ela ter reforçado que não queria interferência em sua vida e limitara-se a terminar o passeio pelo parque sem dizer mais nada. Depois disso, ele a deixara na frente do prédio com um único beijo no rosto, mas que fora o bastante para fazê-la estremecer.
Quase involuntariamente, levou a mão ao rosto, sentindo ainda o calor daqueles lábios em sua pele.
O fato é que não parava de admirar-se. Ganhara muito peso nas últimas semanas, além do esperado. Apesar de todos dizerem que a gravidez trazia um viço glorioso à mulher, sua pele tinha mais acne do que no período da adolescência. Seu cabelo ficara mais grosso e mostrava-se cada dia mais desobediente.
Para seu próprio gosto, estava indigna de ser olhada. No entanto, com aquele simples beijo, Joseph a fizera sentir-se linda, como se a gravidez não tivesse tido nenhum efeito sobre sua beleza.
Ela teve que admitir que Joe não se portava como os homens que ela conhecera, que se guiavam pela beleza exterior de uma mulher. Ao contrário, ele parecia ignorar todas as alterações que a aborreciam tanto.
Quando alguém bateu à porta, ela soube outra vez, sem precisar olhar pelo olho-mágico, quem estava parado no corredor. Dessa vez, quando abriu a porta para Joseph, ele ainda estava de terno, mas trazia igualmente dois sacos de supermercado cheios, além de uma sacola e uma caixa de couro de forma estranha.
— Imaginei que já estivesse sem comida a essas alturas — ele a saudou.
Demi apoiou a mão no batente da porta para dificultar-lhe a entrada.
— Ora, mas como eu poderia ficar sem comida se recebi uma fazenda inteira na semana passada?
Que estranho, o entregador disse que não sabia quem havia mandado... Depois foi uma cesta de frutas anônima que apareceu na minha porta há poucos dias. Sem falar do peixe defumado que veio Deus sabe de onde.
— A propósito, gostou do salmão defumado? — Joseph perguntou com um sorriso.
Ela tentou ignorar o quanto aquele rosto tornou-se encantador com aquela simples mudança. Francamente, Joseph Jonas abusava do direito de ser atraente.
— Dei-o a Sel e Dave — ela confessou. — Aquele livro de nutrição que você me forçou a ler diz que devo evitar comidas defumadas.
— Não acredito! Você está lendo o livro? — O rosto de Joseph iluminou-se, para, a seguir, retomar a seriedade. — Bem, não importa. Hoje trouxe filés de espadarte, completamente frescos.
Ele fitou Demi e em seguida olhou intencionalmente para a mão atravessada à sua frente. Ela, no entanto, permaneceu impassível. Estava determinada a não se deixar sobrepujar pelo espírito dominador de Joe.
— Hã... ouça — ela começou, tentando mostrar-se tranqüila. — Sei o que está tentando fazer, Joseph. Não estou disposta...
— E o que é que estou tentando fazer? — ele a interrompeu.
Ela piscou, confundindo-se com a genuína perplexidade dele.
— Você está tentando novamente insinuar-se em minha vida. Na minha e de meu bebê. Isso não vai dar certo. Já falamos a esse respeito um milhão de vezes. A minha vida e a de meu bebê não lhe dizem respeito.
— Ora, Demetria, você está exagerando. Quantas vezes fiz jantar para você? Uma. Levei você para caminhar uma vez, também. Comprei algumas frutas e verduras. Grande coisa. Apenas isso significa que estou me insinuando?
Colocada dessa forma, sua postura realmente parecia um tanto paranóica, ela admitiu. Contudo, por outro lado, havia nele um interesse maior, além de preparar uma refeição saudável para alguém. Por que então ele não estava molestando outras mulheres, como aquela tal de Gwen, por exemplo? Na certa, ela adoraria comer couve-flor cozida no vapor. Então, Demi pensou, por que ele estaria pegando justo no seu pé?
Ela voltou a tentar dissuadi-lo:
— Escute, não acho que isso seja uma boa idéia...
— Pelo menos deixe que eu entre para colocar isto na cozinha. Meus braços estão cansados.
Demi baixou a mão para passá-la pelo cabelo. Foi quando Joseph aproveitou para passar por ela e entrar. Ela fez menção de reclamar, mas só conseguiu fechar a porta, balançando a cabeça. Quando deu por si, ele já estava na cozinha esvaziando os sacos de papel.
— Hoje eu vou pegar leve — ele assegurou jogando uma batata para o ar com uma mão e aparando-a facilmente com a outra. — Não trouxe nenhuma verdura.
Ela bem que tentou, mas não conseguiu deixar de sorrir. Ele estava magnífico no meio de sua cozinha.
— Obrigada. É muita gentileza de sua parte.
Joseph retribuiu o sorriso, pensando que Demi tornava-se mais bonita a cada dia que a via. Nessa noite, o cabelo loiro estava adoravelmente alvoroçado. O nariz reto apresentava um tom rosado de sol. Ela usava um tipo de macacão curto amarrado nos ombros e, nos pés, aquelas meinhas brancas de algodão que ele considerava tão inexplicavelmente eróticas.
— Então, qual vai ser a tortura de hoje? — ela perguntou, aproximando-se do balcão. 
— Nabo, chuchu ou abóbora?
Ele balançou a cabeça.
— Algo melhor do que tudo isso junto.
— Uau! Não consigo imaginar algo tão grandioso! — ela exclamou, fingindo estremecer.
— A rainha dos vegetais: a berinjela!
Demi revirou os olhos e perguntou a Deus o que havia feito de errado para merecer tal tratamento.
Depois do jantar, a conversa superficial transformou-se aos poucos em uma série de silêncios desconfortáveis. Demi voltou a imaginar por que Joseph invadira sua casa. Ele estava sentado em um canto do sofá, segurando uma taça de vinho quase vazia, para a qual olhava fixamente. Ela acomodara-se no outro canto, agarrada a um copo com club soda. O silêncio pesava, e ela não conseguia identificar o que estaria acontecendo entre ambos.
Sentindo-se inquieta, moveu os olhos pela sala até fixar-se na sacola e na caixa de forma estranha que Joe levara. Foi quando a curiosidade falou mais alto:
— Então o que mais você trouxe para me torturar esta noite? — ela perguntou, tentando mostrar-se descontraída.
— Como? — A pergunta obviamente o trouxera de volta de profundas elucubrações.
Ela apontou para os dois objetos no outro lado da sala.
— Considerando o que você está me fazendo comer e caminhar, imagino que seja algo mais para me enlouquecer. Ele sorriu ao perceber do que se tratava.
— Quase ia me esquecendo.
Depositou o vinho sobre a mesa lateral e foi buscar a sacola e a caixa coberta de couro, para então voltar a sentar-se ao lado de Demi, desta vez mais próximo.
— Na verdade — ele explicou —, são coisas para o bebê. Demi arregalou os olhos, surpresa.
— Para a minha filhinha? Mas ela ainda nem nasceu.
— Isso é algo que ele pode usar mesmo antes de nascer. Na verdade, é algo para o desenvolvimento dele enquanto ele ainda estiver no seu útero.
Ela o olhou desconfiada.
— E não é para isso que estou comendo uma horta por dia?
— Não estou falando no desenvolvimento físico. Isso — ele retirou vários CDs de dentro da sacola — é para seu desenvolvimento espiritual e artístico.
Demi estreitou ainda mais os olhos.
— Desenvolvimento espiritual e artístico...
Ele acenou com a cabeça, depositando os CDs sobre a mesa de centro.
— Jazz — ele anunciou. — Quero que me prometa que vai tocar pelo menos um CD por dia para ele ouvir. E que seja alto o suficiente para ele captar todas as nuances da música. Se der, sente-se bem perto das caixas de som para...
— Jazz — ela repetiu, interrompendo os grandes planos.
— O que mais é preciso? Ainda não quero sobrecarregá-lo com algo mais pesado — ele prosseguiu. — Portanto, vamos deixar Miles Davis e Thelonious Monk para mais tarde. No momento, vamos começar com o básico imprescindível como o Satchmo, claro, para depois evoluirmos para Dizzy Gillespie, Branford Marsalis...
— Jazz — ela voltou a dizer.
— Jazz, sim, qual é o problema? Você não quer que ele tenha inclinação para a música?
— Bem, naturalmente eu desejo que ela tenha inclinação para a música, mas estava pensando em algo mais...
— Mais o quê? — ele indagou, indignado.
Ela deu de ombros, embaraçada.
— Não sei, eu a estou visualizando como alguém voltada para o piano.
— Ótimo — ele concordou, satisfeito. — Na próxima vez, vou trazer Dave Brubeck e Earl Hines para ele ouvir. Demi torceu o nariz suavemente.
— Na verdade, estava pensando em Schumann ou Debussy. Jazz é tão...
— Tão o quê? — ele quis saber, na defensiva. Ela meneou novamente o ombro.
— Tão... tão popular.
Joseph franziu o cenho.
— Na verdade, você quer dizer comum, não é? Mas garanto que jazz ainda é melhor do que essa baboseira alternativa de que você gosta.
— Não é baboseira — ela corrigiu. — De jeito algum.
— Bem que tenho tentado ouvir essas rádios alternativas, mas meu estômago não agüenta.
Demi mal podia crer no que ouvira. Joseph Jonas, o maníaco por trabalho, o empresário perfeito, ouvindo esse tipo de música?
— Você andou escutando música alternativa? Ele confirmou, meneando a cabeça.
— Por quê?
— Eu queria saber a que tipo de música você está expondo o m... seu bebê. E não gostei nada das idéias que esses grupos propagam.
— Apesar de essas idéias serem em grande parte as minhas crenças — Demi asseverou — minha filhinha só vai escutar esse tipo de música depois dos treze anos. De qualquer forma, já falei mais do que uma vez que isso não é da sua conta.
Droga, ele só queria ter certeza de que o bebê de Demi, o seu bebê também, teria um bom início de vida.
— Está bem — ele concedeu finalmente. — Isso não é da minha conta. Mas para mim seria muito importante se você pudesse lhe dar uma educação musical decente. É só o que peço. Quem sabe você também não aprende um pouco sobre música de verdade?
Demi fez menção de protestar, mas surpreendeu-se concordando, para perguntar a seguir:
— E o que há dentro daquela caixa?
Joe sorriu com a pergunta.
— Eu, Hã... espero que você não se importe, mas gostaria de compartilhar um pouco do meu próprio estilo com o rapazinho.
Ele pegou a caixa e destravou-a, revelando um reluzente saxofone. Joseph retirou o instrumento da caixa com um cuidado infinito.
— Não o tocava há cerca de dez anos, até que outro dia me animei — ele explicou. — Não sei por que, mas outro dia resolvi localizá-lo. Levei dois dias procurando. Ainda estou um pouco enferrujado, mas acho que não perdi a forma. Aparentemente, a música nunca nos abandona. — Ele ergueu um dedo até a têmpora. — Fica tudo armazenado aqui. Acho que basta um bom motivo para tudo voltar à mente.
Ele manuseou o instrumento amorosamente, fazendo Demi lembrar-se daquela tarde. Quando ele umedeceu o bocal, ela sentiu-se estremecer.
— Posso? — ele pediu, gentilmente.
Por um instante alucinado, ela imaginou que ele estava pedindo para fazer amor com ela novamente.
Então percebeu que ele queria tocar uma música. Só pôde consentir silenciosamente.
Mas em vez de levar o instrumento até a boca, Joseph fitou-a intensamente. Por um longo momento ficaram assim, até ele baixar o saxofone e tocar os lábios de Demi com os dedos. Tudo o que ela conseguiu fazer foi fechar os olhos languidamente, repentinamente incapaz de qualquer outro movimento.
— Sabe, pelo modo com que você estava me olhando há alguns segundos, poderia jurar que estava esperando que eu...
Quando ela abriu os olhos, percebeu que ele estava mais próximo.
— Que eu estava esperando...? — ela sussurrou.
Os olhos verdes emanavam uma energia quase palpável. 
— Pensei que você quisesse que eu... fizesse amor com você novamente.
Demi só teve força para enrubescer.
— Por que você haveria de querer fazer amor comigo? — ela sussurrou. — Estou um horror.
Ele arqueou as sobrancelhas, admirado.
— Como pode dizer isso? Jamais conheci uma mulher mais bonita do que você.
Ela riu, ironicamente.
— Ah, claro. Estou redonda como uma baleia, meu rosto está cheio de espinhas, minhas olheiras parecem pneus porque não consigo dormir direito e meu sutiã mais parece um par de chapéus. Minhas pernas até parecem uma mapa fluvial e...
— E você está mais linda do que nunca — Joseph assegurou, sorrindo e segurando-a pelo queixo.
A segurança daquelas palavras fez Demi acreditar que ele estava dizendo o que sentia. Repentinamente, não tinha mais certeza alguma. Começou a se perguntar se era justo manter Joseph afastado de sua vida e da do bebê. De repente, nada mais fazia sentido porque só o que queria era ficar com ele. Para sempre, e que Deus a ajudasse. Queria ficar com Joseph para sempre.
Sentiu os olhos se encherem de lágrimas e amaldiçoou-se por não conseguir controlar suas emoções. Assim que uma lágrima rolou, Joseph já a enxugava com um dedo.
— Demi, você está chorando?
— Sei lá, droga! —. ela respondeu com outras lágrimas rolando pelo rosto. 
— Mulheres grávidas ficam muito emotivas. É um lance hormonal.
Joe devolveu o saxofone à caixa e estreitou-a em seus braços, sem dizer nada.
— Não sei o que está acontecendo comigo — ela resmungou, fungando. 
— De uma hora para outra parece que nada está funcionando como deveria.
— E de que forma deveria estar funcionando? 
Ela tentou explicar entre soluços:
— Depois que engravidei, imaginei que tudo seguiria seu curso normal. Supostamente deveria trabalhar normalmente todos os dias, voltar para casa, fazer as coisas que sempre fiz e sentir-me como sempre me senti.
Ela fungou novamente e um lenço branco de linho materializou-se à sua frente.
— Obrigada — ela disse, enquanto secava o nariz.
—E outra coisa também mudou, e você sabe disso.
— O quê, exatamente?
— Você, Joseph. Você também mudou.
Ela sentiu que os braços se apertaram ao seu redor.
— Em que sentido? — ele quis saber.
— Depois que nós... você sabe... você deveria voltar a ser o Sr Jonas, o cara que trabalhava no outro lado da rua e que viria ao restaurante para jantar, o cara com quem eu gostava de conversar. Nada deveria mudar, mesmo depois de eu ficar grávida.
Ele hesitou por um instante antes de dizer:
— Mas as coisas mudaram — era mais uma declaração do que uma pergunta, como se para ele também algo tivesse mudado, ela notou.
— Tudo mudou — ela desabafou. — Tudo agora está diferente. Desde que engravidei, não vejo mais o mundo da mesma forma. Ouço música de forma diferente. Leio livros de forma diferente. Vejo TV e filmes com outros olhos.
Tudo o que falo ou faço tem um novo significado por causa do bebê. Está tudo diferente. — Ela enxugou outra lágrima e suspirou. 
— Não era bem isso o que eu esperava.
Ela fungou e as lágrimas vieram mais livres. Joe a embalava gentilmente, mas continuou calado.
— E há outro detalhe — ela prosseguiu. — Eu não costumava ter medo. Nada me assustava, nada. Agora vivo com medo de tudo. Temo que o bebê não seja sadio, que eu não sobreviva ao parto, que eu não seja uma boa mãe e morro de medo de ficar sozinha. 
- Odeio isso, Joseph.
Mas não consigo evitar. E quando...
Ela parou de falar bruscamente ao perceber o quanto de si revelara nos últimos minutos. Sentia vontade de fitar Joe, mas temia revelar através de seus olhos o seu tumulto interior. Queria perguntar o que ele sentia por ela, mas temia ouvir a resposta, porque receava que ele só estivesse preocupado com o bebê.
Demi não conseguia mais pensar de outra forma: o bebê era dela e de Joseph, também.
O choro tornou-se ainda mais convulsivo ao perceber isso. Depois de alguns instantes, tentou secar os olhos e afastou-se, mas sentiu-se imediatamente desamparada.
Joseph notou imediatamente o retraimento e afastou as mãos.
— Você quer que eu vá embora? — ele indagou gentilmente.
Ela o fitou já despreocupada com sua aparência miserável e entendeu que deveria ser honesta.
— Não — ela respondeu suavemente. — Não quero que você vá embora. Quero que fique. Não me deixe só, Joseph. Não esta noite. — Ela afagou-lhe o rosto e acrescentou com um sussurro: 
— Nem nunca.



16 comentários:

  1. Capitulo Perfeito
    Tomara que o joe tenha escutado ela falar nem nunca
    Poste logo!! Bjs

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    1. Obrigada! Vamos saber então, postarei o 10

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  2. O que dizer deste capítulo?? Perfeição!!Amei!
    Tomara que agora eles se entendam e fiquem juntos!!!Por favor posta logo!!
    Bju!

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    1. Sim tomara, eles são lindos juntos.. postarei agora!

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  3. O meu deus...demi e joe parece
    Que vão se acertar...tá tão linda essa fic,esses dois se amam...joe vai ficar junto com a demi que fofo *-*
    Só faltam dormir abraçadinhos...
    Posta logooo
    Ansiosa para mais
    Beijos lindas

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    1. ainda falta um pouco pra eles se entenderem alê.. mas o proximo tem um momento bem fofo!

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  4. ALELUIA!
    Eles devem parar com essa teimosia e ficar juntos de uma vez.
    Fico feliz que a Demi finalmente tenha cedido, ainda estou torcendo por um beijo decente kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk! Esta perfeito :)
    Posta logo D-I-V-A'

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    1. Sim vai ter um beijo decente em breve! kkkkkkkkkkkkk

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  5. Perfeito!!!!!
    posta logo.

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  6. Ele tem que ter ouvido "nem nunca" que fofo!
    Posta logo outro tá muito lindo.

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    1. Será que ele ouviu?

      vou postar o 10 agora ;)

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Sem comentários ........... sem capítulos!