10/11/2013

O Pai Perfeito (Minific Cap 11)




CAPÍTULO 11


Demetria tentava afastar os olhos do relógio de pulso, mas era impossível. Uma e dezenove. Por onde andaria Joseph? Estava parada na porta do Cosmos, olhando para a portaria do prédio à sua frente e tendo quase por certo que ele não apareceria para o almoço.
Seu estômago roncou, lembrando-a de que ainda não havia comido. Então, voltou para o restaurante e decidiu almoçar o de sempre: uma porção de salada completa e a sopa do dia, com os cumprimentos do chefe, sentada sozinha na área reservada aos empregados. Ao passar pelo bar, um de seus colegas chamou seu nome e acenou com uma folha de papel. Joseph a tomou, já sabendo o que iria ler.
"Para Demetria, 1:15. Joseph ligou. Não poderá almoçar. Liga mais tarde."
Essa era a mensagem, breve e seca. Nenhuma explicação, nenhum pedido de desculpas. Nenhuma surpresa, afinal. Ele só fizera confirmar o que sempre pensava de Joseph: o trabalho sempre viria em primeiro lugar.
Demetria suspirou, amassou o papel e jogou-o na primeira lixeira que encontrou. Sentiu uma suave movimentação dentro de si.
— Sim, eu sei, meu benzinho — ela disse suavemente. — Papai nos deixou na mão.
A palavra soou estranha em seus lábios. Papai. Papai, para ela, era alguém que chegava a casa por volta das seis horas, pendurava o terno na sexta-feira e só voltava a vesti-lo na segunda. Alguém que levava os filhos aos treinos de beisebol, que às vezes ia conversar com os professores a respeito do desenvolvimento dos filhos.
Alguém como o pai dela, pensou, com saudade. E definitivamente alguém que não se parecia nada com Joseph Jonas.
— Talvez um dia encontremos alguém como o papai que tive. Alguém que tenha tempo para nós. O pai perfeito, você vai ver.
Ela sentiu outro toque suave dentro de si e acariciou o ventre avolumado.
— Vamos nos virar bem, sozinhas. Você e eu vamos arrasar.
Passaram-se quase duas semanas sem que Demetria tivesse se encontrado com Joseph e, naturalmente, enquanto estava sendo preparada para o ultra-som, a entrada dele na pequena sala escurecida pareceu-lhe totalmente descabida.
— E aqui a festa dos Lovato? — Ele perguntou, apontando a cabeça depois de bater suavemente a porta. — Uma das enfermeiras disse que eu poderia entrar.
Demetria e a operadora do ultra-som, uma senhora grisalha muito simpática chamada Fey, voltaram os olhos para ele simultaneamente, a primeira com o semblante franzido e a segunda com um grande sorriso.
— Deve ser o Sr Lovato — Fery observou, acenando para que Joe entrasse. — Entre, entre. E tão bom quando os pais participam desse momento.
— Ele não é o Sr Lovato — Demi protestou. Fey mostrou-se preocupada.
— Sinto muito, devem tê-lo mandado para a sala errada. Você não é o pai da criança?
— Sim, eu sou o pai da criança — Joe assegurou enquanto fechava a porta atrás de si. — Não é verdade, Demetria?
Fey voltou-se para Demi, aguardando uma confirmação.
— Ele é o pai da criança — ela disse, com um ar de resignação, para então apresentar os dois sem muito entusiasmo. — Fey, Joseph Jonas. Joe, Fey.
A outra mulher sorriu aliviada.
— Então, vamos começar. Você chegou bem na hora.
— Bem na hora de dar a volta e sair — vociferou Demi, erguendo-se nos cotovelos. 
— Como sabia que eu estava aqui?
— Eu li o lembrete sobre a data do ultra-som grudado na porta de sua geladeira, na última vez que estive em sua casa. Eu queria acompanhá-la nesse exame, mas não tive chance de discutir isso com você. Por alguma razão, não tem atendido ao telefone, nem retornado os meus recados na secretária eletrônica. — Ele fitou-a com determinação e completou: — E não pretendo sair daqui.
— Sra. Lovato... — Fey tinha em uma das mãos algo parecido com um chuveirinho e, na outra, um pote com uma substância clara e gelatinosa. — Não podemos nos demorar. Mulheres com a bexiga cheia podem ficar muito temperamentais quando ficam esperando.
— E como você acha que estou me sentindo? — redargüiu Demetria, que estava a ponto de explodir. — E meu nome é SRTA. Lovato — ela acrescentou. — Não sou casada.
— Ah, percebo...
Demi procurou controlar-se, relaxando na maca e descendo o elástico de sua saia indiana para baixo da cintura e erguendo a túnica azulada para cima dos seios. Tentou ignorar o modo fascinado com que Joseph observava seu corpo exposto.
— Por que você não me ligou? — ele inquiriu enquanto Fey espalhava a substância gelatinosa sobre o ventre de Demi.
Ela percebeu que não adiantaria falar baixo.
— Porque você me deixou na mão. Lembra-se de que deveríamos ter almoçado juntos há duas semanas? Fiquei esperando vinte minutos só para saber que você ligou, quinze minutos após a hora marcada, para cancelar nosso encontro. Isso só fez reforçar algo que eu já sabia.
— E o que você já sabia, Demetria? — ele perguntou, com impaciência.
— Que você não tem tempo para mim, nem para o meu bebê.
— Como?
— É verdade. De outra forma você não teria saltado de minha cama, depois de fazer amor comigo, para encontrar-se com outra mulher.
— Vamos começar — disse Fey, tentando parecer descontraída o bastante para suavizar a atmosfera tensa do ambiente.
— Outra mulher? — Joseph ficou exasperado. — Está ficando louca? Gwen não é outra mulher. É somente uma cliente.
— Sim — escarneceu Demi. — Uma cliente muito importante.
— Ouça, Demi. — Demi brandiu o dedo como se ela fosse uma criança. 
— Você não tem o direito de...
— Ali está a cabecinha do bebê. — A voz de Fey era uma ilha de tranqüilidade em meio ao tumulto emocional provocado por Joe e Demi.
O casal voltou-se para o monitor. Imediatamente. Joe esqueceu-se do que estava por dizer porque a tela mostrava claramente o perfil da criança.
— Meu Deus... — ele sussurrou. — É ele?
— Este é o seu bebê, Sr Jonas — anunciou Fey.
— É o meu bebê — Demi protestou, com petulância. Mas ela, também, estava maravilhada em ver a criaturinha que se revirava em seu ventre havia semanas. Joe mal podia acreditar no que via, que aquela silhueta era seu filho. Encantou-se com os detalhes: a cabeça, o nariz, a boca. Podia ver tudo. E, enquanto estava observando, o bebê levou a mão à boca e pôs-se a sugar o polegar.
— Parece que o nenenzinho está acordado — observou Fey.
— Ele está mesmo sugando o dedo? — Joe perguntou. A técnica em ultra-som confirmou.
— Isso é muito comum nessa fase.
Ele passou os dedos nervosamente pelo cabelo e pelo rosto, ainda incapaz de entender completamente a magnitude do que estava presenciando. Sem se dar conta do que estava fazendo, sentou-se em uma cadeira ao lado dela e segurou sua mão. Somente quando ela pressionou os dedos contra os dele, Joe caiu em si. Ao olhá-la nos olhos, percebeu que ela estava chorando.
— Que coisa mais surpreendente, não é? — ela perguntou, fungando.
Ele acenou com a cabeça, incapaz de emitir um som que fosse.
— Vamos ver o que mais conseguimos saber a respeito dele — disse Fey movimentando o aparelho pelo ventre de Demetria.
Joe observava fascinado enquanto Fey mostrava os dois pezinhos que já apresentavam os dedinhos perfeitos. Então ela apontou para a coluna, que mais parecia um pequeno zíper, para então medir o tamanho da cabeça e do abdome. Até mesmo o lábio superior ficou evidenciado.
Fey então gravou os batimentos cardíacos, calculou o peso do feto e voltou-se sorridente para os dois.
— O bebê está indo muito bem — ela disse, à guisa de cumprimento. 
— Vocês querem que eu tente deter-minar o sexo da criança?
— Isso não será necessário — assegurou Joseph. — Nós já sabemos.
Fey sorriu com alguma indulgência.
— Verdade?
Os dois menearam a cabeça.
— É um menino — ele anunciou.
— É uma menina — ela tentou dizer acima da voz dele.
—Estou vendo...
Fey entregou as fotos do ultra-som para Joe, que pôs-se a examiná-las.
— Aqui estão algumas fotos dele... ou dela, para você ficar mostrando no escritório até ele, ou ela, nascer. Fey estendeu uma toalhinha para Demi limpar o ventre, mas ela a usou para assoar o nariz.
— Muito boa sorte aos dois — desejou Fey com um sorriso preocupado.
Ao passar por Demi, a caminho da porta, Fey parou e afagou o ombro dela.
— Sabe, apesar de tudo, algo me diz que vocês dois serão excelentes pais.
Então, saiu pela porta, deixando Demi e Joe a sós para gozarem de um momento de privacidade, de contentamento pelo que acabaram de compartilhar. Mas, no entanto, Demi sentia-se um tanto constrangida.
— O que ela quis dizer com isso? — perguntou a Joe quando a porta se fechou. Limpou o ventre e arrumou suas roupas, esforçando-se para sentar-se.
Ele estendeu a mão para ajudá-la e aproveitou para puxá-la para seus braços.
— Eu acho — ele disse, passando a mão pelo cabelo de Demi — que talvez Fey seja uma mulher muito sábia. Ela percebeu que, apesar de seu comportamento imaturo...
— Meu comportamento imaturo? — ela protestou. —... Eu significo muito para você. — Ele passou os dedos pelo rosto de Demi e acrescentou: — Assim como você significa muito para mim.
Ela soltou uma gargalhada ansiosa.
— Você está delirando.
Mas Joe abraçou-a ainda mais.
— Tenho sentido muita falta de você nestas duas semanas — ele confessou.
Ela parou de rir, mas não retribuiu o abraço.
— Então por que não veio me ver?
— Eu liguei para você, todos os dias. Mas você nunca retornou minhas ligações.
— Não é preciso fazer muita força para pegar o telefone e discar um número. Se realmente quisesse me ver, era só passar pelo restaurante.
— Tenho ficado na obra do Rei da Prússia nas duas últimas semanas. Nem tenho passado pelo escritório. Você não pode imaginar como o meu trabalho está se acumulando e, como conseqüência, como minha vida pessoal está sofrendo.
Por mais que tentasse desviar o olhar, Demi não conseguia ignorar aqueles braços ao seu redor, lembrando como foram inesquecíveis os momentos em que ficaram assim juntos, nus. Precisou esforçar-se para ficar zangada com ele.
— Em outras palavras — ela disse suavemente —, você tem estado ocupado demais para me ver.
Joseph mordeu o lábio, desejando poder convencê-la do contrário, mas as duas últimas semanas requereram o máximo de seu esforço. Mas não deixara de pensar nela um só instante.
— Não vai ser assim para sempre — ele tentou explicar. — Estou só passando por um período mais delicado. Em pouco tempo voltarei a ser dono de minha vida.
Ela finalmente conseguiu encará-lo.
— Eu não acredito que algum dia você vá ser dono de sua vida. Seu trabalho sempre virá em primeiro lugar, Joseph, mesmo antes de sua felicidade.
— Isso porque meu trabalho sempre foi minha felicidade. Até agora.
Demi suspirou. Se ao menos pudesse convencer-se de que ele um dia poderia agir de forma diferente...
— Dê-me uma chance, Demi — ele pediu. — Deixe-me participar de sua vida. Deixe que eu seja a pessoa com quem você poderá contar quando precisar de algo. Deixe que essa criança seja minha, também. Ele beijou-a na testa e afastou-se, fitando-a com intensidade. — Este bebê é meu também. O fato de eu ter assinado aquele contrato absurdo não pode mudar isso.
Algo no olhar de Joseph fez Demetria admitir que talvez ele não fosse como os outros homens, que ele merecia uma chance.
Ela suspirou, sentindo-se mais confusa do que nunca.
— Está bem — concedeu, finalmente. — Eu lhe darei uma chance. Não posso dar garantias, nem fazer promessas. Também não exigirei o mesmo de você. Só Deus sabe no que isso vai dar.
Joseph então sorriu e voltou a abraçá-la, beijando-lhe o rosto e afagando-lhe o ventre.
— Que tal se eu oferecer a você e ao companheirinho aí dentro aquele almoço que prometi há duas semanas? Ela tentou sorrir, ainda que seu coração não estivesse seguro do que significaria recomeçar tudo ao lado daquele homem tão ocupado.

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9 comentários:

  1. Meu coração, não sei por que.. Kkkkkkk ai meu Deus :) tem um olho na minha lagrima :') foi emocionante e fodidamente engraçado os dois discutindo na frente da senhora kkkkk a Demi é uma baixinha invocada. Estou sem palavras para descrever a perfeição dessa fanfic <3
    Beijos e posta logo'

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  2. Aaaaa que fofooo
    eles vão sair....espero que agora eles se resolvam..
    Curiosa para mais <3
    Posta logoo
    Beijos

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  3. *_* ai xonada xonada, nao comento mto mas esse cap foi mais q perfeito jemi ficarao finalmente juntos*_*

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  4. estou lacrimejando, não sei distinguir a melhor parte se foi a briga na frente da senhora ou a parte em que ela deu uma chance para ele, em uma eu rir e na outra chorei.
    ansiosa para o proximo como sempre fjdkd

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  5. OMG *-*
    Esse capitulo foi épico
    essa Demetria sei naum viu kkkk'
    Ameiii
    Posta logoooo
    Beijos!!!

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  6. aaaaaaaaaaaaa q lindo... Tem q dar tudo certo entre eles...
    Posta logo please aaaaaa ta lindo

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  7. Bom saber que ainda existem blogs como o de vcs que escrevem fics boas ;3 acredite hj é dificil encontrar fics assim . Ta pfttttt quando eles vao dizer finalmente que amam um ao outro?? Posta logoo

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  8. Simplesmente perfeito..
    Joe e Demi discutindo kkkkk mt fofo esse momento q ele segurou mao dela e ela chorou e tals mds perfeito..
    Perfeitos eles dois *-*
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    Xoxo

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  9. Que fofo!
    Está tudo muito perfeito *-* eles dois juntos são lindos e engraçados.
    Posta logo. Bjs!

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Sem comentários ........... sem capítulos!