02/11/2013

O Pai Perfeito (Mini Fic - Capítulo 7)





CAPÍTULO SETE


Nossa, você está ficando enorme!
Demi estava parada, de meia so­quete, calcinha e sutiã sobre a balança do banheiro, to­mando refrigerante. Selena e Miley entreolhavam-se, ba­lançando a cabeça, surpresas com o número que aparecia no mostrador.

— Não dá para acreditar quantos quilos você já ganhou — disse Miley. — Com quanto tempo você já está?
— Dezesseis semanas.
Miley novamente balançou a cabeça.
— Tem certeza?
— Lógico que sim. Estou acompanhando esta gravidez na ponta do lápis.
Miley tirou a lata de refrigerante da mão de Demi.
— Bem, é melhor você parar de tomar esse tipo de coisa. Está engordando rápido demais.
— E por causa do meu enjôo matinal — Demi tentou explicar ao descer da balança. — A única coisa que acalma meu estômago é hambúrguer com bacon e chocolate.
— Que tipo mais raro de enjôo matinal — zombou Miley.
— Vejam só que coisa estranha — comentou Selena. — Quando eu tinha enjôo matinal, a única coisa que me deixava bem era salada de batata. Isso e milk-shake de chocolate.
— Bem, pelo menos você estava ingerindo um pouco de cálcio — Miley resmungou.
— Ei, os refrigerantes têm algum tipo de teor nutritivo? — perguntou Demi, vestindo-se novamente.
Selena e Miley trocaram olhares duvidosos.
— Você não leu o livro sobre nutrição que lhe dei? — Selena indagou.
Demi balançou a cabeça.

— Toda vez que eu começo a ler algo sobre comida, tenho vontade de pôr para fora. Somente há poucos dias a náusea começou a ceder. E estou sempre tão exausta quando volto do trabalho que só o que consigo fazer é ler o jornal. Não tenho energia para fazer mais nada.
— Bem, leia aquele livro — recomendou a irmã. — Isso é muito importante. Por que não come uma banana no lugar de tomar essa coisa?
— Beba um grande copo de leite, para variar — acres­centou Miley.

Demi franziu o rosto para as duas e vestiu a calça de agasalho e o camisetão, duas das peças de seu guar­da-roupa que ainda lhe serviam.
— Tiranas — ela resmungou enquanto as outras duas saíam do banheiro.

Sua irmã e sua amiga ficaram espantadas com a no­tícia sobre a gravidez, quando Demi contara, há cerca de três meses. Ficaram admiradas em ver como ela levara seu plano adiante, com um sucesso tão imediato.
Demi tranquilizara a irmã, argumentando que ela fi­cara grávida por vontade própria, e não por acidente, como ocorrera com Selena. Com isso, pretendeu encerrar a discussão naquele ponto.
Além do mais, não iria enfrentar a gravidez sozinha. Selena e Miley estavam participando ativamente, assim como ela própria e Miley foram o suporte de Selena em sua gravidez.
No entanto, não conseguia dissociar de si a imagem de Joe.

Desde o dia em que fora lhe dar a grande notícia no escritório não tentara mais estabelecer um contato. Ele, da mesma forma, não dera mais sinal de vida. Demi sabia que era totalmente responsável por aquela situação, já que ela praticamente fechara qualquer porta entre ambos na última vez em que se viram no bar, mas ele bem que poderia demonstrar algum interesse em saber como ela estava indo.

Mas o que fazer? Ela sabia que ele era um homem muito ocupado, ainda mais agora com aquela cliente. O pensamento não a confortou em nada.

Demi amarrou o cordão da calça do agasalho e ficou olhando para o sobrinho de catorze meses sentado no meio da sala, sobre a colcha colorida, imaginando que carinha teria seu bebê com aquela idade.

Ainda mal podia acreditar que havia outra vida cre­scendo dentro de si. Embora já tivesse ganho peso bas­tante para precisar comprar uma nova calça para tra­balhar, quem não a conhecesse não poderia imaginar que estivesse grávida. Contudo, Demi percebia as mudanças em cada milímetro de seu corpo.

— Você nunca vai nos contar quem é o pai da criança? — inquiriu Sel, pegando o filho no colo para recolocar o sapatinho que ele conseguira tirar.
— Não é importante saber quem é o pai — Demi argumentou.
Sel buscou o olhar de Miley, que só fez erguer as mãos e arquear as sobrancelhas.
— E isso aí — reforçou Demi.
— Ele é um cara decente, com uma herança genética fantástica. É só isso o que importa.
Sel franziu o rosto.
— Oh, claro. Que tipo de cadeia genética terá um ho­mem que faz um filho em uma mulher e depois lhe dá as costas?
Demi enfrentou a irmã de queixo erguido.
— Eu o fiz prometer que não iria se intrometer em minha vida. Ele até assinou um contrato.
— Mas pelo menos ele merece saber que você e grávida — ponderou Miley.
Demi meneou a cabeça.
— Ele já sabe. Mas eu o fiz prometer que não iria mais tentar manter contato... Por favor, entendam: não há mais nada a ser dito a esse respeito.
Sel suspirou, mas seu olhar demonstrou uma certa simpatia por sua causa.
— Só prometa que vai me ligar se precisar de alguma coisa. Não banque a heroína, por favor —  Sel pediu.
— Você tem a mim também — Miley lembrou.
— Claro — Demi assegurou. — Com quem mais po­deria contar?
— Mas eu ainda acho que você precisa nos contar quem é o pai — Sel insistiu.
— E verdade. E mais do que justo — concordou Miley.
— Por quê? — Demi indagou. — Para vocês contra­tarem um par de capangas para quebrar as pernas dele? Sem chance.
— Demi... — Selena tentou novamente.
— Ele é um cara muito ocupado — Demi explicou rispidamente. —

Não quer uma mulher, e muito menos um filho, em sua vida, tanto quanto não quero um homem na minha. É uma pessoa fantástica, mas sua queda para a paternidade é nula.
Selena ainda tentou objetar, mas Demi interrompeu-a erguendo a mão:

— Acredite, Sel. Eu conheço os homens, trabalho com eles o tempo todo. Eles acabam que confessando seus segredos mais íntimos. Joe... — Ela mordeu o lábio ao perceber que lhes revelara o primeiro nome, e esperou que elas não tivessem percebido o deslize. — Ele... é um homem completamente voltado para sua carreira.
— Então por que ele abriu um espaço em sua agenda lotada para lhe fazer um filho? — Miley quis saber. Era uma pergunta que a própria Demi vinha se fazendo desde a tarde que passaram juntos, sem chegar a alguma conclusão plausível.
— Eu não sei — ela confessou. — Não sei, mesmo.
— Talvez... — tentou Miley — ele não se conheça tão bem quanto pensa que conhece.

Demi fitou Miley pensativamente, tentando adivinhar o que estava se passando pela cabeça da amiga. Embora fosse uma excelente companheira, havia muito dela que Demi e Selena desconheciam. Ela jamais se abria sobre suas experiências antes de ter conhecido Selena na escola de enfermagem. Mas Demi sentia que a sabedoria da amiga tinha muito a ver com aquele período que as irmãs desconheciam. Era às vezes assustador o poder que Miley tinha de penetrar na natureza humana, e ela sempre acertava ao identificar o motivo para determinados com­portamentos.

— Creio que ele tem uma autoconfiança acima da média — Demi prosseguiu — e está seguro de que uma mulher e um filho não cabem dentro de seus planos futuros.
— O que está perfeito para você, certo? — O tom de voz de Miley tinha um quê de cinismo.
— Afinal você não quer absolutamente nada com aquele homem.
Por algum motivo, Demi ficou na defensiva.
— É lógico que a situação está perfeita para mim. Não tenho espaço para ele em minha vida.
— Tudo bem, Demi, tudo bem — resmungou Miley, com um olhar indecifrável.
Em seu apartamento arrojadamente decorado, no dé­cimo quinto andar de um condomínio vertical no centro da Filadélfia, Joe sonhava. Com uma loira. Uma loira com olhos azuis e cílios enormes, com mãos macias, ro­sadas, delicadas e tentadoras pousadas sobre as suas. Ela sorria como jamais vira alguém sorrir. Ele quase suspirou em seu sonho, porque era um sorriso largo e franco, mostrando quatro dentes no total.

No mesmo instantes ele abriu os olhos e pôs-se a respirar aceleradamente. Um bebê. Deus, estivera sonhando com um bebê. Uma garotinha que era obviamente a mi­niatura absoluta da mulher que não encontrava havia, mais de quatro meses. Obviamente, Demi Lovato não passara esse tempo todo fora de seu pensamento, mas agora já estava invadindo seus sonhos. Não conseguia; imaginar o que causara essa fantasia noturna.

Tentou focalizar o mostrador do relógio de cabeceira. Três e meia. Ainda teria pelo menos mais duas horas de sono pela frente, pensou, tentando relaxar. Mas, antes que pudesse deitar de lado e acomodar a cabeça no travesseiro, o telefone tocou, fazendo-o sentar-se imediatamente.

Quem teria a coragem de ligar para ele àquela hora?, ele pensou, já apostando que seria um engano. Joe voltou a deitar-se, deixando o atendimento a cargo a secretária eletrônica. Escutou sua própria mensagem e,, depois de um breve sinal, uma voz feminina.

— Joe? Joe, você está em casa? Se estiver, por favor, atenda o telefone. Estou precisando de você.
Ele reconheceu a voz imediatamente e sentou-se, desli­gando o botão no mesmo tempo em que levantava o fone.
— Demi? - Sua voz ainda estava enrouquecida pelo sono. — O que foi? Algo errado?
Ela hesitou por um momento e então prosseguiu com a voz assustada:
— Você pode vir até aqui? Estou precisando de você, Agora. É uma emergência.

Ele passou os dedos nervosamente pelo cabelo, perce­bendo o medo de Demi. Então lembrou-se do estado dela.

— Você está bem? — Meu Deus, ele pensou, respirando fundo para manter a calma. — O bebê, Demi? Está tudo bem com ele?
— Eu não sei. Estou me sentindo tão... Oh, Joe você pode vir até aqui?
— Onde você está? Em casa?
— Sim. — Ela deixou escapar um soluço e pôs-se a chorar copiosamente.
Ele desejou naquele momento ter o poder de enfiar a mão pelo telefone para tocá-la.
— Estarei aí assim que puder.

Não aguardou que ela se despedisse. Simplesmente desligou o aparelho e agarrou as primeiras roupas que conseguiu encontrar: uma calça larga na cor cáqui e um camisetão de mangas compridas. Enfiou um par de tênis sem meias e correu para a porta.
Demi, ele pensou. Deus, Demi. Na última vez que a vira, ela fora lhe agradecer por ter lhe dado a criança. Depois, retornara ao Cosmos em seu esquema habitual, mas descobrira que Demi Lovato mudara de turno. Ele assumira o fato como um sinal óbvio de que ela não desejava vê-lo nunca mais. Ele cumprira sua parte no contrato, portanto ela não precisava mais de sua presença.

Então, mergulhara de corpo e alma no novo projeto da Incorporadora Montgomery, concentrando cem por cento de seus esforços em apagar da mente as imagens sensuais da tarde que compartilhara com ela. No entanto, os flashes daquele momento continuavam a assaltar seu cérebro nas ocasiões mais inoportunas, geralmente quan­do estava mais relaxado.

E, nessas ocasiões, lembrava-se dos trajes de forte ape­lo erótico que Demi usara, de seu sorriso aberto, da facilidade com que os dois conseguiam se comunicar, de como ela o fazia rir. Era quando Joe desejava que tudo tivesse tomado um rumo diferente.
Não deveria ter passado tanto tempo sem saber notí­cias, ele recriminou-se, pegando a chave do carro sobre o aparador ao lado da porta. Mesmo sabendo que ela não desejava nenhum tipo de interferência de sua parte, pelo menos precisava ter deixado bem claro que ainda se preocupava com ela, não importava o que acontecesse.

Correu para o corredor e apertou o botão do elevador, caminhando de um lado para o outro enquanto observava os números se iluminando sobre a porta.

— Venha, droga! — ele resmungou entre os dentes. — Venha!

Os olhos de Demi estavam úmidos e avermelhados quando ela abriu a porta, vinte minutos mais tarde. Joe ainda conseguiu reparar que ela usava somente um camisetão com a propaganda do restaurante, mas, antes que ele pudesse dizer qualquer coisa, ela atirou-se em seus braços, abraçando-o fortemente pelo pescoço.
Debilmente ele sentiu o ventre arredondado contra o seu para então perder-se na sensação do perfume daquele cabelo loiro, uma fragrância suave e envolvente que o fez lembrar-se de como fora incrivelmente gratificante fazer amor com ela. Joe abraçou-a pela cintura, fa­zendo-a colar-se mais contra aquele corpo alto e forte, como se ela não tivesse mais forças para ficar em pé.

— O que houve? — ele perguntou gentilmente enquan­to fechava a porta com o pé. — Está sentindo alguma dor? Algo errado com o bebê?
Demi voltou a chorar, soluçando suavemente contra o peito largo e segurando o tecido da camiseta.
— Demi? — ele disse, sentindo um vácuo na boca do estômago. Começava a ficar amedrontado. — Por favor, Demi, conte-me o que está acontecendo.
Ela resmungou algo inaudível contra a camiseta.
— Como?

Ela afastou-se somente o suficiente para encará-lo. A presença das lágrimas tornavam aqueles olhos maiores e mais azuis do que nunca. Ela fungou, piscou e enxugou as lágrimas com a palma da mão.

— Eu... eu tive um sonho horrível — ela contou, finalmente.
Joe a olhava incrédulo, certo de que tinha entendido errado.
— Um sonho horrível — ele repetiu. — Você me acor­dou no meio da noite, tirou-me da cama para atravessar a cidade deserta, deixou-me apavorado... — Respirou fun­do para acalmar-se. — Fez tudo isso para me contar que teve um pesadelo?
Ela fungou novamente e acenou com a cabeça.
— Foi um sonho muito, muito ruim.

Deveria ficar irado com ela, ele pensou. Deveria dizer que ela estava sendo ridícula e mandá-la de volta para a cama para ele poder dormir mais um pouco. Mas só conseguiu estreitá-la ainda mais contra o corpo e pousar o queixo sobre sua cabeça.
— Quer me contar o sonho? — ele perguntou.
— Sim — ela confirmou com um sussurro.

Ficaram assim por mais alguns segundos e depois ele gentilmente levou-a até o sofá. Mas ao invés de sentar-se ao lado dela, foi até a cozinha, abriu a porta do armário e tirou um copo, para então abrir a geladeira. Depois de encher o copo com leite, retornou à sala e ofereceu-o a Demi. Ela ficou olhando o copo por alguns segundos e depois fitou Joe.

— Quer que eu esquente no microondas? — ele sugeriu. Ela sorriu. Não era um grande sorriso, ele percebeu, mas já era algo mais animador.
— Não, está bem assim — ela assegurou, envolvendo o copo com os dedos.
— Obrigada.
Ele sentou-se ao seu lado, enquanto ela sorvia o leite, observando os pés dele.
— Nunca o vi com esse tipo de roupa — ela comentou, finalmente.
— Tão displicente e relaxado. Nem mesmo calçou meias.
Joe buscou o olhar de Demi.
— Nem você.
— E porque eu estava dormindo.
Ele aguardou que ela o fitasse também.
— Eu também.

Ela sorriu embaraçada e deu mais um gole. Joe permanecia calado, tentando parecer sério, apesar da calorosa sensação de contentamento que experimentava. Era bom estar com ela novamente, ele pensou. Que importava que horas fossem?
— Sinto muito — ela desculpou-se, depositando o copo sobre a mesa de cabeceira. Ainda evitava encará-lo ao prosseguir:
— É que... eu tive este sonho, um sonho hor­rível, e acordei apavorada. Não sabia o que fazer, não tinha para quem ligar. Depois de ligar para você, lembrei que poderia ter ligado para Sel e David, ou Miley, mas todos moram em Nova Jersey e levariam muito tempo até chegar aqui, e você... — Ela meneou o ombro, à guisa de desculpas e finalmente olhou-o nos olhos. — Você foi a primeira pessoa em quem pensei depois de...
— Tudo bem, Demi — ele a tranquilizou, lisonjeado pelo fato de ela ter pensado nele antes de considerar a própria família ou a amiga mais querida. Instintivamen­te, começou a passar a ponta dos dedos pelas costas de Demi.
— Quer conversar a respeito?

Demi respirou fundo e depois meneou a cabeça, con­firmando. Mal podia crer que Joe estava ao lado dela. Passara meses tentando esquecê-lo, tentando livrar-se das lembranças daquela tarde.
Mas quando acordara do pesadelo, ainda impressionada com as imagens tão vívidas, só conseguira pensar nele.

— No sonho — ela começou lentamente —, eu estava no hospital. Acabara de ter o bebê e tudo estava bem, tudo tranquilo e maravilhoso. Segurava o bebê em meu colo e o olhava. Era uma garotinha e ela também olhava para mim. Era gordinha, rosada, perfeita... e maravilhosa.

Quando Demi olhou para Joe, havia calor naqueles olhos verdes, mas nem conseguia imaginar no que ele estaria pensando. Os dedos longos afagavam seus ombros e uma estranha serenidade pairava na sala.

— Eu cantava para ela. Ela já tinha até um nome: Julie — ela prosseguiu docemente, sem deixar de fitá-lo.
— É um lindo nome — ele concordou, sem deixar de acariciá-la. — Tive uma avó chamada Julie.
Ela sorriu.
— Mesmo?
Ele confirmou.
— O que ocorreu a essa imagem adorável para tor­nar-se um terrível pesadelo?
Demi pareceu estremecer antes de continuar:
— Bem, ela ainda estava no meu colo quando ficou imóvel. Ficou simplesmente... imóvel. Uma enfermeira entrou correndo e tirou minha filhinha de mim, dizendo que eu fizera algo errado, que o bebê estava morrendo. Eu saltei da cama e a segui pelo corredor até uma sala cheia de médicos, mais enfermeiros e equipamentos mé­dicos. Todos corriam e conectavam Julie àquelas máquinas, mas algo deu errado. — Demi sentiu que os olhos voltavam a se encher de lágrimas. — Em seguida eles começaram a dizer que ela... que ela estava morta.
— Oh, Demi...
— E eles não me deixavam vê-la — Demi prosseguiu entre as lágrimas. — Só diziam que ela estava morta. Eu comecei a gritar: "Não! Não!", e quando acordei, ainda estava gritando.
— Shhh! — ele fez, passando a mãos pelo cabelo dela, trazendo-a para perto de si.  — Não pense mais nisso. Foi somente um sonho, um sonho muito ruim. Você está bem, Demi, e tenho certeza de que o bebê também está.

Ele a embalou como se ela fosse uma criança, e Demi entregou-se àquele alento. Era bom tê-lo ao seu lado; já não estava mais arrependida por tê-lo chamado. Era bom não estar sozinha. Instintivamente, levou as mãos ao ventre, acariciando-o, esperando ter alguma evidência da vida que crescia dentro de si.
Mas não sentiu nada. Era ainda muito cedo, ela pro­curou apaziguar-se. O bebê era ainda muito pequeno.
Ela sentiu que a mão de Joe cobria as suas, os dedos longos entrelaçando-se aos seus.

— Está sentindo algo? — ele quis saber.
Ela suspirou, ainda apoiada ao ombro dele.
— Nada. Ainda é muito cedo para sentir algo. Só estava esperando que o bebê me enviasse algum sinal.
— Ele vai enviar. — A voz de Joe emanava con­fiança. — No devido tempo, vai chutar até você reclamar.
Demi sorriu e afastou-se o suficiente para encará-lo.
— Ele? — ela perguntou. — Tem certeza de que vai ser um garoto?
— E você, tem certeza de que será uma menina?
— De acordo com o meu sonho, sim.
Ele balançou a cabeça.
— Foi só um sonho. Este pãozinho dentro de seu forno tem toda uma energia masculina. Estou sentindo.
— Ah, é? E como você sabe?
Joe estufou o peito orgulhosamente.
— Um homem sente essas coisas a respeito de seu próprio filho.
Demi ficou na defensiva e retirou a mão de baixo da de Joe. Ele, no entanto, manteve a sua sobre o ventre arredondado.
— Não é seu bebê, Joe. E só meu.

Ele baixou os olhos e acariciou lentamente o abdome arredondado. Demi até parou de respirar. Será que ele sabia o que era ser tocada tão intimamente?
— Talvez — ele replicou suavemente. — Mas você precisou de uma pequena ajuda para criá-lo.
Dessa vez foi Demi quem cobriu a mão dele com a sua para afastá-la de seu ventre.
— Essa ajuda entrou e saiu de minha vida — ela disse. — Depois disso, ficamos somente meu bebê e eu.

Apesar de sentir que ela o tentava repelir, Joe per­cebeu que aqueles olhos diziam coisas mais calorosas. Ele levou a mão livre até o rosto de Demi, acariciando-a.

— Senti muita falta de você — ele confessou. — Sempre que entro no Cosmos, espero vê-la atrás do balcão. Como não a vejo, minha noite fica arruinada. Não consegui parar de pensar em você, nas coisas que aconteceram entre nós. Imagino o que você estará fazendo, ou sentindo. — Ele baixou os olhos para as mãos entrelaçadas. — Não deveria ter passado tanto tempo sem ter notícias suas.
Demi tentou sentir-se ofendida com o teor possessivo daquelas palavras. Mas o modo com que ele falou a enterneceu.
— Estou bem — ela assegurou. — Até esta noite estava me virando muito bem sozinha. Tive muito enjôo nos primeiros meses, mas até isso já passou.
— Você passou mal? — A preocupação dele tocou-a profundamente.
— Deveria ter ligado para mim.
—Ora, quanto a isso você não poderia ter feito nada.
— Eu poderia ter vindo para cuidar de você, para fazê-la sentir-se melhor.

Demi sabia que ele estava dizendo a verdade, que, se ela tivesse chamado, ele teria ido para lhe preparar uma sopa ou lhe levar uma água mineral com gás. Per­ceber isso deixou-a feliz e assustada. Feliz, porque seria bom ter alguém por perto mimando-a em um momento tão desagradável; assustada, porque não pretendia ter alguém se insinuando em sua vida de uma maneira tão familiar.
As emoções conflitantes fizeram-na reagir como sem­pre, diante de um dilema: retraindo-se. Ela saltou do sofá e terminou de engolir o resto do leite.

— Obrigada por ter vindo. — Ela voltou a encarar Joe. — Agora já estou bem. Não há motivo para perder mais tempo de sono.

Joe ergueu-se e foi na sua direção. Ele parecia estar pensando profundamente, e Demi temeu o que estava por escutar.

— Algo me diz que daqui em diante vou perder muito sono por sua causa — ele disse.
— Por quê? — Ela indagou, sentindo o coração dar um pulo.
Ele olhou para o chão e balançou a cabeça.
— Tem certeza de que ficará bem? — ele perguntou. De alguma forma ela ficou desapontada por ele não ter insistido em ficar mais. Parecia até que estava louco para sair. Melhor assim, ela tentou convencer-se.
— Sim — ela disse, finalmente.
— Tenho certeza.

Ele acenou com a cabeça e caminhou na direção da porta. Demi até pensou que ele partiria sem olhar para trás, mas ele parou, com a mão na maçaneta.

— Se isso acontecer novamente... vai me telefonar? — ele perguntou, sem encará-la.
Ela sentiu que precisava ser determinada, ou...
— Não. Não vou ligar para você. Sinto muito por tê-lo acordado. Foi um erro. Prometo não incomodá-lo novamente.
Ele parecia querer dizer algo, mas balançou a cabeça lentamente.
— Manterei contato — ele prometeu, antes de escan­carar a porta e passar por ela.
Antes que Demi pudesse protestar, ele já tinha partido.




Como prometido, mais um cap hoje pra deixar vocês felizes e comentar mais hehehe !!!!!!!!!!
Obrigadoo por tudo gente !!!! Agora vou dormir por que estou com uma dor de cabeça muito forte, so vim mesmo por que tinha dito que ia postar mais um, orem para eu melhorar e postar mais 1 amanhã =) 

bjsss minhas lindas ^-^





9 comentários:

  1. O.m.g.
    Capítulo perfeito <3 <3
    Não sei quem e mais cabeça dura...joe ou a demi.
    Amei bebê <3
    Tudo mesmo....posta logoo
    Melhoras para sua dor de cabeça.
    Beijoss

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  2. Acho que vou... Chorei!
    Eu sou bem emotiva e esse capitulo abalou as minhas estruturas! Agora eu estou na duvida kkkk menina ou menino? #ansiosa
    Oh, desejo melhoras para você meu amor :)
    Beijos e posta logo'

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  3. AI MEU FRAGIL CORASSAUMMMM
    QUE CAPITULO MAIS EMOCIONANTE
    QUERO QUE ELES SE RESOLVAM LOGO *-*
    MELHORAS AI MORE :)


    POSTA LOGOOO ;)
    BEIJINHOS!!!

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  4. Awww que fofo, pq eles não falam logo o que sentem?
    Melhoras e posta mais!! :)
    Bia

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  5. OMG PERFEITO
    mas esses dois são dois cabeças duras, eles se amam e se querem e ficam nessa...
    estou adorando;
    Posta logo!!!
    bjsss

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  6. Gente que cap mais fantástico. Sério, os dois são muito cabeças duras, ficam reprimindo o que sentem um pelo outro...Tomara que um dos dois baixe a guarda logo rsrsrs ...Estou super ansiosa pra isso!!!Posta logo!!
    Bju

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  7. OMG.. AMEEI <3
    Mds q fofo amei a parte do Joe falando do bbe *-*
    Poq nao falam logo q se ama e ficam juntos?
    Mds ta perfeito..
    Posta Logo
    Xoxo

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  8. ooown que perfeitoo !!!
    POSTA LOGO TA MARAVILHOSO !

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  9. Aaah ta maravilhoso!!!! Aposto q eles vao amolecer durante a gravidez dela ou quando nascer o bebe deles :-) posta logo!!! Bjs

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Sem comentários ........... sem capítulos!