12/11/2013

O Pai Perfeito ( Mini Fic Capitulo 12)




CAPÍTULO 12


Durante os dois meses seguintes, Joseph tornou-se um parceiro ativo na gravidez de Demetria. Acompanhou-a quando ela foi comprar o carrinho e ajudou-a a decidir o modelo. Sentou-se com ela à mesa da cozinha com uma amostra de tons de tinta, para escolher uma cor de quarto que não fosse especificamente de menino ou de menina. Segurou a mão de dela na sala de espera do médico quando ela teve que fazer o segundo teste de tolerância à glicose. Costumava tocar “Uma Noite na Tunísia” várias vezes em seu saxofone para distrair o bebê.
Mas jamais tentou fazer amor novamente.
Houve apenas alguns beijos castos e breves quando se encontravam ou se despediam e ele jamais deixava de segurar a mão dela quando caminhavam juntos. Tampouco Joe deixava de tocá-la: pousava a mão no ombro dela quando queria chamar-lhe a atenção, limpava-lhe o rosto quando ela tomava um sorvete. E sempre afagava o ventre intumescido quando Demi sentia que o bebê estava mais agitado. Isso era o máximo de intimidade a que ele se permitia. Nada além disso.
A situação deixava-a ao mesmo tempo aliviada e preocupada. Por um lado, deixara bem claro que estava lhe dando uma segunda chance por causa do bebê, somente. Por outro, começava a entrar em contato com um lado desconhecido de Joseph.
Talvez ele até tivesse as características de um homem de família, de um pai perfeito, ela pensou quando ele passava pela porta do apartamento na tarde do Halloween, o Dia das Bruxas, trazendo a maior abóbora que ela jamais vira. Ele também trouxe várias barras de chocolate e doces para as crianças que batessem à porta de Demi.
— Você percebe que vamos acabar comendo a maioria destes doces? — ela o repreendeu ternamente. — Não há muitas crianças neste prédio.
— Bem, como eu poderia calcular o número de crianças? — indagou Joe ao depositar a abóbora sobre a mesa da cozinha, analisando-a criticamente. 
— Eu sempre dei um jeito de viajar para algum lugar isolado para evitar as crianças.
Demi fulminou-o com o olhar.
— Jura que você fazia isso? Se fosse na minha época, eu teria dado um jeito de jogar ovo na sua porta ou encher suas árvores de papel higiênico, só para você deixar de ser anti-social.
— Será que você não percebe que as crianças agem como chantagistas? Dê-me um doce ou acabo com sua casa? — ele defendeu-se. — Além do mais, doces fazem mal para os dentes.
Demi balançou a cabeça.
— Que homem mais ranzinza! Este é o único dia totalmente dedicado às crianças e você estraga tudo.
— Não estou estragando nada este ano — ele lembrou. — Vou até mesmo fazer uma lanterna de abóbora fantástica. — Ele apanhou o fruto e examinou-o. — Como é que se abre isto?
Demi discorreu sobre a arte de confeccionar uma lanterna, procurando incentivá-lo, quando ele fez uma careta ao encontrar o material viscoso dentro do fruto. Ela própria tirou as sementes com as mãos, para Joe então começar a escavar uma careta risonha e assustadora que requereu todo o seu conhecimento arquitetônico.
O resultado foi um pouco questionável, mas, ora bolas, era uma lanterna de abóbora, sem dúvida. As crianças haveriam de adorar.
Por volta das nove e meia, as crianças pararam de aparecer. Afinal Joseph atendera de bom grado os inúmeros dinossauros, princesas árabes, dráculas e outros monstros inomináveis que apareceram. Depois disso, Demi e Joe fizeram pipocas no microondas e colocaram O Iluminado no videocassete.
— Cara, os costumes do Dia das Bruxas mudaram muito desde quando eu era um garoto — ele comentou, enquanto a tela rolava as advertências sobre os direitos autorais da fita. — O que aconteceu com as bruxas com chapéus enormes e os fantasmas feitos de lençol?
— É verdade — ela concordou, atirando uma pipoca para o alto e aparando-a com a boca. — Quando eu era criança, ficávamos aprontando na rua até meia-noite. Geralmente ficávamos de castigo depois, mas valia a pena. Hoje as crianças têm que ir acompanhadas de adultos e encerram o expediente às nove. Não é justo.
— Você morou nos subúrbios? — Ele quis saber. Ela confirmou.
— Em Collingswood, um bairro ao sul de Nova Jersey.
— Os subúrbios ainda são um lugar mais seguro, mas, mesmo assim, não se tem mais segurança em lugar nenhum — ele observou.
— Onde você foi criado? — Demi perguntou abruptamente, surpresa ao perceber o quão pouco sabia a respeito do passado de Joe.
— Ao norte de Nova Jersey — ele respondeu sucintamente.
— Em que lugar?
— Newark.
— Onde em Newark?
— Em um bairro de Newark.
— Que tipo de bairro em Newark?
— Um não muito conhecido.
— Mas como era esse lugar? — ela insistiu. Ele suspirou, visivelmente aborrecido com aquele interrogatório. Pegou o controle remoto, aumentou o som e disse:
— Shhh! Está começando.
Demi tirou o controle remoto da mão dele e desligou o videocassete.
—Podemos assistir mais tarde.. De repente me ocorreu que sabemos muito pouco a respeito do passado de cada um. Joe voltou-se para ela, não escondendo sua impaciência.
— E daí?
A rispidez a surpreendeu, mas ela não desistiu.
— Você não acha isso estranho?
Ele balançou a cabeça.
— Por quê? Deveria? Para mim isso não é importante.
— Não quer saber mais a meu respeito? — ela prosseguiu. — Gostaria de saber mais sobre você.
Joe a encarou profundamente, imaginando por que ela estava tentando arruinar uma noite perfeita com uma pergunta como aquela. A verdade era que desejava, sim, saber tudo a respeito dela. Cada detalhe mais ínfimo. Mas, para isso, teria que abrir as portas de seu próprio passado, e retornar à sua infância e adolescência era algo a que não estava disposto. Havia muito tempo enterrara aquelas recordações dolorosas em um lugar inacessível.
— Que momento mais estranho para querer saber mais a meu respeito, Demetria. Por que não perguntou isso meses atrás, antes de me eleger para ser o pai de seu filho? Com isso, ele pretendeu somente evitar que o assunto evoluísse, mas Demi aparentemente sentiu-se insultada, pois pegou o controle remoto e ligou o filme novamente, sem olhar para ele
Ele suspirou profundament.
— Demi, eu sinto muito — ele disse. — Não quis ser grosseiro.
— Deu para perceber — ela respondeu rispidamente.
— Você não me entendeu direito.
Ela não voltou-se na direção dele, nem aceitou o pedido de desculpas. Somente aumentou o volume e sussurrou:
— Shhh! Já está começando.
Dessa vez foi Joe que tirou o controle remoto da mão dela e desligou o filme.
— Não fique zangada comigo — ele pediu. — Não pretendi magoá-la. Somente estava tentando evitar uma conversa que não me agrada.
Ela tirou um fio de linha de seu suéter e perguntou:
— Por que não?
Ele suspirou melancolicamente, percebendo que não conseguiria escapar facilmente da situação. Decidiu ser honesto.
— Porque não gosto de lembrar do meu passado, é isso.
— Por que não? — ela quis saber, ainda às voltas com o fio de linha.
Tentando disfarçar sua inquietação, Joe ergueu-se e foi até a cozinha abrir uma lata de refrigerante. O líquido subiu no copo, se derramando sobre o balcão. Enquanto enxugava a pedra de granito com uma toalha de papel, começou a falar:
— Porque me criei em um bairro muito pobre.
— E daí? -- Demi espichou a cabeça para olhá-lo na cozinha — Meu bairro não era nenhum Palm Springs.
— E daí que não é algo de que goste de me lembrar.
— Você ainda tem família em Newark? — Demi procurou suavizar a voz para não parecer inquisitiva. Ele balançou a cabeça.
— Não. Minha mãe morreu de câncer quando eu era pequeno. Ela trabalhava em uma indústria química antes que fossem impostas restrições de segurança. E sobre a morte de meu pai, você já sabe.
— Nenhum irmão ou irmã?
— Tenho um irmão mais velho que quase nunca vejo. Ele é casado, tem filhos, cinco no total, trabalha como um cão em uma fábrica de automóveis e mora muito perto da casa onde nós crescemos.
— Bem, pelo jeito ele não odeia tanto a vizinhança.
— Por algum estranho motivo, ele é completamente feliz atado ao passado. Nunca consegui entender direito aquele cara.
— Talvez ele tenha descoberto algum encanto nas vizinhanças.
Joe voltou para o sofá e sentou-se ao lado de Demi, fixando o olhar em uma foto que a mostrava ao lado de Selena e Miley em um cruzeiro pelo Caribe, tendo ao fundo palmeiras convidativas e um lindo mar azul.
— O que vi naquelas redondezas — Joe contou — foram quarteirões e quarteirões de casas velhas sem quintal, crianças com roupas remendadas brincando com brinquedos tão quebrados que nem podiam mais ser consertados.
Uma vez, quando tinha sete anos, levei seis pontos no joelho porque escorreguei em uma garrafa quebrada de bourbon quando estava jogando beisebol em um terreno baldio. Era um lugar infernal — ele concluiu. — Não pretendo voltar lá nunca mais.
Demi suspirou, imaginando que o que ele acabara de descrever era o que levava sua carreira adiante: queria cada vez mais afastar-se daqueles tempos. Mas como poderia explicar a ele que ascender economicamente não significava necessariamente conquistar uma felicidade cada vez maior?
— Então agora você vive em um condomínio vertical privilegiado e brinca com brinquedos mais caros, como um Porsche vermelho... - ela ponderou.
Ele acenou com a cabeça.
— E isso o torna infinitamente mais feliz do que seu irmão, por exemplo?
Joe acenou novamente.
— E seu irmão não tem a mínima idéia do que seja a felicidade, certo?
Outro aceno.
— Percebo...
Ele fez menção de abrir a boca para defender seu ponto de vista, mas o bip soou. Demi retesou-se. Odiava aquele som, pois isso significava, invariavelmente, que Joseph iria partir outra vez.
— Não atenda — ela pediu impulsivamente, surpreendendo a si mesma.
— Preciso atender — ele respondeu, pegando o bip da mesa lateral.
— Por quê?
— Porque pode ser algo importante.
— Alguma emergência médica, por exemplo? Ele franziu o cenho.
— É claro que não. Estou falando de uma emergência em meus negócios.
Dessa vez foi Demi que franziu o rosto.
— Isso não existe.
Ele contemplou o número do telefone que aparecia no mostrador. Em seguida ergueu-se e pegou o telefone da cozinha.
— Como sempre você não consegue entender — ele disse, esperando que o destinatário de sua ligação atendesse.
— Você tem razão. Não entendo por que alguém que não seja do ramo médico, ou das catástrofes, tenha que ficar de plantão vinte e quatro horas por dia.
— Eu não fico de plantão vinte e quatro horas por dia.— ele protestou.
— Então o que é isso?
— Este é o mundo dos negócios.
— É uma grande bobagem.
— Ouça, só porque você pensa... — Ele parou abruptamente, pois o destinatário atendeu. — Alô, Ike? Joseph...Tudo bem, não se preocupe. Não estava fazendo nada importante...
Demi ouviu enquanto Joe explicava a Ike que não, ele não tinha compromissos que não pudessem ser cancelados, que não era tarde para conversarem sobre o projeto que estavam desenvolvendo juntos e que poderia encontrá-lo no escritório dentro de meia hora.
Nada importante, ela pensou. Era isso o que ela significava para Joseph Jonas.
Ela ergueu-se do sofá e pôs-se a recolher as coisas dele, colocando-as ao seu alcance. Quando ele desligou o telefone, ela já estava com a jaqueta preparada para ele vestir. Sem abrir a boca ela lhe entregou a maleta de couro e um saco de papel com o resto dos doces do Dia das Bruxas. Em seguida, caminhou até a porta e abriu-a.
Agastado, Joseph ficou parado na cozinha, observando-a. Deixou o pacote com os doces sobre o balcão e pegou a maleta, aproximando-se dela cautelosamente.
— Acho que vou resolver tudo em uma hora, talvez um pouco mais — ele tentou explicar, parado ao lado dela, à porta. — Quando eu voltar, poderemos assistir ao filme juntos, se bem que será mais assustador depois da meia-noite.
— Se a sua reunião vai durar somente uma hora, por que não a deixa para amanhã, durante o expediente normal? — ela quis saber.
— Porque Ike vai viajar amanhã de manhã e só volta na semana que vem.
— E a economia mundial vai entrar em colapso se você não resolver isso hoje à noite, certo?
— Demi... — O tom de voz de Joe era de advertência.
— Então vá. — Ela afastou-se para ele poder passar. — A meia-noite já estarei na cama, portanto não se preocupe em voltar.
Ele passou pela porta relutantemente e então voltou-se para ela.
— Amanhã virei buscá-la às seis da tarde. Podemos comer algo pelo caminho para chegarmos lá às sete sem problemas.
Ela sabia exatamente do que ele estava falando, mas não estava disposta a facilitar as coisas.
— Onde?
Ele bufou.
— No hospital, claro. Espero que não tenha se esquecido de que as nossas aulas de preparação para o parto começam amanhã à noite.
— Eu me lembro de que minhas aulas de preparação começam amanhã — ela provocou.
— Que seja. — Joseph precisou controlar-se para não perder a paciência. — Venho pegá-la às seis.
— Isso não será necessário. Miley ofereceu-se para ser minha parceira nas aulas.
O olhar de Joseph ensombreceu.
— Pensei que já tivéssemos concordado que eu seria seu parceiro nas aulas de preparação — ele reclamou, com uma ponta de hostilidade.
Demi ignorou a raiva dele porque estava muito ocupada alimentando a sua.
— Não, isso foi algo que você decidiu sem me consultar.
— Contudo, fizemos um acordo...
— Considere-se desobrigado — prosseguiu Demi impacientemente. — MIley será minha parceira porque é alguém com quem poderei contar em todas as aulas. Sem falar no parto em si.
Você pode contar comigo em todas as aulas — ele garantiu, tentando parecer menos exasperado. — Inclusive no parto.
A clareza com que enxergava a situação impediu Demi de animar-se com aquelas palavras.
— Eu não poderia ter contado com você se as aulas tivessem começado hoje e se Ike tivesse ligado duas horas mais cedo — ela observou.
— Mas as aulas não começaram hoje e Ike não ligou duas horas mais cedo — ele contra-argumentou.
— Não é esse o ponto, Joseph.
— Qual é, então?
— O problema é que não sou o tipo de mulher que goste de ficar à disposição de um homem que nunca tem tempo para ela.
— Mas você não é assim.
— Então por que me trata como se eu fosse?
— Eu não faço isso.
Ela soltou uma gargalhada totalmente desprovida de humor.
— O que você pensa que está fazendo cada vez que esse bip soa? Você sai como uma bala, sem levar meus sentimentos em consideração.
Ele fez menção de contradizê-la, mas não conseguiu, porque sabia que, no fundo, ela tinha razão. Ele sempre partia para resolver algum assunto de seu trabalho quando alguém ligava precisando dele, mas isso acontecia porque só ligavam quando o assunto era muito importante.
— Estarei aqui amanhã, conforme combinamos — ele garantiu.
— Como posso ter certeza? — ela perguntou. — Mesmo que você venha amanhã, quem me garante que você poderá ir às outras aulas? Vive me dizendo que quer participar desse parto, mas tudo indica que você vai me largar no meio de uma contração para atender a mais um dos seus clientes importantes.
— Isso não vai acontecer — ele garantiu.
— Como sabe?
— Eu sei e basta.
— Bem, eu não tenho nenhuma certeza.
Joe voltou a entrar no apartamento e fechou a porta atrás de si.
— Você vai se atrasar para o seu encontro — Demi avisou sarcasticamente.
— Alguns minutos a mais ou a menos não vão fazer diferença. Algo me diz que você tem algo a me dizer. Ela sorriu melancolicamente.
— E você acha que alguns minutos serão suficientes?
— Por que não tenta?
Ela ergueu a cabeça, fitou-o e por fim anuiu.
— Está bem...
Como ela não começou a despejar imediatamente tudo o que ele temia ouvir, Joe abriu os braços.
— Bem. Estou esperando.
Demi umedeceu os lábios e respirou fundo.
— Talvez eu esteja sendo presunçosa — ela começou suavemente —, mas estava começando a pensar que tudo entre nós estava começando a ficar muito bem.
— Não acho que isso seja presunção — ele disse, balançando a cabeça. — Tudo entre nós estava começando a ficar muito bem e, até onde eu sei, ainda está bem.
Ela confirmou, meneando a cabeça, mas Joseph não estava muito seguro de que ela estivesse convicta.
— Eu... hã... estava até começando a pensar que havia uma possibilidade de futuro para nós todos juntos. Para nós três, quero dizer — ela esclareceu, espalmando a mão sobre o ventre volumoso.
Joseph engoliu em seco. Ele, também, começara a imaginar que haveria um modo de os três ficarem juntos para sempre, mas tinha medo de que ela o pusesse para fora de sua casa ao ouvir isso. Mas antes que ele pudesse falar, ela prosseguiu:
— Mas agora não tenho tanta certeza — ela disse com a voz baixa. — Não tenho certeza de que haja espaço para mim ou meu bebê na sua vida. Na verdade, estamos de volta ao ponto em que tudo começou, quando lhe pedi para ser o pai de meu filho. Quando começamos a passar mais tempo juntos, comecei a imaginar que talvez você fosse um homem diferente, mas agora vejo que sempre estive certa.
— Demi, isso não é verdade — ele reclamou. — Para começar, você nunca me conheceu direito.
— Joseph, por favor, agora eu vejo tudo com clareza: sua carreira é como uma esposa, e seus projetos são como filhos que você vê nascer. Você já tem uma família, não precisa de outra.
— Você está errada. Eu gosto de você e do bebê, mais do que pode imaginar.
Ela franziu as sobrancelhas, realçando os olhos que começavam a marejar.
— Eu também gosto de você, mais do que pensei que viria a gostar de alguém. Mas tem que fazer uma escolha, Joseph. Algo tem que ser mais importante para você, seu trabalho, ou... — Demi passou a mão pela barriga. — Ou nós.
Joseph não gostou do que ouviu.
— O que exatamente está tentando dizer?
Ela hesitou, mas disse finalmente:
— Quando penso no meu futuro com você, só consigo me ver sentada à mesa de jantar com as crianças, com a comida esfriando, esperando que você chegue. Imagino as mil desculpas que terei que dar aos nossos filhos para a sua ausência. Imagino aquele maldito bip soando em uma manhã de Natal...
Ele bem que quis argumentar, dizendo que seu trabalho não era importante ao ponto de negligenciar as necessidades de sua família, mas ele próprio não negligenciara as necessidades de Demi nos últimos meses? Quantas oportunidades não perdera de passar uma noite tranqüila com ela? Más não, ele passara a maior parte daqueles meses transformando sua carreira em um sucesso. Era assim que sabia trabalhar e não queria ameaçar o bom nome de sua empresa. Mas também não queria colocar em risco seu futuro com Demi.
— Dê-me uma chance para resolver isso tudo — ele pediu, enxugando as lágrimas daquele rosto de que tanto gostava. — Só uma chance; é tudo o que lhe peço.
— Você me pediu uma chance há dois meses e eu a dei — ela lembrou. — Acho que fui mais do que justa. Mas, a menos que você esteja planejando alguma mudança drástica no seu modo de viver e trabalhar, não posso prometer nada.
Joseph jamais se sentira tão confuso e indefeso em sua vida toda. Por mais que quisesse modificar-se, temia que já vivera muitos anos daquela forma para mudar. Queria dizer a Demi, olhando-a no fundo daqueles olhos castanhos brilhantes, que ela era a coisa mais importante em sua vida, ela e o bebê, mas só conseguiu consultar o relógio e sentir que um compromisso muito importante o estava chamando.
— Preciso ir — ele disse, sentindo o estômago apertar. — Mas estarei aqui às seis para buscá-la. Não faltarei á aula, prometo.
— Joe, não sei se isso vai dar certo...
— Estarei aqui — ele insistiu.
Sem aguardar que ela se estendesse na argumentação, Joe abriu a porta e saiu, deixando-a sozinha antes que pensasse duas vezes.
No corredor solitário, enquanto aguardava o elevador, só conseguia pensar que estava a caminho de uma reunião que não seria calorosa, engraçada ou afetiva como Demi e que havia uma grande possibilidade de que ela estivesse certa, afinal.
— Bem, agora não tenho mais dúvidas.
Demi estava parada no lado de fora da sala de aula, olhando para o relógio impacientemente e dando passagem para um casal aparentemente feliz. Já passavam alguns minutos das sete horas. Olhou para Miley e suspirou.
— Bem, você mesma disse que não poderia contar com ele — Miley lembrou. — Não sei por que está tão surpresa. Não foi por isso que me pediu para acompanhá-la?
— Você tem razão — Ela concordou. — Mas ainda tinha uma esperança de que ele viesse.
— Agora já sabe que ele não virá. Vamos entrar porque a aula já vai começar.
Miley segurou-a pelo braço e levou-a para dentro da sala, até chegarem a um lugar vago no fundo da sala. Demi reparou que ela era a única que não tinha um parceiro homem na aula.
— Só queria saber o que aconteceu com ele -- ela murmurou. — Joseph costuma telefonar quando não vem. E se ele sofreu algum acidente?
— E se ele for um canalha como todos os outros? — instigou Miley. — Francamente, Demetria, ao invés de se atirar de cabeça nesta fantasia maluca, por que não adotou uma criança? Menina, de preferência.
Demi apertou o nariz da amiga gentilmente.
— Ora, Miley, você odeia os homens. Não vai conseguir entender.
— Eu não os odeio; acontece que não confio neles.
A instrutora entrou na sala, silenciando a classe. Demi, no entanto, não conseguia tirar os olhos da porta, imaginando o que teria acontecido a Joseph. Paulatinamente, lembrou que só uma coisa o estava impedindo de estar junto a ela naquele momento: o trabalho. Lutando contra as lágrimas que queriam se formar em seus olhos, ela entendeu que ele fizera sua escolha.
Às sete e dois, Joseph congelava com o vento cortante que soprava no décimo sétimo andar do que seria um prédio de escritórios. Tentava, impacientemente, escutar o que Ike Guthrie dizia, amaldiçoando-se por ter deixado o celular no carro.
Estavam ali havia duas horas e já estava até disposto a saltar dali mesmo, pelo menos para fazer Ike parar de falar. Queria estar com Demi, queria saber o que estava acontecendo naquela aula que estava perdendo. Esperava que ela estivesse tomando notas para que ele pudesse lê-las mais tarde. Mas não. Provavelmente ela estaria dentro daquela sala com Miley, e as duas provavelmente estariam segredando que ele era um canalha, um tipo que não merecia ser o pai do filho dela.
— Ike, eu realmente preciso ir — disse Joseph abruptamente, interrompendo as explicações do outro homem.
Ike Guthrie era um homem alto e loiro, totalmente concentrado no negócio em questão, alguém que Joe não poderia melindrar. O projeto no qual os dois estavam trabalhando juntos era muito importante e requerera o máximo do tempo e da atenção de Joe nos últimos três meses. Ao aceitar encarregar-se do projeto, não se dera conta de que isso iria sacrificar todo o tempo disponível que tinha para ficar com Demi.
— Como? — protestou Ike, visivelmente aborrecido.
— De jeito algum. Você não vai a lugar nenhum até resolvermos todos esses problemas. — O homenzarrão levou a mão até a boca para tentar aquecê-la com o bafo.
— Ouça, eu também não estou gostando de estar aqui, mas cancelei uma viagem para resolver tudo. Que outro compromisso você tem que é tão importante? .
— Acreditaria se eu dissesse que é uma aula de preparação para o parto? — Joseph perguntou.
Ike balançou a cabeça.
— Não. Veja se arranja outra desculpa melhor.
Joe sentiu vontade de pular no pescoço de seu colega. Haveria algo mais importante do que trazer um filho ao mundo? Mas Ike cancelara uma viagem crucial para resolver um problema sério que aparecera na última hora.
Como Joe não dissesse mais nada, Ike apontou para a planta e voltou a falar. Ele mal escutava o que o homem tentava explicar a respeito de uma falha estrutural. Tudo o que sabia é que estava escuro e fazia muito frio e que, em algum ponto da cidade, uma mulher grávida estava aprendendo como trazer o filho ao mundo. Um filho que era seu, também.
E lá estava ele, a quilômetros de distância, incapacitado de participar daquele milagre. Demi tinha razão, ele pensou. O tempo todo. Ele seria um pai sofrível e um marido ainda pior. Sua empresa era bem-sucedida demais para negligenciá-la.
Demi e a criança eram igualmente importantes demais para ficarem com o resto de tempo de que ele dispusesse. Se ele se dividisse ao meio, terminaria negligenciando tanto a carreira quanto a família e perderia tudo o que construíra na vida.
Sabia que era um empresário irrepreensível, pois isso se refletia na prosperidade de sua empresa. Mas, como pai, como se sairia? Nem tinha competência para participar de uma aula de preparação para o parto.
Demi e o bebê mereciam algo melhor, Ele pensou. Droga, eles mereciam o melhor. Mereciam um homem que estivesse por perto em todas as situações, um homem com quem pudessem contar sempre, até para as coisas mais simples. E esse homem, obviamente, não era Joseph Jonas.
— Joseph, você está ouvindo?
A voz de Ike soou áspera e irritada.
— Sim, estou ouvindo — Ele afirmou, sentindo o coração partir em mil pedaços ao perceber que a parte mais doce de sua vida estava escapando de suas mãos.
— Ouça, Joseph, você está neste projeto ou não? — Ike inquiriu.
Ele hesitou por um momento antes de responder, mas finalmente disse com tristeza:
— Sim, Ike, estou neste projeto. Tenho uma solução para aquela falha.

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6 comentários:

  1. Ameei.. <3
    Tadinha da Dem, quero dar umas porradas no Joe..
    Posta Logo
    Xoxo

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  2. Aaaah pq ele eh assim em? Aff's n sabe conciliar as coisas?? Bjs posta logo

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  3. To chorando cara , joe é um idiota. Ele tem que largar tudo pra ficar com ela. Fora isso , ta pft . Poste looogoooo

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  4. Joe é um viado.. ele deveria ter jogado esse projeto pros ares e ter ido se encontrar com a mulher dele #nojento
    Tadinha da Dem's

    Posta logooo more *-*
    Beijos!!! ;)

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  5. Joseph seu safado..
    Eu deveria era te arrebentar a porrada, ta entendendo?/
    RUM..u.u
    A Demi te ama, e tu fica ai se fazendo..

    ahhh
    Posta Logoooo
    s2

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  6. Joe...vacilou...coitada da demi...espero que eles se resolvam...
    Posta logoo
    Beijos

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Sem comentários ........... sem capítulos!