17/10/2013

O Pai Perfeito (Mini Fic Cap 4)





CAPÍTULO QUATRO

Apesar do que prometera, Joe não foi ver Demi no Cosmos, na noite seguinte. Nem na outra, e nem nas demais. Na verdade, sua obs­tinação em evitar o restaurante chegara a um ponto em que quase começava a acreditar que o episódio todo com Demi fora somente um sonho estranho. Quase.
Até vê-la novamente na quarta-feira seguinte.

Estava por entrar na sala de reuniões, na frente de sua sala, quando sua secretária, Lucille, interfonara para avisar que uma srta. Demi Lovato, que não marcara uma reunião, precisava falar-lhe rapidamente. Joe consultou o relógio e percebeu que já estava cinco minutos atrasado para uma reunião com seus associados e um potencial cliente bastante promissor. Sem abandonar sua postura profissional, pediu a Lucille que avisasse à srta. Lovato que ele ligaria para a casa dela mais tarde. Sem esperar, entrou na sala para tratar de seus negócios.

Covarde, ele disse para si ao entrar na sala de reuniões. Fugindo de uma mulher estonteante cujo único desejo é que você faça amor com ela.

Joe fechou a porta atrás de si e passou a mão pelo rosto, como se tentando apagar a expressão aturdida de seu rosto. Em seguida, voltou-se para o grupo de homens e mulheres acomodados nas cadeiras de couro ao redor da grande mesa ovalada de vidro fumê.
— Desculpem-me pelo atraso — ele disse, dirigindo o pedido de desculpas principalmente para a mulher que sentara-se na outra ponta da mesa.
A srta. Gwendolyn Montgomery era uma mulher po­derosa dentro do ramo da construção, que poderia lhe trazer lucros de milhões de dólares. Obtivera informações extra-oficiais de que ela era inteligente, atraente, extrema­mente bem-sucedida e decidia rapidamente se alguém valia ou não o investimento de seu tempo e capital. Sabia que deveria dar tudo de si se quisesse tê-la entre seus clientes.

Por outro lado, ele ponderou que também era extre­mamente bem-sucedido em seu campo e que não teria problemas em impressioná-la com suas experiências no ramo da arquitetura. Estava mais do que preparado para aquela reunião. O que poderia dar errado?

Quase que involuntariamente, seu olhar afastou-se da mulher em questão para a parede envidraçada da sala de reuniões, por detrás da qual divisou uma mulher me­nos fria e contida do que a srta. Gwendolyn Montgomery.

Demi  estava parada perto do lobby, com a capa de gabardine molhada sobre um traje escuro, quase masculino, enquanto acenava, tentando captar a atenção de Joe. Seu cabelo também estava úmido, portanto mais escuro, grudado ao rosto. Ao perceber que conse­guira sua atenção, mostrou-se aliviada.
Porém, Joe procurou ignorá-la, dirigindo-se ao grupo à sua frente.

— Temos muito o que discutir durante esta manhã e, já que os deixei esperando, acredito que seja melhor irmos direto ao assunto principal que é...

Contudo, um som persistente captou a atenção de todos na sala, inclusive de Joe. Todos viram Demi parada, batendo o punho fechado contra o vidro. Ao perceber que todos se voltaram, sorriu nervosamente e acenou. Então concentrou a atenção em Joe, apontando para ele o indicador, em um esforço para fazê-lo sair da sala.
Joe esforçou-se por concentrar-se na apresentação.

— Srta. Montgomery — ele começou, fazendo todos se voltarem em sua direção. — Tenho algumas idéias para este projeto que considero atender totalmente a suas necessidades. São muitas sugestões inovadoras e certamente...
 
O som. Novamente todos se voltaram para a janela. Desta vez Demi não sorriu, mas continuou a encarar Joe. Ela ergueu a mão e apontou o relógio de pulso expressivamente. Todos na sala voltaram-se para Joe.
Joe voltou-se para a srta. Montgomery e prosseguiu:

— São sugestões inovadoras que tenho a certeza de que a senhorita vai considerar...
O som. Outra vez.

Joe suspirou, exasperado, percebendo que todos aguardavam que ele tomasse alguma providência. Ela continuava a apontar para o relógio, desta vez mais an­siosa, mais insistente. Então ela tentou dizer algo, exa­gerando os movimentos labiais. Desta vez, ele não pôde deixar de entender.

Estou o-vu-lan-do.

Joe arregalou os olhos, chocado, rezando para que ninguém tivesse entendido. Novamente ele olhou e per­cebeu que Demi continuava a apontar para o relógio.

A-go-ra — ela tentou fazê-lo entender.
— Bem... queiram me desculpar — ele disse ao grupo. — Preciso me ausentar, por alguns instantes. Por favor...
Sem esperar a reação das pessoas, Joe saiu da sala.

— O que diabos está fazendo aqui? — ele perguntou rispidamente a Demi, olhando ao redor para certificar-se de que ninguém ouvia a conversa.
— E o que você acha que estou fazendo aqui? — ela contra-atacou, no mesmo tom. Abaixando a voz, prosse­guiu:
— Estou ovulando. Agora. Neste momento. Você tem que fazer amor comigo.
— Agora?
— Bem — ela informou —, de acordo com as instruções do kit, quando o teste dá um resultado positivo, e ele ficou cor-de-rosa como o nariz do coelhinho da Páscoa esta manhã, a ovulação vai ocorrer a qualquer momento dentro de um período de vinte e quatro horas. Pode já estar ocorrendo — ela apressou-se em acrescentar.
— Mas você disse que isso só aconteceria a partir de amanhã. Ou sexta-feira. Até mesmo no sábado. Será que não dá para deixarmos para o sábado? Estou no meio de algo muito...
— Acontece que eu fiquei desregulada — ela o inter­rompeu. — Devo ter estado muito ansiosa durante as duas últimas semanas. Isso pode alterar o ciclo de uma mulher.
— Mas...
— Pare de falar — ela pediu. — Temos que fazer amor.
— Agora? — ele perguntou novamente.
— Agora.
— Aqui?
Demi revirou os olhos, impaciente.
— Aqui não, certamente!
Ela também olhou em volta, temendo estar sendo ouvida.
— Eu, hã... reservei um quarto para nós, no Four Seasons.
Joe arqueou as sobrancelhas.
— Está falando sério?
— E claro que sim. E um hotel maravilhoso, romântico e fica muito perto daqui. Pensei que seria a atmosfera perfeita para... você sabe.
— Demi, eu...
— Joe, você tem que se apressar. Depois que eu liberar este óvulo, teremos somente vinte horas para... você sabe.
Ele a fitava, confuso, tentando convencer-se de que estava sonhando. Infelizmente, a situação era bizarra demais para ser fruto de seu inconsciente.
— Não posso sair agora — ele disse, finalmente. — Estou no meio de uma reunião muito importante.
Uma gota de chuva rolou do cabelo de Demi e caiu em seu rosto como uma lágrima.
— Mas e a nossa reunião? -- ela perguntou suave­mente. — Também é muito importante.
— Eu sei, mas...
— Você prometeu, Joe. E temos um contrato — ela reclamou, tirando o cabelo molhado da testa.

Por algum motivo, aquele gesto indefeso deixou-o com vontade de beijá-la vorazmente.
Aquele estúpido contrato, ele pensou. Como fora assi­nar aquilo? Seu advogado tentara dissuadi-lo de todas as formas. Mas não, ele exigira que o contrato fosse re­digido e preparado para assinaturas. Então o assinara e o enviara para a assinatura de Joe.

— Está bem — ele por fim consentiu, percebendo que os cílios molhados tornavam aquele incrível par de olhos ainda mais azuis.
— Encontro você no Four Seasons den­tro de duas horas.
Demi mostrou-se decepcionada.
— Mas...
— Certamente duas horas não vão fazer diferença, Demi — ele ponderou, segurando-a pelo ombro. Então, lembrando-se de que provavelmente eram o centro das atenções, afastou-se.
— Talvez não — ela concordou, com relutância.
— Além do mais — ele acrescentou —, isso lhe dará mais tempo para pensar. Para assegurar-se de que é exatamente o que você quer.
— Oh, é claro que é o que eu quero — ela assegurou, com veemência.
— Mas algo me diz que você está com dúvidas.
— Absolutamente — ele mentiu. — Estou perfeita­mente disposto a fazer... a cumprir minha parte no con­trato. Porém... — Ele olhou de volta para a sala, imagi­nando que poderia estar perdendo o cliente mais impor­tante de sua carreira, — Estou no meio de uma reunião muito, muito importante.
Demi olhou para a sala de reuniões e Joe teve certeza de que ela percebeu a charmosíssima mulher de cabelo castanho.
— Ah, sim, aposto que é muito importante.
— Duas horas — Joe confirmou. — Estarei com você dentro de duas horas.
Demi afastou novamente o cabelo molhado do rosto.

— Está bem — ela concordou, procurando algo no bolso. Era algo que cabia na palma da mão e que procurou entregar discretamente a Joe. — Esta é a chave do nosso quarto. Duas horas. Estarei esperando.
Ele fechou os dedos sobre o cartão magnético, sentin­do-se como um agente secreto amador.
— Obrigado, Mata Hari — ele murmurou. — Existe alguma senha especial para entrar?
— Não — ela respondeu, com um sorriso trêmulo. — Basta não se atrasar.

Demi partiu sem olhar para trás. Ele, por sua vez, enfiou a chave no bolso, sentindo um misto de ansiedade e excitação. Onde fora parar seu autocontrole? Onde fora parar sua postura completamente profissional e eficiente? Nas últimas duas semanas, começara a agir por impulso, muitas vezes arriscando suas relações profissionais.

Mas a maior loucura, ele pensou enquanto se dirigia para a sala de reuniões, é que de alguma forma começava a apreciar este estado caótico.
Ao entrar na sala, os colegas o olhavam com curiosidade.

— Desculpem-me pelo atraso — Joe disse com um sorriso que não conseguiu esconder.

Aproximando-se do cavalete ao seu lado, afastou a pri­meira folha para mostrar os planos elaborados para um shopping center localizado próximo a uma zona residen­cial, e continuou a apresentação.

Estava louca. Completamente pirada. Já fizera coisas estranhas em sua vida, mas pedir a um homem que pra­ticamente não conhecia que fizesse amor com ela, só para fazer um filho, era a coisa mais bizarra entre todas. Po­rém, o mais estranho é que, na verdade, estava ansiosa Por passar a tarde com Joe, mas não exatamente por­que ele iria lhe dar um filho.

Contudo, as circunstâncias a obrigaram a repensar ra­pidamente a questão da maternidade. Pela primeira vez na vida ponderara honestamente o que significava ficar solteira e só, até o final de seus dias. Seus pais já tinham falecido. Sua irmã se casara e tinha sua própria família. Seu irmão mais velho, Nick, outro solteiro de carteirinha passava o tempo todo viajando. Então, como ficaria dentro de quarenta anos? Sozinha, essa era a verdade.

Finalmente, tendo decidido que não queria ficar sozinha na estrada da vida, tomara sua decisão. Escolhera tornar-se mãe. Também sabia que não poderia esperar até se apaixonar por alguém, porque, francamente, homens só trariam problemas para sua vida. Crianças não: enquanto são amadas e respeitadas, permanecem fiéis. Mas homens...
Crianças, sim, ela decidira. Homens, nunca.
Olhando ao redor da suíte, Demi afirmava para si que fizera a escolha certa. Se perdesse aquela oportuni­dade com Joe, provavelmente não teria outra.

Como se ao pensar nele o estivesse chamando, ela escutou uma leve batida à porta. Segurou a respiração e olhou à volta, assegurando-se de que tudo estava em ordem.

A suíte estava imersa no perfume de um enorme buquê de flores exóticas, ao som uma melodia romântica que ela descobrira em uma estação de rádio. A refeição leve que pedira ao serviço de quarto chegara havia poucos minutos: o champanhe estava gelando em um balde gelo ao lado do carrinho com frutas, queijos e pães. Demi passou ao lado da cama e alisou a colcha.

Tudo preparado, ela pensou. Tudo o que era necessário para um encontro romântico estava ali. Tudo, exceto um detalhe. Com um suspiro final, ela caminhou determinada para a porta e rodou a maçaneta da porta.


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Hey ... o Leka está ocupada, mas espero que no fim de semana esteja tudo bem pra ela fazer a Maratona !! 
Gente .... #Morrendo os Jonas estão mal, eu estou mal ! não consigo acreditar que está tudo tão ruim assim e nós não conseguimos notar ... 
espero que tudo se resolva y.y

bjss


8 comentários:

  1. aaah como assim vc para nessa parte ???????? *-*

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  2. Velho como você para agora
    Vocês querem me matar de curiosidade
    so pode... vai ter maratona??o.O aaaaa ñ creio aaaaaaaa
    Posta logoooo gata
    Beijos!!!

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  3. Oiii,
    Saudades !!!
    Que perfeição de capítulo...to louca para saber o que esses dois vão aprontar mais kkkkkkkk...
    Posta logo bebê
    Beijos <3

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  4. Caramba cm assim????
    Está incrível e meu coração a mil!!!
    Nova leitora rsrsr
    super curiosa

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  5. Olá!!!, Deus seja contigo boa tarde, amiga eu estou esperando o 5 capitulo, esta pegando fogo estou na espera, SUCESSO AMIGA.
    já estou te seguindo aguardo retribuição.
    Blog: http://arrasandonobatomvermelho.blogspot.com.br
    Canal de youtube: http://www.youtube.com/NekitaReis

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  6. Fodidamente zangada! kkkk
    Como assim você para ai?!
    Estava quase tendo um ataque cardíaco *u*
    Esperando ansiosa e de pernas cruzadas pelo proximo kkkkk
    — Estou o-vu-lan-do. ~épica~
    Beijos e posta logo!

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  7. Foi muito cruel da sua parte terminar aí, vc quer matar suas leitora????
    ESTOU ADORANDO A FIC, sem duvidas é minha preferida.
    Desculpa-me não estar comentando muito, estou sem tempo, mas eu estou lendo, viu?
    POSTA URGENTEMENTE!!!
    Bjsssss

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  8. Este comentário foi removido pelo autor.

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Sem comentários ........... sem capítulos!