02/12/2013

R.I.P Paul Walker + Divulgação + Selinho





Nossa, nem falo o quanto a noticia me pegou de surpresa e a devastação que me causou.Eu chorei, porque ele era um grande homem, um ótimo ator... tão novo, tão apaixonado pela vida e se foi de uma forma tão trágica. Sei que ele foi fazendo o que amava, a paixão por carros e pela velocidade não era escondida por ele, mas mesmo assim é dolorosa a perda.






Espero que ele esteja bem onde ele estiver e a memória dele será lembrada por nós pra sempre.

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  DIVULGAÇÃO



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  SELINHO


Who Says e Pietra's history obrigada pelo selinho *-*
(eu já repassei e respondi varios desses selinhos e como agora estou sem tempo só vou repassar)

DEDICO PARA TODOS AS(OS) LEITORES =)
ENTÃO QUEM QUISER PEGAR PODE OKAY ^^

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Gente ... eu vou começar a postar nessa semana okay ... vou correr com isso.
a Leka está para postar o Epílogo mas eu vou começar a correr com as coisas por se não vai ficar por isso mesmo, e não quero fazer vocês esperar por mais tem. Então, até logo =) 
bjss 


13/11/2013

O Pai Perfeito (Minific Capitulo 13 - Final + Epílogo)




CAPÍTULO 13

Demi estava fora, fazendo compras de Natal com Miley e Selena, em um dos raros dias em que as três estavam de folga, quando sentiu uma dor estranha no ventre. Como ainda era a última semana de novembro e o parto só estava previsto para meados de dezembro, ignorou a sensação, massageando o local. Mas a sensação não passou. Tampouco aumentou, por isso não mencionou o fato a suas companheiras. Sem dúvida era algum sinal preliminar, ela pensou, algum tipo de ensaio que seu corpo estava fazendo para o grande dia.
Contudo, uma hora mais tarde, enquanto escolhia uma bola de Natal em uma loja de departamentos, deixou cair no chão a que estava em suas mãos. A dor veio ainda mais forte, anunciando que aquele não seria provavelmente um ensaio. Com uma sensação de pânico, percebeu que aquela seria sua noite de estréia.
— Ah, meu Deus... — ela disse quando a segunda dor irrompeu alguns minutos após.
— O que houve? — perguntou Miley ao aproximar-se da amiga escorada em um balcão. Ela viu a bola estilhaçada no chão e brincou: — Francamente Demetria, esse seu barrigão deixa você cada dia mais desastrada.
— Ah, meu Deus — ela repetiu, ofegante.
— O que está acontecendo? — perguntou Selena ao juntar-se a elas.
— É esta sua irmã desastrada novamente — reclamou Miley.
— Na verdade, eu... ai! — começou Demi. — Não tenho muita certeza porque não tenho experiência, mas... Acho que estou entrando em trabalho de parto.
— Bobagem! — repreendeu Miley, que não estava em um bom dia. — O parto só está previsto para daqui a três semanas. Pode ser que adiante no máximo duas semanas mas, estatisticamente falando...
— Ai! — Demi reclamou novamente, agarrando a barriga com as duas mãos.

Selena estreitou os olhos, preocupada.
— Tente caminhar um pouco — ela sugeriu. — Talvez isso alivie o que está sentindo. Vamos até a lanchonete comer alguma coisa.
Demi meneou a cabeça, concordando.
— Ok, mas e o enfeite que quebrei?
— Deixe pra lá — disse Selena, mais preocupada com a irmã. — Coisas como estas devem acontecer o dia inteiro.
— Mas eu tenho que pagar, eu...
— Deixe pra lá, Demetria — Selena repetiu com um tom autoritário.
Foi quando Demi começou a ficar mais assustada, porque a irmã jamais fala naquele tom de voz, a menos que estivesse muito preocupada.
— Estou em trabalho de parto, não estou? — ela perguntou às duas outras. Afinal, elas eram enfermeiras, da ala da maternidade. Haveriam de reconhecer uma mulher em trabalho de parto.
— Talvez — disse Selena enganchando o braço no dela. — Vamos caminhar. Talvez seja um alarme falso. Veja se isso ajuda.
As duas mulheres começaram a caminhar na direção das escadas-rolantes, com Miley secundando-as. — A dor é muito forte? — Miley quis saber.
Não muito — informou Demi. — E como uma cólica menstrual. Ei, o que está acontecendo? Vocês duas estão preocupadas...
— Você está tendo algum outro sintoma? — Selena inquiriu. — É a primeira vez que está sentindo algo assim?
— Bem, acordei hoje cedo com dor nas costas e até agora ainda não passou. Também tive alguma cãibra depois de tomar café: Por quê?
— E essas cãibras aparecem regularmente?
Demi balançou a cabeça.
— Não. Elas vêm e vão. Por quê? — voltou a perguntar.
Por que vocês estão tão preocupadas? ,
— Porque ainda não é a hora de você entrar em trabalho de parto, só isso — disse Selena. — Só está de trinta e sete semanas.

— Mas só estou três semanas adiantada — observou Demi. — Isso é muito ruim? Dizem que adiantar ou atrasar duas semanas é normal. Então, estou só uma semana adiantada.
— Tenho certeza de que tudo está indo bem — assegurou Selena. — Mas vamos ver se conseguimos postergar isso um pouco. 
Elas passaram direto pela lanchonete, porque Demi disse que não agüentaria ficar sentada, e saíram porta a fora para a tarde fria de novembro. Um pouco de ar fresco e a caminhada até o carro iriam ajudar, pensou Selena. Então comeriam algo e iriam até o cinema para assistir a um filme que acabara de entrar em cartaz.
Mas os planos do bebê de Demi eram evidentemente outros, porque, três horas após ter deixado a bola de Natal cair, as dores eram mais e mais fortes e vinham em intervalos regulares.
— Eu não tenho mais dúvidas — disse Miley enquanto Selena ajudava Demi a acomodar-se no sofá de sua sala de estar. — O que temos aqui é um verdadeiro trabalho de parto.
Selena concordou, meneando a cabeça, mostrando-se visivelmente preocupada.
— Acho que tem razão. Como está se sentindo, Demi? Não quer se deitar um pouco? Você não quer comer algo leve? Vai precisar de muita energia para o que está por vir.
— Não quero me deitar — ela avisou e em seguida outra contração. — Ufa! Esta foi forte.
— Vou ligar para o seu médico — disse Selena, consultando a lista de telefones de emergência afixada na geladeira de Demi. — Acho que ele vai querer que nós a levemos para o hospital agora.
Demi meneou a cabeça, ansiosa demais para argumentar. Deus, finalmente chegara o momento, ela pensou: Finalmente iria conhecer a pessoinha que vivera em seu ventre nos últimos meses. Iriam se tornar duas pessoas, enfim. O pensamento deveria confortá-la, mas, ao lembrar-se de Joseph, percebeu com tristeza que não seriam mais um trio.

Ele nem mesmo tentara entrar em contato novamente depois da noite do Halloween. Ela não pôde deixar de surpreender-se, com o passar dos dias, por ele ter demonstrado que finalmente decidira-se por sua carreira. Mas, afinal, por que surpreender-se? Ela própria não se convencera, desde o princípio, de que aquele homem não fazia o gênero familiar?
Mas algo dentro dela lhe dizia que o assunto não estava totalmente encerrado, que Joseph Jonas ainda não revelara ao mundo seu lado mais espantoso. Durante o pouco tempo que passaram juntos, ela percebera nele algo que antes não suspeitara. Ela vira um lado terno, preocupado, um lado que era estimulado com a presença de outro ser humano. Algo lhe dizia que a carreira dele não precisava vir necessariamente em primeiro lugar em sua vida. Que sua forma de trabalhar era a única que conhecia, até então, de sobreviver.
Talvez ninguém tivesse demonstrado a Joe que havia outro modo de ser feliz, ela pensou. Havia outras coisas de que poderia se orgulhar, além do trabalho. Talvez ele só precisasse de alguém que lhe mostrasse o caminho. Talvez tivesse errado em lhe negar outra chance e talvez outra chance fosse tudo o que ele precisava naquele momento.
— Ligue para Joseph — Demi pediu a Miley quando uma dor mais forte a fez ofegar. — O cartão dele está na minha carteira. Tenho certeza de que ele ainda está no escritório a essa hora. Ligue e diga que está prestes a se tornar pai.
— Você acha que ele virá? — perguntou Miley segurando a mão da amiga. — Ele não compareceu às aulas. O que garante que virá para o grande evento?
— Vou dar a ele mais esta chance — disse Demi. — Se a desperdiçar, então estará tudo acabado.
— Se você me perguntar... — Miley começou.

— Não estou perguntando nada Miley — Demi a interrom-peu. — Estou pedindo. Ligue para ele, agora. Diga que... O futuro dele está chamando.
Joseph estava na sala de reuniões, completamente mergulhado em uma reunião muito importante, com dois clientes muito importantes, quando ouviu um som vaga-mente familiar, algo que não ouvia fazia muito tempo. 
Alguém batia no vidro.
Seu coração acelerou-se ao perscrutar as paredes envidraçadas da sala de reuniões, esperando ver Demi acenando para ele, como fizera oito meses atrás. No lugar dela, viu uma ruiva alta batendo determinadamente no vidro. Atrás dela, sua secretária Lucille brandia o dedo para a estranha e parecia gritar.
Assim como Demi fizera antes, a mulher acenou intencionalmente para ele, ignorando por completo Lucille e as pessoas que participavam da reunião. Joe balançou a cabeça, demonstrando que não tinha intenção de ser intimidado pela estranha e retomou as negociações; que colocariam sua empresa em primeiro lugar no ranking dos escritórios de arquitetura.
Antes que ele se desse conta do que estava acontecendo, a ruiva irrompeu na sala de reuniões com Lucille em seu encalço, ainda ralhando com ela. A mulher segurou-o pelo ombro e desafiou-o com os olhos incrivelmente azuis.
— O que diabos está acontecendo? — ele exasperou-se.
— Escute, Jonas — a mulher disse. — Você vem comigo. Agora você vai ter um encontro com o seu destino. Lucille apareceu por detrás da mulher e avisou:
— Eu já chamei a segurança. Eles vão chegar aqui a qualquer momento.
— Você poderia mandar essa histérica fechar a matraca? — a estranha disse, afastando Lucille com o ombro. — Há horas ela vem insistindo que não pode passar nenhuma ligação para você, e agora que vim pessoalmente ela me ameaça de chamar a polícia. Francamente, não está sendo muito polida.

— Lucille, está tudo bem — Joseph garantiu.

— Pegue seu casaco — a ruiva ordenou. — Vamos tentar sair antes que a Patrulha do Mickey Mouse chegue aqui.
— Quem é você? — Joe insistiu.
— Meu nome é Miley, mas pode me chamar de Arcanjo Gabriel. Vim aqui para avisar que você está em vias de se tornar pai. Afinal, onde está o seu casaco?
Joe hesitou por um momento, mas disse em seguida:
— No meu escritório, bem ali.
Apontou para a porta do escritório sem se dar conta do que estava fazendo, para então observar Miley passar por ele pela porta e retornar novamente com o paletó e o casacão arrastando.
Demi está tendo o bebê? — ele perguntou. 
— Pode apostar.
— Mas ainda é muito cedo. O parto só aconteceria em três semanas.
— Surpresa! — exclamou Miley ironicamente enquanto lhe atirava as peças de roupa. Joe agarrou-as antes que elas o atingissem no rosto. — Lição número um a respeito de bebês — ela continuou: — eles nunca fazem o que a gente espera que eles façam.
— Mas...
— Com licença, senhoras e senhores — disse Miley às outras pessoas da sala que assistiam à cena com admiração. — O Sr Jonas está saindo da sala agora e só vai voltar na semana que vem. Ele vai ser pai.
Quando deu por si, Joe já estava no corredor vestindo o casaco, correndo atrás de uma ruiva que se autodenominava Arcanjo Gabriel.
Miley e Joseph chegaram ao hospital quando as dores de Demetria já tinham um intervalo inferior a cinco minutos. Joseph não se lembrava do percurso até o hospital, nem sabia se fora ele ou Miley que guiara o carro. Estava completamente perplexo com a perspectiva de se tornar pai.
Pai. A palavra ainda lhe soava estranha.

Ela significava um homem disponível e tranqüilo cuja segunda natureza fosse entender crianças. Pensou nos homens que via nas calçadas e nos parques carregando os filhos nos ombros ou orgulhosamente levando-os a passear nos carrinhos. Pensou que sensação teria ao segurar uma mãozinha e sentir-se responsável pelo rumo que essa criança teria na vida. Honestamente, não conseguia imaginar-se desempenhando esses papéis, mas desejou profundamente fazer uma tentativa.
Pensou também no próprio pai, um homem que mantivera dois empregos para conseguir sustentar a família, que nem sempre estivera tão disponível quanto ele e o irmão teriam desejado. Droga, ele quase não conhecera o próprio pai. Era isso o que ele desejava para seu filho?
Joe percebeu que a aparência de Demi não era boa ao irromper na sala de preparação para o parto. O cabelo loiro estava molhado de suor, o rosto, pálido e coberto com uma máscara de oxigênio. Os olhos estavam fechados, com grandes olheiras, e ela parecia estar dormindo. Outra mulher de cabelo castanho estava ao lado dela, segurando-lhe a mão. Ele simplesmente acenou com a cabeça para ela e afagou a face de Demi.
Imediatamente ela abriu os olhos e, através da máscara, ele percebeu que sorria.
— Você veio — ela disse com a voz abafada pela máscara. — Eu sabia que viria.
— Não tive escolha — ele brincou. — Você mandou uma tropa de elite para me resgatar.
ela balançou lentamente a cabeça.
— Você não veio só porque Miley é muito persuasiva. Veio porque queria estar aqui, neste momento.
— Sim — ele disse, passando a mão pela testa de Demi para afastar o cabelo úmido de seu rosto. — Estou aqui por sua causa e por causa do bebê. E por minha causa, também. O que posso fazer?
— Segure minha mão — ela pediu.

Ele segurou a mão de Demi entre as suas e sentiu que ela as pressionava gentilmente.
— Joe, esta é minha irmã, Selena — ela sussurrou, com a voz fatigada. — Sel, este é Joseph, o pai de meu bebê. Vocês dois sejam gentis um com o outro, estão me escutando?
Então, fechou os olhos novamente.
— Como ela está indo? — ele perguntou a Selena. A irmã deu de ombros, aparentemente resignada com a presença de Joseph.
— Agora está melhor. Estava aguardando um parto natural, mas a dor estava forte demais. Pediu uma anestesia peridural há cerca de meia hora. Acho que agora falta pouco.
— Ela não está sentindo dor, está? — ele quis saber. Não poderia suportar a idéia de ver Demi sofrer.
— Agora não. — Selena soltou a mão da irmã, circundou a cama e pressionou gentilmente o ombro de Joseph. — Ela vai ficar bem, agora que você chegou. Vou sair para tomar café. Está sendo um longo dia. — Ao chegar à porta, ela voltou-se. 
— Vou cuidar para que David e Miley deixem vocês a sós.
David deveria ser aquele homem alto de porte de atleta na sala de espera, Joe imaginou enquanto puxava a cadeira para sentar-se ao lado da cama de Demi . Aquele que o encarara ameaçadoramente quando ele chegou. Joe ficou admirado ao perceber o amor e o sentimento de proteção que aquelas pessoas pareciam sentir por Demi. Então pensou nos próprios sentimentos em relação à mulher que segurava pela mão, imaginando que ele não sentia menos.
Algumas horas mais tarde ela finalmente deu à luz sua filhinha. Uma menina, Joseph maravilhou-se, olhando para a criança que emergiu de dentro de Demi. Ele passou as mãos pelo rosto, enquanto o médico limpava a criança, e percebeu algo quente rolando pelas faces. Espalmou as mãos sobre os olhos para enxugá-los.

Nem que trabalhasse incansavelmente a vida toda, ele pensou, seria capaz de contribuir para a criação de algo tão magnífico. Nenhum prédio de escritórios, nenhum shopping-center, nenhum edifício de apartamentos chegaria perto da perfeição da criaturinha que o médico depositou sobre o colo de Demetria .
Repentinamente, nada do que passara fazendo em sua vida adulta parecia ter mais importância.
Esse era o sal da vida, ele pensou ao abraçar Demi , ao amparar cinco dedinhos perfeitos com o seu indicador enorme. Nada mais importava. Só Demi , a filha e as emoções que elas lhe transmitiam. Era como se tivesse acabado de receber um presente dos céus. Naquele pequeno quarto, tinha tudo na vida de que poderia precisar. Nada mais importava.
— Ela não é linda? — perguntou Demi entre soluços, nem se preocupando em segurar as lágrimas que rolavam.
A filha chorava, indignada com o que lhe fizeram ao arrancá-la de seu ninho perfeito para o mundo exterior.
Sua cabeça era cônica e o corpo ainda estava coberto pelo líquido da placenta. Mas Joe tinha a certeza de que jamais vira algo tão lindo em toda sua vida.
— Ela é perfeita — ele concordou, completamente in-capaz de dizer algo mais elaborado.
— Ellie  — ela disse suavemente. — O que você acha?
Joe concordou.
— Ellie Devonne Lovato . Imponente, não? Demi ergueu os olhos para ele.
— Você acha que ela deve ter o seu sobrenome?
— Acho que ela deve ter o nosso sobrenome — corrigiu Joe. — Isso é, se você quiser ficar com o meu sobrenome depois que nos casarmos. Mas se você preferir permanecer Demetria Lovato, eu vou entender.
Ela fez menção de dizer algo, mas não conseguiu. Joe sorriu.
— Ok, se você preferir permanecer Demetria Lovato depois do casamento, então nossa filha poderá se chamar Ellie Devonne Lovato Jonas. Até parece nome de herdeira.
Demi sorriu.

— Parece mesmo. — Então o sorriso apagou-se. — Mas o que, exatamente, ela vai herdar? — ela indagou, acariciando o rostinho de Ellie para acalmar-lhe o choro. — Do pai, quero dizer.
Imediatamente a criança parou de chorar e voltou a cabeça na direção da mão da mãe. Demi e Joe riram juntos.
— Estou falando sério, Joseph — Demi disse, voltando-se para ele novamente. — Ela merece um pai que participe integralmente de sua vida e eu mereço um marido que não comprometa meu amor por ele com um dispositivo eletrônico. Não vou viver com você e um bip sob o mesmo teto.
— De agora em diante, o bip fica no porta-luvas das cinco da tarde até as sete horas da manhã — ele prometeu. — Vou dedicar somente dez horas por dia ao meu trabalho, de segunda a sexta. Nem mais, nem menos. Isso é o que posso prometer a você.
— Como? — ela insistiu. — Como pode me prometer algo assim se até agora você só fez voltar atrás com suas palavras?
— Eu sei — ele concordou. — E só me arrependi por isso. Mas agora posso prometer. Estou fazendo duas fusões.
— Duas?
Ele meneou a cabeça.
— Uma com você, outra com Ike Guthrie.
— Quem é Ike Guthrie?
— É um arquiteto de Pittsburg que está expandindo seus negócios. Há algumas semanas ele propôs fundirmos nossas empresas. No começo odiei a idéia. Mas agora — ele continuou, passando o dedo sobre a cabecinha de Ellie —, a idéia me parece fabulosa. Ike e eu trabalhamos bem juntos e ele é ainda mais ambicioso do que eu. Está disposto a agüentar toda a pressão. Isso cortaria meus compromissos profissionais pela metade e me daria mais tempo para passar com minha mulher e filhos.
Ele fitou Demi . Ela mal podia crer que via lágrimas rolando daqueles olhos verdes.
— Aceitei porque espero que você aceite ser minha mulher — ele disse gentilmente. — E se você aceitar, gostaria de ter mais filhos com você.

— Por quê? — ela perguntou, incapaz de acreditar no que estava ouvindo. — Por que haveria de querer isso?
Ele balançou a cabeça, surpreso por ela ainda não saber a resposta.
— Porque eu te amo — ele disse, simplesmente. — Acho que te amo desde o dia em que entrei no Cosmos e a vi atrás do balcão. E sei que vou te amar até o final de meus dias. Já não posso mais viver sem você ou sem nossa filha. Quero que sejamos uma família, quero passar o resto de minha vida amando vocês duas. E quem mais chegar. Você acha que poderá me dar esta última chance?
— Joe... — Demi irrompeu em lágrimas e segurou-o pelo queixo com os dedos trêmulos. — Eu também te amo. E você não precisa de nenhuma chance. Já passou pelo teste. Eu sabia que você seria o pai perfeito para a minha filha. Sempre soube.
Ela o puxou para um beijo apaixonado, e então suspirou enquanto o fitava carinhosamente.
— Eu só não sabia que teria sorte o bastante para encontrar o marido perfeito, também.

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EPÍLOGO


Vestida de branco, Demetria saiu de seu quar­to, na manhã de Natal, para encontrar o presente mais maravilhoso do mundo esperando por ela, ao lado da árvore. Joseph estava magnífico trajando um de seus ternos escuros, com um cravo na lapela. Ao lado dele estava seu irmão, Nick, que conhecera na semana anterior. Ele fizera questão de segurar no colo a pequena Julie, em quem conseguiram vestir um minúsculo vestido de veludo vermelho. Selena, também usando um vestido de veludo vermelho, completava o quadro, junto com o oficial de justiça que Joseph se apressara em pro­videnciar. Todos os demais na sala eram amigos e pa­rentes, alguns novos para Demi, outros não, mas todos sorridentes.

Era um casamento que jamais sonhara ter. Primeiro porque jamais imaginara que iria se apaixonar daquela forma. Segundo porque nunca sonhara que um homem tão especial quanto Chase retribuiria seu amor.
Depois de Demi e Joe terem cumprido as formali­dades legais e de terem circulado entre os convidados durante a festa, pegaram a filhinha e saíram discreta­mente para passarem o resto do feriado na mais absoluta privacidade. 
Afinal, foi justamente disso que não haviam desfrutado nas últimas semanas, com visitantes entrando e saindo o tempo todo para conhecer o bebê e trazer presentes para o casal. Além do mais, nenhum deles achava que uma vida inteira seria suficiente para tudo o que pretendiam fazer.
Contudo, enquanto colocavam a pequena Julie para dormir naquela noite, chegaram à conclusão de que uma vida inteira já seria um bom começo.



Bem galera é isso, chegamos ao fim.
acabei de postar o Epilogo , prontooo
Me desculpe pela demora ... mas agora foi !!!

Bju nas Crianças!

12/11/2013

O Pai Perfeito ( Mini Fic Capitulo 12)




CAPÍTULO 12


Durante os dois meses seguintes, Joseph tornou-se um parceiro ativo na gravidez de Demetria. Acompanhou-a quando ela foi comprar o carrinho e ajudou-a a decidir o modelo. Sentou-se com ela à mesa da cozinha com uma amostra de tons de tinta, para escolher uma cor de quarto que não fosse especificamente de menino ou de menina. Segurou a mão de dela na sala de espera do médico quando ela teve que fazer o segundo teste de tolerância à glicose. Costumava tocar “Uma Noite na Tunísia” várias vezes em seu saxofone para distrair o bebê.
Mas jamais tentou fazer amor novamente.
Houve apenas alguns beijos castos e breves quando se encontravam ou se despediam e ele jamais deixava de segurar a mão dela quando caminhavam juntos. Tampouco Joe deixava de tocá-la: pousava a mão no ombro dela quando queria chamar-lhe a atenção, limpava-lhe o rosto quando ela tomava um sorvete. E sempre afagava o ventre intumescido quando Demi sentia que o bebê estava mais agitado. Isso era o máximo de intimidade a que ele se permitia. Nada além disso.
A situação deixava-a ao mesmo tempo aliviada e preocupada. Por um lado, deixara bem claro que estava lhe dando uma segunda chance por causa do bebê, somente. Por outro, começava a entrar em contato com um lado desconhecido de Joseph.
Talvez ele até tivesse as características de um homem de família, de um pai perfeito, ela pensou quando ele passava pela porta do apartamento na tarde do Halloween, o Dia das Bruxas, trazendo a maior abóbora que ela jamais vira. Ele também trouxe várias barras de chocolate e doces para as crianças que batessem à porta de Demi.
— Você percebe que vamos acabar comendo a maioria destes doces? — ela o repreendeu ternamente. — Não há muitas crianças neste prédio.
— Bem, como eu poderia calcular o número de crianças? — indagou Joe ao depositar a abóbora sobre a mesa da cozinha, analisando-a criticamente. 
— Eu sempre dei um jeito de viajar para algum lugar isolado para evitar as crianças.
Demi fulminou-o com o olhar.
— Jura que você fazia isso? Se fosse na minha época, eu teria dado um jeito de jogar ovo na sua porta ou encher suas árvores de papel higiênico, só para você deixar de ser anti-social.
— Será que você não percebe que as crianças agem como chantagistas? Dê-me um doce ou acabo com sua casa? — ele defendeu-se. — Além do mais, doces fazem mal para os dentes.
Demi balançou a cabeça.
— Que homem mais ranzinza! Este é o único dia totalmente dedicado às crianças e você estraga tudo.
— Não estou estragando nada este ano — ele lembrou. — Vou até mesmo fazer uma lanterna de abóbora fantástica. — Ele apanhou o fruto e examinou-o. — Como é que se abre isto?
Demi discorreu sobre a arte de confeccionar uma lanterna, procurando incentivá-lo, quando ele fez uma careta ao encontrar o material viscoso dentro do fruto. Ela própria tirou as sementes com as mãos, para Joe então começar a escavar uma careta risonha e assustadora que requereu todo o seu conhecimento arquitetônico.
O resultado foi um pouco questionável, mas, ora bolas, era uma lanterna de abóbora, sem dúvida. As crianças haveriam de adorar.
Por volta das nove e meia, as crianças pararam de aparecer. Afinal Joseph atendera de bom grado os inúmeros dinossauros, princesas árabes, dráculas e outros monstros inomináveis que apareceram. Depois disso, Demi e Joe fizeram pipocas no microondas e colocaram O Iluminado no videocassete.
— Cara, os costumes do Dia das Bruxas mudaram muito desde quando eu era um garoto — ele comentou, enquanto a tela rolava as advertências sobre os direitos autorais da fita. — O que aconteceu com as bruxas com chapéus enormes e os fantasmas feitos de lençol?
— É verdade — ela concordou, atirando uma pipoca para o alto e aparando-a com a boca. — Quando eu era criança, ficávamos aprontando na rua até meia-noite. Geralmente ficávamos de castigo depois, mas valia a pena. Hoje as crianças têm que ir acompanhadas de adultos e encerram o expediente às nove. Não é justo.
— Você morou nos subúrbios? — Ele quis saber. Ela confirmou.
— Em Collingswood, um bairro ao sul de Nova Jersey.
— Os subúrbios ainda são um lugar mais seguro, mas, mesmo assim, não se tem mais segurança em lugar nenhum — ele observou.
— Onde você foi criado? — Demi perguntou abruptamente, surpresa ao perceber o quão pouco sabia a respeito do passado de Joe.
— Ao norte de Nova Jersey — ele respondeu sucintamente.
— Em que lugar?
— Newark.
— Onde em Newark?
— Em um bairro de Newark.
— Que tipo de bairro em Newark?
— Um não muito conhecido.
— Mas como era esse lugar? — ela insistiu. Ele suspirou, visivelmente aborrecido com aquele interrogatório. Pegou o controle remoto, aumentou o som e disse:
— Shhh! Está começando.
Demi tirou o controle remoto da mão dele e desligou o videocassete.
—Podemos assistir mais tarde.. De repente me ocorreu que sabemos muito pouco a respeito do passado de cada um. Joe voltou-se para ela, não escondendo sua impaciência.
— E daí?
A rispidez a surpreendeu, mas ela não desistiu.
— Você não acha isso estranho?
Ele balançou a cabeça.
— Por quê? Deveria? Para mim isso não é importante.
— Não quer saber mais a meu respeito? — ela prosseguiu. — Gostaria de saber mais sobre você.
Joe a encarou profundamente, imaginando por que ela estava tentando arruinar uma noite perfeita com uma pergunta como aquela. A verdade era que desejava, sim, saber tudo a respeito dela. Cada detalhe mais ínfimo. Mas, para isso, teria que abrir as portas de seu próprio passado, e retornar à sua infância e adolescência era algo a que não estava disposto. Havia muito tempo enterrara aquelas recordações dolorosas em um lugar inacessível.
— Que momento mais estranho para querer saber mais a meu respeito, Demetria. Por que não perguntou isso meses atrás, antes de me eleger para ser o pai de seu filho? Com isso, ele pretendeu somente evitar que o assunto evoluísse, mas Demi aparentemente sentiu-se insultada, pois pegou o controle remoto e ligou o filme novamente, sem olhar para ele
Ele suspirou profundament.
— Demi, eu sinto muito — ele disse. — Não quis ser grosseiro.
— Deu para perceber — ela respondeu rispidamente.
— Você não me entendeu direito.
Ela não voltou-se na direção dele, nem aceitou o pedido de desculpas. Somente aumentou o volume e sussurrou:
— Shhh! Já está começando.
Dessa vez foi Joe que tirou o controle remoto da mão dela e desligou o filme.
— Não fique zangada comigo — ele pediu. — Não pretendi magoá-la. Somente estava tentando evitar uma conversa que não me agrada.
Ela tirou um fio de linha de seu suéter e perguntou:
— Por que não?
Ele suspirou melancolicamente, percebendo que não conseguiria escapar facilmente da situação. Decidiu ser honesto.
— Porque não gosto de lembrar do meu passado, é isso.
— Por que não? — ela quis saber, ainda às voltas com o fio de linha.
Tentando disfarçar sua inquietação, Joe ergueu-se e foi até a cozinha abrir uma lata de refrigerante. O líquido subiu no copo, se derramando sobre o balcão. Enquanto enxugava a pedra de granito com uma toalha de papel, começou a falar:
— Porque me criei em um bairro muito pobre.
— E daí? -- Demi espichou a cabeça para olhá-lo na cozinha — Meu bairro não era nenhum Palm Springs.
— E daí que não é algo de que goste de me lembrar.
— Você ainda tem família em Newark? — Demi procurou suavizar a voz para não parecer inquisitiva. Ele balançou a cabeça.
— Não. Minha mãe morreu de câncer quando eu era pequeno. Ela trabalhava em uma indústria química antes que fossem impostas restrições de segurança. E sobre a morte de meu pai, você já sabe.
— Nenhum irmão ou irmã?
— Tenho um irmão mais velho que quase nunca vejo. Ele é casado, tem filhos, cinco no total, trabalha como um cão em uma fábrica de automóveis e mora muito perto da casa onde nós crescemos.
— Bem, pelo jeito ele não odeia tanto a vizinhança.
— Por algum estranho motivo, ele é completamente feliz atado ao passado. Nunca consegui entender direito aquele cara.
— Talvez ele tenha descoberto algum encanto nas vizinhanças.
Joe voltou para o sofá e sentou-se ao lado de Demi, fixando o olhar em uma foto que a mostrava ao lado de Selena e Miley em um cruzeiro pelo Caribe, tendo ao fundo palmeiras convidativas e um lindo mar azul.
— O que vi naquelas redondezas — Joe contou — foram quarteirões e quarteirões de casas velhas sem quintal, crianças com roupas remendadas brincando com brinquedos tão quebrados que nem podiam mais ser consertados.
Uma vez, quando tinha sete anos, levei seis pontos no joelho porque escorreguei em uma garrafa quebrada de bourbon quando estava jogando beisebol em um terreno baldio. Era um lugar infernal — ele concluiu. — Não pretendo voltar lá nunca mais.
Demi suspirou, imaginando que o que ele acabara de descrever era o que levava sua carreira adiante: queria cada vez mais afastar-se daqueles tempos. Mas como poderia explicar a ele que ascender economicamente não significava necessariamente conquistar uma felicidade cada vez maior?
— Então agora você vive em um condomínio vertical privilegiado e brinca com brinquedos mais caros, como um Porsche vermelho... - ela ponderou.
Ele acenou com a cabeça.
— E isso o torna infinitamente mais feliz do que seu irmão, por exemplo?
Joe acenou novamente.
— E seu irmão não tem a mínima idéia do que seja a felicidade, certo?
Outro aceno.
— Percebo...
Ele fez menção de abrir a boca para defender seu ponto de vista, mas o bip soou. Demi retesou-se. Odiava aquele som, pois isso significava, invariavelmente, que Joseph iria partir outra vez.
— Não atenda — ela pediu impulsivamente, surpreendendo a si mesma.
— Preciso atender — ele respondeu, pegando o bip da mesa lateral.
— Por quê?
— Porque pode ser algo importante.
— Alguma emergência médica, por exemplo? Ele franziu o cenho.
— É claro que não. Estou falando de uma emergência em meus negócios.
Dessa vez foi Demi que franziu o rosto.
— Isso não existe.
Ele contemplou o número do telefone que aparecia no mostrador. Em seguida ergueu-se e pegou o telefone da cozinha.
— Como sempre você não consegue entender — ele disse, esperando que o destinatário de sua ligação atendesse.
— Você tem razão. Não entendo por que alguém que não seja do ramo médico, ou das catástrofes, tenha que ficar de plantão vinte e quatro horas por dia.
— Eu não fico de plantão vinte e quatro horas por dia.— ele protestou.
— Então o que é isso?
— Este é o mundo dos negócios.
— É uma grande bobagem.
— Ouça, só porque você pensa... — Ele parou abruptamente, pois o destinatário atendeu. — Alô, Ike? Joseph...Tudo bem, não se preocupe. Não estava fazendo nada importante...
Demi ouviu enquanto Joe explicava a Ike que não, ele não tinha compromissos que não pudessem ser cancelados, que não era tarde para conversarem sobre o projeto que estavam desenvolvendo juntos e que poderia encontrá-lo no escritório dentro de meia hora.
Nada importante, ela pensou. Era isso o que ela significava para Joseph Jonas.
Ela ergueu-se do sofá e pôs-se a recolher as coisas dele, colocando-as ao seu alcance. Quando ele desligou o telefone, ela já estava com a jaqueta preparada para ele vestir. Sem abrir a boca ela lhe entregou a maleta de couro e um saco de papel com o resto dos doces do Dia das Bruxas. Em seguida, caminhou até a porta e abriu-a.
Agastado, Joseph ficou parado na cozinha, observando-a. Deixou o pacote com os doces sobre o balcão e pegou a maleta, aproximando-se dela cautelosamente.
— Acho que vou resolver tudo em uma hora, talvez um pouco mais — ele tentou explicar, parado ao lado dela, à porta. — Quando eu voltar, poderemos assistir ao filme juntos, se bem que será mais assustador depois da meia-noite.
— Se a sua reunião vai durar somente uma hora, por que não a deixa para amanhã, durante o expediente normal? — ela quis saber.
— Porque Ike vai viajar amanhã de manhã e só volta na semana que vem.
— E a economia mundial vai entrar em colapso se você não resolver isso hoje à noite, certo?
— Demi... — O tom de voz de Joe era de advertência.
— Então vá. — Ela afastou-se para ele poder passar. — A meia-noite já estarei na cama, portanto não se preocupe em voltar.
Ele passou pela porta relutantemente e então voltou-se para ela.
— Amanhã virei buscá-la às seis da tarde. Podemos comer algo pelo caminho para chegarmos lá às sete sem problemas.
Ela sabia exatamente do que ele estava falando, mas não estava disposta a facilitar as coisas.
— Onde?
Ele bufou.
— No hospital, claro. Espero que não tenha se esquecido de que as nossas aulas de preparação para o parto começam amanhã à noite.
— Eu me lembro de que minhas aulas de preparação começam amanhã — ela provocou.
— Que seja. — Joseph precisou controlar-se para não perder a paciência. — Venho pegá-la às seis.
— Isso não será necessário. Miley ofereceu-se para ser minha parceira nas aulas.
O olhar de Joseph ensombreceu.
— Pensei que já tivéssemos concordado que eu seria seu parceiro nas aulas de preparação — ele reclamou, com uma ponta de hostilidade.
Demi ignorou a raiva dele porque estava muito ocupada alimentando a sua.
— Não, isso foi algo que você decidiu sem me consultar.
— Contudo, fizemos um acordo...
— Considere-se desobrigado — prosseguiu Demi impacientemente. — MIley será minha parceira porque é alguém com quem poderei contar em todas as aulas. Sem falar no parto em si.
Você pode contar comigo em todas as aulas — ele garantiu, tentando parecer menos exasperado. — Inclusive no parto.
A clareza com que enxergava a situação impediu Demi de animar-se com aquelas palavras.
— Eu não poderia ter contado com você se as aulas tivessem começado hoje e se Ike tivesse ligado duas horas mais cedo — ela observou.
— Mas as aulas não começaram hoje e Ike não ligou duas horas mais cedo — ele contra-argumentou.
— Não é esse o ponto, Joseph.
— Qual é, então?
— O problema é que não sou o tipo de mulher que goste de ficar à disposição de um homem que nunca tem tempo para ela.
— Mas você não é assim.
— Então por que me trata como se eu fosse?
— Eu não faço isso.
Ela soltou uma gargalhada totalmente desprovida de humor.
— O que você pensa que está fazendo cada vez que esse bip soa? Você sai como uma bala, sem levar meus sentimentos em consideração.
Ele fez menção de contradizê-la, mas não conseguiu, porque sabia que, no fundo, ela tinha razão. Ele sempre partia para resolver algum assunto de seu trabalho quando alguém ligava precisando dele, mas isso acontecia porque só ligavam quando o assunto era muito importante.
— Estarei aqui amanhã, conforme combinamos — ele garantiu.
— Como posso ter certeza? — ela perguntou. — Mesmo que você venha amanhã, quem me garante que você poderá ir às outras aulas? Vive me dizendo que quer participar desse parto, mas tudo indica que você vai me largar no meio de uma contração para atender a mais um dos seus clientes importantes.
— Isso não vai acontecer — ele garantiu.
— Como sabe?
— Eu sei e basta.
— Bem, eu não tenho nenhuma certeza.
Joe voltou a entrar no apartamento e fechou a porta atrás de si.
— Você vai se atrasar para o seu encontro — Demi avisou sarcasticamente.
— Alguns minutos a mais ou a menos não vão fazer diferença. Algo me diz que você tem algo a me dizer. Ela sorriu melancolicamente.
— E você acha que alguns minutos serão suficientes?
— Por que não tenta?
Ela ergueu a cabeça, fitou-o e por fim anuiu.
— Está bem...
Como ela não começou a despejar imediatamente tudo o que ele temia ouvir, Joe abriu os braços.
— Bem. Estou esperando.
Demi umedeceu os lábios e respirou fundo.
— Talvez eu esteja sendo presunçosa — ela começou suavemente —, mas estava começando a pensar que tudo entre nós estava começando a ficar muito bem.
— Não acho que isso seja presunção — ele disse, balançando a cabeça. — Tudo entre nós estava começando a ficar muito bem e, até onde eu sei, ainda está bem.
Ela confirmou, meneando a cabeça, mas Joseph não estava muito seguro de que ela estivesse convicta.
— Eu... hã... estava até começando a pensar que havia uma possibilidade de futuro para nós todos juntos. Para nós três, quero dizer — ela esclareceu, espalmando a mão sobre o ventre volumoso.
Joseph engoliu em seco. Ele, também, começara a imaginar que haveria um modo de os três ficarem juntos para sempre, mas tinha medo de que ela o pusesse para fora de sua casa ao ouvir isso. Mas antes que ele pudesse falar, ela prosseguiu:
— Mas agora não tenho tanta certeza — ela disse com a voz baixa. — Não tenho certeza de que haja espaço para mim ou meu bebê na sua vida. Na verdade, estamos de volta ao ponto em que tudo começou, quando lhe pedi para ser o pai de meu filho. Quando começamos a passar mais tempo juntos, comecei a imaginar que talvez você fosse um homem diferente, mas agora vejo que sempre estive certa.
— Demi, isso não é verdade — ele reclamou. — Para começar, você nunca me conheceu direito.
— Joseph, por favor, agora eu vejo tudo com clareza: sua carreira é como uma esposa, e seus projetos são como filhos que você vê nascer. Você já tem uma família, não precisa de outra.
— Você está errada. Eu gosto de você e do bebê, mais do que pode imaginar.
Ela franziu as sobrancelhas, realçando os olhos que começavam a marejar.
— Eu também gosto de você, mais do que pensei que viria a gostar de alguém. Mas tem que fazer uma escolha, Joseph. Algo tem que ser mais importante para você, seu trabalho, ou... — Demi passou a mão pela barriga. — Ou nós.
Joseph não gostou do que ouviu.
— O que exatamente está tentando dizer?
Ela hesitou, mas disse finalmente:
— Quando penso no meu futuro com você, só consigo me ver sentada à mesa de jantar com as crianças, com a comida esfriando, esperando que você chegue. Imagino as mil desculpas que terei que dar aos nossos filhos para a sua ausência. Imagino aquele maldito bip soando em uma manhã de Natal...
Ele bem que quis argumentar, dizendo que seu trabalho não era importante ao ponto de negligenciar as necessidades de sua família, mas ele próprio não negligenciara as necessidades de Demi nos últimos meses? Quantas oportunidades não perdera de passar uma noite tranqüila com ela? Más não, ele passara a maior parte daqueles meses transformando sua carreira em um sucesso. Era assim que sabia trabalhar e não queria ameaçar o bom nome de sua empresa. Mas também não queria colocar em risco seu futuro com Demi.
— Dê-me uma chance para resolver isso tudo — ele pediu, enxugando as lágrimas daquele rosto de que tanto gostava. — Só uma chance; é tudo o que lhe peço.
— Você me pediu uma chance há dois meses e eu a dei — ela lembrou. — Acho que fui mais do que justa. Mas, a menos que você esteja planejando alguma mudança drástica no seu modo de viver e trabalhar, não posso prometer nada.
Joseph jamais se sentira tão confuso e indefeso em sua vida toda. Por mais que quisesse modificar-se, temia que já vivera muitos anos daquela forma para mudar. Queria dizer a Demi, olhando-a no fundo daqueles olhos castanhos brilhantes, que ela era a coisa mais importante em sua vida, ela e o bebê, mas só conseguiu consultar o relógio e sentir que um compromisso muito importante o estava chamando.
— Preciso ir — ele disse, sentindo o estômago apertar. — Mas estarei aqui às seis para buscá-la. Não faltarei á aula, prometo.
— Joe, não sei se isso vai dar certo...
— Estarei aqui — ele insistiu.
Sem aguardar que ela se estendesse na argumentação, Joe abriu a porta e saiu, deixando-a sozinha antes que pensasse duas vezes.
No corredor solitário, enquanto aguardava o elevador, só conseguia pensar que estava a caminho de uma reunião que não seria calorosa, engraçada ou afetiva como Demi e que havia uma grande possibilidade de que ela estivesse certa, afinal.
— Bem, agora não tenho mais dúvidas.
Demi estava parada no lado de fora da sala de aula, olhando para o relógio impacientemente e dando passagem para um casal aparentemente feliz. Já passavam alguns minutos das sete horas. Olhou para Miley e suspirou.
— Bem, você mesma disse que não poderia contar com ele — Miley lembrou. — Não sei por que está tão surpresa. Não foi por isso que me pediu para acompanhá-la?
— Você tem razão — Ela concordou. — Mas ainda tinha uma esperança de que ele viesse.
— Agora já sabe que ele não virá. Vamos entrar porque a aula já vai começar.
Miley segurou-a pelo braço e levou-a para dentro da sala, até chegarem a um lugar vago no fundo da sala. Demi reparou que ela era a única que não tinha um parceiro homem na aula.
— Só queria saber o que aconteceu com ele -- ela murmurou. — Joseph costuma telefonar quando não vem. E se ele sofreu algum acidente?
— E se ele for um canalha como todos os outros? — instigou Miley. — Francamente, Demetria, ao invés de se atirar de cabeça nesta fantasia maluca, por que não adotou uma criança? Menina, de preferência.
Demi apertou o nariz da amiga gentilmente.
— Ora, Miley, você odeia os homens. Não vai conseguir entender.
— Eu não os odeio; acontece que não confio neles.
A instrutora entrou na sala, silenciando a classe. Demi, no entanto, não conseguia tirar os olhos da porta, imaginando o que teria acontecido a Joseph. Paulatinamente, lembrou que só uma coisa o estava impedindo de estar junto a ela naquele momento: o trabalho. Lutando contra as lágrimas que queriam se formar em seus olhos, ela entendeu que ele fizera sua escolha.
Às sete e dois, Joseph congelava com o vento cortante que soprava no décimo sétimo andar do que seria um prédio de escritórios. Tentava, impacientemente, escutar o que Ike Guthrie dizia, amaldiçoando-se por ter deixado o celular no carro.
Estavam ali havia duas horas e já estava até disposto a saltar dali mesmo, pelo menos para fazer Ike parar de falar. Queria estar com Demi, queria saber o que estava acontecendo naquela aula que estava perdendo. Esperava que ela estivesse tomando notas para que ele pudesse lê-las mais tarde. Mas não. Provavelmente ela estaria dentro daquela sala com Miley, e as duas provavelmente estariam segredando que ele era um canalha, um tipo que não merecia ser o pai do filho dela.
— Ike, eu realmente preciso ir — disse Joseph abruptamente, interrompendo as explicações do outro homem.
Ike Guthrie era um homem alto e loiro, totalmente concentrado no negócio em questão, alguém que Joe não poderia melindrar. O projeto no qual os dois estavam trabalhando juntos era muito importante e requerera o máximo do tempo e da atenção de Joe nos últimos três meses. Ao aceitar encarregar-se do projeto, não se dera conta de que isso iria sacrificar todo o tempo disponível que tinha para ficar com Demi.
— Como? — protestou Ike, visivelmente aborrecido.
— De jeito algum. Você não vai a lugar nenhum até resolvermos todos esses problemas. — O homenzarrão levou a mão até a boca para tentar aquecê-la com o bafo.
— Ouça, eu também não estou gostando de estar aqui, mas cancelei uma viagem para resolver tudo. Que outro compromisso você tem que é tão importante? .
— Acreditaria se eu dissesse que é uma aula de preparação para o parto? — Joseph perguntou.
Ike balançou a cabeça.
— Não. Veja se arranja outra desculpa melhor.
Joe sentiu vontade de pular no pescoço de seu colega. Haveria algo mais importante do que trazer um filho ao mundo? Mas Ike cancelara uma viagem crucial para resolver um problema sério que aparecera na última hora.
Como Joe não dissesse mais nada, Ike apontou para a planta e voltou a falar. Ele mal escutava o que o homem tentava explicar a respeito de uma falha estrutural. Tudo o que sabia é que estava escuro e fazia muito frio e que, em algum ponto da cidade, uma mulher grávida estava aprendendo como trazer o filho ao mundo. Um filho que era seu, também.
E lá estava ele, a quilômetros de distância, incapacitado de participar daquele milagre. Demi tinha razão, ele pensou. O tempo todo. Ele seria um pai sofrível e um marido ainda pior. Sua empresa era bem-sucedida demais para negligenciá-la.
Demi e a criança eram igualmente importantes demais para ficarem com o resto de tempo de que ele dispusesse. Se ele se dividisse ao meio, terminaria negligenciando tanto a carreira quanto a família e perderia tudo o que construíra na vida.
Sabia que era um empresário irrepreensível, pois isso se refletia na prosperidade de sua empresa. Mas, como pai, como se sairia? Nem tinha competência para participar de uma aula de preparação para o parto.
Demi e o bebê mereciam algo melhor, Ele pensou. Droga, eles mereciam o melhor. Mereciam um homem que estivesse por perto em todas as situações, um homem com quem pudessem contar sempre, até para as coisas mais simples. E esse homem, obviamente, não era Joseph Jonas.
— Joseph, você está ouvindo?
A voz de Ike soou áspera e irritada.
— Sim, estou ouvindo — Ele afirmou, sentindo o coração partir em mil pedaços ao perceber que a parte mais doce de sua vida estava escapando de suas mãos.
— Ouça, Joseph, você está neste projeto ou não? — Ike inquiriu.
Ele hesitou por um momento antes de responder, mas finalmente disse com tristeza:
— Sim, Ike, estou neste projeto. Tenho uma solução para aquela falha.

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