07/08/2012

Capitulos 18 e 19






-Ah, que maravilha, vocês vieram mesmo!

Foi o que a Megan Parks disse quando abriu a porta e viu o Joseph e eu parados ali na
escada da casa dela. Para falar a verdade, ela não disse. Ela berrou.
Mas eu já devia saber que isso ia acontecer. Eu já devia saber que esse seria o
modo como ela (e todo mundo) reagiria.

No carro, a caminho de lá, o Joseph tinha ficado tipo: “Então. De quem é essa
festa?” E eu tentei explicar, mas acho que não me saí muito bem (provavelmente
por causa do frisson que, infelizmente, teimava em não ir embora), já que ele
emendou: “Deixa eu ver se entendi. É a festa de uma pessoa de que você não gosta,
onde vai ter um monte de gente que você não conhece... por que é mesmo que a
gente está indo?”

Mas daí eu expliquei que estávamos indo porque eu tinha prometido à minha amiga,
Catherine, e ele só deu de ombros e mandou: “Tudo bem.”
E apesar de ele não ter dado o menor sinal de que percebeu que todo mundo ficou
quieto quando entramos na casa da Megan Parks, e logo depois o pessoal todo
começou a cochichar, ele se ligou. Eu me liguei que ele se ligou. E nem foi por causa
do frisson. Não, eu me liguei porque aquele sorrisinho voltou, sorrateiro... tipo como
se ele estivesse se segurando para não rir. Acho que ele estava se segurando para
não rir daqueles tontos da John Adams que pareciam incapazes de parar de olhar
para ele.

Pelo menos ele podia rir de tudo aquilo. A única coisa que eu parecia incapaz de
fazer era ficar cada vez mais vermelha. Só que eu não conseguia entender por quê.
Tipo assim, não era como se eu gostasse dele nem nada assim. Só gostava dele
como amigo.
-Oi, eu sou a Megan – apresentou-se, estendendo a mão para o Joseph. Ela
estava usando um minivestido jeans. Tipo como se a temperatura não estivesse em
zero lá fora.

-Oi – disse Jospeh, apertando a mão da garota que transformava o meu cotidiano e o
de todas outras pessoas em um verdadeiro inferno. – Eu sou o Joseph.

-Oi, Joseph – respondeu. – Nem seu como agradecer por você ter vindo. É
mesmo uma honra conhecer você. Seu pai está fazendo um ótimo trabalho no
comando do país. Sabe como é, eu era nova demais para votar nas eleições, mas eu
quero que você saiba que eu, tipo, super distribuí panfletos para ele.

-Obrigado – Joseph disse, sem parar de sorrir, só que com uma cara de quem estava
querendo a própria mão de volta. – Foi muito legal da sua parte.

-A Demi e eu somo melhores amigas – Megan revelou, continuando a apertar os dedos
dele, sacudindo para cima e para baixo. – Ela contou para você? Praticamente,
desde o jardim-de-infância.

Não dava para acreditar em tamanha mentira, na cara dura. Eu teria dito algo, mas
não deu tempo, porque a Selena veio correndo na nossa direção.
-Ah, Meus Deus, que bom que você chegou – cochichou para mim depois das
apresentações. – Você não faz idéia. O Paul e eu só estamos parados aqui. Ninguém
fala com a gente. Ninguém mesmo! Estou morrendo de vergonha! Ele deve achar que
eu sou tipo uma leprosa social, total!

Dei uma olhada no Paul. Ele não parecia estar pensando nada daquilo. Estava
olhando Selena cheio de adoração, que estava totalmente fofa de jeans preto e
uma blusinha de seda que tinha pegado emprestado da Dallas.
Virei-me para o Joseph (que finalmente tinha conseguido se livrar do aperto de mão
da Megan) e perguntei:

-Quer uma Coca ou qualquer outra coisa?

-O quê? – perguntou, incapaz de me ouvir com a música tão alta. E nem precisa
dizer que não era ska.

-Coca? – perguntei de novo.

-Claro – gritou em resposta. – Vou lá buscar.

-Não – insisti. – Fui eu que convidei. Deixa que eu pego – dei uma olhada no John,
que estava apoiado em uma parede e tentava se misturar com os convidados. – Vou
pegar uma para o John também. Fica aqui me esperando, se não a gente vai se
perder um do outro.

Daí comecei a abrir caminho pelo meio da multidão na direção em que eu achava que
estavam as bebidas, que era o lugar onde havia a maior aglomeração. Preciso
confessar que fiquei aliviada de fugir da presença do Joseph. Tipo assim, era tão
esquisito aquilo que estava rolando entre a gente. Não sei exatamente o que era,
mas sei de uma coisa: Não estava gostando daquilo nem um pouquinho.

Conforme eu ia me esgueirando pelo meio daquela multidão rodopiante e às
gargalhadas, pensava comigo mesma: É isso que eu estou perdendo por fazer parte
do grupo das pessoas nada populares? Casas abarrotadas de gente barulhenta e
insuportável, com uma música que martelava na sua cabeça e que nem dá para
entender a letra? Francamente, preferia estar em casa assistindo a desenho
animado e comendo sorvete.Mas acho que eu era a única que pensava assim.

Quando cheguei ao lugar onde achei que as bebidas estavam, só vi um barril de
chope. Um barril de chope! Que sutil, Megan. Tipo assim, ela sabia perfeitamente que
o Joseph vinha e que ia trazer uns caras do Serviço Secreto com ele. Hummm, até
parece que ela nem ia se ferrar muito, nem nada assim.
E sabe o quê? Eu não tinha a mínima pena dela, para falar a verdade.
Os refrigerantes, alguém me informou, estavam em um isopor no quartinho ao lado
da cozinha. De modo que eu me enfiei de novo na multidão até conseguir chegar ao
quartinho ao lado da cozinha.
Adivinha? A minha irmã e o Logan estavam lá, totalmente de agarrando.
A Dallas soltou um gincho:

-Você veio! – gritou. – Tudo certo? Cadê o Joseph?

-Está para lá, em algum lugar – respondi. – Vim pegar refrigerante para a gente.

-Bobona – disse Dallas. – Ele é que tem que ir buscar refrigerante para você. Espera
aqui um minuto. Vou chamar as garotas.
Por “garotas”, claro, ela queria dizer as outras animadoras de torcida.

-Dallas – pedi. – Por favor. Hoje, não.

-Ah, deixa de ser tão estraga-prazer – Dallas disse. – Fica aqui com o Logan, eu já
volto. Tem um monte de gente aqui louca para conhecer o filho de verdade de um
presidente vivo...

E, antes que eu conseguisse proferir qualquer palavra, ela já tinha dado o fora e me
deixado sozinha com o Logan.
Que ficou olhando para mim pensativo, depois de virar todo conteúdo do copo de
plástico.

-Então – começou. – Como vão as coisas?

-Bem – respondi. – Surpreendentemente bem. Na quinta, a Sophia McDylan mandou a
gente desenhar um pedação de carne. E foi superlegal porque, para falar a
verdade, eu nunca tinha parado para observar um pedaço de carne, sabe? Tipo
assim, tem um monte de coisa que dá para ver na carne...

-Que ótimo – exclamou Logan, aparentemente sem perceber que estava me
interrompendo, apesar de a música estar bem mais baixa ali na lavanderia. – Você
recebeu meu quadro?
Olhei para ele sem entender nada:

-Que quadro?

-O que eu inscrevi – respondeu. – Do conserto Da minha janela.

-Ah. Não. Tipo assim, não sei. Tenho certeza que devem ter recebido. Só que eu
ainda não vi. Ainda não vi nenhum quadro.

-Bom, você vai adorar – entusiasmou-se Logan. – Demorei três dias para fazer. É a
melhor coisa que eu já fiz.

Daí o Logan começou a descrever o quadro muito detalhadamente. Alguns minutos
depois, quando o Joseoh apareceu na porta, ele ainda estava falando daquilo.
Fiquei alegre quando o vi. Não pude fazer nada a respeito disso. Apesar de o objeto
da minha afeição estar bem ali do meu lado, fiquei feliz em ver o Joseph. Disse a
mim mesma que não foi só porque aquela história dos talheres de servir salada
tinha sido tão fofa. Não tinha nada a ver com aquele negócio de frisson. Nada
mesmo.

-Ei! – chamou Jospeh, com aquele sorriso que, eu percebera, era praticamente sua
marca registrada. – Fiquei imaginando onde é que você tinha se enfiado.

-Joseph, este aqui é o namorado da minha irmã, o Logan. Logan, este aqui é o Joseph.
O Joseph e o Logan apertaram as mãos. Percebi que, para falar a verdade, ali um ao
lado do outro, eles eram bem parecidos. Tipo assim, os dois tinham mais de um metro e oitenta de altura, e os dois tinham cabelo escuro. Mas acho que a semelhança meio que pára por aí, já que o cabelo do Logan ia até a orelha e o do Joseph era bem curtinho de um jeito bonito. E é claro que o Logan tinham aquele brinco com a cruz egípcia, e nenhuma das orelhas do Joseph tinha furo. E é claro que o Logan estava com a roupa dele de festa: farda militar com um guarda-pó comprido, ao passo que o Joseph estava vestido de um jeito bem conservador.
Acho que, no final das contas, eles não eram tão parecidos assim.

-O Joseph está na minha aula de arte – informei, para quebrar o silêncio incômodo
que se seguiu ao aperto de mão dos dois.
Logan amassou o copinho de plástico:

-Ah, você quer dizer a sua aula de conformismo artístico?
O Joseph fez uma cara de quem não estava entendendo nada. E não era para menos.
O Logan é uma pessoa muito intensa, é preciso acostumar-se a ele.
Emendei, apressada:

-Não, Logan, acontece que não é nada disso. Eu estava totalmente errada a respeito
da Sophia. Ela só quer que a gente aprenda a desenhar o que eu vejo antes de
me soltar, sabe como é, para fazer as minhas próprias criações. A gente precisa
aprender as regras primeiro, sabe como é, para só depois quebrar todas elas.
Logan, olhando fixamente para mim, mandou:

-O quê?

-Não, falando sério – continuei, percebendo que ele não estava entendendo nada do
que eu estava dizendo. – Tipo assim, sabe o Picasso? O Joseph me disse que ele
passou anos e anos aprendendo a desenhar, sabe como é, tudo o que via. Só depois
que ele aprendeu a fazer isso direitinho foi que começou a fazer experiências com
as cores e as formas.

O problema é que o Logan, em vez de achar esse fato em especial infinitamente
interessante, como tinha acontecido comigo, fez uma cara bem cínica.

-Demi, não dá para acreditar que logo você foi cair nessa baboseira pedagógica.

-Como é que é? – o Joseph pareceu ficar com raiva.
Logan ergueu as duas sobrancelhas.

-Hum, acho que eu não estava falando com você, Primeiro-Garoto.

-Logan! Qual é o seu problema? – exclamei, um pouco chocada. Tipo assim, o Logan, na
posição de artista extraordinário, e por ter toda aquela, sabe como é, energia
artística dentro de si, pode ser bem cansativo (e eu sei disso muito bem). Mas não
há motivo para ficar xingando os outros.

-Qual é o meu problema? – Logan riu, mas não porque de fato estivesse achando
alguma coisa muito engraçada. – Essa não é a questão. A questão é: Qual é o seu
problema? Tipo assim, você costumava pensar por si só, Demi. Mas de repente você
está se entregando para essa conversa de “desenhar o que você vê” como se os
deuses tivessem gravado isso em uma porcaria de uma taboa. O que aconteceu com
o questionamento da autoridade? Fizeram sua cabeça em relação ao processo
criativo e as funções que ele tem?

-Logan, fui eu mesma que fiz minha cabeça, eu... – não dava para acreditar naquilo
que eu estava ouvindo. Tipo assim, o Logan sempre tinha dito que era obrigatório
que os artistas sempre estivessem abertos a tudo que é novo, de modo que
pudessem absorver o conhecimento com uma esponja. Só que, nesse caso, o Logan
não estava agindo muito como uma esponja.

-Ei, pessoal – de repente, a Dallas reapareceu com uma turma de animadoras de
torcida, cada uma com mais glitter e Lycra do que a outra, todas atrás dela. – Ah,
ei. Joseph, trouxe umas amigas que querem conhecer...
Mas eu ainda estava tentando fazer o Logan entender.

-Eu fui pesquisar, Logan. O Joseph tem razão. O Picasso dominava mesmo todas as
técnicas antes de começar a fazer experiências com as linhas e...

-O Joseph – repetiu Logan, revirando os olhos. – Ah, claro, tenho certeza de que o
Joseph sabe tudo sobre arte. Porque eu tenho certeza de que ele já participou de
exposições.

A Dallas olhou do Logan para o Joseph e do Joseph para mim, como se estivesse
tentando entender o que estava acontecendo. Quando falou, foi com o Logan:

-E até parece que você participou! – declarou, com uma sobrancelha erguida.
A Dallas era mesmo a namorada que dava menos estímulo ao namorado no mundo.

-Claro que sim – respondeu Logan. – Na verdade, meus quadros já foram expostos...

-No shopping center – explicou Dallas.
Mas o Logan nem olhou para a Dallas. Estava olhando para mim. Dava para sentir os
olhos azuis dele perfurando o meu corpo.

-Se eu não estivesse ligado, Demi, ia achar que não foi o braço que você quebrou no
dia em que salvou o pai desse cara, mas sim o cérebro.

-Tudo bem – resolveu Joseph. Já não tinha mais nem sombra do sorrisinho secreto
no rosto dele. – Olha aqui, cara, não sei qual é o seu problema, mas...

-O meu problema? – Logan cutucou a si mesmo com um dedo. – Não sou eu que tenho
um problema, cara. É você que parece estar totalmente disposto a deixar que a sua
criatividade seja anulada por uma...

-Tudo bem – interrompeu Dallas com voz entediada, esgueirando-se entre o Logan e o
Joseph e colocando as mãos na frente do casaco preto e comprido do Logan. – Chega.
Vamos lá para fora, Logan.
Logan olhou para ela como se só tivesse percebido sua presença naquele momento.

-Mas... Dallas, foi ele quem começou.
-Certo – fez Dallas, empurrando o Logan para trás, em direção a uma porta que
parecia dar para o quintal. – Claro que foi ele. Vamos ali para fora tomar um ar.
Aliás, quantas cervejas mesmo você tomou?

E daí eles se retiraram, deixando o Joseph e eu sozinhos. Na companhia de toda a
equipe de animadoras de torcida da Dallas.
Joseph olhou para mim e mandou:

-Caramba, qual é o problema desse cara?

Sem deixar de olhar para o Logan (que eu enxergava através da porta de tela,
gesticulando loucamente para a Dallas enquanto explicava sua versão dos
acontecimentos), murmurei:

-Ele não é tão mau assim. Só que tem, sabe como é, alma de artista.

-Só. E cérebro de orangotango – observou Joseph.
Lancei um olhar afiado para ele. Se liga! Ele estava falando da minha alma gêmea.

-O Logan – afirmei. – por acaso é muito, muito talentoso. Não só isso, ele
também é rebelde. É radical. Os quadros do Logan não refletem apenas a situação
deplorável da juventude urbana de hoje. Mostram uma posição forte a respeito da
apatia e da falta de correção moral da nossa geração.

O olhar que Joseph lançou na minha direção foi bem estranho. Parecia um misto, em
partes iguais, de descrença e confusão.

-O quê? – perguntou. – Você está a fim desse cara ou qualquer coisa assim, Demi?

As amigas da Dallas, que estavam assistindo a tudo aquilo (e ouvindo com muita
atenção), deram risinhos abafados. Pude sentir minhas bochechas corando. Meu
rosto estava mais quente do que estivera no restaurante.

Mas foi esquisito. Não dava para saber se eu tinha ficado vermelha por causa da
pergunta do Joseph ou por causa do jeito que ele estava olhando para mim. Falando
sério. Não era a primeira vez naquela noite que eu estava tendo dificuldade para
olhar naqueles olhos dele. Tinha alguma coisa neles... sei lá... que estava me
deixando pouco à vontade.

Claro que eu não podia contar a verdade para ele. Não com toda a equipe de
animadoras de torcida da Adams bem ali, olhando para nós. Tipo assim, a última
coisa de que eu precisava era a escola inteira sabendo que eu estava apaixonada
pelo namorado da minha irmã.
Então, mandei:

-Dãh, ele é namorado da minha irmã, não meu.

-Não perguntei para você de quem ele é namorado – retrucou Joseph, e eu percebi,
com os corações apertados, que ele não ia me deixar escapar assim com tanta
facilidade. – Eu perguntei se você gosta dele.

Eu não queria, mas foi como se eu não pudesse evitar. Algo fez com que eu
levantasse o olhar e encontrasse o dele. E, durante um minuto, fiquei olhando para
um cara que eu não conhecia. Tipo assim, não para o filho do presidente, mas o fofo
que ele era, engraçado, o cara que por acaso estava na minha aula de arte, era
ligado no mesmo tipo de música que eu e por acaso gostada da minha bota. Foi como
se eu estivesse vendo o Joseph (o Joseph de verdade) pela primeira vez.
Abri a boca para dizer algo, mas nem consegui (não faço idéia do que era: tenho
certeza que devia ser alguma coisa bem babaca; eu estava bem apavorada com tudo
aquilo, especialmente quando percebi que as minhas mãos tinham ficado
tremendamente suadas de repente e que meu coração batia forte no peito). Isso
porque alguém apareceu por trás das animadoras de torcida e gritou: “Ah, vocês
estão aqui!” E a Megan Parks veio com tudo para cima de nós trazendo consigo umas
setenta pessoas, todas, segundo ela, loucas para conhecer o filho do presidente
dos Estados Unidos.

E o Joseph, exatamente como era de se esperar de um filho político, foi lá apertar a
mão de todo mundo sem nem olhar de novo para mim.


Capítulo 19







-Não é sua culpa – murmurou Selena, acomodada do outro lado do quarto, no
sofazinho que também servia de cama. – Tipo assim, você não pode fazer nada se
está apaixonada pelo Logan.

Eu estava enrolada na minha própria cama, com o Bud roncando baixinho do meu
lado.

-Você conheceu o Logan primeiro – argumentou Selena através da escuridão que
nos rodeava. – Aliás, o que é que o Joseph está pensando? Ele queria que você não se
apaixonasse por ninguém e ficasse esperando ele chegar montado em um cavalo
branco? Tipo assim, você não é nenhuma Cinderela, nem qualquer coisa assim.

-Eu acho – disse para o teto – que o Joseph estava achando que, se eu o convidei
para uma festa, existia a possibilidade de eu gostar dele, e não de um outro cara.

-Bom, isso é muito antiquado da parte dele – afirmou Selena, categórica. Agora
que tinha saído pela primeira vez com um garoto e que tudo tinha corrido bem (o
Paul tinha dado um beijo de boa-noite nela na porta da minha casa; na boca, ela me
informou depois, toda orgulhosa), parecia achar que era algum tipo de especialista
em amor. Ao mesmo tempo, também estava preocupada com a possibilidade de os
pais dela descobrirem. Não tanto a respeito do Paul, mas do jeans preto e da festa.-Tipo assim, você é uma garota bonita e cheia de vitalidade – Selena prosseguiu.

– Ninguém pode ficar achando que você só vai se concentrar em um homem. Você
precisa fazer um reconhecimento de terreno. É um absurdo achar que, com 15
anos, você vai ficar com um cara só.

-É – respondi com uma risada curta. – Principalmente se for um que está apaixonado
pela minha irmã.

-O Logan só acha que está apaixonado pela Dallas – declarou Selena – Nós duas
sabemos disso. O que aconteceu hoje à noite só serve para mostrar que ele
finalmente está tomando consciência da afeição profunda e eterna que tem por
você. Tipo assim, por que teria sido tão chato com o Joseph se não fosse pelo fato
de ter visto você com outro cara e ter ficado morrendo de ciúme?
Respondi apenas:

-Acho que ele tomou cerveja demais.

-Não é verdade – retrucou Selena. – Tipo assim, isso até pode ser uma parte do
negócio, mas ele com certeza se sentiu ameaçado. Ameaçado pelo que identificou
como sua felicidade ao lado de outro.

Eu rolei na cama (sem incomodar o Bud a mínima, já que ele continuou roncando)
e fiquei olhando para o contorno escuro da Selena na escuridão do meu quarto.

-Você andou lendo a Nova da Dallas de novo? – perguntei.
Selena fez voz de culpada:

-Bom, li sim. Ela deixou uma revista no banheiro.

Rolei de novo e fiquei olhando para o teto. Era meio difícil dizer o que eu devia
estar pensando sobre tudo que tinha acontecido naquela noite se a única pessoa
com que eu podia conversar a respeito, em segurança, ficava dando conselhos
tirados de O Astrólago de Cabeceira.

-E aí, ele deu um beijo de boa-noite em você? – perguntou Selena, acanhada. – O
Joseph, quero dizer.

Dei um ronco de gargalhada. Com certeza, o Joseph deve ter mesmo ficado com
vontade de me beijar depois daquela coisa toda com o Logan e a equipe de
animadoras de torcida da John Adams. Na verdade, ele mal tinha falado comigo
durante todo o resto da noite. Em vez disso, ficou andando pela festa e fazendo
amizade com metade das pessoas que estudavam na minha escola. Evidentemente,
por não ter a natureza de uma pessoa tímida, o Joseph pareceu não se importar nem
um pouquinho em ser o centro das atenções. Na verdade, parecia que tinha se
divertido bastante, já que a Megan Parks e seus asseclas ficavam escutando com
atenção tudo o que ele dizia e riam igual a hienas cada vez que ele fazia uma piada.

Foi só por volta das onze e meia que o Joseph afinal resolveu me procurar (a
Helena, que estava cuidando de nós enquanto meus pais estavam em um jantar,
para o qual só saíram de casa depois de o Joseph me buscar, tinha mandado a gente
voltar à meia-noite). Eu estava sentada sozinha em um canto, folheando as revistas
de decoração da mãe da Megan (quem foi que disse que eu não sei me divertir?) e
tentando ignorar as pessoas que não paravam de vir pedir o meu autógrafo (ou, ao
contrário, perguntavam se podiam assinar o meu gesso).

-Você está pronta? – perguntou.

Eu disse que estava. Fui procurar a Selena para dizer que estávamos indo
embora, encontrei a Megan (o que não foi muito difícil, porque ela estava
acompanhando cada movimento do Joseph), agradeci e me despedi. Daí o Joseph, o
John e eu entramos no carro de novo.

Cleveland Park, onde eu moro, não fica muito longe de Chevy Chase, que é onde a
Megan mora; mas juro que o trajeto até a minha casa foi um dos mais longos da minha
vida. Ninguém disse nada. Nadinha! Ainda bem que a Gwen estava cantando, do
fundo do coração, nos alto-falantes.

Mas eu percebi que, pela primeira vez, a voz da Gwen Stefani não fez exatamente
com que eu me sentisse melhor. O pior de tudo era que eu nem sabia por que estava
me sentindo tão mal. Tipo assim, tudo bem, o Joseph sabia que eu gostava do Logan.

Grande coisa. Tipo assim, existe alguma lei federal proibindo as garotas de gostarem do namorado da irmã? Acho que não. Mas quando o carro parou na frente da minha casa, o silêncio (a não ser pela voz da Gwen) era opressivo. Virei-me para o Joseph (Deus sabe muito bem que eu não achava que ele fosse me acompanhar até a porta de casa nem nada) e mandei:

-Bom, obrigada por me trazer.
Para minha enorme surpresa, ele saiu do carro e declarou:

-Eu vou com você até a porta.

E isso não me deixou exatamente emocionada, nem nada. Porque eu estava sentindo
que ele ia me pegar. E, na metade da escada da varanda, ele me pegou.

-Sabe, Demi, você me enganou direitinho.

Olhei para ele, imaginando o que viria a seguir, sabendo que provavelmente seria
algo de que eu não ia gostar.

-É mesmo? Como assim?

-Eu achei que você era diferente – explicou ele. – Sabe como é, com a bota, a roupa
preta e tudo o mais. Eu achei que você era mesmo... não sei. Material autêntico.
Não achei que você estivesse fazendo tudo isso para conseguir um cara.

Parei no meio dos degraus e fiquei olhando para ele, o que foi meio difícil, porque a
luz da varanda estava acesa e ofuscava os meus olhos.

-Como assim?

-Bom, não é por isso? – Joseph perguntou. – Tipo assim, não foi por isso também que
você me convidou para a festa? Não tinha nada a ver com ajudar a sua amiga a se
encaixar. Você estava me usando para deixar aquele tal de Logan com ciúme.

-Não estava nada! – gritei, torcendo para que a visão dele também estivesse
ofuscada pela luz da varanda. Assim ele não ia conseguir ver que as minhas
bochechas estavam pegando fogo, de tão vermelha que estava. – Joseph, isso é... tipo
assim, é muito ridículo.

-É mesmo? Acho que não é.

Tínhamos chegado à porta da frente. O Joseph ficou lá olhando para mim, com uma
expressão ininteligível... e já não era mais porque minha visão estava ofuscada pela
luz da varanda, mas porque não tinha mesmo nenhuma expressão, nenhuminha
mesmo, no rosto dele.

-Que pena. Eu tinha pensado de verdade que você era diferente de todas as
garotas que eu conheço.

E com um boa-noite muito educado (isso mesmo, só “Boa-noite”) ele deu meia-volta
e foi em direção ao carro. Ele nem olhou para trás. Nem uma vez.

Acho que também não posso culpá-lo. Apesar da afirmação da Selena que os
garotos devem saber que as garotas da nossa idade estão fazendo
“reconhecimento de terreno” (o que também soa muito engraçado vindo dela, SaíCom-
Um-Garoto-Pela-Primeira-Vez-Na-Vida-Hoje), imagino que deva ser um saco
descobrir que a pessoa que convidou você para ir a uma festa está a fim de outra
pessoa e, portanto, preferiria estar com aquela pessoa em vez de você).
Não sei. Mas acho que eu entendia por que o Joseph estava meio chateado comigo.

Mas fala sério. Eu só o tinha convidado para ir a uma festa comigo, não tinha
pedido para casar com ele nem nada. Era só uma festa. Qual é o problema.
E o que foi toda aquela porcaria de falar que estava errado a respeito de eu ser
diferente de todas as outras garotas que ele conhecia? Quantas outras garotas ele
conhecia que tinham salvado a vida do pai dele nos últimos tempos? Hum, acho que
não muitas, posso apostar.

Ainda assim, aquela noite não foi um desperdício total. Um pouco da minha fama
deve ter passado para a Selena porque outras pessoas da festa finalmente
começaram a falar com ela. Ela ficou lá, radiante, ao lado do Paul, e concretizou
todas as fantasias que tinha a respeito da popularidade. Alguém até mesmo a
convidou para outra festa, no fim de semana seguinte.

-Sabe, eu achei mesmo que o Logan ficou com ciúme – disse a nova estrela da John
Adams, de lá do sofá-cama.
Fiquei olhando fixamente para o teto ao ouvir tal informação.

-É mesmo?

-Ah, é. Eu ouvi ele dizer para a Dallas que acha o Joseph o maior exibido e que você
podia se dar melhor.

Exibido? Joseph era a pessoa menos exibida que eu conhecia na vida. Do que é que o
Logan estava falando?

Quando falei isso em voz alta, no entanto, a Selena só disse:

-Mas, Demi, eu achei que era isso que você queria. Fazer com que o Logan percebesse
que você é uma mulher atraente e cheia de vitalidade, desejada por muitos homens.

Reconheci que era verdade. Mas, ao mesmo tempo, eu não gostava da idéia de
alguém (nem mesmo minha alma gêmea) falando mal do Joseph. Porque o Joseph era
uma pessoa muito legal.

Só que eu não queria pensar em nada daquilo; Sabe como é, sobre o Joseph ser tão
legal, e sobre eu o ter tratado daquele jeito. Tipo assim, aquele tipo de
comportamento é muito adequado para leitoras de Nova, mas eu sou mais do tipo
que lê revista de arte.

Ciente de que o sono ia demorar muito a vir, mas percebendo que a Selena já
não estava mais disponível (fato comprovado pela respiração cadenciada), peguei
minha lanterna e abri o livro que o secretário de imprensa da Casa Branca tinha me
dado, sobre a vida das primeiras-damas.

Os dez principais fatos poucos conhecidos a respeito de Dolley Payne Todd
Lovato, mulher do quarto presidente dos Estados Unidos da América:

10. O nome dela se escreve Dolley, não Dolly, como é bem mais comum.

9. Nascida em 1768, foi criada em uma comunidade quaker, evitando portar toucas
e roupas coloridas, como dita a tradição desse povo.

8. Casou-se, anteriormente, com um advogado quaker, que morreu durante uma
epidemia de febre amarela.

7. Depois de casar-se com James Lovato, em 1794, Dolley atuou como “primeiradama-
não-oficial” durante a presidência de Thomas Jefferson que era viúvo.

6. Ficou óbvio para todos, por volta dessa época, que Dolley resolveu que Deus não
ligava se ela usasse roupas coloridas, porque teria usado um turbante dourado com
uma pena de avestruz espetada no baile de posse de marido.

5. O fato de Dolley ter abandonado as tradições dos quaker é ainda ilustrado pelo
fato de, durante a presidência do marido, ela ter se transformado em figura
proeminente da sociedade de Washington. Era mais conhecida pelas recepções que
organizava às quarta-feiras, em que políticos, diplomatas e representantes do
público se reuniam. Essses encontros ajudaram a amenizar a tensão entre os
federalistas, que eram tipo os republicanos de hoje em dia, e os republicanos, que
eram tipo os democratas atuais, em uma época de grande rivalidade entre os
partidos.

4. Durante a guerra de 1812, Dolley salvou não só o retrato de George Washington
como também toneladas de documentos importantes do governo, ao guardá-los nas
laterais de baús. No dia anterior ao ataque britânico, ela encheu uma carroça com
prataria e outros objetos de valor e os enviou ao Banco de Maryland para que
ficassem em segurança – o que mostra que, além de corajosa, ela também era
proativa.

3. Mas, em 1814, quando tudo isso aconteceu, o povo americano não apreciava muito
as atitudes de Dolley, já que todo mundo odiava o marido dela por ter dado início à
guerra, para começo de conversa. Na verdade, enquanto a Casa Branca queimava,
Dolley saiu pela vizinhança batendo na porta das casas em busca de refúgio, e as
pessoas a mandavam embora. Ela só encontrou lugar para ficar quando mentiu a
respeito de quem era.

2. Como se isso não fosse o bastante, um dos filhos dela revelou-se um degenerado
– o que significa: um doido –, cujos gastos descontrolados quase levaram a família à
falência.

E o fato pouco conhecido número um a respeito de Dolley Lovato:

1. Ela não era lá muito bonita.


Continua ...


Como eu sou MUITO boa hahaha decidi postar mais um capítulo DUPLO !!!!

espero que realmente gostem !!!!

QUERO COMENTÁRIOSSSSSSSSSSS !!!!! 

+3 comentários para o próximo capitulo ...

7 comentários:

  1. cap perfeito

    qru jemi

    bjo bjo e posta logo

    ResponderExcluir
  2. PERFEITO.
    POSTA LOGO HEIN?
    TO ANSIOSA

    ResponderExcluir
  3. Hey..Desculpe não comentar..
    Desculpe mesmo..
    É que eu não tinha lido o capitulo ainda..Sério mesmo..
    É que as vezes não aparece algumas das novas postagens de alguns blogs..E ai eu fico sem ler..Eu só fui ver hoje quando li o seu poste sobre só uma pessoa ter comentado..E fiquei mal por você,pq eu sei como é ir no seu blog e ver que ninguém comentou..É..Desculpe amoree..
    Posta Logo então..
    Beijinhoos

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  4. volteeeeeiiiiiiiiiiiii! ficou lindo como sempre! eu amei, morri. O Joe e a Demi não podiam ter brigado.. =(
    amo vc
    xoxo
    posta logo

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  5. AAAAAH QUERO O CAPITULO LOGOOOO KK NOVA LEITORA NO PEDAÇO ^^ PERFEITA SUA FIC :D BEIJONAS @LOVAJONATIC ;)

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Sem comentários ........... sem capítulos!