15/07/2012

Capitulo 13 - Parte 1





-E aí, onde foi que você se enfiou? – a Dallas me perguntou, tipo, pela noningentésima
vez.

-Lugar nenhum – respondi. – Vê se me deixa em paz.

-Só estou perguntando – disse Dallas. – A gente não pode nem fazer uma simples
pergunta para você? Não precisa ficar toda brava por causa disso. A não ser, claro,
que você estivesse fazendo algo, sabe como é, que não devia fazer.

Claro que era exatamente isso que eu estivera fazendo. Só que não era o que a
Dallas estava pensando. Eu só tinha comido hambúrguer (e gravado as minhas iniciais
no parapeito da janela da Casa Branca) com o filho do líder do mundo democrático.

-É só que vocês dois pareciam, sei lá... – Dallas dizia enquanto examinava os lábios no
espelhinho do pó compacto. Ela tinha gastado uma meia hora contornando os lábios
com lápis naquela manhã. Sabendo que hoje, no primeiro dia em que eu voltava à
escola depois de toda aquela história de salvar o presidente, um monte de gente is
querer tirar foto dela.

Muita gente tirou mesmo foto dela (e de mim) quando saímos de casa e entramos
na minivan (o Serviço Secreto tinha sugerido que, pelo menos durante algumas
semanas, talvez fosse melhor se a Dallas e eu não fôssemos para a escola de ônibus,
por isso a Theresa ia nos levar). De modo que a Dallas realmente tinha razão.
Mas não tinha razão nenhuma para achar que tinha alguma coisa rolando entre mim
e o Joseph.

-Amiguinhos – terminou a frase, fechando o estojo de pó compacto. – Você não
acha que eles pareciam dois amiguinhos, Helena?

A Helena, que não é a melhor motorista do mundo, e que tinha ficado
completamente abalada com todos os fotógrafos que tinham se jogado em cima do
capô do carro para tentar tirar minha foto, só falou um monte de palavrões em
espanhol quando o carro da frente deu uma fechada nela.

-Acho que vocês dois estavam muito amiguinhos – continuou Dallas. – Muito
amiguinhos mesmo.

-Não tinha nada de amiguinho – respondi. – Nós só esbarramos um no outro no
caminho do banheiro. Só isso.
A Medison, sentada no banco da frente, observou:

-Estou sentindo um certo frisson no ar.
Dallas e eu olhamos para ela como se fosse louca:

-Um o quê?

-Um frisson – Medison respondeu. – Um tremor de atração intensa. Detectei um
frisson entre você e o Joseph ontem à noite.

Fiquei pasmada. Porque é óbvio que não tinha existido nada disso. Por acaso eu
estava apaixonada pelo Logan, não pelo Joseph.
Mas é claro que eu não podia falar isso. Não em voz alta.

-Não tinha frisson nenhum. Não tinha absolutamente frisson nenhum. De onde é
que você tirou uma idéia dessas?

-Ah – respondeu Medison de maneira muito polida – De um daqueles romances de
amor da Dallas. Tenho lido aqueles livros para melhorar meu traquejo social. E tinha
com certeza um frisson entre você e o Joseph.

Mas, por mais que eu negasse a existência de qualquer frisson, a Medison e a Dallas
ficavam jurando que tinham visto aquilo. O que nem faz o mínimo sentido, já que eu
duvido muito que os frissons, se é que existem, possam ser detectados pelo olho
humano.

E por mais que o Joseph seja fofo e tudo mais, eu sou totalmente 100% dedicada ao
Logan Henderson que, tudo bem, não parece corresponder exatamente ao meu amor, mas isso vai acontecer. Um dia desses o Logan vai cair na real e, quando isso rolar,
estarei esperando.

Além do quê, o Joseph não gosta de mim desse jeito. Ele só estava sendo legal
comigo porque eu tinha salvado o pai dele. Só isso. Tipo assim, se elas tivessem
ouvido quando ele ficou tirando sarro daquela coisa toda do abacaxi, elas iam
desistir desse negócio de frisson na hora.

Mas tanto faz. Parecia que todo mundo estava empenhado em transformar a minha
vida em um inferno: minhas irmãs; os repórteres que se aglomeravam no gramado
de casa; os fabricantes de certas marcas de refrigerantes de sucesso, que não
paravam de enviar caixas e caixas de amostras de seus produtos lá para casa;
minha própria família. Até o presidente dos Estados Unidos.

-O que faz exatamente a embaixadora teen dos Estados Unidos na ONU? –
Selena perguntou naquele mesmo dia, mais tarde. Estávamos na fila do almoço, o
mesmo lugar em que ficávamos todos os dias da semana da nossa vida, tirando a
época em que eu estava no maternal, o verão, os feriados nacionais e o ano que eu
passei no Marrocos.

Mas, dificilmente de todas as outras vezes, naquele dia, todo mundo que estava à
nossa volta olhava para mim e falava em um tom baixinho, de admiração. Uma
garota da oitava série que era especialmente tímida veio até mim e perguntou se
podia colocar a mão no meu gesso.
É. Nada como ser heroína nacional.

Eu estava tentando menosprezar aquela coisa toda. Estava mesmo. Por exemplo,
desafiando completamente as ordens da Dallas: eu não tinha acordado uma hora mais
cedo para passar condicionador de cavalo no cabelo. Não tinha colocado nenhuma
das minhas calças de pregas novas da Banana Republic. Estava usando minhas
roupas normais do dia-a-dia, totalmente pretas, e meu cabelo estava naquela
bagunça normal do dia-a-dia.

Mesmo assim, todo mundo estava me tratando de um jeito diferente. Até os
professores, que faziam piadas do tipo: “Para vocês que não estavam jantando na
Casa Branca ontem à noite, será que alguém viu aquele documentário excelente a
respeito do Iêmen no Canal Educativo?” e “Por favor, abram o livro na página 265...
Quer dizer, só quem não quebrou o braço salvando a vida do presidente.”

Nem o pessoal que trabalhava na lanchonete me deixava em paz. Assim que estendi
a bandeja, a sra. Krebbetts me deu uma piscadinha conspiratória e disse: “Pronto,
querida”, e me deu uma fatia extra de torta de pasta de amendoim.
Na história da Escola Preparatória John Adams, a sra. Krebbetts nunca tinha dado
uma fatia extra de torta de pasta de amendoim para ninguém. Todo mundo tinha
medo da sra. Krebbetts, e com razão: se você a irritasse, podia ficar sem torta
durante um ano inteiro.
E ali estava ela, distribuindo torta extra. O mundo que eu conhecia acabou com um
estrondo.

-Tipo assim, você deve precisar fazer alguma coisa – Selena, depois de se
recuperar do incidente da torta, seguiu-me até a mesa que tradicionalmente
dividíamos com umas outras garotas que, como a Selena e eu, ficavam nas áreas
adjacentes da popularidade (era tipo, a turma da tundra congelada na geografia
social da escola John Adams). Contrárias ao sistema demais para nos juntarmos ao
conselho estudantil e não atléticas o suficiente para nos juntarmos aos
esportistas, a maior parte de nós ou tocava algum instrumento ou fazia parte do
clube de teatro. Eu era a única artista plástica da turma. Todas nós tentávamos
atravessar o ensino médio logo para chegar à faculdade onde, pelo que tínhamos
ouvido falar, as coisas seriam melhores.

-Tipo assim, embaixadora teen na ONU. Quais são as suas funções? Tem pelo
menos um comitê? – Selena se recusava a abandonar o assunto. – Para discutir
questões mundiais, por exemplo?

-Não sei, Sel – disse quando nos sentamos. – O presidente só falou que tinha
me indicado como representante dos Estados Unidos. Imagino que deve ter
representantes de outros países. Se não, qual seria o objetivo disso? Alguém aí
quer uma fatia extra de torta?

Ninguém respondeu. Isso porque todo mundo na mesa estava com os olhos fixos em
uma coisa que não era a torta. Em vez disso, todas as garotas olhavam para a Dallas
e o Logan, que de repende resolveram colocar a bandeja deles na nossa mesa.

-Ei – exclamou Dallas, com tanta naturalidade como se sentasse à mesa das garotas
não-populares todos os dias da semana. – O que está rolando?

-Como foi que você conseguiu um pedaço a mais de torta? – Logan quis saber.

O negócio era que, sabe como é, a Dallas e o Logan não eram as únicas pessoas que
tinham vindo do, sabe como é, do outro lado e que tinham resolvido sentar na nossa
mesa. Para meu espanto, juntaram-se a eles mais ou menos a metade do time de
futebol americano e umas garotas da equipe de animadoras de torcida. Dava para
perceber que a Selena estava bem abalada por causa da invasão. Era como se um
monte de cisnes de repente tivesse tomado conta da lagoa dos patos. Todas nós, as
marrecas, não sabíamos muito bem o que fazer ao deparar com tanta beleza.

-O que é que você está fazendo? – cochichei para a Dallas.
A Dallas simplesmente deu de ombros enquanto dava um golinho na Coca light.

-Já que você se recusa a ficar com a gente – explicou - , nós resolvemos vir aqui
ficar com você.

-Ei, Demi – disse Logan, tirando uma caneta do bolso do sobretudo preto. – Deixa eu
assinar o seu gesso.

-Aaah – gritou Debbie Kinley, com os pompons sacudindo-se de tanta animação. – Eu
também! Eu também quero assinar o gesso dela!
Tirei o braço do alcance deles e mandei:

-Hã, acho que não. Obrigada.
Logan ficou com cara de decepcionado.

-Eu só ia desenhar um jovem rebelde aí – explicou. – Só isso.

Era preciso reconhecer que um jovem rebelde teria sido legal. Mas se eu deixasse
o Logan desenhar no meu gesso, todo mundo ia querer fazer a mesma coisa, e logo
logo aquela brancura maravilhosa se transformaria em uma zona. Mas se eu
dissesse que só o Logan podia desenhar ali, todo mundo ia saber da minha paixão
secreta pelo namorado da minha irmã.

-Hum, mesmo assim, obrigada – respondi. – Mas estou guardando o gesso para eu
mesma desenhar.

Fiquei mal por estar sendo chata com o Logan. Afinal, ele era minha alma gêmea.
Ainda assim, eu queria que ele se tocasse logo, e parasse de andar com a Dallas e
com os amigos babacas dela. Porque esses caras estavam se comportando como
imbecis completos, jogando salgadinhos de milho uns nos outros e tentando aparar
com a boca. Era revoltante. E também irritante, porque eles ficavam balançando a
mesa, o que fazia com que fosse difícil para as pessoas com uma mão só comerem.
Eu sei que os jogadores de futebol americano são uns caras grandes e que talvez
fiquem sacudindo a mesa sem querer mais, mesmo assim, bem que eles poderiam
ter mostrado um pouco de decoro.

-Ei! – gritei quando um dos salgadinhos caiu no molho de maçã da Selena. – Será
que vocês podem dar um tempo, caras?
A Dallas, que estava entretida na leitura de um artigo de revista a respeito de como
ter coxas perfeitas (que ela, obviamente, já tinha), manifestou-se com voz
entediada:

-Caramba. Só porque vai ganhar uma medalha ela já está se achando.


Continua ...

Oie peoples =)) Postei mais um =)))

Gostaram ?? =))) talvez eu postou mais um mais tarde !!!  
xoxo

COMENTÁRIOS ??? 


RESPOSTA DOS COMENTÁRIOS ANTERIORES :

NINA HAHAHA que bom que gostou =)) Postei 

Diana (DSP) Tudo bem amore =) que bom que gostou !!! Obrigado , postei

Mah Jonas kkkkkkkkkkkkkkkkkkk se engasgou mesmo ?? hahahaha  morri com seu comentário kkkk O Abacaxi é tudo kkk postei amore =)) Obrigado

4 comentários:

  1. Adorei o capitulo!
    Gostei da forma como essa parte 1 do capitulo 13 terminou.
    Posta logo!

    Bjs :)

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  2. Amo.a garota americana da Meg Cobat!
    Posta mais...
    Xoxo

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  3. Lindo o capitulo!
    Posta logo.

    Beijos.

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Sem comentários ........... sem capítulos!