12/07/2012

Capitulo 12 ( BIG )







Não dava para acreditar. Fui pega no pulo! Tinha me ferrado!
Senti meu rosto ficar vermelho até as raízes com condicionador de cavalo dos
meus cabelos.
Mesmo assim, tentei. Tentei fingir que não sabia do que ele estava falando.

-Guardanapo? – perguntei pensando que, com meu cabelo vermelho e meu rosto
escarlate, eu provavelmente parecia um tigelona de sorvete de morango. – Que
guardanapo?

-Aquele que você usou para esconder o jantar inteiro – disse Joseph, com cara de
quem estava se divertindo. Os olhos dele pareciam mais castanhos do que nunca. –
Espero que você não tenha tentado jogar na privada e dar descarga. Os canos
desta casa são bem velhos. Você poderia causar o maior alagamento, sabe como é.
Seria mesmo muito azar causar um alagamento na Casa Branca.

-Não joguei o guardanapo na privada – disse rapidamente, olhando de canto de olho,
nervosa, para a agente do Serviço Secreto que não estava muito longe dali. –
Coloquei na cesta com as toalhinhas de mão sujas. Só joguei a comida na privada – e
foi aí que tive um pensamento aterrador. – Mas tinha bastante coisa. Você acha
mesmo que pode entupir o encanamento?

-Sei lá – fez ele, com cara de sério. – Era um pedação de linguado.

Tinha alguma coisa na expressão dele (talvez o jeito de uma das sobrancelhas
escuras, que estava levantada enquanto a outra ficava abaixada, tipo as orelhas do
Manet ficam quando ele está pronto para brincar) que me fez perceber que o Joseph
só estava tirando um sarro.
Mas eu não achei muito engraçado. Tinha mesmo ficado com medo de ter quebrado
a Casa Branca.
Então em um sussurro, para a agente do Serviço Secreto no fundo do corredor não
ouvir:

-Isso não foi muito legal da sua parte.

Eu nem pensei no fato de que ele era, sabe como é, o primeiro-filho nem nada disso.
Tipo assim, eu estava simplesmente louca da vida. Todo mundo vive falando que as
pessoas ruivas são esquentadinhas. Se você é ruiva e fica brava, pode apostar que
alguém vai falar algo do tipo: “Ahhh, olha aí a ruivinha. Você sabe que os ruivos são
esquentadinhos.”
O que geralmente me deixa ainda mais louca da vida.

Mas é claro que eu tinha mesmo jogado na privada a maior parte do jantar que a
mãe do Joseph tinha me servido. Para falar a verdade, talvez fosse por isso que eu
estava tão louca da vida... Porque o Joseph tinha me pegado fazendo um desperdício
daqueles. É, eu estava louca da vida, mas também estava bem envergonhada.
Mas estava mais louca da vida. Então dei meia-volta e comecei a caminhar de volta
para a sala de jantar.

-Ah, que é isso – disse Joseph, rindo, dando meia-volta ele também e me alcançando.
– Você precisa reconhecer que foi meio engraçado. Tipo assim, eu peguei você
direitinho. Você achou mesmo que os canos iam explodir.

-Achei nada – respondi, apesar de ser exatamente aquilo que eu tinha pensado. E
também já tinha visualizado as manchetes do dia seguinte: GAROTA QUE SALVOU
A VIDA DO PRESIDENTE FAZ TODO O ENCANAMENTO DA CASA BRNCA
EXPLODIR POR TER ENFIADO O JANTAR INTEIRO NA PRIVADA.

-Achou sim, total – insistiu Joseph. Ele era tão mais alto do que eu que só precisava
dar um passo a cada dois meus. – Mas eu já devia saber que você não aguenta uma
piada.

Parei de repente no meu trajeto e virei o corpo para trás para olhar ele. Ele era
bem alto (até mais alto do que o Logan), de modo que eu tive que levantar muito o
queixo para olhar dentro daqueles olhos castanhos que a Dallas tanto admirava. Eu nem
queria olhar para a outra parte do corpo dele que ela havia mencionado.

-Como assim, eu não agüento uma piada? – perguntei, brava. – Como é que você sabe
se eu aguento piada ou não? Você mal me conhece!

-Eu sei que você é do tipo de artista sensível – desafiou Joseph, com aquele mesmo
sorrisinho sabe-tudo que havia lançado para a mãe (“Eu me troquei para o jantar
sim”).

-Não sou nada – exclamei, furiosa, apesar de ser sim, totalmente. Na verdade, nem
sei por que me dei ao trabalho de negar. Mas era que, do jeito que ele falou,
parecia uma coisa mito ruim.
Mas é claro que não tinha nada de errado em ser uma artista sensível. O Logan
é a prova viva disso.

-Ah é? – continuou Joseph. – Então por que é que você não voltou ao ateliê depois do
Negócio do Abacaxi?

Foi exatamente assim que ele falou, com letras maiúsculas. O Negócio do Abacaxi,
Senti que estava ficando toda vermelha de novo. Não dava para acreditar que ele
estava lembrando o que tinha acontecido na minha primeira aula com a Sophia McDylan. Tipo assim, que cara mais insensível!

-Não estou dizendo que você não seja uma artista boa de verdade – contemporizou
Joseph. – Mas só que você, sabe como é, você é muito esquentadinha – fez um gesto
com a cabeça na direção da sala de jantar. – E também meio fresca para comer.
Está com fome?

Olhei para ele como se fosse louco. Na verdade, eu tinha toda certeza de que ele
era louco. Tipo assim, apesar do gosto de música e de sapato, para mim parecia que
o primeiro-filho tinha uns parafusos soltos.
Mas, afinal de contas, ele reconheceu que eu era mesmo uma boa artista, então
talvez ele não fosse tão louco assim.
Antes de eu ter a oportunidade de negar que estava com fome, meu estômago falou
por mim, soltando, bem naquela hora, o ronco mais vergonhoso de todos, indicando
que só tinha dentro de si um pouco de alface e uma guarnição de tomate, e que isso
era inaceitável.
O Joseph nem fingiu, como uma pessoa normal faria, que não tinha ouvido. Em vez
disso, mandou:

-Achei que estava mesmo. Olha só, eu estava indo ver se consigo arrumar alguma
comida de verdade. Quer vir junto?

Então eu tive certeza de que ele era louco. Não só porque ele tinha se levantado da
mesa no meio do jantar para procurar comida alternativa, mas também porque ele
estava falando para eu ir procurar comida alternativa com ele. Eu. A garota que ele
tinha acabado de pegar jogando fora um guardanapo cheio de comida
perfeitamente boa.

-E... – respondi, totalmente confusa. – Tipo assim, nós... a gente não pode
simplesmente sair. No meio do jantar. Na Casa Branca.

-Por que não? – perguntou ele, dando de ombros.

Pensei sobre o assunto. Havia um monte de razões por que não. Para começar,
porque era a maior falta de educação. Tipo assim, pensei bem no que ia parecer. E
porque... porque a gente simplesmente não deve fazer coisas assim.
Comentei tudo isso, mas o Joseph pareceu não se abalar.

-Mas você está com fome, não está? – perguntou. E então, afastando-se pelo longo
corredor coberto de tapetes persas, ele prosseguiu: - Vamos lá. Você sabe que
quer.

Eu não sabia o que fazer. Por um lado, aquele jantar lá era para mim e, como
convidada de honra, eu sabia que não podia simplesmente jantar e sair fora. Além
disso, o primeiro-filho era claramente louco. Será que eu tinha vontade de sair
andando por uma casa desconhecida ao lado de um louco?
Por outro lado, eu estava morrendo de fome. E ele tinha dito que eu era uma boa
artista...

Olhei para a agente do Serviço Secreto para ver o que ela achava. Ela sorriu para
mim e fez um sinal, como se estivesse lacrando o canto da boca com ziper.
Bom, resolvi que se ela achava que não era uma coisa tão errada assim para se
fazer, e ela era adulta e tudo o mais (e responsável o suficiente para carregar uma
arma de fogo), talvez não tivesse problema...

Dei meia-volta e me apressei para alcançar o Joseph, que já estava na metade do
corredor àquela altura.
Ele não pareceu muito surpreso ao me ver ao seu lado. Em vez disso, falou, como se
estivesse simplesmente continuando uma longa conversa que estávamos tendo em
algum universo paralelo:

-E aí, cadê a sua bota?

-Bota? – repeti. – Que bota?

-Aquele que você estava usando na primeira vez que eu vi você. Com as margaridas
de corretivo desenhadas.
A bota que ele tinha dito que era legal. Dãh.

-Minha mãe não deixou eu pôr aquela bota – respondi. – Ela achou que não era
adequada para um jantar na Casa Branca. – Olhei para ele de canto de olho. –
Nenhuma das roupas que eu tenho é adequada para jantar na Casa Branca. Precisei
comprar um monte de roupa nova. – Dei alguns puxões para arrumar meu tailleu
azul-marinho, que era mesmo desconfortável. – Tipo esse troço aqui.

-E como é que você acha que eu me sinto? – perguntou Joseph. – Preciso jantar na
Casa Branca todo dia.
Olhei com desgosto para a camiseta dele.

-É, mas é óbvio que ninguém manda você se arrumar.
-Só nos jantares oficiais, não nos particulares. Mas preciso ficar bem vestido todo
o resto do tempo.
Mas eu sabia que isso não era verdade.

-Você não estava arrumadinho na aula de desenho.

-De vez em quando me dão uma trégua – comentou, com mais um daqueles sorrisinhos. Tinha algo de misterioso naqueles sorrisinhos do Joseph. Na maioria das vezes, parecia que ele estava rindo de alguma piadinha particular que ele fazia para si mesmo. E me deixava com vontade de participar. Sempre que o Logan pensava em alguma coisa engraçada, ele falava na hora. Às vezes, repetia umas três ou quatro vezes, só para se assegurar de que todo mundo tinha ouvido. O Joseph parecia bem contente de guardar todas as suas tiradas geniais para si mesmo.

O que era bem irritante. Afinal, como é que eu ia saber se ele estava rindo de mim?
E daí o Joseph apertou o botão de uma porta, que abriu e mostrou um elevador. Eu
não deveria ter ficado surpresa pelo fato de a Casa Branca ter um elevador, mas
fiquei. Acho que foi porque, por um instante, eu esqueci onde eu estava e achei que
aquela era uma casa normal. Além disso, nunca mostravam o elevador nas excursões
da escola.
Entramos no elevador, e o Joseph apertou o botão para descer. A porta fechou, e
nós descemos.

-Então – começou ele, enquanto o elevador se movia. – Por que você faltou?
Eu não fazia a mínima idéia do que ele estava falando. Mas eu deveria saber.

-Faltei o quê?

-Você sabe. À aula de desenho, depois do Negócio do Abacaxi.
Engoli em seco.

-Achei que você já tinha entendido o que aconteceu – respondi. – Você disse que
era por eu ser uma artista sensível e tudo o mais.
A porta do elevador abriu, e o Joseph fez um sinal para eu sair antes dele.

-Sei, mas eu queria ouvir a sua versão.
Ah é, aposto que sim.
Mas eu não ia dar esse prazer a ele. De jeito nenhum. Ele só ia, eu sei, tirar sarro
da minha cara. O que seria, na essência, a mesma coisa que tirar sarro da cara do
Logan. E isso eu não ia agüentar.
Em vez disso, eu só disso, com leveza:

-Acho que eu e a Sophia McDylan  não temos a mesma opinião a respeito da licença
criativa.
Joseph olhou para mim, com uma sobrancelha levantada e a outra abaixada, de novo.
Só que, dessa vez, eu estava totalmente certa de que ele não estava brincando.

-É mesmo? – quis saber. – Tem certeza? Porque eu acho que a Sophia é legal com
esse tipo de coisa.

Superlegal. Tão legal que fez uma chantagem comigo para me obrigar a voltar à
aula.
Mas não falei isso em voz alta. Parecia que não seria muito educado discutir com
alguém que parecia prestes a me dar o que comer.
Percorremos mais um corredor que não era coberto de tapetes nem todo decorado.
Daí o Joseph abriu a porta e nós entramos em uma cozinha enorme.

-Ei, Carl – Joseph chamou um cara vestido de chef que estava ocupado colocando
chantili em um monte de potinhos de musse de chocolate. – Tem alguma coisa boa
de comer por aqui?
Carl levantou o olhar de suas criações, deu uma olhada para mim e quase gritou:

-Demetria Lovato! A garota que salvou o mundo! Como vai?

Tinha mais um monte de gente na cozinha, e todo mundo estava ocupado, limpando e
guardando coisas. Percebi que a Helana estava errada a respeito dos pratos com
borda dourada. Dava super para colocar no lava-louças e, para falar a verdade, era
isso que os empregados da Casa Branca estavam fazendo. Mas todo mundo parou
quando me viu, e os empregados se juntaram à minha volta para me agradecer por
ter impedido que o chefe deles levasse um tiro na cabeça.

-Qual era o problema do linguado? – Carl quis saber, depois de toda a sua equipe me
parabenizar. – Você sabe que o recheio era de caranguejo de Maryland mesmo, né?
Comprei fresquinho, hoje de manhã.
Joseph foi até a geladeira de proporções industriais e a abriu.

-Achei que era meio, assim, sabe como é – para um cara que estudava no Horizon, o
Joseph com certeza não falava igual a alguém que tem diploma de gênio. – Sobrou
algum daqueles hambúrgueres que a gente comeu no almoço?
Eu me iluminei com a palavra hambúrguer. Carl percebeu e disparou:

-Você quer hambúrguer? A moça quer hambúrguer. Demetria Lovato, vou
preparar um hambúrguer como você nunca viu na vida. Sente-se aí. Não se mexa.
Esse hambúrguer vai deixar você sem fôlego.

Eu já estava sem fôlego, mas achei que não valia a pena mencionar o fato. Sentei no
banco que Carl indicou. Joseph sentou no banco ao lado, e ficamos observando
enquanto Carl, moveu-se tão rapidamente que parecia quase um borrão, jogou dois
hambúrgueres em cima de uma chapa sobre o fogão e começou a prepará-los para
nós.

Era esquisito estar na cozinha da Casa Branca. Era esquisito estar na cozinha da
Casa Branca com o filho do presidente. Para mim, seria esquisito estar com um
garoto em qualquer lugar, já que eu não faço muito sucesso entre os garotos. Tipo
assim, eu não sou a Dallas. Nenhum cara fica me ligando a cada cinco minutos... nem
nunca, para falar a verdade.

Mas o fato de ser este garoto, e neste lugar, deixava as coisas particularmente
esquisitas. Não dava para entender por que o Joseph estava sendo tão... bom, acho
que legal é a única palavra que serve para descrever a situação. Tipo assim, brincar
com a idéia de que eu tivesse potencialmente entupido uma privada na Casa Branca
não foi muito legal. Mas me oferecer um hambúrguer em uma hora que eu estava
praticamente morrendo de fome foi uma atitude nem decente.

Tinha que ser só porque eu tinha salvado o pai dele. Tipo assim, por que outra razão
seria? Ele se sentia agradecido pelo que eu tinha feito. O que era totalmente
compreensível. O que não era muito compreensível para mim era por que ele estava se dando a tanto trabalho. Fiquei ainda mais confusa quando o Carl colocou dois pratos enormes na nossa frente (cada um deles continha um hambúrguer enorme e uma pilha de batatas fritas douradas) e mandou:

-Bom appétit, gente.
Daí o Joseph pegou o prato dele e o meu e pediu:

-Vem comigo.

Peguei duas latas de refrigerante que o Carl tirou da enorme geladeira industrial e
segui o Joseph pelo corredor, até o elevador.

-Onde é que a gente está indo?

-Você vai ver – respondeu.

Normalmente, essa resposta não teria sido satisfatória para mim. Mas eu não falei
mais nada sobre o assunto, porque estava chocada demais com o fato de um garoto
ser legal comigo. O único que já tinha sido remotamente legal comigo antes disso
tinha sido o Logan.
Mas o Logan é obrigado a ser legal comigo, pelo fato de eu ser irmã da namorada
dele. Além disso, é claro que o Logan tem um desejo secreto por mim. É até possível
que a única razão por que ele fica com a Dallas seja por ele não saber que eu
correspondo a seu sentimento ardoroso. Se algum dia eu tivesse coragem de dizer
para ele o que sinto, as coisas podiam ser totalmente diferentes...
Mas o Joseph. Ele não tinha que ser legal comigo. Então, por que estava sendo?
Não podia ser porque gostava de mim, sabe como é, como garota. Porque, hum, se
liga, a Dallas estava logo ali em cima, no fim do corredor. Que cara com a cabeça no
lugar ia preferir a mim e não à Dallas? Tipo assim, era a mesma coisa que escolher a
Skipper em vez da Barbie.

Quando saímos do elevador, em vez de voltarmos para a sala de jantar, onde todo
mundo estava, o Joseph virou na outra direção, para uma porta na outra ponto do
corredor. Atrás dela, eu logo tive oportunidade de ver, havia um lugar tipo uma sala
de estar muito formal, com janelas enormes que tinham vista para o gramado em
descida da Casa Branca até o Washington Monument, que parecia majestoso, aceso
no meio da noite.

-O que você acha disso? – Joseph perguntou, colocando os hambúrgueres em uma
mesinha na frente das janelas. Daí ele pegou duas poltronas e colocou perto da
mesa.

-Hum – foi tudo o que eu disse, por ainda estar em estado de choque (e cheia de
suspeita) pelo fato de esse garoto fofo (mas meio esquisito) querer comer comigo.
Eu. Demetria Lovato. – Acho ótimo.

Nós dois sentamos, iluminados pelas luzes da rotunda. Teria sido quase romântico,
se não tivesse um agente do Serviço Secreto parado no outro lado da porta. E ah,
se o Joseph estivesse remotamente interessado em mim daquele jeito, que com
certeza ele não estava, devido ao fato de para ele eu ser apenas a garota esquisita,
tipo gótica, que tinha salvado o pai dele e que também gosta de desenhar abacaxis
quando não existe nenhum para ser desenhado.

E mesmo que ele gostasse de mim, sabe como é, de um jeito romântico, ainda há o
fato inegável de que eu estou apaixonada pelo namorado da minha irmã.
Tanto faz. Eu estava com tanta fome àquela altura que nem ligava se o Joseph só
estivesse sendo legal comigo por ter pena de mim, ou qualquer coisa assim.
Desde a primeira mordida eu já sabia: o Carl estava certo. Ele tinha mesmo feito
um dos melhores hambúrgueres que eu já tinha comido. Antes de parar de respirar,
comi metade do prato.

Joseph, que tinha me observado enquanto eu comia com uma cara perplexa (nas raras
ocasiões em que eu acho alguma coisa de que gosto mesmo de comer, mergulho de
cabeça), mandou:

-Está melhor?
Não consegui responder porque estava muito ocupada mastigando. Mas fiz um sinal
de positivo para ele com a mão do braço engessado.

-E aí, está doendo? – quis saber, apontando para o meu pulso quebrado.

Engoli o bocado de carne que estava dentro da minha boca. Eu queria mesmo ser
vegetariana. Sério. É de se pensar que uma artista seria uma pessoa muito mais
consciente a respeito do sofrimento alheio, até mesmo dos bovinos. Mas
hambúrgueres são simplesmente bons demais. Não dá para abrir mão deles, nunca.

-Agora não está doendo muito – respondi.

-Como é que ninguém ainda assinou?

-Estou guardando para a aula de alemão – respondi, olhando pata a grande porção
de gesso branco em volta do meu pulso.
Ele entendeu o que eu quis dizer. Ninguém mais tinha entendido, a não ser,
obviamente, o Logan. Só os verdadeiros artistas compreendem o fascínio exercido
por uma tela em branco.

-Ah, claro – concordou ele, compreensivo. – Vai ser legal. Então, o que é que você
vai fazer? Alguma estampa de havaiana? Acho que vai fazer um monte de abacaxis,
né?
Dei uma olhada bem torto para ele.

-Acho que vou escolher algum tema patriótico – disse.

-Ah – respondeu. – Claro. O que poderia combinar melhor? Afinal, você é uma
Lovato e tal.

-O que isso tem a ver? – eu quis saber.

-James Lovato – Joseph disse, com as sobrancelhas erguidas de novo. – O quarto
presidente. Ele era seu parente, né?

-Ah – exclamei, sentindo-me uma tapada. – Ele. Não, acho que não.

-É mesmo? – Joseph parecia surpreso. – Tem certeza? Porque você e a mulher dele,
Dolley, têm muita coisa em comum.

-Eu e a Dolley Lovato – ri. – Tipo o quê?

-Bom, ela também salvou um presidente.

-Ah é? – perguntei, ainda rindo. – Ela deu uns tapinhas nas costas do velho James
para ele não engasgar ou algo assim?

-Não – respondeu  – Ela salvou um retrato de George Washington de um
incêndio na Casa Branca quando os britânicos atacaram, na guerra de 1812.

Espera um pouco. Os britânicos tinham queimado a Casa Branca? Quando foi que
isso aconteceu?
Obviamente, durante alguma guerra a respeito da qual ainda não tínhamos
aprendido na John Adams. A gente só tem aula de história americana no segundo
ano do ensino médio.

-Uau. Que legal – exclamei, do fundo do coração. Na aula de história, ninguém nunca
ensina nada legal, tipo alguma primeira-dama correndo de um lado para o outro para
salvar alguma pintura. Em vez disso, a gente só ouve falar daqueles pais peregrinos
idiotas e daquele chato do Aaron Burr.

-Tem certeza de que vocês não são parentes?

-Tenho – respondi, chateada. Imagine que legal se eu fosse mesmo parente de
alguém que fez algo tão corajoso quanto salvar uma peça de arte de um incêndio.
Legal demais para colocar em palavras, para falar a verdade. Será que nós éramos
parentes da Dolley Lovato? Tipo assim, minha mãe vivia dizendo que eu tinha
herdado meu temperamento artístico do lado da família do meu pai, já que não
tinha nenhuma artista do lado dela. Era óbvio que os Lovato tinham sido amantes
da arte através dos tempos.
Só que deve ter pulado algumas gerações, já que eu era a única representante da
família que sabia desenhar.
De repente, o Joseph se levantou e foi até a janela.

-Vem aqui olhar isso – chamou, puxando a cortina para o lado.

Levantei para segui-lo com curiosidade, aí vi que ele apontava para o parapeito da
janela. Era pintado de branco, igual ao resto do friso da sala.
Mas, gravado bem fundo na tinta, algumas palavras tinham sido escritas no
parapeito. Olhando mais de perto, deu para identificá-las: Amy... Chelsea... Joseph...

-O que é isso? – eu quis saber. – O parapeito da janela em memória aos primeirosfilhos?

-Algo assim – respondeu.

E daí tirou alguma coisa do bolso da calça. Era um daqueles canivetinhos suíços. Aí
ele começou a gravar alguma coisa na madeira. Eu provavelmente não teria dito
nada se não tivesse visto que a primeira letra que ele escreveu foi D.

-Ei! O que é que você está fazendo? – indaguei, um pouco apreensiva. Tipo assim,
sou uma rebelde urbana e tudo, mas vandalismo que não seja em nome de nenhuma
causa por que valha a pena lutar não passa disso. De vandalismo.

-Ah, peraí – exclamou, sorrindo para mim. – Quem merece mais isso do que
você? Não é só possível que você seja parente de um presidente como também
salvou a vida de outro.

Olhei para trás, por cima do ombro, toda nervoso, para a porta, sabendo que do
outro lado estava um agente do Serviço Secreto. Tipo assim, fala sério. Filho do
presidente ou não, isso aí era destruição do patrimônio público. E não um
patrimônio público qualquer, a Casa Branca. Tenho certeza de que alguém poderia
ser condenado a vários anos de prisão por profanar a Casa Branca.

-Joseph – pedi, abaixando o tom de voz para que ninguém pudesse escutar. – Não
precisa fazer isso.
De tão concentrado no trabalho (ele estava agora na letra E), o Joseph nem
respondeu.

-Estou falando sério – continuei. – Tipo assim, se você quiser me agradecer por ter
salvado o seu pai, o hambúrguer já está bom, pode acreditar.
Mas já era tarde demais, porque ele já tinha começado o M.

-Acho que você está pensando que, só porque o seu pai é presidente, você não vai
se ferrar por isso – prossegui.

-Não vou me ferrar muito – disse enquanto gravava o I agora. – Tipo assim,
apesar de tudo, eu ainda sou menor – e deu um passo atrás para admirar sua obra
de arte. – Pronto. O que você acha?

Olhei para o meu nome, Demi, bem ali ao lado do nome da Amy Carter e do da
Chelsea Clinton, sem falar no do Joseph. Fiquei torcendo para que a próxima família
a se mudar para a Casa Branca não fosse muito grande, porque não tinha mais lugar
no parapeito para os filhos escreverem o nome.

-Acho que você é louco – respondi, e não foi de brincadeira. O que também era uma
pena, porque ele era meio fofo.

-Ah – fez, fechando o canivete suíço e guardando de volta no bolso. – Isso é
muito ofensivo, principalmente vindo de uma garota que desenha abacaxis onde não
existe nenhum, joga linguado recheado de caranguejo na privada e gosta de se
atirar em cima de estranhos armados.

Fiquei olhando para ele durante um minuto, completamente estupefata.
Daí comecei a rir. Não dava para segurar. Afinal, tudo aquilo era mesmo engraçado.
Ele também começou a rir. Nós dois estávamos parados ali, rindo, quando o
agente do Serviço Secreto que estava no corredor entrou e mandou:

-Joseph? Seu pai está procurando você.

Parei de rir. Pega no pulo de novo! Cheia de culpa, abaixei os olhos e olhei para o
parapeito (isso sem falar nos pratos vazios).
Mas não havia tempo para ficar pensando nas minhas malvadezas, porque
precisamos voltar correndo para a sala de jantar. Tipo assim, não dá para deixar o
presidente dos Estados Unidos esperando.
Mas, quando entramos lá, descobrimos que não era só o presidente que estava
esperando. Todos os rostos estavam voltados para a porta, cheios de expectativa.
Quando Joseph e eu a atravessamos, para minha enorme surpresa, todo mundo na
sala começou a aplaudir.

No começo, não consegui entender por quê. Tipo assim, não deviam estar aplaudindo
porque afinal Joseph e eu tínhamos encontrado o caminho de volta do banheiro (não
era possível que eles soubessem a respeito dos hambúrgueres, a não ser que a
pessoa que serviu o musse tivesse contado. Será?).
Mas depois eu vi que a razão para todos aqueles aplausos não tinha nada a ver com
isso. Descobri quando estava voltando para o meu lugar: a minha mãe deu um salto
da cadeira e me parou no meio do caminho para me abraçar bem forte.

-Ah, querida, não é uma surpresa maravilhosa? – perguntou. – O presidente acabou de nomeá-la como embaixadora teen na Organização da Nações Unidas!__
E, de repente, pareceu que todo aquele hambúrguer delicioso estava prestes a
voltar.


Continua ...



O que acharam de Jemi ??? comentários ?? ‘hahaha

**Meninas ... Hoje é o niver da Tia Dê !!!!! A Mãe dos Meus bebês, que lindo , hoje o Joe e o Nick já tweetaram os parabéns pra ela .. super fofo =) e ela agradeceu Ç.Ç


Resposta dos Comentários Anteriores :


Lααrıı que bom que está gostando =))) tenho sim ^^ pega ali em contatos ... Postei amore =) Happy Skyscraper Day

NINA Obrigado =) hahaha ele é muito fofo mesmo !! postei =) Happy Skyscraper Day

Laah. Obrigado .. postei ^^ Happy Skyscraper Day

That´s Just Me hahahaha é mesmo ! postei amore =) Happy Skyscraper Day

Mah Jonas Absolutamente eu amo seus Bigs cometários hahahaha Nossa .. tadinha mesmo ... Mas o Joe tbm não libera pra lado dela coitada huahsuahusa Mah, se fosse de verdade era bem capaz da demi fazer aquilo tudo que vc falou mesmo ... e mais um pouco! Mas nós a amamos néh shuahsuahs 
Beijonas my love =) Happy Skyscraper Day

3 comentários:

  1. cap perfect...

    ri horrores com o joe...ele é um maximo, desconcerta a demi em tudo...

    pelo amor de Deus demi, num vomita agora....kkkk


    bjo bjo e posta logo

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  2. Adorei o capitulo!
    Desculpa não ter comentado o capitulo anterior. Também adorei o capitulo.
    Posta logo!

    Bjs :)

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  3. STATUS: MORRENDO, SURTANDO, QUASE CHORANDO, DANÇANDO, PULANDO COM ESSE CAPÍTULO BIG-LINDO!! OMG JOE!!!!!! JOE!! JOSEPH ADAM JONAS. OMG calma! KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK OMG KKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKKK ENGASGUEI COMENDO BOLINHO DE BACALHAU! OMG KKKKKKKKKKKKKKKKK ENGASGUEI MTO! também né, já sou lerda. Ainda vou tentar comer DEITADA com uma mão e digitar com outra! ai meu Deus, morri agora... culpa do Joseph né.. pfvr, fica aí todo lindo tentando passar vergonha na minha Dems linda *~~* você deve imaginar o meu estado lendo isso né, mas sabe qual é o problema da D? ELA NÃO PARA DE PENSAR NO LOGAN (lindo) E ELA NÃO PERCEBE QUE ESTÁ CAIDINHA PELO JOE E QUE ELE ESTÁ CAIDASSO POR ELA, MAS GRAÇAS A DEUS, O MEU AMIGO ABACAXI QUE A DEMI PINTOU DÁ UM JEITO EM TUDO!! KKKKKKKKKKKKKKKK TE AMO ABACAXI!!
    rsrsrsrs
    bem, é isso!!
    luv u
    Stay Strong
    Love,
    Mah Jonas

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Sem comentários ........... sem capítulos!