01/07/2012

Capitulo 7 - Parte 1 (maratona)








Acho que, até aquilo acontecer, eu ainda não tinha me ligado.
Tipo assim, eu sabia. Sabe como é, eu tinha pulado nas costas do sr. Uptown Girl e
impedi que ele disparasse a arma na direção que desejava.
Mas eu não me liguei que, com aquela ação, eu tinha na verdade salvado a vida do
líder do mundo democrático.

Pelo menos, não me liguei até os meus pais entrarem correndo no quarto do hospital
um tempinho mais tarde, quando o gesso já estava colocado (e depois de eu ter
visto minha cara em todos os canais abertos, além dos canais de notícia a cabo, tipo
a CNN, e uns outros programas de entrevistas, tipo o Entertainment Tonight). Os
dois apavorados como eu nunca tinha visto antes.

-Demetria! Ah, meu Deus, nós estávamos tão preocupados! - minha mãe gritou,
jogando-se em cima de mim e torcendo meu braço ferrado, para o quê, devo
acrescentar, ninguém ofereceu nem uma aspirina. É de se pensar que uma garota
que salvou a vida do presidente bem que merecia uns analgésicos, mas parece que
não.

-Oi, mãe - falei, bem baixinho... sabe como é, aquele jeito como você fala quando
está se sentindo mal. Porque eu ainda não tinha conseguido descobrir se os caras
do Serviço Secreto tinham aberto o bico sobre eu ter cabulado a aula de desenho,
então eu não sabia se estava muito encrencada ou só um pouco. Imaginei que, se
eles achassem que eu estava morrendo de dor, iam me dar um desconto.
Mas eles pareciam não ter noção de que eu tinha cabulado a Sophia McDylan.

-Demetria - minha mãe repetia sem parar, afundando-se na ponta da cama e
mexendo o cabelo da minha testa de um lado para o outro. - Está tudo bem com
você? Foi só o seu braço? Está com dor em mais algum lugar?

-Não - respondi. - É só o meu braço. Está tudo bem. Mesmo.

Mas eu continuei falando com aquela voz, só por via das dúvidas.
Eu nem precisava ter esquentado a cabeça. Eles não faziam a mínima idéia sobre a
história da aula de desenho. Só estavam felizes por eu estar bem. Meu pai até
conseguiu fazer umas piadas, só um pouquinho.

-Se você queria mais atenção nossa, Demi, era só pedir. Não precisava se jogar na
frente de uma bala.
Hahaha.

Os caras do Serviço Secreto nos deram uns cinco minutos para derramarmos
lágrimas e depois bateram na porta. Tinha um monte de coisa que eles queriam me
perguntar, mas, como eu sou menor, eles precisavam esperar meus pais chegarem
para me entrevistar. Aqui está apenas uma pequena amostra das coisas que eles me
perguntaram:

Serviço Secreto: Você conhece o homem que estava segurando a arma?

Eu: Não, não conhecia o cara.

Serviço Secreto: Ele disse alguma coisa para você?

Eu: Não, ele não falou nenhuma palavra para mim.

Serviço Secreto: Nada? Não disse nada quando ele puxou o gatilho?

Eu: Tipo o quê?

Serviço Secreto: Tipo "Isso aqui é para a Margie", ou qualquer outra coisa assim.

Eu: Quem é Margie?

Serviço Secreto: Foi só um exemplo. Não existe Margie nenhuma.

Eu: Não, ele não disse nada mesmo.

Serviço Secreto: Tinha alguma coisa estranha a respeito dele? Qualquer coisa que
tenha feito com que você prestasse mais atenção nele, que o destacasse de todas
as outras pessoas na rua?

Eu: Tinha sim. Ele estava carregando uma arma.

Serviço Secreto: Além de ele ter uma arma.

Eu: Bom, parece que ele gostava muito da música "Uptown Girl!".

E assim por diante. Durou horas. Horas. Eu tive que descrever o que tinha
acontecido entre mim e o sr. Uptown Girl tipo umas quinhentas vezes. Falei até
ficar rouca. No final, meu pai deu um basta:

-Veja bem, cavalheiros, achamos muito bom que os senhores queiram chegar ao
fundo da questão, mas nossa filha passou por um acontecimento muito traumático e
precisa descansar.

Os caras do Serviço Secreto foram legais. Eles me agradeceram e saíram fora...
mas alguns ficaram por ali, bem na frente da porta do quarto, e não iam embora de
jeito nenhum. Foi o que o meu pai me contou depois que voltou com um Quarteirão
com queijo para o meu jantar, já que eu não conseguia mesmo comer nada do que
tinha no hospital, que era alguma coisa cozida com ervilhas e cenouras.

Tipo assim, como se as pessoas no hospital já não estivessem bem enjoadas. É isso
que servem lá?

Eu não fiquei muito feliz por ter que passar a noite no hospital, já que meu único
problema era um pulso quebrado, mas os caras do Serviço Secreto meio que
insistiram. Disseram que era para minha proteção.

-Não sei por quê. Vocês já pegaram o cara, né? - argumentei.
Mas eles explicaram que o sr. Uptown Girl (só que eles não o chamavam assim,
falavam o Suposto Atirador) estava usando seu direito de ficar calado, e não
sabiam se ele fazia parte de alguma organização terrorista que podia querer se
vingar de mim por sabotar os planos de matar o presidente.
Claro que isso fez a minha mãe enlouquecer e ligar para a Helena para ela se
assegurar de que a porta da frente estava trancada, mas o cara do Serviço
Secreto disse que ela não precisava se preocupar, porque já tinham mandado
agentes vigiarem a casa para nos proteger. Esses agentes, depois eu descobri,
também estavam mantendo as hordas de jornalistas longe da nossa varanda da
frente. Isso era um pouco aflitivo para a Dallas (com quem eu falei um pouco pelo
telefone,quando já era quase meia-noite).

-Caramba - ela se emocionou. - Eu só tentei dar para os caras da TV uma fotinha
melhor sua. Fala sério, eles ficaram mostrando aquela foto horrorosa da sua
carteirinha de estudante. Eu falei assim: "Caras, ela é muito mais bonita do que
isso", e tentei dar para eles aquela foto que a vovó tirou no Natal... sabe, aquela
que você está com o vestido da Esprit, que era tão fofo até você tingir de preto,
vai saber. Bom, mas daí eu abri a porta e fui até a varanda com a foto, e um monte
de gente começou a berrar: "Você é a irmã dela? O que acha de ser a irmã de uma
heroína nacional?" e eu estava toda pronta para dizer que é ótimo, quando dois
caras de terno praticamente me empurraram para dentro de casa de novo, dizendo
que era para a minha própria proteção. Ah, claro que era. O que eu gostaria de
saber é se mostrar àquela sua foto para o país inteiro me protege de alguma coisa.
Fala sério, na boa, todo mundo vai pensar que eu sou irmã de uma esquisitona
horrorosa... que é a sua cara naquela foto, Demi, não quero ofender... e acredite em
mim, isso não vai fazer bem para ninguém, ninguém mesmo.

Era bom saber que, por mais que algumas coisas mudem demais, uma coisa, pelo
menos, continuava igual: minha irmã Dallas.
Então, bom, eles me obrigaram a passar a noite naquela porcaria de hospital.
Observação, foi o que disseram. Mas não era nada disso. Tenho certeza de que
ainda estavam me espionando para se certificarem de que eu não fazia parte,
secretamente, de nenhum grupo radical antigoverno, e queriam ficar de olho em
mim caso eu tentasse escapulir para me juntar aos meus companheiros, ou qualquer
coisa assim.

Fiquei me revirando bastante na cama, incapaz de achar uma posição confortável
para dormir, porque eu costumo dormir de lado, mas o lado que gosto de dormir é
bem o lado do gesso, e não dava para dormir em cima do gesso porque ele era todo
duro e grande e, além disso, se eu colocasse peso no braço, ele começava a latejar.
Pior ainda, eu estava com saudade do Bud, o que era meio engraçado porque ele é
tão peludo e fedido que era de se pensar que eu não sentiria a falta dele deixando
a minha cama fedida, mas eu estava com saudade mesmo.



Continua ...



Comentários ??

Resposta do último comentário :

Maay obrigado amore =)

Um comentário:

  1. cap perfeito...

    to amando a fic

    posta mais please

    bjo bjo e posta logo

    ResponderExcluir

Sem comentários ........... sem capítulos!