31/07/2012

Capitulo 17





Comecei a me arrepender de ter convidado o Joseph para a festa da Megan Parks
quase imediatamente. Não é que eu achasse que não seria divertido ou qualquer
coisa assim. Tipo assim, apesar de ficar me enchendo por eu ser uma artista
sensível, o Joseph até que era um cara bacana.
Não, eu tinha me arrependido por causa da reação que as pessoas tiveram quando
eu contei.

Reação número um: Dallas

"Ah, caramba, que beleza! Vocês dois formam o casal mais fofo de todos, porque
ele é tão alto e você é tão baixinha, além disso, vocês dois têm cabelo arrepiado
demais, e vocês gostam daquele tipo idiota de música que parece antiga. Vai ser tão
legal! Que roupa você vai pôr? Acho que você deveria colocar a minha minissaia de
couro escuro e a minha caxemira verde com decote V, minha meia arrastão preta e
a minha bota que vai até o joelho. Não dá para colocar coturno de minissais, vai
parecer que as suas batatas da perna são gordas. Não que as suas sejam gordas,
mas sempre parecem gordas se você coloca coturno com minissaia. Mas talvez a
meia arrastão seja um pouco demais para uma aluna do primeiro ano. Talvez você
deva colocar meias-calças finas normais. Mas acho que a gente pode comprar uma
meia-calça canela. Acho que ia ficar bom. Quer se encontrar com o resto da turma
de animadoras de torcida para ir fazer compras antes da festa, no sábado?"

Reação número dois: Medison

"Ah, estou vendo que a sementinha do frisson que eu plantei germinou e produziu
um botãozinho de flor bem frágil."

Reação número três: Catherine

"Ah, Demi, que maravilha! Agora o Paul vai ter alguém para conversar na festa,
porque ele tambpem não vai conhecer ninguém lá, igualzinho ao Joseph. Talvez os
dois possam ficar juntos enquanto nós duas damos aquela checada no pessoal.
Porque eu ouvi dizer que, em festas assim, é importante se misturar. Fiquei
pensando que, se você e eu nos misturarmos, talvez consigamos ser convidadas para
outras festas também, tipo que sabe até festas do terceiro ano, apesar de eu
achar que isso talvez seja pedir demais.
Mas sabe como é, se fôssemos convidadas para festas do terceito ano, seríamos
tão populares quanto a Megan em um piscar de olhos."

Reação número quatro: Helena

"Vocêconvidou o garoto? Quantas vezes você já me ouviu dizer a sua irmã, dona
Demetria, que se você ficar indo atrás dos garotos você vai se dar mal? É só
lembrar do que aconteceu com a minha prima Rosa. É melhor que eu não veja você
ligando para ele. Espera que ele ligue para você. E também não me venha com esse
negócio de mensagens instantâneas pela internet. O melhor é parecer misteriosa e
distante. Se a Rosa tivesse sido misteriosa e distante, não estaria na situação que
está hoje. E onde é mesmo essa festa? Os pais da garota vão estar lá? Vai ter
álcool para beber? Estou avisando, dona Demetria, se eu descobrir que você e a
sua irmã estiveram em uma festa em que tem álcool, vocês duas vão ficar limpando
privadas até entrarem na faculdade."

Reação número cinco: Logan

"O filho do presidente? Ele não é agente antidrogas, é?"
Reação número seis: meus pais (deixiei o pior para o fim)
"Ah, Demi, que maravilha! Ele é um garoto tão legal! Não dava para a gente inventar
um namorado melhor para você. Ah, como seria bom se a Dallas tivesse tanta
prudência quanto você para escolher com quem sai... A que horas ele vem buscar
você? Ah, e precisamos comprar filme e máquina de fotografia. Só vamos tirar
algumas fotos, só isso. Bom, a gente precisa registrar o evento. Nossa filhinha,
saindo com um garoto tão gentil. Tão bem-educado. E você sabe que ele estuda na
Horizon, isso significa que a inteligência dele está muito acima da média. Do país.
Do país inteiro. Ele vai mesmo ser alguém muito importante no futuro, talvez até
siga os passos do pai e se torne político. Que garoto bacana, bacana mesmo. Ah, se
a Lucy pudesse encontrar um garoto bacana assim, em vez daquele Logan, que rapaz
terrível!"

Foi totalmente humilhante. Tipo assim, só eu mesma: na primeira vez que saio com
um garoto, é um cara que os meus pais adoram! Além do Joseph não ter nenhuma
tatuagem (pelo menos, até onde eu sei) nem andar de Harley (mais uma vez, estou
chutando, mas parece bem provável), ele é filho do PRESIDENTE DOS ESTADOS
UNIDOS.

Tá bom? Poderia SER mais CDF? Eu sei que a gente não pode fazer nada a respeito
dos pais que tem, mas dá um tempo. Em vez de o cara ser o filho de mãe solteira
que vive de pensão do governo ou de um pai condenado, situações que deixariam os
meus pais loucos da vida, acabo saindo com um cara cujos pais não só continuam
casados como também são, tipo, o casal mais influente do país.
A vida é mesmo injusta.

Fiz de tudo para irritá-los (estou falando dos meus pais), falando que o Joseph vinha
me buscar no CARRO dele (mas claro que não era bem assim; o John é que vinha
dirigindo já que o Joseph, com 17 anos, não tinha idade para ter carteira de
motorista no Distrito de Columbia). Daí observei que iríamos comer SOZINHOS
em algum lugar antes da festa (de novo, não era totalmente verdade, já que os
caras do Serviço Secreto iam nos acompanhar), já que o Joseph tinha sugerido,
quando saíamos do ateliê da Sophia McDylan que fôssemos comer alguma coisa antes da festa.

Mas nem a minha mãe nem o meu pai morderam a isca. O negócio é o seguinte: só
porque o cara é o primeiro-filho, ou qualquer coisa assim, eles confiam nele
completamente! Nem em um milhão de anos eles teriam deixado a Dallas ir a uma
festa com o Logan (não sem uma briga gigante antes). A única razão por que eles
cederam dessa vez e a deixaram ir é porque sabiam que eu também ia estar lá...
bom, com o Josephe o Serviço Secreto. Mas, mesmo assim, Eu! A irmã menor dela!
Eu sou supostamente boazinha! A pesar de tudo que eu tenho feito para convencêlos
do contrário (tipo só me vestir de preto durante um ano, ou aquela história toda
da minha produtora clandestina de desenhos de celebridades), eles insistem em
achar que eu sou uma pessoa responsável!
E vou dizer uma coisa: esse negócio de eu ter salvado a vida do presidente e de ser
nomeada como embaixadora teen da ONU também não ajudou em nada.
Estava pensando seriamente em repetir no alemão, só para me vingar deles.
Mas, do jeito que eles andavam agindo ultimamente, acho que eles só iam ficar tipo:
"A Demi tirou zero em alemão, que coisa mais adorável!"

De qualquer maneira, na noite da festa, a minha mãe e o meu pai cumpriram a
ameaça e já estavam esperando na sala, com a máquina fotográfica em punho,
quando o Joseph tocou a campainha, às sete horas em ponto. A Selena já tinha
chegado e partido, depois de a Dallas transformá-la em uma cópia das garotas que
habitavam as páginas da Seventeen. Ela ia se encontrar com o Paul no Fliperama
Beltway, e daí os dois iam nos encontrar na casa da Megan, na hora da festa.

-Por favor - cochichei, aflita, para Joseph quando abri a porta. - Não ligue para eles.
Eles não sabem o que estão fazendo.

O Joseph, que estava de jeans e com uma malha preta, ficou um pouco assustado,
mas depois que entrou em casa e viu meus pais, relaxou.

-Ah - disse, como se os pais das garotas com quem ele sai sempre aparecessem
com câmeras compactas nas mãos... bom, talvez aparecessem mesmo. - Oi, sr. e sra.
Lovato.

E se a minha mãe e o meu pai já não fossem o bastante, indo de um lado para o
outro com lentes zoom em punho, o Bud, todo animado com a perspectiva de
conhecer alguém novo, veio correndo como louco da cozinha (com todos os seus
quatro quilos) e imediatamente enfiou o focinho na virilha do Joseph. Eu tentei puxar
o cachorro para longe, pedindo desculpas pelo comportamento dele.

-Tudo bem - disse Joseph, dando alguns tapinhas carinhosos na cabeça desgrenhada
do Bud. - Eu gosto de cachorro.

Daí a Dallas tinha que entrar em cena, flutuando escada abaixo toda vestida para a
festa, como se achasse que era alguma atriz de novela famosa ou qualquer coisa
assim, e daí, mandando:

-Ah, Joseph, é você. Achei que era o meu namorado, o Logan. Claro que vocês dois vão
se conhecer na festa. Acho que vocês vão se dar super bem. Ele também é artista.

Depois foi a vez de a Medison aparecer, olhar para o Joseph e para mim e mandar:
-Ah, é. Definitivamente frisson – e logo subiu a escada e foi para o quarto dela,
provavelmente para fazer mais uma tentantiva de entrar em contato com a navemãe.

Se a minha família tivesse tentando me envergonhar, o máximo possível, de
propósito, acho que não teria feito pior. Quando conseguimos escapar para a segurança da varanda, o Joseph olhou para mim e perguntou:

-O que é frisson?

-Ah, hahaha - fiquei rindo igual a uma tonta. - Não sei. Deve ser algo que ela
aprendeu na escola.
Joseph fez uma careta de leve.

-Eu vou à mesma escola que ela, e nunca ouvi falar disso.

Para distraí-lo, caso ele estivesse pensando em chegar em casa e ir olhar a palavra
no dicionário, dei um gritinho quando vi o carro dele. Apesar de eu não ter aceitado
os conselhos da Dallas a respeito do meu visual (estava usando minhas roupas mesmo,
uma saia preta comprida que ia até onde começavam os meus coturnos com
margaridas, combinando com uma malha que, apesar de ter decote V, também era
preta), lembrei alguma das observações dela, uma das quais fora: "Aja como se o
carro dele fosse o máximo. Os caras têm uma relação esquisita com os carros
dele."

Só que eu não tenho bem certeza se isso vale para todos os caras, porque depois
de eu ter um ataque dizendo que adorava o sedã de quatro portas dele, o Joseph
ficou olhando para mim com um ponto de interrogação no olhar.

-Hum... não é meu - disse. - É do Serviço Secreto.

-Ah - respondi. E daí reparei que o John, da aula de arte, estava parado ao lado do
carro. E também que outro carro quase idêntico estava parado logo atrás do
primeiro, com mais dois agentes do Serviço Secreto dentro.
Como achei que algum tipo de explicação se fazia necessária, afirmei:

-A minha irmã disse que os caras gostam quando a gente elogia o carro deles.

-É mesmo? - Joseph disse, sem parecer muito surpreso. - Bom, ela parece ser alguém
que sabe dessas coisas.

Foi nesse momento que um repórter que nenhum de nós tinha notado pulou de trás
dos arbustos e nos atacou: "Demetria! Joseph! Aqui!", e tirou umas mil fotos.
Não deu para ver exatamente o que aconteceu em seguida, já que todos aqueles
flashes me deixaram cega durante alguns segundos, mas ouvi uma voz firme dizer:
"Isso aqui fica comigo", seguindo por um grunhido, um barulho de coisa quebrada e
o fim dos flashes.

Quando voltei a enxergar, percebi que a voz firme pertencia a um agente do
Serviço Secreto (não o John, um outro) que voltava para o carro estacionado atrás
do do Joseph. O repórter estava a poucos metros de distância, na calçada, com ar
desolado, segurando uma câmera despedaçada. Ele murmurava alguma coisa a
respeito de liberdade de imprensa... mas não muito alto, de modo que o agente do
Serviço Secreto não podia ouvi-lo.
John abriu a porta de trás do primeiro sedã e disse, todo arrependido:

-Desculpem-me por esse incidente.
Acomodei-me no banco de trás sem dizer nada, porque, afinal, o que é que eu podia
dizer?

O Joseph entrou pelo outro lado e fechou a porta. O interior do carro do Serviço
Secreto era muito limpo. Tinha cheiro de novo. Eu detesto cheiro de carro novo.
Pensei em abrir a janela, mas estava bem frio lá fora.
Daí o John se acomodou atrás da direção e checou:

-Tudo certo aí?
Joseph respondeu:

-Comigo, tudo certo - daí, olhou para mim. - E você, tudo bem?
-Hum... - respondi. - Tudo.

-Está tudo certo por aqui – ele confirmou.

E o John respondeu:

-Então, vamos lá.

E começamos a andar. Fiquei com o rosto afastado da janela, porque percebi que os
meus pais tinha saído à varanda da frente e estavam parados lá, acenando para nós.
Um repórter, cuja câmera não tinha sido despedaçada, tirou uma foto da cena, já
que tirar fotos do Joseph e de mim era obviamente proibido. Torci para que minha
mãe e meu pai ficassem felizes de ver uma fotona colorida dele no USA Today de
amanhã de manhã ou qualquer outro jornal.

Dentro do carro, estava o maior silêncio. Um silêncio excessivo. "Só tem três
assuntos que você pode conversar com os caras", a Dallas tinha me instruído
anteriormente, naquele mesmo dia, apesar de eu não a ter consultado mesmo a esse
respeito. "E essas coisas são:

Um: ele mesmo.

Dois: você e ele.

Três: você mesma.

Comece falando a respeito dele. Daí, lentamente, introduza o tema relativo a você
e ele. Depois, faça com que a conversa se desvie para você. E fique por aí."
Mas, por algum motivo, eu não conseguia falar nada daquelas coisas que a Dallas
tinha me aconselhado a dizer. Tipo assim, a primeira coisa, de elogiar o carro dele,
não tinha dado nada certo. Eu percebi que, ao sair com o filho do presidente, eu
estava penetrando em território desconhecido, do tipo que a Dallas nunca tinha
explorado. Eu estava por minha própria conta. Era um pouco assustador, mas achei
que conseguiria me virar. Tipo assim, ele não era exatamente o Logan.

-Hum... - comecei, quando o John virou na rua 34. - Desculpa pelos meus pais.

-Ah - respondeu Joseph, rindo. - Sem problemas. Então, para onde a gente vai? O
que você está a fim de comer?

Como eu sempre só estou a fim de comer uma coisa (hambúrguer), não tinha muita
certeza a respeito de como responder à pergunta dele. Por sorte, o Joseph
continuou falando:

-Eu fiz reserva em alguns lugares. Tem o Vidalia. Acho que é bem legal. E o Four
Seasons. Eu não sabia se você já tinha ido lá. Ou então tem o Kinkead, apesar de eu
saber sua opinião sobre peixe.

Enquanto ia ouvindo, meu pânico ia crescendo. Reserva? Ele fez reserva? Eu nunca
achava nada que tivesse vontade de comer em cardápios de restaurantes que
exigem reserva.

Eu não sei se o Joseph foi capaz de perceber o tremor no meu rosto, ou se foi o meu
silêncio que entregou tudo. De qualquer modo, ele mandou:

-Ou a gente pode esquecer as reservas e ir comer uma pizza ou qualquer coisa
assim. Tem um lugar que eu ouvi dizer que todo mundo vai. A pizzaria Luigi's, ou
outra qualquer?

A Luigi's era o lugar onde a Dallas e a turma dela estariam antes da festa. Ao mesmo
tempo em que eu sabia que iríamos ver toda aquela gente em algumas horas, de
qualquer jeito, acho que não dava para encarar ficar sentada em uma mesa com o
Joseph na frente de todos eles, sabendo o tempo todo que o restaurante inteiro
estava de olho em nós, falando de nós. Eu duvidava de que seria capaz de engolir
qualquer coisa. Além disso, o Logan estaria lá. Como é que eu iria prestar atenção em
qualquer coisa que o Joseph dissesse se o Logan estivesse em qualquer lugar nas
redondezas?

-Ou então a gente pode simplesmente comer um hambúrguer em algum lugar... -
sugeriu Joseph, olhando para mim de novo.

-Para mim, parece bom - respondi, esperando soar bem desencanada.
Ele me deu um daqueles sorrisinhos misteriosos.

-Então vamos comer hambúrguer - resolveu. - John, vamos para o Jake's. E você
pode colocar um som, por favor?

John respondeu:

-Claro - e apertou um botão no painel.

E aí, a voz da Gwen Stefani encheu o carro.
Do Doubt. O Joseph era fã do No Doubt.

Eu deveria saber, claro. Tipo assim, qualquer pessoa que gosta de Reel Big Fish tem
que gostar de No Doubt. É tipo uma lei.
Mesmo assim, fiquei em estado de choque quando percebi que o Joseph tinha
mandado colocar a Gwen no som do carro. Porque, sabe como é, se eu tivesse um
carro, é exatamente isso que estaria no som. A Gwen, tipo assim.
E a coisa mais esquisita de todas era que o meu coração tinha feito aquela coisa de
novo. Fala sério. Aquele pulinho, assim que ouvi a voz da Gwen. Só que não por causa
da Gwen, sabe como é. Não, foi porque eu percebi que o Joseph gostava da Gwen.
Será que era disso que a Medison estava falando? Será que frisso era isso?

Mas como é que eu podia sentir frisson por uma pessoa quando o meu coração
pertencia a outra? Não fazia o menor sentido. Para começar, a única razão por que
eu tinha convidado o Joseph tinha sido para deixar a Selena feliz. E talvez para
deixar o Logan com ciúme. Tipo assim, eu era completa e irrevogavelmente
apaixonada pelo namorado da minha irmã, que um dia perceberia que eu, e não a
Dallas, sou a garota certa para ele.
Então, que história de frisson era essa?

Achei que, se eu ignorasse, aquilo iria embora. Então, foi o que comecei a fazer. E
sabe o quê? Por um tempo, fiquei achando que estava dando certo. Tipo assim, não
que a gente não tenha se divertido nem nada assim. O Jacke's, o lugar em que
fomos jantar, era total o tipo de lugar de que eu gosto. Era no bairro do Foggy
Bottom, com mesa de superfície pegajosa e luz fraca. Ninguém lá deu a mínima para
o fato de eu ser a garota que tinha salvado o presidente e que o Joseph era filho
dele. Na verdade, acho que ninguém chegou a olhar para a gente, a não ser a
garçonete e, claro, John e os seus agentes do Serviço Secreto, que se sentaram
em uma mesa um pouco afastada da nossa.

E apesar de eu estar preocupada com o que dizer, descobri que não preciso prestar
a mínima atenção às regras da Dallas. O Joseph começou a me contar umas histórias
engraçadas a respeito das coisas malucas que as pessoas que visitam a Casa Branca
esquecem por lá (tipo aparelhos ortodônticos e, uma vez, uma calça de veludo
cotelê) e, depois disso, a conversa simplesmente fluiu. E quando os hambúrgueres
chegaram, eram queimadinhos do lado de fora, bem do jeito que eu gosto, e
ninguém tinha se atrevido a colocar qualquer verdura ou outra coisa, tipo tomate,
cebola e alface, perto da carne. As batatas também eram do tipo crocrante, não
daquele tipo oleoso e mole que tem um gosto horrível de batata.

Daí o Joseph me contou uma história sobre quando ele era pequeno e a mãe e o pai
dele pediam para ele colocar a mesa e, para fazer piada, ele colocava o garfão e a
colherona de servir salada em um dos lugares.
E ele disse que os pais dele riam toda vez, apesar de ele fazer aquilo praticamente
toda noite.

Inspirada nisso, contei a ele a respeito daquela vez no Marrocos em que tentei
jogar os cartões de crédito do meu pai na privada. Que é uma coisa que, para falar
a verdade, eu nunca contei a ninguém sem ser a Selena. Não era tão fofa quanto
a história do garfão e da colherona, mas era tudo que eu tinha.
E daí o Joseph me disse que tinha ficado muito mal de ter que abandonar os amigos e
se mudar para Washington D.C. e que detestava a Horizon, onde todo mundo era
supercompetitivo e toda a ênfase era dada à ciência, e não à arte, e que as pessoas
que gostavam de desenhar, como ele, eram menosprezadas. E eu entendi
exatamente o que ele queria dizer com aquilo, a única diferença é que na John
Adams só se fala de esportes.

Daí eu contei a ele que tive de ir à fonoaudióloga e que todo mundo achava que eu
estava fazendo aula de reforço. E daí, por algum motivo, também contei a ele sobre
os desenhos de celebriadades, e como tinha sido por causa deles que tirei uma nota
baixa em alemão e fui obrigada a ir à aula da Sophia McDylan.

Foi a certa altura dessa conversa que o joelho do Joseph encostou no meu, por
acaso, abaixo da mesa. Ele pediu desculpas e afastou a perna. Daí, uns cinco
munutos depois, aconteceu de novo.
Só, que dessa vez, ele deixou a perna lá mesmo. Nem pediu desculpas. Eu não sabia
o que fazer. A Dallas não tinha incluído isso na lista de coisas que poderiam
acontecer.

Mas percebi que o frisson começava a voltar. Tipo, de repente, eu tomei
consciência do fato de que o Joseph era um garoto. Tipo assim, claro que eu sempre
soube que ele era um garoto, e também que erra bem bonitinho. Mas, de algum
modo, quando o joelho dele encostou no meu por debaixo da mesa (e ficou lá,
encostado) eu tomei consciência, mesmo, de que ele era um cara.
E, de repente, fiquei envergonhada e não conseguia encontrar nada para dizer... o
que foi bem esquisito porque, tipo, dois minutos antes daquilo, eu não estava tendo
problema nenhum naquela aspecto. E também não conseguia mais olhar nos olhos
dele. Não sei por quê, mas era tipo como se eles fossem verdes demais, ou qualquer
coisa assim. Além disso, de repente eu comecei a sentir calor, apesar de a
temperatura estar ótima dentro do restaurante.

Eu não conseguia entender o que estava acontecendo comigo. Só sabia que, antes
do joelho dele encostar no meu, nada disso estava rolando. Então eu me arrumei na
cadeira, achando que se eu desse um basta no, sabe como é, contato, as coisas
ficariam melhores.

E meio que ficaram, mas acho que não muito, já que o Joseph olhou para mim (sem
nenhum sorrisinho secreto no rosto), e mandou:
-Tudo bem com você?

-Claro - respondi com uma voz mais aguda do que o meu normal. - Por quê?

-Sei lá - deu de ombros, aqueles olhos castanhos examinando o meu rosto de um jeito
que eu achei infinitamente alarmante. - Você está meio... corada.
Foi aí que eu tive a brilhante idéia de olhar para o meu Swatch de sereia e dizer:

-Ah, caramba, olha só que horas são! Precisamos ir, se quisermos chegar à festa a
tempo.

Eu meio que fiquei com a sensação de que o Joseph gostaria de pular toda a parte da
festa. Mas não eu. Eu queria chegar logo lá. Porque, na festa, eu estaria a salvo do
frisson.

Porque o Logan estaria na festa.


Continua ....


UHUL .. mas um capitulo postadooo !!! Muitas surpresas estão por vir kkkkkkkkkkk mas vou deixar vocês na curiosidade HAHAHAHA 


Querooo MUITOS Comentários hein !!!!!!!!!!


RESPOSTAS DOS COMENTÁRIOS DO CAP.16


NINA kkkk muito engraçado mesmo =)) Postei fofa !!

- H  =)))))) Postei !!!!

Mah Jonas Adorei a sua LISTA kkkkkkkkkkkkkkk Mas calma amore , jajá a Demi acordar pra vida !!!! 
Postei =))))) 

Silvia Obrigado .. Postei fofa =)) 

Mariane*-* Obrigado Mari (Posso te chamar assim ?? kkk ) kkkkkkkk Ela é Lerdatic gente .... kkkkk precisa de mais tempo .. mas ela vai acordar pra vida .. Postei =)))

CathieLively-' Que bom que ta gostendo \o/ Vocês não sabem como fico feliz !!!! Chata nada ... vocês são uns amores !!! Seja bem vinda =))) Postei *-* 

29/07/2012

Capitulo 16






-Ele aceitou!

Foi assim que Selena me cumprimentou na quinta-feira de manhã, na escola. Eu
tinha acabado de precisar abrir caminho através de uma multidão de cem
repórteres para ir do carro até a entrada da John Adams, de modo que, é preciso
admitir, meus ouvidos ainda estavam meio que apitando por causa de tanta gritaria
("Demetria, o que você acha da situação no Oriente Médio?", "Coca ou Pepsi,
Demetria?", etc.). Mas eu estava bem certa de que a Selena tinha dito aquilo
mesmo.

-Quem aceitou o quê? - perguntei quando ela começou a me acompanhar até o meu
armário.

-O Paul! - a Selena ficou meio ofendida por eu não ter lembrado. - Da Igreja! Ou
do Fliperama Beltway. Mas tudo bem, não faz mal. O negócio é que eu o convidei
para sair e ele aceitou!

-Uau, Sel - respondi. - Muito bem!

Só que eu não falei de coração. Bom, sim e não. E não foi nada muito legal da minha
parte, acho, e eu nunca teria coragem de dizer isso em voz alta, nem nada assim.
Mas a verdade era que, por mais feliz que eu estivesse pelo fato de a Selena ter
marcado um encontro com um cara, eu me sentia meio estranha em relação à coisa
toda. Tipo assim, aquilo que ela fizera (ligar para um cara e convidá-lo para sair)
parecia, para mim, muito mais corajoso do que o que eu tinha feito (tipo assim,
evitar que um cara assassinasse o presidente). Tudo que eu tinha arriscado era a
minha vida... que, se eu tivesse perdido, não seria lá grande coisa porque, sabe como
é, eu estaria morta e nem saberia do que aconteceu.

A Selena tinha arriscado muito mais do que eu: o próprio orgulho.
A verdade era que eu provavelmente nunca ia ter peito para convidar o cara dos
meus sonhos para sair. Tipo assim, para começar ele era namorado da minha irmã.
Além do mais, bom, e se ele não aceitasse?

-Tudo bem se eu falar para a minha mãe que vou dormir na sua casa? - Selena
quis saber. - Tipo assim, eu sei que eles gostam do Paul, tipo assim, minha mãe e
meu pai, mas eles acha, que 15 anos não é a idade certa para começar a sair com
garotos.

-Claro - respondi. - Depois que vocês terminarem o programa, você pode ir lá para
casa. E se você quiser alguma roupa emprestada... sabe como é, se você achar que
não tem nada legal no armário... passa lá antes de sair e a gente deixa a Dallas dar
um jeito no seu visual. Você sabe que ela adora fazer essas coisas.
O rosto da Selena brilhava. Nunca a vi tão feliz. Foi bem legal. Tipo assim,
apesar de eu estar com inveja e tal, não podia evitar estar feliz por ela.

-Ah, Demi, você está falando sério? - Selena gritou. - Seria maravilhoso!

-Vai ser legal. Então, o que é que vocês dois vão fazer? - perguntei. - Tipo assim, na
grande noite.
Selena olhou para mim como se eu fosse caso de internação.

-Nós vamos à festa da Megan, claro - respondeu. - Dãh. Para o que você acha que eu o
convidei?

Àquela altura, eu estava colocando a combinação para abrir o cadeado do meu
armário. Mas quando a Selena falou aquilo (sobre a festa da Megan) os números
(15, minha idade atual; 21, a idade que eu gostaria de ter; e 8, a idade que eu nunca
mais quero ter) sumiram da minha cabeça.

-À festa da Megan? - eu meio que me pendurei no cadeado e fiquei olhando para ela. -
Você vai levar o Paul à festa da Megan?

-Vou - confirmou Selena, ignorando alguém que tinha passado por ali e, ao ver a
saia comprida dela, gritara: "Ei, onde é que é a quadrilha?" -Claro que convidei, Demi - repetiu ela. - A gente vai, não vai? Você e eu e o Paul e o Joseph?

-O quê? - agora eu não tinha esquecido só a combinação do cadeado. Tinha
esquecido o meu horário de aulas, o que tinha comido no café da manhã, tudo.
Estava em estado de choque. - Selena, você está chapada? Eu nunca disse que ia
à festa da Megan. Na verdade, eu me lembro bem de ter dito que não iria bem se o
Larry Wayne Rogers quebrasse os meus dois braços.

O rosto de Selena, que um instante antes estivera brilhando igual a uma moeda
novinha, se contorceu de decepção e (acho que não estou errada ao dizer) de dor.
É, dor de verdade.

-Mas Demi - ela gritou. - Você tem que ir! Eu não posso ir à festa da Megan sem você!
Eu sei que a Megan só me convidou porque achava que você ia...

-É, e a Megan só me convidou porque ela acha que eu ia levar comigo um monte de
repórteres e que ela ia aparecer na TV. Sem contar que ela achou que eu ia levar o
Joseph - não dava para acreditar que a Selena estava tentando me aprontar uma
coisa daquelas. A Selena, minha melhor amiga desde a terceira série! - E eu não
vou fazer nada disso. Porque eu não gosto do Joseph desse jeito. Lembra?

-Demi, não dá para ir sem você -  choramingou. - Tipo assim, se eu aparecer na casa da Megan sem você, o pessoal vai ficar tipo: "O que é que você está fazendo aqui?"

-Bom, você deveria ter pensado nisso antes - respondi, escancarando a porta do
armário (eu finalmente tinha conseguido lembrar a combinação). - Antes de
convidar o Senhor Pontuação Mais Alta em Death Squad para ir com você.

-Death Storm - me corrigiu, com os olhos escuros brilhando. - E eu não
teria nem convidado se achasse que você falou sério quando disse que não ia.

-Eu disse que não ia. Está lembrada? E vê se se liga, a minha mãe e o meu pai
zicaram a festa total. Nem a Dallas tem permissão para ir.

-Eu sei - respondeu Selena. - Mas ela vai de qualquer jeito. Você sabe que ela
vai. Ela vai simplesmente dizer para eles que vai a outro lugar qualquer.

-Mas isso não conserta nada. Além disso, eu ainda estou a perigo por causa daquele
negócio de tirar nota baixa em alemão. Tipo assim, não acho que eles estão pegando
no meu pé totalmente...

-Demi - me interrompeu, com a voz meio esquisita, como se estivesse
entupida. - Você não saca? Por causa do que você fez... ter salvado o presidente
daquele jeito... agora tudo vai ser diferente para nós.

Ela olhou em volta para assegurar-se de que ninguém estava ouvindo, deu um passo
na minha direção e disse, com uma voz baixinha e aflita:

-Nós não precisamos ser rejeitadas. É a nossa chance de sair com os amigos da
Dallas. Finalmente temos a chance de saber o que é ser a Dallas. Você não quer que
isso aconteça, Demi? Você não quer saber como é estar na pele da Dallas?
Olhei para ela como se estivesse louca.

-Sel, você sabe muito bem o que é estar na pele da Dallas - respondi. - É ficar
dando saltos mortais de costas, na chuva, durante jogos de futebol americano; ler
só revistas de moda; e ficar separando os cílios com um alfinete.

Como eu já tinha pegado todos os cadernos de que precisava e tinha guardado meu
casaco, bati a porta do armário e conclui:

-Desculpa, mas tenho coisa melhor para fazer.

-Tá - Ela disse com os olhos tão brilhantes porque, eu afinal percebi, estavam cheios de lágrimas. - Tudo bem. Isso tudo é muito bom para você. Mas e eu, Demi? Tipo assim, a Megan nunca perdeu tempo para descobrir como é na verdade a garota que está dentro dessas roupas idiotas - Selena pegou a saia de florzinha. - Bom, essa é a minha chance, Demi. Minha chance de mostrar a todo mundo que existe uma pessoa de verdade aqui dentro. Essa é a única ver que eles podem prestar um pouco de atenção. Só estou pedindo para você me dar essa chance.

Fiquei olhando para ela. O sinal já tinha tocado, mas eu não me mexi. Eu estava
paralisada.

-Sel - comecei, mais chocada com o que ela tinha dito do que com as lágrimas
que acompanharam o discurso. - Você... tipo assim, você liga mesmo para o que eles
dizem?
Ela ergueu a mão para enxugar as bochechas com um lencinho rendado.

-Ligo - respondeu. - Tá bom? Ligo sim, Demi. Eu não sou igual a você. Eu não sou
corajosa. Eu ligo para o que as pessoas pensam de mim. Está certo? Eu ligo. E só
estou pedindo para você me dar essa chance de...

-Tudo bem - concordei, finalmente.
Selena olhou para mim, piscando os dois olhos cheios de lágrimas:

-O q-q-quê?
-Tudo bem - eu não estava nada feliz com aquilo, mas o que é que eu podia fazer?
Ela era a minha melhor amiga. - Tudo bem, eu vou. Tá certo? Se é tão importante
assim para você, eu vou.
Um sorriso foi se espalhando devagarzinho no rosto da Selena. Os olhos
castanhos dela estavam felizes de novo.

-É mesmo? - disse e deu um pulinho. - É mesmo, Demi? Você está falando sério?

-Estou - respondi. - Tudo bem? Estou falando sério.

-Ahhh! - Ela jogou os dois braços em volta do meu pescoço e me deu um
apertão de alegria. Então se afastou e disse: - Você não vai se arrepender! Você vai
se divertir muito, juro! Tipo assim, o Logan vai estar lá!

E daí saiu correndo pelo corredor, porque estava atrasada para a aula de biologia.
Eu também deveria ter saído correndo, já que estava atrasada para a aula de
alemão. Mas, em vez disso, só fiquei parada ali, pensando no que é que tinha me
metido.
Ainda estava perdida nos meus próprios pensamentos quando entrei no ateliê da
Sophia McDylan naquela tarde, sentei no meu banco e vi o que estava lá me esperando.
Isso porque havia, em cima do meu banco de desenho, um capacete militar escuro,
salpicado de margaridas de corretivo.

-Gostou? - Joseph quis saber. Ele estava dando aquele sorrisinho de novo. E, pela
segunda vez em dois dias, a visão daquele sorriso provocou algo em mim. Parecia
fazer com que meu coração pulasse dentro do peito. Frisson?
Ou será que era o burrito que eu tinha comido no almoço?

-Achei que uma garota como você precisava exatamente disso – Ele disse. - Sabe
como é, já que você está sempre sendo atacada por corvos e assassinos armados.

Não podia ser azia de estômago. Era muita coincidência que o meu coração tivesse
dado aquele pulo esquisito bem na hora que o Joseph sorriu para mim. Algo mais
estava acontecendo. E não era uma coisa de que eu não estava gostando nadinha.
Tentando ignorar o coração disparado, coloquei o capacete. Era grande demais para
mim, mas não fez mal, porque eu tinha muito cabelo para esconder.

-Obrigada - respondi, tentando enxergar por baixo da aba do capacete. Eu estava
emocionada (emocionada mesmo) por ele ter se dado ao trabalho de fazer aquilo.
Era quase tão legal quanto ter o nome gravado em um parapeito de janela na Casa
Branca. - Ficou perfeito.

E tinha ficado perfeito mesmo. Naquele dia, quando o Zac pulou no meu ombro para
interromper meu desenho eu nem liguei, porque dessa vez não me machucou. Na
verdade, ele só ficou parado lá, com uma cara meio atrapalhada, dando umas
bicadas no capacete e soltando uns assobios de interrogação. Daquela vez,
estávamos retratando uma peça de carne crua que a Sophia McDylan tinha trazido do
açougueiro, dizendo que, depois de ter encontrado as cores de um ovo branco na
terça-feira, nosso desafio de hoje era desenhar um objeto que contivesse todas as
cores do arco-íris, mas sem perder o todo de vista.

A turma inteira riu do pássaro, até o Joseph. Ele parecia ser o tipo de cara que não
deixava que nada o incomodasse. Parecia ser o tipo de cara que saberia lidar com
uma centena de Megan Parks.
Que é a única razão que eu consigo encontrar para explicar por que, logo antes de
nos levantarmos para colocar os desenhos na janela na hora da crítica, eu me
inclinei na direção dele e falei bem baixinho (tão baixinho que achei que ele não
seria capaz de me ouvir, com o meu coração batendo tão alto):

-Ei, Joseph. Você quer ir comigo a uma festa no sábado à noite?
Ele pareceu surpreso. Durante uma fração de segundo, achei que ele fosse dizer
não. Mas não foi nada disso que ele fez. Sorriu e disse:

-Claro, por que não?

As dez principais prováveis razões que me fizeram convidar o Joseph para a festa
da Megan Parks no sábado à noite:

10. Loucura total e completa por ter cheirado muita terebintina.

9. Solidariedade à Selena, que parece ter desenvolvido uma espécie de síndrome
de Estocolmo bem séria, já que, aparentemente, tem o desejo de estabelecer
relações exatamente com aquelas pessoas que passaram anos e anos atormentando
tanto que está se arriscando a sofrer a ira dos pais ao fugir de casa para ir a uma
festa, organizada pela líder de todo o complô, com um garoto que mal conhece.

8. Os olhos dele.

7. Como ele foi legal comigo naquela noite na Casa Branca, quando me contou da
Dolley Lovato. Além de me arrumar aquele hambúrguer. Ah, e de ter gravado o
meu nome no peitoril da janela.

6. Como ele estava bonito naquela noite na Casa Branca, com aquele cabelo meio
desarrumado, aqueles cílios compridos e aquelas mãos grandes.

5. Ele sabe desenhar. Sabe mesmo. Não tão bem quanto o Logan, mas quase tão bem
quanto eu. Talvez até melhor do que eu, só que com um estilo diferente. Além
disso, dá para ver que ele gosta mesmo de desenhar, que ele sente a mesma coisa
que eu e o Logan sentimos quando desenhamos, que isso o absorve como faz comigo
e o Logan. A maior parte das pessoas (como a minha irmã Dallas, por exemplo) nunca
se sente assim a respeito de nada.

4. O capacete de margaridas.

3. Como ele tem que ir a todo lugar acompanhado de agentes do Serviço Secreto,
isso significa que haverá adultos na festa, de modo que os meus pais vão ter que
deixar a gente ir.

2. Todo mundo já acha mesmo que estamos ficando.

E a razão número um (e mais provável) por que eu convidei o Joseph para ir à festa
da Megan:

1. Para beixar o Logan com ciúme. Porque era totalmente possível que, se ele me
visse com outro garoto, iria perceber que, se não agisse logo, poderia me perder, e
isso poderia forçá-lo a reconhecer, afinal, os verdadeiros sentimentos que tinha
por mim. Pelo menos, é o que esperava


Continua ...


Volteiiiiiiiiiiiiiiiiii !!! Cheguei ontem de viajem =)) estava cansada e não pude postar !!!!
Como PROMETI para vocês que iria postar hoje , AI ESTÁ !!!

Espero que gostem meus amores =))

Meninas .. se quiserem , deixem seus TWITTER ai nos comentários q eu sigo vcs =)))


Respostas dos Comentários anteriores !!!


NINA HAHA são sim =))) postei =)

Mah Jonas OMG jura que deixou seu livro pra comentar ... Meu Deus ... Obrigado bb !!! Nossa , seu comentário ta quase maior que o Capitulo hahahaha MAS EU AMOOOO , TODOS OS COMETÁRIOS , DE VERDADE !! ME SINTO BEM SABENDO QUE VC TA LENDO E GOSTANDO =))) Te falei que ia postar HOJE , então postei bb =))) Obrigado por todo seu carinho , é muito importante pra mim =)))

Cookie Obrigado fofa =))) espero mesmo que goste , e seja Bem Vinda !!!! 

That´s Just Me Eu tbm acho hahahaha postei =))






20/07/2012

Capitulos 14 e 15 + Divulgação








Só demorou umas duas horas para a escola inteira saber que eu ia levar o filho do
presidente na festa da Megan Parks no sábado à noite, como se ele fosse meu
namorado ou algo assim.

Por alguma razão, as pessoas pareciam achar isso mais interessante do que o fato
de que eu tinha impedido que uma bala penetrasse na cabeça do líder da nossa
nação, ou que eu era a nova embaixadora teen na ONU do país. Por um lado, eu
fiquei feliz por não receber parabéns toda hora por causa da minha coragem (o que
me incomodava demais, principalmente porque eu não tinha muita certeza se o que
eu tinha feito era algo tão corajoso assim); mas, por outro lado, era irritante ver
todo mundo fazendo piada a respeito do que pode ou não ter acontecido entre o
filho do presidente e eu no Quarto de Lincoln.

-Olha, você está entendendo tudo errado - começou Dallas quando eu comentei o
assunto na mesa da cozinha, depois da escola. - O fato de você e esse tal de Joseph
estarem andando juntos... VÊ SE PÁRA DE ME BELISCAR... só vai ajudar a
aumentar sua fama, que agora já está bem grande. Você, Demi, é a nova estrela da
John Adams. Se você pudesse pelo menos largar essa mania de combinar preto com
preto, você poderia virar a rainha do baile de fim de ano assim - a Dallas estalou os
dedos no ar, e o Bud veio correndo, achando que talvez ela tivesse derrubado no
chão um pedacinho de biscoito com gotinhas de chocolate que a Helena tinha
feito e que todos nós estávamos mastigando.

-Bom, só que eu não quero ser a rainha do baile - respondi. - Só quero que as coisas
voltem ao normal.

-Vou dar um chute: isso não vai acontecer tão cedo - declarou Logan. Ele apontou
para os repórteres que dava para ver, segurando as câmeras, atrás da cerca do
quintal dos fundos, tentando tirar uma foto nossa no átrio envidraçado.

-Jesus Cristo - exclamou Helena e foi até o telefone para ligar para a polícia de
novo.
Afundei o queixo nas mãos e mandei:

-Só não entendo o por que é que você tinha que falar isso para todo mundo. Tipo
assim, não tem nada a ver com a realidade.

Falei tudo isso de maneira bem clara, para que o Logan ouvisse. Tipo assim, eu queria
ter certeza de que ele sabia disso: se algum dia ele mudasse de idéia a respeito da
Dallas, eu ainda estava disponível.

-E como é que eu ia saber qual é a verdade? - perguntou Dallas toda pedante. - Você
não quer falar onde vocês dois se esconderam na noite passada...

Não dava para acreditar que ela tinha coragem de tocar nesse assunto na frente
do Logan. Mas devo admitir que, levando em conta que a Dallas não sabia da posição
do Logan como minha alma gêmea, dessa vez não dava para culpá-la.

-Porque não é da sua conta! - gritei. - Tipo assim, você não fica me contando cada
coisinha que faz com o Logan.

-A-ha! - Dallas me apunhalou com uma daquelas unhas pontudas dela, um sorriso
triunfante no rosto. - Eu sabia! Vocês dois estão ficando!

-Não, não estamos - retruquei. - Eu não disse nada disso.

-Disse sim. Você acabou de confessar. Você disse: "Você não fica me contando cada
coisinha que faz com o Logan", o que com certeza significa que você e o Joseph estão
juntos, igualzinho ao Logan e eu.

-Não, não significa - insisti. - Não quer dizer nada disso...

Mas o meu argumento extremamente lúcido foi interrompido pela Helena que,
depois de terminar de falar com a polícia no telefone, foi receber um pacote que
tinha chegado por entrega especial.

-É para você - informou, colocando o pacote na minha frente. - O moço disse que
veio da Casa Branca.
Todo mundo olhou para o pacote.

-Está vendo - confirmou Dallas. - É do Joseph. Eu falei que vocês dois estão ficando.
O pacote revelou-se um Kit de informações sobre minha nova função de embaixadora
teen.

Ao ver aquilo, Dallas voltou para a revista dela, totalmente decepcionada. Mas o
Logan ficou todo animado e começou a ler cada folhetinho e tudo o mais.

-Olha só isso aqui. Vai ter uma exposição de arte internacional. Da minha janela. Vai
ter artistas adolescentes do mundo inteiro, retratando, com materiais diversos, o
que vêem todos os dias através da janela.
Do outro lado da mesa, a Medison, que estava revisando suas planilhas, fuzilou:

-E os adolescentes que não têm janela? Tipo os alienígenas adolescentes que estão
presos contra a vontade na Área 51? Acho que eles não vão estar lá representados,
não é mesmo? Você acha que isso é justo?
Como sempre, todo mundo a ignorou.

-Ei! - exclamou Logan, cada vez mais animado. Tudo que envolvia arte deixava Logan
animado. - Ei, eu vou me inscrever nisto aqui. Você também deveria, Demi. O
vencedor de cada país participante vai ficar exposto na sede da ONU durante o
mês de maio. Isso daria muita visibilidade. E é em Nova York. Tipo assim, se você
tem um trabalho exposto em Nova York, não precisa de mais nada!
Eu estava lendo a carta que tinha vindo junto com o panfleto do concurso Da minha
janela.

-Eu não posso me inscrever - informei, um pouco surpresa. - Faço parte do júri.

-Você está no júri? - Logan ficou muito feliz ao saber disso. - Que maravilha! Então
eu me inscrevo, você escolhe o meu quadro e logo logo eu vou estar fazendo a minha
estréia no circuito das artes de Nova York.
Medison ergueu os olhos das planilhas e olhou o Logan, incrédula:

-A Demi não pode fazer uma coisa dessas - sentenciou. - Seria trapaça!

-Não é trapaça nenhuma se o quadro for mesmo o melhor - respondeu Logan.

-É, mas e se não for? - Dallas quis saber. Ela é a pior namorada do mundo. Nunca
conheci ninguém que dá tão pouco apoio ao homem que supostamente ama!

-Vai ser - Logan deu de ombros, com aqueles ombros enormes dele, como se com
aquele gesto pudesse resolver a questão.

Mas é claro que o Logan estava certo: o quadro dele ia ser o melhor de todos. Os
quadros do Logan eram sempre os melhores. Sempre foram, tanto que eram
escolhidos para todas as exposições em que se inscreveu. Não havia a menor dúvida
de que, no fim do ano letido, apesar das notas baixas, falta de atividades
extracurriculares e histórico de faltas, o Logan seria aceito em uma das melhores
faculdades de arte do país, como a Rhode Island School of Design, a Parsons ou
até a Yale. Ele simplesmente era bom mesmo.

E a minha opinião não tinha nada a ver com o fato de que, por acaso, eu era
totalmente apaixonada por ele.
Eu meio que consegui tirar aquela história de Joseph da cabeça até a hora que a
Selena ligou, à noite, enquanto eu tentava fazer a lição de casa de alemão.

-Então. Você vai à festa da Megan?

-De jeito nenhum.

-Por que não?

-Hum, porque a Megan Parks é cria do Satã - respondi, um pouco surpresa. - E você
sabe disso melhor do que ninguém.
Rolou um silêncio. Daí a Selena disse, pausadamente:

-É. Eu sei. Mas eu sempre quis ir a uma das festas dela.
Não dava para acreditar. Eu afastei o fone do rosto, literalmente, e fiquei olhando
para ele durante alguns segundos antes de colocá-lo na orelha e mandei:

-Sel, do que é que você está falando? Olha o jeito como ela trata você!

-Eu sei - confessou Selena, parecendo arrasada. - Mas todo mundo que vai a uma
festa da Kris Parks fica falando sobre o que aconteceu lá, tipo como foi divertido.
Não sei. Ela também me deu um convite. E eu estava meio que pensando em ir. Mas
só se você fosse também.

-Bom, eu não vou - respondi. - Nem o Larry Wayne Rogers poderia me forçar a ir lá,
nem se ameaçasse me fazer ouvir "Uptown Girl" cinqüenta mil vezes e quebrasse os
meus DOIS braços.

Mais um silêncio. E foi aí que a Selena falou a coisa mais surpreendente de
todas. Mandou:

-Bom, mas eu continuo com vontade de ir.

Fiquei sem palavras. Se a Selena tivesse dito que estava pensando em raspar a
cabeça e se juntar aos Hare Krishna, eu não teria ficado mais surpresa.

-Você quer ir à festa da Megan Parks? - exclamei, tão alto que o Bud, que estava
durmindo na minha cama, com a cabeça no meu colo, acordou e começou a olhar em
volta, sobressaltado. - SAelena, você está usando aqueles marca-textos com
cheirinho de novo? Porque eu falei que eles deixavam a gente bem...

-Demi, estou falando sério - confirmou Selena. A voz dela parecia bem
pequinininha. - A gente nunca faz as coisas que o pessoal normal faz.

-Isso é totalmente mentira - argumentei. - No mês passado a gente foi assistir à
peça do Clube de Teatro, A gaivota, não foi?

-Demi, nós duas éramos as únicas pessoas na platéia que não eram parente de
ninguém que estava no palco. Eu só quero, na verdade, uma vez ma vida, ver como é.
Ser, sabe como é, parte da panelinha. Você nunca ficou imaginando como é?

-Sel, eu já sei como é. Eu moro com alguém assim, está lembrada? E não é legal.
Precisa passar muito gel no cabelo.
A voz de Selena estava mesmo muito pequenininha.

-Mas é que talvez essa seja a minha única chancem sabe como é.

-Sel - prossegui. - A Megan Parks só foi má com você desde que vocês se
conheceram, e agora você quer ir à casa dela? Desculpa, mas isso é mesmo...

-Demi? - começou Selena, ainda com aquela vozinha. - Eu conheci um garoto.
Eu quase deixiei o telefone cair.

-O quê? Como assim?

-Um garoto. - Selena falou bem rápido, como se com medo de que, se não
falasse tudo de uma vez, não falaria nunca. - Você não conhece. Ele não está na
John Adams, ele está na Phillips Academy. O nome dele é Paul. Meus pais conhecem
os pais dele da Igreja. Ele sempre está no Fliperama Beltway quando meus irmãos e
eu estamos lá. Ele é superlegal. E tem uma das pontuações mais altas em Death
Storm.

Acho que fiquei em estado de choque ou qualquer coisa assim, porque a única coisa
que consegui pronunciar foi:

-Mas... e o Heath?

-Demi, eu preciso cair na real em relação ao Heath - respondeu Selena, com uma
voz tão corajosa como eu nunca vi. - Mesmo se algum dia a gente se conhecesse, ele
nunca ia sair com uma garota que ainda está na escola. Além disso, ele passa a
maior parte do tempo na Austrália. Quando é que eu iria para a Austrália? Minha
mãe e meu pai mal me deixam ir ao shopping center sozinha...
Eu continuava em estado de choque.

-Mas você acha que eles vão deixar você sair com esse tal de Paul?

-Bom... - respondeu Selena. - O Paul não me convidou para sair, exatamente.
Acho que ele é tímido. É por isso que eu estava pensando em convidá-lo para sair.
Sabe como é. Para ir à festa da Megan.
Eu realmente não conseguia enxergar a lógica por trás daquilo tudo.

-Sel, por que é que você não convida o Paul para ir ver um filme ou qualquer coisa
assim? Por que é que você precisa levá-lo à festa da Megan?

-Porque o Paul só me conhece da Igreja - explicou ela. - E do Fliperama Beltway.
Ele não sabe que eu não sou da panelinha. Ele acha que eu sou descolada.
Eu não sabia bem como expressar o que eu precisava dizer a seguir, mas achei que
tinha que falar. Afinal, é para isso que servem as melhores amigas.

-Mas, Sel - comecei. - Tipo assim, ele vai saber na hora que você não faz parte da
panelinha no segundo que a gente pisar na casa da Megan Parks e ela falar uma
daquelas coisas horríveis que ela sempre fala de você na frente dele.

-Ele não vai fazer nada disso - ela parecia mais confiante do que nunca.

-Não vai? - fiquei muito surpresa ao ouvir isso. - Você está sabendo alguma coisa da
Megan que eu não sei? Ela passou por alguma conversão religiosa ou qualquer coisa
assim?

-Ela não vai falar nada desagradável de mim se você estiver lá - concluiu Selena.- E se você levar o Joseph.
Comecei a ter um ataque de riso. Não deu para segurar.

-O Joseph? - gritei. - Sel, eu não vou à festa da Megan e, mesmo que fosse, nunca ia
levar o Joseph. Tipo assim, eu nem gosto dele. Você sabe muito bem disso. Você sabe
de quem eu gosto.

Mas eu não podia falar o nome alto, para o caso de a Dallas pegar a extensão do
telefone, o que ela fazia sempre, para reclamar que eu estava falando havia muito
tempo e que ela precisava fazer uma ligação.
Mas eu também não precisei falar o nome dele. Porque a Selena sabia muito bem
de quem eu estava falando.

-Eu sei, Demi - Selena respondeu. A voz dela ficou pequenininha de novo. - É só
que... bom, eu achei que... tipo assim, se você pensar bem sobre o assunto, ele é tipo
o Heath para você, sabe. O Logan. Tipo assim, ele não mora na Austrália, mas...
minhas chances de ficar algum dia com ele eram, tipo, zero. Ela não precisava nem
falar. Eu sabia o que ela estava pensando.

Só que a Selena estava errada. Porque um dia eu ia conquistar o Logan. Ia mesmo.
Se tivesse paciência, simplesmente, e fizesse o jogo certo, ele iria olhar em volta
algum dia e perceber que eu era (que eu sempre fui) a garota perfeita para ela.
Era só uma questão de tempo.

As dez indicações principais por que o Logan me ama, e não a minha irmã Dallas, só que ele ainda não percebeu:

10. Sempre que ele me vê, pergunta se eu li a última edição de Arte nos EUA. Ele
nunca faz essa pergunta para a Dallas, porque sabe que ela só le revistas de moda e
a parte dos atores da revista que vem no jornal de domingo.

9. Ele queimou um CD para mim. É verdade que só tinha música de baleia, que é o
que o Logan gosta de ouvir enquanto pinta, mas o fato de ele ter se dado ao
trabalho indica que ele quer mesmo que se estabeleça uma conexão emocional entre
nós.

8. Ele me pagou um cheesebúrguer duplo aquela vez em que eu esqueci a carteira.

7. Ele deixou eu comer todas as jujubas amarelas do pacotinha dele quando fomos
ver o filme de Harry Potter (apesar de, tecnicamente, o Logan ser contrário à
comercialização de personagens de livros infantis; ele só foi porque o filme do
Jackie Chan que estava passando no cinema ao lado estava com os ingressos
lotados).

6. Teve aquela vez em que ele disse ter gostado da minha calça.

5. Ele reclama que a Dallas demora muito para se maquiar. Ele me disse que prefere
garotas que não usam maquiagem. Hum... exatamente eu. Bom, mas eu uso corretivo.
E rímel. E gloss. Mas, fora isso, não uso maquiagem nenhuma.

4. Quando contei a ele a minha teoria a respeito de como os canhotos começaram a
vida com um irmão gêmeo, ele disse que era totalmente válido; ele também é
canhoto e sempre teve um sentimento de solidão no mundo. A teoria da Medison
(de que todos somos descendentes de alienígenas que caíram por acaso neste
planeta e perderam todo o avançado conhecimento tecnológico quando a nave-mãe
pegou fogo) não o impressionou tanto. E a teoria da Dallas (de que Soda e 7-Up são a
mesma bebida em embalagens diferentes) não o abalou nem um pouco.

3. Quando o Clube de Teatro precisou de voluntários para pintar o cenário de
produção de Hello Dolly!, o Logan e eu nos inscrevemos e, mais tarde, acabamos
pintando o mesmo pedaço de compensado com uma imagem de rua (ele fez a borda,
eu, as luzes). Se isso não é o destino, não sei o que é.

2.O Logan é de Libra. E eu sou de Aquário. Sabe-se que librianos e aquarianos se dão
bem. A Dallas, que é de Peixes, deveria, na verdade, estar com um taurino ou com um
capricorniano.

E a indicação número um por que o Logan gosta de mim e ainda não sabe:

1. Clube de luta é o livro preferido dele também. Seguido por Ardil 22 e Zen e a
arte de manutenção de motocicletas.


Fim do capitulo ....


Capítulo 15

Na terça-feira quando a Helena virou a esquina da R com a Connecticut e parou
em frente à Igreja Fundamental de Cientologia, nem dava para ver a Capitol
Cookies. Também não dava para ver a Static.

Isso porque tinha um montão de repórteres parados na esquina, esperando para me
entrevistar antes de eu entrar no ateliê da Sophia McDylan.
Nem me pergunte como foi que eles descobriram o horário da minha aula de
desenho. Acho que eles deduziram o horário da aula do Joseph, já que todo mundo
sabia que nós dois estávamos na mesma classe (a informação estava no jornal, para
explicar por que eu estava naquele lugar bem na hora que o Larry Rogers e o
presidente também estavam).

Tanto faz. O modo como eles tinham descoberto não fazia a menor diferença. A
verdade é que eu não deveria ter ficado surpresa. Tipo assim, esses repórteres
estavam em todo lugar. Na frente da nossa casa. Na frente da escola. Na frente
do Jardim do Bispo quando eu cometi o erro de levar o Bud lá para passear. Na
frente da videolocadora Potomac, pelo amor de Deus, onde quase fizeram uma
emboscada para a Medison e eu quando fomos lá devolver o filme preferido dela,
Contatos imediatos do terceiro grau.

E ao mesmo tempo em que eu entendia perfeitamente que eles tinham prazos a
cumpri, ou qualquer coisa assim, e que precisavam de assunto, não conseguia
entender, de jeito nenhum, por que é que esse assunto tinha que ser eu. Tipo assim,
eu não fiz nada além de salvar o presidente. Não é tipo como se eu tivesse alguma
coisa a dizer.

-Com licença! - gritou Helena. Ela estacionou em fila dupla (era bem improvável
que o carro fosse ser guinchado com meia dúzia de cameramen se aglomerando por
cima dele) e, protegendo a minha cabeça com a capa de chuva de oncinha dela, usou
os cotovelos e a bolsa para abrir caminho no meio da multidão e entrou correndo
comigo pela porta do ateliê.

-Demetria! - os repórteres gritavam enquanto nós atravessávamos a massa
formado por eles. - Como você se sente a respeito do fato de Larry Rogers ter sido
considerado mentalmente incapaz para ser julgado?

-Demetria! - gritou mais outro. - Em que partido os seus pais votam?

-Demetria! - outra pessoa gritou. - O país inteiro quer saber: Coca-Cola ou Pepsi?

-Jesus Cristo - gritou Helena para alguém que cometeu o erro de puxar a bolsa
dela para que ficássemos um instante a mais ao alcance do microfone. - Tira a mão
da bolsa! É uma Louis Vuitton, caso você não tenha reparado.
Então finalmente entramos, aos trancos, pela porta que conduz à escadaria do
ateliê da Sophia McDylan...

... e praticamente atropelamos o Joseph e o John que, aparentemente, tinham
chegado ali apenas alguns segundos antes de nós, apesar de eu não ter reparado
que eles estavam no meio da multidão.
A Helena estava tão brava por alguém ter encostado na bolsa dela que só
conseguiu ficar falando uns palavrões em espanhol durante um minuto inteiro. O
John, o agente do Serviço Secreto do Joseph, tentou acalmá-la dizendo que tinha
pedido reforço policial e que um guarda a levaria de volta até o carro. Além disso,
os repórteres seriam contidos por barreiras no final da aula.

Olhei para o Joseph e vi que ele estava com aquele sorrisinho secreto nos lábios de
novo. Naquele dia, ele estava usando uma camiseta do Blink 182 embaixo da jaqueta
de camurça, uma indicação de que o gosto musical dele não era, como o meu, tão
retritivo assim. A camiseta era preta, e isso de algum modo parecia ressaltar o
verde dos olhos dele mais do que nunca. Ou isso ou era a iluminação da escada, ou
sei lá o quê.

-Ei! - Joseph disse para mim, abrindo mais um pouco aquele sorrisinho.
Não sei por quê, mas algo naquele sorrisinho fez meu coração dar uns pulinhos
esquisitos. Mas claro que isso era impossível. Tipo assim, eu nem gosto do Joseph. Eu gosto do Logan.

Daí, por algum montivo, lembrei-me da Medison e daquela idiotice de frisson. Será
que era isso? Vai ver que era. Será que frisson é quando você olha para um cara e
seu coração fica todo esquisito?

A única coisa que eu podia dizer era que estava feliz pelo fato de o Joseph não estar
na John Adams, de modo que não ouviu falar aquela coisa a respeito do Quarto de
Lincoln que estavam circulando. Tipo assim, já era bem ruim ter sentido um frisson
pelo cara. A última coisa que eu queria que ele soubesse era que todo mundo na
minha escola também parecia saber disso.
Só a idéia de que eu poderia ter um frisson por alguém que não fosse o Logan já me
deixou com um tremendo mau humor. Ou talvez tenham sido todos aqueles
repórteres. De qualquer modo, em vez de falar oi ou qualquer coisa assim para o
Joseph, eu só mandei:

-Você não fica cheio de tudo isso? - Balancei meu gesso na direção dos repórteres.- Tipo assim, é assustador, e você fica aí sorrindo.

-Você acha que a imprensa é assustadora? - perguntou Joseph. Agora ele não estava
simplesmente sorrindo. Ele dava gargalhadas. - Não foi você a garota que pulou nas
costas de um louco armado?

Olhei para ele, estupefata. Não deu para evitar: percebi que o Joseph ficava ainda
melhor rindo do que simplesmente sorrindo.
Mas logo tirei da cabeça essa idéia e disse, em tom sério:

-Aquilo não foi nada assustador. Eu simplesmente fiz o que precisava fazer. Se
você estivesse lá, teria feito a mesma coisa.

-Não sei não - respondeu Joseph, pensativo.

E daí a escolta policial da Helena chegou e, quando ela abriu a porta para sair,
qualquer chance de conversar ali na escada foi embora com os gritos dos
repórteres. O John meio que empurrou nós dois escada acima, nós entramos e lá
estavam os bancos, exatamente como da última (e única) vez em que eu estivera lá.
A única diferença verdadeira era que não tinha mais fruta nenhuma em cima da
mesinha que ficava no meio do círculo de brancos. Em vez disso, só tinha um ovo
branco.

Achei que talvez a Sophia McDylan tivesse esquecido uma parte do almoço dela ou algo
assim. Ou isso ou o mundo tinha enlouquecido e esqueceram de me avisar.

-Então - começou Joseph assim que nos acomodamos no nosso banco e arrumamos o
bloco de desenho e tudo o mais. - O que é que vai ser hoje? Abacaxi de novo? Ou
será que você vai tentar fazer algo mais de acordo com a estação... uma abóbora,
talvez?

-Será que dá para você parar de falar desse negócio de abacaxi? - pedi, meio
baixinho, para ninguém mais ouvir. Não dava para acreditar que eu tinha
experimentado um frisson com um garoto que só sabia tirar sarro da minha cara.

-Ah, desculpa - murmurou Joseph, mas não parecia muito arrependido. Tipo assim,
ele continuava sorrindo. - Esqueci que você era uma artista sensível e tal.

-Só porque eu não estou a fim de deixar uma ditadora artística esmagar meus
impulsos criativos, isso não quer dizer que sou sensível demais - resmunguei,
olhando para Sophia McDylan, que estava no tanque lavando uns pincéis.
As duas sobrancelhas do Joseph se ergueram ao mesmo tempo.

-Do que é que você está falando?

- Da Sophia McDylan  - respondi, dando um olhar torto na direção da rainha dos elfos. -
Essa coisa de desenhar o que você está vendo. Que babaquice!

-Babaquice? - afinal, ele tinha parado de sorrir. Agora ele só estava com cara de
confuso. - Como assim, babaquice?

-Porque onde é que a arte estaria se o Picasso só desenhasse o que via? - cochichei.
Joseph olhou para mim, com cara de quem não estava entendendo nada.

-O Picasso passou anos e anos desenhando só o que ele via - afirmou. - Só depois de
ele conseguir dominar a habilidade de desenhar exatamente o que via, com precisão
absoluta, é que começou a fazer experiências com a percepção do traço e do
espaço.
Fiquei olhando para ele, atônita.

-O quê? - perguntei com ar de inteligente. Não tinha entendido nada do que ele
tinha dito.
Joseph explicou:

-Olha só, é fácil. Antes de começar a mudar as regras, a gente precisa aprender
quais são. E é exatamente isso que a Sophia está tentando ensinar para nós. Ela só
quer que você aprenda primeiro a desenhar o que está vendo, antes de passar para
o cubismo, para o abacaxismo ou para qualquer ismo que você escolher.

Foi minha vez de olhar para ele com cara de quem não estava entendendo nada.
Isso tudo era novo para mim. O Logan com certeza nunca tinha dito nada a respeito
de conhecer as regras primeiro para depois sair quebrando-as. E o Logan sabia tudo
a respeito de quebrar as regras. Tipo assim, não era isso que ele fazia para
mostrar às pessoas (como o pai dele, toda aquela gente no clube de campo e o sr.
Esposito) como estavam erradas?
Foi aí que a Sophia McDylan  se afastou do tanque e bateu palmas.

-Certo, classe. Tenho certeza de que todo mundo ouviu falar da agitação da aula na
semana passada; e a coisa foi mais agitada para algumas pessoas do que para
outras. - A Gertie, a Lynn e todo mundo começaram a rir a Sophia deu um olhar
significativo na minha direção. - Mas agora todos estamos aqui de novo, inteiros,
ainda bem... bom, quase. Então, vamos voltar ao trabalho, certo? Estão vendo
aquele ovo? - apontou para o ovo sobre a mesinha, na nossa frente. - Hoje, quero
que todos vocês pintem esse ovo. Quem não está acostumado a usar tinta pode
optar por lápis de cor ou giz.

Olhei para o ovo em cima da mesa. Estava arrumado sobre um pano de seda branco.
Olhei para aquele monte de lápis de cor que a Sophia McDylan  largou em cima do meu
banco. Nenhum era branco.
Suspirei e levantei a mão.

Bom, o que é que eu devia fazer? Tipo assim, essa mulher tinha praticamente me
chantageado para que eu voltasse à aula. E daí, quando eu cheguei lá, ela nem me
deu um lápis de cor branco... como é que ela queria que eu desenhasse o que eu
estava vendo? O que é que ela estava pensando? Tipo assim, sou super a favor de
aprender as regras antes de quebrá-las, mas aquilo ali bem parecia fazer parte da
lista de regras.

-Pois não, Demi? - Sophia aproximou-se do meu banco.

-Pois é... - balbuciei, abaixando a mão. - Aqui não tem nenhum lápis branco.

-Não, não tem mesmo - confirmou ela. Aí, só me deu um sorriso e começou a se
afastar.

-Espera aí - pedi consciente de que o Joseph, sentado ao meu lado, devia estar
escutando tudo. Ele parecia bastante absorto no próprio trabalho, que tinha
começado assim que a Sophia McDylan terminara de falar com a classe, mas vai saber.

-Como é que eu vou desenhar um ovo branco em cima de um pano branco sem um
lápis branco? - eu não queria choramingar nem nada disso. Só que não conseguia
entender exatamente o que a Sophia McDylan queria. Tipo assim, era para eu
trabalhar com o espaço negativo ou algo assim? Colocar as sombras e deixar o
resto branco? O quê?

Sophia McDylan olhou para o ovo. Daí disse a coisa mais surpreendente que eu ouvi nos
últimos tempos, e olha que eu tenho ouvido umas coisas bem surpreendentes, sendo
que a última foi saber que a minha melhor amiga, Selena, quer fazer parte da
panelinha.

-Eu não estou vendo nada de branco ali - Sophia McDylan  disse educadamente.
Olhei para ela como se fosse louca. Como assim, o ovo e a folha eram tão brancos
quanto... bom, tão brancos quanto o cabelo que caía sobre os ombros dela.

-Hum... - murmurei. - Desculpa, não entendi.
Sophia se abaixou, de maneira a enxergar o ovo da mesma perspectiva que eu.

-Lembre-se do que eu disse, Demi. Desenhe o que você vê, não o que você conhece.
Você sabe que aí na sua frente tem um ovo branco e uma folha branca. Mas você
está mesmo vendo alguma coisa branca ali? Ou será que você está vendo a cor
rosada do sol que reflete da janela? Ou o azul e o roxo que fazem a sombra
embaixo do ovo? O amarelo da luz de cima, que se reflete na curva superior do
ovo? O verde bem clarinho do lugar em que o pano toca na mesa? Estas são as
cores que eu estou vendo. Nada de branco. Nenhum branquinho mesmo.

Para mim, não pareceu que naquele discurso todo houvesse qualquer coisa que
tivesse a intenção mais remota de tolher a minha criatividade e o meu estilo
natural. O David tinha ressaltado que primeiro é preciso aprender as regras para
depois quebrá-las. A Sophia McDylan  só estava tentando fazer com que eu
enxergasse, como ela mesma disse.

Então, olhei. Olhei muito. Com mais atenção do que jamais tinha olhando para
qualquer coisa. E foi aí que vi. Eu sei que parece idiota. Tipo assim, eu sempre fui capaz de enxergar. Minha visão é 20 por 20. Mas, de repente, eu vi. Eu vi a sombra roxa embaixo do ovo. Eu vi a luz rosada do sol que vinha da janela. Eu até vi a luz amarelada, parecia com o luar, que refletia em cima do ovo. E daí, bem rápido mesmo, peguei o primeiro lápis que vi pela frente e comecei a desenhar.
É por isso que eu gosto de desenhar:

Quando a gente está desenhando, parece que o mundo todo à sua volta deixa de
existir. É só você, a folha, o lápis e talvez uma música erudita suave de fundo, ou
qualquer coisa assim, mas você não fica escutando de verdade, por estar
totalmente absorta no que está fazendo. Quando se desenha, não se tem noção do
tempo passando, nem do que está acontecendo à sua volta. Quando um desenho flui
bem mesmo, você é capaz de se acomodar à uma da tarde e só tirar o olho do
trabalho às cinco, sem nem mesmo perceber que passou assim tanto tempo, até que
alguém chame a sua atenção para isso, porque ficou tão concentrada na sua criação.
Descobri que não existe nada igual no mundo. Assistir a um filme? Ler? Não mesmo.
Só se a história for muito, muito boa. E pouquíssimas são. Quando a gente desenha,
entra em um mundo próprio, em uma criação pessoal.
E não existe nenhum mundo melhor do que esse.

E é por isso que, quando você está totalmente imersa no desenho, e acontece
alguma coisa que a obriga a sair daquele mundo, é umas cem vezes mais chato do
que se você estivesse a fazer a lição de geometria ou qualquer coisa assim e a sua
irmã invadir o seu quarto para pedir um frufru de cabelo ou qualquer coisa assim.
Nessa situação, acho que seria quase desculpável se você assassinasse essa pessoa.
Claro que se essa pessoa for um corvo preto e enorme, você teria ainda mais
desculpas para isso.

-Crááááá! - Zac, o corvo, berrou na minha orelha ao mesmo tempo em que arrancou
uma dúzias de fios da minha cabeça e depois saiu voando, fazendo barulho ao bater
as assas.
Dei um grito.

Foi impossível segurar. Estava tão entretida no desenho que nem percebi o pássaro
se aproximando, nem me liguei que estava armando o bote. Eu gritei, mas não
porque o que ele tinha feito doeu (mas, na verdade, doeu sim), mas porque foi
totalmente inesperado.

-Zachary! - Sophia McDylan  vociferou, batendo palmas. - Corvo mau! Corvo mau!
Zac fugiu para a segurança de sua gaiola, onde largou meu cabelo e soltou, todo
triunfante:

-Corvo lindo!

-Você não é nada de corvo lindo! - Sophia McDylan  o corrigiu, como se ele fosse capaz
de entender. - Você é um corvo muito mau.
Então, virou-se para mim e disse:

-Ah, Demetria, desculpe mesmo. Tudo bem com você?

Coloquei a mão no buraco que o Zac tinha feito na minha cabeça. E quando fiz isso,
reparei uma coisa: a luz tinha mudado. Não era mais rosada. O sol tinha se posto.
Já passavam das cinco mas, para mim, parecia que só fazia dois minutos que eu
tinha começado a desenhar, não quase duas horas.

-Esqueci de fechar a gaiola dele - Sophia McDylan tentava se explicar. - Preciso
lembrar de fazer isso toda vez que você estiver aqui. Não sei por que ele é tão
obcecado com o seu cabelo. Quer dizer, ele é superbrilhante, mas...

Foi mais ou menos a essa altura que eu percebi que o banco ao lado do meu estava
sacudindo. Olhei e vi que o Joseph estava tendo um ataque ou qualquer coisa
parecida, daí eu percebi que não era ataque nenhum. Ele estava morrendo de rir.
Ele percebeu que eu estava olhando e disse, entre uma gargalhada e outra:

-Desculpa! Juro mesmo, desculpa! Mas se você visse a sua cara na hora que aquele
corvo pousou em você...

Eu sou capaz de agüentar uma piada como qualquer pessoa, mas não achei essa daí
muito engraçada. Dói quando alguém (ou alguma coisa) arranca o seu cabelo. Talvez
não tanto quanto alguém quebra o seu pulso, mas, mesmo assim, dói.
Joseph, cujos ombros (que não eram tão largos quanto os do Logan, mas ainda assim
eram bastante impressionantes em relação aos ombros dos caras normais)
continuavam a tremer com as risadas, prosseguiu:

-Fala sério. Você tem que reconhecer. Foi engraçado.

Claro que ele estava certo. Tinha sido engraçado.
Mas, antes que eu tivesse oportunidade de fazer a minha confissão, a Sophia McDylan
já estava do meu lado, olhando o meu desenho. Já que ela estava olhando, resolvi
olhar também. É claro que era exatamente isso que eu tinha feito a tarde inteira.
Mas aquela foi a primeira oportunidade que tive de me afastar e ver mesmo o que
eu tinha feito.

E não dava para acreditar no que estava na frente dos meus olhos. Era um ovo
branco. Em cima de um retalho de seda branco. Era igualzinho ao ovo branco em
cima do tecido branco na minha frente.
Mas eu não tinha usado nem um pouquinhozinho de branco.

-Pronto - exclamou Sophia McDylan, com a voz satisfeita. - Você conseguiu. Eu sabia
que conseguiria.

Então, distraída, deu uns tapinhas na minha cabeça, bem no lugar dolorido de onde
o corvo tinha arrancado uns fios.
Mas não doeu. Não doeu nadinha. Porque eu sabia que a Sophia McDylan estava certa:
eu tinha conseguido.
Finalmente, eu tinha começado a ver.

As dez principais funções da embaixadora teen dos EUA como eu, Demetria Lovato, entendo:

10. Ficar no escritório do secretário de imprensa da Casa Branca e ouvir ele ficar
falando a respeito de como a taxa de aprovação do presidente subiu depois da
tentativa de assassinato frustado contra ele.

9. Também precisava ouvir o secretário de imprensa ficar resmungando a respeito
de como a prefeitura está reclamando de todos os guardas que tem de enviar para
a minha casa para afastar a imprensa e por que é que eu não vou logo a um
programa como Dateline ou 60 Minutos, dou minha entrevista e coloco um ponto
final no assunto. Daí, quando mostrarem aquilo um milhão de vezes, todo mundo vai
enjoar de mim e vai me deixar em paz. Total. Como se eu tivesse alguma coisa interessante a dizer para os telespectadores americanos. Até parece.

8. Entregar fotocópias das regras e regulamentações da exposiçaõ de arte
internacional Da Minha Janela para todos os meus amigos artistas, e olha que eu só
tenho um, namorado da minha irmã e minha alma gêmea, Logan Henderson.

7. Autografar fotos minhas para crianças que escrevem pedindo uma foto
autografada minha. Mas devo dizer que está além da minha compreensão por que
alguém ia querer uma foto minha para colocar na parede do quarto.

6. Ler as cartas enviadas pelos meus fãs (depois de terem sido passadas por
scanners e de terem sido examinadas para assegurar que não contenham lâminas de
barbear nem explosivos). Uma enorme parcela da população parece sentir a
necessidade de me escrever para dizer que me acha incrivelmente corajosa.
Algumas dessas pessoas até mandam dinheiro. Infelizmente, todo o dinheiro é
colocado imediatamente em uma caderneta de poupança para pagar a minha
faculdade, de modo que não dá para eu comprar nenhum CD com ele.
Também acho que recebo um monte de cartas de tarados, mas ninguém as mostra
para mim. O secretário de imprensa gurada essas cartas em um arquivo especial e
nem me deixa mostrar à Selena.

5. Apesar de a sede da ONU ser em Nova York, ninguém deu a menor indicação de
que vão me mandar para lá. Tipo assim, para Nova York. Aparentemente, ir até a
sede da ONU na verdade não faz parte da lista das dez prioridades da
embaixadora teen na ONU.

4. Ficar jogando uma bolinha de borracha na parede do gabinete do secretário de
imprensa porque isso ajuda a fazer com que o tempo passe enquanto eu estou presa
lá: é onde eu passo todas as tardes de quarta-feira, apesar de isso não ser,
tecnicamente, uma das funções da embaixadora teen na ONU e só servir para
encomodar o secretário de imprensa e a equipe dele. Ele acabou confiscando a bola
e disse que eu a teria de volta quando meu madato de embaixadora teen acabasse.
Aparentemente, o pessoal do gabinete não sabe que dá para comprar uma bola
dessas ali na esquina, por menos de um dólar.

3. Os embaixadores teens na ONU não devem ficar perambulando pelos corredores
da Casa Branca, por mais que conhecem o lugar, já que podem, sem querer,
interromper uma cúpula de negociações de paz enquanto procuram o Salão da
Prataria Dourada para ver se por acaso lá tem algum retrato de Dolley Lovato.

2. É altamente recomendável que os embaixadores teens na ONU não se vistam
inteiramente de preto, já que isso, de acordo com o secretário de imprensa da Casa
Branca, pode passar ao público a impressão de que a embaixadora teen dos EUA é
adepta de bruxaria.

E a função número um da embaixadora teen dos EUA na ONU, pelo que eu pude
perceber é:

1. Ficar sentada imóvel. Ficar quietinha. E deixar o secretário de imprensa
trabalhar.

Continua ...


MENINAS ... O QUE FOI AQUELE SHOW DA DEMI ????? 

EU CHOREI MUITO ... NÃO ACREDITEI QUANDO ELA 
FALOU "MY FRIEND NICK JONAS" MEU CORAÇÃO PAROU 
FOI PERFEITO , NEMI !!!!!!! VEYY ... FIQUEI MUITO FELIZ DE VER ELES JUNTOS 
DE NOVO !!!




Enfim ... como eu disse no último poste .. VOU viajar ... não sei se vou conseguir postar durante a semana 
por isso postei esse capitulo DUPLO !!!!
Espero que gostem =))))) Volto no máximo no domingo !!

Beijonas ... OBRIGADO PELOS COMENTÁRIOS ... Já estão respondidos !!!



COMENTÁRIOS ????????????


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