29/06/2012

Capitulo 5 - Parte 1







Por sorte, estava chovendo na quinta-feira, quando a Helena me levou para o
ateliê da Sophia McDylan. Isso significa que a possibilidade de ela achar lugar para
estacionar, procurar o guarda-chuva no banco de trás, sair do carro e me levar até
a porta do estúdio era exatamente zero.

Em vez disso, ela parou no meio da Connecticut Avenue (fazendo com que todos os
carros atrás dela buzinassem) e mandou:

- Se você não estiver aqui exatamente às cinco e meia, eu vou atrás de você como
uma louca. Entendeu bem? Eu vou sair caçando você como se fosse um animal.

- Tudo bem – respondi, soltando o cinto de segurança.

- Estou falando sério, Dona Demetria. – frisou Helena. – Cinco e meia em ponto. Ou
eu vou estacionar em fila dupla e você vai ter que pagar a taxa do guincho se a
minivan for guinchada.

- Pode ser – respondi, saindo para a chuva torrencial. Até mais.
Então, corri até a porta do ateliê.

Só que é claro que não subi a escada estreita. Bom, como é que eu ia fazer isso? Eu
tinha que lutar contra o sistema, certo?
Além disso, não tinha sido completamente humilhada lá em cima, anteontem? Será
que dava mesmo para entrar lá toda faceira, como se nada tivesse acontecido?
A resposta, obviamente, era não. Não, não dava.

Em vez disso, o que fiz foi esperar cerca de um minuto no hallzinho de entrada,
com a água da chuva pingando do capuz da minha capa emborrachada. Enquanto
estava lá, tentava não me sentir muito culpada. Eu sabia que estava assumindo uma
posição e tal, ao boicotar a Sophia McDylan. Tipo assim, eu estava mostrando que
apoiava totalmente os rebeldes da arte de todos os lugares.

Mas os meus pais estavam gastando um bom dinheiro com essas aulas de arte. Ouvi
meu pai reclamando que custavam, por mês, quase tanto quanto o especialista em
comportamento animal. Parece que a tal da Sophia McDylan  era meio famosa. Por que
ela era famosa eu não fazia a mínima idéia mas, aparentemente, cobrava uma boa
grana por sua tutela artística.

De modo que, apesar de eu estar lutando contra o sistema, não me sentia muito à
vontade, sabendo que estava desperdiçando o dinheiro que meus pais trabalhavam
tanto para ganhar.

Mas, se você pensar bem, eu sou a filha mais barata dos meus pais. Tipo assim, eles
gastam uma pequena fortuna com a Dallas todo mês. Ela sempre precisa de roupas
novas, pompons novos, aparelho de dente novo, cremes dermatológicos novos,
qualquer coisa, para manter sua imagem como uma das lindas da escola John Adams.
E a Medison, credo. Só as taxas de laboratório da Horizon chegam bem perto do
produto interno bruto de um pequeno país subdesenvolvido.
E eu? O que é que meus pais gastavam comigo todo mês? Bom, até eu ser pega com
o negócio dos desenhos de celebridades, nada além da educação. Tipo assim, eu
usava os sutiãs velhos da minha irmã, certo? E eu nem precisava de roupas novas
esse ano: tingi todas as roupas do semestre passado de preto e voilá! Um guardaroupa
inteiramente renovado.

Fala sério, no que diz respeito a filhas, eu sou uma pechincha. Eu nem como muito,
já que detesto tudo que é comida, menos hambúrgueres, as baguetes da Mulher do
Pão e sobremesa.
De modo que eu nem devia estar me sentindo culpada por cabular a aula de arte.
Não mesmo.

Mas fiquei lá parada, o cheiro bem conhecido de terebintina me envolveu, e dava
para ouvir, bem lá no alto da escada, o som baixinho da música erudita, além de um
grasnado ocasional de Zac, o corvo. De repente, fui envolvida por uma estranha
vontade de subir aquela escada, ir até meu banco, sentar e desenhar.
Mas daí me lembrei da humilhação que tinha sofrido da última vez que entrei
naquela sala. E na frente daquele tal de Joseph, além do mais! Tipo assim, é verdade,
ele não era tão fofo quanto o Logan, ou qualquer coisa assim. Mas ele era um cara,
puxa! Um cara que gostava de Save Ferris! E que disse ter gostado da minha bota!
Tudo bem, eu não ia subir aquela escada de jeito nenhum. Estava assumindo uma
posição. Uma posição contra o sistema.

Em vez disso, fiquei esperando ali no vestíbulo, rezando para que ninguém entrasse
enquanto eu me encolhia ali e dissesse: “Oi Demi, você não vai subir?”
Como se alguém ali fosse se lembrar do meu nome! A não ser, possivelmente, Sophia McDylan Mas ninguém entrou. Quando dois minutos tinham se passado, eu abri a porta com cuidado e olhei para a rua ensopada de chuva.

A Helena e a minivan não estavam mais lá. A barra estava limpa. Dava para sair.
O primeiro lugar a que fui foi a Capitol Cookies. Bom, como é que eu poderia fazer
outra coisa? A confeitaria parecia tão aconchegante e convidativa, ainda mais com
aquela chuva e tudo mais, e eu por acaso tinha US$ 1,86 no bolso, exatamente o
preço do biscoito de chocolate Congressional. Além disso, o confeito que
entregaram na minha mão ainda estava quente do forno. Guardei no bolso da minha
capa emborrachada. Era proibido entrar com comida na Static, meu próximo
destino.

Naquela tarde não estava tocando Garbage. Era o Donnas que cantava pelos altofalantes.
Não era ska, mas fava para engolir. Fui até o lugar onde tinha fones
plugados na parede para as pessoas ouvirem os CDs que estavam pensando em
comprar. Passei uma boa meia hora ouvindo o CD do Less Than Jake que eu queria,
mas não tinha dinheiro para comprar, pois o financiamento materno para tais itens
estava fechado. Enquanto ouvia, eu levava pedacinhos de biscoito até a boca com a mão e repetia para mim mesmo que o que estava fazendo não era tão errado assim. Tipo assim, lutar contra o sistema.

Além disso, olha só a Selena: há anos os pais dela a obrigam a freqüentar aulas de educação religiosa enquanto eles estão na igreja. Como tem, tipo assim, uns dois anos de diferença entre a Selena e os irmãos dela, cada um dos três estava em ma classe diferente, de modo que ela nunca soube, até este ano, que o Marco e o Javier davam tchauzinho para a mãe quando ela os deixava na frente da escola e logo escapuliam para o Fliperama Beltway, bem na esquina. Ela só descobriu quando, um dia, a classe dela foi liberada mais cedo e ela saiu procurando os irmãos, mas não encontrou.

De modo que, basicamente, todos os anos que a Selena passou sentada lá,
ouvindo os professores de religião dizendo que ela deveria resistir a tentações e
tal, durante todo aquele tempo os irmãos dela (e praticamente todos os outros
garotos e garotas legais que freqüentavam a igreja dela) estavam ali ao lado,
batendo recordes no Super Mario.

Então, o que Selena faz agora? Ela dá tchauzinho para a mãe igual ao Marco e ao
Javier e daí vai, também, para o Fliperama Beltway – e fica fazendo a lição de casa
de geometria sob o brilho da tela do Delta Force.
E ela se sente mal por isso? Não. Por que não? Porque ela diz que, se Deus a tudo
perdoa de verdade, como ensinaram para ela na aula, Ele vai entender que ela
precisa mesmo daquele tempinho extra de estudo, senão vai repetir em geometria,
nunca vai entrar em uma boa faculdade e vencer na vida.

Então, por que é que eu deveria me sentir mal por cabular a aula de desenho? Tipo
assim, é só uma aula de desenho. A Selena, por outro lado, está cabulando Deus.
Claro que meus pais, no caso improvável de descobrirem o que eu fiz, vão entender
que eu só estava tentando preservar minha integridade artística. Claro que eles vão
entender. Provavelmente. Talvez. Em um dia bom, acho, quando não tiverem
encontrado bifenil policlorinado no reservatório de água de alguma cidadezinha do
Meio-Oeste, ou quando não haja muita oscilação na economia do norte da África.
Se alguém na Static achou esquisito uma garota de 15 anos , ruiva, vestida de preto
dos pés à cabeça, ficar por lá durante duas horas, ouvindo CDs mas sem ocmrar
nada, ninguém disse nada para mim. A mina do caixa, que tinha o tipo de cabelo
preto espetado que eu sempre quis ter, mas nunca tive coragem, estava ocupada
demais paquerando um outro atendente, um cara de calça clara e camiseta do Lê
Tigre, de modo que não prestou atenção em mim.

Os outros clientes também estavam me ignorando. A maior parte deles parecia ser
estudante de faculdade matando tempo entre as aulas. Alguns poderiam estar
ainda no ensino médio. Um deles era um cara meio velho, tipo com uns 30 anos, com
roupas militares, carregando uma bolsa de lona. Ele ficou um pouco por ali nos
fones, onde eu estava, ouvindo Billy Joel. Diquei surpresa de ver que um lugar igual
ao Static tinha Billy Joel para vender, mas tinha. O cara ficou ouvindo “Uptown
girl” uma vez atrás da outra. Aliás, meu pai é fã do Billy Joel, ele escuta isso o
tempo todo no carro (e é por isso que andar de carro com ele é tão divertido), mas
até ele já superou “Uptown Girl”.

Mais ou menos no meio do segundo álbum do Spitvalve, meu biscoito já tinha
acabado. Enfiei a mão no bolso e só encontrei migalhas. Pensei em ir até a Capitol
Cookies para comprar outro, mas lembrei que estava dura. Além disso, àquela
altura, já eram quase cinco e meia. Eu precisava sair para esperar a Helena vir me
buscar.
Coloquei o capuz na cabeça e saí para a rua, na chuva. Não estava chovendo tanto
quanto chovia quando eu cheguei, mas achei que o capuz impediria que alguém que
saísse do Estúdio de Arte Sophia McDylan me reconhecesse e mandasse essa: “Ei,
onde é que você se enfiou?”
Como se algum deles fosse sentir a minha falta.

Continua ...

Resolvi postar 2 capitulos hoje ! =) 
espero que tenham gostado ;))

Gente... Queria dizer que essa fic não é uma história original minha,
ela é uma adaptação de um livro. 
Espero que vocês continuem acompanhando o blog.

Bem, é isso ... Amanhã o capitulo vai estar bem emocionante !!!

Beijonas =)

4 comentários:

  1. Adorei os capitulos!
    Já fiz pedido de amizade no Facebook. É a Diana Pinto :)

    É uma adaptação de um livro? Por momentos fiquei um pouco desiludida mas vou continuar lendo a fic. Quero ver o que isso irá dar com outros personagens.

    Posta logo!

    Bjs :)

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  2. É sim, mas não é inteiramente do livro, tem partes minha tbm !

    Espero que continue mesmo, amo seus comentários ... espero continuar os vendo aqui =)

    Já te add no face ^^

    P.S: estou amando seu blog.

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  3. cap perfeito


    qru encontro de jemi

    bjo bjo e posta logo

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  4. Juh, tá simplesmente perfeito. Não importa se é adaptação ou não de um livro pra mim, o que interessa é que tá ótimo e eu estou amando. (:
    beijos, May

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Sem comentários ........... sem capítulos!