23/06/2012

Capitulo 2 - Parte 2








Ah, sim, algumas veias da minha mãe quase estouraram quando ela viu o que eu
tinha feito. Mas veja bem, pelo menos ela sabe que uma de suas filhas realmente
pensa em outra coisa além de unhas francesinhas.
Mas a minha mãe, diferente da Dallas, não ia desistir de mim assim tão fácil. E foi por esse motivo que, ali no carro, ela abriu um sorriso radiante, sem motivo
nenhum, se você quiser saber a minha opinião. Estava chovendo e a temperatura
beirava só uns 4°C na rua. Não era o tipo de dia de novembro que motivaria
qualquer pessoa (e especialmente uma pessoa completamente desprovida de
espírito infantil, como eu) a ficar sentada em uma arquibancada, assistindo a um
monte de carinhas musculosos correndo atrás de uma bola com garotas de suéter
branco e roxo apertado demais (como minha irmã) animando a torcida para eles.

- Nunca se sabe – disse mamãe para Dallas, do banco da frente. – Elas podem mudar de idéia. E dirigiu-se a nós:

- O que vocês acham? Demi? Selena? Depois seu pai vai nos levar a Chinatown
para comermos um yakisoba – olhou para mim. – Tenho certeza que dá para achar
um hambúrguer ou algo assim para você, sabe.

- Que pena, sra. Lovato. – começou Selena. Mas não parecia nem um pouco se
lamentar de nada. Na verdade, parecia bem contente por ter uma desculpa para
não ir. A maior parte dos eventos escolares é uma agonia para Selena, por causa
dos comentários costumeiros da panelinha sobre suas roupas um tanto ou quanto
antiquadas (“Onde foi que você parou sua carroça?” e coisas assim). – Preciso ir
para casa. Domingo é o dia de...

-... Descanso. É eu sei. – Minha mãe já tinha ouvido isso um monte de vezes. O sr. Salazar, que é diplomata na embaixada hondurenha aqui em Washington, insiste na idéia de que o domingo é dia de descanso e faz todos os filhos ficarem em casa nesse dia, toda semana. A Selena tinha conseguido de liberar durante meia hora para devolver O patriota (que ela viu sete vezes) na locadora Potomac. A esticada até a Catedral Nacional foi um desvio completo. Mas como Selena presumiu que a caminhada incluía uma visita à igreja, os pais dela não ficariam assim tão bravos se descobrissem.

- Eddie. Dianna. Desistam. – Medison, ao lado de Dallas no banco traseiro, ergueu os olhos de seu laptop em tempo suficiente para exprimir sua profunda insatisfação com a situação.

- Papai – corrigiu minha mãe, encarando Medison – Papai, não Eddie. Mamãe, não
Dianna.

- Desculpa – emendou Medison. – Podemos ir agora? A bateria só dura duas horas, sabe, e eu preciso entregar três planilhas amanhã.

Medison, que com 11 anos deveria estar na quinta série, freqüenta a Horizon, uma escola especial em Bethesda para crianças superdotadas, onde tem aulas de nível universitário. É uma escola de CDFs, tanto que o filho do atual presidente, o maior CDF que já existiu na face da Terra (estou falando do filha mas, pensando bem, até o pai também é), está matriculado lá. A Horizon é tão CDF que eles nem dão notas nas provas, só entregam boletins semestrais. O último boletim da Medison dizia: “Medison já lê textos de nível universitário, mas precisa alcançar os colegas em termos de maturidade emocional e trabalhar seus relacionamentos pessoais no próximo semestre”. Se a idade intelectual da Medison pode girar perto dos 40, ela age como se tivesse 6 anos e meio. Tem sorte por não freqüentar uma escola para pessoas com inteligência normal, como a Dallas e eu: as Megan Parks do círculo das garotas de 11 anos a devorariam viva.

Especialmente quando se leva em conta suas falta de traquejo social.
Minha mãe suspirou. Sempre foi muito popular no ensino médio, igual à Dallas. Até
ganhou a eleição para Miss Espírito Estudantil nessa época. Minha mãe não entende onde errou comigo. Acho que culpa meu pai. Ele não foi eleito nada no ensino médio porque, igual a mim, passava a maior parte do tempo imaginando como seria estar em outro lugar.

- Tudo bem – mamãe finalmente assentiu. – Fique em casa, então. Mas não...

- ...abra a porta para estranhos – completei. – Já sei.
Como se alguém um dia viesse bater na nossa porta, a não ser a Mulher do Pão. A Mulher do Pão é casada com um diplomata francês que mora no fim do quarteirão.

A gente não sabe o nome dela. Simplesmente a chamamos de Mulher do Pão, porque a cada três semanas mais ou menos ela fica maluca, acho que é porque sente falta demais de seu país natal, e assa uns cem pães franceses que sai vendendo de porta em porta pelo bairro, por 50 centavos cada um. Eu sou viciada nas baguetes da Mulher do Pão. Na verdade, é a única coisa que eu como, além de hambúrgueres, já que não gosto da maior parte das frutas e de nenhum tipo de verdura, nem de peixe e nada com alho.

A única pessoa que vem bater na nossa porta, além da Mulher do Pão, é o Logan. Mas não temos permissão para deixá-lo entrar em casa se nossos pais ou a Helena não estiverem. Isso porque, uma vez, o Logan destruiu as janelas do consultório do pai dele, em Bethesda, com uma espingarda de chumbinho, para protestar contra a prescrição de remédios testados em animais. Meus pais se recusam a entender que o Logan só tomou uma ação tão drástica para chamar a atenção do Doutor Ryder para os animais torturados. Eles acham que ele fez aquilo só para se divertir, o que é obviamente falso. O Logan nunca faz nada só para se divertir. Ele está seriamente empenhado em transformar o mundo em um lugar melhor.

Pessoalmente, eu acho que, se mamãe e papai não querem o Logan em casa quando
eles não estão, é para que ele e Dallas não fiquem se agarrando lá. O que é uma
preocupação válida, mas eles poderiam dizer a verdade, em vez de ficar se
escondendo atrás da desculpa da espingarda de chumbinho. É bem improvável que,
algum dia, o Logan vá atirar nas NOSSAS janelas. Minha mãe fica sempre do lado
dos bonzinhos, já que é advogada da Agência de proteção Ambiental.

- Vamos lá, pessoal – Dallas choramingou do banco traseiro. – Vou chegar atrasada ao jogo.

- E nada de desenhar celebridades até terminar sua lição de alemão – minha mãe
gritou enquanto meu pai arrancava com o carro.
Selena e eu ficamos olhando enquanto eles se afastavam; as rodas do carro
deslizavam sobre as folhas secas espalhadas pela rua.

- Achei que você estivesse proibida de desenhar celebridades – disse Selena ao
dobrarmos a esquina. Bud, ao ver um esquilo do outro lado da rua, me arrastou até o meio-fio, quase provocando um deslocamento do pescoço.

- Eu estou desenhada para desenhar celebridade – informei, elevando a voz para
que ela me ouvisse por cima dos latidos roucos de Bud. – Só não posso cobrar das
pessoas.

- Ah – Selena refletiu sobre o assunto.
Depois pediu, em tom de súplica:

- Então, será que você poderia POR FAVOR desenhar o Heath para mim? Só mais
uma vez? Prometo que nunca mais peço.

- Acho que sim – respondi com um suspiro, como se aquilo fosse a maior chateação
para mim.

Mas é claro que não era. Porque, quando você adora fazer algo, você quer fazer a mesma coisa o tempo todo, mesmo se ninguém estiver pagando para isso.
Pelo menos era assim que eu me sentia a respeito dos desenhos.
Até que conheci a Sophia McDylan.

As dez razões principais por que eu gostaria de ser a Gwen Stefani, cantora
da melhor banda de ska de todos os tempos, No Doubt:

10. A Gwen pode tingir o cabelo da cor que quiser, até de rosa-shoking, como fez na turnê Return Of Saturn, e os pais dela não estão nem aí, porque apreciam o fato de ela ser artista e de precisar fazer esse tipo de coisa para dar forma à sua expressão artística. O sr. e a sra. Stefani provavelmente nunca ameaçaram cortar a mesada da Gwen como aconteceu com os meus pais na vez que eu tentei pintar o cabelo com KiSuco.

9. Se a Gwen quisesse usar preto todo dia, as pessoas simplesmente aceitariam o
ato como sinal de sua enorme genialidade e ninguém ficaria fazendo comentáriosninja, como fazem comigo.

8. Gwen mora sozinha, de modo que as irmãs mais velhas dela não invadem seu
quarto sempre que querem, fuçando tudo e depois dedurando o que ela faz para os
pais.

7. A Gwen escreve músicas a respeito dos ex-namorados e canta na frente de todo mundo. Eu nunca tive namorado, então, como é que eu ia poder escrever uma música sobre um ex?

6. CDs grátis.

5. Se ela tirasse uma nota baixa em alemão por ter usado todo o tempo da aula
para escrever músicas, duvido totalmente que a mãe da Gwen mandasse ela ter aula de música duas vezes por semana. Seria mais provável que ela deixasse a Gwen largar o alemão para se dedicar a escrever músicas em tempo integral.

4. Ela tem dúzias de sites dedicados a ela. Se a gente colocar as palavras
Samantha Madison em qualquer mecanismo de busca na internet, nada aparece.

3. Todas as pessoas que foram más para a gwen na escola certamente se
arrependem profundamente até hoje e tentam puxar o saco dela. Mas ela pode dar uma de “Mas quem é você mesmo?”, tipo a Megan Parks fez comigo quando eu voltei do Marrocos.

2. Ela pode ficar com qualquer cara que quiser. Bom, talvez não QUALQUE um, mas é bem provável que conseguisse o cara que eu quero. Que, infelizmente, é o
namorado da minha irmã. Mas tanto faz.

E a razão principal por que eu queria ser a Gwen Stefani:

1.Ela não precisaria ter aula de arte com a Sophia McDylan.



Continua ...


Bom gente ... Mais um capitulo postado hoje !
Beijonas *-*

Um comentário:

Sem comentários ........... sem capítulos!